sexta-feira, fevereiro 17, 2023

Gilmar Mendes anula decisão que inocentou Carlos Bolsonaro e determina novo julgamento

 


O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou decisões do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que inocentaram o vereador Carlos Bolsonaro de uma queixa de difamação feita pelo PSOL e determinou que a primeira instância da Justiça fluminense reavalie a acusação. A decisão é desta quinta-feira.

O partido apresentou uma queixa-crime contra Carlos Bolsonaro por conta de uma publicação feita por ele que relacionava o ex-deputado federal Jean Wyllys a Adélio Bispo, autor da facada contra o então candidato à presidência da República Jair Bolsonaro, em 2018.

Segundo a publicação falsa feita por Carlos Bolsonaro, uma testemunha teria afirmado em depoimento à Polícia Federal que Adélio esteve no gabinete de Jean Wyllys.

Na decisão, Gilmar Mendes afirma que o julgamento que rejeitou a acusação do PSOL deve ser anulado porque não tratou de pontos essenciais do processo.

"Examinando todo o contexto já explicitado e, em especial o inteiro teor de todas as mensagens publicadas no Twitter, resta claro que há acontecimento certo e determinado no tempo, sendo possível depreender que, a princípio, a manifestação do recorrido teria extrapolado mera crítica, podendo caracterizar crime de difamação", disse o ministro.

O magistrado do STF lembra ainda que o blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio, autor das notícias falsas que foram replicadas por Carlos Bolsonaro, foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Paraná por difamação contra o PSOL.

Bahia Notícias

Haddad, Tebet e Campos Neto se acertam antes da reunião do CMN e Lula é derrotado

Publicado em 17 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

Governo adia para fevereiro primeira reunião de Haddad, Tebet e Campos Neto  no Conselho Monetário Nacional | Economia | O Globo

Tebet e Haddad entenderam as posições de Campos Neto

Raphael Felice e Rafaela Gonçalves
Correio Braziliense

Em meio às tensões entre o governo e Banco Central (BC) sobre o patamar da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 13,75% ao ano, a primeira reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi rápida e tranquila.

O encontro do colegiado, composto pelos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, do Planejamento, Simone Tebet, e pelo presidente do BC, Roberto Campos Neto, foi cercado por expectativas diante dos ruídos sobre uma possível revisão da meta da inflação, defendida por Lula, mas o assunto sequer entrou em pauta.

ALMOÇO CONCILIADOR -Antes do encontro oficial, Campos Neto, Haddad e Tebet tiveram um almoço restrito que durou mais de duas horas, “selando a paz” entre governo e BC, de acordo com fontes da Fazenda. A reunião formal do CMN exigiu apenas 28 minutos. Dela, participaram cerca de 20 pessoas, incluindo alguns nomes do segundo escalão de cada uma das pastas, que relataram que o encontro foi técnico e cordial.

O presidente Lula não vem poupando críticas à política monetária do BC nas últimas semanas. Nesta quinta-feira, porém, em entrevista à emissora CNN, ele afirmou que “não interessa brigar com um cidadão que é presidente do Banco Central”, referindo-se a Campos Neto. “Como presidente da República, não me interessa brigar com um cidadão que eu pouco conheço. Eu vi ele uma vez”, disse.

Sobre a possibilidade de mexer ou não na autonomia do BC — assunto que tem gerado polêmica com o mercado financeiro nas últimas semanas — Lula disse que, após Campos Neto cumprir seu mandato, que vai até o fim de 2024, serão avaliados os benefícios e consequências da lei que tornou o BC independente.

PT É CONTRA – Ainda ontem, antes da reunião do CMN, o Partido dos Trabalhadores (PT) publicou uma resolução na qual reafirma se opor à autonomia da autoridade monetária.

“Vamos ver qual é a utilidade que a autonomia do Banco Central trouxe ao país. Se ela trouxe algo positivo, não tem problema nenhum de ser independente. Na verdade, ele é autônomo, mas não é independente. Porque tem compromisso com a sociedade brasileira, tem compromisso com o Congresso Nacional e com o presidente da República. Isso nunca foi para mim uma coisa de princípio. O que interessa para mim é o resultado: um banco central autônomo vai ser melhor? Vai melhorar a economia? Ótimo. Mas, se não melhorar, vai ter que mudar”, destacou Lula, durante a entrevista.

Em mais um gesto destinado a reduzir as tensões, Campos Neto concordou em ir à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, depois do carnaval, para prestar esclarecimentos sobre a política monetária. A informação foi confirmada ao Correio pelo futuro presidente da comissão, senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO).

À DISPOSIÇÃO – O convite será formalizado assim que o colegiado estiver com todos os membros indicados. Mas o parlamentar se reuniu com Campos Neto em um jantar, na noite de quarta-feira, e afirmou que o presidente do BC se colocou à disposição para prestar todos os esclarecimentos referentes à atuação da autarquia. Ele já se dispôs a ir lá e prestar qualquer dúvida que porventura tiver com assuntos relacionados ao Banco Central e principalmente sobre as taxas de juros”, disse o senador.

 

Vanderlan fez elogios a Campos Neto e afirmou que o presidente do BC prestará todos os esclarecimentos necessários quando convocado à CAE.

Sobre a autonomia da instituição, o senador entende que é um assunto superado. “Não vamos dar passo para trás da conquista que é ter um Banco Central independente”, declarou.

POLÍTICA DE JUROS – O CMN, no qual Campos Neto é peça chave, é o responsável pela definição da meta de inflação a ser perseguida pelo BC — que, para isso, utiliza a política de juros.

Com mandato até o fim de 2024, o presidente do BC tem alertado que um aumento da meta de inflação, neste momento, pode ter o efeito contrário ao desejado, impulsionando ainda mais as expectativas e a alta dos preços. O conselho tem até junho para definir a meta para a inflação de três anos-calendário à frente.

Segundo o economista e sócio da Valor Investimentos, Davi Lelis, a reunião do CMN trouxe um certo acalento para o mercado. “Muito se falava e esperava que essa reunião trouxesse respostas sobre as metas de inflação e, conforme Haddad havia antecipado, este não foi o assunto”, observou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Na hora da verdade, os ministros Fernando Haddad e Simone Tebet tiveram de reconhecer a importância do trabalho de Campos Neto para conter a inflação, que anda lá nas alturas — aliás, os supermercados que o digam… Ao contrário do que Lula está exigindo, Haddad e Tebet concordaram com o presidente do BC e mantiveram a meta da inflação. Os dois são maioria no Conselho, poderiam ter atendido Lula, mas agiram de acordo com o interesse público. Para os brasileiros, foi bom saber que no governo ainda há quem aja com responsabilidade. (C.N.)

Salário mínimo, de Lula 1 a Lula 3




Sob petista, mínimo se aproximou da média salarial, mas uma nova dose vai ser difícil

Por Vinicius Torres Freire

O salário mínimo deve ter outro aumento real em maio, dizem assessores políticos de Luiz Inácio Lula da Silva. Além do aumento real que calhou de acontecer no último ano do governo das trevas, para R$ 1.302, o mínimo deve ir a R$ 1.320: mais R$ 18. Paga quatro passagens de ônibus em São Paulo.

É pouco, mas é o que dá para fazer e olhe lá, pois o reajuste aumenta as despesas do governo —mais sobre isso mais adiante.

Em si mesmo, o valor do mínimo é mínimo, até porque o país é meio pobre e empobrece faz uma década. Em 1979, um menino perguntou ao último ditador-general, João Baptista Figueiredo, o que faria caso fosse criança e o pai dele vivesse com um salário mínimo. "Daria um tiro no coco [na cabeça]", disse o tosco.

O salário mínimo teve reajustes reais, acima da inflação, em particular nos anos Lula (e quase nada além da correção monetária depois de 2016). A distância entre o salário mínimo e o salário médio diminuiu.

No início de Lula 1, em 2003, o mínimo equivalia a cerca de 38% do salário médio. No último ano de Lula 2, 2010, a 45%. De 2012 até 2016, o valor do mínimo ficou em torno de 43% do rendimento médio do trabalho; de 2017 a 2022, de 44%.

Ou seja, a política de Lula a partir de certo ponto evitou que o mínimo perdesse para avanço dos salários determinados em geral "no mercado". Depois, a Grande Recessão (2015-2016) e os anos seguintes de PIBinho contiveram salários em geral e, assim, contribuíram para que a diferença se estabilizasse.

Caso a última política de reajustes de Lula tivesse sido seguida depois dos anos petistas, o mínimo equivaleria a quase 49% do salário médio. Mas isso é uma abstração aritmética e uma simplificação ainda maior das complicações do mundo de trabalho e salário. Por vários motivos, em anos de crise teria sido muito difícil dar reajuste real ao mínimo. De resto, em quanto é possível aproximar o mínimo da média? Tem limite. É preciso aumentar a média.

Qual aumento será possível dar nos próximos anos é outra questão. A perspectiva de crescimento médio para o primeiro biênio de Lula 3 é, por ora, na melhor das hipóteses, parecida com a dos anos ensanduichados entre a Grande Recessão e a epidemia (perto de 1,4% ao ano). Mesmo que voltasse a regra antiga de aumento do mínimo (reajuste pelo crescimento do PIB no biênio anterior, além da inflação), não sairia grande coisa daí.

Um problema mais imediato é que o valor do mínimo determina também o piso de benefícios do INSS (aposentadorias e outros). Um aumento do mínimo, como se sabe, por isso aumenta as despesas do governo federal.

O pessoal da Fazenda ainda faz contas para saber como acomodar o gasto extra do reajuste previsto para maio, assim como a provável perda de receita com o Imposto de Renda de quem ganha até dois mínimos (que serão isentos, o que por tabela diminui um tico do imposto de quem ganha acima disso também).

Em março, o governo apresenta seu novo método de limitar o crescimento da dívida pública (algum limitador de despesa e déficit). O governo pretende elevar também investimentos, gastos sociais e salários de servidores. Vai ser difícil acomodar o aumento do mínimo e tudo isso no Orçamento, mesmo que a despesa federal fique no nível do ano passado (como proporção do PIB). A economia teria de crescer muito mais rapidamente e já, o que é a nossa grande questão faz uma década (para não dizer 40 anos).

Nota: mesmo ajustando essas contas do mínimo, é preciso ter certa cautela: metodologias oficiais de cálculo de rendimento médio do trabalho ("salário") mudaram, e as estatísticas do assunto tem certas manhas.

Folha de São Paulo

Na discussão sobre reeleição, até Michelle e Janja entram no páreo




Por Merval Pereira

Não é bom sinal que, com menos de dois meses de governo, já se fale em possíveis sucessores de Lula. Pior ainda quando se coloca a primeira-dama no páreo. Janja virou até fantasia de carnaval. O próprio presidente sentiu cheiro de queimado no ar e tentou desarmar a bomba, recuando prematuramente da promessa de não disputar a reeleição.

Com isso, porém, acirrou a sanha da extrema direita, o que trará de volta ao Brasil no próximo mês o ex-presidente Bolsonaro com o objetivo de liderar a oposição ao PT. A síndrome da reeleição tem efeitos colaterais graves, como governar desde o primeiro dia do primeiro mandato para conseguir um segundo. No caso de Lula, um quarto.

Mas presidente que anuncia que não será candidato gera disputa antecipada. Bolsonaro prometeu, uma das muitas mentiras que contou para receber votos dos eleitores liberais que acreditaram em suas promessas. Desde o primeiro dia de seu mandato, a reeleição foi prioridade.

Aprovada no governo de Fernando Henrique, a reeleição sempre foi justificada pela necessidade de dar prosseguimento às reformas em curso, como se fossem medidas de governo, e não de Estado. Assim foi no Plano Real, assim foi com Lula e Dilma, assim também com Bolsonaro, no desmonte do Estado governado havia 25 anos pela social-democracia, como definido pelos seus, juntando no mesmo saco PT e PSDB.

No atual caso do Brasil, há um detalhe extravagante: os dois grandes líderes populares, Lula e Bolsonaro, podem não ter condições de se candidatar em 2026. Lula, pela idade e pela saúde, já que ele mesmo condicionou a seu estado físico a decisão. Bolsonaro, porque provavelmente será considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Isso acontecendo, independentemente de ser preso ou não, a direita brasileira terá o mesmo argumento da esquerda em 2018. Dirá que houve um conluio para impedir Bolsonaro de se candidatar e favorecer o PT.

Mesmo que, no PT, não se atrevam a lançar candidatos enquanto Lula mantiver acesa a possibilidade de se recandidatar, já surgem especulações que colocam como possíveis pretendentes os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, da Casa Civil, Rui Costa, e da Justiça, Flávio Dino. No centro, que não conseguiu nas duas últimas eleições ter candidato viável, movimentam-se nomes já conhecidos: o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, a ministra do Planejamento, Simone Tebet.

A “direita civilizada” tem dois governadores protagonistas nessa disputa antecipada: Romeu Zema, de Minas, e Tarcísio de Freitas, de São Paulo. Ambos tentam se descolar de Bolsonaro, deixando o ex-presidente ficar isolado na extrema direita, que teria um dos filhos, provavelmente o senador Flávio Bolsonaro, como herdeiro político.

À falta de nomes, cria-se uma disputa indireta entre as primeiras-damas dos dois — a atual, Janja, e a ex, Michelle. A primeira-dama Rosângela da Silva, mais conhecida como Janja, virou figura nacional. Participa de reuniões ministeriais, sai em fotos oficiais de encontros presidenciais. Mesmo antes da posse, já se prenunciava que teria papel importante. Confessou em entrevista ao “Fantástico” que suas inspirações são Evita Perón e Michelle Obama, duas primeiras-damas de ações distintas. A esdrúxula situação de aparecer entre Lula e Biden em foto na Casa Branca virou meme.A ex, Michelle Bolsonaro, assumiu um papel político no PL, comparece a reuniões do partido, já tem missão de viajar pelo país com salário oficial. Sua popularidade entre o eleitorado evangélico é um trunfo. Bolsonaro já está enciumado.

Cinquenta anos depois, poderíamos repetir a farsa de termos uma ex-primeira-dama na Presidência da República no Brasil depois que a Argentina, por meio do líder populista Juan Domingo Perón, teve como presidente sua mulher, Isabelita. A tragédia argentina começara quase 30 anos antes, quando a primeira-dama Evita Perón tornou-se uma lenda entre o povo, mesmo sem ter mandato ou voto.

Seria cômico se não fosse trágico.

O Globo

De pires na mão, tentando atravessar a pinguela




Por Aylê-Salassié Filgueiras Quintão* 

Para não versados em assuntos diplomáticos,  a pretensão do  governo  Lula de compartilhar a gestão do bioma amazônico com outros países parece ser uma ideia não bem de girico, mas uma imprudente  aventura, conduzida pelo o que se chama de  "governance",  gestão eficiente,   de responsabilidade entre   parceiros nacionais e estrangeiros. 

Beneficiariam a nossa população tupininquim  ou  seria uma abertura planetária para um reposicionamento da Amazônia?  Quem pensou nisso, imaginou algo de dimensão ampla, incluindo a responsabilidade comum. Paradoxalmente, em nome de um  certo modelo civilizatório,  o  mundo parece não querer abandonar  a produção de gás carbônico (CO2), ao continuar a expandir o uso de máquinas e veículos   movidos a combustíveis derivados do petróleo.   

A floresta Amazônica absorve 30 % de CO2 produzido no Planeta. Mas, o homem  interfere cinicamente no processo, desmatando e queimando  florestas, que  minimizam um mal  maior, o aquecimento  global. A elevação das temperaturas tende a desequilíbrios climáticos, e a  provocar o desgelo nas  zonas glaciais , elevando o nível dos oceanos, cujas águas ao subirem  engoliriam  áreas costeiras e países mesmo.

No caso da proteção da Amazônia não estamos sozinhos . Oito países   - Brasil, Venezuela, Guianas, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador e Suriname -  são cobertos pelo bioma tropical, e são  estratégicos  nesse jogo de mudanças  climáticas.  A região amazônica  cobre   6,7 milhões de km2  do planeta com suas florestas tropicais,  dos quais    5,5 milhões de km² estão no Brasil. Absorve 1/3 do gás carbono lançado na atmosfera , além de abrigar uma enorme biodiversidade e princípios ativos desconhecidos.

Há um esforço mundial na busca de uma governança global para os recursos naturais. Chegou-se a inventar os tais créditos de carbono, adquiridos  por governos e empresas nacionais ou estrangeiras, cuja aquisição daria  passe livre para a exploração comercial da  biodiversidade    num total correspondente aos  volumes de  CO2  absorvidos pelos  ecossistemas  protegidos na  Amazônia, no cerrado, Mata Atlântica e até no  mar referidos nos certificados.

No viés  dos efeitos climáticos, o Brasil, de mocinho ambiental, passou a ser acusado, nas  Conferências do Clima (COPs), de ser um dos maiores destruidores  dos estoques de recursos naturais no  Planeta, ao não esforçar-se o bastante para  conter os desmatamentos e impedir  as queimadas que consomem anualmente milhares de hectares de recursos bióticos  endêmicos  dos trópicos . Reconhecer isso por aqui é difícil. As inflexões políticas provincianas ou ideológicas   afetam,  visivelmente,   a gestão ambiental no País, ao promover  mudanças profundas nessas políticas internas a cada mandato presidencial que se sucede. 

Os novos  governos  tratam os recursos ambientais à sua maneira e conveniência. O grupo dos sete países  tidos como os mais desenvolvidos - EUA, Grã Bretanha, Alemanha, Suécia, Itália, Canadá e Japão - chegou a criar linhas de crédito bilionárias para um  Programa Mundial de Proteção das Florestas Tropicais (PPG7). O Brasil recebeu  volumosos  recursos  para a proteção da Amazônia,    geridos administrativamente   via PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Era uma doação volumosa, mas sistematizada, cuja gestão operacional, no campo, cabia a  uma Secretaria da Amazônia, localizada na estrutura do  Ministério do Meio Ambiente.  Foram instalados  escritórios do PPG7 junto às secretarias de Meio Ambiente dos estados para estimular projetos de populações locais   e financiar centenas de  estudos científicos - um laboratório para estudos da biodiversidade  -  e exploração sustentável comunitária da biodiversidade  em Manaus  , com a criação de  reservas extrativistas para abrigar os caboclos na floresta  e as  populações indígenas nas suas terras. A Amazônia brasileira é habitada hoje por mais de 30 milhões de pessoas.

Ciúmes entre secretários e secretarias , regiões e Ongs ativistas não contempladas no projeto geraram vieses ideológicos e, em consequência, o desmonte do PPG7  no Brasil numa dessas  mudanças de  Governo. Argumentava-se, levianamente, que  a política ambiental brasileira estava sendo coordenada por estrangeiros: um primitivismo mais para falacioso . Embora os recursos do PPG7 fossem maiores que o Orçamento do Ministério - a contrapartida do  MMA  no Programa era ínfima - cabia ao MMA a responsabilidade direta pela sua gestão ,  via a Secretaria apropriada.  O PPG7 foi substituído, em parte, pelo Fundo da Amazônia, que dava  acesso direto às  autoridades brasileiras . As mudanças foram tantas que os recursos externos começaram a escassear, com a redução gradual das doações e a fuga dos doadores.

O que  está sendo proposto hoje: compartilhar a gestão da Amazônia, sem que se perca a soberania nacional, é algo, além de provocativo,  meio fantasioso . Que figura jurídica seria  essa?  Não são poucos os países e organizações internacionais que defendem a tese de uma  "autonomia relativa" na região. Parte-se do princípio de que a Amazônia é patrimônio  mundial, declarado pela Unesco. Daí a sensação de que  as picuinhas internas  estão abrindo as portas para uma escalada dessas presunções internacionais.  Na área ambiental, o Brasil não tem tido  uma política consistente e, agora, pretende retomar essa retórica protecionista concentrada na captação de recursos no exterior destinados a financiar  políticas públicas atemporais para a Amazônia.

A intempestiva  expulsão dos garimpeiros das terras isoladas no Norte, incluindo as reservas  dos nativos yanomamis ,   vai gerar milhares de desocupados  que haviam migrado para a região e  despovoar  as fronteiras , propícias  às invasões por estranhos,  e até desmontar  a renda de alguns grupos aborígenes.  As  encenações políticas são casuísticas. O ex-ministro da Defesa  de Lula e Dilma, Aldo Rabelo, que visitou a região, disse em entrevista recente que os problemas que estão sendo denunciados agora estão lá há mais de vinte anos: atravessaram esses últimos governos todos, e quem manda por ali são as ONGs.

Como financiar  soluções capazes de amenizar o abandono dessas populações ? Joe Biden,  Presidente dos EUA,  no encontro com Lula, ofereceu uma contribuição de US$ 50 milhões  para ajudar    ações climáticas do Brasil. A oferta foi desdenhada. O valor é, de fato, pouco significativo. Contudo, reflete uma desconfiança nas verdades  políticas, proclamadas aos quatro ventos, e na sinceridade dos objetivos da Agenda Brasileira para o Meio Ambiente.

Lula, com sua impetuosidade discursiva,  anunciou que, na viagem que estaria fazendo pelos estados do Nordeste, inauguraria esta semana uma nova narrativa política (???). Os cursos de História podem ser fechados. Em estilo político convencional vai, entretanto, anunciar um punhado de obras e feitos em suas gestões anteriores,  nos 100 dias iniciais de governo e, por certo, fazer promessas para o futuro, como o fez anteriormente inaugurando até   pedras fundamentais. 

Em seguida, vai a China visitar Ji Jinping que disputa espaço político com  Joe Biden, a quem acaba de visitar.  Quanto à Ucrânia, lavou as mãos para a  invasão russa. Ministros e gestores das políticas públicas precisam estar atentos . Podem se  enrolar com a nova narrativa e as promessas de  Lula. O Congresso não demonstra disposição embarcar em determinadas canoas. O Supremo até que  pode... A diplomacia brasileira, por sua vez,  parece estar  embrenhando-se por um campo minado, de futuro imprevisível.

*Jornalista e professor

Chumbo Gordo

Menos de 24h do rompimento, Embasa realiza últimos ajustes em adutora no trecho da Garibaldi; trânsito ainda não está liberado


Por Redação

Imagem sobre Menos de 24h do rompimento, Embasa realiza últimos ajustes em adutora no trecho da Garibaldi; trânsito ainda não está liberado
Foto: Divulgação

A Embasa tem atuado após o rompimento de uma adutora que acabou alagando parte da Avenida Reitor Miguel Calmon, no bairro do Garcia, em Salvador. Prepostos da empresa trabalharam no local para recuperar o espaço. 

 

O caso aconteceu na manhã desta quinta-feira (16), e um carro caiu na cratera e ficou submerso, mas os passageiros conseguiram sair pela janela do veículo (veja aqui).  A área fica próximo a Praça Lord Cochrane e a um grande mercado da região. A via também faz ligação om a Avenida Garibaldi. 

 

Foto: Divulgação

 

A malha asfáltica tem sido recuperada, como um dos últimos atos para realizar a liberação da pista, ainda nesta sexta-feira (17). 

Bahia Notícias

Galã é diagnosticado com demência| Bolsonaro será investigado| Hábito simples diminui risco de doença hepática

 

Notícias ao Minuto
 EDIÇÃO DA TARDE DE SEXTA, 17 DE FEVEREIRO DE 2023
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06:20 - 17 DE FEVEREIRO DE 2023
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Lula sobre Campos Neto: se não posso influir para reduzir juros, o que vou conversar?
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Hábito diário diminui risco de doença hepática. Só precisa de 22 minutos
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