quarta-feira, fevereiro 15, 2023

Para facilitar a condenação de Bolsonaro, o TSE muda as regras, por unanimidade

Publicado em 15 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

Injustiça Brasileira: Charges sobre a Justiça Brasileira

Charge do Nani (nanihumor.com)

Mariana Muniz
O Globo

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou, por unanimidade, a decisão do ministro Benedito Gonçalves de manter a chamada minuta golpista nos autos de uma ação em que o ex-presidente Jair Bolsonaro é investigado. Os ministros também definiram, na sessão desta terça-feira, um procedimento para permitir a inclusão de fatos e documentos específicos nas ações de investigação sobre as eleições de 2022 — mecanismo que poderá turbinar casos já em andamento.

Na semana passada, o corregedor Gonçalves rejeitou um recurso apresentado pela defesa do ex-presidente, que pedia para que o documento fosse excluído do processo, e determinou que o plenário da Corte analisasse a sua decisão.

A PEDIDO DO PDT – A minuta, que sugeria uma espécie de intervenção no TSE, foi encontrada na casa do ex-ministro Anderson Torres. Atendendo a um pedido do PDT, autor da ação, Gonçalves incluiu o documento em um processo no qual Bolsonaro é investigado por ataques ao sistema eleitoral brasileiro, realizados uma em reunião com embaixadores, em julho do ano passado.

Em seu voto, Benedito afirmou ser “inequívoco” que o fato de o ex-ministro da Justiça do governo de Bolsonaro ter em seu poder uma proposta de intervenção no TSE e de invalidação do resultado das eleições presidenciais “possui aderência aos pontos controvertidos, em especial no que diz respeito à correlação entre o discurso e a campanha e ao aspecto quantitativo da gravidade”.

“O próprio teor do discurso do Presidente, que livremente escolheu os tópicos que desejava abordar, oferece uma clara visão sobre o fluxo de eventos – passados e futuros – que podem, em tese, corroborar a imputação da petição inicial” — disse o ministro nesta terça-feira.

RECURSO REJEITADO – O plenário rejeitou um recurso apresentado pela defesa do ex-presidente, que pedia para que a minuta fosse excluída do processo.

Também por unanimidade, os ministros aprovaram uma proposta do ministro Benedito Gonçalves para a fixação de um parâmetro para que o TSE trate, em todas as ações de investigação judicial eleitoral sob sua competência, relativas às eleições presidenciais de 2022, a inclusão de fatos e documentos específicos.

Os ministros autorizaram que sejam incluídos no processo fatos revelados em outros procedimentos policiais e investigativos que tenham relação com desdobramentos do caso.

NOVA REGRA – “A estabilização da demanda e a consumação da decadência não impedem que sejam admitidos no processo e considerados no julgamento elementos que se destinem a demonstrar desdobramentos dos fatos originariamente narrados, a gravidade (qualitativa e quantitativa) da conduta que compõe a causa de pedir ou a responsabilidade dos investigados e de pessoas do seu entorno”, diz a nova regra aprovada pelo TSE.

Na prática, isso evita que o mesmo argumento usado para rejeitar o pedido de cassação da chapa Dilma-Temer em 2017 possa se repetir no julgamento de Bolsonaro-Braga Netto.

Na época, o TSE rejeitou o pedido de cassação da chapa presidencial por entender que o processo extrapolou o que havia inicialmente na ação do PSDB, com a inclusão de depoimentos de executivos da Odebrecht.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Chama-se a isso “Justiça à la carte”. Os ministros mudam as regras de acordo com os réus. No caso de Dilma e Temer, valeu no TSE uma regra que tem libertado muito corrupto no Supremo. Agora, no caso de Bolsonaro, a regra mudou e está valendo tudo para condená-lo. Pessoalmente, não sou contra essa regra do vale tudo para fazer justiça, sem tecnicalidades. Mas não aceito, de forma alguma, a “Justiça à la carte” que está sendo praticada no Brasil, porque isso “non ecziste” na democracia, diria o Padre Quevedo(C.N.)

Tribunal de apelações confirma multa de 102 mil euros a Trump por desacato




Um tribunal de apelações de Nova Iorque confirmou esta terça-feira a multa de 110 mil dólares (cerca de 102 mil euros) imposta ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por desacato, após o republicano incumprir uma ordem de entrega de documentos.

"Mais uma vez, os tribunais decidiram que Trump não está acima da lei", frisou a procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James, que passou anos a investigar possíveis fraudes nas práticas da Trump Organization, após ser conhecida a decisão do tribunal.

Em comunicado, Letitia James realçou que o magnata republicano tentou "interromper e frustrar a investigação" sobre as suas transações financeiras, "mas a decisão de hoje [terça-feira] envia uma mensagem clara de que há consequências por abusar do sistema legal".

A procuradoria do Estado de Nova Iorque suspeita que a Trump Organization inflacionou "fraudulentamente" o valor dos seus imóveis ao solicitar empréstimos bancários e subestimou o valor dos mesmos perante as autoridades para pagar menos impostos.

Em setembro, a justiça avançou com uma ação contra a empresa, pedindo uma indemnização de 250 milhões de dólares (cerca de 232 milhões de euros) para o Estado.

Antes, em abril, o juiz do Supremo Tribunal do Estado de Nova Iorque, Arthur Engoron, condenou Trump por desacato, por considerar que o ex-Presidente não cumpriu as suas ordens de apresentar os documentos exigidos pelos procuradores, aplicando uma multa de 10 mil dólares (cerca de 9300 euros) por dia, para cada dia em que violou a sua ordem.

Um mês depois, Trump apelou dessa decisão a um tribunal de apelações, onde os cinco juízes emitiram esta terça-feira uma decisão unânime, confirmando o Supremo Tribunal.

"Não seremos intimidados ou dissuadidos de procurar justiça", garantiu ainda a procuradora-geral.

Jornal de Notícias (PT)

OMS confirma surto do vírus de Marburg, um dos mais letais




Nove mortes e 16 casos suspeitos foram reportados na Guiné Equatorial. Vírus é da mesma família do ebola, e taxa de mortalidade média é de 50%.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) convocou nesta terça-feira (14/02) uma reunião de urgência para tratar do surto do vírus de Marburg na Guiné Equatorial, que já provocou a morte de nove pessoas e obrigou o país africano a declarar estado de alerta sanitário.

Da mesma família do ebola, o vírus é um dos mais perigosos do mundo. A taxa de mortalidade dos infectados é de, em média, 50%, mas pode chegar a 88% dependendo da variante do vírus e dos cuidados de saúde prestados ao doente.

Em um comunicado enviado à agência de notícias Lusa, o Ministério da Saúde da Guiné Equatorial diz ter detectado uma "situação epidemiológica atípica" em distritos de Nsok Nsomo, depois da morte de pessoas com sintomas de febre, fraqueza, vômitos e diarreia com sangue. O vírus foi confirmado por meio de amostras enviadas para análise no Senegal.

Até ao momento, as autoridades já relataram nove mortos e 16 casos suspeitos, dos quais 14 são assintomáticos e dois têm sintomas leves. Além disso, 21 pessoas estão em isolamento e sob vigilância por terem tido contato com os mortos, e outras 4.325 estão em quarentena em suas casas.

As mortes ocorreram entre 7 de janeiro e 7 de fevereiro, segundo o ministro da Saúde da Guiné Equatorial, Ondo'o Ayekaba. Uma morte suspeita em 10 de fevereiro está sendo investigada.

A Guiné Equatorial fica na África Central e é um dos nove Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), da qual o Brasil também faz parte.

A área afetada pelo surto localizava-se numa região rural de floresta densa, perto das fronteiras com Gabão e Camarões.

Ajuda da OMS

A OMS disse que enviará profissionais para a Guiné Equatorial para ajudar no combate à doença. Também serão fornecidos equipamentos de proteção para a equipe médica.

"O virus de Marburg é altamente contagioso. Graças à ação rápida e decisiva das autoridades da Guiné Equatorial na confirmação da doença, a resposta de emergência pode chegar rapidamente para salvar vidas e parar o vírus o mais rapidamente possível", disse Matshidiso Moeti, diretora regional da OMS para África.

O vírus de Marburg

O vírus de Marburg causa febre hemorrágica e é transmitido por morcegos a primatas e seres humanos. Entre humanos, o contágio ocorre por meio de fluidos corporais de pessoas infectadas ou por superfícies e materiais, como roupas de cama.

O vírus leva o nome de uma pequena cidade alemã às margens do rio Lahn, onde o vírus foi documentado pela primeira vez, em 1967. Na época, ele causou surtos simultâneos da doença em laboratórios em Marburg, na Alemanha, e em Belgrado, na então Iuguslávia (hoje Sérvia). Sete pessoas morreram expostas ao vírus enquanto realizavam pesquisas com macacos.

Desde então já houve surtos e casos esporádicos em países como Angola, Gana, Guiné-Conacri, República Democrática do Congo, Quênia, África do Sul e Uganda.

Em um surto de 2004 em Angola, 90% das 252 pessoas infectadas morreram. Em 2022, duas mortes pelo vírus de Marburg foram relatadas em Gana.

Até hoje não há vacinas ou medicamentos autorizados para a doença, mas o tratamento de reidratação para aliviar os sintomas pode aumentar as chances de sobrevivência.

Deutsche Welle

Decisões e atitudes de ministros mostram que STF não precisa de inimigos




STF gerará crise de proporções bíblicas, por rasgar a proteção constitucional à “coisa julgada”
Por Cláudio Humberto

Entorpecido pela “cruzada” contra “fake news”, o STF (Supremo Tribunal Federal) mete os pés pelas mãos mostrando que seus ministros não precisam de inimigos, que só vê na direita. Dias após o STF espancar a Constituição, rasgando o trânsito em julgado e instituindo a insegurança jurídica, Ricardo Lewandowski foi a um evento do PT e MST para criticar a democracia “liberal burguesa”, definida na Carta Magna que jurou defender, e apoiou o atraso: a revogação das reformas já conquistadas.

Ora, a Constituição

STF gerará crise de proporções bíblicas, falências e desemprego, por rasgar a proteção constitucional (art. 5º, parágrafo 36) à “coisa julgada”

Insegurança jurídica

A decisão do STF condena empresas a pagarem 5 anos de impostos que não eram devidos por sentença transitada em julgado da própria Justiça.

Não era fake news

“Só pode ser fake!”, escreveu em seu Twitter o senador Rogério Marinho (PL-RN) sobre Lewandowski. Não era fake.

Apenas 2 exemplos

Após o STF “cancelar” a coisa julgada, o mercado estima em R$300 milhões o rombo no Pão de Açúcar e de R$1,5 bilhão na Embraer.

Deputados ligados ao agro querem mudar Conab. Influência do PT é temida por setores do agronegócio.

Deputados ligados ao agronegócio querem mudar a estrutura da Cia Nacional de Abastecimento (Conab) para reduzir a influência do PT no setor. Parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária rejeitam Edegar Pretto, petista ligado ao MST, no comando da estatal. O deputado Pedro Lupion (PP-PR) vai além e quer tirar a Conab do guarda-chuva do Ministério do Desenvolvimento Agrário de Paulo Teixeira (PT).

Falta habilidade

O ministro é criticado na FPA por declarações desastrosas, como chamar de “papel de pão” títulos de propriedade concedidos por Jair Bolsonaro.

Mudança

A turma do Agro defende que a Conab, estratégica para o setor, fique com a pasta da Agricultura, do ministro Carlos Fávaro (PSD).

O favorito

Na Frente Parlamentar, avaliam que o agropecuarista Fávaro sabe o que o setor precisa. Não dizem o mesmo de Teixeira, muito menos de Pretto.

Mãe gentil e burguesa

As redes sociais se divertiram ironizando o discurso de Ricardo Lewandowski e sua crítica à nossa “democracia liberal burguesa” que paga quase R$50 mil mensais a ministros do Supremo Tribunal Federal.

Trabalhador não entra

O PT deu nova facada em lobistas e empresários, exigindo de 500 a 20.000 reais para ter assento no jantar dos 43 anos do partido. O otário ganhou direito a um aceno ou a um abraço caloroso em Lula, a depender da conta bancária. Trabalhador na farra, nem pensar.

Acuri mandou bem

Bancos tipo XP e C6, grandes anunciantes, e big techs demitiram parte dos funcionários contratados na pandemia. Mas quem teve de se explicar foi a esplêndida Nathalia Acuri, 7,3 milhões de inscritos no Youtube e CEO do Me Poupe. Sua resposta foi sensacional: “Não somos ONG”.

Corta essa

O Planalto sondou os presidentes Rodrigo Pacheco (Senado) e Arthur Lira (Câmara) sobre a estabilidade do cargo de presidente do Banco Central. Possível alteração foi prontamente desaconselhada pelos dois.

Nu deu pau

Coisa estranhas continuam acontecendo na Bolsa. Nesta segunda (13), durante horas, a popularíssima corretora Nuinesvt não conseguiu registrar transferências de muitos dos mais de 2 milhões de clientes.

Povo é que sofre

No DF, o Hospital do Paranoá continua fazendo vergonha aos serviços públicos de saúde: leitora esperou das 10h às 23h para ser atendida, apesar da pulseira laranja, da tosse, febre e dores persistentes.

Deu samba

Na Câmara dos Deputados há um frenesi para encurtar a já curtíssima semana de trabalho. O motivo é o Carnaval. Ao que tudo indica, as atividades devem acabar já na quarta-feira (15) pela manhã.

Peso medido

O ex-presidente Bolsonaro foi às redes destacar conquistas de seu governo, como o InovaGrafeno e o Rota 2030. Lula, que menciona Bolsonaro em todos os discursos, não aparece nas redes do ex.

Lanterna na popa

Ataques ao Banco Central e à Procuradoria do Banco Central não seriam atos antidemocráticos contra as instituições?

Diário do Poder

Pastores usam profecias e revelações para convocar 'guerra santa' por Bolsonaro




Os pastores Valdirene Moreira (alto à esq.), Sandro Rocha (alto à dir.), Marcelo de Carvalho (baixo à esq.) e Reginaldo Rolim (baixo à dir.).

A derrota de Jair Bolsonaro (PL) na eleição presidencial gerou um racha no universo evangélico brasileiro. Enquanto alguns líderes de grandes igrejas vêm tentando se aproximar do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), um grupo de pastores aderiu ao movimento que defende uma intervenção militar e o retorno de Bolsonaro ao poder.

Vários desses pastores pertencem a igrejas pequenas ou nem sequer atuam em templos físicos. Nas redes sociais, porém, eles alcançam milhões de pessoas e pregam uma espécie de guerra santa contra o novo governo.

Entre os conteúdos que esse pastores divulgam, estão várias profecias e revelações que eles dizem ter recebido de Deus - como uma revelação sobre a destruição do Supremo Tribunal Federal (STF), uma visão sobre um pacto que Lula teria feito com demônios e mensagem de que Deus seria favorável a uma intervenção nos poderes da República.

Esse é o tema de um episódio especial que antecede a segunda temporada de Brasil Partido, um podcast da BBC News Brasil, veiculado na segunda-feira (06/02) no site da BBC e em plataformas de áudio como Spotify e Apple Podcasts e Deezer.

Torres derrubadas

Um dos pastores com maior projeção no movimento que tenta uma virada de mesa é Sandro Rocha. Ele mora em Guaratuba, município com 37 mil habitantes no litoral do Paraná, e pertence à Igreja do Porto de Cristo, que funciona na casa de um bairro pobre, em uma rua sem asfalto.

Mas não há nada de humilde na atuação do pastor nas redes sociais.

No Twitter, onde ele usa seu segundo nome, Mauricio, o pastor soma mais de 120 mil seguidores. No YouTube, são quase 500 mil, e seus vídeos já tiveram quase 75 milhões de visualizações.

Em 11 de janeiro, Sandro Rocha publicou no YouTube um vídeo com o título "Pequeno sinal" e a imagem de uma explosão numa torre de energia.

Dias antes, três torres de energia haviam sido derrubadas em diferentes partes do país. A polícia investiga se os atos têm alguma relação com o movimento que tenta derrubar o governo Lula.

Nesse vídeo, Sandro Rocha associa as derrubadas das torres à vontade divina. "Quem é que tá agindo? É Deus", ele diz.

Na mesma gravação, o pastor afirma que o "Exército não é representado por alguns generais que estão lá em cima". "Eles estão perdendo o comando da tropa. A coisa - pra eles, né? - tá bem complicada", diz o pastor.

No Twitter, em 1º de novembro, o pastor postou uma foto em que aparece em um protesto que bloqueou uma rodovia. O tuíte continha a seguinte mensagem: "Pare de falar e tome uma atitude!!!! #Caminhoneiros #Intervençãomilitar".

Também no Twitter, Sandro Rocha foi um dos primeiros a espalhar uma das informações falsas que mais circularam em grupos bolsonaristas em novembro: a de que Lula tinha morrido e estava sendo substituído por um sósia.

Questionados pela BBC, o Twitter e o YouTube não responderam se as falas do pastor violavam as regras das empresas.

Em 18 de julho de 2022, Sandro Rocha foi recebido no Palácio do Planalto pelo general Augusto Heleno, ministro de Segurança Institucional do governo Bolsonaro. O encontro foi registrado na agenda oficial de Heleno.

A BBC questionou o ex-ministro sobre o teor do encontro. Ele respondeu: "Se encontrasse esse pastor, não o reconheceria. Não me recordo de tê-lo recebido."

Explosão no STF

Em 2020, Sandro Rocha gravou um vídeo ao lado do blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio descrevendo uma série de revelações que disse ter recebido de Deus.

A primeira delas trata de uma explosão no STF. "Ficou tudo preto, queimado, não ficou nada", diz o pastor.

Depois da explosão, ele diz ter visto "quatro forcas e quatro pessoas enforcadas". "Não sei quem eram, foi uma visão. E o Espírito Santo frisava: 'todos acham que são três, mas vão ser quatro'", prosseguiu o pastor.

Em seguida, ele fala de outra revelação - essa sobre a entrada de um anjo com uma espada no Congresso.

"Eu vi sangue no chão. Então, no Congresso, eu vi esse anjo, anjo de Deus, em posição de ataque, pra entrar no Congresso", afirmou.

Por fim, Sandro Rocha cita uma visão sobre o Exército. "Eu vi eles marchando e faziam barulho na rua. Vai começar no Sul", afirmou.

"Muita gente vai morrer, vai haver uma guerra no Brasil", completou. A BBC pediu uma entrevista a Sandro Rocha e lhe perguntou se suas mensagens não poderiam estimular a violência, mas o pastor não respondeu.

'Tempo de paz, tempo de guerra'

Valdirene Moreira é outra estrela no universo dos pastores bolsonaristas youtubers.

Moradora de Guarapari, cidade com 120 mil habitantes no Espírito Santo, ela não é ligada a nenhuma igreja conhecida, mas tem centenas de milhares de seguidores em diferentes contas no YouTube.

Em 15 de novembro, Lucas Moreira, filho da pastora, postou um vídeo ao lado da mãe numa manifestação que bloqueou a rodovia BR-101. "Nós fazemos a nossa parte, Deus faz a dele, há tempo de paz e há tempo de guerra", afirmou a pastora.

Em outro vídeo, postado em 8 de janeiro, Valdirene comentou as invasões ocorridas horas antes nas sedes dos Três Poderes, em Brasília.

"Infelizmente, gente, embora Zacarias ensine que não é por força nem por violência, muitas vezes no passado o Senhor permitiu coisas acontecerem pra que chegasse àquilo que é a vontade dele", ela disse.

'Pastora Valdirene Moreira tinha mais de 300 mil seguidores quando o YouTube derrubou seu canal; desde então, recorreu aos canais dos filhos e criou novas páginas para continuar publicando na plataforma'.

Desde novembro, quando o YouTube derrubou a página da pastora, ela tem recorrido aos canais dos filhos e a duas novas páginas para seguir publicando na plataforma. Questionado pela BBC, o YouTube não respondeu por que tirou do ar o canal principal da pastora, mas não os outros que ela usa.

A BBC pediu uma entrevista com Valdirene Moreira e lhe enviou várias perguntas - uma delas, se seus vídeos não poderiam estimular a radicalização política. Não houve resposta.

'O ex-vereador de Fortaleza Reginaldo Rolim, se define também como apóstolo e profeta no Ministério Atalaia do Deus Vivo, um pequena igreja no Ceará'.

Pacto com demônio

Outro pastor que tem feito profecias políticas é Reginaldo Rolim, ex-vereador de Fortaleza que também se define como apóstolo e profeta no Ministério Atalaia do Deus Vivo, uma pequena igreja na capital cearense.

Em 29 de outubro, na véspera do segundo turno, Reginaldo disse ter recebido a seguinte revelação: Bolsonaro ganharia a eleição, mas Lula seria declarado o vencedor. "Muitas pessoas dizem que Bolsonaro ia dar um golpe militar, só que eu via que o Exército é que tomava a frente, intervinha nas eleições e divulgava algo que estava em oculto e que estava sendo tramado há muito tempo atrás", diz o pastor.

Reginaldo afirma que, ao intervir nas instituições, o Exército estaria na verdade agindo em nome de Deus.

"O Senhor disse assim: 'Sou eu que entro nos Poderes e faço justiça'".

Reginaldo diz que a mesma revelação lhe mostrou que Lula teria feito um pacto com "demônios". "Eu via que o governo do PT colocou instrumentos, eu não via como seres humanos, mas como espíritos, como demônios, que os demônios entravam dentro de instituições."

"O Lula fazia um pacto com os outros espíritos, mas eu não via o Lula, eu via um espírito. Esse espírito fazia um pacto com os outros espíritos, pra que esse espírito representando a pessoa de Lula assumisse a Presidência da República."

Procurado pela BBC, Reginaldo também não respondeu a um pedido de entrevista.

Bandeira vermelha

Nem sempre as profecias citadas pelos pastores têm desfechos que eles consideram positivos.

É o caso de uma profecia feita pelo pastor Marcelo de Carvalho dias após a posse de Lula, na qual disse ter recebido a revelação de que a bandeira brasileira seria alterada.

"A bandeira do Brasil não será mais verde e amarela, estou profetizando. A bandeira do Brasil vai mudar, vai ser vermelha. Deus mostrou que as bandeiras, estou falando literalmente, as novas bandeiras do Brasil já começaram a ser confeccionadas", disse o pastor.

Marcelo de Carvalho atua no Ministério Ciência da Profecia, uma igreja sem endereço físico. Ele não diz nas redes onde mora, mas seu celular tem o DDD de Santa Catarina.

O pastor conta com mais de 200 mil seguidores no YouTube. No mesmo vídeo, Marcelo cita outra revelação: "Deus mostrou rachaduras em todos os lugares do Brasil", afirmou.

"Sabe o que isso significa? Significa que o Brasil será destruído."

Mas eis que, nesse cenário, o pastor aponta uma saída: a compra de um curso virtual de R$ 389 para "sobreviver ao que está vindo".

"Diante dessa revelação, diante dessa sentença, Deus me mandou fazer o seguinte: o curso estava concluído, mas agora, em função do novo governo, do que Deus mostrou, Deus colocou no meu coração o seguinte: vou começar a acrescentar materiais nesse curso", ele diz.

'Pastor Marcelo de Carvalho, do Ministério Ciência da Profecia, gravou vídeo no qual disse ter recebido de Deus a revelação de que novas bandeiras do Brasil com a cor vermelha estariam sendo confeccionadas'.

Contatado pela BBC, Marcelo não respondeu e apagou o vídeo. Dias depois, após nova tentativa de contato, ele respondeu por email.

O pastor disse que, em seu vídeo, havia apenas reproduzido revelações de outra pessoa - ainda que, na gravação, ele diga que recebeu aquelas profecias diretamente de Deus.

Sobre o curso, Marcelo disse que "é apenas um curso que ensina as pessoas a viver melhor em meio a crises financeiras, a cultivar e armazenar alimentos, se possível, a ter menos dívidas".

Marcelo disse ainda que tirou o vídeo do ar porque ele era muito longo. Questionado se seus vídeos poderiam estimular atos como as invasões em 8 de janeiro, disse: "Sempre disse que o povo tinha que aceitar o novo governo do presidente Lula. Essa, inclusive, foi a razão de eu ser xingado por muitas pessoas de direita."

Qual a posição do YouTube?

A BBC perguntou ao YouTube se a plataforma sabe que tem sido usada para difundir discursos religiosos que podem agravar a violência política - e o que a companhia tem feito para evitar isso.

Uma porta-voz do Youtube respondeu que a empresa tenta equilibrar o combate à desinformação com o respeito às liberdades religiosa e de expressão.

O YouTube disse ainda que usa vários mecanismos para tirar do ar vídeos que violem suas regras, como gravações com informações falsas sobre a eleição ou que possam provocar danos à sociedade.

A BBC perguntou ainda ao YouTube se os canais dos pastores citados nesta reportagem são monetizados, mas a empresa disse que não poderia responder por uma questão de confidencialidade contratual.

Radicalização nas redes sociais

Para Vinicius do Valle, doutor em Ciência Política pela USP e que pesquisa o universo evangélico desde 2010, as redes sociais permitiram a ascensão de líderes religiosos sem vínculos com grandes instituições.

Ele afirma que, por não estarem ligados a grandes igrejas, muitos desses pastores "não têm uma grande instituição pela qual eles têm que ser responsáveis, prezar pela imagem, então eles têm uma liberdade maior para fazer profecias, acusações e agir de forma mais extremista".

Valle diz ainda que a maneira como as redes incentivam conteúdos que causam fortes emoções pode estar abrindo as portas para um extremismo religioso que talvez não tivesse tanto apelo em igrejas físicas.

"Os pastores que têm seu maior público nas redes sociais, eles até têm um estímulo para serem mais radicalizados, porque as redes sociais são um ambiente que trazem essa radicalização maior, esse extremismo maior", afirma.

Além disso, ele diz que as redes sociais propiciaram aos pastores uma nova fonte de financiamento. É possível, diz Valle, que muitos pastores de igrejas pequenas recebam mais por seus canais do YouTube do que por dízimos pagos por fiéis.

Para Celeste Leite dos Santos, doutora em Direito pela USP e promotora de Justiça em São Paulo, os vídeos dos pastores citados na reportagem têm de ser analisados pelos investigadores dos atos de 8 de janeiro.

"Quando você começa a incitar os fiéis à prática de crimes, você ultrapassa os limites de uma liberdade religiosa. Porque todo direito fundamental, ele não é ilimitado", afirma.

"Se nós temos a liberdade religiosa, nós também temos a liberdade de todos os cidadãos brasileiros de poderem contribuir com o Estado social e democrático de direito vigente e não sofrer intimidações, não correr o risco de que amanhã ele vai acordar e já estar vivenciando um regime de exceção obtido através da violência e da força", afirma. 

BBC Brasil

Como a guerra na Ucrânia mudou a geopolítica mundial




Por Ricardo Fan

Há um ano, a invasão russa da Ucrânia alterou a ordem mundial, aprofundando as fissuras da globalização, e impulsionou sua refundação com base em uma lógica de blocos com a Rússia na órbita chinesa e a Europa, na americana.

– Supremacia e blocos –

A guerra recrudesceu as tensões e acelerou a marcha para uma consolidação de grandes blocos ao redor de Pequim e Washington.

Ásia Central, Cáucaso, Bálcãs, África, Indo-Pacífico… Várias regiões são palco de lutas silenciosas de influência – econômica, militar ou diplomática – entre potências como a China, a União Europeia, os Estados Unidos, a Rússia ou a Turquia.

O conflito fragilizou, por exemplo, a posição russa em suas antigas repúblicas da Ásia Central e deu à Turquia grandes oportunidades diplomáticas.

Para o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell, “tudo é uma arma: energia, dados, infraestruturas, migrações”.

“Esta recomposição caótica é real, mas provavelmente transitória”, avalia Pierre Razoux, da Fundação Mediterrânea de Estudos Estratégicos (FMES).

“Mecanicamente, o final da guerra verá um enfraquecimento e um desgaste da Rússia e da Europa. Os dois grandes vencedores poderiam ser os Estados Unidos e a China”, resume, em declarações à AFP.

Mas, isto significaria uma divisão total do mundo? No contexto atual, países emergentes como o Brasil ou a Índia tentam aparecer como potências de “equilíbrio”, evitando se alinhar claramente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende, inclusive, criar um “grupo de países” para “pôr fim” à guerra na Ucrânia, uma iniciativa que ele propôs a seus contrapartes dos Estados Unidos, Joe Biden; da França, Emmanuel Macron, e pretende fazer ao chinês Xi Jinping.

– Postura chinesa e vassalagem russa –

A China, que se vê como a primeira potência mundial em 2049, se pergunta, assim como os Estados Unidos, como inserir esta guerra em sua agenda.

Pequim apoia a Rússia de Vladimir Putin, embora tente fazer com que sua posição pareça aceitável aos ocidentais.

Um relatório dos serviços secretos da Estônia, ex-república soviética e membro da UE, qualifica como um “erro” considerar o “apoio reduzido” de Xi à guerra de Putin como uma “demonstração de distanciamento”.

Embora Pequim não ajude Moscou como Washington faz com Kiev, “a relação econômica se fortaleceu”, observa Alice Ekman, especialista em China do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia (EUISS).

Mas a Rússia, detentora de um arsenal nuclear maior do que o da China, corre o risco de ser relegada ao nível de potência subordinada.

“A Rússia não está em posição de negociar com a China, que tomará o que quiser da Rússia e não lhe dará o que deseja”, como armas ou alguns componentes, avalia Agathe Demarais, encarregada de previsões no Economist Intelligence Unit (EIU).

Para Razoux, “para evitar uma vassalagem econômica e estratégica”, Moscou aposta em “diversificar suas relações geopolíticas, econômicas e estratégicas: Turquia, Oriente Médio, Irã e África”.

– Europa, potência ou peão? –

A UE está em uma encruzilhada. A guerra lhe permitirá se reafirmar como um terceiro ator importante ou relegará o bloco a um peão de Washington?

“A Europa mostrou sua capacidade de resistência, de reação rápida desde o início da guerra, em apoio militar, aos refugiados, em reduzir a dependência energética”, afirmou um participante nas decisões europeias de alto nível no começo do conflito.

Juntos no apoio a Kiev, a Europa quer “fortalecer a relação com os Estados Unidos, mas se dá conta de que um dia poderia ficar sozinha” se o campo ultrarrepublicano e isolacionista vencer em Washington, avalia Razoux.

Espoliada por seus membros mais atlantistas, que só veem sua segurança sob o guarda-chuva americano e da Otan, a UE tentará reduzir outras dependências estratégicas como em matérias-primas críticas, semicondutores, alimentos, etc.

Para o pesquisador francês Bruno Tertrais, da Fundação para a Investigação Estratégica (FRS), os europeus se arriscam a ficar contra a parede se não reagirem.

– E o Pacífico? –

“A relação entre os Estados Unidos e a China vai moldar o século XXI”, profetizava em 2009 Barack Obama, abrindo a via para a guinada americana à Ásia, em detrimento da Europa.

A guerra na Ucrânia representa “uma distração estratégica” para Washington, segundo Tertrais.

Além disso, o presidente americano, o democrata Joe Biden, deve buscar um equilíbrio entre aqueles que querem uma solução “rápida” para o conflito e aqueles do Partido Republicano reticentes a enviar armas para a Ucrânia, segundo Giovanna De Maio, pesquisadora da Universidade George Washington.

Por outro lado, o caso da Ucrânia permite se preparar para um eventual conflito com a China sobre Taiwan, lembrou recentemente o comandante das tropas americanas no Japão, James Bierman, ao jornal Financial Times.

– Fim da globalização? –

As sanções econômicas impostas pelos aliados da Ucrânia, com a Europa e os Estados Unidos à frente, contra a Rússia acertaram um duro golpe ao já debilitado livre-cambismo globalizado, impulsionado após a Guerra Fria.

As sanções “corrigem o vazo no espaço diplomático, entre as declarações sem efeito e as intervenções militares potencialmente mortais”, resume Demarais em seu livro, “Backfire”.

Medidas como limitar o valor do barril de petróleo cru russo, adotadas pelo G7 e a UE, provocaram, assim, “o fim do mercado mundial”, afirma à AFP Patrick Pouyanné, presidente-executivo da TotalEnergies.

Mas, ao socavar a ideia de um preço mundial, estas medidas poderiam ter outro efeito: permitir que a Índia e a China, que não impõem sanções, comprem petróleo cru russo a menor custo, adverte.

As restrições aos produtos russos recrudescem os impactos prévios infligidos ao comércio mundial, seja por decisões protecionistas em nome da soberania ou por fatores exteriores, como o impacto da pandemia de covid-19 nas redes de abastecimento.

– Custo de vida  –

A alimentação, a calefação, a eletricidade são três elementos básicos da humanidade, cujos preços dispararam devido à guerra em muitas regões, da África em desenvolvimento à próspera Europa.

Esta “crise do custo de vida” já era vislumbrada antes da pandemia, diz o Fórum Econômico Mundial em seu último relatório sobre os riscos mundiais.

Embora alguns governos tenham tentado limitar seus efeitos, 2022 foi “marcado” por “uma onda sem precedentes” de manifestações sociais, que costumam motivar protestos contra as autoridades, segundo um estudo da fundação Friedrich Ebert, vinculada ao partido social-democrata alemão SPD.

O Oriente Médio e o Norte da África, grandes importadores de produtos alimentares, são duas das regiões mais expostas, especialmente quando os países mais pobres têm pouca margem de manobra financeira.

AFP / DefesaNet

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