terça-feira, abril 13, 2021

Operação Faroeste: Em áudio, Geciane Maturino teria confessado lavagem de dinheiro

 Terça, 13 de Abril de 2021 - 00:00


por Cláudia Cardozo

Operação Faroeste: Em áudio, Geciane Maturino teria confessado lavagem de dinheiro
Foto: Arquivo Pessoal

Em um áudio obtido pelo Bahia Notícias, a esposa do “quase-cônsul”, Geciane Maturino, teria confessado que lavou dinheiro proveniente do esquema de compra e venda de sentenças envolvendo uma disputa de terras no oeste baiano. Segundo a subprocuradora da República, Lindôra Araújo, Geciane e Adailton Maturino, investigados na Operação Faroeste, podem estar “enganando” os próprios advogados sobre a acusação de lavagem de dinheiro.

 

O alerta foi feito pela subprocuradora ao ministro Og Fernandes, relator do caso no Superior Tribunal de Justiça (STJ), no pedido de manutenção da prisão dos investigados. Lindôra frisa que os patronos do casal “vêm sustentando, com fervor, a inocorrência do crime de lavagem de dinheiro”, diante da origem ilícita dos valores provenientes de acordo firmado em uma ação de reintegração de posse de terras do oeste baiano. 

 

Segundo o MPF, no áudio gravado no dia 21 de maio de 2019, por volta das 12h, o contador Edson Cella avisa a Geciane Maturino que já conversou com Adailton sobre os procedimentos para lavar o dinheiro e aponta o envolvimento do filho do borracheiro José Valter Dias, Joílson Dias. “Viraram e mexeram e disse que não vai fazer dessa forma, só através dessa situação do Joílson. Eu tentei contra-argumentar pra ele não envolver Joílson nessa situação porque vocês não tinham a terra em 2013, o Tribunal de Justiça da Bahia só liberou isso ou expediu o acórdão em 2016. Então, como é que poderia vender algo que não tinha ainda? Mas ele disse que não aceita de outra maneira. Essas autorizações, inclusive, era pra ter enviado pra mim antes de enviar pra ti, senão vira um balaio de gato. Paciência, enfim, agora, pra justificar esses R$ 250 mil mais R$ 250 mil, vai ter que envolver Joílson também. Não sei, vou pensar a partir de 14 horas como fazer esse procedimento.” 

 

Geciane lhe respondeu: “Pois é, e fica uma coisa meia assim né? Como é que eu tô vendendo uma coisa que eu ainda não tinha? Então tá, aparenta que eu já sabia que ia ganhar. É, então, é, eu vou mandar até seu áudio aqui pra pra Joílson, pra esperar, né? Esperar você conversar com ele, viu? Você conversar com ele pra ele não assinar nada assim, porque tá meio que estranho mesmo”. Fontes consultadas pelo Bahia Notícias sinalizam que o áudio pode ser considerado uma confissão da lavagem de dinheiro por parte do casal Maturino. Ouça o áudio:

A Polícia Federal extraiu diálogos entre Geciane Maturino e contadores no aparelho celular apreendido no dia da deflagração da 1º Fase da Operação Faroeste, realizada no dia 19 de novembro de 2019. As conversas sinalizam um esquema de fraudes em contratos de empréstimos para dar aparente legalidade à movimentação de R$ 14 milhões. A subprocuradora destaca a preocupação dos contadores com os valores envolvidos, pois foram movimentados antes mesmo de qualquer decisão judicial favorecendo o casal Maturino. A fraude visaria fugir da fiscalização da Receita Federal.

 

O casal, segundo a investigação, utilizou diversos subterfúgios a fim de se dar legalidade às origens de recursos nas contas de Geciane Maturino, dando embasamento inverídico a questionamentos da Receita Federal. Geciane havia sido intimada pelo Fisco para explicar a movimentação financeira atípica. O problema teria surgido a partir de um débito do Simples Nacional de 2016 e alguns meses de 2017, no valor de R$ 35 mil. O contador Edson Cella diz que para “dar cobertura à origem desses valores”, considerou a movimentação como honorários advocatícios, e conta que, como a empresa está no Simples, “o custo é muito barato para esquentar esse dinheiro e a gente não ter problema com o Fisco Federal aí na frente”.

 

Em outra mensagem, de 20 de novembro de 2018, o contador pediu a Geciane para enviar todas as contas pessoa física para identificar as transferências da holding JJF e para a pessoa jurídica dela para “dar lastro” como empréstimos ou como honorários advocatícios. Edson diz que iria elaborar um contrato mútuo com data retroativa para apresentar para a Receita Federal. “O que não pode é o salão ter emprestado dinheiro sem ele ter faturamento, mas provavelmente você tá usando um contador aí pra declarar um faturamento do salão né”, alerta o contador. Geciane era sócia de um salão de beleza em Villas do Atlântico.

 

No dia 8 de fevereiro de 2019, Edson alertou Geciane que a Receita Federal estava em cima, “observando” as movimentações bancárias do casal. “Não adianta sair dinheiro de um lado e cair na outra conta e não ter uma origem, então a gente tem que tomar esses cuidados, entendeu Geciane?”. No dia 18 de fevereiro de 2019, ela conversa com o contador e diz que não precisa reconhecer firma dos contratos de mútuo, por conta da data ser retroativa, para o Fisco não desconfiar que ela fez o contrato naquele momento. Já no dia 20 do mesmo mês, Edson afirma que entrou na conta corrente de Geciane um depósito de R$ 500 mil e que o valor não foi declarado.

 

“O Fisco provavelmente vai pegar, vai te cobrar imposto em cima disso, omissão de rendimentos caso Edgar [outro contador] não tenha declarado lá que emprestou dinheiro pra você”, afirma o contador. Edson Cella também diz que tem outro valor de R$ 250 mil do grupo Franciosi e que não consta na declaração dela. “Provavelmente o fisco vai autuar em cima disso, então, nem tudo vai ser perfeito, eles vão achar divergências e diferenças em 2015 e 2016 e vão te autuar, infelizmente”, informou o contador. A sugestão dele era declarar o valor como empréstimo para tentar livrar Geciane da fiscalização dos R$ 500 mil.

 

Outra conversa obtida pela Polícia Federal nos dois aparelhos celulares de Geciane sinalizam que o contador fez 41 contratos fraudulentos para ludibriar o Fisco. No dia 9 de março de 2019, Edson encaminhou uma mensagem para um contato não identificado, falando que sabia que, mais cedo ou mais tarde, a Receita ia intimar o escritório de advocacia de Geciane, detalhando os repasses:  “Os repasses são os seguintes, olha só: o dinheiro sai da JJF e vai para o escritório de advocacia dela. Uma parte eu contabilizei como faturamento Simples Nacional e uma parte como empréstimos da JJF. Bom, aí tu pega os extratos bancários da empresa Geciane 2017 e tem saídas, muitas saídas, pá, pá, pá, pá, saídas, muitas saídas, mais ou menos uns R$ 14 milhões, se não me falha a memória, sim, eu coloquei como empréstimos pra ela na declaração de Imposto de Renda”. Ele continua: “Eu tenho receio do Fisco circularizar quem ela repassou os valores, e o Fisco, ao fazer isso, se eu disser que eu emprestei pra ela e verificar que não foi empréstimo pra ela, foi um repasse de dinheiro para terceiros a qualquer título, poderá entender que esse documento de empréstimo pra ela, é... pode ser uma fraude, uma fraude documental”, avalia. 

 

Na mesma conversa, Edson Cella afirma que em 2015 e 2016, a holding JJF ainda não existia e não se tinha o acórdão do TJ-BA que concedia a posse das terras para os Maturinos. “Antes disso, Adailton, é o que eu entendi do histórico tá, foi tomando dinheiro emprestado com Di Domenico, tomando dinheiro emprestado com beltrano, com cicrano, pra poder alavancar os negócios, pra poder sustentar, não adianta imaginar que vocês vão chegar na frente do Fisco, porque não é esse o papel do Fisco, e ele vai perguntar, ah, porque que você tomou esse dinheiro emprestado, ah, tomei esse dinheiro emprestado pra fazer isso, isso e isso, não é assim que funciona, isso tem que estar declarado no Imposto de Renda de quem tomou o dinheiro emprestado e de quem emprestou, ou na contabilidade da empresa. Enfim, isso aí não foi declarado, ora, o que nós não podemos nesse momento é deixar, ou permitir, ou concordar, permitir tem que permitir que o Fisco autue, considerando esses valores como rendimentos da tua atividade enquanto advogada, porque se ele fizer dessa forma, Geciane, vai virar 27,5 % de imposto, mais 75% de multa de ofício, entendeu? Então, vai ficar muito pesado, é isso que estamos tentando agora administrar, tá bem”, alertou o contador à ré da Faroeste.

 

Em outros trechos de conversa, Edson afirmou a Geciane que apresentou contratos de mútuo de R$ 3,8 milhões, e que o saldo na declaração do Imposto de Renda é de R$ 3, 2 milhões, com uma diferença de R$ 541 mil, como devoluções que fez para JJF. “Eu só tô apresentando para o auditor o que ele tá pedindo, que são os contratos de Mútuo, então, deixa dessa forma, não vamos mexer em nada, do jeito que eu te mandei, nós vamos apresentar”, informou.

 

A PF concluiu que Geciane sabia e participava de todas as fraudes e que Adailton tinha conhecimento de detalhes das movimentações financeiras da esposa. O esquema também contava com a participação dos filhos do casal, Adrielle Brendha Macedo Maturino e Adriel Brendown Torres Maturino. No dia 14 de maio, Edson Cella diz para Geciane que iria conseguir comprovar para o Fisco a origem de R$ 2,7 milhões como empréstimo, e que isso mataria “todas as operações”. “Os demais valores 2015 foram transações que você transferiu de uma conta sua do Itaú para o Banco do Brasil e vice-versa por exemplo, e o resto é miudeza, deixa que ele autue, é miudeza mesmo, entendeu Geciane”, orientou. No dia 28 do mesmo mês, o contador fala para Geciane que eles precisam fazer tudo com “um certo grau de dificuldade, e, sem qualidade nesses papéis, pra não caracterizar ao Fisco de que a gente tá fraudando, que tá construindo, fabricando documentos agora”. Ele conta que mandou coletar a assinatura de Joílson Dias e que fez os documentos com fontes diferentes, espaçamentos diferentes, “justamente pra não achar que foi fabricado tudo agora, porque se você tivesse todos esses documentos, você já teria apresentado, porque que estamos protelando tanto, não faz sentido, estamos protelando porque tivemos que bater aos remetentes, por isso, esse tipo de manifestação o Renato tem que ter olho no olho com o auditor.” 

 

No dia 28 de maio de 2019, Geciane responde que ouviu os áudios de Edson, e que os documentos estão ilegíveis, mas que, qualquer coisa, pediria para Adailton pedir para alguém pegar os contratos e escanear para ela assinar. Entretanto, ela diz que, “mesmo que eu tente fazer o mínimo de esforço no braço, na mão né, pra pra assinar, vai aparentar que eu assinei uma coisa, tipo que, sei lá, não sei, mas é montado”. Ela também diz que queria testemunhas para assinar os contratos. No dia 10 de junho de 2019, Edson diz que já elaborou o contrato de mútuo: “bem simples, mudei a estrutura, pra não dar conotação que todos foram fabricados agora”.

 

Em junho, em outra conversa, Geciane afirma que estava com a filha, ajustando os extratos da GM Advocacia e que ele mandou uma tabela com valores de R$ 6 milhões e que elas só conseguiram visualizar R$ 6 mil. “Eu não tô conseguindo achar R$ 6 milhões”. Segundo Edson, esses saíram da conta de Walter Horita, da operação da Fazenda Estrondo, e que estava tratando com Adailton como registraria essa operação. “Esses valores aí tu não precisa te preocupar em fazer nada tá, pode deixar que eu tô tratando com o Adailton, o contador deles aí, pra ver como é que nós vamos registrar isso retroativamente, os valores da JJF também, tu não precisa se preocupar porque vamos ter que dar uma conotação de empréstimos”, tranquiliza o contador. Ele fala que o importante é verificar os outros valores que ele não sabe de onde são. E diz que Adailton, a todo mundo, diz que são dos negócios. “Mas eu não conheço, eu não consigo identificar quem são. Eu olho no extrato aí e não sei, e se realmente se referem a operações daqui ou não. Enfim, e, e uma parte disso a gente vai ter que registrar como rendimentos do escritório, tal qual a gente fez em 2017, porque, alguma coisa de imposto tem que pagar, né? Geciane, não pode passar R$ 27 milhões na conta da tua empresa e nada ser de rendimento do, da atividade do escritório, tá bem?”, avisa.

 

No dia em que foi presa, em Brasília, Geciane afirmou que usufrui de valores em sua conta corrente repassados pela empresa JJF Holding na forma de empréstimos. A PF concluiu que a informação vai de encontro aos procedimentos apresentados, tanto dos contadores, quanto de Geciane e de terceiros envolvidos. No dia 13 de novembro de 2019, cinco dias antes da deflagração da Operação Faroeste, Adailton havia encaminhado uma mensagem para Geciane negociando a compra de diamantes (veja aqui).

 

A PF também encontrou mensagens de Geciane com a filha Brendha criticando a conselheira Maria Tereza Uille Gomes, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por ter bloqueado as matrículas das terras do oeste baiano. “Minha amiga, vai sair uma decisão, aquela mulher, aquele demônio, que tá lá em Washington, a Maria Teresa é, bloqueando tudo nosso, aquele demônio, está lá em Washington atentando aqui no Brasil, você acredita? Seu pai tá no desespero só”, escreveu. “Bloque, eu não sei Brendha como é que vem né, mas tipo, o que ela já fez né, que tipo mandou tudo pra Polícia Federal, não sei o quê, um monte de coisa, e agora a desembargadora do TJ-BA, é, a desembargadora Ilona deu uma decisão pra cumprir né? A decisão dela liminar, que ela tinha dado pra voltar tudo de novo 1037, agora ela vai dar uma decisão contrária a decisão da doutora, da desembargadora daí entendeu? Ou seja, ela não poderia entrar no âmbito jurisdicional, porque o CNJ é administrativo, entendeu? Ela já tá entrando na seara jurisdicional, tá, tá extrapolando, essa mulher tá com o demônio no corpo, entendeu?” A filha responde que a conselheira é “o cão em forma de gente”.

 

Adailton e Geciane Maturino estão presos desde o dia 19 de novembro de 2019. Nesta semana, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concluiu o julgamento de diversos recursos e manteve a prisão dos réus denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) por corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Bahia Notícias

Governo do estado volta a permitir eventos com até 50 pessoas na Bahia

por Bruno Luiz

Governo do estado volta a permitir eventos com até 50 pessoas na Bahia
Decreto assinado por Rui foi publicado nesta 3ª | Foto: Fernando Vivas | GOVBA

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), voltou a permitir a realização de eventos com até 50 pessoas na Bahia. Desde 4 de dezembro do ano passado, essas atividades estavam proibidas, independentemente do número de pessoas, para evitar aglomerações e, assim, conter a contaminação pelo novo coronavírus.

 

A nova regra está em decreto publicado na edição desta terça-feira (13) do Diário Oficial do Estado. Ao fixar o limite máximo de 50 pessoas, a norma diz que ficam vedados "os eventos e atividades com a presença de público superior a 50 (cinquenta) pessoas, ainda que previamente autorizados, que envolvam aglomeração de pessoas, tais como: eventos desportivos, religiosos, cerimônias de casamento, feiras, circos, eventos científicos, solenidades de formatura, passeatas e afins, bem como aulas em academias de dança e ginástica."

 

A medida vem na esteira de uma série de flexibilizações que o governo estadual e prefeituras vêm fazendo nas medidas restritivas de combate à Covid-19. Em Salvador e Região Metropolitana, por exemplo, atividades econômicas não essenciais como comércio de rua, shoppings e centros comerciais e bares e restaurantes estão com funcionamento liberado deste o último dia 5, com anuência do estado.

 

As liberações, no entanto, acontecem em um momento de quantidade de casos e óbitos ainda alta na Bahia. Nesta manhã, a ocupação de leitos de UTI adulto está em 84% no estado - o governo argumenta ter aberto uma quantidade maior de UTIs do que o existente na primeira onda, o que dá maior segurança para flexibilizações.

 

Entre domingo (11) e segunda (12), a Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) registrou 1.581 novas contaminações pelo novo coronavírus e 95 novos óbitos. O número de internados com casos graves da Covid-19 voltou a crescer na Bahia e atingiu um novo recorde: são 1.316 pacientes com a doença ocupando leitos de terapia intensiva no estado, o maior número de toda a pandemia.

Bahia Notícias

Promotoria pede ação conjunta de prefeituras do Nordeste baiano para frear Covid-19

 

por Cláudia Cardozo / Francis Juliano

Promotoria pede ação conjunta de prefeituras do Nordeste baiano para frear Covid-19
Foto: Divulgação / Prefeitura de Jeremoabo

As prefeituras de Jeremoabo, Sítio do Quinto, Pedro Alexandre e Coronel João Sá, na região Nordeste baiana, receberam uma recomendação do Ministério Público do Estado (MP-BA) para que as gestões façam cumprir os decretos de restrição em vigor na Bahia, como o toque de recolher, previsto até a próxima segunda-feira (19), das 20h às 5h. Em pedido desta segunda-feira (12), a 1ª Promotoria de Jeremoabo cobrou ações para frear a contaminação pelo novo coronavírus.

 

A Promotoria tomou como base no pedido o coeficiente de incidência na região, que estava maior do que 1 no começo deste mês, “o coeficiente de incidência por 100 mil habitantes maior que 1 significa que a curva de infecção é crescente com aumento absoluto e relativo do número de infectados, o que se traduz na necessidade de medidas urgentes de contenção da infecção comunitária”, diz trecho da solicitação.

 

O recado também foi endereçado à Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) das cidades, aos gerentes das agências bancárias, às emissoras de rádios da região e aos moradores dos municípios citados. A Promotoria pediu a colaboração de todos. 

Bahia Notícias


Nota da redação deste Blog - 

 



Foto concernente aglomeração do dia 12.04.21

Já Que  Perguntar Não Ofende, faço a seguinte pergunta: Qual o sentido prático  em 
"cumprir os decretos de restrição em vigor na Bahia, como o toque de recolher, previsto até a próxima segunda-feira (19), das 20h às 5h. Em pedido desta segunda-feira (12) a 1ª Promotoria de Jeremoabo cobrou ações para frear a contaminação pelo novo coronavírus." se durante o dia o município através da administração municipal provoca aglomeração pondo em risco a vida dos velhinhos e da população de Jeremoabo em geral?

Governo estuda PEC para tirar despesas do teto, liberando espaço para emendas


por Bernardo Caram e Fábio Pupo | Folhapress

Governo estuda PEC para tirar despesas do teto, liberando espaço para emendas
Foto: Marcos Corrêa/PR

O governo estuda com aliados uma manobra orçamentária para retirar certas despesas do teto de gastos em 2021 sem decretar o estado de calamidade pública (que libera de forma irrestrita gastos ligados à pandemia). A medida ajudaria a resolver o imbróglio no Orçamento deste ano ao abrir espaço para emendas parlamentares.

A ideia é editar uma nova PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para liberar gastos emergenciais específicos e, assim, resolver dois problemas do governo. Por um lado, seriam liberadas despesas para a pandemia; por outro, haveria possibilidade de autorizar mais verbas para deputados e senadores que queiram destinar recursos para obras e outras medidas em seus redutos eleitorais.

O plano em discussão prevê deixar fora da contabilidade do teto de gastos, da meta fiscal e da regra de ouro certos programas gestados pela Economia, como o Pronampe (programa de crédito para micro e pequenas empresas) e o BEm (Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego), além de iniciativas de outras pastas.

Também ficariam de fora dos limites despesas com saúde e outras medidas para mitigar as consequências da Covid-19, de acordo com a avaliação preliminar do governo e de aliados.

Os estudos são feitos menos de um mês após a promulgação da emenda constitucional Emergencial, que destravou o auxílio emergencial e que já tinha criado uma cláusula de calamidade pública —que, caso acionada, liberaria gatilhos para contenção de despesas.

Mesmo assim, o ministro Paulo Guedes (Economia) mostra resistência em acionar o estado de calamidade nos moldes aprovados pelo Congresso. Em sua visão, isso criaria um "cheque em branco" para novas despesas sem as devidas contrapartidas.

Isso porque a PEC sugerida por Guedes originalmente previa que o acionamento da cláusula de calamidade permitiria uma vedação de despesas (como o congelamento de salário de servidores e o impedimento de novos gastos obrigatórios) por até três anos.

Mas o Congresso modificou o trecho e restringiu esse ajuste somente para o exercício da calamidade. Neste ano, os salários de servidores já estão congelados e o governo já não tem feito outros tipos de gastos que seriam impedidos —como novos concursos públicos.

Por isso, acionar a calamidade apenas liberaria despesas de forma indiscriminada. "[Ao] apertar hoje o botão de calamidade, você seguraria os salários [de servidores], que já estão travados até dezembro. Seria apenas uma licença para gastar, um cheque em branco. Em vez de ser um sinal de estabilidade, seria o contrário", disse o ministro na última semana.

Diante da falta de recursos e da resistência de Bolsonaro em cortar verbas de outros programas, o governo já havia decidido financiar certas iniciativas por meio de créditos extraordinários —liberados em momentos de justificada urgência. Esse instrumento não conta no teto de gastos (regra que limita as despesas do governo à variação da inflação).

No entanto, os créditos extraordinários impactam a meta fiscal —diferença entre receitas e despesas previstas pelo governo para o ano, exceto o gasto com juros— e a regra de ouro, que impede o governo de se endividar para pagar despesas correntes, como salários, Previdência e benefícios assistenciais.

A PEC, portanto, abriria caminho para o governo implementar esses gastos sem nenhum tipo de trava. Mas autorizaria apenas despesas específicas, sem liberar novos gastos de maneira ampla e irrestrita como ocorreu em 2020.

Na sexta-feira (8), Guedes indicou que o governo poderá usar créditos extraordinários para financiar programas além do BEm e do Pronampe, mas não deixou claro o plano.

Em videoconferência, o ministro falou em usar esses recursos fora do teto para "preservar algumas áreas críticas importantes". Destacou ainda que a verba pode ser usada para os dois programas e "mais um pouquinho para efeitos colaterais".

Guedes também já tinha dado declarações recentes de que o país tem espaço fiscal para fazer mais gastos por meio da flexibilização das regras fiscais, mas desde que voltados à Covid-19 e com valores delimitados.

O BEm é uma complementação parcial de remuneração paga pelo governo a trabalhadores com salário e jornada cortados ou contrato suspenso. O Pronampe, por sua vez, é um programa de crédito emergencial de baixo custo, com garantia do governo, voltado a pequenas empresas.

O novo plano em avaliação seria uma forma de resolver o impasse que se formou em torno do Orçamento deste ano.

Ao aprovarem as contas de 2021, os parlamentares subestimaram gastos obrigatórios, como benefícios previdenciários, e turbinaram as emendas parlamentares.

Um acordo entre governo e parlamentares previa uma liberação adicional de R$ 16 bilhões em emendas neste ano. No entanto, o Orçamento foi aprovado com a previsão de R$ 29 bilhões para essa rubrica, patamar considerado insustentável pela equipe econômica.

O movimento criou uma disputa. O Ministério da Economia tenta recompor os gastos obrigatórios e, para isso, afirma que é necessário cortar emendas. Os parlamentares resistem a abrir mão dessa verba. O prazo para sanção do projeto vai até 22 de abril.

*

TETO DE GASTOS

Limita por 20 anos o crescimento dos gastos do governo federal à variação da inflação.



META FISCAL

É o esforço que o governo promete fazer para evitar o crescimento da dívida pública. O valor estabelecido corresponde à diferença entre as receitas e despesas previstas pelo governo para o ano, exceto o gasto com juros.



REGRA DE OURO

Impede o governo de se endividar para pagar despesas correntes, como salários, Previdência e benefícios assistenciais


Bahia Notícias

Municípios da BA notificam frascos de vacina com menos doses; Butatan diz ser 'falso


por Jade Coelho

Municípios da BA notificam frascos de vacina com menos doses; Butatan diz ser 'falso'
Foto: Mateus Pereira/GOVBA

Pelo menos 30 municípios baianos já notificaram a Secretaria da Saúde (Sesab) sobre frascos da vacina contra a Covid-19 Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, com menos doses do que o previsto. A informação foi confirmada pelo secretário da Saúde Fábio Vilas-Boas nesta terça-feira (13) em entrevista ao Jornal da Manhã.

 

Cada frasco deve conter 10 doses do imunizante. O conteúdo, de acordo com o Butantan, é de 5,7 ml de vacina. A dose aplicada em uma pessoa deve ser de 0,5 ml, o que deveria levar a uma sobra de 0,7 ml, o equivalente a uma dose extra. Mas o secretário afirma que as prefeituras têm reclamado do contrário, de que os frascos têm chegado com doses a menos.

 

Vilas-Boas ressaltou que o problema vem sendo relatado também fora da Bahia e rebateu a justificativa do Butantan. O Instituto argumenta que o problema de perda de doses pode estar acontecendo no processo de aspiração do líquido dentro do frasco, e também no uso de seringas e agulhas não recomendadas.

 

“O Butantan diz que o erro é das pessoas que estão aspirando mais doses, se tivesse ocorrendo ao longo desses três meses de vacinação, já teria identificado”, analisou Fábio Vilas-Boas.

 

O Instituto Butantan, por sua vez, diz que “é falso informar que houve envase inferior a 10 doses na quantidade de cada frasco da vacina do Butantan contra a Covid-19”. “Aliás, os frascos reúnem 5,7 ml, que podem render até 11 doses (cada dose contém 0,5ml), autorizadas pela Anvisa. O Butantan faz a análise constante dos processos de produção e liberação dos lotes da vacina e reafirma seu compromisso com a qualidade, e com a quantidade, da vacina que mais tem salvado vidas no Brasil”, diz uma nota divulgada pelo órgão.

 

A entidade ainda destacou como “muito importante” a aspiração correta das vacinas contidas em cada frasco. “O Butantan já produziu informes técnicos para orientar os profissionais da saúde a usarem essas doses extras”, traz a nota.


Por fim o Butantan ainda afirmou que com o objetivo de deixar mais didática a informação, “vai atualizar a bula da Coronavac, adicionando um QR Code que vai direcionar para um vídeo demonstrativo e afim de explicar a forma correta de aspiração das doses.

 

 


Defensoria decreta luto de três dias por morte de defensor Valdemir Novais Pina


Defensoria decreta luto de três dias por morte de defensor Valdemir Novais Pina
Defensor morreu por Covid-19 | Foto: Divulgação

A Defensoria Pública da Bahia (DP-BA) decretou luto oficial de três dias pela morte do defensor público Valdemir Novais Pina (64 anos), vitimado pela covid-19 nesta segunda-feira (12). 

 

Natural de Vitória da Conquista, formado em Direito pela Universidade Católica do Salvador (Ucsal), Valdemir era defensor público de classe final, com 28 anos de serviço na Defensoria baiana. Faria 65 anos no próximo mês. Em quase todo o seu tempo de funcionalismo público dedicou-se a atender a população mais vulnerável em Vitória da Conquista. Antes disso, teve a missão nos anos 90 de levar os serviços da Defensoria para comunidades muito pobres em regiões como Ibicoara e Barra da Estiva.

 

“Toda a Defensoria Pública da Bahia e toda a Defensoria do Brasil hoje chora, porque nós perdemos para essa doença terrível um dos maiores defensores que já existiram. O que nos conforta é saber que ele parte para o outro plano com a consciência tranquila de ter ajudado muita gente, a população pobre baiana”, declarou o defensor-geral, Rafson Ximenes.

Bahia Notícias

Governo gastou R$ 125 milhões em remédio sem comprovação contra a Covid e pagou 33% a mais


Ministério da Saúde comprou 28 milhões de cápsulas contra a Covid

Vinicius Sassine
Folha

O Ministério da Saúde gastou R$ 125 milhões com o Tamiflu, um medicamento que combate os efeitos da gripe e não tem eficácia para a Covid-19. A pasta comprou 28 milhões de cápsulas e pagou até R$ 5,33 por dose, ante R$ 4 antes da pandemia, uma diferença de 33,2%.

A pasta decidiu apostar no medicamento, dentro da estratégia de combate à Covid-19, com o argumento de que a droga seria necessária para evitar superlotação de hospitais por síndromes respiratórias decorrentes do vírus da gripe e do H1N1.

TRATAMENTO PRECOCE – O ministério, então, incluiu o Tamiflu (fosfato de oseltamivir) na nota informativa com orientações para o chamado tratamento precoce. A droga está ao lado de cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina, todas elas sem eficácia para Covid-19.

O Tamiflu, segundo nota informativa do Ministério da Saúde de 30 de julho de 2020, deve ser recomendado para crianças com sintomas leves, moderados e graves, com o propósito de “exclusão de influenza”. Essa nota, que baliza a recomendação do chamado “kit Covid”, com a cloroquina à frente, substituiu outros dois protocolos do tipo. O primeiro é de maio, e não previa Tamiflu.

Outros protocolos do Ministério da Saúde recomendam o Tamiflu, dentro do contexto de combate à pandemia, para gestantes com gripe e para pacientes com síndromes respiratórias até que um teste aponte infecção pelo novo coronavírus.

INCERTEZAS – Médicos infectologistas ouvidos pela Folha afirmam que o Tamiflu fazia algum sentido, diante de casos de síndromes respiratórias graves e do tempo necessário até confirmação de diagnóstico de Covid-19, somente no começo da pandemia. As incertezas sobre o vírus causador de síndromes, se influenza ou o novo coronavírus, levavam a esse método, numa tentativa de se reduzir danos.

“Tiramos do protocolo em poucas semanas, no máximo até o comecinho de abril [de 2020]. Começamos a ver rapidamente que os pacientes eram acometidos de Covid-19, que havia diferença em relação a influenza”, afirma Alberto Chebabo, vice-presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia). “Em 2020, a circulação de influenza foi baixíssima, por fatores como isolamento, uso de máscaras e o novo coronavírus se tornando predominante”, afirma.

No Ministério da Saúde, a percepção foi outra. A pasta dobrou a aposta no Tamiflu, como mostram documentos obtidos pela Folha, parte deles por meio da Lei de Acesso à Informação. O financiamento majoritário se deu com recursos públicos emergenciais, destravados por meio de MPs (medidas provisórias) voltadas ao combate à pandemia. Também foram usados recursos originários do SUS.

PARCERIA –  Antes da pandemia, ainda em 2019, o ministério firmou uma parceria —chamada TED (termo de execução descentralizada)— com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) para a produção de 7,2 milhões de cápsulas de tamiflu de 75 mg. O custo unitário decidido ficou em R$ 4. O valor total, em R$ 28,8 milhões.

A maior parte do medicamento foi entregue entre março e setembro de 2020, já num contexto de pandemia. O próprio ministério citou a doença num dos documentos do TED, para justificar o fornecimento.

“A partir de 2020, no contexto da pandemia, houve forte demanda por esse medicamento, pelos entes federados. Assim, ao atuar no tratamento dos casos de síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave causada pela influenza, esse medicamento tem contribuído para evitar o aumento de doenças respiratórias e sobrecarga do sistema de saúde”, afirmou a pasta.

CONTRATO – Em maio, o Ministério da Saúde assinou um contrato com a Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos, para a compra de mais 5 milhões de cápsulas do medicamento. O valor individual foi de R$ 5,33, e o custo total de R$ 26,65 milhões.

“O cenário de abastecimento encontrava-se bastante crítico, dado o elevado aumento no consumo”, justificou o ministério. O dinheiro usado foi destravado por uma MP voltada ao combate à Covid-19. Em julho, a pasta abriu uma terceira frente para a compra de Tamiflu dentro do contexto da pandemia.

Em ofício à Fiocruz e à Farmanguinhos, a unidade da Fiocruz que produz medicamentos e vacinas, o secretário de Ciência e Insumos Estratégicos do ministério, Hélio Angotti Neto, encomendou 2,5 milhões de cápsulas de 30 mg, 2,35 milhões de 45 mg e 11 milhões de 75 mg.

VALOR TOTAL – Os preços individuais cobrados foram R$ 2,60, R$ 3,80 e R$ 5, respectivamente. O valor total foi de R$ 70,4 milhões, e também teve origem numa MP assinada pelo presidente Jair Bolsonaro. Um saldo remanescente deveria ser usado na fabricação de cloroquina, conforme o ofício de Angotti.

Em nota, o Ministério da Saúde limitou-se a dizer que o medicamento é indicado para tratamento de síndrome respiratória aguda grave e síndrome gripal causada pelo vírus influenza e que, diante de “risco de desabastecimento da rede”, a pasta fez “uma compra emergencial da Roche e solicitou importação de novos lotes de matéria-prima e antecipação na produção a Farmanguinhos”.

A Fiocruz confirmou à Folha que Farmanguinhos forneceu o quantitativo solicitado, nas três concentrações. “É importante ressaltar que o medicamento é indicado para tratamento de Influenza A (H1N1) em adultos e crianças com idade superior a 1 ano de idade”, disse, em nota.

OSCILAÇÃO – A Fiocruz também confirmou que houve mais de um pedido em 2020, o que levou a duas aquisições distintas do IFA (insumo farmacêutico ativo) usado na produção. A oscilação de preço decorreu da variação cambial na importação do insumo, segundo a instituição.

A produção do fosfato de oseltamivir não afeta outras fabricações em Farmanguinhos, conforme a Fiocruz. “Estudos publicados até o momento não foram capazes de gerar evidências científicas que comprovem eficácia de fármacos no tratamento da Covid-19”, disse a nota.

“No caso do oseltamivir, o medicamento é indicado para o tratamento de influenza e pode ser utilizado em pacientes com sintomas de síndrome respiratória aguda grave ou síndrome gripal em condições de risco para complicações até que se tenha o diagnóstico da doença, o que pode contribuir para redução de internações por influenza”, finaliza.

CONSUMO MÉDIO – Um documento do Ministério da Saúde mostra que um TED com a Fiocruz em 2014 garantiu 23,6 milhões de cápsulas, a um custo individual de R$ 4,35. Uma segunda parceria só foi firmada dois anos depois, em 2016, com mais 20 milhões de cápsulas a R$ 4 cada. O terceiro TED, então, foi assinado somente em 2019. Em outubro de 2019, o ministério considerava que o consumo médio mensal de tamiflu 45 mg era de 140 mil cápsulas. O almoxarifado da pasta tinha, naquele momento, 624 mil cápsulas do tipo.

Para o vice-presidente da SBI, a continuidade de gastos elevados com o Tamiflu faria sentido se fosse para repor estoques esvaziados nas primeiras semanas da pandemia. “Continuar gastando com um medicamento que não se justificava mais é um absurdo”, diz Chebabo.

A infectologista Eliana Bicudo, consultora da SBI, afirma que também foi abandonando o Tamiflu, diante da rapidez de tomografias e testes para detecção da Covid-19. “Os protocolos do Ministério da Saúde são muito ruins. Eu nem olho aquilo mais.” O Ministério da Saúde diz ter distribuído até agora na pandemia 22,3 milhões de cápsulas de Tamiflu, que custaram R$ 88,9 milhões.

Em plena pandemia, crescimento recorde do número de bilionários no Brasil e no mundo

Publicado em 13 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Lemann é um crítico contumaz da desigualdade social

Deu na BBC Brasil

Apesar do impacto devastador do coronavírus em todo o mundo, o número de novos bilionários “explodiu” no ano passado. A apuração é feita pela revista Forbes, que publicou sua famosa lista anual das pessoas mais ricas do mundo na terça-feira passada (06/04), destacando a ascensão vertiginosa de Elon Musk e a entrada de Kim Kardashian West no ranking.

“Apesar da pandemia, foi um ano recorde para os mais ricos do mundo, com um aumento de US$ 5 trilhões (ou R$ 28 trilhões) em riqueza e um número sem precedentes de novos bilionários”, disse Kerry A. Dolan, editor da cobertura da Forbes sobre os mais ricos.

MAIS RICOS NO BRASIL – O Brasil também seguiu essa tendência — o número de brasileiros bilionários cresceu de 45, em 2020, para 65 agora. No total, os brasileiros bilionários têm patrimônio conjunto de US$ 291,1 bilhões (R$ 1,6 trilhões), contra US$ 127 bilhões (R$ 710 bilhões) no ano passado.

Os R$ 1,6 trilhões detidos pelos 65 brasileiros juntos equivalem a uma fortuna aproximadamente igual a um quinto da riqueza econômica gerada no Brasil em um ano. Em 2020, o Produto Interno Bruto do Brasil foi de R$ 7,4 trilhões.

Esse conjunto de brasileiros foi levantado pela edição brasileira da revista Forbes. Na edição americana, muitos outros brasileiros bilionários aparecem como estrangeiros, pois possuem domicílio fiscal no exterior.

FALSOS ESTRANGEIROS – É o caso de Jorge Paulo Lemann e seu sócio na AB Inbev Carlos Alberto Sicupira, com domicílio fiscal na Suíça; Alexandre Behring, cofundador da 3G Capital, nos EUA; Antonio Luiz Seabra, cofundador da Natura, no Reino Unido; Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, em Singapura, e Liu Ming Chung, magnata da indústria papeleira, em Hong Kong. Todos esses são listados como brasileiros pela Forbes brasileira.

Com o falecimento do banqueiro Joseph Safra (líder entre brasileiros em 2020) e a repartição de seu patrimônio entre herdeiros, o topo da lista passou a ser ocupado agora por Lemann e família, com US$ 16,9 bilhões (R$ 94,5 bilhões) e posição 114 na lista global — um ganho de 15 posições em relação à última versão do ranking.

Na sequência, entre os brasileiros, está o outro sócio de Lemann na AB Inbev, Marcel Herrmann Telles (US$ 11,5 bilhões, ou R$ 64,3 bilhões, em 191º na lista global) e Jorge Moll Filho e família (US$ 11,3 bilhões, ou R$ 63,2 bilhões, em 194º).

HÁ ESTREANTES – Dois novatos na lista são o colombiano David Vélez, cofundador do Nubank (banco com maior parte das suas operações no Brasil), com US$ 5,2 bilhões (R$ 29 bilhões), e Guilherme Benchimol, fundador da XP, com patrimônio estimado em US$ 2,6 bilhões (R$ 14,5 bilhões).

Na lista global, o número de pessoas com fortuna de US$ 1 bilhão (R$ 5,6 bi) ou mais na lista anual da Forbes teve crescimento sem precedentes: 2.755 em 2021, 600 a mais que um ano atrás. Em conjunto, eles acumulam fortuna estimada em US$ 13,1 trilhões (R$ 73 trilhões). A lista mostra que 86% deles ficaram mais ricos em meio à crise do coronavírus.

A Forbes enfatiza que há 493 novos nomes em sua lista de 2021, “cerca de um novo bilionário a cada 17 horas”, incluindo 210 da China e 98 dos Estados Unidos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Como diz Caetano Veloso, alguma coisa está fora da ordem, na Nova Ordem Mundial. Como podem crescer as riquezas em plena pandemia? Isso mostra que o mundo caminha para ser cada vez mais injusto. (C.N.)

Com ataque ao STF, CPI e passeatas pedindo ditadura, o governo desaba e só um milagre salva Bolsonaro

Publicado em 13 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Aroeira (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

Ao receber a ligação do senador Jorge Kajuru neste domingo, o presidente da República, Jair Bolsonaro, pediu que ele estendesse a CPI da Saúde para governadores e prefeitos, uma vez que não quer ser culpado sozinho.

O telefonema foi gravado pelo senador e, na mesma noite, o Fantástico divulgou o fato. A edição de ontem, de O Globo, reportagem de Eliane Oliveira e Bruno Goés, destaca o diálogo. Além de pedir a extensão da CPI, Bolsonaro atacou o STF propondo o impeachment do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal. Kajuru divulgou o conteúdo do telefonema.

PERPLEXIDADE – O fato foi recebido com perplexidade, sobretudo porque inacreditavelmente, conforme revelou o jornal da GloboNews ontem à tarde, o presidente também ameaçou agredir Randolfe Rodrigues, autor do requerimento de criação da CPI da Covid-19. Jair Bolsonaro, a meu ver, está desorientado.  

É importante destacar que, com o seu conhecimento, passeatas ocorridas neste domingo na Avenida Paulista, na Praia de Copacabana, na Esplanada de Brasília, defenderam a implantação de uma ditadura militar, com ele no comando. Faixas apontavam o comunismo no país e militantes afirmavam estar com Deus e em defesa da liberdade cristã. A ditadura militar seria contra o Congresso e contra a Corte Suprema.

Se a crise já estava com temperatura elevadíssima, agora então subiu ainda mais, atingindo um perigoso limite. A ruptura pode ocorrer ainda esta semana. O presidente da República a cada dia revela mais que não tem condições de governar.  

VAGA NO STF – Thiago Prado, no O Globo, informa que Bolsonaro optou por André Mendonça para a vaga no STF que será aberta em julho com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello. Mas a Corte reage e não vê clima para aceitar Mendonça.

Por esse motivo, ministros entraram em contato com Rodrigo Pacheco para que o Senado, se a indicação vier a se confirmar, rejeite o nome do atual advogado-geral da União. O desentendimento entre os Poderes aprofunda-se.

RENDA DAS FAMÍLIAS – O Estado de São Paulo, através de reportagem de Fabrício Castro e Eduardo Rodrigues, destaca que segundo dados do Banco Central, o comprometimento da renda das famílias brasileiras com dívidas alcançou 31,1%, pico da série histórica, e que esse fato está influindo na queda da renda, o que reflete a perda do poder de compra ameaçando assim a economia nacional que vem sendo objeto de afirmações inverídicas do ministro da Economia.

E agora Paulo Guedes ? Não há resposta, pois o poder de consumo só pode baixar e não subir em razão do congelamento dos salários. Todos esses fatos formam uma cadeia que está levando a uma situação insuportável, inclusive no que se refere à corrupção. Paulo Guedes fixou em R$ 16 bilhões a privatização da Eletrobras. Já escrevi sobre isso ontem.

REMÉDIO SEM EFICÁCIA – Mas hoje, lendo Vinicius Sassine, Folha de São Paulo, vejo que o Ministério da Saúde gastou R $125 milhões com a compra de Tamiflu, remédio que não tem eficácia  contra à Covid-19. Além da impropriedade, Sassine aponta que o preço cobrado foi 33% maior que o de mercado.

Sem dúvida, o governo ingressou em um espiral e é quase impossível voltar à tona com o redemoinho que o próprio Bolsonaro criou. Todos se lembram da reunião ministerial de 22 de abril de 2020. Falta pouco para completar um ano.

LEGISLATIVO TOMA INICIATIVA –  Na tarde de ontem, no jornal das 16h, a GloboNews informou que o senador Rodrigo Pacheco e o deputado Arthur Lira, presidentes do Senado e da Câmara, conversaram ao telefone com o secretário-geral ONU, e que pediram a ele a antecipação de entregas de vacinas contra a Covid-19 ao Brasil.

Pacheco disse que reforçou ao secretário-geral o pedido para que o Brasil se torne prioridade na entrega de vacinas. Esta notícia é absolutamente incrível: o Legislativo substituindo o Executivo numa tarefa que cabe ao governo realizar.  

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