quinta-feira, maio 05, 2011

Nos jornais: Durval Barbosa é suspeito de pedofilia

CORREIO BRAZILIENSE

Durval suspeito de pedofilia
Para conseguir redução da pena em vários processos a que responde por corrupção, Durval Barbosa se valeu de uma delação premiada. Agora, está ameaçado de ir para a cadeia sob a acusação de pedofilia, crime hediondo, no qual não cabe nenhum tipo de acordo com a Justiça. Desde fevereiro, tramita investigação aberta pela Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA) com base em denúncia feita pela empresária Fabiani Christine Silva Barbosa Rodrigues, ex-mulher de Durval. Foi instaurado um processo na 6ª Vara Criminal de Brasília em que a principal testemunha da Operação Caixa de Pandora, com a atual mulher, Kelly Christina Barbosa Rodrigues, é acusada de violência sexual. Fabiani sustenta que seu ex-marido e Kelly abusaram de duas crianças. Um laudo elaborado por psicólogos da 1ª Vara da Infância e da Juventude (VIJ) concluiu que elas assistiram e participaram de atividades sexuais de Durval e da mulher.

Kelly, sem que tenha havido, de acordo com as investigações, “penetração completa, mas com fortes indícios de toques ou tentativa de penetração” em uma das supostas vítimas. O Correio teve acesso ao laudo, que tem 44 páginas e é sigiloso. O documento relata os fatos narrados por 21 testemunhas, em 26 depoimentos colhidos pela Justiça, entre os quais os das próprias crianças. A reportagem também obteve um parecer técnico apresentado pela defesa de Durval desqualificando a denúncia de crime sexual.

Na investigação que compromete Durval e Kelly, as supostas vítimas foram ouvidas pelos psicólogos Viviane Amaral dos Santos e Reginaldo Torres Alves Júnior, dois especialistas que atuam no Centro de Referência para Proteção Integral da Criança e do Adolescente em Situação de Violência Sexual do Tribunal de Justiça do DF. Os profissionais que assinam o laudo usaram uma técnica própria para lidar com casos de violência sexual contra crianças na primeira infância. Nessa fase, segundo especialistas, é difícil para uma vítima tão inocente compreender os fatos e relatá-los com precisão.

Pizza para Jaqueline já tem dois fregueses
Cresce na Câmara dos Deputados movimento para livrar Jaqueline Roriz (PMN-DF) da cassação. A parlamentar tem procurado membros do Conselho de Ética e Decoro e outros colegas para apresentar a defesa sobre as acusações que pesam contra ela. O resultado tem começado a surgir. Na sessão de ontem do colegiado, dois deputados demonstraram insatisfação com o curso das investigações. Os peemedebistas Mauro Lopes (MG) e Wladimir Costa (PA) questionaram a competência da Câmara para julgar atos cometidos antes do início do mandato, como é o caso das denúncias apresentadas contra Jaqueline. Outros conselheiros denunciam pressão no plenário para evitar a condenação da parlamentar. Hoje, às 9h30, a Mesa Diretora aprecia parecer do corregedor, Eduardo da Fonte (PP-PE), que pedirá a abertura de novo processo administrativo devido a indícios de quebra de decoro.

O receio de boa parte dos deputados é a abertura de precedente considerado perigoso por eles. O que está sendo colocado em jogo não é apenas o futuro político de Jaqueline Roriz — uma figura desconhecida para muitos deles —, mas a possibilidade de punir um deputado por delitos cometidos no passado. “Não é da nossa competência julgar um ato de 2006. Ela (Jaqueline) era cidadã comum, não pertencia à nossa Casa. Nem distrital era. Ela não era nada”, afirmou Mauro Lopes durante a sessão. A argumentação do peemedebista está em sintonia com as alegações do memorial entregue, na véspera, pela deputada.

E o Código deu um nó
As divergências em torno do novo Código Florestal inviabilizaram a votação marcada para ontem. O governo não se entendeu com o relator da matéria, Aldo Rebelo (PCd0B), e os próprios representantes do Planalto escalados para negociar com o Congresso apresentaram saídas distintas para resolver os impasses. Sem consenso, o jeito foi adiar para a próxima terça-feira a votação da matéria. Um prazo considerado insuficiente para acalmar os ânimos e possibilitar negociações. Apesar das ameaças da tropa palaciana de que a falta de consenso resultaria numa enxurrada de emendas parlamentares para adequar o texto aos interesses do governo, tentou-se até o último instante um acordo para a questão das áreas consolidadas em regiões que deveriam estar preservadas e também para a dispensa de reserva legal em pequenas propriedades.

Aldo insiste na tese de que propriedades de até quatro módulos fiscais devem ficar dispensadas da obrigação de recompor reserva legal. O governo discorda. Quer esse direito apenas para a agricultura familiar. O ponto que causou divergência até entre ministros que negociavam no Congresso se refere ao trecho do relatório que abre brechas para áreas consolidadas em Áreas de Preservação Permanente (APPs): são regiões já cultivadas e que, pelo texto, não precisarão recompor a vegetação. O governo, ou parte dele, acha que isso abre espaço para a monocultura nas APPs.

Durante as reuniões de ontem, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, não se mostrou resistente ao trecho, enquanto a ministra do meio Ambiente, Izabella Teixeira, tinha postura mais radical. As diferenças entre representantes do Executivo foram notadas durante as reuniões com os líderes. Apesar disso, Rossi disse que não há divergências e que a ideia é costurar acordos para que a base vote unida. “Esse é o último ponto de divergência. O governo deve atender ao reclame da base”, disse.

Senado já tem relator
O novo Código Florestal ainda estava em debate na Câmara quando o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), afirmou ao Correio que o senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) será o relator da proposta na Casa. “Ele é do PMDB e, por isso, foi escolhido. Será um excelente relator”, avisou.
Luiz Henrique, entretanto, não selecionado simplesmente por ser do partido. Em abril de 2009, quando era governador de Santa Catarina, ele sancionou o Código Ambiental do estado, que reduzia a mata ciliar em relação ao Código Florestal. O atual texto em análise na Câmara determina que o produtor rural preserve pelo menos 30 metros em cada margem de rios e córregos. A intenção do relator, Aldo Rebelo, era reduzir esse espaço à metade em alguns casos.

O código catarinense aprovado em 2009 foi mais benevolente: para propriedades acima de 50 hectares, o código estadual prevê a preservação de 10m. Terrenos com menos de 50 hectares teriam a área de preservação reduzida a 5m.

Embate ministerial
Da mesma forma que no governo Luiz Inácio Lula da Silva a então ministra Dilma Rousseff se desentendeu com a antiga colega Marina Silva por conta da preservação do meio ambiente, a ministra Izabella Teixeira não se entende com o titular da Agricultura, Wagner Rossi. A comparação entre as divergências na equipe de Lula e na atual corria à boca pequena ontem à noite no plenário da Câmara, enquanto os deputados tentavam explicar por que a votação do Código Florestal terminou adiada.

Rossi não vê a hora de aprovar a proposta e, com um pé na bancada ruralista, não tem restrições quanto às áreas consolidadas, ou seja, o conceito que derruba a exigência de recuperação de floresta em áreas que já são utilizadas para plantio. Mas o Meio Ambiente não aceita. Finca pés na necessidade dessa recuperação da mesma forma que Marina Silva resistia à liberação de licenças ambientais a toque de caixa. Marina, à época, terminou perdendo o cargo ao confrontar-se com a então titular da Casa Civil. Agora, caberá à presidente Dilma arbitrar quem vai vencer essa queda de braço no Executivo, uma vez que esse é um dos temas que travou a votação do texto do novo código no plenário e, enquanto o governo estiver dividido, dificilmente o parlamento votará a proposta.

Executivo monopoliza STF
Embora o Supremo Tribunal Federal (STF) seja apontado pelos próprios integrantes como uma Corte constitucional, pesquisa divulgada ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV) indica que o STF passa longe de ser um tribunal focado na análise de temas sobre a Constituição. Os números mostram que, entre 1988 e 2010, 92% dos processos julgados não diziam respeito a esse tipo de abordagem. De acordo com os dados, 0,5% das ações originárias da Suprema Corte tratam de matérias constitucionais.

A pesquisa Supremo em Números demonstra que o Executivo é o principal usuário do STF, tanto na condição de autor quanto na de réu, sendo o responsável por 90% dos processos na Corte. Os órgãos, autarquias e empresas ligadas ao Executivo federal respondem por 68% dos casos. Os dados apontam que, juntos, Caixa Econômica Federal, União e INSS respondem por 50% dos processos em tramitação.

“Não conheço Corte no mundo que permita tantos mecanismos de acesso como o STF”, disse o jurista Joaquim Falcão, um dos coordenadores da pesquisa da FGV. Ele criticou a quantidade de formas pelas quais se pode acionar o Supremo. São 37 ao todo, sendo que, desde 1988, 52 formas diferentes já foram usadas para ingresso de ações — algumas já extintas. “Hoje são 37. É como se fosse uma casa em que todos os dias à noite é necessário fechar 37 portas”, comparou.

Dilma adota ritmo mais leve no Alvorada
Desde que teve um foco de pneumonia diagnosticado no pulmão esquerdo, há uma semana, a presidente Dilma Rousseff diminuiu o ritmo de atividades da Presidência e segue despachando, somente com ministros, no Palácio da Alvorada, residência oficial do governo. O período de repouso recomendado pelos médicos e acatado pela petista chama a atenção por causa da reconhecida fixação de Dilma pela rotina de trabalho.

A previsão inicial era de que Dilma deveria permanecer em casa ao longo desta semana, dando continuidade ao tratamento com antibióticos até a próxima segunda-feira. O repouso, no entanto, será interrompido hoje para que ela receba o presidente da Alemanha, Christian Wulff. A visita do alemão começa no Palácio do Planalto e continua com um almoço no Palácio do Itamaraty. Até o fechamento desta edição, a presença de Dilma estava confirmada para os dois compromissos. Depois disso, porém, ela deve retornar para a rotina mais leve no Alvorada.

Aos que têm participado de reuniões na residência oficial, a presidente Dilma afirma que está se recuperando bem e já se sente melhor. Ontem, pela manhã, ela recebeu os ministros Antonio Palocci, da Casa Civil; Guido Mantega, da Fazenda; Luiz Sérgio, de Relações Institucionais; e Miriam Belchior, do Planejamento. Em pauta, além da votação do novo Código Florestal, estavam restos a pagar e a Marcha dos Prefeitos, que será realizada em Brasília na próxima semana.

PEC para recompor fundos
A oposição elegeu o aumento dos combustíveis e o esvaziamento financeiro das prefeituras e estados como mote para agregar a população ao discurso de resistência ao governo. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) reuniu 61 assinaturas e apresentou, ontem, em plenário, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permite a recomposição dos fundos formados com recursos da União e utilizados por estados e municípios (FPE e FPM, respectivamente) sempre que o governo abrir mão de impostos que compõem o bolo de tributos divididos entre os entes da Federação.

Aécio usou a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide-combustíveis) como exemplo para apresentar a proposta. De acordo com o senador, o Executivo acenou com a possibilidade de reduzir a Cide para reduzir o preço da gasolina. O parlamentar do PSDB alega que o imposto é redividido entre os estados, que seriam prejudicados pela medida do Planalto. Aécio questiona a escolha do governo pelo tributo. Se o Executivo tivesse optado por cortar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), sustenta o parlamentar mineiro, apenas a União sairia perdendo.

Além da PEC que cria o gatilho para proteger estados e municípios das medidas de isenção fiscal relativas a impostos compartilhados, o tucano também encaminhou um projeto de lei que propõe a recomposição das perdas dos entes federativos. A participação de estados e municípios no bolo de tributos arrecadados pela União caiu de 27%, em 2002, para 19,4%, no ano passado.

Procuradoria detalha pendências da usina
Um documento da Procuradoria-Geral da República (PGR) elaborado por peritos há pouco mais de um ano e apresentado em audiência na Câmara dos Deputados na terça-feira detalha os motivos para a usina nuclear Angra 2 não ter recebido, até hoje, a licença ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Autorização de Operação Permanente (AOP), que deve ser concedida pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). A nota técnica da 4ª Câmara de Coordenação e Revisão (CCR), braço da PGR responsável pelos assuntos de meio ambiente, elenca problemas na produção de efluentes líquidos, movimentação de encostas que margeiam a BR-101, indefinição na análise de dados sobre emissões radioativas e ausência de documentos que comprovem a segurança no funcionamento do empreendimento.

A Eletrobras Eletronuclear, responsável pelas usinas nucleares brasileiras, o Ibama e a Cnen, a quem cabe a atividade licenciadora, não cumpriram os acordos para sanar esses problemas firmados num Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) de março de 2001, como cita a nota técnica da PGR. Atender a todos os acordos foi a condição estabelecida no TAC para a emissão da licença pelo Ibama e da autorização permanente pela Cnen. Por essa razão, a usina Angra 2 funciona desde o início de suas atividades, há uma década, com base em autorizações provisórias, sucessivamente renovadas pelos órgãos licenciadores, conforme revelado pelo Correio em 23 de março. O episódio custou o cargo do presidente da Cnen, Odair Dias Gonçalves.

Inadimplência é um entrave
Uma solução para a dívida do ex-senador Luiz Estevão com a União começará a ser articulada na semana que vem, mas já tem ao menos um entrave. O governo federal não aceita parcelar a dívida do empresário pela Lei nº 12.249, por conta do acúmulo de dívidas com o erário que vão além dos desvios nas obras do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP). Pelo menos cinco empresas do Grupo OK estão inscritas na dívida ativa da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Em apenas uma delas, a conta chega a R$ 300 milhões. Cálculos informais da Advocacia-Geral da União (AGU) apontam que o débito poderia chegar a R$ 2 bilhões, em tributos não recolhidos e multas contratuais, entre outras penalidades. Estevão garante que pretende quitar tudo.

Um acordo para o pagamento do débito, calculado em R$ 1,1 bilhão pela Advocacia-Geral da União e em R$ 465 milhões pelo empresário como o Correio mostrou ontem, será costurado por advogados, AGU e o Tribunal de Contas da União (TCU) no próximo dia 12.

Os representantes da União adiantaram que a discussão passará longe dos termos iniciais pretendidos por Estevão. A mesa de negociações reunirá o advogado de Estevão, Marcelo Bessa; o procurador do Ministério Público no TCU, Marinus Marsico; e o diretor de Patrimônio Público da AGU, André Mendonça. “É lógico que a União quer receber, mas seria um caso único no mundo de dar abatimento de uma dívida a um dos maiores escândalos de corrupção do país”, diz Mendonça, contrário ao parcelamento pela Lei nº 12.249/2010. Hoje, a União já conseguiu o bloqueio de 1.255 imóveis do Grupo OK e de empresas ligadas a Estevão, além de um terço do Shopping Iguatemi, no Lago Norte.

Parcelamento em 15 anos
O ex-senador Luiz Estevão pretende fechar a fatura com a União aderindo a um programa de financiamento proposto pelo governo federal a partir da Lei nº 12.249/2010. O dispositivo abriu a possibilidade de parcelar dívidas tributárias ou não tributárias com a Fazenda Nacional, em até 180 meses, corrigidas apenas pela taxa básica de juros do país, a Selic. Além de liberar parte dos bens do ex-senador, o parcelamento também abateria em quase 60% a dívida cobrada pela União. Estevão pagaria R$ 465 milhões, contra os R$ 1,1 bilhão cobrados pela AGU.

Os órgãos envolvidos na negociação da dívida, entre eles o Tribunal de Contas da União, já acenaram que devem negar a inscrição da dívida na lei de refinanciamento. Um acordo para abater parte do débito em troca do pagamento imediato ou parcelado será discutido na semana que vem. A conta cobrada pela União a partir da Fazenda Nacional por débitos do Grupo OK, de R$ 293,6 milhões, também poderia entrar no acordo, mas é passível de parcelamento pela Lei nº 12.249/2010.

Avaliação do Exército
Enquanto não fecha um acordo para o pagamento das dívidas com a União, o ex-senador Luiz Estevão permanece sob risco de ter os bens incorporados ao Estado para a quitação do débito. A Advocacia-Geral da União pretende avaliar o valor de todos 10 imóveis alugados pelo Grupo OK para órgãos como a Polícia Federal e os ministérios da Cultura, do Meio Ambiente e da Integração Nacional, além do Governo do Distrito Federal. A ideia é contar com os peritos nomeados judicialmente para o levantamento, mas também com técnicos da própria AGU e até a área de engenharia do Exército.

O reforço militar contribuirá para dar transparência ao levantamento. “Avaliamos pedir o auxílio, inclusive, da área de engenharia do Exército. Pretendemos dar total transparência ao processo de avaliação dos imóveis que já estão inclusive sendo utilizados pela União”, confirma o diretor do departamento de Patrimônio Público da AGU, André Mendonça. No total, Estevão aluga para a União 100 mil metros quadrados no Setor Comercial. Embora sejam patrimônio do Grupo OK, os edifícios são administrados por três empresas comandadas pelos filhos do ex-senador. Os aluguéis fazem parte da penhora determinada pela Justiça contra os bens de Luiz Estevão.

Vagas só para apadrinhados
O Senado lançou mão de um ato administrativo para “fechar” o estacionamento do Anexo I das dependências do Congresso. Depois de publicar no Boletim administrativo de março regras sobre o uso das vagas, servidores da Casa receberam, via e-mail, o complemento da norma da Primeira-Secretaria. Pelo correio interno, os funcionários foram alertados de que, a partir desta semana, somente os indicados por senadores poderiam parar os carros na área externa do edifício. Desde a segunda-feira, o espaço foi reservado para os agraciados do “passe”.

“O estacionamento do Anexo I será de uso privativo. Portanto, somente terão acesso os servidores efetivos e comissionados que possuírem o cartão de estacionamento privativo do Anexo I, conforme distribuição de vagas definidas no ato do primeiro-secretário n° 3 de 2011”, informa o e-mail. A mensagem também diz que os terceirizados e os estagiários não poderão mais utilizar o estacionamento da Secretaria Especial de Editoração e Publicações (Seep). A área será reservada apenas a efetivos e a comissionados. Além de restringir o acesso dos funcionários, a medida abre uma brecha para que os parlamentares tenham a prerrogativa de conceder privilégios a um grupo restrito de servidores.

A regra é apenas mais uma da nova Diretoria da Casa a provocar reações inconformadas de 9 mil funcionários, entre efetivos, comissionados e terceirizados. A implantação do ponto biométrico recentemente foi outro item a gerar discórdia. Como os parlamentares podem isentar funcionários de seus respectivos gabinetes do registro eletrônico, na prática, o uso do ponto biométrico ficou restrito aos servidores concursados.

FOLHA DE S.PAULO

Partidos têm receita recorde, mas fecham ano com dívidas
A arrecadação recorde no ano passado não impediu que os principais partidos políticos do país terminassem 2010 com dívidas milionárias. PT e PSDB fecharam o ano com deficit de R$ 42,7 milhões e R$ 11,9 milhões, respectivamente. Os responsáveis pela contabilidade das duas legendas alegam que, além de terem gasto mais do que arrecadaram, ambos herdaram as dívidas das campanhas presidenciais e ainda registram despesa em aberto referente às eleições de 2006.

A maior dívida do PSDB é de R$ 8 milhões, com empresas de comunicação das campanhas de 2006 e 2010. O PT também tem dívidas referentes a propaganda eleitoral de 2010, de R$ 6,5 milhões, e pelo menos R$ 3,5 milhões em material gráfico. De acordo com a prestação de contas entregue nesta semana ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), explodiu a arrecadação declarada dos principais partidos, especialmente com doações de empresas – maior fonte de renda das siglas. Juntos, PT, PSDB, DEM e PMDB receberam doações de R$ 402 milhões – crescimento de 2.200% em relação a 2009 (ano sem eleições), e 375% maior que 2006 (ano de eleições nacionais).

Os repasses das empreiteiras, tradicionais colaboradoras, representam cerca de um terço do total. Além das doações, integram a receita o Fundo Partidário (parcela do Orçamento da União repartida entre os partidos) e as colaborações de filiados. Os números apresentados são um balanço consolidado da receita e da despesa de 2010, uma vez que os partidos já haviam prestado conta dos principais gastos feitos durante a campanha, entre junho e novembro.

Lula chama de "profetas do caos" os que preveem inflação alta
A uma plateia composta principalmente por economistas e agentes do mercado financeiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou ontem de "profetas do caos" os que creem na alta da inflação. Lula discursou à noite para cerca de 800 pessoas em São Paulo, a convite do Bank of America Merril Lynch. O evento era uma comemoração pela autorização obtida do Banco Central para que o Merril Lynch atue como banco múltiplo no Brasil.

Lula disse que a alta de preços ameaçou o país em 2002 e 2008, "mas foi superada com uma rigorosa política monetária e fiscal e investimentos no mercado interno". Apontando na plateia para o ex-presidente do BC Henrique Meirelles e para o ex-ministro do Desenvolvimento Fernando Furlan, Lula dizia que seu governo tinha sido responsável e que a gestão da presidente Dilma Rousseff também seria.

Dilma tira 3 milhões de meta antipobreza
A meta do plano de Dilma Rousseff para erradicar a miséria foi desidratada entre a eleição, quando era uma promessa, e anteontem, ao ter seu público-alvo anunciado. Em discursos e entrevistas na campanha, a então candidata falava que trabalharia para "resgatar" da pobreza extrema ao menos 3,4 milhões de pessoas a mais do que agora -19,6 milhões na época contra os 16,2 milhões anunciados anteontem.

Na eleição, Dilma adotava o critério de que miserável é quem tem renda de até um quarto de salário mínimo ao mês: R$ 136,25 em valores atuais. Já o programa oficial de governo trabalhará com a linha mais baixa – R$ 70. "Miserável é quem tem renda de até um quarto do salário mínimo. (...) Então, a gente tem de buscar eliminar esses 19,6 milhões de miseráveis", dizia a então presidenciável em junho de 2010.

No mesmo mês, reiterou a promessa na convenção do aliado PRB: "Nós temos essa missão de eliminar os 19 milhões que vivem com menos de um quarto do salário mínimo per capita. Não eliminar os brasileiros, eliminar a pobreza dos brasileiros". Já empossada, o discurso mudou: "Não acredito que o Brasil será um país rico se houver esses milhões de brasileiros que nós temos abaixo do que nós consideramos a linha de corte da pobreza, que são os R$ 70 per capita", disse em março, em Portugal.

Serra procura Alckmin para negar elo com dissidentes
O ex-governador José Serra procurou seu sucessor, Geraldo Alckmin, e outros líderes do PSDB para desmentir que seja o idealizador da debandada tucana rumo ao PSD de Gilberto Kassab. Serra se queixou do que considera uma tentativa de desgastá-lo no partido, proveniente, segundo sua avaliação, de pessoas próximas ao governador.

O encontro ocorreu na noite de anteontem, no Palácio dos Bandeirantes. Antes, o ex-governador havia falado por telefone com o presidente do partido, deputado Sérgio Guerra (PE), e com outros dirigentes tucanos. Segundo relatos obtidos pela Folha, Serra disse a todos que não se envolveu com a criação do PSD. Afirmou que tentou dissuadir Kassab, seu aliado, da ideia de deixar o DEM e criar a nova sigla.

O ex-governador fez um diagnóstico de que o PSD vai se aproximar do governo Dilma – e, portanto, não seria vantajoso para ele. A criação do novo partido provocou nas últimas semanas dezenas de baixas no PSDB e nos outros partidos de oposição, DEM, ao qual Kassab era filiado, e PPS. Procurado ontem pela Folha, Serra não respondeu.

Oposição protesta contra medida provisória que reúne 6 assuntos
Em protesto contra o governo federal, a oposição se retirou ontem do plenário do Senado para não votar medida provisória que reúne seis temas diferentes. Ainda assim, a MP foi aprovada. O grupo de dez senadores de DEM, PSDB e PPS abandonou o plenário após uma série de discursos contra a medida editada pelo Planalto. Trata-se do primeiro gesto público no Congresso contra o governo da presidente Dilma Rousseff.

A oposição critica o fato de a MP tratar de vários temas sem conexão entre si. Segundo os oposicionistas, a Constituição não autoriza a reunião de assuntos diferentes no mesmo texto editado pelo Executivo. "Esse Congresso é o quê? A Constituição está sendo rasgada. É uma indignidade. Vamos abandonar o plenário em protesto contra a atitude do Senado de chancelar tudo o que vem do Executivo, inclusive medidas dessa qualidade", disse, aos gritos, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que jogou no chão uma cópia da medida provisória.

Leia mais sobre o episódio: Demóstenes rasga texto de MP e protesta em plenário

Saldo da entrada de dólares no país despenca em abril
Após as medidas tomadas pelo governo para conter o ingresso e evitar uma maior desvalorização do dólar, o saldo entre a entrada e a saída da moeda no país caiu fortemente em abril. No mês passado, o volume de dólares que veio para o Brasil foi US$ 1,54 bilhão superior ao que deixou o país. O número leva em conta recursos para aplicações financeiras e comércio exterior.

Apesar de positivo, o saldo registrado em abril ficou bem abaixo dos resultados alcançados nos três primeiros meses do ano e foi 88% menor do que o de março. Entre o fim daquele mês e o início de abril, o governo anunciou a cobrança de 6% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) em empréstimos tomados por bancos e empresas no exterior.

Para economistas, a redução do saldo no mês passado se deu porque os investidores anteciparam as aplicações no primeiro trimestre, já temendo as medidas que o governo ameaçava tomar. Até março, o saldo cambial foi 46% maior do que em todo o ano de 2010. Em abril, depois da tributação dos empréstimos externos, a conta financeira – que computa o fluxo de recursos para bolsa de valores e títulos públicos, entre outros- foi negativa em US$ 1,7 bilhão.

No Pará, servidor-fantasma foi "contratado" com 1 ano de idade
A Assembleia Legislativa do Pará incluiu em sua folha de pagamento o nome de um funcionário que tinha um ano de idade na data de sua contratação, em 1988. Ricardo Rafael Monteiro da Silva, que hoje tem 24 anos, é um dos 11 funcionários-fantasmas identificados até agora pelo Ministério Público, que investiga suposto esquema de fraudes na Casa.

Um documento encontrado pelo Ministério Público aponta que, ao menos até agosto de 2009, ele aparecia registrado como técnico legislativo e supostamente recebia mais de R$ 15 mil em salário e gratificações (R$ 12 mil de rendimento líquido). Silva, porém, trabalha como vendedor em uma peixaria de Belém, tem ensino médio incompleto e, segundo depoimento à Promotoria, nunca trabalhou em órgão público nem sabe onde fica a Assembleia. A reportagem o procurou, mas o vendedor não quis dar entrevista. A Assembleia não soube informar se ele ainda faz parte da folha de pagamento.

Petróleo pressiona setores da indústria
A alta das cotações do petróleo no mercado internacional representa um fator adicional de preocupação para o cenário de inflação no Brasil e já se converteu em preços mais elevados em alguns setores industriais. Diante da pressão de custo da matéria-prima, três setores, ao menos, forçaram para cima seus preços em março: refino de petróleo (+1,99%), outros produtos químicos (+1,41%) e borracha e plástico (+1,20%), segundo o IBGE. Esses reajustes são exclusivos da indústria e não refletem o preço final. Integram o IPP (Índice de Preços ao Produtor).

Bancos dificultam acesso a dados, afirma ministro
O ministro Jorge Hage (Controladoria-Geral da União) disse ontem que os órgãos de fiscalização do governo têm dificuldades para auditar bancos públicos. "A questão do sigilo no Brasil se transformou num verdadeiro mito, dogma. Era preciso uma guinada na jurisprudência dos tribunais superiores." Para o ministro, sempre que auditores da CGU ou do Tribunal de Contas da União precisam de dados mais completos, os bancos barram o acesso recorrendo ao sigilo bancário.

STF só altera 3% das decisões anteriores ao julgar recursos
Dados divulgados nesta quarta-feira sobre recursos que chegaram ao STF (Supremo Tribunal Federal) em 2009 e 2010 revelam que a modificação, pelo Supremo, de sentenças criminais ocorridas em instâncias inferiores é uma exceção. No período, o Supremo aceitou apenas 2,7% (ou 145) dos recursos relacionados a questões criminais.

Os números foram apresentados pelo presidente do tribunal, ministro Cezar Peluso, para sustentar a defesa de uma mudança na lei com objetivo de reduzir o número de processos no STF. Peluso propõe a aprovação de emenda constitucional que determine a aplicação das sentenças após as decisões de segunda instância -Tribunais de Justiça nos Estados ou Tribunais Regionais Federais.

Roberto Gurgel é o mais votado na eleição para procurador-geral
O atual procurador-geral da República, Roberto Gurgel, foi o mais votado na eleição feita ontem pela ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República). Gurgel recebeu 454 votos e, com isso, ficou à frente dos subprocuradores Rodrigo Janot de Barros (347 votos) e Ela Wiecko (261 votos). Eles comporão a lista tríplice que será encaminhada à presidente Dilma Rousseff, que deve indicar que assumirá o cargo. Ela não é obrigada a acolher os nomes sugeridos pela associação. O ex-presidente Lula sempre nomeou o candidato mais votado.

O ESTADO DE S. PAULO

Argentina ''devolve'' produto brasileiro
A Argentina está ameaçando "devolver" balas, chocolates e confeitos vendidos pelo Brasil. Cerca de 15 fabricantes brasileiros já têm mais de US$ 5,2 milhões em mercadorias paradas nos depósitos dos importadores. A situação irritou o governo Dilma Rousseff, que estuda tomar medidas mais duras contra o país vizinho. Segundo fontes do setor privado brasileiro, o Instituto Nacional de Alimentos (Inal) da Argentina interrompeu - sem explicar os motivos - a concessão dos certificados sanitários necessários para que os produtos circulem no país. O Inal é o equivalente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil.

Nos últimos dias, um outro órgão do governo argentino, a Administração Federal de Ingressos Públicos (Afip), começou a notificar os importadores de que seus produtos estavam em situação irregular. A Afip informou que, dentro de 30 dias, os produtos devem ser devolvidos ao Brasil ou será cobrada uma multa equivalente a até cinco vezes o valor da mercadoria. A situação criou um impasse para as empresas brasileiras. Fontes ouvidas pelo Estado dizem que as ordens para dificultar a circulação dos produtos partiram do secretário de Comércio Interior da Argentina, Guilhermo Moreno. Com os depósitos lotados e preocupados com as incertezas, os importadores já estariam cancelando pedidos.

Aposentados correm o risco de não receber R$ 1,5 bilhão
Com o corte de R$ 50 bilhões do Orçamento deste ano, o governo federal alega não ter dinheiro para pagar imediatamente R$ 1,5 bilhão a mais a 130 mil beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que se aposentaram entre 1991 e 2003. Os benefícios desses aposentados foram calculados com um teto da Previdência Social inferior e, por isso, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o pagamento da diferença. O Ministério Público Federal de São Paulo e a Defensoria Pública do Rio de Janeiro ameaçam entrar com ação civil pública para garantir rapidez no pagamento. Segundo a assessoria de imprensa do INSS, o governo ainda estuda os critérios para pagar essa dívida com os aposentados, mas no momento há "indisponibilidade de recursos".

Em setembro do ano passado, o STF determinou que o INSS fizesse o pagamento retroativo a um beneficiário que pedia a correção de aposentadoria de acordo com o novo teto fixado pela Emenda Constitucional 20, de 1998. Com a mudança, o teto de R$ 1.081,50 subiu para R$ 1.200. O benefício foi garantido também às pessoas que se aposentaram antes de 1998 e em 2003. O acórdão da decisão do STF foi publicado no Diário Oficial da União de 15 de fevereiro deste ano. Quase três meses se passaram e o pagamento não foi efetuado. Diante dessa situação, o Ministério Público Federal de São Paulo e a Defensoria Pública do Rio de Janeiro enviaram ofício ao INSS questionando a demora.

Estatal deve gastar R$ 1 bi para compensar instalação do Comperj
A Petrobrás gastará pelo menos R$ 1 bilhão em projetos de compensação socioambiental ligados à instalação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, estimou ontem o secretário estadual do meio ambiente, Carlos Minc. Os principais gastos estão ligados a projetos de saneamento, abastecimento de água e preservação de áreas nos entornos do empreendimento, que está sendo erguido na região metropolitana da capital fluminense.

"A ordem de grandeza chega a R$ 1 bilhão. São quatro pontos e mais outras questões ligadas à educação ambiental e coisas bem menos pesadas", disse Minc depois de participar de reunião entre o governo estadual, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Petrobrás e prefeitos para discutir o andamento de projetos ambientais, de transporte e desenvolvimento urbano para preparar a região para abrigar o Comperj.

Definido na concessão da licença ambiental prévia há cerca de três anos, o investimento de maior peso será em projetos de saneamento para os municípios de Itaboraí e Maricá. O convênio deve ser assinado em um mês e o custo deve ficar entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões. Além dos condicionantes que estão sob responsabilidade da Petrobrás, a região necessita de investimentos para atender as demandas sociais e econômicas decorrentes da instalação do Comperj. No entanto, com poucos profissionais capacitados, as prefeituras enfrentam dificuldade para elaborar projetos qualificados para obter financiamento.

Governo usará o câmbio para tentar baixar inflação
O governo decidiu utilizar o câmbio como mais um instrumento de combate à inflação. Depois de sucessivos meses de aplicação de medidas para conter a valorização excessiva do real, os ministros da área econômica, com o apoio da presidente Dilma Rousseff, entenderam que, neste momento, não está na agenda intervenções ousadas para conter a excessiva valorização do real. A estratégia é aproveitar a cotação do dólar baixo para importar produtos que complementam o consumo interno com preços mais baixo aos consumidores.

Mesmo os auxiliares de Dilma mais preocupados com os efeitos do câmbio forte na indústria - Guido Mantega (Fazenda), Fernando Pimentel (Desenvolvimento) e Luciano Coutinho (BNDES) - concordaram que não é possível mudar a tendência do câmbio este ano. Trata-se de uma política que não será oficializada e tampouco pode ser interpretada como orientação para que o Banco Central deixe o câmbio flutuar livremente. O BC, sempre que necessário, fará intervenções para manter a taxa equilibrada.

Para um assessor, "não há muito o que fazer" diante de um cenário em que o dólar se mantém enfraquecido em relação às principais moedas. "Não podemos ficar de medida em medida", disse. Por isso, a necessidade de "dar um tempo" no debate sobre novas medidas para conter a excessiva valorização do real e aproveitar o dólar fraco para focar no combate à inflação. Ontem, o dólar fechou cotado a R$ 1,61, alta de 1,45%. No mês de abril, variou abaixo de R$ 1,60, considerado no mercado o "piso informal" do governo.

Mantega pede ajuda a empresas contra inflação
Um dia após garantir que o governo tomará todas as medidas para conter a alta dos preços, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, pediu a colaboração do setor produtivo para colocar a inflação dentro da meta estabelecida, de 4,5%. Durante reunião do Grupo para o Avanço da Competitividade (GAC), o ministro disse que o setor privado não deve criar repasses de preços, o que seria muito negativo porque levaria à indexação. De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Elizabeth de Carvalhaes, Mantega afirmou que o governo não corre o risco de perder o controle da inflação e, no segundo semestre, os índices voltarão aos níveis estipulados pelo governo.

A empresária disse que o ministro considera que reposicionar a inflação dentro da meta é um trabalho conjunto entre governo e setor privado e, se houvesse o repasse da inflação para os preços, o setor privado estaria na contramão do governo. "O setor produtivo tem de estar alinhado ao governo no reposicionamento da inflação dentro da meta", disse ela, repetindo o recado do ministro.

O presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Cláudio Conz, afirmou que a indústria tem um limite para atender ao pedido do ministro. Segundo ele, há um excessivo aumento da inflação que vem de fora e impacta em insumos utilizados pelo setor, como plásticos e derivados do petróleo.

''CQC'' compara Renan a Beira-Mar e irrita senador
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) se irritou ontem com uma pergunta feita pela equipe do programa CQC, da TV Bandeirantes, e discutiu com o humorista Danilo Gentili - que o indagou sobre sua presença no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar na Casa. Renan já foi condenado duas vezes pelo colegiado, mas acabou absolvido em plenário.

Gentili perguntou ao peemedebista se a sua indicação no colegiado não seria semelhante a colocar na Secretaria Nacional Antidrogas o traficante Fernandinho Beira-Mar. Segundo o humorista, quando o cinegrafista baixou a câmera, o senador teria começado a gritar, pedindo que fosse respeitado pela equipe do CQC. Renan entrou na sala do senador José Sarney (PMDB-AP) e, minutos depois, a Polícia do Senado pediu que a equipe se retirasse alegando que não tinham autorização para gravar no local.

"Saímos numa boa e fomos para os corredores. Temos autorização para gravar, mas a polícia diz que não autoriza mais", disse Gentili, que iria recorrer à Secretaria do Senado para resolver o impasse. Segundo a assessoria do Senado, a permissão para gravações era referente ao mês de abril e a equipe foi orientada a desligar a câmera, não a sair do Senado.

Sem condição de fiscalizar, governo libera importado
O governo abandonou a ideia de exigir certificação técnica para a entrada de produtos importados no País. A medida foi anunciada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, como uma das ações para reduzir a competição desleal dos importados em relação aos produtos nacionais. O governo chegou a prometer aos empresários a edição de uma medida provisória, mas ontem avisou que o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) não tem condições de implementá-la.

Na reunião do Grupo de Avanço da Competitividade (GAC), realizada ontem no Ministério da Fazenda, o ministro Guido Mantega disse que o Inmetro não tem capacidade para fiscalizar com sua estrutura atual, segundo narraram os empresários. Além disso, o órgão não teria competência legal para realizar a ação nos portos, uma vez que sua rede credenciada só pode certificar produtos produzidos no Brasil.

O GLOBO

PT doou R$ 11,1 milhões a partidos nanicos
O apoio de partidos aliados à campanha da presidente Dilma Rousseff custou ao PT mais de R$11 milhões em 2010. Alguns dos beneficiados com recursos petistas são partidos pequenos, nanicos até, e de atuação periférica no Congresso. Outros, como o PSC, chegaram a flertar com a oposição, mas acabaram caindo nas graças da chapa vitoriosa após muita negociação política. A prestação anual de contas de 2010, apresentada pelos partidos e divulgada ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também mostra que as principais siglas do país fecharam o ano de eleições com a conta no vermelho. As dívidas acumuladas por nove siglas somam R$ 37,4 milhões.

O PT carregou para este ano rombo de R$ 15,9 milhões, o maior entre todas as legendas. Só o valor para irrigar os cofres de aliados é dois terços do débito. Partido que chegou a anunciar apoio a José Serra (PSDB), voltando atrás pouco antes do início da campanha, o PSC foi recompensado com o maior montante: R$4,75 milhões. Além de minar a campanha adversária, os petistas faturaram 20 segundos na propaganda eleitoral e, de sobra, levaram para o Congresso uma bancada cristã fiel e turbinada. A agora legenda governista elegeu 11 deputados, mas já cresceu e hoje desfila com 18 deputados.

Em maio do ano passado, o PSC chegou a indicar o ex-senador Mão Santa (PI) para vice na chapa presidencial do PSDB. Após abandonar o barco tucano, num acordo em junho com o PT, obteve sete repasses, de R$250 mil a R$1 milhão. Os valores foram para a direção partidária e, nos mesmos dias, pingaram nas contas do comitê eleitoral. Os maiores aportes vieram na reta final do primeiro turno (R$3,5 milhões), quando Dilma precisava reforçar seu prestígio com os evangélicos para afastar a pecha de candidata pró-aborto. - Não teve imoralidade nem ilegalidade. E não fizemos nenhuma barganha financeira por apoio. O PT ajudou porque fomos parceiros, pegamos firme na campanha - assegura o vice-presidente do PSC, Pastor Everaldo, acrescentando que o tesoureiro do partido teve de "martelar" pedidos aos petistas.

Segundo ele, a primeira ajuda veio em 30 de agosto, cerca de 60 dias após o anúncio de apoio a Dilma. Os repasses mais vultosos foram, diz o PSC, para produzir material contra boatos sobre aborto, já que o próprio PT tinha pedido auxílio. Os repasses finais, de R$750 mil em outubro e novembro, teriam sido para cobrir dívidas de campanha. Coincidência ou não, a tesouraria petista também foi generosa com o PDT do Paraná, que só decidiu abraçar a candidatura de Dilma poucos dias antes do início da corrida eleitoral. Até o fim de junho, o candidato derrotado ao governo do estado pelo partido, Osmar Dias, refletia entre concorrer ao Senado ao lado dos tucanos ou entrar numa disputa com Beto Richa (PSDB), que foi eleito no primeiro turno, para dar palanque a Dilma. O PT levou a melhor e o PDT não saiu mal, ao menos nas finanças: recebeu R$3,7 milhões.

Oposição se revolta contra MP 'árvore de Natal'
Mesmo enfraquecida por rachas internos e enfrentando seu pior momento no Congresso desde que o PT chegou ao poder, a oposição decidiu sair da letargia e abrir várias frentes de ação no Senado, para tentar furar o bloqueio da ampla maioria governista. Ontem, liderada pelos senadores Itamar Franco (PPS-MG), Aécio Neves (PSDB-MG) e Demóstenes Torres (DEM-GO), a oposição em peso deixou o plenário em protesto contra a votação da medida provisória 513, classificada como "árvore de Natal" por tratar de oito assuntos. Os governistas pretendiam aprová-la rapidamente, sem discussão. E conseguiram.

Em outra frente, alguns senadores como Aécio e o pernambucano Jarbas Vasconcelos (PMDB) traçaram como estratégia buscar na sociedade civil apoio para suas propostas e usar as dificuldades da equipe econômica para manter a inflação sob controle como mote principal de seus discursos. - Nenhum integrante da oposição vai ficar torcendo para que o governo perca o controle da inflação. Quem tinha essa prática num passado recente eram o PT e seus aliados, que votaram contra o Plano Real, o Proer e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Não dá para ficar tapando o sol com a peneira, nem escondendo que a alta inflacionária tem origem na ineficiência do governo e no comportamento "Papai Noel" adotado nos dois últimos anos - discursou Jarbas.

Para Aécio, o governo poderá ajudar, e muito, na reorganização da oposição: - Meu esforço hoje é para fortalecer as oposições. Mas parece que quem mais vai nos ajudar nisso será o próprio governo, com sua tibieza no combate à inflação, na sua falta de vigor para enfrentar as reformas necessárias e diante da fragilidade na gestão da infraestrutura.

Só 3% dos julgamentos feitos pelo STF são de temas constitucionais
Relatório da Fundação Getulio Vargas informa que 92% dos processos julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) são recursos de conflitos já julgados em pelo menos duas instâncias. Os processos relacionados a questões constitucionais não ultrapassam 3% dos casos apreciados. Com base nos números, o presidente do STF, Cezar Peluso, voltou a defender uma emenda constitucional que restrinja os recursos de acesso à mais alta Corte do país. O STF tem a atribuição central de liberar sobre a constitucionalidade de determinadas questões.

- Acho que o problema é o número de graus de jurisdição, que é uma particularidade exclusivamente brasileira. Nós estamos fazendo um levantamento, inclusive da União Europeia, pela Comissão de Veneza, para demonstrar que o duplo grau de jurisdição, como o próprio nome diz, são dois graus de jurisdição, é suficiente para atender às exigências de justiça - disse Peluso após a divulgação do estudo.

Para o ministro, não há motivo para que boa parte dos processos decididos em primeira e segunda instância seja levada ao STF. O excesso de recursos, a maioria deles com objetivo de retardar o cumprimento de decisões judiciais corretas, seria o maior entrave ao bom funcionamento da Corte. Peluso argumenta que, em outros países, os recursos às mais altas cortes só acontecem em casos excepcionais. No Brasil, a tática dos recursos seria uma regra.

Código Florestal: governo consegue adiar votação
O governo conseguiu adiar para a próxima semana a votação da reforma do Código Florestal, marcada para ontem. Não houve acordo para dois pontos importantes do texto do relator da matéria, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). O parlamentar não quis abrir mão de isentar proprietários de até quatro módulos fiscais de terra (de 20 a 400 hectares) de recompor a reserva legal desmatada além do que a lei permite. A medida seria estendida a proprietários com áreas maiores, que também estariam liberados de reflorestar em quatro módulos de suas fazendas. O governo só concorda com a permissão para que os agricultores familiares sejam isentos da medida.

Além disso, Aldo defende a manutenção de áreas consolidadas de plantações e pastos hoje localizadas em Áreas de Preservação Permanente (APPs). O governo admite considerar alguns casos, mas desejava ter uma lei restritiva e, depois, regulamentar algumas exceções caso a caso, via decreto presidencial. Aldo discorda dessa estratégia por achar que traz insegurança aos produtores.

- O Código Florestal é um tema que envolve uma parcela considerável da população. É um tema que não pode ter vencedores e vencidos. Enquanto houver possibilidade de pactuação, vamos trabalhar por ela. É o último esforço que estamos construindo - disse o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, ao anunciar o adiamento, decidido após longa reunião com os líderes dos partidos da base e o relator.

Em número, ruralistas têm vantagem
No embate em torno das modificações no Código Florestal, a bancada ruralista tem grande vantagem numérica na Câmara. Levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) mostra que o grupo cresceu em 2010, elegendo 160 deputados e 18 senadores. Na legislatura passada, eram 120.

O Partido Verde, por sua vez, elegeu apenas 14 deputados. Entre os 160 identificados como ruralistas pelo Diap, 92 foram reeleitos e 50 são novatos. Um de seus líderes, o deputado Abelardo Lupion (DEM-PR), diz que a votação do pedido de urgência para votação da proposta, anteontem, mostrou o tamanho da bancada ambientalista: – A montanha pariu um rato. Agora a gente sabe o tamanho deles. É a minoria querendo sobrepujar a maioria.

Segundo Lupion, mais de 240 deputados, de oposição e da base aliada, apoiam o agronegício. E mais de 300 assinaram para participar da Frente Parlamentar da Agricultura. Entre os líderes partidários, dois estão na lista do Diap: o do PDT, Giovanni Queiroz (PA), e o do PSDB, Duarte Nogueira (SP).

MPF pode pedir anulação de passaportes
A procuradora Carolina Martins Miranda de Oliveira, do Ministério Público Federal no Distrito Federal, poderá ajuizar uma ação pública de anulação dos passaportes diplomáticos de sete familiares do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Itamaraty informou ao Ministério Público que nenhum dos filhos e netos de Lula devolveu os documentos. Para o MP, os passaportes foram emitidos irregularmente.

Na semana passada, a procuradora assumiu o inquérito civil público que apura a emissão de 328 passaportes diplomáticos emitidos pelo Itamaraty em caráter excepcional, no governo Lula. Ela deverá decidir os próximos passos do inquérito após analisar todos os procedimentos adotados até agora. Além da ação para cancelar os passaportes, outra saída seria responsabilizar as autoridades que permitiram a emissão, numa ação de improbidade.

A legislação permite a concessão de passaportes diplomáticos a quem exerce função essencial ao Estado. Há três exceções: cônjuge, companheiro ou companheira de dependentes, servidores públicos em missão permanente no exterior e por "interesse do país". Quatro filhos e três netos de Lula foram enquadrados no último item.

BB e fundos estatais investirão em aeroportos
Enquanto o governo define os detalhes da concessão dos grandes aeroportos do país, investidores e instituições financeiras públicas já se preparam para participar do negócio. O Banco do Brasil e os grandes fundos de pensão de funcionários de estatais - Previ (BB), Petros (Petrobras) e Funcef (Caixa Econômica Federal) - já estão estudando o processo de concessões e articulando sua participação, como financiador e sócio. Tanto o BB como os fundos veem bom potencial de ganhos em todos os cinco terminais que serão colocados à disposição pelo governo: Guarulhos (SP), Brasília, Viracopos (SP), Galeão e Confins (Belo Horizonte).

Os grandes fundos de pensão vão participar das licitações por meio da Invepar, empresa criada para investir em projetos de infraestrutura, que tem como sócios Previ, Petros, Funcef e a construtora OAS. A Invepar já tem seis importantes concessões, entre elas a do Metrô do Rio, e é sócia da Vale. Hoje, o patrimônio líquido da Invepar está na casa de R$1 bilhão, mas os sócios já acertaram injeções de recursos novos para disputar os aeroportos. A ideia é formar consórcios com outros interessados.

No campo financeiro, também é grande a movimentação. A fim de participar das concessões como financiador dos consórcios, o BB já fez estudos sobre o setor. A avaliação, baseada na crescente demanda por voos, é que há um excelente potencial de negócios. Além disso, o governo tornou a concessão atraente ao escolher justamente os aeroportos de maior importância e com o maior número de frequências. O BB, no entanto, descarta a possibilidade de fazer parte de um consórcio como sócio.

Fonte: Congressoemfoco

Julgue logo o mensalão, ministro!

“É preciso que não fique tudo nivelado por baixo: os políticos pegos nos escândalos de ontem amparados nos que foram pegos nos escândalos de hoje, num grande pacto”


É claro que foi uma manifestação altamente reprovável e racista. Mas quando o deputado Júlio Campos (DEM-MT) – que, como mostrou o Congresso em Foco, é investigado num inquérito como suspeito de homicídio – recomendou a manutenção da imunidade parlamentar como forma de se precaver contra as ações “daquele ministro escuro”, ele, da forma mais desastrada possível, demonstrava um certo respeito e temor pelo ministro do STF Joaquim Barbosa. Ficava meio subentendido que, na visão de Júlio Campos, Joaquim Barbosa teria uma reputação de juiz sério e implacável, que não tergiversa contra desmandos, irregularidades e casos de corrupção cometidos pelos políticos.

Que o ministro, então, fazendo jus a essa fama, conclua o mais rápido que lhe for possível o inquérito sobre o mensalão. E que conclua pelo que parece mais do que evidente: foi a montagem de um amplo esquema de troca de dinheiro por apoio político feito pelo governo Lula em seu primeiro mandato. Porque, se o julgamento do mensalão seguir por esse caminho, ele será um importante balizador, que recolocará nos devidos eixos os conceitos sobre moralidade pública, que foram jogados no lixo depois que o governo e o PT passaram a se julgar seguros diante da impressão de que o assunto estava absolutamente acomodado, longe da indignação do eleitorado. O retorno de Delúbio Soares ao PT, resolvido pelo partido no fim de semana, é o último exemplo desse desafio. Mas a verdade é que ele ultrapassa mesmo as fronteiras petistas. Leva o Senado a formar um Conselho de Ética com senadores que já foram investigados pelo próprio Conselho de Ética, num passado recente. Ou seja: seguindo o padrão, desafia-se a opinião pública. Fica tudo nivelado por baixo: os pegos em escândalos de ontem amparam-se nos que foram pegos nos escândalos de hoje, num grande pacto.

Se o STF julgar que o mensalão existiu, se condenar seus protagonistas, a Justiça estabelecerá as regras de moralidade que devem permear a atividade pública. Não, senhores políticos, não é permitido desviar dinheiro para comprar apoio ao governo. Não, senhores políticos, a base de um governo não pode ser formada em troca de benesses e favores materiais. Não, senhores políticos, os governos não podem esconder dinheiro forjando contratos publicitários para formar um caixinha para ajudar os amigos.

Porque o que já se sabe sobre o mensalão, o que está no voto de Joaquim Barbosa quando aceitou que o inquérito tramitasse transformando os envolvidos em réus, o que está no relatório da Polícia Federal que se tornou conhecido há algumas semanas, o que foi apurado lá atrás pela CPI dos Correios (a última investigação séria feita pelo Congresso) demonstra que tudo isso que está no parágrafo acima existiu. É claramente um desvio de foco a tentativa que se fez de dizer que não houve mensalão porque ninguém recebia pagamentos mensais. Em primeiro lugar, há indicações de que, em alguns casos, isso até poderia acontecer. Mas, ainda que não houvesse mesada, o que se constata é igualmente grave. Ficou claro que existia, nas contas da agência de Marcos Valério, uma espécie de caixa aberto a quem precisasse ali se socorrer.

Tentar reduzir o caso, como também pretendeu o PT e o governo, a caixa 2 de campanha, porque aí o crime já estaria prescrito, também não bate. Vários dos saques feitos pelos políticos não aconteceram em período de campanha. Aconteceram depois que Lula estava eleito e seu governo a pleno vapor. Ainda que alguém tenha ali se socorrido para pagar dívida de campanha, aquilo, com o governo em funcionamento, significava um comprometimento, uma troca, um favor.

E não era, evidentemente, dinheiro emprestado por Marcos Valério, um bom samaritano disposto a ajudar o PT e os demais aliados do governo. Suas agências fechavam contas com o Executivo, com a Câmara dos Deputados, então presidida pelo PT, etc. Enfim, também uma troca altamente vantajosa de favores para ele.

Se a Justiça estabelecer, como se espera, que tudo isso é crime, que nada disso pode, não poderá o PT, Lula em seus arroubos, José Dirceu, continuar aos quatro ventos dizendo que o mensalão não existiu. Ficará limitado o vale-tudo da política. Não se firmará a jurisprudência que faz com que outros partidos, o Senado, etc, também julguem que podem fazer o que quiserem. Não ficará comprovada a tese do PT de que “os colunistas [como eu] reclamarão da reintegração de Delúbio por uma semana, depois o caso vai ser esquecido”.

Enfim, ministro Joaquim Barbosa, seu relatório pode fazer com que tais coisas não mais prosperem. Claro, não desejo um julgamento açodado, e sei que o senhor não o faria. Mas, diante dessa certeza de impunidade que parece se avolumar, lhe peço: conclua seu parecer o mais rápido possível. Que ele faça jus à fama que o deputado Júlio Campos, de uma forma torta, lhe reconhece. E que tenha o condão, pela capacidade e competência que o senhor tem, de convencer a seus pares no Supremo. Assim, como diria seu colega Marco Aurélio Mello, sairemos dessa atual “quadra”, que não tem sido nada bonita.

*É o editor-executivo do Congresso em Foco. Formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília em 1986, Rudolfo Lago atua como jornalista especializado em política desde 1987. Com passagens pelos principais jornais e revistas do país, foi editor de Política do jornal Correio Braziliense, editor-assistente da revista Veja e editor especial da revista IstoÉ, entre outras funções. Vencedor de quatro prêmios de jornalismo, incluindo o Prêmio Esso, em 2000, com equipe do Correio Braziliense, pela série de reportagens que resultaram na cassação do senador Luiz Estevão

Outros textos do colunista Rudolfo Lago*

Fonte: Congressoemfoco

STF abre mais de 100 processos contra parlamentares

Desde o início do ano, mais de 50 deputados e senadores passaram a ser investigados no Supremo Tribunal Federal. Em 48 casos, os parlamentares já são réus. Maioria dos processos tramitava em outras instâncias da Justiça

Jaqueline Roriz está entre os 54 parlamentares que passaram a ser julgados pelo STF em novos procedimentos abertos este ano

Edson Sardinha e Fábio Góis

Uma nova centena de investigações contra parlamentares passou a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF) desde o início do ano. Levantamento feito pelo Congresso em Foco na página do tribunal revela que 77 inquéritos (investigações preliminares) e ações penais foram abertos contra 46 deputados e outros 24 processos passaram a correr contra oito senadores entre 5 de janeiro e 27 de abril de 2011. Em 48 casos, a Justiça identificou elementos para transformar 23 parlamentares em réus de ações penais, processos que podem resultar na condenação dos acusados.

A maior parte dessas investigações tramitava em outras instâncias do Judiciário e subiu para o Supremo por conta do chamado foro privilegiado, prerrogativa que parlamentares e outras autoridades federais têm de serem julgados na mais alta corte do país. Deputados e senadores passam a ter direito ao foro assim que são diplomados pela Justiça eleitoral. Entre os 54 congressistas que entraram na mira do Supremo este ano, 43 não participaram da legislatura passada.

Veja a lista das novas investigações no STF

Veja o que dizem os parlamentares em suas defesas

As suspeitas que mais se repetem são de crime contra a Lei de Licitações, que aparecem 22 vezes. Em seguida, vêm os crimes eleitorais, com 19 ocorrências. Os chamados crimes de responsabilidade, desvios de conduta relacionados ao exercício de outros cargos públicos, geraram 11 investigações. Há também 11 acusações dos chamados crimes de opinião, de menor gravidade, como calúnia e difamação.

A relação das suspeitas inclui casos graves como o de homicídio qualificado, como o revelado ontem pelo Congresso em Foco, de trabalho escravo, crime contra a liberdade pessoal, lavagem de dinheiro, quadrilha ou bando, apropriação indébita previdenciária, falsidade ideológica e crime contra o sistema financeiro nacional.

Campeões

Os quatro parlamentares que mais acumularam investigação no Supremo este ano exerciam outros cargos públicos até o final do ano passado. O deputado Marco Tebaldi (PSDB-SC) cumpriu o mandato na Câmara apenas no mês de fevereiro. Desde então, está licenciado e comanda a Secretaria Estadual de Educação de Santa Catarina. O ex-prefeito de Joinville acumula cinco ações penais e dois inquéritos no STF.

As denúncias mais comuns contra ele são de crime de responsabilidade, que se repetem quatro vezes. Ele também é acusado de crime contra a ordem tributária, contra a Lei de Licitações, falsidade ideológica e improbidade administrativa. “Não se tratam as ações penais de investigação, mas de instrução penal. Nenhum deles trata de desvio de recursos”, diz a assessoria do deputado.

Na Câmara, o segundo parlamentar que mais acumulou pendências judiciais este ano foi Oziel Oliveira (PDT-BA). O ex-prefeito de Luiz Eduardo Magalhães (BA) é réu em três ações penais, por crime de responsabilidade e contra a Lei de Licitações, e investigado em outros três inquéritos, também por crime contra a Lei de Licitações. A assessoria do pedetista não retornou os contatos feitos pela reportagem.

No Senado, quem mais levou investigações para o Supremo ao assumir o mandato foi Lindbergh Farias (PT-RJ). O ex-prefeito de Nova Iguaçu aparece como indiciado em seis casos: dois por crime contra a Lei de Licitações, dois por crime de responsabilidade, um por crime contra a ordem tributária e outro por improbidade administrativa.

Por meio de seu advogado, o senador disse que se manifestará sobre os processos assim que o Supremo o acionar – o que ainda não ocorreu. Lindbergh reforça que todas as peças processuais são referentes à época em que foi prefeito de Nova Iguaçu (RJ), cargo que ocupou por seis anos consecutivos.

Língua solta

Depois de Lindbergh, o senador que mais acumulou procedimentos no STF este ano foi Roberto Requião (PMDB-PR). São quatro inquéritos e duas ações penais, todos por crimes de opinião, como calúnia e difamação. Uma das ações é movida pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo (PT).

Em fevereiro do ano passado, Requião acusou o ministro de lhe ter apresentado, em 2007, uma proposta de superfaturamento na construção de uma obra ferroviária no estado. O valor proposto pelo ministro, segundo o senador, seria R$ 400 milhões acima do estipulado pelos técnicos do governo paranaense. Paulo Bernardo negou ter falado em valores e acionou o ex-governador na Justiça por injúria e calúnia. A Ação Penal 584 está nas mãos do ministro Dias Toffoli. Na semana passada, Requião protagonizou um episódio de truculência no Senado, ao tomar o gravador de um repórter, apagar entrevistas e intimidar o jornalista.

Jaqueline Roriz

A relação das novas investigações em andamento no Supremo inclui duas denúncias contra a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), alvo de um processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara por ter recebido dinheiro do delator do esquema do mensalão do ex-governador José Roberto Arruda, Durval Barbosa.

Esse caso rendeu à deputada o Inquérito 3113, aberto em 10 de março pelo ministro Joaquim Barbosa. Jaqueline é acusada de ter cometido o crime de peculato, apropriação por parte de funcionário público de bem que tenha a posse em razão do cargo. O ministro entendeu haver indícios de crime no vídeo em que Jaqueline aparece embolsando dinheiro distribuído pelo delator do esquema, Durval Barbosa. Na época, a filha do ex-governador Joaquim Roriz era candidata a deputada distrital.

Com a autorização do Supremo, a Procuradoria Geral da República determinou a realização de diligências e uma perícia para confirmar a autenticidade da gravação. Na Câmara, ela também responde por usar parte de sua verba indenizatória para pagar despesas de uma sala comercial pertencente ao seu marido, Manoel Neto.

Um dia após a autuação desse inquérito, Jaqueline se tornou alvo de outra investigação no Supremo. A deputada é suspeita de ter falsificado documentos quando era sócia da Agropecuária Palma. O processo corria no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e subiu para o STF por causa da prerrogativa de foro da deputada federal. Ex-funcionários da fazenda acionaram a Justiça contra a agropecuária por conta de problemas de acertos trabalhistas na rescisão contratual. Eles alegam que os empregadores usaram documentos falsos, assinados em branco. O gabinete de Jaqueline não retornou os contatos feitos pela reportagem.

Satiagraha

Entre os casos que subiram para o STF estão um inquérito e uma ação penal contra o delegado Protógenes Queiroz, eleito deputado pelo PCdoB paulista, por conta de sua atuação à frente da Operação Satiagraha, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas e do ex-prefeito paulistano Celso Pitta, entre outros.

Embora figure como réu, na ação Protógenes tem a chance de recorrer contra a condenação que sofreu em primeiro grau, no ano passado, por violação do sigilo funcional e fraude processual. No caso, ele é acusado de ter vazado informações de uma operação sigilosa. A partir das denúncias da Satiagraha, Dantas foi denunciado à Justiça pelos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas e crime de quadrilha e organização criminosa.

Em nota encaminhada ao site, Prótogenes Queiroz diz que a inclusão de seu nome em processos é “fruto de uma perseguição política comandada pelo sistema corrupto no qual ele combateu durante os seus 12 anos de Polícia Federal”. Ele lembra que, até a Operação Satiagraha, que levou o banqueiro Daniel Dantas à cadeia em 2008, foram dez anos de atuação na PF “sem nenhum processo”.

Casal Câmara

Na relação dos parlamentares alvos de novas investigações há, inclusive, um casal de deputados que representam dois estados diferentes: Antonia Lúcia (PSC-AC) e Silas Câmara (PSC-AM). Em sua estréia na Câmara, Antônia Lúcia responde a dois inquéritos, um por crime eleitoral e outro por desacato, e a duas ações penais, uma por crime eleitoral e outra por peculato. Em setembro do ano passado, Antônia Lúcia chegou a ser detida pela Polícia Federal para esclarecer a origem de R$ 472 mil apreendidos com um homem. Segundo ela, o dinheiro não seria usado em sua campanha eleitoral, mas destinado a uma entidade evangélica no Amazonas, estado representado por seu marido.

Em seu quarto mandato, o marido de Antônia Lúcia, Silas Câmara também é alvo de dois procedimentos: uma ação penal por falsificação de documento público, que tramita sob segredo de justiça, e um inquérito também por crimes eleitorais.

Entre os parlamentares recém-investigados pelo STF, há representantes de 13 partidos políticos, do Distrito Federal e de 20 estados. O PT, com nove nomes, o PMDB e o PP, com oito, o DEM e o PR, com seis, são as legendas com mais congressistas entre os novos investigados no Supremo. São Paulo, com oito, Minas Gerais, com cinco, e Bahia, com quatro parlamentares, são as representações estaduais com mais congressistas com novas investigações na corte.

Na semana passada, o STF abriu uma ação penal contra o deputado João Magalhães (PMDB-MG). A ação, que ainda não foi autuada, é desdobramento do Inquérito 2774, de novembro de 2008, e, por isso, não consta do levantamento publicado pelo site. João Magalhães é acusado de envolvimento em um esquema criminoso que desviou verbas públicas de cidades do interior de Minas Gerais e acabou desbaratado pela Operação João-de-Barro, da Polícia Federal.

Para o senso comum e os dicionários, processo é todo procedimento ou demanda em andamento no Judiciário. É esse o conceito usado pelo Congresso em Foco no levantamento. Para os juristas, porém, há uma diferença entre inquérito, fase em que o parlamentar é considerado suspeito de ter praticado ato ilícito, e se reúnem elementos para se propor ou não uma ação penal; e as ações penais, às quais o congressista responde na condição de réu, após aceita a denúncia pelo STF.
Fonte: Congressoemfoco

Menina de oito meses morre após tomar xarope para gripe

Clarissa Pacheco | A Tarde On Line*

Foi removido no início da manhã desta quinta-feira, 4, o corpo da menina E. G. S., de oito meses, que morreu no final da noite de ontem em Plataforma, depois de tomar um xarope feito a base de chicória para gripe. Segundo informações de agentes da 5ª CP (Periperi), a criança já chegou ao posto de saúde de Plataforma sem sinais vitais.

A mãe da menina, Cleise Karla Guedes Santos, de 21 anos, disse que a filha estava gripada e que ela a medicou com um xarope utilizado rotineiramente pela mãe quando a criança estava doente. A menina teria dormido em seguida, mas não acordou. A mãe levou a filha ao posto de saúde, mas, como já chegou sem vida, a médica não emitiu um atestado de atendimento clínico.

Ainda de acordo com agentes da 5ª CP, sem o atestado médico, a causa da morte só poderá ser identificada após o resultado do laudo do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IML), que deve sair em aproximadamente 30 dias.

*Colaborou Danile Rebouças | A TARDE

Rota do Vinho ganha embarcação de passeio e fortalece o Enoturismo

Os amantes de vinhos ganharam mais uma opção de roteiro turístico. Foi lançado, no último sábado (30), o Vapor do Vinho, um produto do Enoturismo, desenvolvido pelo Governo do Estado, através da Bahiatursa, em parceria com a Vinícola Ouro Verde (Miolo/Lovara). O passeio, através de uma embarcação típica da região, possibilita ao visitante subir à eclusa do Lago Sobradinho e apreciar toda a beleza do Vale do São Francisco, além de uma visita à vinícola, localizada em Casa Nova (BA), com direito à degustação dos vinhos e espumantes produzidos no local.

O passeio no Vapor do Vinho começa em Juazeiro, de onde os turistas seguem por via rodoviária até um atracadouro a dois quilômetros da represa de Sobradinho. De lá, os turistas navegam nas águas calmas do lago, aproveitando a bela vista e as apresentações de música regional.

Durante o lançamento do novo produto, o governador Jaques Wagner ressaltou a beleza da região e a importância da atividade na geração de emprego e renda. “É mais um passo que damos no sentido de desenvolver essa região que é o São Francisco. Espero que isso aqui seja uma semente onde a gente colha mais turismo, mais emprego e mais riqueza para a nossa terra”.

Segundo o secretário do Turismo, Domingos Leonelli, o novo passeio cumpre o papel de interiorizar o turismo baiano e se torna mais uma boa opção para quem visita à Bahia. “Temos duas prioridades: promover e facilitar o acesso. O Vapor (do Vinho) inaugura uma nova alternativa de acesso. A visita à vinícola e ao processo de elaboração dos vinhos se soma à riqueza indiscutível do rio

Leonelli destacou ainda avanços como a melhoria do acesso terrestre da capital ao Vale do São Francisco. “Há cinco anos levávamos de 10 a 12 horas para chegarmos a Juazeiro e hoje gastamos de 6 a 8 horas no mesmo percurso terrestre. Além disso temos sete vôos para Petrolina, que chegam em menos de 1 hora, saindo de Salvador”, disse .

Para o secretário, o Enoturismo investe na lógica de desenvolvimento do turismo na Bahia, ligada à produção associada, gerando empregos para a população local, ao contrário de muitos outros destinos turísticos.

Geração de Negócios, Emprego e Renda

O empresário Eurico Benedetti mostrou-se bastante satisfeito com o investimento. “Estamos inaugurando um dos melhores roteiros enoturísticos do mundo. O melhor do Brasil, pois nenhum outro local conta com a riqueza do São Francisco”, orgulha-se.

O roteiro completo começa a ser feito de duas a três vezes por semana, com capacidade para levar até 100 passageiros, a um valor de R$ 100/pessoa. O passeio inclui comidas e bebidas típicas da região, visita à Vinícola para conhecer o processo de produção, engarrafamento e degustação de vinhos, espumantes e brandy.

O superintendente do SEBRAE/BA, Edval Passos, reiterou o compromisso da instituição com a geração de renda. “A partir do Vapor do Vinho, vamos criar negócios, ampliar restaurantes e meios de hospedagens. O turismo local vai ser inteiramente beneficiado”.

Roteiro

8h30 - com saída de Juazeiro via rodovia, até o Porto de Chico Periquito – Sobradinho.

9h30 – Embarque no Vapor do Vinho em direção à eclusa;

10h30 – Saída da eclusa em direção à Vinícola Ouro Verde. Durante o percurso, música ao vivo e informações sobre o rio, a vinícola, o lago e as lendas.

12h30 – Chegada à Vinícola Ouro verde. O passeio inclui visita aos vinhedos, a metodologia de elaboração de vinhos tinto, branco e espumante, a destilaria (elaboração do brandy), a loja, degustação dos vinhos, espumantes e brandy. No varejo, além de produtos da Miolo, cosméticos à base de uva e vinho, confecções, acessórios, taças.

16h30 – Retorno para Juazeiro-BA, via rodovia, ou Petrolina-PE, via aérea.
Fonte: Tribuna da Bahia

Barack Obama igual a Ernesto Geisel?

Carlos Chagas

Os episódios recentes no Paquistão e na Líbia lembram com clareza aquilo que o jornalista Elio Gaspari publicou em livro, a respeito da reação do general Ernesto Geisel ao ser informado de que um grupo de subversivos chilenos havia sido morto pelas forças de segurança, ao tentar entrar no Brasil: “Tem que matar mesmo, não é?”

No caso, matar sem julgamento, em especial nos países onde não há pena de morte. Qual a diferença entre o tonitruante general-presidente e o ameno Barack Obama, para quem justiça foi feita com o assassinato de Osama Bin Laden?

Ambos justificaram as mortes sem sentença judicial por conta do execrável comportamento de subversivos e terroristas, uns explodindo as Torres Gêmeas, quartéis, navios e embaixadas, outros sequestrando, assaltando bancos e matando.

Abre-se o século sob discussão que vem de tempos imemoriais: deve o poder público adotar as mesmas táticas dos adversários postados à margem da lei? Prevalece na Humanidade o Talião, aquele do “olho por olho e dente por dente”?

Torna-se difícil explicar às famílias de centenas de milhares de vítimas que o Estado tem limites, quando constituído para gerir a sociedade organizada segundo princípios justos e democráticos. Não sendo assim, prevalecerão a barbárie, a vontade e os interesses do mais forte.

Assistimos, na mesma semana, a execução sem julgamento de Bin Laden e, não muito longe, na Líbia, o bombardeio dos palácios de Kadaffi, onde morreram um filho e netos do ditador. E pela ação dos mesmos, afastado o eufemismo de que foram aviões da OTAN a atacar Trípoli. Eram americanos, da mesma forma como os helicópteros utilizados no Paquistão.

Seria bom meditar na evidência de que Barack Obama e Ernesto Geisel possuem muito mais semelhanças do que diferenças.

***

ALIANÇA CONTRA SERRA

Consolida-se a aliança entre Geraldo Alckmin e Aécio Neves, ambos sustentando a incorporação do DEM ao PSDB e, mais ainda, favoráveis à permanência de Sérgio Guerra no comando dos tucanos. Ainda que precária, trata-se de uma frente única contra José Serra, que pretendem afastar das hipóteses sucessórias para 2014. Ao contrário do que sustenta o candidato derrotado ano passado, a crise no PSDB não é apenas paulista. É nacional, apesar dele ter lembrado os 44 milhões de votos recebidos em todo o país, na recente sucessão.

Resta saber como reagirá José Serra, mas se abrir luta em duas frentes correrá o risco de acabar como acabou o III Reich. Está sendo aconselhado a escolher um adversário e celebrar pacto de não agressão com o outro, mas como Aécio não é Stalin, muito menos Alckmin será Churchill, fica difícil selecionar quem receberá o primeiro ataque…

***

MICHEL ABENÇOADO

De novo no Brasil, depois de representar o país nas cerimônias de beatificação de João Paulo II, no Vaticano, Michel Temer desembarcou retemperado e até abençoado por Bento XVI. Mostra-se disposto a seguir adiante na missão de abrir espaços para o PMDB no segundo escalão do governo, agora que a nova direção do PT entrou em rota de colisão com a presidente Dilma Rousseff.
Sua primeira iniciativa foi acalmar os ânimos de Henrique Eduardo Alves, o mais decepcionado de seus companheiros diante da parcimônia com que o palácio do Planalto contempla os pleitos do partido. Parece que conseguiu.

***

MURALHA INTRANSPONÍVEL?

Apesar de durante a campanha, Dilma Rousseff haver-se pronunciado favorável ao financiamento público das campanhas, a equipe econômica erigiu forte muralha diante da proposta defendida pelo PT e adjacências. A presidente parece sensibilizada pelos argumentos de Mantega, Palocci e companhia, a respeito de numa hora de contenção como a atual, ficar difícil encontrar dinheiro para dar a partidos e candidatos gastarem em campanhas eleitorais.

Até porque, não haverá como a Justiça Eleitoral fiscalizar o uso do chamado caixa dois, ou o emprego de recursos particulares na conquista de votos. Seria necessário, primeiro, aparelhar o Tribunal Superior Eleitoral e os Tribunais Regionais para essa tarefa, mas como os concursos e nomeações encontram-se proibidos, onde buscar montes de fiscais?

Fonte: Tribuna da Imprensa

Barack Obama igual a Ernesto Geisel?

Carlos Chagas

Os episódios recentes no Paquistão e na Líbia lembram com clareza aquilo que o jornalista Elio Gaspari publicou em livro, a respeito da reação do general Ernesto Geisel ao ser informado de que um grupo de subversivos chilenos havia sido morto pelas forças de segurança, ao tentar entrar no Brasil: “Tem que matar mesmo, não é?”

No caso, matar sem julgamento, em especial nos países onde não há pena de morte. Qual a diferença entre o tonitruante general-presidente e o ameno Barack Obama, para quem justiça foi feita com o assassinato de Osama Bin Laden?

Ambos justificaram as mortes sem sentença judicial por conta do execrável comportamento de subversivos e terroristas, uns explodindo as Torres Gêmeas, quartéis, navios e embaixadas, outros sequestrando, assaltando bancos e matando.

Abre-se o século sob discussão que vem de tempos imemoriais: deve o poder público adotar as mesmas táticas dos adversários postados à margem da lei? Prevalece na Humanidade o Talião, aquele do “olho por olho e dente por dente”?

Torna-se difícil explicar às famílias de centenas de milhares de vítimas que o Estado tem limites, quando constituído para gerir a sociedade organizada segundo princípios justos e democráticos. Não sendo assim, prevalecerão a barbárie, a vontade e os interesses do mais forte.

Assistimos, na mesma semana, a execução sem julgamento de Bin Laden e, não muito longe, na Líbia, o bombardeio dos palácios de Kadaffi, onde morreram um filho e netos do ditador. E pela ação dos mesmos, afastado o eufemismo de que foram aviões da OTAN a atacar Trípoli. Eram americanos, da mesma forma como os helicópteros utilizados no Paquistão.

Seria bom meditar na evidência de que Barack Obama e Ernesto Geisel possuem muito mais semelhanças do que diferenças.

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ALIANÇA CONTRA SERRA

Consolida-se a aliança entre Geraldo Alckmin e Aécio Neves, ambos sustentando a incorporação do DEM ao PSDB e, mais ainda, favoráveis à permanência de Sérgio Guerra no comando dos tucanos. Ainda que precária, trata-se de uma frente única contra José Serra, que pretendem afastar das hipóteses sucessórias para 2014. Ao contrário do que sustenta o candidato derrotado ano passado, a crise no PSDB não é apenas paulista. É nacional, apesar dele ter lembrado os 44 milhões de votos recebidos em todo o país, na recente sucessão.

Resta saber como reagirá José Serra, mas se abrir luta em duas frentes correrá o risco de acabar como acabou o III Reich. Está sendo aconselhado a escolher um adversário e celebrar pacto de não agressão com o outro, mas como Aécio não é Stalin, muito menos Alckmin será Churchill, fica difícil selecionar quem receberá o primeiro ataque…

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MICHEL ABENÇOADO

De novo no Brasil, depois de representar o país nas cerimônias de beatificação de João Paulo II, no Vaticano, Michel Temer desembarcou retemperado e até abençoado por Bento XVI. Mostra-se disposto a seguir adiante na missão de abrir espaços para o PMDB no segundo escalão do governo, agora que a nova direção do PT entrou em rota de colisão com a presidente Dilma Rousseff.
Sua primeira iniciativa foi acalmar os ânimos de Henrique Eduardo Alves, o mais decepcionado de seus companheiros diante da parcimônia com que o palácio do Planalto contempla os pleitos do partido. Parece que conseguiu.

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MURALHA INTRANSPONÍVEL?

Apesar de durante a campanha, Dilma Rousseff haver-se pronunciado favorável ao financiamento público das campanhas, a equipe econômica erigiu forte muralha diante da proposta defendida pelo PT e adjacências. A presidente parece sensibilizada pelos argumentos de Mantega, Palocci e companhia, a respeito de numa hora de contenção como a atual, ficar difícil encontrar dinheiro para dar a partidos e candidatos gastarem em campanhas eleitorais.

Até porque, não haverá como a Justiça Eleitoral fiscalizar o uso do chamado caixa dois, ou o emprego de recursos particulares na conquista de votos. Seria necessário, primeiro, aparelhar o Tribunal Superior Eleitoral e os Tribunais Regionais para essa tarefa, mas como os concursos e nomeações encontram-se proibidos, onde buscar montes de fiscais?

Fonte: Tribuna da Imprensa

Ontem falei na farsa da Casa Branca e de Obama. Hoje, a farsa do Paquistão (jogando dos dois lados), a reversão da “popularidade” do presidente.

Helio Fernandes

É muito difícil, quase impossível desvendar, analisar e desmistificar fatos importantes, no momento em que está acontecendo. Ou até mesmo saber e revelar a verdadeira exatidão de tudo, ou se não passa de farsa e mistificação. Principalmente quando esses fatos (?) envolvem o domínio do mundo, uma eleição presidencial nos EUA, a luta a respeito de um TERRORISMO que completou 10 anos. Terrorismo que não se sabe bem onde começa e onde acaba, se é que acaba ou acabará algum dia.

E tem tudo para definir a existência, o futuro e a consolidação de países, personalidades, e os mais formidáveis interesses financeiros. Impossíveis de calcular, dimensionar ou colocar nos números verdadeiros.

E isso ganha dimensão extraordinária, quando no centro de tudo está colocada a CIA, o órgão mais poderoso, mais corrupto e mais independente dos EUA e do mundo. A atuação dessa CIA (que é proibida de atuar internamente nos EUA) é espantosa.

E quando surgem números assombrosos que foram pagos, estão sendo mobilizados e ficarão à disposição para comprar quem for necessário comprar.

Não se pode deixar de citar a CIA. E nada a ver com a importância de 1 BILHÃO E 300 MILHÕES, que os EUA destinam anualmente ao Paquistão, como a outros países.

Essa soma, nada a ver com números manuseados agora, já de algum tempo. Pois essa operação não começou no domingo ou na segunda-feira, deve ter sido iniciada no próprio 11/9 ou até antes. Daí o aparecimento, em cima do fato, do incompetente do Bush.

Ainda no jornal impresso, escrevi sobre um livro maravilhoso, escrito pelo jornalista e escritor Tim Weiner. Ele mesmo confessa que levou 22 anos para investigar e escrever “Uma História da CIA”.

Ganhou o Premio Pulitzer, mas colocou a CIA no centro dos mais corruptos acontecimentos. Levantou tudo sobre a Guerra Fria, e os pagamentos feitos pelo órgão, com total liberdade, “comprando duas ou três vezes o mesmo espião, dos EUA e da União Soviética”.

Com a entrada em cena da CIA, nada é surpreendente, examinemos o que coloquei no título destas notas. A farsa de Obama, confessando publicamente, que estava ao mesmo tempo em dois lugares, é fato consumado. E que não será desmontado, não há o menor interesse.

O Paquistão “enroladíssimo” com os EUA e com Bin Laden. Não tem como se defender ou explicar o que aconteceu. Bin Laden morava há 5 anos (ou fosse um tempo maior ou menor), no centro urbano da capital do Paquistão, num local onde existem várias unidades militares.

IMPOSSIVEL não saberem. A mansão, enorme, onde moravam mais de 30 pessoas (sem contar os seguranças do próprio Bin Laden). Esses seguranças eram indispensáveis, havia, não de agora, dissidência na al-Qaeda. Isso foi mais do que comprovado e até compreensível. Bin Laden era e continua sendo o homem mais importante do mundo (vivo ou morto), o que provoca divergências, ódios e natural dissidência.

Querem culpar o Serviço Secreto do Paquistão, absurdo completo. Nenhum órgão dito de “inteligência” (nem o SNI dos arapongas) deixaria de ver o que estava acontecendo. Recebiam ordem das mais altas personalidade do governo. O “acordo” de pouco mais de 1 BILHÂO vem de muito longe, agora na Era do TRILHÃO, pretendiam e pretendem uma renegociação.

Ninguém viu a “descida” dos helicópteros (um ou dois, sem confirmação), não se sabe onde foram parar, depois de incendiado. Barulhentos, pousaram ou ficaram “rondando”, enquanto o homem mais procurado do mundo não sabia de nada? Dormia, descuidado?

Bin Laden, certíssimo, foi traído pelo governo do Paquistão. Sem muita certeza, mas hipótese bastante razoável, foi traído pelos seguranças, talvez, “cooptados” pela dissidência dentro da al-Qaeda.

Não teve cuidado ao contratá-los? Alguns trabalhavam há 10 anos com ele, por que traí-lo agora. As propostas foram “irrecusáveis”? Feitas por quem e de que forma?

Nenhuma reação de dentro da mansão? Os que estavam com Bin Laden, praticaram o assassinato? Sem reação, nem mesmo a CIA poderia acreditar. O homem que durante 10 anos não foi encontrado pelas maiores forças civis e militares do mundo, se deixou “apanhar” dessa maneira “estranha e inocente”?

Se Bin Laden não foi morto pelos que estavam ao seu lado, na mansão, os que assaltavam com os helicópteros, seriam destruídos em pleo vôo. A mansão tinha espaços enormes e até campo de pouso, mas os helicópteros não desceram, isso está provado.

E anunciaram fartamente (a CIA e a Casa Branca): “Bin Laden estava desarmado, não foi encontrada nenhuma arma”. Essa afirmação não foge de duas conclusões. 1 – Assassinaram um homem desarmado, o que é execrável até para a CIA. 2 – Por que os helicópteros não foram metralhados. Estavam em posição altamente desfavorável, seriam destruídos em cinco minutos.

Admitamos que Bin Laden estava descuidado e desarmado. Mas os que moravam na mansão, civis e parentes de Bin Laden, se dispuseram a serem assassinatos, como aconteceu com alguns deles?

E os seguranças, aceitemos que faziam parte da dissidência contra Bin Laden, não reagiram nem mesmo para salvar suas vidas? Ou também não tinham armas? Seguranças desarmados, é o último malabarismo da CIA.

Teria havido um “acordo” entre os seguranças de Bin Laden e o alto comando da CIA? Se tivesse havido, Bin Laden teria sabido, como soube de tudo nesses 10 anos em que viajou por vários países, com toda tranquilidade.

Duas hipóteses reiteradas, para melhor esclarecimento. 1 – Houve “acordo” entre a CIA e os seguranças? Como se entenderam? Conversando por celular, não rastreável, o que no Brasil se chama de “pré-pago”? Esses seguranças, DESARMADOS, nenhuma suspeita do experimentadíssimo e precavido Bin Laden?

Nada é fácil nesse emaranhado de interesses colossais. Se e quando resolveram publicar (ou algum Assange descobrir) quanto custou a morte de Bin Laden, o mundo ficará estarrecido. Mas a CIA e a Casa Branca podem dizer: “Salvamos o mundo, o dinheiro nós fabricamos, qualquer que seja o total”.

Mais “invencionices” e “mistério” em relação ao corpo. Onde está? Em que mar foi jogado? Por ordem de quem? Obama é que deu essa ordem para jogar o corpo no mar, mesmo correndo o risco de obrigar os jornalões do mundo todo a falar em SEPULTAMENTO? Não está errado, mas é outro fato estranho, dizer que Bin Laden foi SEPULTADO no mar.

Nas ultimas 24 horas, a Casa Branca e o próprio Obama, preocupadíssimos. Logo que se soube do assassinato, imediatamente ELEVARAM a cotação da reeleição do presidente. Ora, ele ia ganhar mesmo. Agora que todos esses fatos vão sendo contestados e esclarecidos, fica visível a REVERSÃO da popularidade de Obama.

***

PS – Para que fique bem claro: nenhuma opinião do repórter, apenas análise descompromissada com qualquer lado.

PS2 – Prefiro ficar com o filósofo inglês que escreveu em 1669: “NÃO HÁ SEGREDO QUE O TEMPO NÃO REVELE”.

Fonte: Tribuna da Imprensa

É tão fantasiosa a versão da Casa Branca sobre a execução de Bin Laden, que fica difícil aceitá-la. É a história mais mal-contada dos últimos tempos.

Carlos Newton

Essa morte do Bin Laden se transformou numa novela tipo “O Quarteto de Alexandria”, do indiano Lawrence Durrell, que tem quatro narradores e quatro “verdades”, digamos assim. Em Washington, a Casa Branca e a CIA se comportam em tempo de ficção, até agora sem passar à opinião pública uma versão que tenha, ao menos, um pouco mais consistência.

Desde o primeiro dia temos cobrado aqui no blog respostas precisas a determinadas questões. Então, vamos voltar, mais uma vez, às mesmas indagações feitas aqui, às 8h45m da manhã de segunda-feira: “Mas por que não foram exibidas imagens do corpo do terrorista? Em que circunstâncias foi morto? Resistiu ou foi executado?” Até agora, ninguém sabe. “Por que esse sepultamento marítimo, tão rapidamente?

Já se passaram quatro dias, e nada. Não responderam às indagações mais básicas, nem às outras dúvidas que foram se acumulando e amontoando. Quantos helicópteros eram? Um deles teve pane? Mesmo assim conseguiu voar?

Pelas imagens exibidas, o que ficou na fortaleza foram apenas alguns pedaços de fuselagem (ou carenagem, como se diz também). O helicóptero não ficou lá. Aí surge outra dúvida. O aparelho precisaria ter pousado, para que fossem retiradas as partes da carenagem que lá ficaram. Mas disseram que nenhum helicóptero pousou…

A história está tão mal-contada que agora são os próprios norte-americanos que exigem explicações da Casa Branca e da Agência Central de Inteligência, a CIA. Na verdade as autoridades não esclarecem nada, nem mesmo as condições em que teriam sido feitas as filmagens. Quantos cinegrafistas estavam lá? Como enviavam as imagens? Se eram cinegrafistas, seria necessário instalar uma unidade portátil, porque câmaras de TV não enviam imagens sozinhas . Ou as imagens foram enviadas por celulares especiais? E por acaso havia iluminação para as filmagens?

Essas indagações são pertinentes, porque a Casa Branca e a CIA se comportam como se no domingo as autoridades dos EUA estivessem assistindo a uma programação de imagens perfeitas, em alta definição. Será mesmo?

As dúvidas se multiplicam cada vez mais. Pelo que foi dito até agora, não houve reação. Mas como acreditar nisso. O barulho desses helicópteros é insuportável, verdadeiramente ensurdecedor. Por isso, são ouvidos a quilômetros de distância. Helio Fernandes já chamou atenção para isso, é preciso insistir: Como acreditar que os helicópteros tenham se aproximado da fortaleza, sem que nenhum segurança ouvisse o barulho dos reatores e disparasse contra os aparelhos?

E como acreditar que o homem mais perseguido do mundo, que sempre posou para fotos portando um moderno fuzil ou uma metralhadora portátil, estivesse sem armas em casa? Caramba, não havia uma bazuca, um lança-mísseis portátil, nada?

É como se Bin Laden fosse um amador, um alienado, que não tinha armas nem seguranças em que pudesse confiar. E que submetia membros da própria família a esses riscos. É difícil acreditar nisso. Seria Bin Laden tão despreparado assim?

Os dias passam, as dúvidas se avolumam. Surgem na internet versões de que Bin Laden era um homem muito doente e que inclusive já teria morrido há vários anos. Um capitão médico da Marinha dos EUA, Steve R. Pieczenik, deu entrevista ao programa radiofônico The Alex Jones Show, esta terça-feira, afirmando que Bin Laden sofria de grave doença renal e teria morrido no Afeganistão. Segundo ele, constava das informações oficiais da CIA que Bin Laden tinha também Síndrome de Marfan, que afeta vários órgãos e debilita o paciente.

Pieczenik é ex-assistente do Secretário Adjunto de Estado de três administrações diferentes, Nixon, Ford e Carter, além de ter trabalhado como consultor nas gestões dos presidentes Reagan e Bush pai. Conheceu Bin Laden e atuou com ele na década de 80 no Afeganistão, contra os soviéticos. Piecznik dá declarações peremptórias sobre isso e desafia as autoridades para que o convoquem a prestar depoimento oficialmente.

E agora, em quem acreditar? Só recorrendo ao “Quarteto de Alexandria”, para escolher qual a versão que se encaixa melhor para a Casa Branca. Uma das afirmações do governo americano que decididamente não se sustenta, por exemplo, é a de que o corpo de Bin Laden teria sido “sepultado” no mar poucas horas de ter sido executado. Ora, para que tanta pressa?

Esse tese é inverossímil, não ter a menor sustentação. Basta lembrar que, como a notícia do “sepultamento’ em alto mar foi dada pelo The New York Times no início da madrugada, isso significa que Bin Laden teria sido “sepultado” pouco depois de morrer. Para que essa pressa, repita-se?

É como se o presidente Barack Obama tivesse dado declarações julgando que a plateia inteira fosse subordinada a ele e nenhuma afirmativa jamais pudesse ser contestada. Está na hora de Obama começar a dizer a verdade.

Fonte: Tribuna da Imprensa

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Filha afirma que terrorista foi capturado vivo

Agências

Uma filha de Osama bin Laden de cerca de 12 anos, que se encontrava na casa em que o líder terrorista foi morto, disse que seu pai foi capturado vivo pelos agentes dos EUA antes de ser executado, afirmou a TV Al Arabiya, com sede em Dubai.

* Mulher foi dada de presente para o líder da rede Al Qaeda

Segundo fonte identificada como uma autoridade de segurança do Paquistão, ela relatou que os americanos se depararam com o líder da Al Qaeda já nos primeiros momentos da incursão à casa, localizada em Abbottabad.

Bin Laden teria sido então executado pelos Seals --força especial americana-- em frente aos seus familiares.

A filha de Bin Laden e mais nove parentes do terrorista estão presos no Paquistão para interrogatório. Alguns familiares estão em um hospital militares e estão sendo tratados de ferimentos ocasionados durante a ação que matou Bin Laden.

Se confirmada, a versão seria mais uma inconsistência no relato oficial do governo americano sobre a ação. Desde anteontem, várias revelações feitas pelas autoridades dos EUA já contradisseram relatos anteriores.

Inicialmente, o assessor de contraterrorismo do governo dissera que Bin Laden estava armado e chegou a usar sua mulher de escudo humano, antes de ser morto --junto com a sua mulher-- ao tentar resistir à incursão dos EUA.

Anteontem, porém, a Casa Branca disse que o chefe da Al Qaeda não estava armado e não usou ninguém de escudo e que a sua mulher, Amal Ahmed Abdul Fatah, não foi morta, mas ferida na perna.

De acordo com o jornal "Los Angeles Times", os Estados Unidos renderiam Bin Laden vivo se ele tivesse tirado sua roupa e mostrado que não tinha explosivos junto ao corpo. Entretanto, não teria ocorrido tempo suficiente para a ação.

Leia mais

* Governo dos EUA muda versão sobre ataque
* Dez parentes de chefe de grupo terrorista serão interrogados
* Placa de carro levou americanos até terrorista
* EUA jogam corpo de líder da Al Qaeda ao mar
* Ocidente teme vingança com ataques terroristas
* Bin Laden está morto, diz Obama
* Ditador líbio acusa Bin Laden por protestos
* Bin Laden vive no Paquistão, diz Otan
Fonte: Agora

quarta-feira, maio 04, 2011

Foto de Bin Laden morto é falsa, diz imprensa internacional

STF investiga deputado por dois assassinatos

Júlio Campos, que se referiu a Joaquim Barbosa como “aquele ministro escuro”, é alvo de inquérito que apura a morte de duas pessoas envolvidas em disputa por terra em Mato Grosso

Leonardo Prado/Câmara
O deputado Júlio Campos é investigado em inquérito no Supremo Tribunal Federal por homicídio

Eduardo Militão e Edson Sardinha

De volta à Câmara 20 anos após ter concluído seu último mandato na Casa, o deputado Júlio Campos (DEM-MT) virou destaque nacional ao se referir ao ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), como “aquele moreno escuro”. Três semanas após aquela declaração, Júlio Campos passou à condição de único congressista brasileiro a responder atualmente pelo crime de homicídio qualificado na mais alta corte do país.

Tramita desde o último dia 15 no Supremo Tribunal Federal um inquérito (Inq 3162) que apura o envolvimento do deputado em dois assassinatos ocorridos em 2004. Segundo as investigações, o empresário Antônio Ribeiro Filho e o geólogo húngaro Nicolau Ladislau Ervin Haraly foram assassinados em São Paulo por causa de uma disputa por terras em Mato Grosso. O caso é relatado pelo ministro Marco Aurélio Mello.

Júlio Campos nega qualquer envolvimento com os crimes. “Ninguém que me conhece acredita nessa possível hipótese. Jamais cometeria um troço desses”, rechaça o ex-governador, ex-senador e ex-conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso, de volta à Câmara com 72.560 votos.
De acordo com a investigação, Júlio Campos é suspeito de ser o mandante dos crimes para se apropriar de terras com pedras preciosas. O processo se arrasta há mais de seis anos na Justiça. Subiu agora para o Supremo porque, como parlamentar, Júlio Campos só pode ser julgado pela Suprema Corte.

A Justiça de São Paulo condenou seis pessoas pela execução do crime, acusadas de duplo homicídio e formação de quadrilha. “Eles recorreram da decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo. O STJ liberou esses possíveis assassinos. Desde 2006, eles já estão em liberdade”, informa Júlio Campos ao Congresso em Foco. A Justiça não concluiu, porém, a análise sobre a eventual participação do deputado – considerado “investigado” pelo Supremo e “indiciado” pelo STJ – como mandante dos crimes.

Nos corredores do Ministério Público Federal, o que se comenta é que o caso deve ter um desfecho rápido: ou o procurador-geral recomendará logo o arquivamento ou oferecerá a denúncia. Não deverá haver novos pedidos de diligências. Os quatro volumes e vinte apensos de papel estão nas mãos do procurador geral da República, Roberto Gurgel. Caso a denúncia seja oferecida, os ministros terão de decidir se o deputado será definitivamente inocentado ou réu de uma ação penal, processo que pode resultar na condenação.

Assassinatos no Guarujá

Em 2004, o empresário Antônio Ribeiro e o geólogo Nicolau Haraly foram assassinados no Guarujá, no litoral de São Paulo. De acordo com os autos do inquérito, o crime aconteceu para ocultar a transferência da propriedade do empresário para dois “laranjas” de Júlio Campos, a secretária Nauriá Alves de Oliveira e o advogado Delci Baleeiro Souza. Funcionários ainda hoje do ex-governador, eles são apontados por Júlio como pessoas de sua inteira confiança. De acordo com as investigações à época, o solo das terras seria rico em diamantes e outras pedras preciosas.

O advogado Paulo Fabrini, que defende o deputado, Nauriá e Baleeiro, diz que os dois não eram “laranjas” do parlamentar. Mas confirma que os funcionários emprestaram seus nomes para a Agropecuária Cedrobom, dona de 87 mil hectares no norte do Mato Grosso, ser transferida do nome de Antônio Ribeiro, uma das vítimas, para o do deputado. “A empresa era enquadrada como de pequeno porte, uma EPP. Foi por uma questão contábil e fiscal”, diz. De acordo com Fabrini, “provavelmente”, a empresa já esteja hoje no nome de Júlio Campos.

Depois da transferência, a família de Ribeiro passou a reclamar de uma fraude na documentação. Isso teria acontecido antes do assassinato. Para a Procuradoria Geral da República, Júlio Campos é o autor da fraude na transferência e o mandante do crime. Fabrini nega qualquer falsificação de documentos por parte de seus três clientes. Afirma que as terras foram entregues por Ribeiro porque ele tinha dívidas com o deputado. O advogado, porém, diz que a Cedrobom, entregue como pagamento pela dívida, não tinha mais valor: as terras estavam em poder do estado e da União, não havia pedras preciosas e não havia indenização a receber.

Fabrini e Júlio Campos afirmam existir um parecer do Ministério Público de São Paulo livrando Nauriá e Baleeiro de qualquer participação em fraude ou crime. Os dois chegaram a ter pedido de prisão preventiva decretada na época dos crimes. “Por tabela”, diz o advogado, não haveria participação do deputado. A reportagem solicitou cópia do parecer ou de uma sentença judicial com esse teor, mas não recebeu retorno até o fechamento desta edição. O advogado Paulo Fabrini acrescenta que extratos de ligações dos reais executores do crime não mostraram nenhum telefonema entre eles e Júlio Campos.

Faz parte da vida

Em entrevista ao Congresso em Foco, Júlio Campos afirmou que acusações dessa natureza fazem parte da vida de um político. “Claro que isso desgasta. Mas faz parte da vida pública”, diz. Segundo o deputado, Nauriá e Baleeiro trabalham com ele há mais de 30 anos em uma de suas empresas e jamais se envolveram em qualquer irregularidade. “Há uma relação de total confiança. São pessoas boas, pode olhar a ficha deles, há apenas essa citação”, ressalta.

O deputado contou que tinha relação de amizade com Antônio Ribeiro, que chegou a ser representante de seu escritório político em Brasília quando foi governador de Mato Grosso. “Infelizmente, o filho dele fez a denúncia dizendo que eu poderia ser suspeito porque tinha sido sócio do pai dele. O filho supunha que havia falsificação de assinatura. Mas o Ministério Público de São Paulo entendeu que não havia nada”, declara o deputado.

De acordo com Júlio Campos, uma ação cível movida pela família de Ribeiro foi arquivada em 2007 no Fórum de Cuiabá. O deputado acredita que o inquérito em andamento no Supremo também terá o arquivo como destino. “Como esse inquérito não foi fechado, ao assumir a cadeira de deputado, meu foro mudou.” O caso está com o STF e o relator é o ministro Marco Aurélio Mello, que concedeu um habeas corpus para negar a quebra de sigilo fiscal de Júlio Campos quando ele ainda era conselheiro de contas do Mato Grosso. Para o deputado, o caso está esclarecido. “Os assassinos ficaram esclarecidos, foram presos, foram levados ao júri.”

Permuta e dívida

A ligação do deputado com a terra remonta ao período em que ele governou o estado. Júlio Campos foi governador de Mato Grosso entre 1983 e 1986. De acordo com o advogado Paulo Fabrini, a Agropecuária Madrugada era dona de uma área de 20 mil hectares em Nova Maringá (MT), a 369 km de Cuiabá, que havia sido invadida por posseiros de terras. O então governador desapropriou a área para assentar os sem-terra e entregou à empresa uma gleba de 87 mil hectares em Colniza (MT), a 1.000 km a noroeste da capital.

Lá, informa Fabrini, a empresa foi vendida a Antônio Ribeiro, dono da Cedrobom. Entretanto, antes de morrer, 2/3 das terras viraram um parque estadual e outro terço, um parque federal. O advogado sustenta que não há na propriedade ouro, pedras preciosas ou jazida mineral que pudessem interessar a alguém. Diz ainda que o governo do estado e a União jamais indenizaram quem quer que seja pelas terras da Cedrobom.

Mesmo assim, conta Fabrini, Júlio Campos aceitou as terras como pagamento por dívidas que Ribeiro tinha com ele. As terras podem ter alguma serventia, alega o advogado. “Ela pode gerar alguma coisa, crédito de carbono”, sugere o defensor do deputado.

Calúnia

No Supremo, Júlio Campos responde ainda a uma ação penal (AP 582) por calúnia. Segundo ele, o processo foi movido pelo ex-senador Antero Paes de Barros (PSDB) e o ex-governador Dante de Oliveira (PSDB) no calor do processo eleitoral de 1998. “Esse processo já está prescrito. Tem mais de dez anos. Não foi pra frente.” O caso é relatado pelo ministro Ayres Britto.

Júlio Campos se envolveu em polêmica com o Supremo Tribunal Federal ao defender um tratamento diferenciado na Justiça para autoridades. Em reunião na bancada do DEM, o deputado disse que os parlamentares não poderiam abrir mão do direito à prisão especial. E, curiosamente, citou o caso de um ex-deputado que renunciou ao mandato para escapar de uma condenação por tentativa de homicídio.

“Todo mundo sabe que essa história de foro privilegiado não dá em nada. O nosso amigo Ronaldo Cunha Lima precisou ter a coragem de renunciar ao cargo para não sair daqui algemado. E depois, meus amigos, você cai [sic] nas mãos daquele moreno escuro lá no Supremo, ai já viu”, disse Júlio, em referência ao ministro Joaquim Barbosa e criticando a suposta falta de proteção mútua entre os deputados. Cunha Lima renunciou ao mandato para não ser julgado no processo em que respondia por tentar assassinar o ex-governador Tarcísio Burity. A ação era relatada pelo ministro Joaquim Barbosa. Após a repercussão das declarações, Júlio Campos divulgou nota se desculpando com o ministro e negando tê-lo ofendido.

Fonte: Congressoemfoco

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