quinta-feira, janeiro 17, 2019

FHC diz na França que Bolsonaro é de extrema direita e já afeta a imagem do país


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso durante entrevista na fundação que leva seu nome, no centro de São Paulo
FHC diz que faz oposição a Bolsonaro, mas não apoia o PT
Paloma VarónFolha
Fernando Henrique Cardoso está em Paris e deu entrevista exclusiva à RFI (Rádio França Internacional) e explicou por que, mesmo não tendo votado no presidente Jair Bolsonaro e sendo “oposição”, não apoiou o petista Fernando Haddad em outubro de 2018. Falou também da crise da democracia brasileira, do fim de um ciclo iniciado com a Constituição de 1988 e de suas expectativas quanto ao novo governo.
O que aconteceu com o Brasil?
Uma transformação muito grande, porque o sistema político tal como ele foi montado por nós mesmos com a Constituição de 1988 chegou ao fim de um ciclo. Houve uma desmoralização da vida política, houve também um processo de corrupção que corroeu bastante o poder no Brasil e um desencantamento do povo. E o povo reagiu elegendo um candidato que era pouco conhecido, mas que aparecia como se fosse uma ruptura com tudo o que tinha sido feito anteriormente. Não acho que isso signifique o fim da democracia – na França muitas pessoas acreditam que foi –, é mais complexo que isso, é um ciclo que chega ao fim. É preciso refazer o sistema político, recriar confiança nas pessoas. Quem vai ser capaz de fazer isso é a questão.
Mas se não é o fim da democracia, como alguns pregam, é o sinal de uma crise da democracia?
Bom, as democracias estão em crise em geral. Onde há democracia representativa, mesmo aqui na França, penso que há um certo desencontro entre a vontade das pessoas e a representação delas na vida política. Então neste sentido sim, porque você tem hoje novas formas de comunicação que são fundamentais, que conectam as pessoas com muito mais velocidade, independentemente das instituições sociais e tudo o mais. Então, neste sentido, é uma transformação. Se a gente chamar de crise, é uma crise. No nosso caso, a gente tem um problema mais sério, que é a desmoralização.
Em uma entrevista recente, o senhor falou que, se este governo for de extrema direita, seria oposição. Ainda existe esta dúvida se é ou não um governo de extrema direita?
Não, não tenho dúvidas. Eu seria oposição de qualquer maneira, eu não votei nele. E também porque eu não concordo com as ideias que ele expressou durante a campanha. Agora isso não me leva a dizer que o governo vá ser um governo que quebre as regras democráticas, isso é outra coisa. Eu discordo da orientação política e acho que o que eu tentei dizer foi o seguinte: na eleição, não houve uma votação de escolha entre esquerda e direita, entre democracia e ditadura. Isso não estava em jogo. O que estava em jogo era esta irritação da população com a corrupção e pela existência de uma violência espraiada no país. Eles queriam ordem. Foi mais em função de simbolizar a ordem e não estar vinculado a processos corruptivos que levou Bolsonaro à eleição. O que não quer dizer que o governo não tenha dentro dele elementos de direita. Tem.
E de extrema direita?
De extrema direita. Com visão bastante reacionária, em alguns setores. Agora, isso vai prevalecer? Aí depende, depende do jogo da sociedade, depende da resistência do Parlamento, da imprensa, não é tão simples assim. As pessoas quando ganham, não fazem tudo o que querem. Eu fui presidente eu não fiz tudo o que eu queria. Não se consegue, a sociedade existe. Então eu acho que a oposição precisa sempre existir. Na democracia, é necessário que exista oposição. Agora oposição, ao meu ver, o que não pode é ser destrutiva, no sentido de dizer que tudo o que vai ser feito pelo governo é errado porque vem do governo. Eu não sei, o que fizer errado eu sou contra. O que não tiver errado, por que eu vou ficar contra? Eu digo errado no sentido do bem-estar do povo, do crescimento da economia, da manutenção das regras democráticas.
Aqui na França estamos acostumados a ver os partidos tradicionais fazerem uma frente republicana contra a extrema direita cada vez que ela chega ao segundo turno de uma eleição. E, poucos dias antes do segundo turno no Brasil, eu fui à Assembleia Nacional francesa e falei com deputados de diversos partidos e tendências que não entendiam por que não houve isso no Brasil.
O PT nunca se mostrou aberto neste sentido, então é difícil encontrar razões [para apoiar]. Fizeram tantas coisas erradas, será que o meu voto vai fortalecer estas coisas erradas? Mas também não vou votar naquele em quem eu não acredito. Eu não vi como uma situação de que o novo governo é uma ameaça à democracia. Neste caso, teria de se fazer uma frente democrática. Mas não foi posto assim lá. Foi posto depois ou na hora do desespero da campanha final. Mas não é o que estava em jogo, eram outras questões que estavam em jogo. Eu não achei que valesse a pena comprometer minha posição de pensamento por uma candidatura que se dizia progressista, mas que tem em si as marcas do desastre que houve no Brasil: a estagnação da economia, pauperização, não intencionada, mas como consequência de muitos malfeitos e muita corrupção. A corrupção não era pessoal só, mas das instituições, o que é mais grave.
Esta corrupção das instituições já não existia antes? Não é um caso crônico do Brasil?
Não, aí é que está a diferença. Você pode dizer que sempre houve corrupção, sempre haverá, aí é outra coisa. Não é isso não: é a organização da corrupção como base de poder. É outra coisa, muito mais grave. Não é corrupção de A, de B ou de C que é má-conduta pessoal, que está errado, mas além disso você tem aqui a corrupção de um sistema que passava pela utilização de empresas públicas para financiar empresas privadas que financiavam partidos de maneira sistemática. Isso é algo muito contra a democracia, contra a liberdade. E eu não posso escolher este lado contra o outro.
Voltando ao governo Bolsonaro, qual a sua avaliação destes primeiros dias? O senhor acha que o fato de o Brasil ter eleito um presidente de extrema direita vai afetar negativamente a imagem do país?
Vamos começar por aí. Afeta. É claro que afeta. A percepção do resto do mundo e particularmente na França é negativa. O governo começou complicado, com a recusa do pacto de imigração, dizer que vai sair da convenção sobre o clima, são posições difíceis de imaginar que o mundo aceite com aplausos. Dentro do governo, tem setores ultraliberais, na parte econômica, setores que são culturalmente atrasados, reacionários, e setores que são fora do mundo, “démodé”.
E como fazer com que isso funcione? Para que eles se entendam para governar?
Este é o ponto, é difícil ver. Você vê que, no começo do governo, estão dando muitas cabeçadas, um diz uma coisa, o outro diz outra coisa e tal. Eu sou prudente, eu fui presidente, eu sei que é difícil, não gosto de jogar pedra toda hora e às vezes no começo as pessoas custam a se ajeitar. Mas aí é mais do que isso, são setores muito desencontrados. Eu sou brasileiro em primeiro lugar; o meu partido, para mim, vem depois. Eu quero o bem-estar do povo e tenho uma visão de mundo. Acredito na humanidade, acho que tem valores universais, direitos humanos, essa coisa toda, então eu torço para que não façam erros, não torço para que errem. Deixa ver o que vai acontecer. Mas que estão dando cabeçada, estão.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – FHC é um pavão e fala pelos cotovelos. Por isso, reduzimos sua entrevista à expressão mais simples. Na França, ele se sente como o Rei Luís XV e fica achando que depois do governo dele houve um dilúvio no Brasil e no mundo. (C.N.)

Em Curitiba, Moro podia ir ao supermercado, agora puseram-no num outro mundo


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Moro está vivendo uma realidade totalmente diversa
Elio GaspariO Globo/Folha
No sábado, o ministro Sergio Moro foi chamado ao Palácio da Alvorada para uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro e três colegas para decidir o que fariam com Cesare Battisti. Ele fora preso na Bolívia, e a Polícia Federal havia mandado um avião para trazê-lo de volta. Dias antes, Moro havia oficiado à Casa Civil para que exonerasse a diretora de Proteção Territorial da Funai, Azelene Inácio. O ministro vivia suas primeiras experiências no mundo da fantasia do poder.
A cena do sábado era pura ilusão do poder. O governo boliviano já decidira mandar Battisti para a Itália, e um avião já saíra de Roma para buscá-lo. O cumprimento da determinação para que Azelene fosse demitida era de outro tipo, pois deveria tramitar na burocracia do Executivo. Em Curitiba, Moro mandava prender, e preso o cidadão seria. Caso o detento quisesse recorrer, a petição seguiria de acordo com o lento ritual do Judiciário.
SEM DEMISSÃO – Em Brasília, as coisas são, mas podem não ser. Na segunda-feira, Azelene, como o Alex da Apex, informou que continuava dando expediente e acrescentou que se sentia perseguida, como se estivesse “dentro do governo do PT”. A diretora continuou trabalhando porque a ministra Damares Alves, em cujo latifúndio jogaram a Funai, disse-lhe que reverteria a determinação de Moro.
O ministro da Justiça determinou à Casa Civil que exonerasse a diretora porque o Ministério Público apontou para um conflito de interesse na sua permanência. Passou-se uma semana e nada. Lula entregou-se à Polícia Federal em menos de 48 horas. Em Curitiba, o Ministério Público denunciava, o juiz condenava e fim de caso, mas, no Paraná, Moro podia ir em paz a um supermercado.
MÁ EXPERIÊNCIA – Em Brasília, ele teve a má experiência de ser interpelado por um cidadão que também fazia suas compras. (Registre-se que Moro reagiu com a fleugma que faltou ao ministro Ricardo Lewandowski ao ser ofendido num avião.)
Brasília reserva outras surpresas a Moro. A maior delas certamente virá da imprensa. Na Vara Federal ele tinha um razoável controle da sua exposição. Tendo feito boa liga com o Ministério Público, os procuradores ajudavam-no a operar a opinião pública. Moro era a imagem do poder nacional, encarnando algo bem-vindo e novo. Suas decisões eram festejadas, mesmo quando absolvia. Podia dizer a um criminalista que advogados “atrapalham”, e a conversa morria por lá. Se repetir coisas assim, está frito. Escapou-lhe também o controle da agenda.
AGENDA VELHA – O carro da deputada Martha Rocha leva tiros de fuzil, e o problema cai sobre sua mesa. Fabrício Queiroz cala e dança, e ele não pode fazer suas compras em paz. Isso para não se mencionar o conflito que está em curso no Ceará. Como ministro da Justiça e da Segurança Pública, Moro ganhou uma agenda velha e empoeirada.
Com a ida ao Alvorada para tratar de um assunto que podia ser resolvido por telefone ou pelo WhatsApp, ele entrou nos elencos teatrais da Capital. A cidade lhe reserva outros teatros, mais demorados e muitas vezes penosos. Ele descobrirá isso quando tiver que segurar uma conversa em jantar de embaixada. Habituado ao secular e poderoso simbolismo da toga, estará obrigado a conviver em ocasiões solenes com sexagenários que se enfeitam com faixas acetinadas e circulam pelo evento com o paletó aberto.
Quando Moro aceitou o convite de Bolsonaro para o ministério, disse que estava “cansado de tomar bola nas costas”. Essas boladas podiam vir do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal, onde os jogadores são só 44. Pois agora levará caneladas e elas virão de todos os lados.

Quem pedia um governo militar já foi atendido, agora é esperar pelos resultados


ditadura
Charge do Iotti (Zero Hora)
Carlos Newton
Quando o desgoverno de Dilma Rousseff passou a fazer água e sobreveio a maior recessão de todos os tempos, iniciou-se um forte movimento a favor da intervenção militar. As redes sociais, sites e blogs transmitiam esse recado, que o então deputado Jair Bolsonaro soube interpretar ao se lançar candidato à Presidência da República. Na época, por um erro de avaliação, o pastor Everaldo Pereira, presidente do PSC (Partido Social Cristão), negou legenda a Bolsonaro, a quem tinha batizado nas águas do Rio Jordão em março 2017. Foi a maior mancada política da História Republicana.
Se tivesse apoiado Bolsonaro, hoje o PSC do pastor estaria no poder em Brasília, com a maior bancada da Câmara, dois governadores (Wilson Witzel, no Rio de Janeiro, e Wilson Lima, no Amazonas) e uma forte participação também no senado, com cinco representantes.
SEM PARTIDO – Conseguir uma legenda para disputar a eleição foi um drama para Bolsonaro, liminarmente recusado por todos os partidos evangélicos. No desespero, assinou compromisso de se filiar ao PEN (Partido Ecológico Nacional) que se empolgou e até trocou de nome, para Patriotas. Mas o acordo não foi em frente e Bolsonaro ficou novamente sem legenda. Por incrível que pareça, as pesquisas já o indicavam como o maior rival de Lula, mas nenhum partido se interessava, algo inexplicável. Até que, na undécima hora, surgiu o nanico PSL… E, depois houve o esfaqueamento, que ajudou muito a eleger o capitão.
Essa aversão dos partidos a Bolsonaro era justificada, porque todos sabiam que a verdadeira legenda dele era verde-oliva. Os políticos temiam um retrocesso institucional, que era justamente o objetivo de expressiva parcela da opinião pública, já farta de tanta corrupção e incompetência.
GOVERNO MILITAR – No final, o que hoje se vê é um meio-termo. Pela primeira vez, o país tem um governo militar eleito nas urnas. Como diz o ditado, Deus às vezes escreve certo por linhas tortas. O mais interessante é que os militares se garantem e acham que têm condições de levar o país a bom rumo.
Concordo que a incompetência dos civis foi tamanha que a expectativa é de que os militares se saiam bem. Aliás, são muito mais confiáveis do que os civis. Pessoalmente, não acredito que irão entregar a Petrobras, considerada hoje a petroleira de maior potencial de crescimento no mundo, nem tampouco a Eletrobrás, por sua função estratégica.
Os oficiais-generais são discretos, parecem que estão devagar, mas em duas semanas já dominaram o governo e restabeleceram a diplomacia independente, a única que realmente funciona.
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P.S. 1 
– Bolsonaro precisa se dar conta de que tem um cargo representativo e deixar os generais governarem. Pessoalmente, sou contra ditaduras civis ou militares, há uma ficha extensa com meu nome no Doi-Codi, da qual muito me orgulho. Mas ressalvo que não tenho nada contra um governo militar eleito pelo povo. Pelo contrário, torço para que dê certo.
P.S. 2 – Na Era Moderna, esquerda e direita já eram. Escrevo sobre esta realidade desde a década de 80, quando meus artigos foram debatidos na Escola Superior de Guerra, e estou apenas repetindo o que penso. Hoje, o importante é apenas o governo fazer a coisa certa, em defesa do interesse nacional, sem se mostrar refém de ideologias e correntes doutrinárias, como é o caso do superministro Paulo Guedes, que se orgulha de ser monetarista de Chicago. E podem me chamar de “comuna” à vontade, para mim é elogio. Aliás, tenho convicção de que os militares também são socialistas, mas ainda não perceberam. Capitalistas é que eles não são…  (C.N.)

Produção de armas poderá ajudar reduzir o inquietante desemprego no país?


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A produção pode aumentar muito, se a venda for facilitada
Pedro do Coutto
Esta pergunta deverá, penso eu, causar uma resposta positiva, que servirá para que se possa medir a profundidade econômica e social do decreto do Presidente Jair Bolsonaro sobre a posse de armas pela população brasileira. Afinal de contas, o decreto abriu largamente a criação de um novo mercado na cadeia produtiva. O fato de cada pessoa maior de 25 anos poder adquirir quatro armas diferentes pode proporcionar, não apenas uma lucratividade excepcional para os fabricantes, e também para as redes de comercialização.
Esse fato está muito bem colocado na reportagem de Jussara Soares, Karla Correa e Renata Mariz, edição de ontem de O Globo.
MEDIDA PROVISÓRIA – Além disso, a reportagem anuncia medida provisória capaz de legalizar até 8 milhões de armas hoje irregulares no Brasil. É claro que o bloco parlamentar conhecido como a Bancada da Bala empenhar-se-á para flexibilizar tanto a posse quanto o porte de armas, ainda este ano, de acordo com Bruno Góes e Amanda Almeida, reportagem também publicada pelo O Globo.
A bancada que hoje responde mais pelo nome de “Grupo Parlamentar pela Legítima Defesa” espera para o segundo semestre a extensão da posse para o plano do porte. Mas esta é outra questão. Vamos ver quais serão os efeitos que a liberação decretada poderão surgir no processo produtivo.
Calculando-se apenas com base no poder de compra da população brasileira podemos estimar que ainda em 2019, na minha impressão, poderão ser produzidas em torno de 3 milhões de armas, talvez um pouco mais em face da multiplicidade individual estabelecida no Decreto.
E A VENDA? – Fica no ar uma dúvida: se a produção será acompanhada por um sistema de comercialização muito mais amplo doo que o atual em vigor no país? De um lado, a produção vai exigir presença maior de mão de obra no mercado. De outro a comercialização terá que se basear numa rede muito maior que a atual.
Sem esquecer a incidência do IPI, tributo nacional, e do ICMS tributo estadual. Com isso, uma nova rede bem mais veloz que a atual refletirá as consequências financeiras da medida agora em vigor.
Claro que os fabricantes e as unidades comercializadoras vão alcançar lucros maciços, de acordo com o novo panorama projetado na escala das armas. Isso é natural. Vamos torcer também para que os instrumentos de defesa e também de ataque possam influir numa maior oferta de empregos, num universo fortemente abalado pelo desemprego que atinge 12 milhões de brasileiros e brasileiras.

Parlamento britânico mantém a desorientada May no cargo, apesar da derrota no Brexit


Proposta de May para sair da União Europeia foi derrotada
Theresa May tem de arranjar a solução até segunda-feira…
Deu em O Tempo(Estadão Conteúdo)
A primeira-ministra britânica, Theresa May, venceu a moção de desconfiança protocolada contra seu governo pelo Partido Trabalhista por 325 votos a 306. Logo após o anúncio do resultado, há instantes, May confirmou que o governo voltará ao Parlamento britânico na segunda-feira com uma nova proposta de acordo de saída da União Europeia (UE), depois que a versão apresentada ontem pela administração perdeu por uma margem histórica na Casa.
A premiê também convidou líderes de partidos no Parlamento a se reunirem com ela, já na noite desta quarta-feira.
O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, o mesmo que anunciou ontem a moção de desconfiança contra o governo de May, também fez breve pronunciamento após o anúncio do resultado da votação. “O governo deve remover a possibilidade de um Brexit sem acordo”, afirmou.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Ao convocar o plebiscito irresponsavelmente, o então primeiro-ministo David Cameron criou um problema que parece não ter solução. Os britânicos votaram numa onda de ufanismo, tipo “Reino Unido é o maior”, como se ainda fossem os donos do mundo. Esqueceram de fazer as contas. O resultado aí está. A premier Theresa May tem até segunda-feira para entregar o novo plano, que em tradução simultânea significa o seguinte: “O Reino Unido sai da União Europeia, mas não sai muito…”. Na verdade, o mundo está vivendo um tremendo retrocesso. Com base na irresponsabilidade das elites, o mundo mergulhou no consumo total, ninguém se contenta com nada, a ganância e o dinheiro é que importam, as desigualdades sociais se aprofundam, as migrações se repetem. É claro que isso não pode acabar bem(C.N.)

Decreto elaborado pelo ministro Moro sofreu sete alterações no Palácio do Planalto


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Sergio Moro se recusa a dar entrevistas e segue em frente
Andreza MataisColuna do Estadão
O decreto que flexibiliza a posse de armas, editado pelo presidente Jair Bolsonaro, tem ao menos sete diferenças em relação à minuta elaborada pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro. Embora não tenha dado declarações na cerimônia de assinatura do texto, soube-se, nos bastidores, que as divergências teriam chateado o ministro. A sugestão de Moro era mais restritiva: previa a posse para duas armas, e não quatro; não prolongava automaticamente registros já concedidos para dez anos e exigia a comprovação de cofre para artefatos, e não a mera declaração.
Na versão de Moro, era possível negar o pedido de registro com base em “fundadas suspeitas” de informações falsas ou de ligação com grupos criminosos. No texto final, só é negada a solicitação se houver comprovação desses pontos.
TIRO ESPORTIVO – O decreto assinado pelo presidente libera entidades de tiro desportivo a fornecer a associados e clientes munições recarregadas para uso em suas dependências. Já o texto encaminhado por Moro ao Planalto, no dia 4, não faz menção a isso.
Bolsonaro não acatou integralmente nenhum dos tópicos principais abordados por Moro (quem tem direito, em quais situações o pedido pode ser negado, prazo do registro e local seguro). Na maioria dos casos, fez modificações que ampliam o acesso.
SEM SURPRESAS – No Planalto, assessores de Bolsonaro rechaçam qualquer motivo que tenha causado insatisfação ao ministro. “Todo mundo sabia dos compromissos dele de campanha, ninguém pode reclamar agora”, disse um interlocutor do presidente.
O entorno de Moro diz que é só comparar os dois textos para saber o estado de espírito do ministro. A ordem, porém, é minimizar o episódio com o discurso de que “o projeto é do governo” e o resto é “especulação”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O ministro Moro está jogando o jogo. Faz a sua parte, não se mistura com o resto do time e se recusa a dar entrevistas. É a única maneira de sobreviver em plena cova dos leões. Mas não vai admitir que deem pitacos nas propostas de projetos de lei e emendas anticrime. É isso que interessa. (C.N.)

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