terça-feira, abril 21, 2020

Capacidade de coleta e de análise de testes é entrave, diz Fiocruz


por Natália Cancian | Folhapress
Capacidade de coleta e de análise de testes é entrave, diz Fiocruz
Foto: Reprodução / TV
Ainda que um número maior de testes para o novo coronavírus já tivesse sido entregue no Brasil, o país dificilmente conseguiria ter examinado mais do que analisou até agora, afirmou à Folha de S.Paulo Marco Krieger, vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, instituição que representa um dos principais fornecedores atuais ao Ministério da Saúde.

Segundo Krieger, a evolução da epidemia da Covid-19 fez laboratórios como a Fiocruz e o IBMP (Instituto de Biologia Molecular do Paraná) reprogramarem o planejamento de kits de testes moleculares que são usados hoje na rede pública.

O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou em vídeo divulgado nesta segunda-feira (20) que a pasta vai realizar 46 milhões de testes. O ministério, porém, não divulgou quantos testes já foram efetivamente adquiridos, quando seriam realizados e qual seria o cronograma de entrega.

Em menos de dois meses, a produção da Fiocruz, por exemplo foi de 30 mil -valor inicialmente calculado para um impacto tido como limitado da epidemia, quando ainda não havia mais informações sobre o comportamento do vírus- para 1,2 milhão, volume ainda insuficiente para o panorama atual.

Já a partir de maio, a produção deverá chegar a 2 milhões de testes, o que representa quase o dobro da produção anual de testes para algumas doenças -o contrato prevê que a oferta será de 11,7 milhões até setembro.

Ainda que haja aumento na oferta de kits, a capacidade de processar as amostras é hoje um dos principais desafios para ampliar a testagem, afirma Krieger.

"Hoje não temos mais o gargalo dos insumos; nosso gargalo é a logística da coleta e o processamento", diz ele. "Também sabemos que há dificuldade hoje de achar no mercado swab [cotonete nasal] para testagem massiva", afirma.

Outro impasse é o tempo de análise. "São testes sofisticados que precisam de três etapas de reações. É um processo que demora em torno de quatro horas, e é difícil trabalhar com grandes números ao mesmo tempo."

"Estamos com uma limitação no Brasil de laboratórios suficientes para dar conta da testagem. A capacidade está bastante aquém do necessário", afirma Pedro Barbosa, do IBMP.

Na tentativa de acelerar a análise, a Fiocruz e o IBMP começaram na semana passada a usar máquinas automatizadas em cinco unidades. O modelo permite analisar um volume maior de amostras de forma conjunta.

Com isso, as análises deverão chegar a 550 amostras por dia por unidade. A previsão é estender o mesmo modelo para até 20 unidades no futuro.

O ministro destaca, no vídeo, que o aumento da oferta de testes é importante, mas não atingirá toda a população brasileira -mais de 200 milhões de habitantes. "Tem de deixar claro que teste em massa não significa testar a população toda."

"A Coreia do Sul, que é uma referência em testes, fez 10 mil testes por milhão de pessoas. Então a gente não está falando em testar o país inteiro. A gente vai usar o teste de uma forma que as pessoas testadas vão refletir a população brasileira."

O total de testes coincide com o valor anunciado em boletim do Ministério da Saúde de domingo (19), de 24,2 milhões de testes moleculares, do tipo RT-PCR, e 22 milhões de testes sorológicos, que verificam a presença de anticorpos em amostras de sangue.

Para chegar a esse número, a pasta prevê a oferta de 5 milhões de testes doados pela Vale, 5 milhões de testes doados por bancos privados e 12 milhões de testes que devem ser adquiridos por meio de um chamamento público aberto nesta segunda.

Para ampliar a capacidade de processar os testes, a pasta fez ainda um contrato com a rede Dasa para analisar 30 mil amostras por dia. O volume, porém, prevê análise de até 3 milhões de exames no total.

No documento de domingo, o ministério afirma que a capacidade diária atual de exames, estimada em 3.000, "é insuficiente para o controle da epidemia em um país de 200 milhões de habitantes, com dificuldades logísticas e de acesso".

Representantes de laboratórios ouvidos pela Folha, porém, dizem que esse número já é maior, mas insuficiente -seria em torno de 10 mil.

No mesmo documento, o ministério cita apostas para ampliar a análise.

Uma delas é adquirir novas máquinas e usar a rede de testagem de tuberculose e HIV, que possui plataformas automatizadas, também para o novo coronavírus. Com isso, o número de laboratórios poderia chegar a 107, diz.

Outra estratégia em análise é fazer parcerias para uso de laboratórios da Embrapa e do Ministério da Justiça. A ampliação, porém, depende de uma avaliação sobre a estrutura que deverá ser adaptada à saúde atende a requisitos de segurança.

A proposta de parceria público-privada era esperada para que a pasta pudesse implementar centros de drive-thru para coleta de amostras em cidades com 500 mil habitantes -neste caso, as análises seriam feitas com a parceria da rede privada.

Segundo o secretário de Atenção Primária, Erno Harzheim, a medida deve acelerar a testagem, o que poderia indicar o início de uma solução para o problema.

Ele faz a ressalva, porém, de que o comportamento da doença e o avanço dos números dificultam previsões.

Carlos Eduardo Ferreira, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, elogia a iniciativa por evitar a disseminação do vírus. "Daí a ideia de drive-thru, para não ter que circular", afirma.

Bahia Notícias

Novo ministro da Saúde diverge de Bolsonaro sobre fim da quarentena

Novo ministro da Saúde diverge de Bolsonaro sobre fim da quarentena
Foto: Agência Brasil
O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, mostrou discordar da forma como o presidente Jair Bolsonaro pensa sobre o isolamento social imposto em todo o Brasil para combater o coronavírus.

Segundo informações divulgadas pela assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, nesta segunda-feira (20), Teich afirmou que o relaxamento das medidas de distanciamento social deverá ocorrer de forma “progressiva, estruturada e planejada” e “no devido tempo”.

"A gente está atuando em três braços que são fundamentais. Um: entender melhor a doença, fazer o diagnóstico, entender a evolução. A segunda coisa: preparar a infraestrutura para o tratamento para que, nesse tempo em que a gente está afastado, vai ser usado para melhorar, preparar para o cuidado. E o terceiro: com essa preparação, desenhar esse programa de saída progressiva, estruturada e planejada do distanciamento social", disse o ministro. As informações são do jornal Extra.

Mais cedo, pela manhã, Bolsonaro havia sido direto ao falar que esperava que esta semana fosse a última de quarentena no Brasil.

"Eu espero que essa seja a última semana dessa quarentena, dessa maneira de combater o vírus, todo mundo em casa. A massa não aguenta ficar em casa, porque a geladeira está vazia", falou.
Bahia Notícias

Vilas-Boas revela que médico de Ilhéus utilizou hidroxicloroquina e azitromicina

por Ulisses Gama

Vilas-Boas revela que médico de Ilhéus utilizou hidroxicloroquina e azitromicina
Foto: Divulgação
O secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, revelou na manhã desta terça-feira (21) através do Twitter que o médico Gilmar Calazans Lima, de 55 anos, usou hidroxicloroquina e azitromicina para tratar do coronavírus e apresentou um mal súbito como efeito colateral da medicação. Ele faleceu no Hospital Regional da Costa do Cacau (HRCC) (leia mais aqui).

"Médico de 55 anos estava usando hidroxicloroquina para COVID-19. Ele era hipertenso e diabético, vinha em tratamento domiciliar há 4 dias, com a combinação hidroxicloroquina e azitromicina, com melhora clínica, já sem febre ou dispneia, quando apresentou um mal súbito", escreveu.  "Levado por familiares, deu entrada na emergência do Hospital da Costa do Cacau em parada cardiorrespiratória. Foi submetido a manobras de reanimação por 45 min, permanecendo sem estabilizar o ritmo cardíaco, terminando por evoluir para o óbito", acrescentou.

Vilas-Boas alertou para as comorbidades que o profissional da saúde tinha e orientou que o uso dos remédios deve ser feito com avaliação cargiológica.

"É sabido que a cloroquina e a hidroxicloroquina podem levar a arritmias cardíacas graves potencialmente fatais. Seu uso deve ser precedido de avaliação cardiológica e realização de eletrocardiograma", explicou. Cargiologista, Fábio Vilas-Boas disse crer que o motivo da morte não foi a Covid-19.

"Ele estava melhorando da Covid. Para mim o mecanismo de morte é altamente sugestivo de arritmia por efeito adverso da medicação", indicou.

De acordo com o último boletim da Sesab, Ilhéus tem 79 casos confirmados da doença.

Bahia Notícias

Juízes repudiam ato pró-intervenção militar e alertam que “não admitirão qualquer retrocesso institucional”

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Bolsonaro disse que apoiava as reivindicações de manifestantes
Pepita Ortega e Fausto Macedo
Estadão
Depois de o presidente Jair Bolsonaro discursar de improviso para manifestantes em Brasília que pediam intervenção militar e o fechamento do Congresso Nacional neste domingo, dia 19, a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e outras cinco entidades da magistratura federal afirmaram que ‘não admitirão qualquer retrocesso institucional ou o rompimento da ordem democrática’.
Em nota, as associações pedem união das autoridades públicas, ‘evitando polêmicas desnecessárias que possam gerar sérias crises institucionais’.
MEDIDAS ILEGAIS – A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) também se posicionou sobre as manifestações contra o Supremo Tribunal Federal, a Câmara e o Senado, ‘além de outras medidas ilegais e que agridem a Constituição Federal’ pontuando que está pronta ‘para atuar em defesa da Constituição, da magistratura e do sistema de Justiça’.
A entidade sinalizou ainda que no atual momento de crise, ‘o caminho correto para a busca das soluções é o cumprimento rigoroso da lei e o trabalho em conjunto das instituições em prol da construção de soluções’.
RESPEITO À DEMOCRACIA – A posição foi de encontro a dos juízes federais, que destacaram que o único caminho para o desenvolvimento de uma sociedade livre, justa e solidária é o respeito à democracia, à independência dos poderes e à Constituição Federal.
“A República Federativa do Brasil constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho, da livre iniciativa e o pluralismo político”, afirmaram em nota
A atitude de Bolsonaro de ir a um protesto antidemocrático e de incentivar a aglomeração de pessoas foi considerada por políticos como ‘grave’, ‘incentivo à desobediência’ e ‘escalada antidemocrática’.
CRÍTICAS – As manifestações foram criticadas por ministros do Supremo – Luís Roberto Barroso disse que é ‘assustador’ ver manifestações pela volta do regime militar, após 30 anos de democracia e Marco Aurélio Mello chamou os manifestantes de ‘saudosistas inoportunos’.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, afirmou que o presidente ‘atravessou o Rubicão’, expressão que faz referência a um ‘caminho sem volta’. O Grupo Prerrogativas pediu a ‘instauração imediata de providências’ que façam o presidente ‘responder pela grave transgressão da elevada responsabilidade do cargo’.
A presença do presidente Jair Bolsonaro na manifestação em frente ao Quartel General do Exército contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) provocou um ‘enorme desconforto’ na cúpula militar. Ao Estado, oficiais-generais destacaram que não se cansam de repetir que as Forças Armadas são instituições permanentes, que servem ao Estado Brasileiro e não ao governo.
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ÍNTEGRA DAS NOTA DOS JUÍZES FEDERAIS
A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e as demais associações abaixo-assinadas, representativas da Magistratura Federal Brasileira, destacam especial atenção para a gravidade do momento pelo qual passa o Brasil em razão da pandemia Covid-19.
Assim, pedem que as autoridades públicas se unam em torno do bem maior que é a preservação da paz em nossa sociedade, evitando polêmicas desnecessárias que possam gerar sérias crises institucionais.
A República Federativa do Brasil constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho, da livre iniciativa e o pluralismo político.
O respeito à democracia, à independência dos poderes e à Constituição Federal é o único caminho para o desenvolvimento de uma sociedade livre, justa e solidária.
Juízes e Juízas federais não admitirão qualquer retrocesso institucional ou o rompimento da ordem democrática.
Brasília, 19 de abril de 2020
AJUFE – Associação dos Juízes Federais do Brasil
AJUFER – Associação dos Juízes Federais da Primeira Região
AJUFESP – Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul
AJUFERJES – Associação dos Juízes Federais do Rio de Janeiro e Espírito Santo
AJUFEMG – Associação dos Juízes Federais de Minas Gerais
AJUFERGS – Associação dos Juízes Federais do Rio Grande do Sul
NOTA DA ASSOCIAÇÃO DOS MAGISTRADOS BRASILEIROS
“A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) vê com preocupação as manifestações de grupos que defendem o fechamento do Supremo Tribunal Federal, da Câmara e do Senado, além de outras medidas ilegais e que agridem a Constituição Federal.
Neste momento de crise, o caminho correto para a busca das soluções é o cumprimento rigoroso da lei e o trabalho em conjunto das instituições em prol da construção de soluções. Nossa Carta estabelece, como princípio fundamental da República e da democracia brasileira, a independência e a harmonia entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
A AMB está atenta aos acontecimentos e pronta para atuar em defesa da Constituição, da magistratura e do sistema de Justiça.”
Renata Gil, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB)

Bolsonaro no domingo revelou sua verdadeira face e ontem tentou apagar a imagem


Bolsonaro participa de manifestação no quartel general do Exército ...
Bolsonaro discursou em apoio aos defensores de um golpe militar

Pedro do Coutto
No domingo, como as redes de TV mostraram e os jornais desta segunda-feira assinalaram, o presidente Jair Bolsonaro participou de verdadeiro comício no qual os integrantes levaram cartazes propondo o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. A reação não podia ser outra, sobretudo porque os manifestantes gritavam palavras de ordem defendendo a volta do AI5 de dezembro de 68 que ampliou as garras da ditadura militar e fechou o Parlamento.
Na reação manifestada pelos próprios ministros do STF, presidentes da Câmara e do Senado, governadores de estado, parlamentares e opinião pública, o presidente da República ficou isolado politicamente.
E OS MILITARES? – Além disso, provavelmente, penso eu, o efeito negativo envolveu pelo menos a maioria das Forças Armadas. Com isso, Jair Bolsonaro perdeu espaço e linha de manobra. Porém, deixou claro seu impulso, levando-o a participar do comício e discursar em cima de uma caminhonete em uma atitude que só pode ser interpretada como de apoio à manifestação.
O presidente não podia de modo algum participar de um ato em que foi colocado o fechamento do Supremo e do Poder Legislativo. Tal proposta só poderia ser para elevá-lo a uma posição de poder absoluto. Mas esta é outra questão.
O presidente da República tinha obrigação constitucional de repelir frontalmente a proposta de radicalização. Mas não fez isso. Pelo contrário.
REVELAÇÃO CLARA – Ao participar do minicomício, Bolsonaro revelou, sem dúvida, sua satisfação pela atitude dos portadores de faixas reivindicando uma nova ditadura a exemplo daquela que marcou o fechamento absoluto dos direitos individuais em dezembro de 68.
Como presidente da República, tinha obrigação de repelir a concentração com suas faixas subversivas. Não fez isso. Pelo contrário prestigiou de maneira irresponsável a defesa de um estado de exceção. Perdeu pontos. Provavelmente as pesquisas que forem realizadas pelo Ibope ou pelo Datafolha vão acentuar o reflexo negativo que refletiu em todo o país.
A reportagem publicada pelo O Globo foi assinada pelos repórteres João Paulo Saconi, Natália Portinari e Adriana Mendes. A da Folha de São Paulo pelos repórteres Ricardo Della Coletta e Renato Onofre.
O domingo passa a pertencer à história política do Brasil, porque não há antecedentes de o povo nas ruas, por pequeno que seja, reivindicando a volta da ditadura militar.
Vamos aguardar como vão se desenvolver os próximos capítulos, para ver quais seus desdobramentos. Porque em política, num espaço de dois anos, para citar um exemplo de prazo, sempre acontecem acontecimentos inesperados. Assim como a nuvem, como definiu no passado o governador Magalhães Pinto, ao dizer que a situação política muda permanentemente.
 OUTRO ASSUNTO – Este assunto, sim, deveria merecer a atenção do presidente da República. O Banco Mundial está prevendo uma movimentação de mais de 5 milhões de brasileiros ingressando na pobreza extrema. No início do ano eram 9,3 milhões. A previsão para dezembro é de irá atingir 14,7 milhões de brasileiros.
São aqueles cuja renda mensal de cada membro da família fica contida em apenas 145 reais por mês. São pessoas que sobrevivem sob as piores dificuldades.

Brasília, túmulo da ética e da moral no Brasil, comemora o Jubileu de Diamante


Nimeyer morreu de desgosto por ver tanta corrupção em Brasília
    Charge do Bruno (Arquivo Google)
Celso Serra     
Nesta terça-feira. 21 de abril de 2020, ocorre o “Jubileu de Diamante” de  Brasília. Sessenta anos do poder distante do povoA lonjura da opinião pública resultou na implantação de uma ordem política corrompida, baseada no ganho fácil, no antitrabalho e na corrupção. E isso veio e vem ocorrendo desde a sua construção e inauguração. 
Para que os funcionários trabalhassem em, o governo dobrou-lhes os salários e os presenteou com os apartamento funcionais. De lá para cá, os “penduricalhos” nas remunerações foram se expandindo.
LONGE DO POVO – Em Brasília, longe do povo, a classe política passou a legislar em causa própria e para os agentes públicos dos demais poderes; além dos salários altíssimos, criou para si verba de gabinete; auxílio terno; auxílio moradia; “cotão” inclui passagens aéreas, fretamento de aeronaves, alimentação do parlamentar, cota postal e telefônica, combustíveis e lubrificantes, consultorias, divulgação do mandato, aluguel e demais despesas de escritórios políticos, assinatura de publicações e serviços de TV e internet, contratação de serviços de segurança, além dos telefones dos imóveis funcionais, de uso livre e sem franquia,  que estão fora do “cotão”.
Os agentes públicos dos demais poderes também foram beneficiados com significativa soma de “penduricalhos”. O corporativismo é como um vírus contagiante.
RIO E BRASILIA – No Rio de Janeiro todos os deputados federais e senadores residiam na cidade, com suas famílias, em imóveis urbanos comuns como os demais moradores. E com eles se integravam socialmente, o que era um possante estimulante para que tivessem perfeita conduta cívica e honesta, pois seria muito desagradável que suas fotos saíssem nos jornais ilustrando matérias referentes a atos de corrupção.
De fato, a interação social existente no Rio de Janeiro era um forte elemento disciplinador, que alcançava a todos os agentes públicos dos demais poderes. 
No Poder Judiciário, vamos tomar por exemplo o Supremo Tribunal Federal, instituição que enquanto esteve sediada no Rio de Janeiro (1829-1960) permaneceu protegida pelo manto da discrição. Seus ministros caminhavam a pé pelo centro da cidade, sem guarda-costas (hoje apelidados de “seguranças”) e eram respeitados por toda a população.
AO VIVO E A CORES – A vida recatada do Supremo sofreu brusca alteração após a mudança da capital para Brasília. Hoje há até transmissão ao vivo das sessões, nas quais ministras e ministros, que deveriam se recatar sob a liturgia exigida pela toga, envolvem-se em exibições de soberba, poder e erudição e não titubeiam nas frequentes manifestações de rivalidade, ira e orgulho.
E não raro tomando decisões das quais até Deus duvida, sempre com base nas leis aprovadas pelo Congresso Nacional, cujos componentes atuam contra a vontade do povo, fingem que não escutam o grito desesperado das ruas, desprezam os urgentes anseios de probidade da sociedade e aprovam leis que inibem a punição dos ladrões do dinheiro público.
No Rio de Janeiro, capital da República, a sentença condenatória emitida por juiz de primeiro grau, mesmo recorrível, tinha dupla consequência: nas infrações inafiançáveis, ser o réu preso ou conservado na prisão; e nas afiançáveis, preso enquanto não prestasse a fiança. E mais, o nome do réu seria lançado no rol dos culpados
NA ERA DA IMPUNIDADE – Naquele tempo eram raros os crimes de colarinho branco e praticamente impossível advogado criminal ficar milionário. Com a mudança da capital para Brasília, a legislação mudou e hoje, em síntese, permite que processos julgados em segunda instância, em Tribunais de Justiça (estaduais) tenham acesso à terceira e quarta instâncias.
E até que condenados em terceira instância fiquem em liberdade viajando para o exterior, como o ex-presidente Lula. 
A impunidade também é garantida por nossa Carta Magna que prevê o Foro Privilegiado, funesto para o Brasil e maldito para os seus cidadãos decentes.
UMA TRISTE CONCLUSÃO – Até aqui foram descritos fatos. Tenho lido muitos textos que afirmam peremptoriamente que Brasília deu errado. Outro dizem, que deu certo. Respeito todos os autores. Fui favorável, quando jovem, à mudança da capital para o Planalto central, mas os fatos me levaram a pensar diferente, pois mostraram que o Império de Brasília foi feito com roubalheira para a roubalheira e marcou o princípio da corrupção do Estado, com obras superfaturadas desde o seu início, cujo objetivo sempre foi estabelecer um governo permanente que escravizaria o povo brasileiro. 
O tempo, senhor da razão e pai da verdade, provou exatamente isso. Ratificou que os faraós do Egito construíram túmulos para si e o faraó-cigano tupiniquim os bateu em apoteose mental, construiu um túmulo para a ética e a moral de seu país, um túmulo para o Brasil. E Brasília deu mesmo certo, porque foi construída para ser o que é hoje e jamais mudará.

Militares consideram impeachment a melhor solução e não pretendem apoiar Bolsonaro



4 pontos sobre o discurso de Bolsonaro em ato a favor de ...
De camisa vermelha, Bolsonaro bagunçou a cerimônia do Dia do Exército
Carlos Newton
Conforme registramos aqui na Tribuna da Internet no início do governo, em 2019, o presidente Jair Bolsonaro nem precisa de oposição. Ele é do tipo autocarburante, que entra em combustão espontaneamente, não é necessário que alguém se disponha a acender o fósforo. Um ano depois, é exatamente isso que está acontecendo. Bolsonaro tem feito tantas bobagens que os militares já se cansaram dele. E a cerimônia do Dia do Soldado foi a gota d’água. Nenhum dos oficiais superiores que ainda apoiavam seu governo poderia prever que Bolsonaro chegasse ao ponto de insanidade que demonstrou nesse domingo.
O Dia do Exército, 19 de abril, é uma das mais importantes datas do calendário militar, só comparável ao 25 de agosto (Dia do Soldado) e ao 7 de setembro (Dia da Independência). Jamais se poderia esperar que a família Bolsonaro (ele e os filhos) tivesse a ousadia de menosprezar e bagunçar essa data festiva.
PRESENÇA OBRIGATÓRIA – No cerimonial do governo brasileiro, o dia 19 de abril está sempre reservado na agenda presidencial como de presença obrigatória. Nenhum presidente da República deixa de comparecer, salvo quando está em compromisso internacional ou ocorre imprevisto de muita gravidade.
Bolsonaro em homenagem ao dia do Exército diz que a instituição ...
Em 2019 choveu forte e Bolsonaro e ficou encharcado na cerimônia
Para citar apenas os mais recentes, Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer jamais deixaram de comparecer, e a cerimônia inclui passar em revista à tropa, que bate continência ao comandante-em-chefe das Forças Armadas.
No ano passado, Jair Bolsonaro compareceu, acompanhado da mulher Michelle, e até pegou chuva forte no palanque principal e ficou encharcado, junto com as demais autoridades de República e os alunos do Colégio Militar.
FESTIVAL DE SURPRESAS – Neste domingo, no entanto, a comemoração do Dia do Exército foi um teatro de absurdos. Sem motivo relevante, o presidente da República simplesmente não apareceu e foi substituído pelo vice Hamilton Mourão.
A segunda surpresa foi acontecer uma manifestação, com muitas pessoas vestindo verde e amarelo, a maioria de meia idade ou idosos, carregando faixas pedindo intervenção militar e fechamento do Congresso e do Supremo, ou seja, defendendo a volta da ditadura.
Mas o impacto maior foi o inesperado aparecimento do presidente Jair Bolsonaro, no final da cerimônia, acompanhado dos seguranças. E sem estar devidamente trajado. Ao invés do terno escuro tradicional, o chefe do governo apareceu usando calça jeans e uma camisa pólo vermelha, cor que até as mulheres dos militares evitam usar, por motivos óbvios.
AFRONTA PROPOSITAL – Nenhum dos chefes militares tem a menor dúvida. Foi uma afronta proposital do presidente, que intencionalmente fez uma provocação às Forças Armadas, na presença do ministro da Defesa, dos comandantes das três Armas e dos oficiais superiores dos Alto-Comandos de Exército, Marinha e Aeronáutica.
O pior foi depois saberem que a manifestação foi convocada e organizada pelo “gabinete do ódio”, chefiado pelos filhos de Bolsonaro. O procurador-geral da República, Augusto Aras, já pediu ao Supremo que a Polícia Federal investigue a manifestação.
Se ficar provado que o ato público foi preparado pelo “gabinete do ódio”, nos mínimos detalhes, para que o presidente da República tripudiasse sobre os chefes militares, a postura de Bolsonaro será considerada uma traição institucional, que os militares não aceitam.
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P.S. – É consenso em Brasília que ainda não é hora de impeachment, mas o processo começará tão logo seja superada a crise da pandemia. O futuro político de Bolsonado tem o mesmo valor de uma nota de três dólares. E o vice, general Mourão. vai mandar fazer seu terno de posse na Presidência. Será verde oliva, é claro. (C.N.) 


Comentário:

                                         (...)


Por que os antigos filósofos achavam a democracia falha?
Sócrates a achava falha porque muitas vezes os governantes não tinham aptidão, capacidade de governar. Ele propunha que os eleitores deveriam ser ensinados para terem direito de escolher seus representantes, para que as escolhas fossem advindas de escolhas racionais e não aleatórias.
Na alegoria do navio, contada por Platão, ele demonstra essa tese.
Já Aristóteles achava que a política deveria ser tudo que se relacionasse a ações que visassem tanto o bem estar individual quanto o coletivo. Quanto à democracia, para ele, sua falha seria a demagogia. O filósofo afirma que a demagogia seria uma corrupção para a democracia.
Demagogia é o uso de estratégias para enganar a população. A demagogia lida com as emoções, com falácias, demonização, eufemismos. É o controle das paixões populares com vista ao poder político, política imoral, apelo a emoções e sentimentos para ter o apoio do povo, a prática de aparentar honestidade com segundas intenções.
A democracia, apesar de suas falhas, ainda é o melhor regime político, mas para que melhores será que um dia teremos a educação e maturidade suficiente para saber escolher nossos governantes?
Será que um dia teremos condições de discernir quem é demagogo?
Será que um dia poderemos escolher o comandante que melhor nos conduza?

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