quarta-feira, maio 19, 2021

MP pede ao TCU investigação das empresas contratadas com verba do orçamento secreto


Ramos desmente o Estadão, mas o orçamento existe

André Shalders
Estadão

A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) vai apurar a forma como o Ministério do Desenvolvimento Regional e a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) usaram R$ 2 bilhões das emendas de relator-geral do Orçamento de 2020 em contratos com empresas privadas.

O subprocurador-geral da República junto ao TCU Lucas Furtado representou ao tribunal nesta quarta-feira (19) pedindo a apuração.

ESQUEMA POLÍTICO – O orçamento secreto é um esquema montado pelo governo Jair Bolsonaro em 2020 para beneficiar deputados federais e senadores com a indicação da destinação de dinheiro das emendas de relator-geral, em troca de apoio no Congresso Nacional.

Ao contrário das emendas individuais, de bancada e de comissões, o valor das emendas de relator foi distribuído de forma desigual entre os políticos, de modo a beneficiar aliados do governo.

Diferentemente do que acontece com outros tipos de emendas, estes recursos foram destinados mediante acordos secretos, sem que se saiba qual político indicou o quê.

REPASSE A EMPRESAS – No total, os parlamentares decidiram onde o Executivo deveria aplicar R$ 20,1 bilhões de reais em 2020. Deste total, R$ 8,3 bilhões foram destinados ao Ministério do Desenvolvimento Regional e a empresas estatais ligadas a ele, como a Codevasf. A maior parte foi repassada a municípios, mas cerca de R$ 2 bilhões foram destinados a empresas privadas. É sobre esta parcela dos recursos que vai se concentrar a apuração do TCU.

No texto da representação, Furtado diz que é necessário apurar o destino da parcela dos recursos destinadas às empresas privadas.

“O capítulo que se inicia agora é a identificação das empresas beneficiárias de contratos para fornecimento de equipamentos com recursos oriundos do chamado “orçamento paralelo” (…), empresas essas que supostamente estariam incorrendo em possíveis fraudes e superfaturamentos”, diz um trecho do texto.

SIGILO ILEGAL – Segundo o subprocurador-geral, chamam a atenção as justificativas usadas por alguns deputados e senadores para manter sob sigilo a participação nos acordos para destinação das verbas.

“Diante de tão rígido e alegado sigilo com que é tratado o tema (…), não resta outra alternativa senão o aumento no rigor, na urgência e na profundidade das investigações, cabendo aos órgãos que têm por missão velar pelo bom e regular uso dos recursos públicos, envidar todos os esforços para esclarecer os fatos e circunstâncias”, escreve Furtado.

“Assim, valho-me da presente representação para, nesse momento e estágio atual de revelação de mais detalhes sobre o esquema de favorecimento de agentes públicos e atores privados por meio dos recursos das emendas RP9, requerer que sejam identificadas e punidas – após o devido exercício do contraditório – as empresas beneficiárias dos contratos para obras e fornecimento de maquinário a órgãos públicos e prefeituras, eventualmente mediante fraude em processos de contratação e prática de superfaturamento”, diz o texto, que cita reportagens do Estadão.

 

RAMOS É O OPERADOR – Nesta terça-feira, o jornal mostrou como o atual ministro da Casa Civil, o general da reserva do Exército Luiz Eduardo Ramos, participou diretamente da criação do orçamento secreto, quando era ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República.

Ramos foi o responsável por resgatar o mecanismo das emendas de relator-geral, marcadas no Orçamento com o código identificador de resultado primário (RP) 9.

Proposto inicialmente no relatório da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) elaborado pelo deputado Cacá Leão (PP-BA), o mecanismo foi vetado por Bolsonaro, e depois reintroduzido no projeto por Ramos.

ASSINOU SOZINHO – Como revelou o jornal, o ministro assinou a exposição de motivos que acompanha o projeto de lei que criou a emenda chamada RP9. O texto deixa claro que foi o ministro quem propôs o projeto.

“Diante do exposto, submeto a sua consideração o anexo Projeto de Lei que ‘Altera a Lei no. 13.898, de 11 de novembro de 2019, que dispõe sobre as diretrizes para a elaboração e a execução da Lei Orçamentária em 2020 e dá outras providências”, escreveu o general ao presidente Bolsonaro.

Procurado pelo Estadão antes da publicação da reportagem, o ministro disse que “a iniciativa da criação da RP9 foi da Comissão de Orçamento do Congresso” mesmo a reportagem tendo encaminhado os documentos que mostram o contrário.

ATAQUE AO ESTADÃO – Após a publicação, o general usou o Twitter duas vezes para criticar a reportagem e acusar o jornal de ter fraudado documentos para implicá-lo.

“Mais um dia q MENTIRA é capa do Estadão. Incompetência e desespero são tamanhos q atribuem a um ministro a assinatura de um PL. Até montagem de documento vale p seguir a narrativa suja. Isso é resultado da ausência de corrupção do @jairbolsonaro P/ vender jornal tem q inventar”, escreveu num primeiro post.

Nesta quarta-feira, 19, o ministro voltou a usar as redes sociais para comentar o assunto. “A mentira não vai prosperar! Irei à Justiça em busca da VERDADE. Jornalistas inescrupulosos usaram meu nome de forma caluniosa para vender jornal. No Gov @jairbolsonaro não nos faltará coragem de enfrentar os que lutam diariamente com mentiras e difamações para destruir nosso Brasil”.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Desesperado de ódio, o general está mentindo, porque o documento “montado” a que se refere é a exposição de motivos, parte integrante do projeto de lei encaminhado pelo Executivo ao Congresso. Ou seja, Ramos assinou o projeto e encaminhou a Bolsonaro, que também assinou, como é obrigatório. (C.N.)

Os vereadores precisam com urgência decifrar a causa dos médicos não permanecerem em Jeremoabo.

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Os vereadores e o povo deve tomar consciência que as variantes agressivas e perigosas provavelmente  já estão em Jeremoabo, isso porque já foram detectadas em Euclides da Cunha, Ribeira do pombal e Canudos, estando em Canudos está em Jeremoabo, principalmente no Sertão.
Outro vírus que deve ser pesquisado com urgência pelos vereadores é o vírus  que não permite que médicos permaneçam em Jeremoabo por longo tempo; aliais,  começou a ser notado no início desse governo.
Como perguntar não ofende, o povo pergunta: será por atraso no pagamento, ou  não ser remunerado condignamente?

O pessoal paramédico  devido a dificuldade de emprego sujeita-se a perseguição, desrespeito as leis trabalhista, não pagamento de insalubridade e outras gratificações; porém com médico rapadura é doce mas não é mole.
Enquanto isso o povo está praticamente no abandono 
Se não se tem o básico, como podemos enfrentar uma epidemia desse porte?

Congresso tem 14 projetos para derrubar canetada furo-teto salarial de Bolsonaro


por Bernardo Caram | Folhapress

Congresso tem 14 projetos para derrubar canetada furo-teto salarial de Bolsonaro
Foto: Carolina Antunes/PR

Após o governo Jair Bolsonaro editar uma portaria que libera uma espécie de teto salarial duplo a servidores públicos, beneficiando o próprio presidente e ministros, 14 projetos de decreto legislativo foram apresentados por congressistas para derrubar a medida.
 

A portaria vai derrubar em cerca de 22% a economia feita pelo governo ao cortar as remunerações do funcionalismo seguindo o limite estipulado pela Constituição.
 

A nova regra, válida a partir deste mês, autorizou que o teto seja contabilizado separadamente para cada vínculo de servidores aposentados e militares inativos que retornaram ao serviço público.
 

Segundo o Ministério da Economia, R$ 301 milhões são cortados por ano da folha de pagamento da elite do funcionalismo no Executivo federal para que os salários não superem R$ 39,3 mil.
 

A mudança promovida pela portaria terá impacto de R$ 66 milhões, segundo cálculos do governo, reduzindo a economia anual em quase um quarto, para aproximadamente R$ 235 milhões. O número pode sofrer variações a depender da movimentação de servidores.
 

Para se ter uma ideia da dimensão da medida, se o Congresso aprovar uma proposta que cria mais restrições para cumprimento do teto remuneratório, a economia adicional estimada pelo governo será de apenas R$ 23,7 milhões ao ano no Executivo federal, cerca de um terço do custo gerado pela portaria do teto duplo. O texto está travado na Câmara há mais de quatro anos.
 

O relator do projeto, deputado Rubens Bueno (Cidadania-PR), também é autor de um dos textos protocolados neste mês para derrubar a portaria do governo.
 

Para ele, a medida avança sobre a atribuição do Congresso ao criar regras para aplicação do teto.
 

"Além de ferir o princípio da moralidade administrativa, [a portaria] está claramente em desacordo com a Constituição, que estabelece que deve ser aplicado o teto à soma total dos proventos de inatividade, inclusive quando decorrentes da acumulação de cargos ou empregos públicos", afirmou na justificativa da proposta.
 

Para a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS), também autora de um projeto para cancelar a portaria, o governo concede privilégios a uma parcela de pessoas que acumula remunerações em um momento de crise provocada pela pandemia. "É vergonhoso e imoral", disse.
 

Os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), ainda não sinalizaram se colocarão as medidas em votação.
 

Até abril, o chamado abate-teto era aplicado sobre o contracheque de 4.900 pessoas. Desse total, cerca de mil se enquadram na nova liberação que duplica o teto.
 

Esse é o caso de membros da cúpula do governo, que poderão receber a totalidade do salário pela função no Executivo e da remuneração como militares inativos.
 

Os ganhos serão de até 69%, com pagamentos mensais, que, a depender da autoridade, poderão ultrapassar R$ 66 mil.
 

Bolsonaro recebe R$ 30,9 mil pela função de presidente e tem mais R$ 10,7 mil em outros benefícios, mas é feito um corte de R$ 2.300 para que o teto seja obedecido.
 

Com a nova norma, a remuneração bruta do presidente deve passar de R$ 39,3 mil para R$ 41,6 mil, uma alta de 6%.
 

O vice-presidente Hamilton Mourão deve deixar de ter um abatimento na remuneração bruta feito atualmente, de R$ 24,3 mil, para respeitar o teto. Com isso, o valor passa de R$ 39,3 mil para R$ 63,5 mil, diferença de 62%.
 

Entre os ministros militares, o maior salto no salário fica com o chefe da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos. O governo deve deixar de fazer um desconto mensal de R$ 27 mil, levando a remuneração a R$ 66,4 mil, a alta de 69%.
 

Na lista, também aparece o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, com aumento de R$ 22,8 mil (alta de 58%). O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, deve passar a receber um adicional de R$ 23,8 mil (acréscimo de 60%).
 

Há ainda o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, com elevação de R$ 17,1 mil (aumento de 44%).
 

O Ministério da Economia afirma que a portaria adequa o cálculo do teto a decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TCU (Tribunal de Contas da União).
 

Segundo a pasta, a aplicação desses entendimentos foi aprovada pela AGU (Advocacia-Geral da União) em dezembro de 2020.
 

De acordo com a Economia, das mil pessoas que serão beneficiadas pela regra, mais de 70% são médicos e professores. O teto duplo vale para profissionais dessas áreas que acumulam funções.
 

O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, do Ministério Público junto ao TCU, protocolou representação para que seja apurada a adequação da portaria.
 

"A edição da portaria extrapolou os contornos da jurisprudência firmada pelo STF, que diz respeito a vínculos remuneratórios regularmente acumulados por servidores públicos civis, não havendo margem para se deduzir que a regra possa ou deva ser igualmente observada em situações envolvendo acumulação de vínculos remuneratórios por militares", afirmou o procurador.
 

As críticas ao aumento desse gasto vêm em um momento em que o governo trabalha pela aprovação da reforma administrativa, que reduz salários de entrada e acaba com a estabilidade para a maior parte do funcionalismo.
 

A proposta está prevista para ser votada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça da Câmara) nesta quinta-feira (20). Depois, o texto seguirá para uma comissão especial.

Bahia Notícias

Pazuello nega ter passado mal e diz que suspensão seria por trabalhos no Senado


Pazuello nega ter passado mal e diz que suspensão seria por trabalhos no Senado
Foto: Reprodução / TV Senado

O ex-ministro da saúde, Eduardo Pazuello disse que não teria passado mal durante intervalo da CPI da Covid (relembre aqui). Pazuello comentou que a suspensão da sessão desta quarta-feira (19) seria por conta dos trabalhos realizados no Senado Federal.

 

"Eu não passei mal. Horário normal. Amanhã continua. Por causa do horário, está tendo ordem do dia. Não houve nada. Nada disso", comentou enquanto saia da Comissão. 

 

Integrante da CPI, o senador Otto Alencar (PSD) confirmou que o Pazuello teria passado mal durante intervalo em sala anexa a sessão. 

Construção de ciclovia entre Bahia e Sergipe vai fomentar turismo na região


Construção de ciclovia entre Bahia e Sergipe vai fomentar turismo na região
BA-099 | Foto: Elói Corrêa

Uma ciclovia litorânea vai ligar as cidades de Salvador-BA e Aracaju-SE. O anúncio foi feito em cerimônia nesta terça-feira (18) e a construção foi lançada oficialmente pela Companhia do Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), em Brasília.

 

A iniciativa de ligar as duas capitais nordestinas fomenta o cicloturismo na região. De acordo com o secretário de Turismo da Bahia, Fausto Franco, a prática já é uma realidade em destinos turísticos ao redor do mundo. Para ele, trazer a ciclovia para a Costa dos Coqueiros, zona turística baiana que segue até a divisa com Sergipe, atrai turista e geração de renda para a população local.

 

"Quem fizer a visita terá a oportunidade de estar em contato com a natureza da região e também com a cultura local. Já os moradores das cidades margeadas pela rodovia e ciclovia terão a oportunidade de vender serviços e produtos típicos, incrementando a renda das comunidades", disse Fausto.

 

Recentemente, o deputado federal baiano Arthur Maia destinou à Codevasf o montante de R$ 1 milhão, fruto de emenda parlamentar, para a realização do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) da obra. A ação conta com a parceria do Ministério do Turismo. O passo posterior será a elaboração do projeto executivo.

Bahia Notícias

IML de Sergipe adota novos protocolos para liberação de corpos

 em 19 maio, 2021 18:10

(Foto: SSP/SE)

A partir desta quarta-feira, 19, a  liberação de corpos no Instituto Médico Legal (IML) passa a ser feita mediante protocolo de dupla verificação, que será realizada pelo chefe e pelo auxiliar de plantão da instituição. A normativa entrou em vigor hoje com a publicação da circular nº 10. O procedimento tem como objetivo garantir que não ocorram equívocos na liberação dos corpos aos familiares pelo IML.

A determinação é assinada pelo diretor do IML, Victor Barros, que explicou que a medida é necessária para certificar que o corpo será entregue à família, sem que aconteçam situações de troca de cadáveres. “O protocolo de dupla checagem é muito utilizado em hospitais e está sendo implementado, nesta quarta-feira, para diminuir as chances de erro na liberação dos corpos”, assegurou.

A Circular nº 10 determina que “o chefe do plantão deverá solicitar ao servidor designado que remova o corpo até a ala de entrega, quando o familiar visualizar o corpo e reconhecer como seu ente, o chefe de plantão deverá conferir a identificação oficial, o protocolo do cadáver e a documentação pertinente. Após, o auxiliar do plantão ratificará a conferência”, estabelece o documento. A Circular também delimita que apenas um corpo, por vez, deverá ser colocado na ala de entrega.

Entenda

Na última segunda-feira, 17, aconteceu no IML uma troca de corpos no momento da liberação. Para evitar que situações como essa ocorram novamente, o IML instaurou uma sindicância interna para apurar o incidente e hoje publicou a normativa com as novas recomendações para liberação de corpos.

Com informações da SSP/SE

INFONET

Na CPI da Covid, Pazuello faz alegações enganosas sobre cloroquina, testes e vacinas

Publicado em 19 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Pazuello chega à CPI, protegido por seus assessores

Alessandra Monnerat, Pedro Prata, Samuel Lima e Victor Pereira
Estadão

Durante depoimento na CPI da Covid, na manhã desta quarta-feira, dia 19,o ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, fez ao menos sete alegações enganosas sobre sua gestão no combate à pandemia de covid-19, em sua fala inicial e ao responder às perguntas dos senadores. Veja abaixo a checagem do Estadão Verifica.

“Hoje chegaremos a 100 milhões de vacinas disponibilizadas”.

Dados do Ministério da Saúde atualizados na noite desta terça-feira, 18, indicam que cerca de 90,7 milhões de doses de vacinas de covid foram distribuídas no País. O site Localiza SUS informa que, até o momento, aproximadamente 54 milhões de injeções foram aplicadas. Deste total 36,7 milhões consistem na primeira dose de imunizantes. Não é possível prever quantas doses serão disponibilizadas hoje, mas a maior distribuição de doses até agora envolveu 8,1 milhões de unidades, em 31 de março.

“Atingimos a marca de 66 mil processamentos de testes por dia em abril de 2021. Hoje temos registrado no sistema gerenciador de ambiente laboratorial 46 milhões de resultados, representando 23% da nossa população testada”.

Os dados do painel LocalizaSUS mostram que o Ministério da Saúde distribuiu 31,49 milhões de testes de covid-19. Destes, 19,84 milhões (63%) eram testes PCR, mais indicado para o diagnóstico porque detecta o vírus ativo no organismo, e 11,65 milhões (37%) eram testes rápidos. O valor total foi de R$ 984.185.253,10.

A Portaria 1.792, de 17 de julho de 2020, determinou a obrigatoriedade de notificação ao Ministério da Saúde de todos os resultados de testes de diagnóstico para SARS-CoV-2, sejam eles positivos, negativos ou inconclusivos.

Em documento enviado ao Ministério Público Federal e compartilhado com a CPI da Covid, o Ministério da Saúde admitiu o risco de perda de 2,3 milhões de testes PCR pelo fim do prazo da validade. No documento, o ministério disse que a capacidade de testagem laboratorial instalada é de 1,5 milhão de testes por mês, média diária de 55 mil testes.

“Ainda em dezembro, antecipando-me aos fatos do Estado do Amazonas, tomei a decisão de destacar uma equipe do Ministério da Saúde para avaliar a gravidade. Decidi deslocar o gabinete do ministro juntamente com todos os secretários de saúde para prestarmos todo o auxílio a Manaus”.

Segundo relatório do Ministério da Saúde, Pazuello decidiu pelo envio de uma comitiva de avaliação em 28 de dezembro, mas a chegada em Manaus e a primeira reunião com o governo do Amazonas ocorreram apenas em 4 de janeiro. No dia anterior, a capital amazonense havia batido o recorde de hospitalizações por covid-19 em um único dia, com 159 novos casos.

O Ministério Público Federal acusou Pazuello de ter se omitido na crise. Além da demora no agendamento da primeira viagem, o governo estava ciente sobre as dificuldades no abastecimento de oxigênio desde o dia 8 de janeiro. O colapso ocorreu em 14 de janeiro, quando o estoque acabou em uma série de hospitais de Manaus e pacientes de covid-19 morreram asfixiados.

Nesse meio tempo, a equipe do Ministério da Saúde visitou várias UBS para defender a adoção do chamado “tratamento precoce”, que não teve a eficácia comprovada e não é recomendado pelos principais órgãos de referência mundiais em saúde. Segundo o MPF, a ordem para transferência de pacientes para outros Estados também teria sido tomada somente após o colapso da falta de oxigênio.

O dado está correto quando considerados apenas os números absolutos. De acordo com a plataforma Our World in Data, o Brasil é a quinta nação que mais aplicou doses de vacinas de covid no mundo. Com mais de 54 milhões de aplicações, o País figura atrás da China (435 milhões), Estados Unidos (275 milhões), Índia (185 milhões) e Reino Unido (57 milhões). Na proporção de doses aplicadas por 100 mil habitantes, no entanto, o Brasil está em 85º lugar.

“Em nenhum momento o presidente da República me desautorizou ou me orientou a fazer diferente qualquer coisa que eu estava fazendo.”

Em 20 de outubro de 2020, o Ministério da Saúde assinou um protocolo de intenções com o Butantan para adquirir 46 milhões de doses da Coronavac. Apesar disso, no dia seguinte, Bolsonaro escreveu em suas redes sociais que “o povo não será cobaia de ninguém” e que “minha decisão é de não adquirir a referida vacina“.

De fato, ele chegou a afirmar que teria “cancelado” a intenção de compra. Na ocasião, Pazuello gravou um vídeo ao lado do presidente no qual disse que “Um manda, o outro obedece“.

O general Pazuello disse à CPI que nunca recebeu a ordem para cancelar a carta de intenção e que isso não teria sido formalizado. Segundo ele, Bolsonaro falou aquilo “apenas nas redes sociais”.

“O Brasil usa cloroquina há 70 anos. A cloroquina é um antiviral e anti-inflamatório conhecido. É o que me é trazido, não sou médico. Em 2016, na crise do zika vírus, ela foi utilizada, e foi colocada como protocolo pelo Ministério da Saúde. Na crise da chikungunya, em 2017, o Ministério da Saúde criou protocolos para uso da cloroquina, em altas doses”.

A cloroquina não é um antiviral. Ela é usada, assim como o seu derivado hidroxicloroquina, para o tratamento de malária e amebíase hepática, doenças causadas por protozoários, e de lúpus e artrite reumatoide, doenças autoimunes, além de algumas condições dermatológicas provocadas ou agravadas pela luz solar. As informações constam nas bulas dos medicamentos registradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com reportagem do UOL, a cloroquina chegou a ser testada em laboratório contra o zika e teve resultados positivos. No entanto, os resultados nunca foram replicados em humanos por falta de pacientes.

Nota técnica da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz aponta ainda que a cloroquina inibiu a replicação in vitro (ou seja, em células isoladas de laboratório) contra o vírus da chikungunya, assim como uma série de outros vírus, causadores de dengue, ebola, HIV e SARS, entre outros. “No entanto, nenhum estudo in vivo confirmou a eficácia da CQ (cloroquina) para o tratamento de qualquer uma dessas viroses, motivo pelo qual ela permanece utilizada, com a eficácia e segurança, apenas para o tratamento da malária”, aponta o documento.

Essa mesma situação é apontada em um artigo do Instituto Questão de Ciência. O Estadão Verifica mostrou em outras checagens que bons resultados in vitro não comprovam eficácia e segurança dos medicamentos, porque o corpo humano é um ambiente mais complexo do que o tubo de ensaio. Essa relação só pode ser comprovada por meio de ensaios clínicos amplos e com metodologias rigorosas, que permitam estabelecer uma relação de causalidade entre o uso do medicamento e o efeito observado.

“Documento elaborado pelo Ministério da Saúde, em 2017, recomenda a utilização de cloroquina e hidroxicloroquina contra a Chikungunya para o tratamento da fase crônica da doença, como alega o ministro. No entanto, a publicação deixa claro que as evidências eram frágeis e iniciais e aponta o risco de efeitos colaterais, principalmente com o uso contínuo do remédio”.

“Há um número limitado de publicações relativas a uso de drogas na fase crônica da chikungunya, com trabalhos com pequeno número de pacientes, utilizando diferentes metodologias, que não permite no momento tirar conclusões de eficácia de drogas, ou avaliar superioridade entre as diferentes terapias”, mostra o documento.

No contexto da covid-19, a cloroquina e a hidroxicloroquina novamente demonstraram uma possível atividade antiviral in vitro contra o SARS-CoV-2. Porém, esse potencial foi descartado em testes posteriores em humanos, feitos com milhares de voluntários, revisados e publicados em revistas científicas de peso, como o Recovery (do governo do Reino Unido), o Solidarity (da Organização Mundial da Saúde) e a Coalizão Covid-19 Brasil.

Por conta disso, órgãos de referência como a OMS, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) e a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) contraindicam o uso desde meados de 2020.

“Ao longo da pandemia, começaram a ver que (a cloroquina) estava sendo usada em vários países. 29 países têm hoje protocolo de uso de cloroquina. Países como China, Coreia do Sul e Cuba. Para covid. Protocolo de uso para covid. A Índia tem, México, República Techa e outros 29 países”.

O Estadão Verifica não encontrou uma lista de 29 países que usem a cloroquina como protocolo de saúde pública contra covid-19 atualmente. No entanto, ao menos três nações citadas pelo ex-ministro da Saúde não recomendam mais o medicamento contra o novo coronavírus.

Em protocolo de agosto de 2020, o Ministério da Saúde Pública do México informou que não recomenda o uso de cloroquina e outros medicamentos sem eficácia comprovada.

Na Índia, o protocolo de manejo clínico da covid-19 atualizado em maio de 2021 não inclui a cloroquina. Medicamentos off-label citados incluem remdesivir e tocilizumab.

A Coreia do Sul chegou a recomendar o uso de cloroquina contra covid-19 em agosto de 2020, mas revisou o protocolo clínico, que atualmente contém contraindicação para uso do medicamento.

Enquanto os americanos abandonam as máscaras, os brasileiros ainda aguardam a vacina


Biden e Kamala não precisam mais usar as máscaras

Vinicius Torres Freire
Folha

Pessoas que tomaram as duas doses de vacina contra a Covid podem tirar as máscaras e esquecer o distanciamento social em praticamente todas as situações da vida, anunciou a direção dos Centros de Controle e Prevenção da Doença dos EUA (CDC), autoridade em assuntos científicos de saúde.

Isso quer dizer que, para os CDC, as vacinas da Pfizer-BioNTech e da Moderna mais do que protegem de doença e morte. Novidade maior: parece implícito nos dados mais recentes que, mesmo infectada, uma pessoa não transmite a doença (ou o faz em níveis irrelevantes), o que permite vislumbrar o fim da epidemia por lá, caso não apareça variante preocupante do vírus.

EFICÁCIA DAS VACINAS – As pesquisas que basearam o anúncio dos CDC não fazem observação diretamente orientada ou arranjada para detectar a transmissão, mas os cientistas chegaram a tal conclusão com base no progresso observado no estudo de profissionais de saúde.

Em 2 de abril, um estudo dizia que as vacinas Pfizer-BioNTech e Moderna eram efetivas a ponto de evitar a doença em 90% dos casos de pessoas que tomaram as duas doses; no estudo divulgado pelos CDC em 14 de maio, o sucesso foi para 94%.

Das doses injetadas no Brasil até agora, cerca de 70% são de Coronavac. Pouco se sabe cientificamente de sua efetividade, seu efeito no mundo real. No Chile, uma pesquisa divulgada em abril mostrou que a vacina evita doença sintomática em 67% dos casos, internações, em 85%, e mortes, em 80%.

OUTROS RESULTADOS – Na Indonésia, estudo com pessoal de saúde, divulgado com pouquíssimos detalhes, indica que a vacina evitaria mortes em 98% dos casos, doenças, em 94%, e internações, em 96%. Um trabalho bem preliminar com vacinados no Hospital das Clínicas da USP indica que a Coronavac tem capacidade de prevenção de doença de 74%.

Em São Paulo, o número de mortes diminuiu proporcionalmente muito mais entre pessoas de grupos de idade mais vacinados (ou subiu menos, a depender da data de comparação). Em São Paulo, pessoas idosas começaram a ser vacinadas na semana encerrada no dia 12 de fevereiro (no caso, as de 90 anos ou mais).

O número de mortes de pessoas com 70 anos ou mais na semana passada cresceu 22% em relação àquela semana de fevereiro. Entre pessoas de 60 a 69 anos (vacinadas mais recentemente), aumentou 158%. Entre pessoas de 20 a 69, 214%.

DUAS DOSES – Pouca gente recebeu duas doses no Brasil, 9% da população total, ante 36% nos EUA. Hoje, há doses disponíveis, já entregues, para vacinar totalmente 20% da população total e 27% daqueles com 18 anos ou mais.

Na previsão esperançosa realista, até o final de junho haveria doses disponíveis para vacinar totalmente 48% da população total e 36% dos adultos.

O cronograma “esperançoso realista” deve se confirmar em maio. Para junho, há grande risco de apagão. O Butantan por ora não tem perspectiva de receber matéria-prima da China. A Fiocruz tem material para entregar doses até a primeira semana de junho. É a Fiocruz que deve garantir o grosso das entregas de maio e junho (62% do total).

DAQUI A TRÊS MESES – Como não temos governo, o que resta do Congresso tem de perguntar os motivos e riscos de atraso na entrega de matéria-prima da China, para que se tome alguma providência (Jair Bolsonaro continua a sabotar o processo).

Na melhor das hipóteses, apenas daqui a três meses chegaremos à taxa de vacinação dos EUA. Não há estudos precisos sobre efetividade, transmissão ou capacidade dos imunizantes de conter cepas novas e, dada a ainda enorme circulação do vírus, podemos criar ou disseminar bichos ruins. Ainda não há perspectiva de nos desmascararmos.

Em busca da décima legenda para se filiar, Bolsonaro comanda uma nau sem rumo

Publicado em 19 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Benett (Folha)

Merval Pereira
O Globo

O presidente Bolsonaro, cujos atos estrambóticos levaram o país à desmoralização internacional, é o tipo político que chega ao governo central do país como consequência de uma disfunção eventual da democracia. Como tal, não tem a compreensão do que seja o presidencialismo de coalizão, que reduz a uma troca de favores entre quem manda e quem obedece.

Não lhe passa na cabeça que é possível montar uma base parlamentar sobre interesses republicanos, sem repetir expedientes como o mensalão, o petrolão e que tais. Mas também não sabia que, sozinho, não teria como governar.

ORÇAMENTO SECRETO – Do radicalismo inicial, em que montou um governo com pessoas da sua linha de pensamento, que, como ele, sabiam o que queriam destruir, mas não o que colocar no lugar, teve que se aproximar do Centrão e aprovar um “orçamento secreto” para tentar garantir que não será votado o impeachment.

O único que sabia o que queria, o ministro da Economia, Paulo Guedes, não sabia que precisaria do apoio do Congresso para aprovar as reformas e queria mais do que Bolsonaro aceitava, como ficou demonstrado.

TODO-PODEROSO – Por ter uma visão política de baixa extração, de onde montou sua estrutura eleitoral que se limitava a um nicho suficiente para elegê-los todos e, como consequência, formar a fortuna da família à base de “rachadinhas” e ligações com interesses de forças militares oficiais e paralelas, Bolsonaro achou que podia tudo e descobriu que pode muito, mas não tudo.

Não tem moderação nem discernimento para usufruir o poder que tem, por isso não conseguiu ficar na legenda que o elegeu, o PSL, nem montar uma própria, muito menos encontra outra para abrigar seus sonhos megalomaníacos.

Não há dúvida de que o PSL cresceu nas eleições de 2018, tornando-se o segundo maior partido da Câmara, devido à onda bolsonarista. Mas, transformado em uma potência mais econômica do que política devido aos fundos partidário e eleitoral, transformou também seus “donos” em felizardos descobridores de uma mina de ouro, de cujo controle não querem abrir mão.

DÉCIMA LEGENDA – A desorganização de seu grupo político ficou demonstrada na tentativa de criar uma legenda própria, a Aliança pelo Brasil, que acabou abandonado antes de nascer por impossibilidade de conseguir as assinaturas necessárias. Em busca de um partido para disputar a reeleição em 2022, o presidente Jair Bolsonaro, que já foi de nove partidos diferentes, não consegue encontrar sua décima legenda.

Quando fazia parte do baixo clero, podia pular de legenda em legenda com a garantia de uma votação acima da média. Hoje, quer controlar o partido que o receber e, até agora, teve rejeitados todos os seus desejos.

Não será por falta de partido que Bolsonaro deixará de disputar a eleição presidencial de 2022, mas a dificuldade para encontrar uma legenda demonstra também que já foi o tempo em que sua vitória era considerada favas contadas.

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Publicado em 03/05/2026 às 06:07 Alterado em 03/05/2026 às 09:18   E o acordão no Congresso para enterrar a CPI do Master, dará certo? Há qu...

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