sexta-feira, fevereiro 10, 2023

Caso Campos Neto não saia da presidência do BC, Lula sofrerá desgaste


Ataques escalaram a ponto de Lula falar em rever a autonomia do BC

Pedro do Coutto

O presidente Lula da Silva retornou na terça-feira à ofensiva contra a permanência de Roberto Campos Neto no Banco Central ao afirmar em evento no Palácio do Planalto que o Senado pode demiti-lo, hipótese que o presidente da República não considera pela lei em vigor. A afirmação do presidente Lula foi divulgada em vídeo na tarde da própria terça-feira pela TV Globo e pela GloboNews que repetiram a matéria na manhã de ontem.

O Globo, a Folha de S. Paulo e o Estado de S. Paulo referiram-se ao fato. No O Globo, a reportagem foi de Alice Cravo, Fernanda Trisotto, Manoel Ventura e Letícia Cardoso. Na Folha de S.  Paulo a matéria é de Natália Garcia e Mariana Holanda. No Estado de S. Paulo, escreveram Eduardo Gayer e Giordana Neves.

CONFLITO – Criou-se um conflito político insuperável, pois não é possível que o presidente do BC possa se opor dessa maneira ao presidente da República. Na minha opinião, se Campos Neto permanecer no cargo, Lula terá forte desgaste político e, sem entrar no mérito da questão, perderá uma parcela da autoridade que possui.  Se o presidente do BC possui mandato, o presidente da República também tem o desempenho assegurado.

É claro que o mercado, com a sua evidente mão de tigre, deseja os juros na altura de 13,75% ao ano. Afinal de contas, qualquer pessoa se indagada se deseja aplicar em papéis com remuneração anual de 7% ou de 13%, é claro que optará pela segunda. Porém, esses juros de 13,75% travam investimentos na economia nacional. Lula afirmou isso e a meu ver tem razão.

ELETROBRAS –  O presidente Lula da Silva afirmou na mesma ocasião do evento que a privatização da Eletrobras foi uma bandidagem e que a Advocacia-Geral da União está estudando um recurso na Justiça. Lula destacou que o governo, com a privatização escandalosa, ficou com 40% das ações da Eletrobras. Mas para efeito de participação na Direção da holding é como se tivesse apenas 10%. Isso é um absurdo.

De outro lado, se o governo desejar recomprar ações da Eletrobras terá que pagar três vezes mais o preço que seria pago por investidores comuns. Portanto, há uma discriminação sem pé nem cabeça. Se for privatizada a empresa, que a Eletrobras sempre foi, o preço da ação do mercado tem que ser o mesmo, seja para o governo, pessoa física ou jurídica. Lula tem razão em questionar o fato.

SALÁRIOS – O presidente acrescentou que ainda na privatização, a Direção da Eletrobras aumentou o salário dos diretores de R$ 60 mil por mês para R$ 360 mil. E a remuneração dos conselheiros que se reúnem no máximo uma vez por mês foi fixada em R$ 200 mil. O atual presidente da Eletrobras é Wilson Ferreira Júnior, que já presidiu a holding antes da privatização.

Em matéria de privatização, o que aconteceu na Eletrobras foi uma farsa. Tanto a Eletrobras, quanto a Petrobras e o Banco do Brasil são empresas já privatizadas, pois qualquer pessoa pode adquirir uma ação preferencial ou ordinária. O mercado está aberto para a compra e venda de papéis, sendo que a Petrobras e a Eletrobras também participam da Bolsa de Nova York.


Relatório do GSI indica que Lula mentiu, pois foi alertado dois dias antes do ataque golpista


Lula diz que todos militares que participaram de ataques golpistas serão  punidos: 'Não importa a patente' | Política | G1

Lula disse a Natuza Nery que não foi avisado por ninguém

Patrik Camporez e Gabriel Saboia
O Globo

Um relatório sigiloso enviado pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) ao Congresso aponta que o governo foi informado sobre a possibilidade de haver ataques violentos em Brasília no dia 8 de janeiro. O alerta foi produzido pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), subordinada ao GSI, e compartilhado com órgãos federais dois dias antes da invasão às sedes dos Três Poderes. Mas Lula diz que não foi alertado.

O documento tem sido usado para turbinar um pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os atos golpistas.

ABIN FOI CLARA – No relatório, a Abin informou que havia identificado a convocação de caravanas em diversos estados do país para que se deslocassem à capital. O texto revela que elas trariam “manifestantes com acesso a armas e com a intenção manifesta de invadir o Congresso Nacional”. Acrescentava ainda que “outros edifícios na Esplanada dos Ministérios poderiam ser alvo de ações violentas”.

O documento, enviado no dia 20 de janeiro à Comissão Mista de Controle de Atividades de Inteligência (CCAI), é assinado pelo ministro responsável pelo GSI, o general da reserva Gonçalves Dias, um dos personagens que saíram fustigados dos atos do dia 8 por não terem conseguido impedi-los.

A revelação de que o relatório foi entregue a diversos órgãos do governo expõe o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dez dias após os ataques, o petista criticou as autoridades responsáveis pelas forças de segurança e inteligência, inclusive o GSI, de Gonçalves Dias, conhecido como G Dias.

DISSE LULA — “Nós temos inteligência do GSI, da Abin, do Exército, da Marinha, da Aeronáutica, ou seja, a verdade é que nenhuma dessas inteligências serviu para avisar ao presidente da República que poderia ter acontecido isso. Se eu soubesse na sexta-feira que viriam 8 mil pessoas aqui, eu não teria saído de Brasília. Eu saí porque estava tudo tranquilo” — disse Lula em entrevista à Globonews.

O alerta da Abin foi enviado a um sistema integrado por 48 órgãos, entre eles ministérios como o da Defesa, Casa Civil e Justiça. Algumas pastas, porém, alegam que não receberam a informação sobre os atos golpistas de 8 de janeiro.

O mesmo relatório também foi enviado a um grupo de WhatsApp formado por representantes de diferentes áreas do governo, conforme mostrou a revista “Piauí”. Contudo, uma parte da lista de contatos estava desatualizada, segundo a revista.

TODOS SE ESQUIVAM – Procurada, a Abin disse que “é de responsabilidade dos integrantes do Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN) manter pontos focais atualizados para contato institucional”.

O Ministério da Justiça disse que não sabia da existência desse canal de troca de informações. Procurado, o GSI afirmou que “somente se pronunciará após a conclusão dos trabalhos investigatórios” relacionados ao dia 8.

A informação de que o relatório da Abin está no Congresso tem sido usada pelos entusiastas de uma CPI para implementar a investigação. A estratégia desse grupo é implicar ministros do governo nas suspeitas de omissão por parte das autoridades durante os ataques do dia 8.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Caramba! Como é que o presidente da República tem a desfaçatez de mentir em assunto de tamanha importância? Ficou evidente que o GSI cumpriu sua obrigação e alertou o governo. Mas Lula não acreditou e depois resolveu colocar a culpa em quem agiu certo, ofendendo o general Gonçalves Dias. É comportamento de moleque, não é coisa de gente grande, digamos assim. (C.N.)

Moro pede desarquivamento do projeto que determina prisão após a segunda instância


Moro deve sofrer nova derrota no pacote anticrime, que pode ir direto ao  plenário | Blog da Andréia Sadi | G1

Sérgio Moro repete que lugar de criminosos é a cadeia

Juliana Braga
Folha

O senador Sergio Moro (União-PR) apresentou nesta terça-feira (dia 8) à Mesa Diretora do Senado um requerimento pedindo o desarquivamento do PLS 166/2018, que trata da prisão em segunda instância. A proposta foi desmembrada do pacote anticrime que o parlamentar apresentou quando era ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PL) e é uma de suas principais bandeiras.

Todas as propostas não apreciadas são arquivadas de uma legislatura para outras. Para desarquivá-la Moro precisará do apoio de 27 senadores e essa será o primeiro teste de seu capital político como senador.

DIZ MORO – “Apresentei o requerimento para que as Casas do Congresso retomem, com brevidade, um tema que é muito caro para a sociedade. Vários criminosos, inclusive pessoas condenadas por corrupção – um crime grave que atenta contra a democracia – foram colocados em liberdade”, defende Moro, repetindo que lugar de criminosos é a cadeia.

A proposta que Moro pretende tirar da gaveta chegou a ser aprovada pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) em dezembro de 2019, mas sua tramitação não teve prosseguimento.

Na Câmara foi criada uma comissão especial para debater o assunto, mas o relatório final também não chegou ao plenário.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Sérgio Moro está fazendo a sua parte, mas dificilmente conseguirá aprovar esse projeto, em função do baixo nível e do grande número de parlamentares que um dia podem parar na cadeia. Em 2019, para libertar Lula, o Supremo fez com que o Brasil se tornasse o único país da ONU (são 193 nações) que não prende criminosos após condenação em segunda instância. É uma vergonha, um tremendo vexame internacional, que transforma o Brasil no reino mundial da impunidade. Mas quem se interessa? (C.N.)

Lula recomenda aos novos aliados que “é bom” esquecer Bolsonaro, mas lembra dele todo dia


Lula se encontra com parlamentares para discutir reforma tributária - JOTA

Lula culpa Bolsonaro pelo vandalismo no dia 8 de janeiro

Gustavo Maia e Ramiro Brites
Veja

No discurso que fez na manhã desta quarta-feira (dia 8) na abertura do café da manhã com o “Conselho Político da Coalizão”, que reuniu parlamentares e representantes de 15 partidos, o presidente Lula disse que achar que “é bom a gente esquecer quem governou esse país até o dia 31 de dezembro”.

Apesar da recomendação, o petista não cansou de falar do antecessor, mesmo que não tenha citado o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro.

MUITA FÉ – “Eu tenho dito para todas as pessoas que eu estou com muita fé de que a gente vai superar toda e qualquer dificuldade que se apresentou. Acho que é bom a gente esquecer quem governou esse país até o dia 31 de dezembro e a gente não esquecer nunca da tentativa de golpe que foi tentada no dia 8 [de janeiro], uma tentativa de golpe que possivelmente poderia ter sido organizada para o dia 1º e que não foi por causa da quantidade de gente que tinha em Brasília, mas que eles tomaram a decisão de fazer aquele vandalismo que nenhum de nós estávamos habituados a assistir no Brasil”, declarou o presidente, exatamente um mês após os ataques terroristas promovidos por bolsonaristas golpistas contra os três Poderes.

Na sequência, Lula disse que hoje não duvida “de que isso foi arquitetado pelo responsável maior de toda a pregação do ódio, a indústria de mentiras, a indústria de notícias falas que aconteceu nesse país nesses últimos quatro anos”.

FAKE NEWS – E acrescentou: “Porque não foi de agora, vem desde as eleições de 2018, quando a gente ainda não tinha tido a experiência da indústria de fake news nesse país”, acrescentou.

E antes de encerrar sua fala de quase 13 minutos, o presidente voltou a se referir ao governo Bolsonaro.

“Não esperava que o país estivesse destruído como na apresentação do companheiro Alckmin, eu achei que as coisas poderiam estar melhor, mas não estavam melhores. Estavam piores do que a gente podia imaginar e nós agora temos muito trabalho pela frente”, concluiu.

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BOLSONARO E SEU RETORNO AO BRASIL

Em Orlando, toda vez que pergunta ao ex-presidente Jair Bolsonaro quando ele retornará dos Estados Unidos para o Brasil, o ex-ministro Célio Faria Júnior ouve respostas diferentes, sempre em tom de brincadeira.

“Quando acabar o dinheiro eu volto”, disse ele recentemente ao seu ex-ministro da Secretaria de Governo e ex-chefe de gabinete. “Quando eu cansar de ficar de férias eu volto”, comentou o ex-presidente, em outra ocasião.

O aliado está no grupo dos que anseiam pela volta de Bolsonaro para liderar a oposição ao governo Lula, mas contemporiza: “Está tendo um tempo pra ele que não pôde ter na Presidência”.

Anjos saindo das frestas dos escombros, venceram a escuridão e o frio das trevas

Publicado em 9 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

Número de mortos em terremoto na Turquia e na Síria passa de 11 mil

Tragédia do terremoto já matou mas de 20 mil pessoas

Vicente Limongi Netto

Impressionantes as imagens dos resgates de crianças soterradas no terremoto que atingiu a Turquia e a Síria. Meninas e meninos suportaram pedras e entulhos. Espremidos pelas ferragens. Trêmulos. Cabelos desalinhados. Rostos sujos de barro. Olhos miúdos e espantados. Roupa rasgada, empoeirada. Alguns descalços. Chorando.

Acolhidos pelos braços, pela alma e pelo coração de aliviados e contentes adultos. Vestidos de fé e esperança. Anjos renascidos e agradecidos, retribuindo com beijos e ternura a exemplar bravura e solidariedade de turcos e sírios. Imagens mostrando ao mundo que nem tudo está perdido.

MÃOS À OBRA – Oportuno e firme o editorial “Congresso precisa trabalhar pelo país”(Correio Braziliense- 07/02). Mãos à obra. Basta de discurseiras e brigalhadas.

“O Congresso não pode fugir de suas responsabilidades. Todos os votos que deputados e senadores receberam nas urnas devem ser honrados”, salienta o editorial. O jornal destaca que “devido a tantos anos de descaso dos parlamentares,  a imagem do parlamento no Brasil é péssima”. Recordo, nesse sentido, reforçando e endossando a enérgica cobrança do editorial, trechos do que escrevi sobre o tema, no Correio Braziliense e na  Tribuna da Internet,  nos idos de novembro de 2022:

“A principal missão dos senadores e deputados é trabalhar, sem trégua, dar sangue e suor, pela população. O interesse coletivo tem que ser prioritário. Esquerda e direita devem assumir, de uma vez por todas, suas responsabilidades. Basta de jogar para a plateia, enquanto o povo sofre e amarga humilhações”.

Piada do Ano! Foi Lula quem articulou a favor de autonomia do BC, no governo Dilma

Publicado em 9 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

Charge Clayton | Charges | OPOVO+

Charge do Clayton | O Povo/CE

Natália Portinari
Metrópoles

Hoje crítico da autonomia do Banco Central (BC), o presidente Lula da Silva articulou para que a proposta fosse adiante em 2013, ano em que o emedebistaRenan Calheiros, seu aliado, se elegeu presidente do Senado Federal.

Em fevereiro de 2013, no primeiro mandato da presidente petista Dilma Rousseff, Renan incluiu uma referência à proposta de autonomia do BC em seu discurso de posse como presidente. Quem pediu a menção ao assunto foi o próprio Lula. Mas a autonomia do Banco Central acabou só sendo aprovada pelo Congresso Nacional em 2021, durante o governo Jair Bolsonaro.

Lula queria que o projeto fosse adiante para atender o empresariado e a imprensa, que eram favoráveis. Setores do PT, porém, sempre demonstraram ser contra a ideia e preferiam um viés intervencionista na política monetária.

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LULA PENSOU EM DEMITIR MEIRELLES DO BC

Em abril de 2008, no segundo mandato presidencial, Lula decidiu demitir o então presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. O presidente havia pedido que auxiliares preparassem o clima para o afastamento e buscassem um nome para suceder Meirelles no BC.

O relato está no livro “Eles não são loucos — os bastidores da transição presidencial FHC-Lula”, do jornalista João Borges, que foi lançado nesta terça-feira (7/2) em Brasília.

O motivo principal da irritação de Lula com Meirelles era a alta da taxa de juros. O petista já havia cobrado Meirelles diretamente em uma reunião no Planalto ainda em 2005, no primeiro mandato. “Meirelles, nós vamos perder a eleição!”, disse Lula ao presidente do BC na época, segundo o livro.

NOVA IRRITAÇÃO – Reeleito, Lula voltaria a se irritar com o ritmo lento da queda dos juros no país, o que frustrava seu objetivo de um crescimento rápido da economia. Em abril de 2008, Lula informou que demitiria Meirelles a Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda que havia convidado Meirelles ao governo. Palocci ficou encarregado de preparar o terreno para a saída.

Antes disso, Meirelles já havia notado que estava em baixa com Lula. Ao deixar uma reunião com o petista, ouviu a reclamação: “Meirelles, você nunca convidou eu e a Marisa [Marisa Letícia, então primeira-dama] para jantar na sua casa”, disse o presidente, que foi prontamente convidado.

O jantar foi preparado dali a três dias na casa de Meirelles, mas Lula não apareceu.

BAIXO RISCO – No mês seguinte à decisão de demitir Meirelles, Lula recuou. Entre um evento e outro, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s concedeu o grau de investimento ao Brasil e passou a considerar o país como de baixo risco.

O presidente comemorou a notícia e, quando foi procurado pelo então ministro da Fazenda, Guido Mantega, com um nome para suceder Meirelles, respondeu: “Nome pra quê?”.

Outras agências de classificação de risco seguiram a tendência e Lula ficou novamente amigo de Meirelles.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Como presidente do BC, Meirelles nunca deu confiança a Lula. Quando foi convidado a ocupar o cargo, avisou ao chefe do governo que não aceitaria interferências e se demitiria, caso ocorressem. Mas Lula nunca teve coragem de peitar Meirelles, que exerceu em sua plenitude a autonomia do Banco Central, muito antes mesmo de ser aprovada no Congresso. (C.N.)

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