quinta-feira, janeiro 02, 2020

“Não existe salvador da pátria”, diz juiz autor de artigo a favor de Sérgio Moro


Nino se diz frustrado com revelações sobre a Lava Jato
José Marques
Folha
Mais de três anos após escrever um artigo intitulado “Somos todos Sergio Moro”, publicado na Folha em 2016, o juiz Nino Oliveira Toldo, 55, se diz frustrado após episódios que levaram a Lava Jato a ser questionada.
O magistrado, que presidiu a Ajufe (Associação de Juízes Federais do Brasil) entre 2012 e 2014, defendia no artigo o apoio de manifestantes a Moro, que sofria críticas em meio ao processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
“SÍMBOLO” – Toldo dizia que a Justiça Federal era reconhecida simbolicamente por meio de Moro e que “não tem partido, credo ou ideologia política”.
Atualmente integrante do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, Toldo não se arrepende do que escreveu, mas vê como passíveis de críticas a ida de Sergio Moro para o governo Bolsonaro e também as mensagens trocadas por ele com procuradores da Lava Jato, obtidas pelo site The Intercept BR.
Ele teme que o desgaste causado na Lava Jato com essas atitudes provoquem retrocessos no combate à corrupção e à “criminalidade do tipo mafioso” no país. “O juiz Sergio Moro deixou a magistratura para fazer parte do governo Bolsonaro, que foi de certa forma beneficiado, não pela Lava Jato em si, mas por tudo o que acontecia naquela situação”, disse, em entrevista à Folha.
JUIZ DE GARANTIAS – Em novembro, ele havia externado suas reclamações no evento Impactos Jurídicos da Operação da Lava Jato, quando também defendeu que haja separação entre o juiz que decide sobre medidas da investigação e o que julga o processo.
A medida que depois foi aprovada no Congresso e sancionada por Bolsonaro —mas é criticada por Moro. Após a sanção, Nino disse à reportagem que discorda de dois pontos do texto sancionado: o prazo curto para adaptação do Judiciário e atribuição de competência ao juiz das garantias para receber a denúncia.
O senhor disse: ‘Em 28 anos de magistratura nunca tive uma conversa com o Ministério Público daquele jeito’. O que é aquele jeito?
É de conversar e indicar alguém [como testemunha]. De ter uma conversa com o Ministério Público que pudesse me aproximar do órgão de acusação como acusador. Daquele jeito que foi divulgado pelo The Intercept. Mas conversar com o Ministério Público e advogado sempre conversei.
O problema para o senhor é que aparenta que houve envolvimento do juiz com a investigação?
É o que foi insinuado a partir daquilo que foi divulgado, sempre partindo do pressuposto que aquilo [as mensagens] seja verdade —porque há o questionamento. São diálogos que não deviam ter ocorrido, a meu ver.
Mas daí a tratar isso como imparcialidade vai uma distância larga. Porque a imparcialidade do juiz está relacionado ao seu estado de ânimo em relação à pessoa que ele julga. Uma vez que houve a decisão do juiz e ela foi revista por um tribunal e um tribunal superior, até que ponto aquilo pode gerar nulidade?
Apesar de uma determinada conduta em um determinado ponto do processo, pode não haver nulidade do processo. É lógico que a defesa pretende considerar esse ponto nulo, mas não necessariamente.
Então, não é o caso de o Supremo anular os processos da Lava Jato por conta disso?
Eu não vou falar do caso específico, mas uma situação como essa não necessariamente geraria uma nulidade. A suspeição está ligada ao estado de ânimo. O juiz, apesar de ter um estado de ânimo num sentido, conduz o processo corretamente. Permite a produção das provas corretamente pela defesa e pela acusação e julga.
[Se] houve recurso dentro do devido processo legal, o tribunal decide e posteriormente se descobre que o estado de ânimo do juiz era um, isso gera nulidade do processo? A meu ver, não. Senão você teria que ter uma cadeia de suspeições, que passaria para os tribunais, e isso não faz sentido.
É compreensível o ânimo da defesa de querer derrubar tudo o que foi feito, mas não necessariamente isso gera nulidade. São aspectos diferentes. Um juiz deveria ter uma conversa daquela natureza? Não. Isso influenciou efetivamente no processo? Não sei. Isso gera a nulidade do processo como um todo? Não necessariamente.
O senhor disse que se sente frustrado que a Lava Jato tenha a lisura questionada. Por quê?
É fundamental, para que o sistema de Justiça funcione bem, que não exista nenhum questionamento quanto à imparcialidade do juiz. O juiz não deve dar motivo para que a sua imparcialidade seja questionada. Uma certa frustração que gera é que isso possa estar sendo questionado agora.
Por exemplo, o juiz Sergio Moro deixou a magistratura para fazer parte do governo Bolsonaro, que foi de certa forma beneficiado, não pela Lava Jato em si, mas por tudo o que acontecia naquela situação. A meu ver é muito ruim esse questionamento.
Não critico o Sergio Moro pela decisão que ele tomou de sair da magistratura. Hoje, passados mais de um ano, fica até fácil dizer “ele agiu certo, agiu errado”. Não quero ser engenheiro de obra pronta. Mas qualquer medida que um juiz tome que possa pôr em dúvida a sua imparcialidade é criticável.
Eu sou um crítico dos juízes que expõem demais na mídia, que se deixam expor, que se levam, sei lá por qual motivo, se por vaidade ou não…
O senhor tem criticado a figura do ‘juiz herói’.
Muitos juízes trabalham discretamente. Lógico, se tem uma questão que envolve políticos de alto relevo, ex-presidentes da República e a própria presidente da República na época, os juízes vão aparecendo e existe no senso comum essa ideia de que alguém vai vir e pôr as coisas no lugar, um salvador da pátria.
Não existe salvador da pátria. O juiz é um ser humano, ele acerta, ele erra. O que o juiz precisa sempre levar em consideração é que ele tem suas próprias limitações, tem que buscar agir de forma extremamente correta nos casos que tem que julgar sem se deixar levar por essa aclamação popular que ele possa ter em função daquilo que ele está julgando.
O próprio artigo com o título ‘Somos todos Sergio Moro’ não ajuda a incensar essa figura do juiz como uma pessoa infalível?
Pode ser que isso tenha de alguma forma contribuído, mas a gente não tem uma forma absoluta de escrever que seja imune a qualquer tipo de crítica. A ideia era, num momento em que um juiz vinha sofrendo ataques, ter o apoio de um colega seu e de um ex-presidente da associação, que naquele momento podia ter esse pensamento.
Eu não me arrependo de ter escrito o artigo, acho que estava contextualizado, e o Sergio Moro é uma pessoa séria, conheço ele, e não é imune a críticas.
A saída dele da magistratura e o ingresso na política, ainda que ele diga que o cargo não é político, isso gera, como gerou, em muitas pessoas, o pensamento de que ele tivesse agido politicamente. Eu não acredito que o Sergio Moro tenha agido politicamente. Mas muitas pessoas pensam, e você vai dizer que não? Que as pessoas não podem pensar assim? Podem.
O juiz tem que tomar cuidado com isso. Foi uma decisão de vida dele, porque deixar a carreira da magistratura para ingressar numa coisa incerta que é a política é um risco grande, certamente ele calculou tudo isso.
Decisões como essa acabam afetando toda a magistratura, na visão do senhor?
Afetam, mas como vivemos num período de polarização, quem é pró-Bolsonaro apoia ainda mais a decisão, quem é contrário e a favor de Lula abomina a decisão que ele tomou e leva a esse questionamento da imparcialidade.
O ideal a meu ver é que nada disso tivesse acontecido, mas aconteceu. Precisamos ver dentro da normalidade e da segurança jurídica, que é o que importa para o país. O país vive um período de insegurança jurídica, e isso é muito ruim. Mas não só por causa dele.
Qual o momento de insegurança jurídica?
A própria discussão sobre a prisão após a decisão de segundo grau. Essa ida e vinda do Supremo Tribunal Federal gera muita insegurança e passa a ideia para a sociedade de fragilidade do próprio Poder Judiciário.
E o próprio Poder Judiciário precisa também de decisões seguras. Eu atuo também num tribunal e nós aplicamos o direito. Os tribunais superiores têm um papel de uniformização. Quando o tribunal titubeia, todo o sistema sofre.
O senhor também questiona o excesso, segundo seu entendimento, de conduções coercitivas.
Sempre vi a condução coercitiva com muita restrição. Para mim nunca fez sentido conduzir coercitivamente um investigado que, chegando na polícia, tinha o direito de ficar em silêncio e não produzir prova contra si mesmo. Isso o Supremo Tribunal Federal findou com uma ação da Ordem dos Advogados.
E qual seria o objetivo de todas essas conduções?
Talvez o de pressionar a pessoa. Se a Polícia Federal chega na porta da sua casa e fala “o senhor vem comigo”, a pessoa vai se sentir intimidada e vai acompanhar. Mas isso foi feito dezenas de vezes e não foi questionado, o que não torna certo. A repetição de um erro não torna o erro certo.
Como o senhor vê o impacto de tudo o que aconteceu esse ano para o combate à corrupção no país?
O combate à corrupção como política pública não se faz apenas pela repressão. A repressão é fundamental, mas precisa ser feito todo um trabalho de mudança de cultura na sociedade.
Na Lava Jato, muitas prisões foram fundamentais e fundamentadas para que houvesse essa mudança de entendimento das pessoas. Até então, qual era o problema? Quando a corrupção estava limitada ao guarda da esquina, ao fiscal da obra, ao policial rodoviário, ou às vezes a um membro do Ministério Público ou do Judiciário ou ao prefeito, aquilo era tolerado. No momento em que a investigação começou a atingir aquilo que chamam de corrupção generalizada, a cúpula, incomodou bastante
Num primeiro momento há aquele baque, mas depois o sistema institucionalizado de corrupção começa a se recompor. De certa forma era previsível, mas era temido. Eu temia que viesse esse tipo de refluxo. Chamava atenção, porque era o que aconteceu na Itália, com a Mãos Limpas.
O meu receio como juiz e como cidadão brasileiro é que leis sejam modificadas para retirar meios de obtenção de provas, mecanismos de atuação dentro de investigação de processos, que dificultem apurar e processar casos de corrupção grave e institucionalizada, como esse que foi visto na Petrobras.
Mas isso tem acontecido?
A lei de abuso de autoridade foi uma lei reativa que é uma sinalização para a magistratura, também para o Ministério Público e também para a polícia. O que permitiu a Lava Jato foram medidas legislativas aprovadas e que são necessárias para o combate a uma criminalidade extremamente deletéria e violenta para a sociedade, que é a criminalidade do tipo mafioso, no âmbito de um sistema internacional.
Recuar disso é um atraso, por isso que eu vejo de uma forma um tanto crítica o excesso de exposição em decorrência de uma operação, e receio que esse excesso possa trazer um retrocesso nesse sistema de investigação.

Ainda bem que em Jeremoabo nem tudo está perdido

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Sérgio Vieira, Embaixador da ONU juntamente com Silvana Carvalho, Embaixadora da Saúde, Sérgio Ricardo - Embaixador, deram entrevista Exclusiva na Alvorada FM nesta quinta 02 de janeiro 2020. Fique por dentro da Entrevista, acessando nossa Live: Nova AlvoradaFm . Logo após, os levei a conhecer a primeira Casa História de Jeremoabo, nossa Matriz São João Batista, Casarão que pertencia à família Sá e, por último nosso Hospital. O mesmo ficou sensibilizado com tudo que viu e conheceu, nos prometendo Ajuda Social em tudo que foi relatado. Em meu nome e de toda Equipe da Alvorada FM, agradecemos de coração a atenção e convite que nos foi dispensado.

Professores rezam em frente a Prefeitura de Jeremoabo esperando que algum milagre apareça...

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Os professores de Jeremoabo ao perderem as esperanças nas promessas fantasiosas e improcedentes oriundas da prefeitura bem como de alguns vereadores, resolveram apelar para Deus através da oração na esperança  que algum  milagre aconteça na administração municipal e seu pagamento que é de direito apareça.
Depois de inúmeras enganações resolveram pagar aos professores FUNDEB 60, porém já os de 40 o castigo e a humilhação ainda não terminou.
Diante de tanta balburdia e de tanta mentira, a última salvação é apelar para Deus.
A que ponto chegou a tão prometida mudança!!!



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Bolsonaro mente sobre aumento do salário mínimo

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta 5ª feira (2.jan.2020) que o reajuste do salário mínimo foi “acima do que seria se a lei do PT estivesse em vigor”. A declaração é mentirosa.

A saúde recebeu o 13º salario porque tinha dinheiro sobrando.

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Foto Reprodução do Google

Nem que os poderosos chefões quisessem, não conseguiriam deixar o pessoal da saúde sem receber,  pois não existiria justificativas; só no ano de 2019 a saúde de Jeremoabo recebeu R$ 20.215.550,16(vinte milhões duzentos e quinze mil quinhentos e cinquenta reais e dezesseis centavos), muito dinheiro para pouca coisa.
Já os professores receberam o 13º salário na raça, com  coragem e muita dignidade, mesmo sendo humilhados, desprezados e  injuriados, porém, deram um exemplo para todos os funcionários, que sem luta nada se consegue, principalmente quando seus direitos são lesados. 
Infelizmente a administração municipal é inoperante, até a cultura foi prejudicada.
Durante as gestões anteriores de acordo com a Lei nº 9.431 de 11 de fevereiro de 2005, - Cria o Fundo de Cultura da Bahia - FCBA e dá outras providências - o município de Jeremoabo vinha recebendo recursos para a cultura; o governo Deri do Paloma durante os meses de julho a dezembro de 2018 recebeu R$ 16,756,08(dezesseis mil setecentos e cinquenta reais e oito centavos), já no ano de 2019 zerou, não recebeu nada, no mínimo não souberam fazem os Boletins Informativos.
Esse dinheiro já serveria para ajudar aquele Museu que Djalma fez com a coragem e a cara, serviria para ajudar o folclore e a cultura de um modo geral.

Brecha na legislação dá sobrevida às siglas nanicas e viabiliza acesso ao fundo eleitoral


Charge do Jorge Braga (chargeonline.com.br)
Guilherme Caetano
O Globo
Apesar dos esforços para tentar frear a multiplicação dos partidos políticos no Brasil, uma brecha na legislação dá sobrevida às siglas nanicas. Os partidos que não alcançaram o desempenho mínimo determinado pela cláusula de barreira nas eleições de 2018, instituída pela reforma eleitoral de 2017, perderam acesso ao fundo partidário e à propaganda gratuita em rádio e TV, mas continuam recebendo as verbas do fundo eleitoral.
Este fundo foi criado no mesmo ano da reforma para financiar campanhas com dinheiro público e servir de alternativa ao fim do financiamento empresarial. O orçamento federal para 2020 prevê R$ 2 bilhões para o fundo eleitoral.
FUSÕES – Desde que a cláusula de barreira passou a valer, seis siglas já se fundiram. O PRP foi incorporado ao Patriota, o PPL se fundiu com o PCdoB, e o PHS, ao Podemos. Além deles, PV e Rede, enquadrada na cláusula após desempenho ruim em 2018, estudam uma fusão.
“Embora só possa ser acessado em período eleitoral, a cada dois anos, os recursos são grandes. É uma contradição e uma dificuldade para o propósito da cláusula de barreira de incentivar os partidos a se fundirem, a fim de se chegar num limite de 10, 15 partidos na Câmara”, afirma Bruno Carazza, doutor em Direito pela UFMG e especialista em partidos políticos e eleições, referindo-se às 24 legendas que hoje têm assentos na Congresso.
FUNDO BILIONÁRIO – Carazza se refere aos R$ 2 bilhões que serão distribuídos aos 33 partidos em funcionamento no país. O valor aprovado pelo Congresso para as eleições de 2020 representa um aumento de 18% em relação a 2018, ano em que foi usado pela primeira vez, quando o fundo era de R$ 1,7 bilhão. Os líderes parlamentares chegaram a propor elevar a quantia para R$ 3,8 bilhões, mas recuaram.
Lara Mesquita, cientista política e pesquisadora em estudos eleitorais e partidos políticos na FGV-SP, é mais reticente quanto à influência dessa brecha e acha que é cedo para avaliar seus efeitos. Isso porque há uma regra de transição até a implementação definitiva da cláusula de barreira.
Hoje, o dispositivo afeta partidos que não atingem 1,5% dos votos válidos nacionalmente. Esse percentual tem que ser atingido em pelo menos nove estados da federação e vai aumentando a cada eleição, até chegar ao patamar mínimo de 3% em 2030.
AVALIAÇÃO – “É uma brecha, sim, e seria melhor se não existisse. Mas o recurso não é anual, não paga aluguel de sede, salário de dirigentes, realizações de convenções. Este foi o primeiro ano em que os partidos não receberam recursos do fundo partidário, então acho que quando entregarem a próxima prestação de contas teremos uma melhor ideia sobre isso”, afirma ela.
O partido Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, é um exemplo. Impedido de acessar o fundo partidário, a sigla tem se mantido por meio de doações voluntárias e apoio dos filiados. Terá, no entanto, R$ 27,9 milhões para suas campanhas eleitorais no próximo ano — recursos sem os quais, de acordo com interlocutores, o partido não teria chance de se manter competitivo.
FRAGMENTAÇÃO – Os especialistas concordam que a pulverização partidária no Brasil não é, em si, um problema. Eles citam exemplos de Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Índia, onde existem dezenas de partidos. A diferença é que nestes países poucos deles têm representação no Congresso.
“O maior partido no parlamento brasileiro tem cerca de 10% das cadeiras. Isso é muito pouco para o maior partido. No Brasil, nos últimos anos, estamos fazendo mudanças para nos aproximar das regras da Alemanha. Mas aqui a cláusula só limita o acesso ao recurso público e à propaganda gratuita. Na Alemanha, a cláusula é um veto a ocupar uma cadeira no parlamento”, diz Lara Mesquita.
“DENSIDADE IDEOLÓGICA” – Bruno Carazza segue a mesma linha. Para ele, o problema é que partidos com pouca “densidade ideológica” e pouco número de filiados consigam ter representação no Congresso. Essa é uma situação que vem se agravando nos últimos 25 anos.
No início do primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, o maior partido da Câmara era o PFL (hoje, DEM), com 117 deputados. Já o PSDB tinha 95 parlamentares. Hoje, as maiores bancadas da Casa são PSL e PT, com apenas 53, cada.
“Como a gente tem muitos partidos que, em geral, dizem muito pouco ao eleitor, acabamos conduzindo a eleição para ela ser disputada de modo personalista. Na medida em que temos muitos partidos fracos, entre centenas de milhares de deputados, para um candidato se destacar nessa multidão ele precisa gastar muito dinheiro. Quanto mais dinheiro gastar, maior a chance de ser eleito “, afirma Carazza.
REDUÇÃO – O cientista político Magno Karl defende a ideia de uma redução da fragmentação partidária, mas afirma que isso não deve se sobrepor ao direito dos cidadãos se organizarem partidariamente.
“A cláusula de desempenho é uma medida benéfica, que no longo prazo poderá nos ajudar a reduzir a fragmentação partidária nas casas legislativas. No entanto, acho saudável que ela não seja determinante para que partidos políticos possam apresentar candidaturas nas eleições”, diz Karl.

Impeachment de Bolsonaro é o palpite para uma das crises a serem abertas em 2020


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Charge do Bira Dantas (Arquivo Google)
J.R.GuzzoEstadão
O ano começa e o brasileiro já tem na vitrine, à sua escolha e em muitos casos a preço de saldo, todo tipo de desgraças que o noticiário político vai lhe oferecer como companhia para os próximos 365 dias. Não vale a pena, levando em conta o ano que acaba de se encerrar, ficar muito impressionado com a quantidade e variedades das ofertas.
Em 2018 houve mais ou menos umas 25 crises diferentes, todas “importantes”, e no fim das contas tudo acabou em três vezes zero. Tivemos a fatal demissão do ministro Zé, ou do ministro Mané, e as brigas definitivas entre um monte de gente de quem você nem lembra mais o nome.
MUITAS CRISES –  Tivemos os acessos de nervos do presidente da Câmara e a intervenção internacional na Amazônia “em chamas”. Houve o STF. Houve os Filhos do Presidente. Houve as gravações que iriam exterminar o ministro Moro. No fim, continua todo mundo vivo.
Um bom palpite sobre a crise a ser mais alavancada pelo noticiário em 2020? Tentem o impeachment do presidente da República. Não chega a ser uma novidade, pois dos cinco presidentes eleitos no Brasil desde a volta das eleições diretas, dois foram postos para fora do cargo por procedimentos de impeachment, Collor e Dilma. Tentaram emplacar o impeachment de mais um, Fernando Henrique (“fora FHC”) e já querem, agora, soltar o mesmo rojão para cima do presidente atual. (Só um, o ex-presidente Lula, escapou dessa sina; em compensação foi parar na cadeia).
VIROU  UM VÍCIO – A democracia no Brasil, aparentemente, tem essa particularidade: todo mundo se diz disposto a dar a própria vida pelas eleições diretas, mas assim que sai o resultado das urnas a turma que perdeu começa a procurar um jeito de derrubar o candidato que ganhou – e como não é mais possível fazer isso com golpe militar, a grande solução é o impeachment. Está na Constituição. Faz parte das “instituições”. Virou vício.
No caso de Bolsonaro, já estava se falando em impeachment logo que ele começou a governar – mas houve tanta crise nesse seu primeiro ano de governo, como dito acima, que parece não ter sobrado tempo para depor o homem.
Agora, como as crises não têm dado em nada, voltou a aparecer a conversa do impeachment – junto com as inevitáveis “pesquisas” que mostram a sua popularidade caindo para abaixo do número zero. (É outra regra da democracia à brasileira: o único político que está autorizado pelos “institutos de pesquisa” a ter popularidade é Lula, embora não possa dar três passos no Viaduto do Chá.).
HÁ CONDIÇÕES… – Naturalmente, como diz a lei, é preciso que um presidente tenha praticado um crime, no ofício da presidência, para responder a um processo de impeachment. Mas isso é só um detalhezinho bobo que não vai estragar a discussão, não é mesmo? De mais a mais, sempre se acha um crime qualquer por aí e assim a discussão pode continuar rolando. Segue o jogo.
Esperem um pouco, portanto, porque o impeachment pode estar vindo aí. É pura pescaria em água mais do que turva, mas a política no Brasil não consegue pescar em água limpa – e nem quer.

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