terça-feira, maio 18, 2021

Araújo diz que Itamaraty atuou por cloroquina, nega ter atacado China e é chamado de mentiroso


Ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo

Mesmo sob juramento, Araújo mentiu para valer

Julia Lindner e André de Souza
O Globo

O ex-ministro de Relações Exteriores Ernesto Araújo afirmou à CPI da Covid, na manhã desta terça-feira, que não fez nenhuma declaração antichinesa e que não houve nenhuma hostilidade ao país por sua parte. O presidente da CPI, Omar Aziz, disse que Ernesto mentia sobre declarações em relação à China. Aziz lembrou Araújo de seus ataques aos chineses nas redes sociais.

Durante o depoimento, Araújo confirmou negociações do Itamaraty para comprar cloroquina no começo da pandemia. Mas disse que não conversou em outubro com Bolsonaro sobre a aquisição da Coronavac, e não tem conhecimento de quem falou sobre isso com o presidente, que, na época, desdenhou dessa vacina.

MENTINDO À VONTADE – Questionado sobre o impacto de suas declarações anti-chinesas, Araújo respondeu: “Eu não entendo nenhuma declaração que tenha feita como antichinesa. Houve determinados momentos em que por atos oficiais, por minha decisão, nos queixamos de comportamentos do embaixador da China. Não há impacto de algo que não existiu”.

Omar Aziz o alertou que ele deve dizer a verdade à CPI e lembrou declarações anti-chinesas. “Tem várias declarações. Posso ler o seu artigo (“Comunavirus”). Na minha análise, Vossa Excelência está faltando com a verdade. Peço que não faça isso. Escreveu no seu Twitter, escreveu artigo. Chegar aqui e desmerecer o que Vossa Excelência já praticou e que nunca se indispôs com a China, aí está faltando com a verdade” — disse Aziz.

O ex-chanceler afirmou que, apesar de posicionamentos dele e de Bolsonaro no passado, o Brasil é o que mais recebe insumos da China na pandemia e isso reflete uma relação positiva entre os países.

MAIS MENTIRAS – Otto Alencar (PSD-BA) disse ter juntado 15 declarações de Bolsonaro contrárias à vacinas. Questionado se concordava, Araújo foi evasivo e não quis responder objetivamente. “Eu sempre determinei, o Itamaraty sempre executou o que era necessário para adquirir vacinas” — afirmou Araújo.

Questionado sobre a carta da Pfizer ao governo brasileiro para tratar da aquisição de vacinas em 2020, Araújo disse ter tomado conhecimento do documento, que foi enviado à embaixada brasileira em Washington, mas não avisou Bolsonaro por presumir que o presidente já sabia disso.

Araújo disse que a embaixada informou também a assessoria internacional do Ministério da Saúde.

CONFLITO COM EMBAIXADOR – Questionado sobre o motivo de ter entrado em conflito com o embaixador chinês, em março do ano passado, após uma mensagem do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) contra a China, Ernesto disse que houve ofensa ao presidente da República e que se posicionou por isso.

“Não saí em defesa do filho do presidente. Na nota que eu fiz e publiquei como chanceler eu disse que o governo brasileiro não endossava as declarações de Eduardo Bolsonaro. No entanto, o embaixador da China tinha se excedido ao republicar uma publicação do Twitter que dizia que a família Bolsonaro é o veneno do Brasil. Procurei chamar atenção para isso” — justificou.

Na época, Ernesto escreveu que é “inaceitável que o embaixador da China endosse ou compartilhe postagem ofensiva ao chefe de  Estado do Brasil e aos seus eleitores”, afirmou Araújo na ocasião, em nota.

COMPRA DE CLOROQUINA – Durante o depoimento, Araújo confirmou negociações do Itamaraty para comprar cloroquina no começo da pandemia. Ele destacou que na época havia uma expectativa sobre a eficácia do remédio. Também lembrou que o estoque no Brasil havia diminuído e que o medicamento tem outros usos importantes. A cloroquina é utilizada em pacientes com malária, por exemplo.

Questionado por que foi contra à adesão do consórcio Covax Facility, da Organização Mundial da Saúde (OMS), que prevê a distribuição de vacinas, ele disse que não foi contra. Depois, perguntado por que o Brasil optou pelo quantitativo mínimo, suficiente para atender 10% da população, em vez de 50%, ele respondeu: “Essa decisão não foi minha. Foi do Ministério da Saúde”.

O ex-ministro refutou a avaliação de que ele fazia parte da ‘ala ideológica’ e deixou claro que sempre atuou sob supervisão do presidente Jair Bolsonaro.

OXIGÊNIO DA VENEZUELA – Randolfe Rodrigues (Rede-AP) questionou Araújo sobre a vinda de oxigênio da Venezuela para o Amazonas em janeiro.

— Ligou para alguém na Venezuela? — questionou Rodrigues.

— Não — respondeu Araújo.

— Agradeceu o gesto?  — perguntou novamente o senador.

— Não — respondeu novamente o ex-chanceler.

O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), então destacou que o suprimento chegou ao Brasil por rodovia, quando poderia ter sido por via área. Isso teria feito chegar mais rapidamente, salvando vidas.

Posto do Bairro Manoel Dantas sem médico, sem dentista e sem remédio

 









Resto de medicamentos para dois Postos de Bairros superpopulosos.



No período eleitoreiro o prefeito não saía do Bairro Manoel Dantas e João Paulo II, não deixava o povo dormir batendo nas portas mendigando votos, hoje que já passou as eleições, dane-se o povo, pão comido pão esquecido.

Após a matéria publicada ontem onde denunciamos o gasto exorbitante com aquisição de óleo diesel, quase R$ 20.000,00(vinte mil reais), gasto durante quatro meses para o prefeito desfilar na FIAT/TORO, os vereadores Zé Miúdo, Antônio Chaves, Neguinho de Lié e Sidney, resolveram visitar os bairros Manoel Dantas e João Paulo II para saber como estava funcionando a saúde do povo, principalmente nessa pandemia causada pelo COVID-19, onde mais do que nunca o povo mais humilde necessita de atendimento médico e medicamentos com prevenção.

O prefeito que "gosta de povo", prefere estourar dinheiro com combustível para seu uso pessoal, do que cuidar da  saúde do povo, que enganado o colocou no pedestal. 

Todo mundo é sabedor  que é hipertenso ou diabético, não pode ficar sem medicamentos, o medicamento é seu amigo inseparável, porém as fotos não mentem, não existe medicamento, as prateleiras estão vazias, aliás, falta de medicamentos em Jeremoabo não é novidade, é uma realidade, o povo menos favorecido estão condenados a passar fome para comprar o seu remédio se não quiser morrer a mingua.

Para variar existe um quarto vazio sem móveis e sem o dentista prometido.

Os vereadores da oposição mais uma vez estão demonstrando que vereador é eleito para defender o povo, e não esconder e tentar justificar incompetência e desumanidade de prefeito.

Toda vez que os vereadores procuram pelo medicamento, o disco já está furado de repetir que está para chegar, mesmo se fosse da China como dizia o prefeito, já era para haver chegado há sete meses atrás, quando encerrou o período da enganação eleitoral,  mesmo se fosse da Cochinchina.

Deputado agride colega durante sessão de comissão que discutia PL da Cannabis Medicinal

 

Deputado agride colega durante sessão de comissão que discutia PL da Cannabis Medicinal
Foto: Reprodução/TV Câmara

O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) foi agredido pelo deputado bolsonarista Diego Garcia (Podemos-PR) durante a sessão desta terça-feira (18) da Comissão Especial que discute o PL de Cannabis Medicinal. Teixeira preside o colegiado e disse ter recebido um soco do colega.

 

A sessão foi transmitida na TV Câmara e o momento da confusão foi gravado. A confusão começa quando o deputado Diego Garcia se levanta e se aproxima da mesa onde estava o presidente. Ele levanta a voz, empurra o computador que estava sendo usado por Paulo Teixeira e os dois começam uma discussão.

 

Em seguida vários deputados se aproximam e alguns sugerem que a segurança da Casa seja acionada.

 

Em um trecho é possível ouvir o presidente pedir votação nominal.

 

"Esse deputado chegou aqui na frente e me deu um murro no peito. Deu um tapa no meu peito. Você me empurrou. Eu não dei direito a você", disse o presidente do colegiado.

 

A comissão especial analisa o projeto que autoriza o cultivo, no Brasil, de Cannabis sativa para fins medicinais, veterinários, científicos e industriais.

 

Na sessão desta terça os deputados integrantes se reuniram para analisar o parecer do relator, deputado Luciano Ducci (PSB-PR).

 

 

Kátia Abreu desafia Ernesto Araújo a repetir falas não exibidas de reunião ministerial

por Ailma Teixeira

Kátia Abreu desafia Ernesto Araújo a repetir falas não exibidas de reunião ministerial
Imagem: TV Senado

Escolhida para representar a bancada feminina na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, nesta terça-feira (18), a senadora Kátia Abreu (PP-TO) usou seu tempo com menos perguntas e mais críticas ao depoente do dia, o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Ela o desafiou a repetir na CPI as declarações que ele fez contra a China na fatídica reunião ministerial de 22 de abril de 2020.

 

“(...) A AGU pediu, encarecidamente, que um pedaço fosse retirado, pelo amor de deus, ou vai dar um problema diplomático seríssimo. Eu gostaria que o senhor tivesse coragem e repetisse quais foram as palavras que o senhor disse lá naquela reunião ministerial”, pediu. 

 

Ela lembra que, com autorização do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), a fala de Araújo foi mantida em sigilo. Já o restante do encontro, que reunia uma série de declarações posteriormente questionadas, foi liberado e exibido em rede nacional pelas emissoras de TV. 

 

Alguns momentos de grande repercussão foram do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sugerindo que o governo aproveitasse a atenção da imprensa à Covid-19 para "passar a boiada" nas simplificações, e o presidente Jair Bolsonaro, dizendo que iria intervir nos ministérios, pois não pode ser surpreendido.

 

Além disso, Kátia também indagou, de forma retórica, o motivo pelo qual o governo insistiu na cloroquina e desdenhou das vacinas, especialmente a Coronavac. Ela ainda criticou a postura de Araújo, já acusado de mentir na CPI (veja aqui).

 

"Eu imagino que o senhor tem uma memória seletiva, uma memória leviana. O senhor não se lembra nada do que importa e do que ocorreu efetivamente e se lembra de questões mínimas, supérfluas e até mesmo não verdadeiras. A impressão que se tem é que tem um Ernesto, que fala conosco e a gente ouve a voz, e outro que eu não sei onde fica. Nas redes, na internet, nos blogs, falando coisas totalmente diferentes", rechaçou a senadora.

 

Como disse anteriormente, Araújo não considera suas declarações anti-China, que associam o vírus ao país asiático, como um insulto.

 

CPI DA PANDEMIA

Ernesto Araújo é o sétimo a depor na CPI da Pandemia. Antes dele, os senadores colheram depoimentos dos ex-ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, do atual ministro Marcelo Queiroga, do diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, od gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, e do ex-secretário especial de Comunicação do governo, Fábio Wajngarten. 

 

A previsão é de que o general Eduardo Pazuello, também ex-ministro da Saúde, deponha nesta quarta (19), mas o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu autorização para que ele possa ficar em silêncio. Com esses e outros depoimentos, a comissão tenta esclarecer as ações e omissões do governo federal no combate à pandemia.

Bahia Notícias

Capitã Cloroquina' foi desclassificada de seleção por falsa autoria de artigo


'Capitã Cloroquina' foi desclassificada de seleção por falsa autoria de artigo
Foto: Reprodução

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Isabel Correia Pinheiro, conhecida como "Capitã Cloroquina" já foi desclassificada de um processo seletivo por ter colocado em seu currículo um artigo que não era de autoria dela. Mayra é uma das principais defensoras do chamado "tratamento precoce" contra o coronavírus.

 

De acordo com o Metrópoles, o processo aconteceu em 2008 e Mayra havia se candidatado para uma vaga de neonatologia do curso de medicina da Universidade de Fortaleza (Unifor), mas foi desqualificada durante a primeira etapa da seleção, após suposta irregularidade ter sido descoberta. Mayra disputava a vaga com mais quatro candidatos e alegou "erro de digitação".

 

Ainda segundo o Metrópoles, a banca examinadora considerou o episódio como uma "inveracidade de natureza grave". A médica se apresentou como autora do artigo "A Reanimação do Prematuro Extremo em sala de Parto" em seu currículo (leia aqui), que segundo ela teria como coautores, Maria Fernanda Branco de Almeida e Ruth Guinsburg, publicado em 2005 no Jornal de Pediatria.

 

No entanto, a autoria da publicação é de Maria Fernanda Branco de Almeida e Ruth Guinsburg, indicadas por Mayra como coautoras. A candidata não teve nenhuma participação na produção do artigo e o nome dela não é citado pelas pesquisadoras ao longo do texto acadêmico.

 

O relatório que assinalou que o artigo não era de autoria da candidata, assinado pela professora Olívia Andrea Alencar Costa Bessa, coordenadora do curso de medicina da Unifor, à época, diz: "A banca constatou que, de fato, o artigo citado pela candidata não é de sua autoria".

 

Olívia Bessa procurou a candidata, por telefone, na ocasião e Mayra informou  em carta enviada à coordenação do curso após a ligação, que teria havido “falha grave de digitação do currículo Lattes”.

 

A médica afirmou ter sido colaboradora em parceria com Maria Fernanda Branco de Almeida e Ruth Guinsburg em outro artigo, intitulado "Ensino da Reanimação Neonatal em Maternidades Públicas das Capitais Brasileiras". O artigo havia sido publicado na mesma edição do Jornal de Pediatria.

 

O nome de Mayra Isabel aparece nos agradecimentos do texto científico – por "ajudar a viabilizar a concretização de todo o projeto de pesquisa, no qual se insere este artigo", segundo os autores.

 

A banca afirmou que a explicação de Mayra não foi suficiente para evitar a desclassificação e destacou que considera a autoria “elemento de mais alta relevância, especialmente em um ambiente acadêmico”.

 

“O uso indevido da citação de autoria de um artigo científico, quando da documentação da produção acadêmica de um candidato no processo seletivo em curso neste meio de registro, por si só, não atende aos critérios propostos neste processo de seleção, e que são utilizados indiscriminadamente para todos os candidatos, desta área de conhecimento, e de quaisquer áreas do processo em curso”, ressaltou a banca.

 

AÇÃO INDENIZATÓRIA
Mayra Pinheiro entrou com uma ação no Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), em 2009, contra a Universidade de Fortaleza, para ser indenizada por danos morais devido à desclassificação. Ela alegou que membros da banca examinadora afirmavam para outros profissionais médicos que a autora era fraudadora de processos seletivos.

 

A atual secretária se disse bastante prejudicada com a decisão “abusiva e desarrazoada” da universidade. Em 2013, o juiz Luiz Roberto Oliveira Duarte arquivou o processo ao considerar a petição "totalmente improcedente".

 

“Uma vez que se inscreveu para participar da seleção, utilizando-se de curriculum que continha imprecisão, atribuindo equivocadamente à promovente artigo que não era de sua autoria, a sua desclassificação do certame é, prima facie, exercício regular do direito da ré, sendo a decisão da Banca Examinadora condizente com as regras do processo seletivo, aliás, conforme a autonomia universitária”, disse.

 

Em conversa com o Metrópoles, Mayra Pinheiro disse que um funcionário dela havia digitado o currículo Lattes. “Eu pedi para uma pessoa digitar o meu currículo. Na mesma revista, eu tinha um artigo, e foi digitado o artigo errado", disse.

 

"Então, quem que vai ter interesse de, na mesma revista, ter um artigo e digitar o artigo de outra pessoa tendo o seu com o mesmo valor científico?”, completa a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde.

Bahia Notícias

Ramos assinou sozinho o projeto que criou o orçamento secreto do governo Bolsonaro


Ministro Luiz Eduardo Ramos

Assinando ilegalidades, Ramos virou “homem forte”

Felipe Frazão e Breno Pires
Estadão

O atual ministro da Casa Civil, general Luiz Eduardo Ramos, participou diretamente da articulação e criação do orçamento secreto para favorecer políticos aliados do governo, o chamado “tratoraço”. Braço direito de Jair Bolsonaro, Ramos era chefe da Secretaria de Governo quando reformulou uma proposta antes barrada pelo presidente para criar uma emenda de relator-geral usada pela equipe para distribuir R$ 3 bilhões e conquistar o controle do Congresso.

Em sua sala no quarto andar do Palácio do Planalto, um nível acima do gabinete do presidente, Ramos resgatou um mecanismo incluído pelo Congresso na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), mas que havia sido vetado por Bolsonaro.

UM CASO ATÍPICO – Assim, em 3 de dezembro de 2019, o ministro assinou sozinho o projeto de lei que criou a emenda chamada RP9. É um caso atípico, pois propostas sobre orçamento costumam passar pelo crivo do Ministério da Economia.

Desde que o Estadão revelou o orçamento secreto, Bolsonaro tem negado a existência do esquema. O presidente chegou a chamar os jornalistas do Estadão de “idiotas” e “jumentos” por noticiar o caso, batizado de “tratoraço” nas redes sociais por envolver compras de máquinas a preços até 259% acima da tabela de referência do governo.

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, sustenta que “é de conhecimento de qualquer jornalista que acompanhe minimamente o noticiário em Brasília que a RP9 foi iniciativa do Congresso”. Mas os documentos contradizem essa versão.

DEPOIS DO VETO – A operação de Ramos ocorreu três semanas após Bolsonaro vetar a tentativa do Congresso de criar a RP9. A equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, tinha convencido o presidente de que a nova emenda engessaria o governo, pois impactava o cálculo do resultado primário, afetando a meta fiscal.

Mas, quando Ramos ressuscitou a proposta, Bolsonaro desprezou as justificativas técnicas que usou para barrar a medida e preferiu a criação de um orçamento que lhe permitira escolher quais parlamentares seriam beneficiados com bilhões de reais.

No mesmo projeto enviado ao Congresso, o general da reserva chegou a incluir no texto um artigo, o 64-A, que dava ao Congresso o direito de indicar o que deveria ser feito com o dinheiro. Nesse caso, porém, Bolsonaro novamente impediu a iniciativa por contrariar o “interesse público” e “fomentar o cunho personalístico” das indicações. O Congresso não derrubou esse veto. Dessa forma, tornou irregular o toma lá, dá cá que veio a fazer mais tarde.

O HOMEM FORTE – Agora na Casa Civil, Ramos é o homem forte do governo no Planalto e mantém influência na articulação política. Em fevereiro, com o orçamento secreto, ele garantiu as vitórias dos aliados Arthur Lira (Progressistas-AL), na Câmara, e de Rodrigo Pacheco (DEM-MG), no Senado.

Procurado pelo Estadão, o ministro desconsiderou ter assinado o projeto e repetiu que “a iniciativa da criação da RP9 foi da Comissão de Orçamento do Congresso”. Toda negociação dos parlamentares para divisão do dinheiro da RP9 foi feita no gabinete da Secretaria de Governo, pasta que Ramos comandava quando assinou o texto.

Em ao menos duas reuniões no gabinete do general, no fim de 2019, técnicos previram que o esquema para aumentar a base de apoio de Bolsonaro poderia resultar no primeiro grande escândalo do seu mandato. Na ocasião, tentaram dissuadir o Planalto de vetar a possibilidade de os congressistas imporem os bilhões da emenda RP9.

OPERAÇÃO ILEGAL – Segundo um dos presentes, o braço direito do ministro, Jonathas Assunção de Castro, foi alertado de que as negociações para divisão do dinheiro já estavam em curso e o veto tornaria essa operação ilegal.

Nessa queda de braço, porém, quem ganhou foi a equipe econômica, para quem dar ao Congresso o direito de também definir como aplicar R$ 20 bilhões de RP9 transformaria Bolsonaro em “rainha da Inglaterra”.

Agora, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União investiga se, ao ignorar seu veto, Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade por “atentar contra a lei orçamentária, nos termos do art. 85, inciso VI, da Constituição Federal”.

Ernesto admite que governo não implementou política específica para combate à pandemia

por Ailma Teixeira

Ernesto admite que governo não implementou política específica para combate à pandemia
Foto: Jefferson Rudy/ Agência Senado

O ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse que o governo federal nunca implementou uma política internacional específica para o combate à pandemia. A declaração foi feita em resposta a um dos questionamentos do senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, que colhe o depoimento de Araújo na manhã desta terça-feira (18).

 

“O governo federal não acredito que tenha definido um documento único”, afirmou. "Orientações surgiram em diferentes momentos, partiram do Ministério da Saúde (...), mas não tenho conhecimento de um plano único de direção internacional”, acrescentou o ex-ministro.

 

No momento, o relator insistiu, ao questionar se não havia diretrizes para o trabalho, e Araújo disse que existiam, mas "foram recomendadas ao longo do tempo".

 

Questionado, então, se sua atuação era orientada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ele disse imaginar que as orientações “tenham sido passadas diretamente ao Ministério da Saúde”. Segundo o ex-chanceler, seu trabalho era demandado pela pasta da Saúde.

 

CPI DA PANDEMIA
Ernesto Araújo é o sétimo a depor na CPI da Pandemia. Antes dele, os senadores colheram depoimentos dos ex-ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, do atual ministro Marcelo Queiroga, do diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, od gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, e do ex-secretário especial de Comunicação do governo, Fábio Wajngarten. 

 

A previsão é de que o general Eduardo Pazuello, também ex-ministro da Saúde, deponha nesta quarta (19), mas o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu autorização para que ele possa ficar em silêncio. Com esses e outros depoimentos, a comissão tenta esclarecer as ações e omissões do governo federal no combate à pandemia.

Bahia Notícias

Aras manda à CPI investigações no STJ contra cinco governadores, entre eles Rui Costa


Aras manda à CPI investigações no STJ contra cinco governadores, entre eles Rui Costa
Foto: Jade Coelho/Bahia Notícias

O procurador-geral da República, Augusto Aras, enviou à CPI da Covid investigações em curso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre eventuais irregularidades no combate à Covid-19 por partes de Estados.

 

Os governadores citados são: Wilson Lima (PSC), do Amazonas, Rui Costa (PT), da Bahia, Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, Helder Barbalho (MDB), do Pará, e João Doria (PSDB), de São Paulo.

 

De acordo com a CNN, o ofício da Procuradoria-Geral da República é endereçado ao presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). No documento, Aras diz que o levantamento é "oriundo da Assessoria Jurídica Criminal no STJ deste gabinete, contendo informações acerca dos procedimentos investigativos criminais em que se apuram crimes relacionados à aplicação de recursos destinados ao combate à pandemia e que estão sob a responsabilidade daquela assessoria".

 

Elaborado com auxílio da subprocuradora-geral, Lindôra Araújo, ela destaca que as apurações são sigilosas e seu compartilhamento depende de autorização do STJ.

 

"Cumpre registrar que os inquéritos judiciais tramitam sob a supervisão e relatoria dos ministros integrantes da Colenda Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, em sua maioria sob segredo de justiça, medida destinada a assegurar a efetividade das investigações. Nesses casos, o acesso aos autos da investigação dependem de prévia autorização do Ministro Relator, de modo que não se pode enviar as cópias requeridas sob pena de violação de dever de sigilo", diz no ofício.

 

Sobre o Amazonas, o objeto das apurações é a aquisição de respiradores, instalação do hospital de campanha Nilton Lins e desabastecimento de oxigênio hospitalar. Na Bahia, do governador Rui Costa, a investigação é pela compra de respiradores.

 

Contra Helder Barbalho, do Pará, há dois inquéritos abertos. Um sobre aquisição de unidades de bomba de infusão e outro de aquisição de ventiladores. Em São Paulo, do governador João Doria, há investigação sobre aquisição de doses da Coronavac e outra sobre a compra de respiradores.

 

A PGR informou, também, que uma investigação preliminar sobre o hospital de campanha de Minas Gerais também está em curso.

Bahia Notícias

Senador exagera e pede quebra de sigilo de Carlos Bolsonaro, Filipe Martins e Pazuello

Publicado em 18 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Pelicano (Arquivo Google)

Felipe Frazão
Estadão

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) pediu nesta segunda-feira, dia 17, a quebra de sigilos e a convocação do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid. Vieira enviou os requerimentos, ainda pendentes de votação, solicitando que o filho “02” do presidente Jair Bolsonaro seja obrigado a abrir os sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático.

Outros integrantes do chamado “Ministério da Saúde paralelo”, como ele batizou o aconselhamento informal do presidente durante a pandemia, também são alvos dos pedidos.

NEGOCIAÇÃO NO PLANALTO – Os requerimentos do senador, que é suplente da CPI, vêm na esteira do depoimento de Carlos Murillo, presidente da Pfizer na América Latina. Murillo afirmou aos senadores que Carlos participou de uma reunião de negociação de vacinas com integrantes do governo no Palácio do Planalto, em dezembro de 2020.

Estavam no encontro a diretora jurídica da Pfizer, Shirley Meschke, a gerente de Relações Governamentais, Eliza Samartini, o então secretário de Comunicação Social, Fábio Wajngarten, e o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Filipe Martins.

“A potencial existência de um ‘Ministério da Saúde’ paralelo, responsável por aconselhar extraoficialmente o presidente da República quanto às medidas de combate da pandemia, deve ser amplamente esclarecida quanto à extensão de sua atuação, à periodicidade de encontros e reuniões, aos membros que dele participavam, ao conteúdo das discussões e ao efetivo poder de cada qual no convencimento para a tomada de decisões”, escreveu Vieira no pedido que passará pelo crivo da CPI.

MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA – Na sua avaliação, é igualmente necessário avaliar a movimentação financeira de Carlos “desde o início da pandemia, aferindo-se se houve acréscimo em seu patrimônio que tenha sido compatível com a sua capacidade econômica, de modo a afastar qualquer dúvida a respeito de eventual locupletamento ilícito”.

Não foi apenas em Carlos, porém, que o senador mirou. Vieira também fez requerimentos cobrando a quebra de sigilos de Fabio Wajngarten e de empresas ligadas a ele; do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello; de Filipe Martins e do empresário Carlos Wizard. Há também pedidos de convocação de Martins e Wizard.

“O regular procedimento da quebra de sigilo se torna incontornável, sem o qual seria praticamente impossível a esta CPI alcançar a verdade dos fatos, seu compromisso com a sociedade brasileira, com a Constituição, com a democracia e, de forma candente, com os familiares e amigos das mais de 430 mil vítimas da pandemia e de seu agravamento decorrente de atos omissivos e comissivos do governo federal”, justificou o senador.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Quebra de sigilo é exagero do senador. Não há motivos para tanto, fica parecendo uma provocação a Bolsonaro. Mas a quebra de sigilo se justifica no caso das raspadinhas, é claro, por ser um bem de família, digamos assim(C.N.)

Respeitar luto é respeitar a família. Não é ser hipócrita

 em 18 maio, 2021 4:14

      Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça
“O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.


“Quando você celebra a morte de alguém, o primeiro que morreu foi você mesmo”.

A frase acima do Papa Francisco foi feita por conta da onda de ódio na Internet em 2017, mas continua atual.

O Brasil vive uma pré-campanha eleitoral onde bolsonaristas e lulistas já verberam o discurso de ódio pelas redes sociais. 2022 será pior do que qualquer outro ano. Amigos e familiares continuarão brigando e virando inimigos por conta do radicalismo e da polarização de dois grupos que não resolverão o problema do país.

Em meio a este fogo cruzado, algumas lideranças que são ditas radicais mostram lucidez no momento de luto.

Guilherme Boulos, que disputou o segundo turno em São Paulo contra Bruno Covas, é um exemplo. A CNN pediu, no dia da morte de Covas, para ele analisar a gestão do prefeito morto. “Não é o momento para isso”, declarou Boulos, que é crítico de Covas, mas respeitou o luto da família. Ele foi hipócrita? Não, ele pensou no bem estar dos outros.

Já em Sergipe, o amigo, e ex-vice-prefeito de Aracaju, Silvio Santos, foi infeliz ao comentar a morte de Covas dizendo que “já vai tarde…” e que ele (Silvio Santos) não é hipócrita. A repercussão negativa foi tão grande que ele retirou a tuitada e renunciou a presidência do Instituto Marcelo Déda (leia uma nota de Silvio na edição de hoje). O mínimo que ele poderia fazer, já que como petista e assessor do eterno governador Marcelo Déda, sabe que ele, como estadista que era, jamais faria uma declaração repulsiva celebrando a morte de um adversário.

Fica para reflexão uma postagem do Dai Lama, de ontem, 17, no twitter, que cabe bem para o assunto abordado:

 em 18 maio, 2021 8:58

Material genético do novo coronavírus foi identificado pela primeira vez no líquido cerebroespinhal de pessoa que desenvolveu doença rara

Pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) documentaram um caso inédito de síndrome de Guillain-Barré associada à covid19. Trata-se do primeiro relato científico no mundo em que o material genético do SarsCoV-2 foi identificado no fluido cerebroespinhal, também conhecido como líquor, da paciente com a complicação neurológica, segundo o estudo divulgado no último sábado,15, na revista cientifica The Pediatric Infectious Disease Journal, uma das mais conceituadas da área, ligada à Sociedade Européia de Doenças Infecciosas Pediátricas.

O caso relatado na publicação é de uma adolescente de 17 anos, de Aracaju. O intervalo entre o início dos sintomas da infecção causada pela covid-19 e o surgimento de condições neurológicas provocadas pela Guillain-Barré foi de apenas uma semana. A identificação do RNA do vírus causador da covid-19 no líquor – responsável por proteger, lubrificar e nutrir o sistema nervoso, preservando as estruturas cerebrais e medulares – confirmou, pela primeira vez, a hipótese de que a infecção pelo Sars-CoV2 pode desencadear a síndrome rara por invasão viral direta no tecido nervoso.

“Alguns casos dessa doença rara têm sido diagnosticados em pessoas com covid-19 em todo o mundo, mas o entendimento até o momento é de que a patogênese desta condição neurológica quando associada à covid-19 era apenas imunomediada. Este estudo acrescenta informações importantes sobre a forma como o novo coronavírus pode levar a alterações no sistema nervoso,” explica o líder da pesquisa e chefe do laboratório de Patologia Investigativa da UFS, professor Paulo Ricardo Martins Filho.

Ao todo, sete pesquisadores participaram do estudo. Até a publicação desse relato, eles levantaram 42 casos de pacientes com a síndrome rara associada à covid-19 no mundo. Porém, diferentemente do caso relatado em Sergipe, os 25 pacientes submetidos à coleta do líquor tiveram o resultado negativo para a presença do RNA do Sars-CoV-2 no líquido cerebroespinhal.

Entenda o caso

Em fevereiro deste ano, a adolescente apresentou febre, dor abdominal, náusea e diarreia severa. Oito dias depois ela procurou atendimento no serviço de emergência de um hospital de Aracaju com histórico de 48 horas de fortes dores lombares e fraqueza nas extremidades do corpo com perda de força e equilíbrio nos braços e pernas.

Na ocasião, os resultados do exame RT-PCR das amostras tanto das vias respiratórias quanto do fluido cerebroespinhal da paciente, processadas junto ao Laboratório Central de Saúde Pública do Estado de Sergipe (Lacen-SE), deram positivo para Sars-CoV-2.

Pela característica dos sintomas, ela também passou por exames complementares, como eletroneuromiografia e ressonância magnética de coluna. Nisso, a eletroneuromiografia, utilizada para identificar lesões nos nervos e músculos do corpo, comprovou a suspeita de uma inflamação comum em casos de Guillain-Barré: a polirradiculoneurite, afetando a raiz de um nervo espinhal.

A médica neurologista do Hospital Universitário de Aracaju (HU-UFS) e doutoranda do programa de pós-graduação em Ciências da Saúde da UFS (PPGCS), Lis Campos Ferreira, está acompanhando o quadro clínico da paciente que ficou hospitalizada durante 15 dias. “Ela já teve alta e está clinicamente muito melhor. Ainda tem fraqueza muscular, mas já consegue andar sem ajuda. Continua em seguimento neurológico ambulatorial e reabilitando na fisioterapia,” afirma a médica.

“A paciente continuará sendo acompanhada e novos casos de Guillain-Barré serão estudados também no sentido de se detectar o novo coronavírus no fluido cerebroespinhal. Esses dados são extremamente relevantes para que possamos compreender a capacidade de neuroinvasividade do coronavírus e melhorarmos a forma como os pacientes são tratados,” acrescenta o professor Paulo Martins.

Síndrome rara Guillain-Barré

Histórico da síndrome rara Guillain-Barré é um distúrbio autoimune, no qual o sistema imunológico ataca os nervos do próprio corpo, tendo origem geralmente por uma infecção anterior à síndrome. O risco provocado pela doença se eleva quando ocorre o acometimento dos músculos respiratórios, podendo levar a pessoa à morte ao comprometer o funcionamento do coração e dos pulmões.

Há cinco anos, o Brasil sofreu um aumento expressivo no número de diagnósticos da doença por causa da associação à epidemia do zika Vírus. Porém, ainda não há registros oficiais sobre a incidência da síndrome rara na população brasileira.

Fonte: Ascom Rádio UFS

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