domingo, maio 16, 2021

Morre Bruno Covas, mais jovem prefeito de São Paulo, vítima de câncer

 

Prefeito da capital paulista, de 41 anos, estava em tratamento contra um câncer no trato digestivo desde 2019

Da CNN, em São Paulo
16 de maio de 2021 às 09:54
Bruno Covas
Bruno Covas, economista e advogado, prefeito de São Paulo
Foto: CNN Brasil

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), morreu neste domingo (16), aos 41 anos, vítima de câncer. Desde 2019, Covas enfrentava a doença, inicialmente descoberta no trato digestivo, mas que se espalhou para o fígado e para os ossos. A notícia da morte foi confirmada em nota divulgada pela assessoria do prefeito.

O prefeito, que era divorciado, deixa um filho, Tomás Covas, de 15 anos.  

Bruno Covas tornou-se prefeito de São Paulo em 2018, após a renúncia de João Doria (PSDB), de quem era vice. Em 2020, foi reeleito no segundo turno com 3.169.121 votos, o equivalente a 59,38% dos votos válidos. O atual vice-prefeito, Ricardo Nunes (MDB), deverá assumir o comando da cidade. 

Covas já estava licenciado do cargo desde o início de maio, quando houve piora do quadro. Nunes assumiu como prefeito em exercício em 3 de maio.

Câncer 

Em outubro de 2019, Covas descobriu ter um câncer ao ser internado no hospital Sírio-Libanês para tratar inicialmente uma erisipela nas pernas, que, mais tarde, revelou-se uma trombose venosa. 
   
Em outra bateria de exames foi constatado, além do tromboembolismo pulmonar, um tumor maligno no trato digestivo com metástase no fígado. O prefeito foi submetido a diversas sessões de quimioterapia e as encerrou em fevereiro deste ano.   

Com boa evolução médica, os tumores de Covas chegaram a desaparecer dias após o encerramento da última sessão de quimioterapia. De acordo com os médicos, o político teve “uma reação excepcional” ao tratamento. Uma biópsia para analisar os linfonodos localizados ao lado do fígado, que também apresentava lesões, foi solicitada na época para confirmar o desaparecimento. 
   
Durante o período de tratamento, o prefeito não se afastou do cargo e despachou com auxiliares no próprio hospital.  

Em abril de 2021, já como prefeito reeleito de São Paulo, médicos descobriram novos pontos de câncer em Covas, sendo que o fígado e os ossos foram atingidos. O tucano foi então submetido a novo tratamento quimioterápico e também à imunoterapia. Dias depois, a equipe médica responsável pelo tratamento do prefeito informou que Covas apresentou acúmulo de líquidos nos pulmões e no fígado. 

Formação política  

O santista Bruno Covas não passou um ano sequer de sua vida sem que a política estivesse presente em sua casa. Quando nasceu em 1980, seu avô, o ex-governador Mário Covas (PSDB), naquela época deputado federal, era uma das principais lideranças do então MDB, único partido de oposição à Ditadura Militar. 

Desde então, o sobrenome que inaugurou em 1995 uma sequência de governos tucanos que dura até hoje no estado de São Paulo nunca mais o abandonou. Apesar do envolvimento precoce com a política — aos oito anos participava do “Clube dos Tucaninhos” e, aos 18, filiou-se ao PSDB — o epíteto “neto de Covas” seguiu Bruno mesmo quando ele já era parlamentar.  

Sua posse como prefeito de São Paulo, cargo que o avô também ocupou entre 1983 e 1985, ficou cada vez mais óbvia na medida em que João Doria projetava voos mais altos após assumir o Executivo municipal em 2017.   

Indicado para a disputa municipal em um ruidoso processo de prévias internas, Doria não contou com o apoio de Bruno em um primeiro momento, mas tinha como fiador o então governador Geraldo Alckmin (PSDB), mais bem-sucedido herdeiro do espólio eleitoral de Mário Covas, vítima de câncer em 2001, de quem Alckmin foi vice. 

A escolha de Bruno Covas para compor a chapa foi vista como um gesto de pacificação por parte de Doria, que era visto internamente como um estranho no ninho. 

Depois de pouco mais de um ano de mandato, Doria renunciou ao cargo para concorrer ao governo estadual, em um processo que deixou fissuras no PSDB paulista, incluindo a saída do partido de Mário Covas Neto, tio de Bruno e filho do ex-governador, hoje no Podemos. 

Incentivado pelo prefeito Doria, Bruno Covas passou por uma mudança que incluiu a perda de 15 quilos, a adoção de uma rotina de exercícios físicos e de um estilo mais despojado. De cabelos raspados e usando barba, ele ainda dispensou o paletó e a gravata — uma imagem mais adequada para um jovem potencial candidato à reeleição.  

Bruno Covas nunca fez muito esforço para negar o apelido de “baladeiro”: seu aniversário de 38 anos, já à frente do Executivo, foi comemorado no Villa Country, movimentada casa sertaneja da Barra Funda, bairro da Zona Oeste onde o prefeito morava. Nas redes sociais, o tucano compartilhava fotos de corridas no Ibirapuera, jogos do Santos ao lado do filho Tomás e, claro, homenagens ao avô.  

Adepto de uma rotina de exercícios, Bruno Covas chegou a aprovar a instalação de uma academia no terceiro andar da sede da prefeitura de São Paulo, a que todos os servidores têm acesso fora do horário de expediente. O prefeito, entretanto, não chegou a usar o espaço.  

Após assumir, Bruno Covas fez questão de pontuar diferenças de seu estilo ao de João Doria, que tinha como um de seus slogans se definir como gestor, não político. Apoiado na força do sobrenome, Bruno, ao contrário, alardeava suas origens, seu currículo e sua capacidade de articulação.  

Carreira  

A relação com Mário Covas não se resumia à política. Quando criança, Bruno acompanhava o então senador em eventos e viagens a Brasília. Aos 15, foi morar no Palácio dos Bandeirantes com o recém-eleito governador, onde permaneceu até a morte do avô.  

Neste período morando na residência oficial do governo de São Paulo, Bruno Covas formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), em 2002, e em Economia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em 2005. Além da formação acadêmica, o outro pé na política era mantido com a presidência da Juventude Tucana, que ocupou até 2011.  

Em suas redes sociais, Bruno demonstrava frequentemente a sua relação com o avô. “06.03.01 foi um dos dias mais tristes da minha vida. Perdi meu avô, minha referência. Divido com todos a responsabilidade de levar adiante o seu legado”, escreveu o neto ao relembrar foto de sua infância com o ex-governador.  

A primeira incursão eleitoral se deu em 2004, quando Bruno Covas tinha 24 anos e foi candidato a vice-prefeito de sua cidade natal em uma chapa encabeçada por Raul Christiano — que não se elegeu. No ano seguinte, tornou-se assessor da liderança do PSDB na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), onde, contou à revista Piauí, decorou o regimento interno e tornou-se referência para os parlamentares.  

Bruno Covas passou a dar expediente na Alesp como deputado estadual depois de ser eleito em 2006 com 122 mil votos. Em 2010, praticamente dobrou sua preferência entre os eleitores (239 mil votos) e reelegeu-se como o candidato mais votado para o cargo no estado naquele ano.  

O tucano, entretanto, afastou-se de seu segundo mandato na assembleia estadual para assumir a secretaria do Meio Ambiente do estado na gestão de Geraldo Alckmin. No Executivo estadual, Bruno chegou a ensaiar uma candidatura à prefeitura da capital para as eleições municipais de 2012 e transferiu seu título de Santos para São Paulo.  

Com sua pré-candidatura anunciada (José Serra acabaria sendo o indicado do partido para o pleito de 2012), Bruno Covas envolveu-se em uma polêmica ao contar, em uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ter recusado uma oferta de propina de um prefeito por ter aprovado uma emenda parlamentar. Convidado pela oposição a prestar esclarecimentos na Comissão de Ética, disse ter sido mal interpretado e que a questão se resumiu a um exemplo hipotético do que era correto a ser feito.  

Eleito deputado federal em 2014 com 352.708 votos, Bruno Covas teve uma breve passagem pela Câmara Federal, em Brasília, já que em 2016 foi eleito vice-prefeito na chapa de João Doria, que superou, em primeiro turno, o então prefeito petista Fernando Haddad, em uma eleição marcada pelos efeitos do impeachment de Dilma Rousseff (PT) — pelo qual Bruno votou a favor enquanto parlamentar.  

Já na prefeitura, acumulou o cargo de secretário das Prefeituras Regionais, mas depois foi realocado para a Casa Civil após mudanças promovidas por João Doria. Após 15 meses de trabalho, o então prefeito deixou o cargo para disputar candidatura pelo governo do Estado de São Paulo nas eleições de 2018. Covas assumiu a cadeira em seguida, com intuito de concluir o governo de seu antecessor.  

Reeleição 

A pandemia da Covid-19 mudou de forma significativa a perspectiva para as eleições municipais de 2020. Governadores e prefeitos, como Covas, ganharam projeção diária nos veículos de imprensa com as medidas adotadas para conter a propagação do novo coronavírus.  

O prefeito articulou a sua candidatura à reeleição pelo PSDB centrado no discurso de que a cidade deveria apostar na manutenção da administração como melhor estratégia para a contenção da pandemia. 

Conseguiu transformar a ampla base na Câmara Municipal em chapa para a disputa eleitoral. Empresário e vereador em segundo mandato, um dos mais influentes do legislativo paulistano, Ricardo Nunes (MDB) foi convertido em candidato a vice-prefeito e defendido por Covas mesmo diante de retomadas antigas acusações de violência doméstica por parte do emedebista, que nega. 

Bruno Covas ainda ressuscitou uma antiga e controversa aliança do avô. Em 1998, quando Mário Covas enfrentou Paulo Maluf no segundo turno da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, buscou e obteve o apoio do PT para derrotá-lo. Uma mão lavou a outra em 2000, quando Alckmin ficou fora do segundo turno para a Prefeitura e Covas endossou a vitória de Marta Suplicy (PT) contra o mesmo Maluf. 

Já fora do PT, Marta se aproximou de Bruno Covas e se engajou em sua campanha, divulgando o prefeito em regiões onde segue popular, sobretudo na Zona Leste da cidade. Com Covas reeleito, a ex-prefeita se tornou secretária municipal de Relações Internacionais da capital paulista. 

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Morre atriz Eva Wilma, uma das maiores estrelas da televisão e do teatro, aos 87


por Tony Goes | Folhapress

Morre atriz Eva Wilma, uma das maiores estrelas da televisão e do teatro, aos 87
Foto: Reprodução/G1

Um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira, a atriz Eva Wilma morreu neste sábado, aos 87 anos. Ela estava internada no hospital Albert Einstein desde abril tratando um câncer de ovário. A atriz havia sido internada em janeiro deste ano com pneumonia.
 

Não fosse pela proibição dos pais, Eva Wilma teria iniciado sua carreira no "Holiday on Ice", o espetáculo de patinação artística que excursionava sem parar pelo mundo afora. Aos 14 anos de idade, ela já era bailarina clássica, e sua desenvoltura a mantinha firme mesmo sobre uma superfície de gelo.
 

Mas a estreia como atriz não demorou. Em 1952, aos 19, começou no teatro com “Uma Mulher e Três Palhaços” ao lado de seu futuro marido, o ator John Herbert, morto há dez anos. No ano seguinte, fez seu primeiro filme, a comédia “Uma Pulga na Balança”, dirigida pelo italiano Luciano Salce.
 

Foi em 1953 que também apareceu na televisão pela primeira vez, no seriado “Namorados de São Paulo”, em que contracenava com Mario Sergio. John Herbert logo substituiu o ator original, e o programa teve seu título alterado para “Alô, Doçura”. Com ele, Eva Wilma entrou para a história da nossa TV.
 

Concebido por Cassiano Gabus Mendes como uma resposta brasileira à série americana "I Love Lucy", “Alô, Doçura” foi exibido pela Tupi até 1964. Não havia personagens fixos, mas Eva Wilma e John Herbert —com quem a atriz se casou em 1955— sempre interpretavam um casal que enfrentava alguma rusga conjugal. Com episódios de apenas 15 minutos de duração, o programa marcou época, e foi um precursor do que hoje chamamos de sitcom.?
 

Nas décadas de 1950 e 1960, Eva Wilma também participou de alguns episódios do “Grande Teatro Tupi” e de várias montagens do Teatro de Arena. Seu filme mais importante do período foi “São Paulo S.A.”, de Luís Sérgio Person, lançado em 1965. Mas, em 1969, um teste em Hollywood quase mudou o rumo de sua carreira.
 

A atriz estava almoçando no restaurante dos estúdios da Universal, em Los Angeles, quando um agente a abordou. Alfred Hitchcock estava procurando por uma atriz latina para interpretar uma cubana no que seria um de seus últimos longas, “Topázio”. Eva Wilma topou na hora, e fez três testes para o cineasta britânico. Acabou preterida pela alemã Karin Dior.
 

“O meu consolo é que 'Topázio' não foi um dos bons filmes do Hitchcock. Eu assisti e dizia para mim mesma 'esse papel não era para mim'”, disse ela em entrevista ao programa Conversa com Bial, em agosto do ano passado. “Mas era para me conformar mesmo, pois eu queria ter feito.”
 

De volta ao Brasil, Eva Wilma viu a segunda etapa de sua carreira televisiva deslanchar. Durante pouco mais de dez anos, ela foi a maior estrela das telenovelas da Tupi.
 

Mesmo diante do crescimento irresistível da Globo, a mais antiga emissora do país emplacou vários folhetins de sucesso naquele período. Quase todos eram escritos por Ivani Ribeiro e protagonizados por Eva Wilma, como "A Viagem", "A Barba Azul" ou "Mulheres de Areia". Nesta última, a atriz teve seu papel mais icônico —ou papéis, as gêmeas Ruth e Raquel, uma boa e a outra, má. Foi também na Tupi que ela conheceu seu segundo marido, o ator Carlos Zara, morto em 2002.
 

A derrocada do canal, em 1980, fez com que ela finalmente se transferisse para a Globo. Já madura, Eva Wilma escapou de interpretar mocinhas na nova casa. Em compensação, ganhou inúmeros personagens marcantes, como as aristocráticas vilãs Francisca Moura Imperial, de "Transas e Caretas", em 1984, e Maria Altiva Pedreira de Mendonca Albuquerque, de "A Indomada", em 1997, ou a doutora Marta Correia Lopes, do seriado “Mulher”, de 1998.
 

Em paralelo, jamais se afastou dos palcos, participando de espetáculos tão diversos como “Antígona”, em 1976, “Esperando Godot”, em 1977, “Pato com Laranja”, em 1980, e “Querida Mamãe”, de 1994 a 1996.
 

Em 1999, apareceu, ao lado de Eunice Muñoz —tida como a maior atriz de Portugal— em “Madame”, um papel escrito originalmente para Fernanda Montenegro. A peça imaginava o encontro entre duas personagens emblemáticas das literaturas de seus respectivos países, a brasileira Capitu, de “Dom Casmurro”, e a portuguesa Maria Eduarda, de “Os Maias”.
 

Nos últimos tempos, Eva Wilma se fez rara na TV. Em sua última novela completa, "Verdades Secretas", de 2015, teve um papel relativamente pequeno, porém marcante. Era Fábia, uma grã-fina arruinada, entregue ao alcoolismo. Desde então, participou de alguns capítulos de “O Tempo Não Para”, em 2018 e 2019, e de um episódio da minissérie “Os Experientes”, de 2019. Há pouco, foi vista na reprise de “Fina Estampa”, novela produzida há dez anos.
 

Depois de uma internação em março de 2016, ainda voltaria ao palco três vezes. Em agosto daquele mesmo ano, estrelou, ao lado de Nicette Bruno, “O Que Terá Acontecido a Baby Jane” —a primeira direção de uma peça não musical assinada por Charles Möeller e Claudio Botelho. Eva Wilma encarnava a personagem-título, imortalizada no cinema por Bette Davis. Em 2018, participou de uma remontagem de “Quarta-Feira, Sem Falta, Lá em Casa”, de Mário Brasini, junto com Suely Franco e sob a direção de Alexandre Reinecke.
 

No mesmo ano, estreou o show “Casos e Canções”, em que revisitava sua longa carreira acompanhada ao violão pelo filho John Herbert Júnior e pelo pianista e cantor William Paiva. Em abril do ano passado, no começo da pandemia, apresentou este espetáculo numa live, transmitida online. Foi seu último trabalho.
 

Filha de um alemão católico e de uma argentina judia de ascendência russa, Eva Wilma Riefle Buckup Zarattini morreu na mesma cidade onde nasceu. Deixa os filhos Vivien e John Herbert Junior, de seu primeiro casamento, e os netos Miguel, Mateus, Gabriela, Francisco e Vitorio. Além, é claro, de um legado imenso –o de uma das mais belas e talentosas atrizes brasileiras de todos os tempos.

Bahia Notícias

Técnicos da equipe econômica dizem que “ministros militares são os mais gananciosos”


Charge reproduzida da Boca Maldita

Vicente Nunes
Correio Braziliense

A insatisfação é grande no Ministério da Economia, sobretudo, na Secretaria de Gestão e Desenvolvimento Pessoal, de onde saiu a portaria 4.975, de 29 de abril, que burlou a Constituição e criou o teto duplex para os salários pagos pelo setor público. Técnicos da pasta dizem que a regra só foi mudada porque “os ministros militares são os mais gananciosos”.

No entender dos técnicos, não fosse a pressão dos ministros militares, o Palácio do Planalto não teria obrigado o ministro Paulo Guedes a passar por cima de suas convicções e desrespeitar o que diz a Constituição, que limita o teto salarial do setor público aos rendimentos recebidos pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, de R$ 39.293,32.

Os técnicos do Ministério da Economia lembram que, no caso do ministro da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, o contracheque terá aumento de 69% (R$ 27 mil), para R$ 66,4 mil. O ministro da Defesa, Walter Braga Netto, embolsará R$ 62 mil, ou R$ 22,8 mil a mais (alta de 58%). Ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno engordará a conta bancária em R$ 23,8 mil (mais 60%), com salário de R$ 63 mil.

BOLSONARO E MOURÃO – A farra dos salários beneficia, também, o presidente Jair Bolsonaro e o vice-presidente, Hamilton Mourão. No caso de Bolsonaro, o aumento no contracheque será de R$ 2.300, para R$ 41,6 mil. Mourão passará a ganhar 62% mais, ou seja, R$ 63,5 mil.

Segundo os técnicos do Ministério da Economia, os ministros militares não se conformavam em ter que abrir mão da maior parte dos rendimentos como generais, que, somados aos ganhos dos cargos no governo, entravam no abate teto. Agora, pela nova regra, o limite constitucional vale para cada contracheque. O que não exceder a R$ 39.239,32 pode ser somado e ir para a conta dos beneficiados.

No total, Bolsonaro recebe R$ 70 mil por mês

Os técnicos acrescentam, ainda, que o governo está alegando que a farra salarial está suportada por decisões do Supremo. Não é bem assim. Houve, de acordo com os servidores, uma adaptação conveniente de posicionamentos do Supremo, com aval da Advocacia-Geral da União (AGU).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Não é verdade que Bolsonaro esteja recebendo apenas R$ 41 mil dos cofres públicos. Esse total se refere apenas ao Exército e à Presidência. É preciso lembrar que ele ganha também quase R$ 30 mil como aposentado da Câmara(C.N.)

Decisão do STF protege Pazuello de si mesmo mas expõe Bolsonaro e o governo


Charge do Miguel Paiva (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

A decisão do ministro Ricardo Lewandowski acolhendo parcialmente recurso da Advocacia Geral da União sem dúvida protege Eduardo Pazuello na medida em que ele não produza provas contra si próprio, mas expõe o presidente Jair Bolsonaro e o governo, uma vez que o ex-ministro da Saúde tornou-se obrigado a responder as perguntas relativas ao combate à pandemia e a Covid-19 que se relacionam tanto com as ações quanto com as omissões do governo federal.

A decisão de Lewandowski, embora monocrática, transformou-se em efetiva já que não há tempo para que seja ela revista, pois o depoimento do general Pazuello está marcado para quarta-feira.  A decisão equilibrou o tema e tornou possível, essa é a verdade, a obrigação do dependente comparecer à Comissão Parlamentar de Inquérito, na condição de testemunha, não podendo se recusar a esclarecer pontos que lhe forem apresentados. A situação de Pazuello não se altera em consequência do seu parcial silêncio.

OMISSÃO – Porém o panorama geral do governo, se os senadores conduzirem bem o episódio, mostrará os equívocos e as omissões do Planalto na aquisição de vacinas, no obstáculo criado para a chinesa Coronavac e também para a Pfizer. A Pfizer ainda foi recuperada pelo governo, mas a chinesa está sendo retardada porque a China ainda não remeteu os insumos indispensáveis ao Butantan, encarregado de produzir o medicamento no país.

Na Folha de São Paulo a reportagem é de Marcelo Rocha, Matheus Teixeira e Daniel Carvalho. No O Globo, de Marina Muniz, Jussara Soares, Paulo Cappelli e Julia Lindner. Tanto a Folha quanto O Globo deram grande destaque ao desfecho e apresentaram relatos bastante extensos sobre a decisão de Lewandowski e também a respeito do próprio processo de vacinação.

DATAFOLHA – Também na Folha de São Paulo, matéria de Fábio Zanini publicada ontem, uma pesquisa do Datafolha sobre como a população encara a CPI e os seus efeitos a partir da progressão da pandemia. Por exemplo, 82% apoiam as investigações, porém somente 35% acreditam que a Comissão de Inquérito levará a investigação até o final.

Relativamente à informação sobre como o episódio está sendo absorvido pela população, 52% tem conhecimento do que se trata. Mas, 48% não têm tal conhecimento. Diante da pergunta se a pessoa está mais ou menos informada, apenas 14% responderam que estão bem informadas.

Diante da pergunta se o governo federal demorou para adquirir as vacinas,  75% disseram que sim. E 73% sustentaram que o Planalto transformou a pandemia em um problema político e agiu como se não fosse grave.

AUDIÊNCIA – Esses resultados dão base a que os trabalhos da CPI ganhem audiência, uma vez que a sessão será transmitida pela GloboNews. O panorama é este e revela que apesar de não se considerar bem informada, a maioria da população culpa o governo pelo atraso da vacinação.

Como em todas as pesquisas, as respostas podem não ter uma lógica sólida, mas os efeitos inevitavelmente se deslocam para o panorama eleitoral. Bolsonaro diz que só perde para Lula se houver fraude.

VOTO IMPRESSO – Reportagem de João Pedro Pitombo, Folha de São Paulo deste sábado, coloca em destaque a afirmação do presidente da República voltando a defender o voto impresso e dizendo que só pode perder para Lula nas urnas em 2022 se houver fraude. Fraude, portanto, na opinião de Bolsonaro é realizada nas urnas eletrônicas, pois o sistema, como revelou o ministro Luiz Roberto Barros, presidente do TSE, não será alterado no próximo pleito.

Barroso assinalou que, implantadas em 1996 as urnas eletrônicas, até hoje não houve qualquer denúncia de irregularidades por menor que fossem. Voltando às afirmações, Bolsonaro disse que um bandido foi posto em liberdade, referindo-se a Lula, tornando-se elegível, no meu entender, frisou, para ser presidente através de fraude. Bolsonaro acrescentou: “ele só ganha nessa fraude no ano que vem”.

Ele fez essas declarações em Mato Grosso do Sul onde participou de eventos marcados pela entrega de títulos de propriedade de terras a agricultores. A opinião de Bolsonaro foi exposta, portanto, dois dias depois da divulgação da pesquisa do Datafolha. Por essa, como escrevi a respeito, Lula alcança 41% das intenções de votos contra 23% de Bolsonaro. São números do primeiro turno e que também reúne uma série de candidatos. 

PIB – Na edição de sexta-feira, do Estado de São Paulo, reportagem de Fabrício de Castro, o Banco Central divulgou estudo como prévia do cálculo efetivo do PIB no primeiro trimestre, que apresenta uma queda  de 1,5%. Porém considera que o Produto Interno Bruto de janeiro a março deve apontar um crescimento, quando os cálculos forem concluídos, de 2,27%. Seria assim, 2,27% sobre um produto cujo montante é de R$ 6,6 trilhões.

Não sei porque quando se fala em números estatísticos, não se toca nos números absolutos sobre os quais incidem. Isso é fundamental. Aliás, o ministro Roberto Campo sempre assinalava que a percentagem tem que vir acompanhada do número absoluto sobre o qual ela incide. A meu ver o cálculo do Banco Central precisa ser esclarecido melhor porque se o desemprego não recuou, se a produção industrial não avançou e o comercial varejista não se expandiu, qual a razão do crescimento do Produto Interno Bruto?


sábado, maio 15, 2021

Saúde admite ao Ministério Público risco de desperdiçar 2,3 milhões de testes de Covid

Publicado em 15 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Miguel Paiva (Arquivo Google)

Deu no Jornal Hoje

O Ministério da Saúde admitiu ao Ministério Público Federal o risco de perda de 2,3 milhões testes de Covid. Os testes estão estocados num almoxarifado e vencem neste mês. O documento foi encaminhado à CPI da Covid. Na terça-feira (11), a Procuradoria-geral da República encaminhou à CPI documentos de um inquérito sigiloso sobre a atuação da União na aquisição e distribuição de testes.

A investigação é feita pela Procuradoria da República no Distrito Federal. A informação foi divulgada pelo jornal “Folha de S.Paulo”. A TV Globo também teve acesso ao documento.

VALIDADE VENCIDA – Em um dos documentos, o Ministério da Saúde informou ao Ministério Público sobre o risco do vencimento dos testes.

“Portanto, analisando o cenário atual, o Ministério da Saúde possui no almoxarifado central aproximadamente 4,3 milhões de testes moleculares com vencimento para maio de 2021, e que considerando uma rede laboratorial com capacidade instalada de processamento de aproximadamente 1,5 milhões exames/mês e uma estimativa de perda por validade de pelo menos 2,3 milhões de testes moleculares”, afirmou o ministério.

Nesta sexta-feira (14), o ministério reconheceu que jádeixou 1,7 milhão de testes perderem a validade. Cada teste custou ao cofres públicos R$ 42.

SERÃO REPOSTOS? – O ministério afirmou, sem dar mais detalhes, que os testes vencidos vão ser substituídos pelo fornecedor, sem nenhum custo.

O documento chegou à CPI a partir de um requerimento do senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos governistas que integram o colegiado.

Ele pediu que “cada uma das 27 procuradorias gerais de Justiça (dos estados e do Distrito federal)” e o Ministério Público Federal enviassem um arquivo “de todos os inquéritos ou investigações em qualquer fase, relativos à aplicação de todos os recursos federais destinados aos estados, DF e municípios de até 200 mil habitantes para o combate à Covid”.

TESTES ENCALHADOS – Em novembro do ano passado, o número de testes encalhados era ainda maior: quase 7 milhões, com validade entre dezembro e janeiro deste ano. A pedido do ministério, a Anvisa aprovou a extensão do prazo de vencimento por quatro meses, terminando entre maio e junho.

A testagem em massa foi é defendida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como medida necessária para conter a disseminação da doença desde o início da pandemia, no ano passado.

Apesar de sucessivas promessas de ministros da Saúde, o Brasil é um dos países que ainda têm uma testagem considerada baixa.

PARALISAÇÃO NA ENTREGA – No mesmo documento enviado à CPI, o Ministério da Saúde encaminhou um comunicado, que enviou em junho do ano passado, à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), pedindo a paralisação provisória da entrega de 4 milhões de testes.

No documento, a pasta reclama que a Opas “quer obrigar o ministério a receber uma quantidade remanescente dos referidos kits, que ainda não foram entregues, totalizando 40 mil kits, ou num total de 4 milhões de testes, sem que o ministério tenha aceito o cronograma de entrega”.

O ministério, então, pediu para suspender o fornecimento. “A solicitação da suspensão do fornecimentos dos insumos se jusTIfica pela pouca saída dos kits, superlotação do almoxarifado do MS em Guarulhos, vencimento dos kits que já estão no almoxarifado (40 mil kits, ou seja 4 milhões de testes), os quais tem vencimento previsto para dezembro de 2020 e a falta do testes de extração RNA”, afirmou a pasta.

PODIAM GERAR CUSTOS – Segundo o ministério, se não houvesse a paralisação haveria “problemas de médio a longo prazo que podem gerar custos ao Ministério da Saúde”.

O ministério disse ainda que, se não houvesse a paralisação, teria que descartar os kits por incineração.

Questionado, o Ministério da Saúde não respondeu se queimou os testes no ano passado, diante da falta de espaço no galpão em Guarulhos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Realmente, é inacreditável. Numa pandemia, o Ministério da Saúde deixou milhões de testes sem uso, chegou a pedir a extensão da validade e depois simplesmente deixou que se tornassem inservíveis. É um crime de lesa-pátria, sem a menor dúvida, mas estamos no país da impunidade. E nenhuma CPI vai dar jeito nisso. (C.N.)

Além da rejeição, cresce também o número de eleitores que apoiam impeachment de Bolsonaro

Publicado em 15 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Duke (domtotal.com)

Deu no Correio Braziliense
Agência Estado

Pesquisa do Instituto Datafolha publicada neste sábado, 15, mostra que 49% dos brasileiros apoiam o impeachment do presidente Jair Bolsonaro, enquanto 46% se dizem contrários.

O levantamento indica também um crescimento da rejeição ao presidente. Isso porque na última pesquisa, realizada em março deste ano, 50% afirmavam se opor ao impeachment, enquanto 46% se declararam a favor. Houve, portanto, uma inversão de posições.

EMPATE TÉCNICO – Na série de sondagens do Datafolha sobre o tema, o impeachment chegou a ser rejeitado por 53% dos entrevistados em janeiro, ante 42% apoiando a cassação.

A pesquisa desta semana também foi a primeira em que o grupo favorável ao afastamento apareceu numericamente à frente do grupo contra essa medida, de acordo com o Datafolha.

Apesar da vantagem numérica, a situação é de empate técnico entre as duas posições, pois a oscilação está dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. O Datafolha entrevistou presencialmente 2.071 pessoas em todo o Brasil nos dias 11 e 12 de maio.

POR FAIXA ETÁRIA – O detalhamento da pesquisa revela ainda que o apoio ao afastamento de Bolsonaro é maior entre jovens de 16 a 24 anos (57%), moradores do Nordeste (também 57%), desempregados que procuram emprego (62%) e pessoas que dizem ter muito medo do coronavírus (60%).

Já entre eleitores do ex-presidente Lula, o apoio ao impeachment de Bolsonaro atinge o pico de 74%.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A coisa está feia, cada vez mais feia. Porém, em Brasília ainda há quem atenda à convocação de Bolsonaro para fazer manifestação contra o Congresso e ao Supremo, conforme aconteceu esta tarde, para comemorar o Dia do Gaúcho no Eixão do Lazer, em Brasília(C.N.)

Sem máscara, Bolsonaro vai a churrasco dos gaúchos em Brasília e provoca aglomeração


Bolsonaro come churraBolsonaro come churrasco em dia homenagem gauchosco em dia homenagem gauchos

Bolsonaro comeu churrasco com gaúchos no Eixão

Deu no Metrópoles

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) visitou o Piquete do Eixão, evento organizado regularmente pela comunidade gaúcha no Eixão do Lazer, aos domingos. Especificamente neste domingo (20/9), os participantes comemoravam o Dia do Gaúcho, na altura da 210 Norte. Mais cedo, Bolsonaro publicou nas redes sociais homenagem à data.

Bolsonaro compareceu sem máscara. Grande parte dos presentes também estava sem o equipamento de proteção recomendado para evitar o avanço da pandemia do novo coronavírus.

DUAS MANIFESTAÇÕES – Além dessa reunião tradicional dos gaúchos aos domingos, reforçada por apoiadores de Bolsonaro, houve outra manifestação na Esplanada dos Ministérios. Com concentração às 9 horas em frente ao Museu Nacional, saiu a Marcha da Família Cristã pela Liberdade.

Os organizadores programaram atos também para outras 100 cidades em São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Ceará e Rio de Janeiro. A data do evento foi escolhida por coincidir com o Dia Internacional da Família.

Manifestantes pedem intervenção militar, o que é inconstitucional no Brasil — Foto: Reprodução/TV Globo

Em inglês, faixa pede intervenção com Bolsonaro

Entre as principais pautas estão a aprovação do voto impresso nas eleições de 2022; a defesa do direito constitucional à liberdade de culto e à inviolabilidade dos templos, por conta de medidas restritivas; o direito ao trabalho; a reivindicação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar eventuais desvio de verbas por governadores; e protesto contra o projeto que pretende legalizar a maconha.

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