terça-feira, abril 12, 2022

UE discute mais sanções à Rússia, mas petróleo e gás dividem os 27

 



É o sexto pacote de medidas pela agressão militar à Ucrânia

Luxemburgo - Ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) discutem nesta segunda-feira (11), em Luxemburgo, o sexto pacote de sanções à Rússia, pela agressão militar contra a Ucrânia, mas possíveis embargos às importações de petróleo e gás dividem os 27 membros.

A reunião é realizada três dias após a adoção formal, pelo conselho, do quinto pacote de sanções da UE a Moscou, na sequência das atrocidades cometidas pelas forças russas em Bucha e outras localidades ucranianas, e que visou pela primeira vez o sensível setor energético, com embargo às importações de carvão a partir de agosto.

As receitas das exportações de gás e petróleo da Rússia para a UE são as que mais ajudam Moscou a financiar sua máquina de guerra, como o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, tem apontado incessantemente. Por isso, a Comissão Europeia já começou a trabalhar nessa área, mas considera muito difícil um entendimento entre os 27, devido à forte dependência energética de alguns Estados-membros. 

A reunião de hoje em Luxemburgo é presidida pelo alto representante da UE para a Política Externa e de Segurança, Josep Borrell, que poderá apresentar aos 27 integrantes do bloco as impressões colhidas durante a viagem de sexta-feira (8) a Kiev – com parada  em Bucha -, acompanhando a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Em Kiev, Borrell manifestou a intenção de lançar hoje discussão sobre embargo ao petróleo russo. Ressaltou que a proibição de importações de gás parece, neste momento, inviável, devido à forte dependência de países como Alemanha e Áustria. Para ele, dificilmente será firmado compromisso em questão que exige unanimidade, como é a de sanções europeias.

Os 27 deverão dar "luz verde" a mais um pacote financeiro, o terceiro, de 500 milhões de euros para aquisição e fornecimento de material de guerra à Ucrânia,  no momento em que são previstas importantes batalhas na região de Donbass, com forte ofensiva russa.

RTP - Rádio e Televisão de Portugal

Agência Brasil

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Chanceler austríaco diz que conversa com Putin foi "muito dura"

Putin teve 1º encontro com líder europeu desde a invasão da Ucrânia

Por François Murphy 

Viena - O chanceler austríaco, Karl Nehammer, disse nesta segunda-feira (11) que teve uma dura conversa, frente a frente, com o presidente russo, Vladimir Putin. Ele falou após o primeiro encontro entre Putin e o líder de um país da União Europeia desde a invasão da Ucrânia.

"Esta não foi uma reunião amigável", disse Nehammer em comunicado emitido por seu gabinete, reiterando que esperava ajudar a pôr um fim à guerra na Ucrânia ou melhorar as condições para os civis.

"A conversa com o presidente Putin foi muito direta, aberta e dura".

Reuters / Agência Brasil
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Rheinmetall oferece Leopard 1 à Ucrânia. Brasil forneceria a munição?

 




A fabricante de blindados não está apenas pronta para fornecer os veículos transportes de infantaria Marder, mas também os carros de combate Leopard 1desativados para a Ucrânia.

Por Martin Murphy, Julian Olk e Frank Specht Handelsblatt

Berlim O grupo de armamentos Rheinmetall está se preparando para entregar tanques à Ucrânia. Isso também inclui o tanque de batalha Leopard 1, como o CEO Armin Papperger disse ao Handelsblatt. Este é o antecessor do Leopard 2 atualmente usado pela Bundeswehr "O primeiro Leopard 1 pode ser entregue em seis semanas", disse Papperger. O pré-requisito para isso é a aprovação do governo federal.

A ministra das Relações Exteriores Annalena Baerbock (Verdes) enfatizou na segunda-feira, à margem de uma reunião de ministros das Relações Exteriores da UE em Luxemburgo, que a Ucrânia precisa de mais material militar - incluindo armas pesadas. "Agora não é hora de desculpas, agora é hora de criatividade e pragmatismo", enfatizou Baerbock.

De acordo com o chefe da Rheinmetall, Papperger, o grupo de armamentos poderia entregar até 50 tanques Leopard 1 para as forças armadas ucranianas. São estoques antigos de outros exércitos. Muitas vezes, eles devolvem equipamentos usados e descartados aos fornecedores.

Rheinmetall pode entregar Leopard 1 em três meses.

A condição dos veículos está sendo verificada, disse Papperger. A entrega poderia ocorrer através da subsidiária Rheinmetall Italia e ocorrer em um período de até três meses. A Ucrânia pediu repetidamente aos países ocidentais tanques para repelir o ataque russo.

O governo federal até agora mostrou relutância, por exemplo, no que diz respeito à entrega de veículos blindados de transporte de pessoal do tipo Marder. Como a Bundeswehr precisa cumprir suas obrigações da Otan para defesa nacional e de alianças, tanques desse tipo são atualmente "essenciais", disse uma porta-voz do Ministério da Defesa Federal na sexta-feira.

No entanto, a Rheinmetall havia declarado sua disposição de entregar 50 a 60 veículos blindados Marder desativados para a Ucrânia. Os primeiros 10 a 20 deles podem estar prontos dentro de seis semanas, disse Papperger. Assim como o Leopard 1, o Marder deve vir diretamente da Rheinmetall.

Em relação ao Leopard 1, tons cautelosos foram ouvidos na segunda-feira da coalizão de semáforos: "Temos que responder a duas perguntas: o que podemos entregar e o que queremos entregar?", disse a porta-voz de política de segurança dos Verdes em o Bundestag, Sara Nanni, ao Handelsblatt. "E apenas o primeiro, a viabilidade, deve ser o fator limitante."

Rheinmetall: Treinamento rápido no tanque possível

No entanto, usar um Leopard 1 bem e com segurança não é tarefa fácil, enfatizou Nanni. "Mas neste caso a Ucrânia sabe melhor do que eu se isso ainda os ajudaria."

O porta-voz de política de defesa do grupo parlamentar do FDP, Marcus Faber, fez uma declaração semelhante: “A questão é que você precisa ser treinado um pouco mais intensamente no Leopard 1. Mas se os ucranianos querem o tanque, e isso é o que eles sinalizaram para mim, então deve haver uma maneira."

O ministro federal da Economia, Robert Habeck (Verdes) não quis comentar na segunda-feira se a aprovação para a entrega do tanque será concedida. "Por uma boa razão, concordamos em não falar sobre entregas, tipos e rotas de armas específicas", disse ele em Berlim.

No entanto, o ministro sugeriu mais entregas para a Ucrânia. Com a decisão de apoiar o país com armas, a Alemanha assumiu um compromisso. A obrigação de continuar a apoiar a Ucrânia segue, disse Habeck. "As armas devem ser entregues rapidamente porque o ataque das tropas russas no leste da Ucrânia é iminente."

Guerra na Ucrânia: aquisição de munição para tanques Leopard não está clara

De acordo com Papperger, os soldados ucranianos podem ser treinados para operar o Leopard 1 em apenas alguns dias. O pré-requisito para isso, no entanto, é que eles tenham uma certo nível de experiência. O chefe da Rheinmetall contradisse as declarações de que o treinamento de tanques ocidentais para uso na Ucrânia levaria muito tempo.

Ainda não está claro de onde virá a munição para o Leopard 1. A maioria dos países desativou o modelo, apenas alguns países, como o Brasil, ainda têm o Leopard 1 equipado com o canhão de 105 mm em uso. A questão da munição deve ser discutida com essas nações.

Nota DefesaNet - Importante informação referente à aviabilidade da munição 105mm para canhões L7A3. Mostra a tendência do mudo em direção aos calibre maiores como os 120 e 130 mm.

DefesaNet

Problema de fundo - Editorial




Verbas bilionárias nas mãos de oligarcas partidários mostram efeitos perniciosos

Soluções voluntaristas para problemas complexos, mal estudadas, com frequência produzem novas distorções sem resolver as originais. Tem sido assim com o financiamento, impingido aos pagadores de impostos, de eleições no Brasil.

Deflagraram a mudança do modelo as revelações, em meados da década passada, de corrupção soberba envolvendo políticos e companhias interessadas em contratos e regulações estatais. O diagnóstico, absorvido no calor do momento, foi o de que a causa do descalabro era a permissão de doações de empresas para candidaturas.

Afastando-se do cânone da divisão de Poderes, o agente da mudança não foi o Congresso Nacional, mas o Supremo Tribunal Federal. De repente toda e qualquer forma de custeio empresarial foi declarada inconstitucional pela corte.

Desse modo açodado, embalado em boas intenções, nasceu o monstro do financiamento público de campanhas à brasileira. Do ciclo de eleições de 2018 para este de 2022, o repasse compulsório dos contribuintes para os partidos promoverem candidatos saltou 235%, para R$ 5,7 bilhões. A inflação no período não passará de 35%.

Esse maná de recursos foi canalizado para uma estrutura cartorial e oligárquica de partidos. Seus chefes, entronizados nos postos como capitães hereditários, assumiram um poder colossal, de vida e morte, sobre as candidaturas. Regulamentações supervenientes, como a fixação de cotas para mulheres, mal arranham essa relação.

Quando as doações vêm diretamente da sociedade, ou quando os partidos se abrem organicamente aos anseios de seus eleitores e militantes e se oxigenam periodicamente, o financiamento da atividade política reflete melhor o ideal da representatividade.

Na realidade brasileira, ao contrário, o mandonismo enriquecido das cúpulas partidárias inibe movimentos que poderiam espelhar as disposições do eleitorado. A desertificação do solo no interstício que vai de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Jair Bolsonaro (PL) na disputa presidencial é apenas o exemplo mais visível desse processo.

Acrescente-se o efeito de dezenas de bilhões de reais em emendas distribuídas conforme a proximidade do parlamentar com os mandachuvas do Congresso, e o resultado são obstáculos difíceis de contornar para quem está fora do esquema estabelecido —sem falar das notáveis brechas abertas à corrupção que se queria evitar.

Há dinheiro demais nas mãos dos chefes dos partidos, democracia de menos nas organizações partidárias e barreiras espessas para a alternância de poder. A continuar assim, a distância entre o cotidiano de 214 milhões de brasileiros e a atividade política só fará crescer.

Folha de São Paulo

Guerra na Ucrânia provoca debate sobre neutralidade na Europa

 




Encontro neutro: uma visita de Estado do presidente da Finlândia, Sauli Niinistoe, à Suíça em 2013

Enquanto mísseis russos atingem a Ucrânia e o mundo se preocupa com a escalada da guerra além de suas fronteiras, nações europeias com um histórico de não envolvimento militar estão examinando se chegou a hora de abandonar sua neutralidade de longa data.

Por Jude Webber, Richard Milne, & Sam Jones, Financial Times

Seis países da Europa adotaram a postura, embora em graus variados. A Finlândia e a Suécia foram neutras durante a Guerra Fria, mas estão inclinadas a aderir à OTAN. Já o princípio da neutralidade está inscrito nas constituições da Áustria e de Malta; enquanto Irlanda e Suíça fizeram dele uma pedra angular da política externa.

Mas pesquisas recentes sugerem que a agressão da Rússia está acelerando uma mudança na opinião pública em algumas das nações.

Pesquisas feitas logo após a invasão de fevereiro descobriram que, pela primeira vez, a maioria dos finlandeses e suecos era a favor de seus países aderirem à OTAN.

Muitos na Irlanda ainda se opõem à adesão do país à aliança ocidental, mas uma pesquisa publicada no final do mês passado descobriu que 48% agora são a favor da adesão e 46% votariam “sim” em qualquer referendo sobre se as tropas irlandesas deveriam servir em um futuro exército da UE.

Em outra pesquisa em fevereiro, quase metade dos entrevistados disse que o conceito de neutralidade de oito décadas estava desatualizado.

No entanto, os líderes políticos estão agindo com cautela ao lidar com a repulsa generalizada pela invasão da Rússia, preocupações de segurança e, em alguns casos, com a oposição política feroz à alteração de políticas de longa data.

Equilíbrio suíço

Malta – onde duas em cada três pessoas apoiam fortemente a neutralidade, de acordo com uma pesquisa publicada duas semanas antes da invasão russa – Suíça e Áustria não estão com mudanças políticas no horizonte. Mas Berna está em sintonia com os países da UE na aplicação de sanções à Rússia. E a Áustria e a Irlanda expressaram vontade de se juntar a uma força de reação rápida proposta por membros da UE que interviria em crises internacionais.

Simon Coveney, ministro das Relações Exteriores e da Defesa da Irlanda, pediu uma “reavaliação fundamental” da postura de segurança do país. Mas “não acredito que a Irlanda vá aderir à OTAN tão cedo”, disse ele em um recente seminário no Instituto de Assuntos Internacionais e Europeus em Dublin.

No entanto, a Irlanda, que está envolvida em missões de paz da ONU e está fornecendo à Ucrânia ajuda não letal, como coletes à prova de balas e combustível, “não é ética, moral ou politicamente neutra”, disse ele.

A Suíça está trilhando uma linha igualmente tênue. O país, conhecido por seu sigilo bancário, é um dos principais centros globais de riqueza russa.

Berna está aplicando as sanções da UE contra Moscou, apesar de não ser membro da OTAN nem da UE. Contas vinculadas a 223 russos já foram congeladas.

Mas o governo enfrentou fortes críticas do maior partido político do país, o populista e de direita Partido Popular. Um dos agentes de poder mais influentes do partido, o bilionário e parlamentar Christoph Blocher, disse ao jornal NZZ que a Suíça “tornou-se parte da guerra” ao decretar sanções contra a Rússia. “Quanto pior as coisas ficam no mundo, mais importante é a neutralidade”, disse ele.

O presidente federal Ignazio Cassis disse em entrevista coletiva em fevereiro que “absolutamente não” é o caso de seu país estar abandonando sua neutralidade histórica, insistindo que a política “permite um amplo escopo de ação para poder responder aos desenvolvimentos internacionais”.

Na Áustria, atípica entre as nações europeias em manter relações amistosas com a Rússia desde a década de 1950, o princípio da “neutralidade permanente” faz parte de sua constituição desde 1955, quando foi condicionada à independência do país da ocupação aliada após a Segunda Guerra Mundial.

Mas sua invasão na Ucrânia provocou uma onda de críticas. No final do mês passado, o terceiro maior partido político da Áustria, o populista Partido da Liberdade (FPO), que tem laços de longa data com o regime do presidente russo Vladimir Putin, pediu um "plano de cinco pontos" para "restaurar" a neutralidade austríaca, incluindo o abandono das sanções da UE contra a Rússia.

Os sociais-democratas, o maior partido de oposição do país, também se equivocaram sobre a Ucrânia. Em uma votação no mês passado, o partido se juntou ao FPO para se opor a permitir que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky discursasse no parlamento, argumentando que isso violaria a neutralidade austríaca, embora tenha mudado de rumo após uma reação dos apoiadores do partido.

Urgência

A geografia deu à Suécia e à Finlândia um maior senso de urgência. Ambos os países realizam regularmente exercícios militares com a OTAN e consideram que sua neutralidade terminou quando ingressaram na UE em 1995. Eles vêem o artigo 42.7 do tratado da UE, a cláusula de defesa mútua do bloco, como uma forma mais fraca do artigo 5 da OTAN, que afirma que um ataque a um Estado-Membro é um ataque a todos.

A Rússia ameaçou “sérias consequências militares e políticas” se um dos dois se juntar à aliança ocidental. Ambos estão revisando sua posição e podem tentar se candidatar à adesão este ano.

Sauli Niinisto, presidente da Finlândia, disse: “Apontamos que não somos neutros, somos militarmente não alinhados… neutralidade é uma expressão antiga e não se encaixa mais na Finlândia, por causa de nossa adesão à [UE] e nossa parceria reforçada com a OTAN.”

Um diplomata da UE na região disse: “[A Finlândia] já é 80% membro da OTAN. Mas atingir os 20% que faltam será difícil.”

No entanto, o fato de que mesmo países distantes da linha de frente da Ucrânia estão reavaliando suas políticas de defesa demonstra até que ponto o clima na Europa mudou.

A Irlanda certa vez confundiu os observadores internacionais com sua postura de segurança. Noel Dorr, um ex-funcionário público do Ministério das Relações Exteriores da Irlanda, lembrou o ex-chanceler soviético Andrei Gromyko reclamando: “Eu não entendo a Irlanda. Você não está alinhado e não está alinhado com os não alinhados.”

Isso agora parece estar mudando. Dorr disse: “Acho que o debate foi lançado”.

AFP / SWI

Rússia avança para Dnipro e prossegue ofensiva em Donetsk e Mariupol

 



Informação é do alto comando do Exército ucraniano

Kiev - A Rússia continua a ofensiva militar na região de Donetsk e na cidade de Mariupol, além de estabelecer "grupo ofensivo de tropas" na região de Dnipro, informaram hoje (11) militares ucranianos.

"O inimigo continua a criar um grupo ofensivo de tropas para atuar na direção de Slobozhansky [região de Dnipro]" e, "provavelmente, os ocupantes tentarão retomar a ofensiva nos próximos dias", de acordo com o último balanço do alto comando do Exército ucraniano.

Na direção de Donetsk, as tropas russas continuam a concentrar-se, em busca de assumir o controle de Popasna, Rubizhne, Nyzhne e Novobahmutivka, bem como de estabelecer controle total sobre a cidade de Mariupol, "com o apoio da artilharia e da aviação".

Nas últimas 24 horas, os militares ucranianos repeliram quatro ataques inimigos nas regiões de Donetsk e Lugansk, destruíram cinco tanques, oito unidades blindadas, seis veículos e oito sistemas de artilharia, informou o mesmo balanço.

Os militares ucranianos disseram ainda que "é possível que as Forças Armadas russas desenvolvam ações provocatórias na região da Transnístria, da República da Moldávia para acusar a Ucrânia de agressão contra Estado vizinho".

De acordo com o último balanço do Instituto para o Estudo da Guerra, dos Estados Unidos, as forças russas ganharam terreno na cidade de Mariupol nas últimas 24 horas e reforçaram as operações ao longo do eixo Izyum-Slovyansk, chave para futura ofensiva em Donbass, "mas não conseguiram outros ganhos territoriais".

Mariupol, de acordo com o instituto, está dividida: o centro da cidade, em mãos russas, e o principal porto no sudoeste, e a fábrica de aço Azovstal, no leste, que permanecem em mãos ucranianas.

A Rússia lançou, em 24 de fevereiro, ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.793 civis, incluindo 176 crianças, e feriu 2.439, entre eles 336 menores, segundo dados recentesda ONU. A organização alerta para a probabilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,5 milhões para países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). As Nações Unidas estimam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento à Ucrânia e o reforço de sanções econômicas e políticas a Moscou.

RTP - Rádio e Televisão de Portugal

Agência Brasil

os EUA, elite procura ‘salvador’ para terceira via, mas cogita aceitar Lula e Alckmin a contragosto

 




Por Mariana Sanches, enviada a Boston

“Não existe salvador da pátria. Precisamos das cabeças, não é a hora de ficar brigando em praça pública, de ficar dizendo ‘você é bobo, você é feio, você é chato'”, disse Luciano Huck a uma plateia de políticos, empresários e jovens brasileiros estudantes das prestigiosas universidades Harvard e MIT, em Boston, nos EUA, no sábado (09/04).

O apelo de Huck era em si o resumo do tom da 8ª edição da Brazil Conference, que juntou os cinco postulantes à terceira via nas eleições presidenciais de 2022 — Sergio Moro (União Brasil), Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), Simone Tebet (MDB) e Eduardo Leite (PSDB) — além do próprio apresentador, que anunciou no ano passado sua desistência da corrida eleitoral. Nenhum desses nomes conseguiu, até agora, superar os 10% de intenção de votos nas diferentes sondagens eleitorais este ano.

Diante de um eleitorado que, em 2018, deu quase 80% dos votos a Bolsonaro ainda no primeiro turno (e 87% no segundo, contra 13% para o petista Fernando Haddad), parte da elite financeira e intelectual do país tentava rascunhar uma candidatura viável e alternativa a Lula (PT), atual primeiro colocado nas pesquisas, e Jair Bolsonaro, que, em segundo, tenta a reeleição pelo PL.

E, na impossibilidade desse caminho alternativo, se preparavam para, nas palavras de um dos representantes dos patrocinadores na plateia, “tampar o nariz e votar no Lula mesmo”.

‘Novo presidente no ano que vem’

“Estamos em meio a um processo eleitoral e teremos um novo presidente no ano que vem”, disse o empresário e bilionário brasileiro Jorge Paulo Lemann, nos últimos segundos de sua participação na Brazil Conference, ao dizer que nos próximos 12 meses espera ver mudanças no país.

“Meu objetivo básico no Brasil é tentar melhorar a educação. Estamos preparando um novo kit de como melhorar a educação no Brasil, que é o que acho que o Brasil mais precisa”, afirmou Lemann, no comando de uma mesa de debate na qual ele não era o único bilionário (dividia o espaço com Henrique Dubugras, que segundo a revista Forbes amealha hoje patrimônio de US$ 1,5 bilhão, enquanto Lemann possui US$ 16,2 bilhões).

Abordado pela BBC News Brasil, Lemann disse que preferia não falar e não chegou a dizer quem, afinal, ele desejava ver no Palácio do Planalto em 2023.

O diálogo, ao apertar as mãos do ex-juiz Sergio Moro à beira do palco, por exemplo, foi lacônico. Moro se apresenta como presidenciável, embora seu partido, o União Brasil, não confirme o nome do ex-ministro da Justiça de Bolsonaro para o posto. “E aí? Saiu da Suíça pra dar palestra?”, perguntou o ex-juiz ao bilionário, que vive na região de Zurique. Lemann respondeu que gosta “dessa juventude”, se referindo aos estudantes brasileiros em Boston, e a isso se resumiu a interação dos dois naquele momento.

A Fundação Lemann é patrocinadora do evento, que, diferente de edições anteriores, não contou com a participação de nenhum representante da gestão Bolsonaro. Segundo envolvidos na organização da Brazil Conference, o presidente não foi convidado, já que sua presença esbarraria em um problema de ordem prática: o evento exigia que todos os participantes — tanto palestrantes quanto plateia — exibissem seus comprovantes de vacina contra a covid-19 no momento da entrega de credenciais. Bolsonaro nega que tenha sido imunizado.

Mas nomes como o vice-presidente Hamilton Mourão, o ministro da economia Paulo Guedes e a ministra da agricultura Thereza Cristina foram chamados a comparecer, porém não vieram.

Na ausência de quem o defendesse, o governo Bolsonaro se tornou alvo certo no evento.

“O Brasil perdeu a capacidade de liderar qualquer agenda internacional, o que é um pecado. Hoje a gente não é referência internacional em coisa nenhuma. O retrocesso que a gente teve no Brasil em meio ambiente nos últimos anos é abissal”, afirmou Luciano Huck, que já disse ter votado em branco em 2018 mas também já afirmou que Bolsonaro poderia ser uma “chance de ressignificar a política”. Huck criticou ainda o que chamou de “liberalismo Chicago anos 1980”, em referência a Guedes.

Já o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso qualificou a atual gestão como “negacionista” e “populista” e disse que a democracia está sob ataque no país.

“No Brasil houve comício na porta do Quartel General do Exército, pedindo a volta do regime militar, o fechamento do Congresso e Supremo. Isso não é natural. Houve uma manifestação no 7 de setembro com ofensa a pessoas, a instituições e afirmação de descumprimento de decisões judiciais, isso não é natural. No Brasil, houve e continua a haver ataques infundados à honestidade e integridade do processo eleitoral, e nunca se verificou fraude. Isso não é normal”, afirmou Barroso, sem citar diretamente Bolsonaro, mas mencionando atos dos quais o presidente foi protagonista.

O Padre Júlio Lancelotti, da pastoral do povo de rua de São Paulo, criticou o relacionamento de lideranças religiosas com o Executivo. Nos últimos dias, o titular do Ministério da Educação, Hamilton Ribeiro, foi trocado depois de denúncias de que dois pastores evangélicos tinham influência sobre a alocação de verbas públicas da pastas. Os envolvidos negam malfeitos.

“No Brasil, é importante que exista um Estado laico de verdade. Não é aceitável a teocracia. Não dá pra dizer Deus acima de todos. Deus não está acima de ninguém, ele está no meio de nós”, disse Lancelotti, em referência ao slogan eleitoral de Bolsonaro em 2018.

Qual Via?

Se pessoas de perfis tão distintos como o padre, o astro de TV e o ministro do STF concordaram sobre seu alvo, tarefa bem mais difícil foi encontrar um caminho único tanto para propostas como para o nome que representará a terceira via.

“O que eu mais ouvi nesses últimos dois meses foi que precisamos de uma terceira via, e tapinha nas costas. Se as pessoas não se mobilizarem, nós não teremos (terceira via). E serão mais quatro anos perdidos e com degeneração institucional”, disse Moro, durante sabatina em que se irritou ao ser questionado sobre troca de mensagens com os procuradores da Operação Lava Jato enquanto ele ainda era juiz do caso. Em junho do ano passado, Moro foi considerado suspeito pelo STF para julgar Lula e as condenações que levaram o ex-presidente à prisão foram anuladas.

Nas últimas semanas, Moro protagonizou uma troca de partidos — deixando o Podemos para se juntar ao União Brasil (fusão entre PSL e DEM) e, com o movimento, teve que, oficialmente, abrir mão oficialmente da candidatura presidencial, já que parte da agremiação negocia apoio com Ciro Gomes e até mesmo com Lula. Embora se diga “desprendido” de ambições pessoais, Moro nega que aceitará se lançar candidato a deputado federal. E lançou um novo site de campanha (cujo slogan é “Com o Cara e a Coragem”) em que tenta se apresentar ao eleitorado nacional para além da figura do juiz — embora suas propostas inevitavelmente sempre voltem para o combate à corrupção como prioridade.

“É especialmente importante que o candidato da terceira via seja um nome competitivo, o que a gente vinha vendo é que meu nome aparecia em terceiro lugar, então meu nome vai ter uma participação importante”, argumenta o ex-juiz, alfinetando os demais postulantes a titulares da terceira via.

“Quando falam que eu não pontuo (nas pesquisas eleitorais) é porque não apresentamos a cara do centro democrático ao Brasil. O centro democrático não pontua porque não tem nome, não tem cara, mas teremos. E me perdoe o juiz Moro, mas ele não é o pré-candidato do União Brasil”, rebateu a senadora Simone Tebet, pré-candidata presidencial pelo MDB, que aparece com até 1% das intenções de voto nas sondagens. Segundo Tebet, para quem a prioridade da terceira via deveria ser a erradicação da miséria no país, no dia 18 de maio, União Brasil, MDB, PSDB e Cidadania definirão quem será seu candidato único, com base em pesquisas eleitorais.

Pesquisas são também o critério que Ciro pretende usar para convencer o União Brasil a patrocinar sua candidatura. Ciro, no entanto, rechaça qualquer possibilidade de compor chapa com Moro, a quem chamou de “bandido” durante sua sabatina na Brazil Conference.

Questionado se poderia oferecer uma versão “paz e amor” de si mesmo, em alusão à candidatura de Lula em 2002, Ciro respondeu em inglês: “Never!” (Nunca). “Eu falo o que eu quero, do jeito que eu quero, uso palavrão. Estou aqui exibindo a minha vida, tenho essa personalidade”, justificou-se. O pedetista afirmou que seu projeto é “transformar o Brasil em uma Espanha em 30 anos”, criticou Lula por ter dito que o aborto deveria ser legalizado por ser uma questão de saúde pública e questionou as gestões fiscais dos tucanos João Doria e Eduardo Leite.

Doria, ex-governador por São Paulo, foi o vencedor de prévias presidenciais do PSDB, que racharam o partido. Em sua sabatina, ele disse que “antes de entrar na vida pública, eu era um liberal, mas hoje, me confesso um liberal social” depois que, segundo ele, viu “a dimensão real da pobreza”, e a importância do Estado para reduzir as diferenças sociais.

Doria tentou minimizar a falta de apoio de sua legenda à empreitada presidencial. “O PSDB é um partido democrático, que não tem dono, e tem esse exercício dos que concordam e não concordam”. Chamou opiniões contrárias a ele entre os tucanos de “teses mais antigas e não contemporâneas” e citou haver uma busca por um “consenso” entre seu partido, o MDB e o União Brasil sem, porém, adiantar se abriria mão de sua candidatura em favor de um candidato único.

“Estou na pista para negócios”, declarou o ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), para a mesma plateia, menos de duas horas depois da sabatina de Doria. Embora derrotado pelo colega nas prévias, Leite fez circular no evento que seu nome está, sim, colocado para a presidência da República. Defendeu uma nova geração para programas de transferência de renda e “ajustes” ao teto de gastos, sem detalhar essas ideias. E disse que o investimento em matrizes energéticas limpas são o futuro do Brasil no século 21. Leite ganhou ao menos um endosso de peso. Huck sugeriu publicamente que Leite será seu candidato.

A aparente dificuldade de um consenso de ideias e nomes na terceira via foi bem traduzida por uma piada não ensaiada que o ator Antonio Tabet lançou fora do palco. Depois da exposição do ministro do STF Luis Roberto Barroso sobre o estado da democracia, Tabet comentou: “Gostei do seu programa de governo”. Barroso riu, mas rechaçou de pronto: “não sou, nem jamais serei candidato”.

‘Um cristão justiceiro social’

“Quero ver o quadro de opções se estabelecer, ainda é cedo pra dizer. Mas sei que não quero que esse governo se reeleja”, disse reservadamente à BBC News Brasil um dos ilustres convidados da Brazil Conference, historicamente refratário ao PT, mas que parecia abrir uma brecha para a campanha petista em 2022.

Coube ao senador petista Jaques Wagner, um dos mais próximos auxiliares de Lula, tornar o ex-presidente uma figura mais palatável a esse grupo de eleitores pouco simpáticos ao PT mas decepcionados ou arrependidos com a escolha de Bolsonaro. Em sabatina na Brazil Conference, a estratégia de Wagner incluiu elogiar a gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que “trouxe estabilidade econômica e responsabilidade fiscal ao país”, e tentar provar que a polarização entre PT e PSDB, que vigorou entre 1994 e 2014, foi o que ele qualificou como um “azar histórico” e não o resultado de diferenças irreconciliáveis.

“É preciso um governo de união nacional. O Lula sabe que esse não será um governo do PT apenas, mas de uma junção”, afirmou o senador petista, que garantiu aos presentes que o ex-governador paulista Geraldo Alckmin, tucano histórico recém-filiado ao PSB, não foi convidado para vice para ser “um figurante na chapa”.

E relembrou que o primeiro governo do petista, eleito em 2002, teve no Banco Central o banqueiro Henrique Meirelles e no Ministério da Agricultura o ruralista Roberto Rodrigues.

Em um tom que fez lembrar a histórica Carta ao Povo Brasileiro, de 2002, na qual Lula dava garantias às elites brasileiras de que respeitaria as regras do jogo, Jaques Wagner rechaçou a ideia – repetida por Moro – de que Lula fosse um “extremista” ou um “radical de esquerda”.

“Lula não é um cara formado dogmaticamente no campo da esquerda brasileira, não se formou lendo os livros que todo mundo lê na esquerda, ele se formou na vida. Ele é um cristão justiceiro social”, definiu o ex-governador da Bahia.

Ciente de que parte dos empresários e da elite teme que Lula possa tentar algum tipo de vingança no poder, Wagner reconheceu que Lula deixou a prisão, no Paraná, “mais ácido”, mas assegurou que o ex-presidente estaria disposto a conversar com todo mundo, “até com aqueles que riram da morte da Marisa (Letícia)”, em referência às piadas feitas por médicos quando a ex-primeira-dama teve o acidente vascular cerebral que lhe seria fatal. “Não é da natureza dele o rancor, ele vai governar na generosidade que o caracteriza”, disse Wagner.

BBC Brasil  / Daynews

Crimes sem castigo




Os crimes de guerra sem castigo do Séc. XX são de tal dimensão que, para enunciá-los, não chegaria uma lista telefónica, mas continuamos sem uma ordem jurídica internacional que permita julgá-los. 

Por José Manuel de Oliveira Antunes (foto)

No dia 3 de Setembro de 1939, a Inglaterra às 11 horas e a França às 15 horas, emitiram a declaração formal de estado de guerra entre os seus países e a Alemanha, na sequência da invasão nazi da Polónia no dia 1 de Setembro.

Às 19 horas desse mesmo dia 3 de Setembro, o navio de passageiros Athenia, que navegava entre o Reino Unido e a costa leste do Canadá, carregado de civis e refugiados, foi torpedeado e afundado por um submarino alemão, resultando desse acto 138 mortos e não ainda mais pois o navio afundou-se lentamente.

O submarino alemão U 30 comandado por Fritz-Julius Lemp cometeu o primeiro crime de guerra do regime nazi depois das hostilidades estarem oficialmente declaradas e provavelmente o crime mais rápido da História, uma vez que apenas tinham decorrido 8 horas, desde a declaração de guerra.

O poder nazi durante o tempo que a guerra durou sempre negou que um de seus submarinos tivesse afundado o navio e uma admissão da responsabilidade alemã só ocorreu em 1946 e apenas existiu porque a Alemanha perdeu a guerra.

O Comandante Fritz-Julius Lemp, que nunca viria a ser acusado de crime pois faleceu em plena guerra em 1941 com 28 anos, terá afirmado que o Athenia navegava em ziguezague, fora das rotas de transporte normais, fazendo com que ele acreditasse que era um navio de tropas, um navio de chamariz ou um navio mercante armado.

O caso ficou em segredo até Janeiro de 1946, quando durante os julgamentos de Nuremberga o Almirante Dönitz leu uma declaração em que finalmente admitiu que o Athenia tinha sido torpedeado pelo U-30 e que todos os esforços foram feitos para manter o caso em segredo.

Na fase final da guerra e com a Alemanha já derrotada mas ainda não rendida, em 30 de Janeiro de 1945, o também navio de passageiros, neste caso alemão Wilhelm Gustloff, foi torpedeado pelo submarino soviético S 13 no mar Báltico.

No momento do ataque, encontravam-se a bordo aproximadamente 10 582 passageiros e tripulação, sendo que no final, um número estimado de 9 343 estavam mortos, entre estas 4 mil crianças. Representa o maior desastre naval de todos os tempos, resultante do naufrágio de uma única embarcação.

O comandante do S-13 era Alexander Ivanovich Marinesko, nascido em 1913 em Odessa (actualmente cidade ucraniana que os russos tentam tomar). Ao invés de Fritz-Julius Lemp que morreu em combate durante a II Guerra, Marinesko foi demitido da marinha russa em outubro de 1945 (nunca se apurou se por beber demasiado ou por ter afundado o Wilhelm Gustloff) e morreu em 25 de novembro de 1963. Apesar de tudo isto, Marinesko foi reabilitado e agraciado postumamente em 1990, como Herói da União Soviética, exactamente por Mikhail Gorbachev.

Lemp, como Marinesko e quem lhes deu (se foi o caso) as ordens para tal, ao afundarem navios de passageiros, em Setembro de 1939 e em Janeiro de 1945, violaram as convenções de Haia e cometeram indubitavelmente crimes de guerra. Mas como vimos, embora por razões diferentes, nenhum foi julgado pelo seu crime.

Hoje assistimos de modo muito diferente do que acontecia há 80 anos durante a II Guerra a crimes de guerra em directo e quase em tempo real.

Mas apesar dessa evidência, tal como o ministro da propaganda nazi Joseph Goebbels afirmou publicamente em 1939, que tinha sido Churchill a ordenar o afundamento do Athenia para acusar falsamente os alemães, se algo não mudou desde então, foi seguramente o descaramento na mentira, quando ouvimos as autoridades russas afirmarem que os massacres de Bucha são uma encenação ou um acto deliberado do governo ucraniano.

Como todas as guerras esta também findará um dia. As hostilidades terminam, os tratados são assinados, mas os crimes de guerra normalmente ficam sem punição entre os derrotados e é praticamente impossível serem objecto de condenação se forem cometidos pelos vencedores.

Os crimes de guerra cometidos e sem castigo, só no Séc. XX, são de tal dimensão que, para enunciá-los, não chegaria uma das antigas listas telefónicas e, apesar disso, continuamos a não possuir uma ordem jurídica internacional que permita com alguma eficácia julgar os autores materiais e morais de tais crimes.

O tribunal de Nuremberga em 1946, abriu em certa medida as portas do direito internacional à tutela deste tipo de crimes, mas foi de facto um tribunal dos vencedores, embora a natureza terrifica dos crimes nazis, não nos deva fazer perder um minuto na nossa consciência sobre o destino dos criminosos condenados, salvo lamentar que a sua maior parte nem sequer tenha sido punida.

Nos dias de hoje, existe desde 2002 um Tribunal Penal Internacional permanente (TPI) com sede em Haia, cujo objecto é exactamente julgar os autores de actos criminosos, entre os quais os crimes de guerra e o genocídio. E em alguns casos tem funcionado, mas com duas nuances: O criminoso tem de pertencer a um pequeno país e esse país tenha saído da guerra na condição de vencido.

O TPI tem 123 signatários que aceitam a sua jurisdição. De entre estes países, apenas dois do clube nuclear o subscrevem: França e Reino Unido. Os restantes Estados possuidores de armas nucleares, Estados Unidos, Rússia, China, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte não se se sujeitam à sua tutela.

Enquanto a disponibilidade para aceitar uma ordem jurídica criminal internacional for esta, os crimes de guerra continuarão a ser julgados na opinião publica e na comunicação social, mas não o serão nos tribunais. E não há sintomas de melhoria, bem pelo contrário.

Observador (PT)

Ucrânia: dezenas de milhares foram mortos em Mariupol em ataque russo




Afirmação foi feita pelo presidente Volodymyr Zelenskiy

Por Pavel Polityuk 

Kiev -  A Ucrânia disse nesta segunda-feira (11) que dezenas de milhares de pessoas provavelmente foram mortas no ataque da Rússia à cidade de Mariupol, no sudeste do país, enquanto a ombudswoman de direitos do país acusou as forças russas na região de tortura e execuções.

A Reuters confirmou a destruição generalizada em Mariupol, mas não pôde verificar os supostos crimes ou a estimativa de mortos na cidade estratégica, que fica entre a Crimeia, anexada à Rússia, e as áreas do leste da Ucrânia mantidas por separatistas apoiados pela Rússia.

"Mariupol foi destruída, há dezenas de milhares de mortos, mas mesmo assim, os russos não estão parando sua ofensiva", disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, em um discurso em vídeo a parlamentares sul-coreanos, sem fornecer mais detalhes.

Se confirmado, seria de longe o maior número de mortos até agora relatado em um lugar na Ucrânia, onde cidades e vilarejos sofreram bombardeios implacáveis ​​e corpos, incluindo de civis, foram vistos nas ruas.

O chefe da autoproclamada República Popular de Donetsk, apoiada pela Rússia, Denis Pushilin, disse à agência de notícias russa RIA nesta segunda-feira que mais de 5 mil pessoas podem ter sido mortas em Mariupol. Segundo ele, as forças ucranianas são responsáveis.

O número de pessoas que deixaram a cidade caiu porque as forças russas retardaram as verificações antes da partida, disse Petro Andryushchenko, assessor do prefeito de Mariupol, nesta segunda-feira no serviço de mensagens Telegram.

Cerca de 10 mil pessoas aguardavam a triagem pelas forças russas, afirmou ele.

Citando dados do governo municipal de Mariupol, a ombudswoman de direitos humanos da Ucrânia, Lyudmyla Denisova, disse que 33.000 moradores de Mariupol foram deportados para a Rússia ou territórios mantidos por separatistas apoiados pela Rússia no leste da Ucrânia. A Rússia afirmou no domingo que retirou 723.000 pessoas da Ucrânia desde o início do que chamou de "operação especial". Moscou nega ataques a civis.

Reuters / Agência Brasil

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