domingo, junho 12, 2022

Ao invés de rachar o tribunal, Bolsonaro está unindo o Supremo contra seu governo

Publicado em 12 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Ao recrudescer os ataques ao Supremo, o presidente Jair Bolsonaro consegue o oposto do que gostaria: em vez de rachar, ele une os ministros.

Bolsonaro usa estratégicas equivocadas contra o Supremo

Eliane Cantanhêde
Estadão

Ao recrudescer os ataques ao Supremo, o presidente Jair Bolsonaro consegue o oposto do que gostaria. Em vez de rachar, ele une os ministros, que voltam a jogar como time contra o inimigo maior, ou melhor, contra quem a maioria da Corte considera o inimigo da democracia: ele próprio.

O time repetiu ontem a articulação de bastidores (ou de vestiários…) que usou com sucesso para derrubar a liminar do ministro Kassio Nunes Marques, bolsonarista, que devolvia o mandato e a elegibilidade do deputado Fernando Francischini, também bolsonarista.

TEVE UM CHILIQUE – Nunes Marques tentou demolir a decisão do TSE que, por 6 a 1, transformou a punição de Francischini num marco contra fake news e ataques às urnas eletrônicas. Bolsonaro comemorou. Depois, por 3 a 2, a Segunda Turma mandou a liminar de Nunes Marques para o lixo e Francischini continuou cassado. Aí, Bolsonaro teve um chilique.

A decisão seria no plenário virtual, mas os ministros se acertaram e André Mendonça pediu vista aos 43 segundos de terça-feira, menos de um minuto antes de iniciada a votação, e jogou a bola para a Segunda Turma, que fez o gol. Nunes Marques perderia de qualquer jeito, mas “foi derrota, não massacre”, diz um ministro. Um alívio.

Depois, o plenário decidiu que os votos de ex-ministros continuam valendo quando a ação sai do plenário virtual para o presencial, com impacto direto na “revisão da vida toda”, pela qual, se houver mudanças de regras, o aposentado pode optar pela mais conveniente. Bom para o trabalhador, ruim para o governo.

NOVA JOGADA – Mesmo após todos os 11 ministros votarem, Nunes Marques apresentou questão de ordem para trocar o plenário virtual pelo físico. Seria a chance de derrubar o voto do ministro Marco Aurélio, que se aposentou, para André Mendonça votar no lugar dele. Com placar de 6 a 5, bastaria mudar um voto para inverter o resultado.

O presidente Luiz Fux, Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes, entre outros, entraram em ação e o voto de Marco Aurélio continua valendo, logo, o placar também. E há várias ações que poderiam ser mudadas no plenário físico, tanto por Mendonça quanto por Nunes Marques, substituto de Celso de Mello. Não poderão mais.

Mantida a cassação de Francischini, Bolsonaro disse que também fala que as urnas foram fraudadas em 2018, que pode descumprir decisões do STF e que o ministro Edson Fachin cometeu “estupro da democracia”. E desacatou: “Canalhas! Venham para cima de mim se são homens!”. Os ministros estão indo, mas não com fuzil e sopapos, mas com urnas, eleição, instituições, Federação e… democracia. No Supremo, é jogo. Com Bolsonaro, é guerra.

Reação do general faz TSE admitir que já acolheu 10 das 15 propostas dos militares

Publicado em 12 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

TRIBUNA DA INTERNET

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Dimitrius Dantas
O Globo

O TSE acolheu, de forma completa ou parcial, 10 das 15 propostas feitas por representantes das Forças Armadas para as eleições, segundo um levantamento produzido pelo gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. Das restantes, quatro podem ser utilizadas no futuro e apenas uma foi rejeitada.

Segundo a análise, foram recebidas 44 sugestões de diversos representantes da sociedade para aprofundamento da transparência do processo eleitoral e 32 foram acolhidas parcial ou completamente, ou seja, 72% do total.

APENAS UMA REJEIÇÃO – Das 15 recomendações feitas pelo general Heber Garcia Portella, representante das Forças Armadas na Comissão de Transparência nas Eleições (CTE), apenas uma foi rejeitada (a única entre as 44 recebidas pelo TSE). A sugestão pedia que o relatório de abstenções fosse disponibilizado à sociedade, assim como os dados sobre óbitos. Entre outros pontos, a análise do TSE considerou que a divulgação desse tipo de dado poderia atentar contra a Lei Geral de Proteção de Dados.

As sugestões acolhidas pelo Tribunal, em sua maioria, fazem referência à totalização e possibilidade de auditoria. A maioria delas, entretanto, já era prevista de acordo com o levantamento, como a atuação de empresa especializada de auditoria, contratada por partido político, ou a possibilidade de totalização paralela dos votos.

Algumas recomendações, entretanto, segundo a análise, não puderam ser realizadas neste ciclo eleitoral e, segundo o levantamento feito pelo Tribunal, serão estudadas para as eleições realizadas nos próximos anos, como a ampliação do Teste Público de Segurança, com a diminuição das restrições impostas aos investigadores.

OFÍCIO DO GENERAL – Nesta quinta-feira, o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, enviou um ofício ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edson Fachin, em que insistIu para que as sugestões feitas pelas Forças Armadas sobre “aperfeiçoamento e segurança do processo eleitoral” fossem apreciadas pela Corte Eleitoral.

Em maio, Fachin descartara o exame de sugestões, informando à Defesa que o período para mudança no pleito de 2022 já tinha sido encerrado. Ao GLOBO, o TSE afirmou que recebeu o novo documento e que o material está sob análise.

No ofício, Nogueira de Oliveira afirma que as Forças Armadas foram elencadas como “entidades fiscalizadoras, ao lado de outras instituições, legitimadas a participar das etapas do processo de fiscalização do sistema eletrônico” pelo TSE, mas que, “até o momento”, as Forças Armadas “não se sentem devidamente prestigiadas por atenderem ao honroso convite do TSE para integrar a CTE”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Vejam como as coisas mudam. Fachin estava se comportando de maneira inapropriada, esnobando as contribuições da Comissão de Transparência das Eleições e até ridicularizando as sugestões dos militares. Não mais que de repente, diria Vinicius de Moraes divulga essa nova versão dos fatos, para vergonhosamente admitir que 10 das 15 propostas das Forças Armadas foram aceitas, quatro ainda estão em análise e apenas uma foi recusada, por significar excesso de transparência, um argumento inaceitável em regime democrático, cá entre nós. Com indagava Machado de Assis, mudei eu, mudou o Natal ou mudou Edson Fachin, um ministro notoriamente desqualificado? (C.N.)


Bolsonaro diz que Moraes “tem problema” e Barroso é “um mentiroso e sem caráter”

Publicado em 12 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Presidente Jair Bolsonaro participa de motociata em Orlando

Bolsonaro aproveitou a viagem e desancou seus desafetos

Cristiane Noberto
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro (PL) chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso de “mentiroso” e “sem caráter”. O chefe do Executivo falava sobre declarações do magistrado que o acusava de responder a um inquérito sigiloso para apoiar as afirmações sobre fraudes nas urnas.

“Eu não estou atacando a Justiça Eleitoral, eu estou atacando o Barroso, que não tem caráter”, disparou o presidente em frente a uma churrascaria em Orlando, Flórida, neste sábado (11/6).

ATAQUE A MORAES – Bolsonaro ainda falou sobre outro membro da Corte, o ministro Alexandre de Moraes, que é responsável pelos inquéritos das fake news, onde o presidente também é investigado. Ele questionou: “O que ele tem na cabeça? O o que está ganhando com isso?”. E insistiu: “Quais são seus interesses? Ele está ligado a quem? Ou é um psicopata? Ele tem um problema”, afirmou.

O presidente ainda criticou a condenação do deputado bolsonarista Daniel Silveira (PTB-RJ). Segundo ele, Alexandre de Moraes continua perseguindo o parlamentar mesmo depois que foi concedido a graça presidencial.

“Agora, bloqueando o celular da esposa dele, que é a advogada que o defende”, disse.

EXEMPLO DA BOLÍVIA – Outro argumento utilizado pelo presidente foi comparar a situação com a prisão da ex-presidente da Bolívia, condenada nesta semana a 10 anos de prisão no país por articular um golpe de Estado em 2019. Bolsonaro já fez a comparação em outras ocasiões.

“Agora foi confirmado dez anos de cadeia para ela. Qual a acusação? Atos antidemocráticos. Alguém faz alguma correlação com Alexandre de Moraes e os inquéritos por atos antidemocráticos? Ou seja, é uma ameaça para mim quando deixar o governo?”, perguntou.

O presidente ainda criticou a atuação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edson Fachin, em convidar observadores internacionais para as eleições de 2022. “O que esses observadores vão fazer lá? Observar? Olha, a não ser que ele tenha um olhar de super-homem que possa observar programas, microchips. Qual a qualificação desses observadores?”, questionou.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Com esses ataques permanentes, acaba perdendo eleitores do centro democrático. Parece uma estratégia suicida, jogando todas as fichas numa possibilidade de golpe. Quem pode entender isso? (C.N.)


O mais obsceno faroeste à brasileira


Sergio Moro e Deltan Dallagnol


A bandidagem punida pela Lava Jato quer de volta o dinheiro que entregou para escapar da cadeia. 

Por Augusto Nunes e Silvio Navarro 

Quer dizer que agora existem vagas na cadeia também para delinquentes da classe executiva?, intrigaram-se em 20 de março de 2014 milhões de brasileiros fartos da roubalheira institucionalizada pelos governos do PT. A recém-nascida Operação Lava Jato, que agrupava juízes, procuradores e policiais federais, prendera Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento da Petrobras de 2004 a 2012. Ao executivo nomeado pelo presidente Lula, que o chamava de Paulinho, não demorariam a juntar-se outros três diretores da estatal — Renato Duque, Nestor Cerveró e Jorge Zelada. Quer dizer que enfim seria dissolvido o clube dos condenados à perpétua impunidade? Seria, começou a acreditar o país que presta quando a devassa do escândalo do Petrolão pareceu ter atingido, em 20 de novembro de 2014, o ponto de não retorno.

Naquele dia, a fase da Lava Jato batizada de Juízo Final iniciou a varredura das catacumbas que ocultavam empresários premiados com obras públicas multibilionárias. Convocado para depor na Polícia Federal de Curitiba, um bando de figurões homiziados no comando das nove maiores empreiteiras nacionais provocou o primeiro congestionamento de jatinhos na história do aeroporto da capital paranaense, fez uma escala nos quartos de hotéis que reservara por uma noite e foi caprichar no papel de inocente. Aquilo não duraria mais que duas horas, informava o sorriso confiante dos depoentes. Todos só voltariam para casa depois de longos meses hospedados na gaiola. E então mesmo os céticos profissionais desconfiaram que a coisa era para valer. Disso o país inteiro teve certeza com o início do cortejo de delações premiadas.

Para escaparem da cadeia, quadrilheiros toparam escancarar caixas pretas, contar tudo o que sabiam e, para espanto das vítimas da quadrilha, devolver à Petrobras ao menos parte do produto do roubo. Passados 500 dias, a Lava Jato havia recuperado R$ 870 milhões. Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços da estatal, nem esperou por cobranças: em fevereiro de 2015, avisou que entregaria aos integrantes da Lava Jato pouco menos de US$ 100 milhões. A rendição do novo rico acampado no segundo escalão inaugurou o desfile de cifras inverossímeis, produzidas por refinarias que não saíram das pranchetas e promessas ou ultrapassaram em décadas o prazo fixado para a conclusão das obras. Todas acabaram reduzidas a usinas de licitações criminosas, contratos superfaturados, aditivos pornográficos, propinas de dimensões siderais e outras bandalheiras espantosas.

Em 28 de janeiro de 2015, a presidente da Petrobras, Graça Foster, informou que o saque somara R$ 88,6 bilhões. Tal façanha resultou da mobilização de um elenco de filme épico italiano. O Petrolão juntou gatunos em ação no comando da estatal, empreiteiros de grosso calibre, ministros de Estado, senadores, deputados e donos de distintos partidos, doleiros lavadores de dinheiro, empresários com livre acesso ao Planalto, vigaristas tarimbados (como José Dirceu e Antonio Palocci), sumidades ainda pouco valorizadas (como Sérgio Cabral), um presidente da Câmara, o marqueteiro do rei, três tesoureiros do PT e, fora o resto, um ex-presidente da República. Mas havia topado com adversários bons de briga, bem equipados e extraordinariamente eficazes, que já no início do embate venceram a disputa pelo apoio da torcida brasileira.

Entre o início de 2014 e o fim de 2018, a grande maioria dos brasileiros festejou a ampliação diária do acervo de provas, evidências e indícios de que, se é verdade que chegou com as primeiras caravelas, a corrupção havia alcançado proporções pandêmicas com a Era PT. Para os poderosos patifes, 6 da manhã tornou-se a mais cruel das horas: era nesse momento que soavam as pressagas batidas na porta. Em março de 2016, conversas grampeadas atestaram a onda de angústia que invadira o Congresso. Era preciso estancar a sangria, implorou o senador Romero Jucá aos parceiros Renan Calheiros e José Sarney. A publicação da súplica custou a Jucá a antipatia nacional, a suspensão de viagens em aviões de carreira e a derrota na tentativa de reeleger-se.

Em contrapartida, foram promovidos a heróis nacionais os participantes da ofensiva que, por ter desmontado o maior esquema corrupto de todos os tempos, tornou-se a mais eficiente operação anticorrupção da história. Nos desfiles de 7 de Setembro, a passagem das viaturas da Polícia Federal foi aclamada pela multidão. Nas raras aparições públicas, o juiz Sergio Moro passou a ser aplaudido de pé. É compreensível que os brasileiros honestos tenham enxergado na prisão de Lula a efetiva entrada em vigor de um preceito esquecido numa página da Constituição: todos são iguais perante a lei. A sentença de Moro, expedida em julho de 2017, foi confirmada em janeiro de 2018 pelo Tribunal Regional Federal de Porto Alegre. E começou a ser cumprida em em 7 de abril de 2018.

Sentenciado a pouco mais de 12 anos de cadeia pelas trapaças que envolveram o tríplex do Guarujá, o ex-presidente foi solto em 8 de novembro de 2019 pela mão amiga do Supremo Tribunal Federal. Na véspera, para devolver às ruas o criminoso já punido em segunda instância também pelo que andou fazendo com o sítio em Atibaia, a maioria da corte decidira que ninguém pode ser preso antes da tramitação em julgado da sentença condenatória. Em março de 2021, o socorro indecoroso se completou com a inacreditável acrobacia executada pelo ministro Edson Fachin, relator dos processos da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal.

Desde que assumiu o posto vago pela morte de Teori Zavaschi, Fachin vinha julgando com a placidez de monge tibetano os recursos fabricados pelos advogados de Lula. Só ao deliberar sobre a derradeira manobra o malabarista togado decidiu que o réu deveria ser julgado em Brasília, não em Curitiba. Ao inventar a Lei do CEP, o juiz nomeado por Dilma Rousseff arrancou a máscara que camuflava o mais dissimulado dos ministros. Ele reivindicara o lugar deixado por Zavaschi para consumar o assassinato da Lava Jato, desativada pelo procurador-geral Augusto Aras em fevereiro de 2021. E também inspirar-se no avesso da verdade para transformar um belo capítulo da saga republicana no mais obsceno faroeste à brasileira.

Graças ao roteirista espertalhão, neste outono de 2022 Lula disputa a Presidência caprichando na pose de inocente, aciona judicialmente o procurador federal Deltan Dallagnol por “danos morais”, exige a condenação de Moro por ter perseguido a alma viva mais pura da nação e afirma que o Petrolão nunca existiu. No momento, quem deve explicações é o juiz que cumpriu seu dever. No faroeste à brasileira, é o bandido que vence no final. O PT acha pouco: para bancar a festa da vitória, quer que o Supremo obrigue Moro a pagar uma indenização de bom tamanho ao partido que virou bando. Animados com a soltura do chefe, numerosos quadrilheiros solicitam que a conversa fiada que livrou Lula da cadeia seja estendida aos demais companheiros. Previsivelmente, apareceram no palco delatores premiados que querem recuperar o produto do roubo usado para driblar a gaiola. A realidade brasileira supera o que há de mais inventivo na estante dorealismo fantástico.

“É simplesmente imoral pretender a devolução do dinheiro saqueado por ímprobos administradores”, ensina o jurista Ives Gandra Martins, que também contesta as críticas à operação que enquadrou os saqueadores da Petrobras. “Não houve qualquer cerceamento de defesa e as decisões foram baseadas em provas materiais de corrupção, concussão, desvio de verbas públicas, favores inadmissíveis e retorno da parte do assalto às finanças estatais”, resume Gandra. “Não creio que tenha sido esta a intenção da Corte, mas o STF desmontou a Operação Lava Jato. O Brasil se tornou um país de corruptores sem corruptos.”

O jurista Adilson Dallari endossa os pareceres de Gandra. “Tentou-se mostrar que havia um conluio entre o Ministério Público e o juiz. Juízes, promotores e advogados conversam, sim, fora dos autos, mas isso não compromete o curso do processo, nem anula a decisão. Basta ler o texto das sentenças, muito bem elaboradas e confirmadas nas instâncias superiores.” Dallari vê as coisas como as coisas são. “Não há ex-condenados, mas descondenados. O STF buscou e encontrou um subterfúgio para livrar o Lula. Outros réus pegaram carona na ação entre amigos que beneficiou o ex-presidente.” Para o jurista, denúncias e ações contra procuradores e juízes têm vida curta: “Depois das eleições serão todas arquivadas, pois são totalmente despropositadas e infundadas”.

Na História Nacional da Infâmia, a sinopse do mais torpe faroeste à brasileira caberá em uma única frase: “Quando as investigações se aproximaram perigosamente de alguns ministros do Supremo e seus amigos, os ameaçados resolveram estancar a sangria”.

Revista Oeste

Bolsonaro pediu a Biden ajuda para derrotar Lula, diz site




Jair Bolsonaro e Joe Biden durante encontro na Cúpula das Américas

Segundo o site Bloomberg, assim que o tema foi abordado na conversa, Biden mudou de assunto

Jair Bolsonaro (PL) pediu ajuda a Joe Biden para se reeleger nas eleições de 2022 e, consequentemente, derrotar Lula (PT) no pleito. O pedido teria acontecido na última quinta-feira (9/6), durante encontro na Califórnia, Los Angeles, em meio à Cúpula das Américas.

A informação é do site Bloomberg. Segundo o portal, quando Bolsonaro abordou a questão eleitoral, Biden mudou de assunto. Neste momento, também segundo a matéria do site, a diferença entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos foi explicitada.

A Bloomberg informa ainda que Governo Federal e Casa Branca não comentaram o assunto. Já Bolsonaro afirma que saiu satisfeito do encontro com Biden.

"A experiência com ele foi simplesmente fantástica. Estou realmente maravilhado e acreditando nas suas palavras e naquilo que foi tratado reservadamente entre nós", afirmou na quinta-feira.

Eleição

Ciro Gomes (PDT), André Janones (Avante), Simone Tebet (MDB), Vera Lúcia (PSTU), Pablo Marçal (Pros), Eymael (DC), Felipe d'Ávila (Novo), Sofia Manzano (PCB), Luciano Bivar (União) e Leonardo Péricles (UP) são outros nomes tidos como pré-candidatos à Presidência da República em 2022.

As eleições acontecem em 2 de outubro. Caso necessário segundo turno, ele ocorrerá no dia 30 do mesmo mês.

Estadão / Estado de Minas

Golpistas por todos os lados




Nas armadilhas virtuais, com utilização de dados vazados, tudo parece legal e perfeito

Por Alvaro Costa e Silva (foto)

O golpe está na moda. Calma, leitor. Não falarei sobre o golpe que, de tão anunciado, até com data e hora marcada, em ataques de fúria que mais parecem faniquitos, está sendo desmoralizado pelo próprio presidente-golpista. Vou tratar de outros trambiques, há na praça um festival deles.

Ainda sendo investigados, alguns causam pânico. Usuários de transporte por aplicativo relatam sentir um forte odor de produtos químicos durante os trajetos. Batizado de golpe do cheiro, a dopagem levaria à perda de consciência. No golpe do delivery, os criminosos utilizam documentos falsos e se cadastram como entregadores —em São Paulo, um jovem foi morto com um tiro na cabeça ao defender a namorada. Nas praias cariocas, o crime é à moda antiga: o esperto usa chapéu e carrega uma caixa de isopor para se disfarçar de ambulante e furtar celulares.

Nada, porém, se compara às armadilhas virtuais. Aparentemente tudo é legal e perfeito, porque todos os dados de todos os brasileiros vazaram e são facilmente acessados. Uma a cada três vítimas de estelionatários no Rio é abordada por aparato tecnológico: através da internet ou mensagens de celular. Um roteiro manjado, mas quase infalível, inclui a perda ou roubo do aparelho, daí um número novo de WhatsApp, mas com a antiga foto da pessoa, e a necessidade de um depósito urgente. Faz um PIX aí.

Nos aplicativos de namoro, mais arapucas. Um simples encontro amoroso pode se transformar em sequestro ou assalto. Sentindo medo ou vergonha, as vítimas não costumam fazer boletins de ocorrência. O documentário "O Golpista do Tinder" mostra um bilontra que se passava por milionário, pegava empréstimos e, claro, sumia com o dinheiro. Aliás, o streaming está invadido por filmes e séries —a melhorzinha delas, "Inventando Anna"— que retratam diversas fraudes. A vigarice é tendência mundial.

Conto do vigário, que ao menos era divertido, não tem mais.

Folha de São Paulo

Bolsonaro chama Barroso de "mau caráter" e diz que Moraes "tem um problema"


Barroso e Moraes


Bolsonaro também criticou a condenação do deputado bolsonarista Daniel Silveira (PTB-RJ)

Bolsonaro ainda criticou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edson Fachin, por convidar observadores internacionais às eleições de 2022

Por Cristiane Noberto

O presidente Jair Bolsonaro (PL) chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Roberto Barroso de “mentiroso” e “sem caráter”. O chefe do Executivo falava sobre declarações do magistrado que o acusava de ter um inquérito sigiloso para apoiar as afirmações sobre fraudes nas urnas.

“Eu não estou atacando a Justiça Eleitoral, eu estou atacando o Barroso, que não tem caráter", disparou o presidente em frente a uma churrascaria em Orlando, Flórida, neste sábado (11/6).

Bolsonaro ainda falou sobre outro membro da Corte, o ministro Alexandre de Moraes, que é responsável pelos inquéritos das fake news, onde o presidente também é investigado. Ele questionou “o que ele tem na cabeça” e “o que está ganhando com isso”. “Quais são seus interesses? Ele está ligado a quem? Ou é um psicopata? Ele tem um problema", afirmou.

O presidente ainda criticou a condenação do deputado bolsonarista Daniel Silveira (PTB-RJ). Segundo ele, Alexandre de Moraes continua perseguindo o parlamentar mesmo depois que foi concedido a graça presidencial. "Agora, bloqueando o celular da esposa dele, que é a advogada que o defende", disse.

Leia também: Bolsonaro sobre STF: Fui do tempo que decisão se cumpria. Não sou mais.

Outro argumento utilizado pelo presidente foi comparar a situação com a prisão da ex-presidente da Bolívia, condenada nesta semana a 10 anos de prisão no país por articular um golpe de Estado em 2019. Bolsonaro já fez a comparação em outras ocasiões.

"Agora foi confirmado dez anos de cadeia para ela. Qual a acusação? Atos antidemocráticos. Alguém faz alguma correlação com Alexandre de Moraes e os inquéritos por atos antidemocráticos? Ou seja, é uma ameaça para mim quando deixar o governo?", perguntou.

O presidente ainda criticou a atuação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Edson Fachin, em convidar observadores internacionais para as eleições de 2022. "O que esses observadores vão fazer lá? Observar? Olha, a não ser que ele tenha um olhar de super-homem que possa observar programas, microchips. Qual a qualificação desses observadores?", questionou.

Correio Braziliense / Estado de Minas

Ameaçando o TCU




Processo de demonização dos órgãos de controle não tem como ser bom para o País

Por Adriana Fernandes (foto)

Foi com indisfarçável sorriso no rosto que o presidente da Comissão Mista do Orçamento, deputado Celso Sabino (União-PA), avisou que o Tribunal de Contas da União (TCU) teria agora as suas próprias contas fiscalizadas pelos integrantes da comissão. 

A fala de Sabino foi feita em audiência para discutir a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2023 com a presença do secretário especial de Tesouro e Orçamento, Esteves Colnago. Em tom irônico, Sabino afirmou que não existe nenhum recurso público que não seja fiscalizado “apesar de terem criado essa versão de emenda pix”. 

Emenda pix é como foram chamadas as transferências de recursos do Orçamento feitas diretamente aos Estados e municípios, que podem usar a verba como quiserem sem prestação de contas. Esse tipo de emenda parlamentar tem abastecido casos como os cachês altíssimos pagos por cidades muito pobres para cantores sertanejos como revelou reportagem do Estadão.

Um requerimento já aprovado pela CMO pede que seja encaminhada uma recomendação para que o TCU se abstenha de expedir medidas que suspendam atos, procedimentos, obras e serviços antes de ouvir o Congresso. A crise vai longe. 

O cerco ao trabalho do TCU abriu uma nova crise entre as instituições em Brasília. Mostra o visível incômodo dos parlamentares do Centrão com as investigações das emendas do orçamento secreto e de irregularidades no uso de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), empresa reduto dos caciques do Nordeste. 

Lideranças do Centrão querem enquadrar o TCU dizendo que o órgão, que deveria fiscalizar, gasta demais e sem ser fiscalizado. Já os ministros do tribunal enxergam no movimento uma ameaça explícita. 

As lideranças políticas não querem que o TCU fiscalize as emendas argumentando que é prerrogativa do Congresso, mas há 20 anos o mesmo Congresso não julga as contas presidenciais. 

Enquanto isso, o processo de descrédito dos órgãos fiscalizadores avança em Brasília para muito além da área ambiental do Ibama e ICMBio. Nesta semana, foi a vez de o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi, pedir a Jair Bolsonaro a limitação das multas aplicadas pelo Procon. Outro projeto na Câmara que tramita em regime de urgência, o PLP 17, limita a atuação da Receita Federal na fiscalização e na aplicação de multas. O processo de demonização dos órgãos de controle não tem como ser bom para o País, independentemente se eles precisam de aperfeiçoamento e avanços. Caminho perigoso esse.  

O Estado de São Paulo

Em destaque

Acredite se quiser! Associação pede que Supremo anule sessão que vetou Messias

Publicado em 6 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Charge do Cláudio Oliveira (Folha) José Carlos Wernec...

Mais visitadas