
Até agora, o “The Intercept” só publicou 1% do material colhido
Carlos Newton
Bem (ou “Well”, como dizia Paulo Francis) já estamos na quinta-feira, quatro dias se passaram e até agora o badalado site “The Intercept Brasil” ainda não conseguiu publicar a segunda parte das denúncias para destruir a Lava Jato, a maior e mais importante operação desfechada contra a corrupção no mundo, com base no Brasil e reflexos em diversos outros países.
No último domingo, dia 9, quando foi divulgada escandalosamente a primeira parte da prometida “série de reportagens”, o site chegou a noticiar que só havia sido divulgado 1% das informações obtidas pela invasão e clonagem dos celulares de pelo menos duas grandes personalidades de renome internacional – o ex-juiz Sérgio Moro e o procurador-federal Deltan Dallagnol, os dois maiores destaques da Lava Jato.
CADÊ AS DENÚNCIAS? – Ao lançar o que chamaram de “Parte 1 – Série de reportagens mostra comportamentos antiéticos e transgressões que o Brasil e o mundo têm o direito de conhecer”, os jornalistas Glenn Greenwald, Betsy Reed e Leandro Demori deixaram claro que havia muito mais coisa a divulgar do que a meia dúzia de mensagens da matéria de abertura da “série”.
“Informar à sociedade questões de interesse público e expor transgressões foram os princípios que nos guiaram durante essa investigação, e continuarão sendo conforme continuarmos a noticiar a enorme quantidade de dados a que tivemos acesso”, escreveram, acrescentando: “O enorme volume do acervo, assim como o fato de que vários documentos incluem conversas privadas entre agentes públicos, nos obriga a tomar decisões jornalísticas sobre que informações deveriam ser noticiadas e publicadas e quais deveriam permanecer em sigilo”.
CONTANDO AS HORAS… – Well, já se passaram quatro dias, e o respeitável público fica contando as horas, igual ao Kid Abelha: “Quem sabe o fim da história? De mil e uma noites de suspense no meu quarto?…”.
Ora, todo mundo quer saber o fim da história de Moro e Dallagnol, especialmente as tramas diabólicas, que incluem o desbaratamento da maior quadrilha de corrupção da História Universal e o plano maquiavélico para destruir um homem honrado como Lula da Silva, que até então era “O Cara”, na visão irônica de Barack Obama.
O povo está inquieto e quer detalhes. Onde estão os 99% dos textos que ainda não foram divulgados? Alguém os interceptou? Ou será que tudo se resume a esta mensagem?: “Olá, Diante dos últimos desdobramentos, talvez fosse o caso de inverter a ordem da duas planejadas“, escreveu Moro a Dallagnol. Ou a esta outra pergunta: “Não é muito tempo sem operação?”
DEPOIMENTO DE LULA – Ou o escândalo se deve a este desabafo do juiz, ao saber que a Procuradoria pretendia adiar o primeiro depoimento de Lula?: “Que história é essa que vcs querem adiar? Vcs devem estar brincando”, escreveu Moro a Dallagnol. “Não tem nulidade nenhuma, é só um monte de bobagem“.
Por fim, quem sabe este escândalo todo se resume a uma resposta de Moro a Dallagnol, sobre a perda de tempo de ouvir determinadas testemunhas?. “Blz, tranquilo, ainda estou preparando a decisão, mas a tendência é indeferir mesmo“, respondeu Moro.
Well, estas quatro mensagens curtas de Moro no celular de Dallagnol, transmitidas em dias e meses diferentes no intervalo de dois anos (2016 e 2017), são as grandes provas de “acerto” entre o procurador e um juiz federal que inocentou, neste mesmo período, 54 réus denunciados por ele. Como diria o racional Bussunda: “Fala sério!!!…”.
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P.S. 1 – Moro funcionava como juiz de instrução, na época. Era ele quem autorizava as operações da Lava Jato e estava obrigado a tomar conhecimento do andamento das investigações, para quebrar sigilos dos réus e determinar as operações policiais, incluindo prisões preventivas e temporárias, conduções coercitivas e ordens de busca e apreensão, nas sucessivas operações em diversas cidades, espalhadas pelo país. Falar uma vez ou outra com o procurador é natural para o juiz de instrução.
P.S. 1 – Moro funcionava como juiz de instrução, na época. Era ele quem autorizava as operações da Lava Jato e estava obrigado a tomar conhecimento do andamento das investigações, para quebrar sigilos dos réus e determinar as operações policiais, incluindo prisões preventivas e temporárias, conduções coercitivas e ordens de busca e apreensão, nas sucessivas operações em diversas cidades, espalhadas pelo país. Falar uma vez ou outra com o procurador é natural para o juiz de instrução.
P.S. 2 – Este texto foi escrito às 16 horas desta quarta-feira, dia 12, e até agora, nada… Se não publicar as denúncias adicionais que diz ter contra a Lava Jato, o site “The Intercept” precisará trocar de nome para ser conhecido como “The Incompetent”, um título que fica mais muito mais apropriado.
P.S. 3 – Agora de manhã cedo, soube que divulgaram um diálogo sobre o Supremo, em que Moro faz uma piada e diz “In Fux We Trust”. Outros diálogos também foram divulgados. Mas, sinceramente, cadê a comprovação do conluio, da conspiração, da “perseguição política” a um corrupto vulgar como Lula???? (C.N.)




