quarta-feira, abril 13, 2022
Putin diz que atacou a Ucrânia por "não ter escolha"
Talvez Bolsonaro seja um pouquinho corrupto...
Russos deixam rastro de destruição em Borodianka
3 sinais de 'desgaste' nas democracias da América Latina, segundo analistas
Deputado pede investigação sobre compra de R$ 3,5 mi em próteses penianas pelo Exército

O deputado pelo estado de Goiás, Elias Vaz (PSB) e o senador Jorge Kajuru (Podemos) devem pedir ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Ministério Público Federal (MPF) que abram uma investigação para esclarecer por que o Exército comprou 60 próteses penianas infláveis no valor de R$ 3,5 milhões.
Os dados do Portal da Transparência e do Painel de Preços do governo federal revelam que foram feitos três pregões eletrônicos no ano passado para comprar os produtos, cujo comprimento varia entre 10 e 25 centímetros.
De acordo com o que publicou o Portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, o primeiro pregão teve a compra de dez próteses, autorizada no dia 2 de março de 2021, no valor de R$ 50.149.72 cada, para o Hospital Militar de Área de São Paulo. O fornecedor foi a empresa Boston Scientific do Brasil LTDA.
Um segundo certame estabeleceu, no dia 21 de maio de 2021, a aquisição de 20 próteses, ao custo de R$ 57.647,65 cada, para o Hospital Militar de Área de Campo Grande (MS). A empresa fornecedora foi a Quality Comercial de Produtos Médicos Hospitalares LTDA.
O terceiro pregão determinou, no dia 8 de outubro de 2021, a compra de 30 próteses, cada uma orçada em R$ 60.716,57, para o Hospital Militar de Área de São Paulo. A empresa Lotus Medical Distribuidora e Comércio de Produtos Médicos Eireli foi encarregada de fornecer as unidades.
O produto é indicado para casos de disfunção erétil. Segundo o portal do médico Drauzio Varella, as próteses infláveis podem durar entre 10 e 15 anos. Há diversos casos na Justiça em que planos de saúde foram condenados a custear a implantação de segurados. O valor delas costuma superar os R$ 50 mil.
Bahia Notícias
Weintraub afirma que Bolsonaro ordenou entrega do FNDE para o Centrão

O ex-ministro da Educação Abraham Weintraub (Brasil 35), disse ter recebido uma ordem direta do presidente Jair Bolsonaro (PL) para que “entregasse” o comando do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE) ao Centrão.
De acordo com o que divulgou o Portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, o fundo bilionário, vinculado ao Ministério da Educação (MEC), está envolvido em recentes acusações de desvios de recursos públicos.
Em entrevista à CNN, o ex-ministro afirmou que a determinação teria ocorrido em março de 2020 e foi concretizada no mês seguinte, em junho. No dia 1º daquele mês, foi publicada a nomeação de Marcelo Lopes da Ponte, ligado ao ministro Ciro Nogueira (PP-PI), como presidente do FNDE.
“Quem vai me dar uma ordem dessas? O meu chefe. Ele falou: você vai ter que entregar o FNDE pro Centrão e eu falei: presidente, não faça isso. E eu fiquei adiando o máximo que eu podia, fiquei adiando. Eu subi toda a governança, as regras, do processo decisório do FNDE. Tentei, inclusive, fazer um conselho, um board decisório pro FNDE não ficar… Para o presidente do FNDE não se reportar só ao ministro da Educação, se reportar ao ministro da Economia e ao da Casa Civil. Na época era o Braga Netto. Tentei, o Braga Netto não quis”, afirmou o ex-ministro.
Weintraub isentou Bolsonaro de envolvimento direto em eventuais irregularidades. “Não tá difícil de ver se aconteceu alguma coisa de errado, eu não acho que o presidente esteja envolvido nisso, mas ele deixou entrar gente errada dentro do governo. E essas pessoas erradas que aprontaram no passado eu acho que tem uma probabilidade alta de terem aprontado de novo, mas para ser justo, eu sou a favor de sempre ser justo, então, vamos investigar”, disse ele na entrevista.
O ex-ministro atribuiu a aliança do governo Bolsonaro com o Centrão ao atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos, então chefe da Secretaria de Governo.
Bahia Notícias
Jerônimo participa de encontro com mais de 120 prefeitos do interior; 20 do PP

O pré-candidato do governo ao Palácio de Ondina, Jerônimo Rodrigues (PT), participou, na noite desta terça-feira (12) no Hotel Fiesta, em Salvador, de um encontro que reuniu mais de 400 lideranças do interior do estado e da capital. Entre eles, mais de 120 eram prefeitos de municípios baianos, entre os quais 20 eram do PP, partido que hoje integra oficialmente a oposição.
Kite (PP), prefeita de Taperoá, esteve presente no encontro governista destacou a importância do encontro na capital e disse que "não existe espaço para quem quer ser soberbo e arrogante com as pessoas".
Outra liderança do interior que anunciou apoio à pré-candidatura de Jerônimo, mesmo integrando um partido de oposição, foi o prefeito de Cocos, Dr. Marcelo Emerenciano (PL).
"Todos nós temos uma gratidão muito grande pelo governador Rui Costa, por tudo que ele tem feito por toda a Bahia", afirmou Dr. Marcelo, que ainda garantiu estar confiante na vitória de Jerônimo e assegurou grande mobilização para discussão do Programa de Governo Participativo (PGP) no território da Bacia do Rio Corrente.
No evento, os presentes também deixaram clara a estratégia petista de nacionalizar o debate estadual. Em seus discursos, Jerônimo e Rui se colocaram ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera as intenções de voto no estado para a presidência.
“No dia das eleições, todos saberão quem é o candidato de Lula e quem é o candidato de Bolsonaro", afirmou Rui.
"A caminhada não vai ser fácil, mas existem dois projetos que estão bem claros, são dois lados. Estamos do lado da esperança, ao lado de Lula", disse Jerônimo.
Bahia Notícias
Alckmin diz a grupo de esquerda que 'governo cruel' de Bolsonaro exigiu união com Lula
por Mônica Bergamo | Folhapress

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin afirmou em um jantar em sua homenagem, na segunda (11), que já trocou "caneladas" em disputas eleitorais com o ex-presidente Lula. O governo "cruel" de Jair Bolsonaro, e a ameaça que ele representa à democracia, porém, exigiram de ambos a superação de divergências e a união em torno da defesa das liberdades e das instituições.
"Os tempos mudam, as pessoas mudam e a história mudou. Temos hoje um governo [de Jair Bolsonaro] cruel com o povo, que não pode continuar", disse ele a uma plateia de advogados e juristas que sempre se posicionou majoritariamente no campo da esquerda.
"Eu e Lula já disputamos [eleições]. Teve canelada. Mas o fato é que a democracia hoje exige que estejamos juntos, para somar, somar e somar. Sei da minha pequenez diante da grandeza do país, mas me incorporo a esse esforço cívico, a essa grande frente em benefício da democracia", afirmou ele, sob aplausos.
"Há governos que são autocracias. 'É o que eu [governante] quero', acima da lei, à margem da lei. E há as democracias, que respeitam as instituições. As pessoas passam, mas as instituições ficam", seguiu.
Em seguida, elogiou os advogados: "Tão importante quanto as bandeiras erguidas são as mãos que as empunham. Fico feliz de estar com vocês, junto às suas mãos benfazejas".
Foi a primeira vez que Alckmin se manifestou mais longamente sobre o processo que o levou a firmar uma aliança com Lula. O encontro foi na casa do advogado Pedro Serrano, e organizado também pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, do grupo Prerrogativas, e por Fernando Guimarães, do Direitos Já.
Os dois pré-candidatos ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT-SP) e Márcio França (PSB-SP), que devem apoiar Lula e Alckmin, também participaram da homenagem.
Alckmin chegou por volta das 20h30 ao encontro, e foi embora depois da meia-noite. Elogiado permanentemente pelos convidados, dedicou um tempo de conversa a praticamente todos eles, circulou pelas rodas tirou fotos com funcionários da casa
Em seu discurso, o ex-governador fez um histórico dos momentos em que as trajetórias dele e de Lula se cruzaram.
Começou afirmando que a vida pública "não é fácil".
"Embora eu pareça zen, pois faço acupuntura há muitos anos, sempre atendi ao chamado da responsabilidade e trilhei caminhos que não eram fáceis", afirmou.
Ele lembrou que nos anos 1970, em plena ditadura militar, políticos respeitados de Pindamonhangaba, onde nasceu e começou sua carreira pública, acabaram aderindo à Arena, o partido que sustentava o regime fardado.
Já ele foi candidato a vereador "pelo Manda Brasa [apelido do então MDB, partido que se opunha à ditadura]". Depois, se elegeu prefeito da cidade.
O estado de São Paulo, diz, tinha naquela época "mais de 500 prefeitos, e só 33 eram da oposição".
"E foi quando eu tive o meu primeiro embate com o Lula", relembrou.
Era o ano de 1978, e o MDB tinha lançado dois candidatos ao Senado. "Eu apoiei Franco Montoro. Do outro lado, o Lula apoiou Fernando Henrique Cardoso", lembrou.
"O interessante é que eu ganhei o embate", disse, rindo. Montoro foi eleito, e FHC virou suplente.
Em 1982, Montoro foi eleito governador de São Paulo. E Fernando Henrique assumiu o cargo de senador.
O segundo momento em que ele e Lula se cruzaram na história foi em 1988, quando foram eleitos deputados constituintes e participaram da elaboração da Carta Magna até hoje em vigor.
Em 2002, com Lula recém-eleito presidente e ele, governador de São Paulo, os dois participaram de um encontro em Minas Gerais e o petista fez uma charada: "Em quem você está pensando, eu também estou".
Os dois queriam convidar o engenheiro agrônomo Roberto Rodrigues para fazer parte de suas respectivas equipes. Lula ganhou a parada, e ele virou ministro.
Durante o exercício dos mandatos, o relacionamento era harmônico, diz Alckmin. Lula chegou a convidá-lo para irem juntos à China.
"Na véspera da partida, eu percebi que iríamos no Sucatão [avião antigo no qual os presidentes brasileiros viajavam]. A Lu [Alckmin, então primeira-dama de SP] achou melhor a gente não ir. Mas embarcamos. O avião batia asas. Saímos de Brasília, paramos na Ilha do Sal, em Kiev, na Ucrânia, e depois em Beijing".
"Fizemos inúmeras parcerias ao longo dos anos", seguiu Alckmin, referindo-se ao PT.
"No governo Lula, o [então ministro da Justiça] Marcio Thomaz Bastos me procurou. Eles não tinham presídios de segurança máxima na esfera federal. Não tinham onde colocar o [traficante] Fernandinho Beira-Mar. Acertamos de ele vir para um dos presídios de São Paulo. No governo Dilma Rousseff, fizemos uma cooperação para construir cem mil casas populares. Acabamos entregando 120 mil. Com [o então prefeito] Fernando Haddad, criamos o passe do idoso, que tem que voltar. Governar é escolher".
Alckmin também fez um paralelo de sua decisão de sair do PSDB, se filiar ao PSB e formar uma chapa com Lula com o momento em que, em 1988, deixou o MDB justamente para fundar a legenda tucana.
"Diziam que eu não sairia do partido, pois tinha bases muito arrumadinhas, 28 prefeitos do MDB me apoiavam. Pois eu fui [para o PSDB]. E quantos deles foram comigo? Nenhum", seguiu ele. O telefone de um dos aliados que o apoiavam ficou mudo, diz. "Quando telefonavam, ou era a mulher dele ou era engano."
Alckmin afirmou ainda que os desafios da campanha eleitoral serão enormes, mas que é preciso "abrir os olhos das pessoas, escutar, convencer. Levar esperança. E o presidente Lula representa tudo isso. Ele tem experiência e liderança, ele fala com o povo".
Alckmin citou ainda uma frase que diz ter ouvido várias vezes do ex-governador Franco Montoro, morto em 1999. Ele afirmava que, diante dos desafios, as pessoas não podem ter "nem os braços cerrados da violência nem os braços fechados da indiferença. Mas, sim, os braços abertos da solidariedade".
Mário França e Haddad também fizeram pequenas falas.
O ex-governador do PSB afirmou que Alckmin não é apenas o político mais idôneo que ele já conheceu, "mas a pessoa mais idônea que já vi. Ele é quase fora do nosso mundo, pela espiritualidade que tem". França disse ainda que a reeleição de Jair Bolsonaro pode aprofundar o autoritarismo no país.
"Pessoas autoritárias, quando reeleitas, ficam mais autoritárias pois acham que as pessoas concordam com elas. Foi assim do Hitler na Alemanha, com o Putin na Rússia. E será assim com muita gente".
Ele elogiou ainda a aliança de Lula e Alckmin.
"A genialidade do ato [de união com Alckmin] está no presidente Lula, que percebeu que era possível juntar mais gente [em torno da candidatura e da aliança para um eventual futuro governo]". Dirigindo-se então a Alckmin, ele disse: "Estou aqui hoje elogiando a sua humildade e a persistência do Lula, que mais uma vez encontra forças para fazer o que só ele poderia fazer nesse instante [derrotar o bolsonarismo]".
Haddad disse que o gesto de Alckmin deveria ser "seguido por todos os democratas do país, para preservar a democracia, a República, a Constituição de 1988, que são frutos do que cada um de nós fez para que o país vivesse em liberdade. Diante do absurdo que ocorre no Brasil hoje, o governador Alckmin teve o gesto de desprendimento de se unir àquele que sempre foi seu adversário, mas nunca seu inimigo".
Lembrando que Lula se refere a ele como "o mais tucano dos petistas", Haddad disse também que sempre afirmava ao ex-presidente que, se o PT acabasse, os tucanos sentiriam saudade –e vice-versa.
"A centro-direita democrática e a centro-esquerda democrática viraram juntas a página triste dos 21 anos de ditadura militar no Brasil, e hoje se unem para que ela não se repita".
Segundo Haddad, o bolsonarismo hoje oferece "não de novo a ditadura, mas o seu porão para governar o país."
Bahia Notícias
AL-BA não pode convocar autoridades para esclarecimento, define STF
por Cláudia Cardozo

O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do artigo 71, inciso XXIII, da Constituição do Estado da Bahia para retirar as expressões “e de Justiça e dirigentes da administração indireta”. A norma foi questionada pela Procuradoria Geral da República por conceder à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) a prerrogativa de convocar pessoalmente autoridades para prestarem informações, sob pena de cometimento de crime de responsabilidade.
As autoridades elencadas no artigo são "secretários de Estado, Procuradores-Gerais do Estado e de Justiça, além de dirigentes da administração indireta". Com a decisão, a prerrogativa é mantida apenas para secretários e para o chefe da PGE.
O procurador-geral da República, Augusto Aras, afirma que o texto viola o princípio da separação dos Poderes, adentra em competência privativa da União para legislar sobre Direito Penal, além de violar a prerrogativa do parlamento de convocar pessoalmente ou encaminhar pedidos de informações a titulares de órgãos diretamente subordinados à chefia do Executivo, como previstos na Constituição Federal. Aras salienta não é legítimo que “as normas estaduais, distritais ou municipais, ao disciplinar os instrumentos de interpelação parlamentar e de pedidos escritos de informações, insiram no seu rol autoridades, sem paralelismo com o art. 50, caput e § 2º, da Constituição da República, categorias diversas dos titulares de pastas e órgãos diretamente subordinados aos governadores de estado e prefeitos de municípios”.
A AL-BA argumentou que o texto questionado “é norma constitucional originária, e que visa a resguardar, em completa harmonia com a Constituição da República, os poderes fiscalizatórios do Legislativo estadual”. O relator da ação direta de inconstitucionalidade, ministro Edson Fachin, relembra que, em 1991, o STF foi provocado a se manifestar sobre dispositivos de constituições estaduais que previam tal convocação, ampliando o rol de autoridades que deveriam se manifestar. Na época, o então ministro Sepúlveda Pertence, considerou que, por chefiarem um serviço estadual de alta relevância, poderiam ser convocados a prestar esclarecimentos, tal qual ministros de Estados.
Anos depois, o então ministro Cezar Peluso, reformulou o precedente do STF, consideram que as condutas de agentes políticos que poderiam integrar o rol de crimes de responsabilidade significaria, “por razões lógicas, uma redefinição do próprio tipo penal”, de forma que, ao prever penas diante de eventuais recusas, invadiu a competência da União para versar sobre matéria penal.
“Ao referir-se à possibilidade de convocação de Procuradores-Gerais de Justiça e de dirigentes da administração indireta, o dispositivo impugnado desobedece a lógica imanente ao art. 50 da Constituição da República, que compreende o controle de autoridades diretamente subordinadas ao Chefe do Poder Executivo. A ordem jurídica estadual poderia, portanto, apenas referir-se a cargos correspondentes ao de ministro de Estado, isto é, a secretário de Estado ou equivalente em termos de organização administrativa. Nos termos da jurisprudência deste Tribunal, não restam dúvidas de que a inclusão de procuradores-Gerais de Justiça, bem como a de dirigentes da administração indireta no rol de possíveis convocados (sob pena de crime de responsabilidade) acarreta, de forma necessária, a violação da competência privativa da União (art. 22, I, CRFB/88) para legislar sobre a matéria”, escreve o relator no acórdão.
Fachin destaca trecho do parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), que explica quais são os cargos que estão subordinados ao governador do estado, e que, no caso, estariam de fora do rol o cargo de procurador-geral de Justiça. “A representação judicial e extrajudicial, a consultoria e o assessoramento jurídico do Estado, de suas autarquias e fundações públicas competem à Procuradoria Geral do Estado, órgão diretamente subordinado ao Governador”, frisa o ministro. O julgamento ocorreu em sessão virtual entre os dias 11 e 18 de fevereiro. O acórdão na íntegra foi publicado nesta segunda-feira (11).
Bahia Notícias
Câmara de Salvador irá ouvir procuradora-geral sobre TAC com empresas de ônibus

A assinatura de um termo de ajuste de conduta (TAC) fará com que a procuradora-geral de Salvador, Luciana Rodrigues, seja ouvida na Câmara de Vereadores de Salvador. A informação foi sinalizada pelo presidente da Câmara, o vereador Geraldo Jr. O TAC firmado pela prefeitura da capital baiana, juntamente com Ministério Público e empresas ligadas ao transporte público de Salvador, envolve uma transação tributária de débitos das empresas de ônibus, resultando na redução de mais de R$ 100 milhões no passivo das empresas.
De acordo com informações obtidas pelo Bahia Notícias a partir do relato dele, a assinatura do TAC ocorreu, porém, sem o processo típico do ato, provocando o convite para que a procuradora seja ouvida para elucidar questões sobre o termo. Entre as etapas para a aprovação estão o processo interno próprio na procuradoria, com trâmite conforme a lei municipal, além de pareceres e análises da Secretaria da Fazenda de Salvador e da própria procuradoria. O termo deve refletir em uma redução de débito das empresas de transporte de R$ 200 milhões para menos de R$ 100 milhões.
No montante total das dívidas, cerca de R$ 50 milhões eram de tributos que não caberiam transação tributária, segundo a legislação. Além disso, constam no ajuste, verbas contratuais das concessões de transporte, de Imposto Sobre Serviços (ISS) próprio declarado e de Imposto Sobre Serviços (ISS) retido de terceiros, impostos que não tem previsão legal para serem revistos sem aprovação da Câmara. O ato requer uma aprovação prévia do legislativo para que a prefeitura autorize a amortização do débito existente.
O firmamento do TAC se deu após uma movimentação no quadro de advogados que representavam as empresas de ônibus de Salvador. O acordo foi firmado logo após a chegada do ex-secretário de Desenvolvimento e Urbanismo da capital baiana, Silvio Pinheiro, no processo, onde representou as empresas, sendo também sócio do subprocurador do município, Eduardo Porto, no escritório Humildes, Pinheiro & Caribé, localizado na capital baiana. Silvio não era advogado do processo, ingressando pouco antes do ajuste.
Os procuradores Luciana Rodrigues e Eduardo Porto foram nomeados para estarem à frente da Procuradoria-Geral do Município de Salvador logo no início da gestão do prefeito Bruno Reis (UB). Luciana foi reconduzida ao posto de procuradora geral e Eduardo substitui a procuradora Fabiana Almeida na subprocuradoria geral.
RESPOSTA DOS CITADOS
Em resposta ao Bahia Notícias, o advogado Silvio Pinheiro apontou que o escritório o qual representa "só foi constituído e contratado pela Ótima Transportes S/A e Plataforma Transportes S/A, em junho/2020". "Após junho de 2020, assim, só neste momento, tomei conhecimento dos termos dos TACs celebrados pelas empresas com o Ministério Público do Estado da Bahia e o Município de Salvador", apontou em nota.
"Eduardo Vaz Porto é procurador do Município de carreira e jamais se envolveu, direta ou indiretamente, em qualquer tratativa que envolva os TACs celebrados pelas empresas com o Ministério Público do Estado da Bahia e o Município de Salvador. Dr. Eduardo assumiu a função de Subprocurador-geral do Município em 1º de janeiro de 2021, quando o assunto já se encontrava em curso no âmbito do Ministério Público Estadual e, com mais razão ainda, não participou de qualquer processo, reunião, deliberação ou opinativo relacionada ao tema, conforme pode ser confirmado pelos Promotores de Justiça oficiantes, por todos os dirigentes dos órgãos e os demais procuradores do Município que atuaram no caso", complementou.
Além disso, Pinheiro explicou que todos os TACs celebrados pelas empresas Ótima e Plataforma foram conduzidos pelo Ministério Público do Estado da Bahia, através da 2ª Promotoria de Justiça de Proteção da Moralidade Administrativa e do Patrimônio Público, e por isso, "preenchem todos os requisitos legais".
Procurados pelo Bahia Notícias, tanto a procuradora Luciana Rodrigues e o Ministério Público não responderam aos questionamentos enviados pela reportagem.
O Ministério Público pontuou ao Bahia Notícias, através de nota, que o Termo de Ajustamento de Conduta referido foi proposto pelos promotores de Justiça Adriano Assis e Rita Tourinho. "Município de Salvador, por meio da Procuradoria-Geral do Município (PGM) e representantes da Concessionária Salvador Norte (CSN). O Termo não foi cumprido. O MP entrou com pedido de execução e aguarda decisão judicial sobre ele", explicou em nota.
O MP ressaltou ainda que o nome do advogado Silvio Pinheiro "não consta entre os signatários do acordo". "O acordo (TAC) foi homologado pelo Conselho Superior do MP-BA e passou por todos os trâmites da PGM. Não houve renúncia de débitos. O nome dele não consta entre os signatários do acordo", finalizou o MP.
Já a procuradoria do município explicou ao Bahia Notícias que, por ter tramitado no Ministério Público, e não na Procuradoria do Município ou na Secretaria da Fazenda Municipal, "seguiu o procedimento legal próprio e adequado segundo as regras do MP-BA, tendo, inclusive, ocorrido uma Audiência Pública na Câmara de Vereadores do Município do Salvador, ocorrida em 06/08/2019, após a qual a Câmara Municipal aprovou a Lei Municipal N° 9.477/2019, que concedeu, por lei específica, isenção do ISS e da TRCF".
Através de nota, a procuradoria apontou também que não houve renúncia de débitos nos referidos TAC. "As estipulações constantes dos referidos TACs foram examinadas por todos aqueles que o assinaram, assessorados por seus respectivos advogados, incumbindo à Advocacia Pública Municipal o assessoramento dos gestores", acrescenta.
Bahia Notícias
TSE desaprova contas do PSL e pede devolução de R$ 970 mil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desaprovou nesta terça-feira (12) a prestação de contas do diretório nacional do PSL (atual União Brasil) referente ao exercício financeiro de 2016. Com a decisão, o partido deverá devolver R$ 970 mil aos cofres públicos por irregularidades na aplicação de recursos do Fundo Partidário, dinheiro público destinado à manutenção das legendas. As informações são da Agência Brasil.
Entre as inconsistências encontradas estão uso de recursos do fundo sem documentação comprobatória, pagamento de impostos, recebimentos de recursos de origem não identificada, além da falta de aplicação do percentual mínimo de 5% em programas de participação da mulher na política.
Durante o julgamento, a advogada Marilda Silveira, represente da legenda, disse que o partido cumpriu a legislação e que os gastos podem ser comprovados por meio de notas de prestação dos serviços. Marilda também citou divergências entre o plenário do TSE e a área técnica do tribunal sobre os documentos que devem ser apresentados para comprovação.
“Se a Corte compreender que o contrato e a nota fiscal descritiva não são suficientes que se esclareça para o futuro quais são os documentos suficientes para cada caso concreto, porque o partido não tem segurança nem no curso da prestação de contas e nem no momento de prestação de contas”, afirmou.
Na semana passada, o TSE condenou o PROS a devolver R$ 11 milhões ao erário. Segundo o TSE, entre as irregularidades nas contas do partido estão a compra de uma aeronave de R$ 400 mil e máquinas e materiais para a montagem de uma indústria gráfica, no valor de R$ 4 milhões. Foram também apontadas irregularidades com relação a imóveis e despesas de viagem.
Bahia Notícias
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