quarta-feira, maio 10, 2023
“Invasões de terra aumentam desconfiança do agronegócio”, avisa Mendonça de Barros

Mendonça de Barros culpa os problemas internos do PT
Laísa Dall’Agnol
Veja
Enquanto o governo Luiz Inácio Lula da Silva patina na tentativa de equilibrar o elo histórico com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e os interesses do agronegócio, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, se vê em meio a um fogo cruzado para manter o bom relacionamento com o setor. Entre ruralistas e especialistas, ao mesmo tempo que o ministro é tido como alguém com “disposição”, sua figura ainda é vista com ressalvas, uma vez que está lotado em um governo que “joga contra”.
Um dos episódios mais emblemáticos foi o cancelamento da abertura da Agrishow — maior feira do setor — após Fávaro ter se sentido “desconvidado” ao saber que Jair Bolsonaro também participaria da solenidade. “Foi um mal-entendido”, justificou o então presidente da Agrishow, Francisco Matturro.
AGRONEGÓCIO REAGE – Para o economista José Roberto Mendonça de Barros, o aceno do governo ao MST suscitou críticas de um setor que, até então, teria poucos motivos para se queixar. “Fizeram de tal maneira que parece feito por inimigos do governo, e não gente de dentro”, disse à Veja.
O ex-secretário de Política Econômica de Fernando Henrique Cardoso avalia que o “racha” existente hoje no agronegócio é fruto da oposição entre dois grupos — um mais “envolvido em si mesmo” e tradicionalmente bolsonarista, e outro que entende que precisa se relacionar com o governo de forma institucional.
“O que aconteceu na Agrishow é um espanto. Muitas lideranças agrícolas colocaram isso na frente do interesse do próprio setor”, diz, acrescentando que existe um racha.
DUAS VISÕES – Esse racha é entre a maior parte dos agricultores, que têm uma visão da agricultura fechada nela mesma, de que o mundo tem que comprar deles e que não tem como escapar disso.
“Isso, mais do que tudo, aparece na Aprosoja [Associação dos Produtores de Milho e Soja do Mato Grosso]. E há uma parte pequena dos agricultores, mais sofisticados, mais viajados, que entende que a agricultura brasileira só se desenvolveu por estar ligada ao resto do mundo. Esse segundo grupo sabe que tem que se relacionar com o governo, e que não é porque é de direita ou de esquerda”, assinala, acrescentando:
“Por isso, o que aconteceu na Agrishow é um espanto. No sentido de que muitas lideranças agrícolas colocaram isso na frente do interesse do próprio setor, que é de ter um relacionamento institucional. E isso está ligado ao fato de que boa parte dos produtores adotou o bolsonarismo”, diz Mendonça de Barros.
INVASÃO DE TERRAS – A possibilidade de invasão de terras é a razão maior, porque os governos anteriores, inclusive do próprio PT, deram muito suporte à agricultura, tanto que ela nunca parou de crescer. O ministro da Agricultura do Lula, o Roberto Rodrigues, ele é a maior liderança do século.
De fato, segmentos do agro e até o próprio ministro Carlos Fávaro têm verbalizado preocupações com o crescimento da participação do MST no governo. Esse aceno pode ter sido um tiro no pé?
“O governo manejou pessimamente a questão do MST. Tem um pedaço do governo que é o chamado PT raiz, que se recusa a aceitar que o Lula ganhou por conta de uma frente ampla que se formou em torno dele, e que, portanto, não pode ser um governo do PT. E esse grupo opera o dia inteiro como se só tivessem eles. E conseguiu criar um problema gigante, que vai atrapalhar muito o governo, e que vai ser difícil de consertar”, salienta.
COISA DE INIMIGO – “Fizeram de um jeito tal que parece que foi feito por inimigos do governo e não por gente de dentro. Por isso, merece crítica, sim. A invasão de terra é uma insegurança jurídica que não poderia ter, o agronegócio nesse sentido tem muito do que se queixar do governo. E num movimento que é limitado, porque o MST, queira ou não queira, é uma coisa pequena”, diz Mendonça de Barros, acrescentando:
“O MST é um grupo respeitável, porque o assentado é um produtor rural dedicado, mas é um grupo pequeno. E não se pode, por causa disso, destratar a produção agrícola. Não quer dizer que a liderança, que é de esquerda, não vá dar espaço, mas deixar essa coisa desandar em 90 dias é um erro imperdoável para um governo que quer ser transformador”.
E conclui: “Tem um pedaço do governo que se recusa a aceitar que o Lula ganhou por conta de uma frente ampla que se formou em torno dele, e que, portanto, não pode ser um governo do PT”.
Quem semeia discórdia colhe tempestade
Antes de mais nada sou contra a violência sobre todos os aspéctos. no entanto, esse cidadão aprontou muito em Jeremoabo, desacatou cidadãos de bem, ameaçou até de dar tiro, por isso mesmo está semeando o que plantou, estou referindo-me ao advogado Jadson Nascimento, onde só me resta lamentar tudo que acontece.
A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota.” – Jean-Paul Sartre
Quem semeia ventos colhe tempestades. O plantador de discórdia não pode, em sã consciência, aguardar uma safra de tranquilidade. Quem comete maldade e injustiça receberá em algum momento o que fez por merecer. Do mesmo modo, a paz, a compreensão e a misericórdia darão, àquele que as cultivou, o retorno merecido.
Pode ser que a partir de agora o mesmo caia na real e procure se corrigir esquecendo dessa pseuda valentia que nunca teve.
Insanáveis contradições entre os ensinamentos de Jesus e o evangelismo que apoia Bolsonaro

Bolsonaro defende um evangelismo muito desvirtuado
Antonio Carlos Rocha
Li ainda há pouco na Folha On Line esse artigo de Alexandre Gonçalves, que é formado em Teologia, Direito e Artes. Embora há 28 anos seja pastor da Igreja de Deus, uma corrente evangélica, ele não apoia o que chama de Cristianismo Bolsonarista.
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O CRISTIANISMO FREESTYLE BOLSONARISTA
Alexandre Gonçalves Folha
O bolsonarismo criou o cristianismo freestyle, gestado por uma teologia pseudocristã no seio das igrejas evangélicas. Sei que a sentença é forte, ainda mais vinda de alguém com 28 anos de ministério pastoral. Também parece dogmática e tendente a uma generalização rasa. Não é, e espero explicar o porquê.
Em meados dos anos 1950, houve uma ascensão de um tipo de teologia adjetivada de “teologia do domínio”. No Brasil, chegou pelos anos 1960, através de missionários americanos como Bob Weiner e Robert McAlister —este último, fundador da Igreja de Nova Vida, que deu origem à Igreja Universal e à Igreja da Graça de Deus, fundadas por ex-discípulos de McAlister (Edir Macedo e R. R. Soares, respectivamente). Eles defendiam que a mensagem da prosperidade, já trazida por esse movimento, deveria chegar ao povo da periferia, visto que a Nova Vida atingia mais a classe média/alta. Juntou-se a essa teologia a teologia do domínio ou triunfalista.
UM VINAGRE – Essas doutrinas, importadas dos Estados Unidos, apenas comprovam minha teoria de que a boa teologia é destilada na Alemanha, envelhecida na Inglaterra, apodrecida nos EUA e consumida no Brasil. É vinagre! Vou explicar.
Sua base teórica é a seguinte: Deus entregou o domínio da Terra para Adão; este pecou e entregou esse domínio ao Diabo. A missão da igreja é tomar o domínio (“Take Dominion”, da expressão de Bob Weiner em seu livro homônimo) das mãos do Diabo a fim de estabelecer (eufemismo de “impor”) o Reino de Deus aqui na Terra.
A estratégia? Estabelecer (impor) a cosmovisão cristã (conceito ressuscitado do calvinismo) em todas as áreas de influência, como as artes, a economia e a política. Preciso dizer que isso vilipendia o evangelho de Jesus a tal ponto que o transforma em instrumento de poder em vez de instrumento de serviço e amor ao próximo?
Jesus era a antítese disso. Ao ser inquirido por Pilatos se era ou não o rei dos judeus, ele respondeu: “O meu Reino não é deste mundo” (Jo 18:36).
SERVO DE TODOS – Em outra situação, testemunhava uma discussão entre seus discípulos sobre quem seria o maior do reino de Deus. A resposta de Jesus surpreenderia os que advogam um domínio da cosmovisão cristã sobre todos indistintamente:
“Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se maior entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser servo de todos” (Mc 10:42-44).
Nesse cristianismo freestyle, existe o culto às armas, pois elas são o símbolo do poder pela força. E o mais triste é que usam a Bíblia para basear suas sandices. Falam que Pedro empunhava uma espada. De fato, ele usava (Jo 18:10). Entretanto, quando se dispôs a usá-la para defender Jesus, ferindo um soldado do templo (Jo 18:10 c/c Mt 26:51), foi por Jesus exortado: “Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão” (Mt 26:52).
BANDIDO MORTO – Em seguida, Jesus curou aquele soldado do templo (Lc 22:51), contrapondo o evangelho de guerra com o de amor e serviço. Esse cristianismo anátema exalta o iníquo adágio de que “bandido bom é bandido morto”.
Olhemos para Jesus. Na lei do Antigo Testamento, uma mulher ou homem pegos em adultério deveriam ser apedrejados (Dt 22:22-24). Qual foi a resposta de Cristo ao ser perguntado pelos fariseus o que deveriam fazer diante da situação? Pela lei judaica, ela era uma criminosa.
Você imagina Jesus dizendo: “Apedrejem essa vagabunda!”? De forma alguma! Ele disse: “(…) quem não tiver pecado, que atire a primeira pedra” (Jo 8:7). Logo em seguida, todos foram saindo e somente restou a mulher. Jesus a indaga: “Mulher, onde estão seus acusadores? Ninguém a condenou? Eu também não a condeno!” (Jo 8:10,11).
NÃO É CRISTIANISMO – Urge mostrarmos as contradições do atual discurso dessa seita “cristã” bolsonarista em relação ao evangelho de Cristo.
Comparar o ensino de Jesus com esse discurso atroz é o que temos de mais importante a fazer a fim de que se sejam desmascarados aqueles que usam a Bíblia e os púlpitos das igrejas como palanque para seus projetos de poder.
Enfim, esse cristianismo freestyle bolsonarista é tudo, menos cristianismo.
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