segunda-feira, outubro 29, 2018

Bolsonaro diz que convidará Sérgio Moro para ministro da Justiça ou o indicará para o STF

Por G1 — Brasília e São Paulo
 

00:00/12:13
Presidente eleito, Jair Bolsonaro é entrevistado no JN
O presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou na noite desta segunda-feira (29), em entrevista ao vivo ao Jornal Nacional, que convidará o juiz federal Sérgio Moro para ser o futuro ministro da Justiça ou então o indicará para uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal.
"Pretendo convidá-lo para o Ministério da Justiça ou – seria no futuro – abrindo uma vaga no Supremo Tribunal Federal, na qual melhor ele achasse que poderia trabalhar para o Brasil", afirmou Bolsonaro.
Na entrevista, além da questão sobre Sérgio Moro, o presidente eleito respondeu a perguntas sobre outros cinco temas:
  • classificou a Constituição como uma "bíblia";
  • afirmou que a acusação de homofobia é um "rótulo";
  • se declarou "totalmente favorável" à liberdade de imprensa;
  • disse que a fala sobre "marginais vermelhos" foi um "desabafo";
  • e pediu "uma oportunidade" aos eleitores que não votaram nele.
Leia abaixo a transcrição da entrevista.
William Bonner - Nesta edição especial do Jornal Nacional, nós temos a presença do 38º presidente da República Federativa do Brasil, Jair Messias Bolsonaro. Presidente, muito boa noite.
Jair Bolsonaro - Boa noite, Bonner, boa noite, Renata.
William Bonner - Primeiro, parabéns por essa vitória ampla nas urnas. Muito obrigado desde já por abrir as portas da sua casa para o Jornal Nacional nesta noite tão especial de um dia que certamente foi muito atribulado para o senhor. Nós já sabemos que, em primeiro lugar, o senhor deseja agradecer os eleitores brasileiros. E é muito justo. Por favor.
Jair Bolsonaro - Quero agradecer a todos que votaram em mim pelo apoio confiança, agradecer pelas orações. Afinal de contas, ao longo de quatro anos, não só na pré-campanha, mas na campanha, tivemos uma bandeira baseada na passagem João 8:32 e está na hora de o Brasil conviver com a verdade. Agradeço os que confiaram no meu nome nas urnas.

Constituição

William Bonner - Presidente, nesses poucos minutos, nós queremos aproveitar aqui a sua disposição para acalmar os ânimos que andaram tão acirrados ao longo dessa campanha. No primeiro dia depois do segundo turno, o senhor disse aqui, no Jornal Nacional, que será um escravo da Constituição de 1988. No último sábado, agora, na sua última aparição nas redes sociais antes da eleição, o senhor estava com um exemplar da Constituição nas mãos e reiterou que todas as suas ações seguirão os postulados da Constituição. No seu discurso da vitória de ontem, o senhor disse que vai defender as liberdades e vai defender a democracia. Diante disso tudo, o que é que o senhor diria àqueles que ainda insistem em dizer que a sua eleição é um risco para a democracia?
Jair Bolsonaro - Primeiro, dizer-lhes que as eleições acabaram. Chega de mentira. Chega de fake news. Realmente agora estamos em uma outra época. Eu quero governar para todos, como você bem disse, no Brasil. Não apenas para os que votaram em mim. Temos uma Constituição que tem que ser, realmente, a nossa bíblia aqui na terra. Respeitá-la, porque só dessa maneira podemos conviver em harmonia.

Preconceito e violência

Renata Vasconcellos - Durante a campanha, o senhor já teve a oportunidade de se desculpar por palavras mais fortes que usou em sua pregação sobre um projeto polêmico de educação sexual nas escolas. Chegou até a pedir desculpas aqui no JN por ter se excedido no calor das discussões. Em outra ocasião, disse enfaticamente não ter nada contra os gays. Depois, disse que vai lutar contra aqueles que querem dividir o Brasil entre homos e héteros, entre brancos e negros, entre sulistas e nordestinos. Há relatos concretos sobre pessoas que têm agredido gays – verbalmente e fisicamente. Na campanha, o senhor repudiou o voto dos que usam a violência. Como presidente eleito, o que o senhor diria para aqueles que ousem ser preconceituosos e agressivos contra outro ser humano apenas por serem gays?
Jair Bolsonaro - A agressão contra os semelhantes tem que ser punida na forma da lei e se for por um motivo como esse tem que ter pena agravada. Deixo bem claro: ganhei rótulo por muito tempo de homofóbico. Na verdade, fui contra a um kit feito pelo então ministro da Educação, Haddad, que de 2009 para 2010, onde chegaria nas escolas um conjunto de livros e cartazes e filmes onde passaram crianças se acariciando e meninos se beijando. Não poderia concordar com isso. A forma como ataquei essa questão é que foi um tanto quanto agressiva porque achava que o momento merecia isso. Tivemos em parte sucesso porque no ano seguinte a presidente Dilma, depois de ouvir as bancadas evangélica e católica, resolveu recolher o material. Mas o rótulo ficou em cima de mim. Isso tudo aconteceu por causa do 9º seminário LGBT infantil na Comissão de Direitos Humanos da Câmara onde presente estava o secretário de Alfabetização, André Lazaro. E os senhores podem pegar as imagens no YouTube onde ele dizia que passou discutindo até onde a língua da menina entraria na boca da outra. A essa agressão contra a família e contra a inocência das crianças em sala de aula resultou na minha forma um tanto quanto violenta, concordo, para tentar demover o ministério dessas cartilhas, filmes e cartazes.

Liberdade de imprensa

William Bonner - Presidente, o senhor sempre se declara, enfaticamente, aliás, um defensor da liberdade de imprensa. Mas, em alguns momentos da campanha, o senhor chegou a desejar que um jornal deixasse de existir. É indiscutível que a imprensa não é imune a erros e nem a críticas e isso vale para qualquer órgão da imprensa profissional. Mas também é fato que a imprensa livre é um pilar da democracia. Como presidente eleito, o senhor vai continuar defendendo a liberdade da imprensa e a liberdade do cidadão de escolher o que ele quiser ler, e o que ele quiser ver e ouvir?
Jair Bolsonaro - Totalmente favorável à liberdade de imprensa. Temos a questão da propaganda oficial do governo que é uma outra coisa. Mas aproveito o momento para que nós realmente venhamos fazer justiça aqui no Brasil. Tem uma senhora de nome Valderice, minha funcionária, que trabalhava na vila histórica de Mambucaba, e tinha uma lojinha de açaí. O jornal "Folha de S.Paulo" foi lá nesse dia 10 de janeiro e fez uma matéria e a rotulou de forma injusta como fantasma. É uma senhora, mulher, negra e pobre. Só que nesse dia 10 de janeiro, segundo boletim administrativo da Câmara de 19 de dezembro, ela estava de férias. Então, ações como essa, por parte de uma imprensa, que mesmo a gente mostrando a injustiça que cometeu com uma senhora, ao não voltar atrás, logicamente que eu não posso considerar essa imprensa digna. Não quero que ela acabe. Mas, no que depender de mim, da propaganda oficial do governo, imprensa que se comportar dessa maneira, mentindo descaradamente, não terá apoio do governo federal.
William Bonner - Então o senhor não quer que esse jornal acabe. O senhor está deixando isso claro agora.
Jair Bolsonaro - Por si só, esse jornal se acabou. Não tem prestígio mais nenhum. Quase todas as fake news que se voltaram contra mim partiram da "Folha de S.Paulo", inclusive a última matéria, onde eu teria contratado, né, empresas fora do Brasil, via empresários aqui para espalhar mentiras sobre o PT. Uma grande mentira, mais uma fake news do jornal "Folha de S.Paulo", lamentavelmente.
William Bonner - Presidente, me permita, como editor-chefe do Jornal Nacional, eu tenho um testemunho a fazer. Às vezes, eu mesmo achei que críticas que o jornal “Folha de S.Paulo” tenha feito ao Jornal Nacional me pareceram injustas. Isso aconteceu algumas vezes. Mas, para ser justo, do lado de cá, eu preciso dizer que o jornal sempre nos abriu a possibilidade de apresentar a nossa discordância, de apresentar os nossos argumentos, aquilo que nós entendíamos ser a verdade. A “Folha” é um jornal sério. É um jornal que cumpre um papel importantíssimo na democracia brasileira. É um papel que a imprensa profissional brasileira desempenha, e a “Folha” faz parte desse grupo da imprensa profissional brasileira. Mas a gente pode seguir adiante com a próxima pergunta da Renata, por favor.

'Marginais vermelhos'

Renata Vasconcellos - No discurso em que o senhor fez esta mesma afirmação sobre a imprensa, o senhor disse que os “marginais vermelhos” serão “banidos da nossa pátria”. O que o senhor quis dizer com isso?
Jair Bolsonaro - Foi um discurso inflamado, com a Avenida Paulista cheia e logicamente estava me referindo à cúpula do PT e à cúpula do PSOL. O próprio Boulos havia dito que invadiria minha casa na Barra da Tijuca por não ser produtiva. Vimos o candidato do PT derrotado em vídeo dizendo que a crise no Brasil só acabaria quando Lula fosse eleito presidente. Então, foi um momento de desabafo e em um discurso acalorado, mas não ofendi a honra de ninguém. No Brasil de Jair Bolsonaro, quem desrespeitar a lei sentirá o peso da mesma contra sua pessoa”.

Conciliação

William Bonner - Presidente, essa campanha foi muito polarizada, todo mundo sabe, todo mundo notou, às vezes até dentro de famílias houve brigas. O senhor certamente tem conhecimento disso. Ontem, em seu discurso, o senhor, muito corretamente, disse que será o presidente de todos os brasileiros. Para conseguir seu objetivo de conciliação nacional, respeitadas as diferenças de ideias, o que o senhor poderia dizer agora, neste momento, aqui no JN, para os que não votaram no senhor?
Jair Bolsonaro - Quero dizer a todos vocês que não votaram em mim que nós estamos no mesmo barco. Se o Brasil não sair dessa crise ética, moral e econômica, todos nós sofreremos as consequências do que se aproxima no futuro. Nós queremos é juntos, juntos com vocês, afinal de contas, nós temos tudo, tudo para ser uma grande nação. O que está faltando é a união de todos, evitar as divisões. Essas divisões apareceram no governo anterior, nordestinos-sulistas, brancos e negros, ricos e pobres, homos e héteros, isso nós vamos evitar. Vamos tratar todos iguais. E eu apelo àqueles que não votaram em mim. Nos dê a oportunidade agora de mostrar que, realmente, nós podemos fazer uma política de modo de que a felicidade se faça presente em nosso meio no futuro.

Sérgio Moro

Renata Vasconcellos - Uma última pergunta. O senhor disse há pouco à Record e ao SBT que pensa em convidar o juiz Sérgio Moro ou para o Ministério da Justiça ou para o Supremo Tribunal Federal. Qual dessas duas funções o senhor prefere para ele?
Jair Bolsonaro - O juiz Sérgio Moro é um símbolo aqui no Brasil. Eu costumo dizer que é um homem que perdeu sua liberdade no combate à corrupção. Ele não pode mais ir à padaria sozinho ou ir passear com a família no shopping sem ter aparato de segurança ao lado. É um homem que tem que ter o trabalho reconhecido. Pretendo conversar com ele brevemente, e já foi feita a sinalização positiva. Pretendo convidá-lo para o Ministério da Justiça ou – seria no futuro – abrindo uma vaga no Supremo Tribunal Federal, na qual melhor ele achasse que poderia trabalhar para o Brasil. Um homem com passado exemplar no combate à corrupção e em qualquer uma das duas casas ele levaria avante sua proposta. A corrupção tem que ser banida do Brasil, ninguém suporta mais conviver com essa prática tão nefasta.

Outras entrevistas

Além da entrevista à TV Globo, Bolsonaro também falou na noite desta segunda-feira ao SBT, à Rede TV, à Band e à TV Record.
PREVIDÊNCIA - Bolsonaro afirmou que pretende ir a Brasília na semana que vem para, junto com Michel Temer, tentar aprovar parte da reforma da Previdência que está atualmente parada no Congresso Nacional.
“A nossa reforma é um pouco diferente da do Temer, mas nós vamos procurar o governo e procurar salvar alguma coisa dessa reforma [...] Nós temos que ver o que pode ser aprovado, o que passa pela Câmara e pelo Senado. Agora, nós não podemos é não aprovar nada no corrente ano. Ela é bem-vinda e será feita do que depender de nós com muito critério e com muita responsabilidade”, afirmou Bolsonaro em entrevista ao SBT.
À Record, o futuro presidente disse que, junto com Temer, irá tratar da reforma da Previdência e também de formas para evitar que novas “pautas-bomba” entrem em votação no Congresso.
“Nós estamos com déficit monstruoso e não podemos aumentar esse déficit, ainda mais para a partir do ano que vem, sob o risco do Brasil entrar em colapso”, afirmou.
Atualmente, há um projeto de reforma da Previdência apresentado pelo governo de Temer na forma de emenda à Constituição à espera para ser votado na Câmara.
A proposta está parada desde fevereiro, quando foi decretada intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Durante os períodos de intervenção, não podem ser feitas alterações na Constituição – e a do Rio está prevista para terminar em 31 de dezembro.
Em entrevista à CBN, também nesta segunda-feira, o futuro ministro da Casa Civil, deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), deu um panorama diferente do apresentado por Bolsonaro sobre a reforma de Temer – que chamou de “remendo”, que “não duraria nem cinco anos”.
“Quanto à questão da Reforma da Previdência, eu defendo, mas, aí é uma questão de uma leitura que tenho e que ainda está em processamento, eu defendo que se faça de uma única vez, lá quando ele [Bolsonaro] já for o presidente, e algo proposto para que dure 30 anos", afirmou.
Em outra entrevista também nesta manhã, à Rádio Gaúcha, Onyx afirmou que a "tendência" é que o governo de Bolsonaro encaminhe um novo projeto de reforma da Previdência em 2019, após a posse do presidente eleito.
CONGRESSO - Bolsonaro disse ainda, na entrevista à Record, que “pela governabilidade” seria bom “diversificar” os cargos da Mesa Diretora da Câmara e que não pretende que o PSL fique com a presidência da Casa.
“O que eu tenho falado para a minha bancada é que eu gostaria que nós não lutássemos pela presidência da Câmara, oferecessemos para algum outro partido ali. Não tem mais partido grande no momento, né, e assim fosse a distribuição dos demais cargos da Mesa Diretora. Seria um início, um gesto de humildade da nossa parte que nós queremos que todos participem do governo”, afirmou.
“O que eu entendo é que, pela minha experiência de Parlamento, as vagas da Mesa devem ser ocupadas por quem já tem um mandato. Meu partido, se eu não me engano, 52, são 46 novos. Não deixam de ser pessoas competentes, mas eles têm que entender que, pela governabilidade, seria bom nós diversificarmos os cargos da Mesa Diretora”, disse.
ARMAS - O futuro presidente afirmou ainda que quer diminuir a idade para posse de arma de 25 para 21 anos e tornar a posse definitiva – atualmente precisa ser renovada periodicamente. Ele disse também que pretende flexibilizar o porte, que permite que pessoa possa levar a arma consigo, mas sem detalhar como.
“Nós queremos mexer na lei isso aí, e diminuir na lei de 25 para 21 anos de idade e, mais ainda, dar a posse definitiva para o cidadão, porque vira um IPVA das armas, não podemos criar mais um encargo para quem tem uma arma dentro da sua casa para defender a integridade da sua família. A posse de arma, mas o porte de arma de fogo tem que ser flexibilizado também”, afirmou à Record.
Para facilitar a posse, o futuro presidente citou a comprovação de “efetiva necessidade”, que atualmente é determinada pela Polícia Federal.
“[...] Um dos dispositivos lá do estatuto do desarmamento diz que você precisa comprovar a efetiva necessidade para comprar a arma de fogo e quem decide isso aí é a Polícia Federal, que é orientada pelo Ministério da Justiça e até mesmo pelo próprio Presidente da República. A orientação nossa é que a efetiva necessidade está comprovada pelo estado de violência em que vive o Brasil. Nós estamos em guerra, todo mundo diz isso aí, vocês mesmo da imprensa dizem isso aí”, afirmou.
O presidente eleito entende que, com a flexibilização do porte de armas, haverá redução da criminalidade.
“Fico pensando: por que o caminhoneiro não pode ter a posse da arma de fogo? Coloque uma situação do caminhoneiro que dormiu no posto e não tem mais o estepe no seu caminhão. Você casar isso com o excludente de ilicitude, e eu digo que é em defesa de vida própria e patrimônio próprio e terceiros, se alguém estiver furtando ou roubando seu estepe, ele vai dar um exemplo para a bandidagem que é o seguinte: ele atirou, elemento foi abatido em legítima defesa, ele vai responder mas não tem punição: vai diminuir a violência no Brasil com toda certeza”, afirmou.

Bolsonaro agora precisa de equilíbrio para fazer reformas sem autoritarismo


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Resultado de imagem para bolsonaro
Resultado das urnas não deu cheque em branco a Bolsonaro
Merval PereiraO Globo
A vitória expressiva de Jair Bolsonaro indica que as idas e vindas das pesquisas eleitorais captaram a repulsa a seu discurso exaltado a manifestantes na Avenida Paulista no domingo passado, mas não o recuo do presidente eleito, que chegou a perder votos na reta final devido a seu extremismo, mas os recuperou em boa medida ao se mostrar sensível à reação da opinião pública.
Foi uma vitória expressiva, mas não a ponto de dar um cheque em branco ao presidente eleito. Lula teve 20 milhões de votos de diferença para seus adversários nas duas eleições que ganhou – Bolsonaro teve perto de 11 milhões agora -, e, considerando-se dono do país, Lula inventou Dilma Rousseff e um esquema político ilegal para perpetuar seu grupo no poder.
ANTIPETISMO – O resultado é que desta vez falou mais alto, ao final, o sentimento antipetista que tomou conta da população depois que o saldo dos 13 anos de governos do partido dos Trabalhadores foi uma recessão brutal e o aparelhamento dos órgãos públicos para imposição ideológica de suas verdades, a corrupção para financiar a permanência no poder e alimentar a ganância de seus principais líderes.
Coube a Bolsonaro interpretar esse sentimento latente na sociedade brasileira, mas ele não deve se enganar: muitos dos eleitores que o escolheram não são dele, e estarão a partir de hoje em “apoio crítico”, como virou moda dizer, ou mesmo na oposição.
O fato é que a retórica radicalizada de Bolsonaro não corresponde ao desejo da maioria, e o novo presidente terá que ter sensibilidade para se enquadrar dentro do que a maioria do país quer, um governo reformista que, a partir da recuperação da economia, saiba unir os brasileiros sob uma orientação que pode ser conservadora nos costumes, mas nunca repressora ou autoritária.
CORRUPÇÃO DISSEMINADA – Muito da derrocada do PT se deve à corrupção disseminada, aos hábitos e costumes políticos que foram exacerbados pelos governos petistas como fórmula para a cooptação do apoio político, mas também pelo teor autoritário de muitas de suas iniciativas, que continuam em seu programa de governo.
Se a maioria não quer que nossa bandeira seja vermelha, como diz o mantra bolsonariano, também não quer um país dominado por um conservadorismo rastaquera que leve a retrocessos em setores em que já estamos conectados com os avanços civilizatórios das sociedades modernas, nos emancipamos como cidadãos livres.

Hoje minha voz chegou longe


Através  do wechat consegui falar com Pequim e  posteriormente com  Hong Kong, isso porque o advogado Vagner Montalvão do Escritório Brandão & Santana, que presta assessoria Jurídica a Empresa Huacheng Ltda, para lá se deslocou para resolver pendências.
É uma boa estada já que lá irá permanecer até o dia 17.11.2018.
É um escritório de advocacia localizado em Paulo Afonso/Jeremoabo, prestando serviços para empresa da China.

Brasil vai enterrar modelo econômico social-democrata, diz Paulo Guedes



O economista Paulo Guedes em 21 de outubro de 2018 no Rio de Janeiro
O governo do presidente eleito Jair Bolsonaro vai se concentrar em "mudar o modelo econômico social-democrata" no Brasil mediante um programa acelerado de privatizações e controle do gasto público, anunciou o futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes.
"O Brasil tem 30 anos de expansão de gastos públicos descontrolados (...) Esse modelo econômico corrompeu a política, subiram os impostos, subiram os juros, nos endividamos numa bola de neve", disse Guedes à imprensa no Rio de Janeiro.
Ultraliberal formado na escola de Chicago, Guedes condenou "o modelo social-democrata".
"Esse modelo social-democrata é ruim, somos prisioneiros do baixo crescimento, temos impostos altos, temos juros muito altos, comercializamos com poucos países", declarou.
Guedes antecipou que as primeiras medidas econômicas de Bolsonaro, que vai assumir o cargo em em 1º de janeiro, vão se concentrar no controle do gasto público.
Para isso, acrescentou, "precisamos de uma reforma da Previdência".
Também "vamos acelerar as privatizações porque não é razoável o Brasil gastar 100 bilhões de dólares pelo menos em juros da dívida".
Segundo Guedes, o plano econômico de Bolsonaro também prevê uma reforma do Estado e uma simplificação e redução de impostos.
https://br.financas.yahoo.com

Eleito tem de fazer reformas duras ou haverá no país uma crise insuportável

 


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Tirinha de Charles M. Schulz (Arquivo Google)
Vinicius Torres FreireFolha
Pode não ser nesta segunda-feira, mas, em alguma feira das próximas semanas, o presidente eleito terá de entregar o peixe que vendeu na campanha. Um problemão é que os eleitores vão descobrir apenas agora o que compraram.
Qual vai ser a reação do povo se e quando souber que o próximo governo vai implementar reformas para valer? Dúvida. Qual vai ser a reação dos donos do dinheiro grosso se não vierem tais reformas? Péssima. No mínimo, o país continuará estagnado. Qual então será a reação popular? Péssima.
E AS REFORMAS? – A hipótese “reformas” é mais provável no caso da vitória de Jair Bolsonaro (PSL). Sua campanha, porém, tratou mais de petralhada, de corrupção, de matar bandidos e de sexo nas escolas, nas artes ou nas ruas.
O que dirá o eleitorado quando souber de reforma dura da Previdência? Quando souber que, em caso de ajuste fiscal, o aumento do salário mínimo será menor, se algum? Que seria irresponsável diminuir impostos, assim como aumentar gastos sociais?
Em maio do ano passado, 71% dos eleitores eram contra a reforma previdenciária de Michel Temer, segundo o Datafolha. No caso dos eleitores de Bolsonaro, 73% rejeitavam o projeto. O candidato tinha então apenas 15% dos votos, embora talvez esses fossem bolsonaristas “raiz”.
DIZ O IBOPE – Em janeiro deste ano, pesquisa Ibope encomendada pelo governo indicava que apenas 14% dos eleitores aceitavam a reforma. Cerca de 70% eram contra a nova idade mínima de aposentadoria (ou seja, contra qualquer reforma, quase).
O povo acredita que o maior problema do INSS é a corrupção (75%, segundo pesquisa Ipsos para a FenaPrevi, de junho deste ano). Aliás, não apenas no INSS. Sem corrupção e privilégios para “marajás”, haveria dinheiro para tudo. Não haverá, nem de longe.
O povo poderá mudar de ideia sobre Previdência, por exemplo, caso Bolsonaro baixe o sarrafo legal nos bandidos? Ou o povo já teria mudado de ideia, sendo a rejeição à reforma apenas uma contaminação do governo de Michel Temer?
QUESTÃO DO GÊNERO – O povo não é massa de comportamentos unívocos, decerto. No ano passado, pesquisa Datafolha mostrava que “a homossexualidade deve ser aceita por toda a sociedade” para 74% dos eleitores. Ou seja, no mínimo metade do eleitorado de Bolsonaro no primeiro turno era dessa opinião.
Para 73%, porém, “adolescentes que cometem crimes devem ser punidos como adultos”. Para 70%, imigrantes pobres “contribuem com o desenvolvimento e a cultura da cidade”.
Para 63%, “o governo tem o dever de ajudar grandes empresas nacionais que corram o risco de ir à falência”. Para 76%, “o governo deve ser o maior responsável por investir no país e fazer a economia crescer”. Nos números frios, o eleitorado não parecia muito simpático a reformismos liberais.
MUITAS REFORMAS – Pode ser que Bolsonaro procure aprovar tanto reformas econômicas quanto leis que facilitem o armamento civil, o encarceramento de criminosos juvenis e o confronto policial armado. Parece ser seu plano. Resta saber se terá bastantes recursos políticos, que também são escassos.
Pode ser que desista de reformas quando sentir a pressão, de empresários protecionistas à opinião do povo miúdo, como tem feito, ao menos da boca para fora.
Se tomar esse rumo na encruzilhada, não haverá reviravolta positiva de ânimos e ritmo na economia. Se pegar a estrada das reformas, terá de dizer a muitos eleitores que eles pegaram o ônibus errado.

Bolsonaro foi eleito com votos de 39,5% do eleitorado brasileiro; Haddad venceu na maioria das cidades

Mais de 60% dos eleitores - 89 milhões - votaram em branco, nulo, no candidato petista ou se abstiverem de ir às urnas eletrônicas, contestadas antes e durante a campanha do capitão da reserva.
Reprodução
Com 99,99% das urnas das 454.490 seções eleitorais apuradas, o Tribunal Superior Eleitoral encerrou a contagem dos votos nesta segunda-feira (29).
Mesmo com a vitória nas urnas eletrônicas – muito contestadas antes e durante sua campanha -, Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito Presidente do Brasil com os votos de apenas 39,5% do eleitorado do país, que soma 147.306.294 pessoas.
A maioria dos eleitores – 89 milhões – votaram em branco, nulo, no oponente Fernando Haddad (PT) ou se abstiverem de ir às urnas. O número representa um porcentual de 60,5% do total de eleitores.
Com 47 milhões de votos – que representa 31,9% do eleitorado – Haddad foi o vencedor das eleições em 2.810 das 5.570 cidades que disponibilizaram urnas para votação, o que representa mais da metade dos municípios (50,44%). O capitão da reserva saiu vitorioso em 2.760 cidades – 49,66%.
E a promessa de Bolsonaro de exterminar a esquerda do Brasil felizmente não deu certo. Com 4 governadores eleitos, o PT é o partido que teve mais vitórias nas disputas estaduais e vai comandar Bahia, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte – que será governado por Fátima Bezerra, única mulher eleita para os governos de estados em 2018. Além do PT, o campo progressista vai governar outros cinco estados – PSB, com 3 governos, PDT e PCdoB, com 1 cada.
No Congresso Nacional, o PT também manteve o posto de partido com o maior número de deputados federais, mesmo perdendo 13 vagas – de 69 atuais para 56 a partir do ano que vem. O PSol foi o que mais cresceu no campo progressista, dobrando a bancada dos atuais 5 para 10 deputados federais eleitos, ficando à frente até mesmo do PCdoB, que perdeu uma cadeira e terá 9 representantes em 2019.
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