segunda-feira, abril 25, 2011

Dirceu aparece na novela de Silvio Santos sobre a luta armada, mas não consegue elevar a audiência. Se tivesse contado como se deu a salvação do Banco PanAmericano, bateria recordes no Ibope.

Carlos Newton

Já foi ao ar, no encerramento de um dos capítulo da sensacional novela “Amor e Revolução”, do SBT, o depoimento gravado pelo ex-ministro José Dirceu sobre sua prisão pela ditadura, em 1969, e os períodos em que viveu exilado em Cuba e, depois, clandestino no Brasil.

Como se sabe, essa novela exaltando a luta armada contra a ditadura militar de 1964 a 1985 não foi feita visando a ter audiência, e certamente é por isso mesmo que ninguém assiste. O objetivo de Silvio Santos foi apenas retribuir a gentileza do então presidente Lula, que prontamente atendeu ao simpático apresentador e empresário da comunicação, quando ele esteve no Planalto, em setembro de 2009, e lhe pediu que socorresse o Banco PanAmericano, que estava tecnicamente falido.

Por coincidência, mera coincidência, é claro, apenas dois meses depois da visita de Silvio a Lula no Planalto, a Caixa Econômica Federal anunciou a compra de 35,54% do capital social do banco PanAmericano. O valor da operação foi de R$ 739,2 milhões e envolveu a aquisição da participação acionária representativa de 49% do capital social votante e de 20,69% das ações preferenciais do PanAmericano.

Recapitulando: os R$ 739,2 milhões da Caixa foram a primeira ajuda. Não adiantou nada. Depois, já em 2010, o Fundo Garantidor de Crédito (órgão criado por bancos privados e estatais, incluindo a própria Caixa, para evitar quebradeiras) entrou com mais R$ 2,5 bilhões. Também não adiantou. O Fundo então aumentou sua operação de socorro para cerca de R$ 4 bilhões. E não adiantou nada, mais uma vez.

Até que, no dia 11 de fevereiro deste ano, veio a então prestimosa presidente da Caixa, Maria Fernanda Gomes Coelho e anuncioua que o banco estatal vai injetar mais R$ 10 bilhões no PanAmericano, que já tem como controlador o BTG Pactual. Portanto, lembrando outro famoso apresentador de TV, Jota Silvestre, poderemos dizer que, no buraco negro do PanAmericano, só “o céu é o limite”.

Por coincidência, depois que esse escândalo foi noticiado (e logo abafado), Maria Fernanda Gomes Coelho perdeu a presidência da Caixa, mas “caiu para cima”. O governo imediatamente lhe arranjou uma bela mordomia. E a incansável executiva vai representar o Brasil no Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID), em Washington, ganhando em dólar.

Mas não foi por mera coincidência que Silvio Santos teve a idéia de fazer uma novela exaltando a luta armada dos guerrilheiros contra o regime militar. É que agora Silvio Santos é da esquerda e por isso coloca no ar o samba-exaltação da luta armada, a novela “Amor e Revolução”. Por coincidência, mera coincidência, já gravou depoimento a militante Rose Nogueira, que dividiu a cela no Dops com a presidente Dilma Rousseff. E na semana passada foi a vez de José Dirceu.

Fica faltando agora o depoimento do próprio Silvio Santos, um dos maiores capachos da ditadura militar, que mantinha os telejornais de sua televisão sob implacável censura interna, que nada tinha vez com a censura exercida pela Polícia Federal em outros órgãos de comunicação. Na TV de Silvio Santos, a censura era exercida pessoalmente por ele ou pelos diretores da emissora.

Aliás, ele nem parece mais com aquele simpático apresentador que todo domingo exibia em seu programa o longo e chatíssimo quadro “A Semana do Presidente”, para enaltecer os feitos do então inquilino do Planalto, o general João Figueiredo. Agora, Silvio Santos é petista desde criancinha. De semelhante com o apresentador-exaltador dos tempos da ditadura, só restou aquele sorriso falso e bolorento.

Fonte: Tribuna da Imprensa

O inexpressivo Raúl Castro ficou 40 anos esperando. Agora propõe “eleição livre”, naturalmente depois de 10 anos para ele. Cumpridos esses 10, Cuba precisará de mais 10 (serão 20) para acabar a ruína e a decadência. Fidel, mesmo ditador, será julgado pela História.

Helio Fernandes

Estive varias vezes em Cuba, como estive em outros lugares. Uma vez, a primeira, com o Sargento Batista presidente, corruptíssimo. Foi deposto, não por algum movimento revolucionário, mas sim por insatisfação dos sócios, empresários que exploravam turismo, e principalmente jogo, os cassinos eram fantásticos.

Voltou ao Poder. Quando visitei o país pela segunda vez, era “marechalíssimo”. Apoiado por grupos internacionais, vorazes e gananciosos, dominava de verdade, dava a impressão de que não sairia mais. Não ligou para Fidel Castro, que descia avassaladoramente para Havana.

No Ano Novo de 1959, Batista fugia covardemente, sem um tiro. E tão apressadamente, que esqueceu (?) no aeroporto, uma pasta com 450 mil dólares, para ele significava muito pouco. Principalmente comparado com o que tinha no exterior. O importante era fugir para onde estava esse dinheiro.

Acabava uma Era, começava outra. No Brasil também. Janio Quadros assumia garantindo que revolucionaria tudo, não deu tempo nem para ele mesmo. Mas a campanha foi interessantíssima, participei da metade dela. Em março de 1960, José Aparecido, o cérebro por trás de Janio, resolveu inovar.

Fidel Castro era atração mundial. Sem provocar medo ou reação assustadora, era elogiado ao mesmo tempo pelo Papa, pela União Soviética e pelo “New York Times”. (Seu editor-chefe, Herbert Matthews, tinha casa de fim de semana em Havana).

Aparecido fretou um avião particular e fomos para Cuba. 30 pessoas, 27 jornalistas. E mais o quase presidente, o deputado Adauto Cardoso, que queria ser ministro da Justiça e não foi. E o tambem deputado Afonso Arinos, que pretendia o Ministério das Relações Exteriores, e conseguiu.

Foram 9 dias admiráveis, inesquecíveis. Eu estava ainda no “Diário de Noticias”, como sempre, mandava artigo e coluna diária. Andávamos na rua, Fidel não tinha segurança. Com ele, jamais faltava, Che Guevara. Ainda não era tão famoso quanto Fidel, mas lembro que escrevi, “quem me impressionou de verdade foi Guevara”. Lógico que Fidel tinha charme e liderança incontestável, mas Guevara era pessoalmente irresistível.

Nos encontrávamos invariável e diariamente na residência do Embaixador do Brasil (mais tarde chanceler) Vasco Leitão da Cunha. Foi na sua casa que aconteceu o roubo da arma de Fidel, muito comentada, jamais esclarecida. Supunha-se (suspeitava-se?) que fosse um dos 27 jornalistas. Mas não houve o menor indício.

Nesses 9 dias, não vi (e lógico não falei) por um minuto que fosse, com o Comandante das Forças Armadas, o silencioso e sempre ausente Raúl Castro. Manteve esse forma discreta durante 40 anos, esperando, saberia o quê? Inicialmente, Raúl, o único comunista da família, teve a intuição e a certeza de que não existia mesmo.

Em 1987 voltei a Cuba para um extraordinário Seminário sobre Dívida Externa, (ainda não havia a degradante Dívida Interna), Raúl não apareceu nem aparecia. Tentei entrevistá-lo, delicadamente as secretárias diziam, “o comandante está com a agenda cada vez mais sobrecarregada”.

Depois, até a doença de Fidel, vários embaixadores do Brasil, nessa condição, (afinal o Brasil mantinha excelentes relações com Cuba) não conseguiram falar com o “comandante”, de modo algum. Isso revelado pelos próprios embaixadores.

Agora, quem manda e desmanda é o irmão Raúl (perdão, o enclausurado Partido Comunista). Fidel está completamente fora de cena, não visita nem é visitado por ninguém. Nem mesmo pelo irmão presidente, agora com todos os Poderes que ninguém imaginava que pretendesse e passasse a exercê-los assim que Fidel ficou doente (e agora doentíssimo, apareceu sem saber a razão).

Isso não tem a menor importância. Quando Fidel se for, os 12 milhoes de cubanos, chorarão inconsolavelmente, é a palavra. Insatisfeitos mais social do que politicamente, lamentando não terem saído da pobreza (e da miséria), mas mostrando que Fidel é e será inesquecível.

Não só em Cuba, e sim no mundo inteiro. Será Primeira de todos os jornais do mundo, escreverão editoriais que julgarão relevantes e imperdiveis. CONTRA ou A FAVOR, ninguém estará julgando Fidel Castro, não se julga a Historia. E Fidel, gostando ou não gostando, é História pura, interpretada das formas mais diferentes. Ditador? Sem nenhuma dúvida, mas que personagem.

Sobre Raúl só se escreverá para contestá-lo ou questioná-lo. Propõe a “escolha” dos homens públicos, por 5 ou 10 anos. Não fala na Presidência, não cita seu nome, mas é lógico, que quando fixa a duração no Poder, “5 ou 10 anos”, não esquece dele mesmo. Como é de praxe dos regimes ditatoriais, ganhou o titulo de Secretário Geral, é quem manda. (Excluído o Partido Comunista, que só não teve força com Fidel, este não aceitava nem permitia).

Quando Nixon, presidente dos EUA, revolucionou a política americana e surpreendeu o mundo indo à China, em 1969, seguiu a hierarquia. Foi recebido pelo Secretario Geral do PC e Primeiro Ministro, Chou Em Lai, mas se arrojou mesmo, aos pés de Mao Tse Tung.

Comemoravam os 20 anos da marcha redentora, ainda não haviam “descoberto” (o mundo ocidental) que Mao era um “Monstro”. É evidente que Cuba não era a China, a China, nada a ver com Cuba. Reflexão pública de Mao: “Peguei a China no Século X e a deixei no Século XX”. É verdade. Fidel teria feito mais, só que com aquele território e a população mínima, era impossível.

Lembrem: Mao Tse Tung morreu quase esquecido. Ninguém esquecerá de Fidel. Mesmo não tendo petróleo ou qualquer riqueza natural. Cuba explorada antes de 1898, quando se libertou da Espanha. E foi dominada pelos EUA.

Digamos que os 10 anos de Raúl, comecem agora. (Como, quando, quem entregará o Poder a ele?) Hoje já passou dos 80 anos, normalmente terá passado dos 90 anos. Sem contar que a sua pregação, “os homens públicos serão eleitos”, só valerá depois dele. Nada mais “natural”.

Pode ser que esgotados esses 10 anos, Raúl queira experimentar (em 2021) o que falou 10 anos antes, e se considere ainda em condições de exercer o Poder até os 100 anos. Ou o que der, se o corpo resistir e ajudar, já que na mente não se pode confiar. Haja o que houver, serão necessários 20 anos para uma possível recuperação.

Fidel tinha momentos de lapsos democráticos, que não conseguia completar. Há 15 ou 20 anos pretendia fazer uma renovação dos dirigentes. Existiam na época 26 estatais, quando ficou doente, eram 32. Estatais pequenas, proporcionais à projeção e importância de Cuba. Cada estatal tinha um presidente e dois ou três diretores, além de funcionários não importantes. Eram mais de 50 jovens, quadros indicados e referendados pelo Partido.

Fidel encontrou resistências, obstáculos, divergências. Vetos não, ninguém tinha coragem. Mas esqueceu (por isso chamei de lapsos), envelheceu, o PC envelheceu, os presidentes das estatais envelheceram, não se fala ou se falou mais nisso.

Agora vem o silencioso, inoportuno, também envelhecido e envilecido Raúl, que tenta “desenvelhecer” o PC. Acreditando que com isso rejuvenesce Cuba e o próprio PC, que não manda mais nada, mas ajuda Raúl a mistificar. Não há saída ou solução. Os que dizem (até mesmo nos EUA) que Cuba se salvará se entrar num regime “democrático-capitalista”, não conhecem Cuba ou o que vem acontecendo há 50 anos.

Principalmente nos últimos 10, Fidel acabava, o PC cada vez mais anacrônico, já “nasceu” sem a menor importância, pelo menos em Cuba.

***

PS – Não existe possibilidade de repetição do que Fidel fez a partir de 1957, começando a descida da Sierra Maestra, concretizada com a tomada de Havana em 1959.

PS2 – Não quero defender Fidel, apenas condenar Raúl, mostrando a terrível diferença, um abismo entre eles. Se quiserem o progresso de Cuba e acabar com o retrocesso, não pode ser com Raúl e seus “velhinhos” do PC.

PS3 – Falei em 20 anos para a recuperação, (depois dos 10 de Raúl) talvez seja melhor levar esse números para mais longe.

PS4 – Os que falam que Dona Dilma “pode ajudar Cuba”, estão querendo comprometê-la. Com Fidel, a presidente poderia ir a Cuba enfrentando vetos e discordâncias.

PS5 – Com Raúl, Dona Dilma não pode falar nem pelo telefone. Ele vai ligar (ora se vai), ela não pode nem atender. É a realidade de hoje.

Fonte: Tribuna da Imprensa

ANS mira pressão sobre médico

Operadoras não podem impor limite máximo de exames nem pagar bonificação ao profissional por cumprimento de “metas”

Publicado em 25/04/2011 | Alexandre Costa Nascimento

Uma resolução da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) vai aumentar o rigor no combate à interferência das operadoras dos planos de saúde na relação entre médicos e pacientes, impedindo a limitação de exames aos usuários ou pagamento de bônus aos profissionais em função do cumprimento de “metas”.

A disputa recente entre médicos e operadoras em torno da defasagem no valor dos ho­­norários trouxe à tona denúncias de pressões e imposições de limites para o número de procedimentos prescritos pelos profissionais de saúde. A prática, que já era vedada, entrou na mira da ANS, que publicou a Súmula Normativa n.º 16, enquadrando a conduta como “restrição da atividade do prestador”, sujeita a multa de até R$ 35 mil. Segundo a agência, além de caracterizar uma restrição da atividade do profissional, a prática pode gerar dificuldades de acesso dos pacientes ao tratamento adequado.

Justiça

“Priorizamos o consumidor”, afirma ministro do STJ

O setor de planos de saúde é um dos mais demandados nas entidades de defesa do consumidor e também no Judiciário. Para o ministro Aldir Passarinho Junior, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) busca sempre atender aos interesses do consumidor nos pedidos de indenização que chegam à Corte, mas reconheceu que a lei limita a atuação do Tribunal.

“Existem questões, realmente, que até nós, juízes, como seres humanos, gostaríamos que pudessem ser interpretadas de uma forma mais ampla, mas evidentemente o Tribunal tem que seguir a lei. E nem sempre a lei permite uma interpretação inteiramente favorável [ao consumidor]. Tem que sempre haver um equilíbrio, e é isso o que se tem procurado fazer, mas sempre priorizando os assuntos e os interesses maiores do consumidor, que é a parte mais frágil numa relação contratual”, disse Passarinho em entrevista ao programa Conexão STJ, que na última semana tratou especificamente da proteção aos direitos do consumidor.

De acordo com o ministro, várias situações permitem a recusa das operadoras de atender à solicitação dos pacientes. “Como essa questão é contratual, depende do plano ao qual a pessoa é filiada. Então, todas as vezes em que existe uma resistência por parte dos planos de saúde em reconhecer situações de emergência, essa interpretação tem sido extremamente favorável ao consumidor no sentido de afastar essas recusas – ao meu ver e ao ver do STJ – injustificadas por parte dos planos de saúde”, afirmou. Passarinho ressaltou que existe uma relação contratual e deve haver sempre o equilibro econômico-financeiro entre as partes.

(ACN, com agências)

Bonificação

A ANS constatou que algumas operadoras de planos privados de assistência à saúde vêm adotando política de remuneração de seus prestadores baseada em uma parcela fixa, acrescida ou não de uma parcela paga a título de bonificação. Segundo a agência, a referida bonificação somente é paga aos prestadores de serviços de saúde que limitarem a determinado parâmetro estatístico de produtividade o volume de solicitações de exames diagnósticos complementares.

Em entrevista à Gazeta do Povo publicada em março, o conselheiro do Conselho Federal de Medicina Celso Mudar denunciou a existência desse tipo de procedimento. “Se o número de exames ultrapassa a cota, a operadora manda uma carta comparando os números do profissional com a média da sua especialidade. É uma forma de dizer ‘você está nos custando caro’”, explicou.

Segundo o presidente da Associação Médica do Paraná, José Fernando Macedo – que também preside a Comissão Estadual de Honorários Médicos –, durante as rodadas de negociação uma das operadoras propôs como contrapartida para o aumento dos honorários a diminuição do número de exames prescritos pelos médicos conveniados, justificando o custo financeiro desses procedimentos no caixa das empresas.

Código de ética

Cristiano Heineck Schmitt, professor de Direito do Consumidor e especialista em saúde suplementar, lembra que a conduta também é punível pelo código de ética médica, podendo também incidir em práticas criminais. “Sem um exame adequado, o paciente pode não encontrar a cura para a sua doença. O médico que faz isso pensando em receber um bônus pode ser acusado por lesão corporal, caso isso provoque um sofrimento prolongado ao paciente, ou mesmo homicídio, em caso de óbito”, avalia.

O especialista ressalta a importância da ação fiscalizatória da ANS, já que, para o paciente, é praticamente impossível perceber quando isso ocorre. “Uma análise do ponto de vista contábil pode apurar valores que não se enquadram em remuneração de atendimento prestado. Somente a agência tem parâmetros técnicos para apurar isso”, explica.

Procurada para comentar a súmula 16, a Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), que representa o setor de planos de saúde, diz desconhecer esse tipo de prática. Ainda assim, a entidade afirma, através de sua assessoria de imprensa, que “o que está na súmula tem que ser cumprido e será cumprido”.

Fonte: Gazeta do Povo

Enviar declaração parcial evita multa

Se não for possível transmitir o documento completo antes do fim do prazo, o ideal é mandá-lo inacabado e fazer uma retificação em seguida

25/04/2011 | 00:19 | Carlos Guimarães Filho

Quem quiser fugir do pagamento de multa por atraso na entrega da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2011 – de, no mínimo, R$ 165,74, ou 1% ao mês sobre o imposto devido – tem até as 23h59min59 da próxima sexta-feira para concluir o processo. Os retardatários não devem contar com a possibilidade de extensão do prazo: a Receita Federal já informou que a data de entrega não será prorrogada. A última vez isso ocorreu foi em 1997, ano em que o sistema de entrega da declaração on-line foi implantado – neste ano, pela primeira vez, o sistema vai cobrir 100% das declarações enviadas.

Mas os “atrasadinhos” têm ainda uma espécie de solução parcial, recomendada pela própria Receita Federal: se suspeitar que não vai conseguir cumprir o prazo, o contribuinte deve enviar a declaração de forma incompleta e, depois, fazer uma retificação, evitando, assim, a multa. “O contribuinte pode fazer uma retificação, acrescentando as informações completas após o fim do prazo de entrega”, orienta o assistente técnico da Delegacia da Receita Federal em Curitiba, Luiz Omar Setúbal Gabardo.

Gabardo alerta, no entanto, para a impossibilidade de alterar o modelo de declaração – completa ou simplificada – após o prazo oficial de entrega. A recomendação da RF é que o contribuinte não deixe para enviar o documento na última hora, para evitar a lentidão no sistema devido à sobrecarga.

Balanço

De acordo com a Receita Federal, até quarta-feira passada – o dado mais recente divulgado até agora –, mais da metade dos contribuintes ainda não havia enviado a declaração. Mas o número de declarações entregues tende a aumentar consideravelmente no balanço que será divulgado hoje, uma vez que muitas pessoas provavelmente aproveitaram o feriado prolongado para concluir e enviar o documento.

De acordo com a RF, de 1.° de março até as 17h30 de quarta-feira, 11,2 milhões, do total de 24 milhões de contribuintes do país, já haviam enviado as declarações do IRPF. No Paraná, cerca de 680 mil pessoas, do universo de 1,56 mi­lhão de contribuintes, já estavam quites com o Leão antes do feriadão. A Superintendência da Receita Federal classifica como “normal” o ritmo de entrega das declarações.

Bate-papo

A Gazeta do Povo encerra amanhã a série de bate-papos sobre o Imposto de Renda, com a participação do diretor do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis do Paraná (Sescap-PR), Luiz Fernando Ferraz. A partir das 15 horas, ele responderá as dúvidas dos contribuintes ao vivo, pela internet. A novidade desta última edição é a transmissão simultânea de imagens, através do sistema Twitcam. Leitores podem participar tanto pelo ambiente do Twitter quanto pelo site da Gazeta.

Fonte: Gazeta do Povo

Fotos do dia

Marcella Matos está no site Bella da Semana A bela diz que sua maior arma de sedução é olhar Ilsinho marcou gol da vitória do Tricolor sobre a Lusa
A Portuguesa não conseguiu parar o São Paulo, que pega o Santos nas semifinais Valdivia comemora seu gol contra o Mirassol, que classificou o Verdão às semifinais Caminhão invade casa no Capão Redondo, zona sul de São Paulo

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Isento não está obrigado a declarar o IR

Livia Wachowiak Junqueira
do Agora

O prazo para enviar a declaração do Imposto de Renda termina na próxima sexta-feira, mas os contribuintes que não atendem aos critérios de obrigatoriedade não precisam enviar o documento à Receita. Embora essa regra já exista há três anos, alguns escritórios da capital estão orientando os contribuintes a fazer a declaração de isento, segundo o Agora apurou.

Em um dos escritórios, o profissional informou à repórter (que fez a consulta como consumidora) que seria "recomendável" enviar o IR, já que a Receita faria um levantamento de todos os contribuintes isentos a cada dois anos.

Segundo a Receita, nenhuma das informações é verídica. "Não queremos receber declarações de isentos", afirma Luiz Monteiro, auditor da Receita em São Paulo. "Quem for isento não precisa enviar nada."

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta segunda

Veja se terá atrasados de até R$ 32.700 em maio

Os segurados que ganharam na Justiça uma ação contra o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) já podem verificar, pela internet, se receberão em maio os atrasados --grana não paga pela Previdência nos cinco anos anteriores à entrada da ação e durante a espera pela sentença.

Receberá em 10 de maio quem teve o pedido de pagamento feito pela Justiça em março deste ano e aguarda até R$ 32.700 do INSS. A grana será depositada no Banco do Brasil ou na Caixa Econômica Federal. O Imposto de Renda que será retido pela instituição financeira na hora do pagamento já deverá ser calculado pelas novas regras da Receita.

Para saber se está no próximo pagamento, o segurado deve consultar o site do TRF 3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) --para ações de São Paulo ou do Mato Grosso do Sul. Segurados de outros Estados devem procurar o TRF de sua região. Na ficha "Requisição de Pagamentos", o segurado deverá conferir se aparece o termo "RPV" em "Procedimento". Esse tipo de atrasado, chamado de Requisição de Pequeno Valor, deve ser pago até 60 dias após o pedido da Justiça.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta segunda

domingo, abril 24, 2011


ornais: senador emprega contratante de fantasmas

FOLHA DE S.PAULO

Senador emprega servidor suspeito de contratar fantasmas
O senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) contratou um servidor investigado pelo Senado, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público sob acusação de ficar com parte do salário de funcionários fantasmas que ele teria alocado em outros gabinetes. Em depoimento, Rudinei Mattoso admitiu que, entre esses cinco funcionários, estava a babá de seus filhos. Ele é investigado pelos crimes de extorsão, corrupção passiva e tráfico de influência.

A Folha apurou que até agora não foram achados indícios de participação dos senadores na contratação dos indicados por Mattoso. Se isso ocorrer, o inquérito será encaminhado à Procuradoria-Geral da República por conta do foro privilegiado que congressistas possuem. Eunício – que preside a Comissão de Constituição e Justiça, a mais importante do Senado – disse que não tinha conhecimento das acusações contra o servidor, contratado para cargo comissionado em 15 de março.

Os supostos fantasmas teriam sido empregados entre 2006 e 2008 nos gabinetes do então senador Teotônio Vilela (PSDB), atual governador de Alagoas, e na liderança do PMDB, na época comandada por Valdir Raupp (RO). Todos já foram exonerados. Mattoso foi demitido do Senado em 2007, após ser preso sob acusação de usar a cota postal de dois deputados para enviar mercadoria contrabandeada pelos Correios. Na época, era funcionário de confiança do então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

No inquérito há vários comprovantes de transferência bancária da conta de Maria Aparecida Viana para a de Mattoso, de até R$ 1.000. Ela trabalhava como babá dos filhos de Mattoso, não dava expediente no Senado, mas recebeu salário e hora extra de junho de 2006 a outubro de 2007. À polícia, Mattoso disse que não cabia a ele fiscalizar se a babá trabalhava para o Senado. Ele disse ainda que não dividia o dinheiro obtido com ninguém.

Eunício afirma que contratação foi pedido de assessor
O senador Eunício Oliveira disse que não sabia das investigações contra o servidor e que só o contratou a pedido do seu assessor de imprensa. Ele disse que o Senado deveria tê-lo alertado do inquérito porque não cabe a um senador verificar "se o cara namora, se é gay, o que faz".

O advogado de Mattoso, José Wellington Medeiros de Araújo, disse que ele nega ter empregado pessoas em troca de parte do salário delas e que o caso da babá é isolado. Teotonio Vilela negou ter contratado fantasmas. Valdir Raupp afirmou que quando soube da ligação da funcionária com Mattoso, providenciou sua exoneração.

Derrotados em 2010 conquistam cargos com ajuda de aliados
Nomes que transitam pelo cenário político brasileiro há anos, mas não se elegeram em 2010, continuam na vida pública em cargos para os quais foram indicados por correligionários e aliados. Os petistas Aloizio Mercadante e Ideli Salvatti, que integraram a tropa de choque do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado, perderam a disputa aos governos de São Paulo e Santa Catarina, respectivamente. Com a posse de Dilma Rousseff, ganharam os ministérios da Ciência e Tecnologia e da Pesca.

O ex-governador do Amapá Waldez Góes (PDT), que foi preso numa operação da Polícia Federal no ano passado e acabou derrotado na eleição para o Senado, foi nomeado assessor no gabinete do deputado Sebastião Bala Rocha (PDT-AP). Ser aliado e ter uma ficha de serviços prestados ao governo não é garantia, no entanto, de bons cargos na gestão Dilma.

No PT-MG, por exemplo, há casos opostos. Enquanto Fernando Pimentel, amigo de juventude de Dilma, virou ministro do Desenvolvimento, seu colega Patrus Ananias, ex-ministro responsável pelo Bolsa Família, voltou para uma vaga de concursado como analista legislativo na Assembleia de Minas.

Governador da Bahia vai "vender" barba por R$ 500 mil
O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), vai tirar a barba por R$ 500 mil para participar de uma campanha publicitária de uma marca de barbeador. O dinheiro será doado pelo governador para um projeto beneficente de educação do Instituto Ayrton Senna, comandado pela empresária Viviane Senna.O petista afirmou que mantém o visual barbado há 34 anos. Eleito governador no primeiro turno em 2006 com 53% dos votos válidos, ele foi reeleito em 2010 no primeiro turno com 64% dos válidos. "Vou vender minha barba para a Gillette, mas esse dinheiro tem que ser investido aqui na Bahia", disse ele.

Para financiar o projeto, o empresário João Doria Jr. lançou uma campanha durante o fórum de empresários em Comandatuba (sul da Bahia) pedindo doações anuais de R$ 60 mil – 12 prestações de R$ 5.000 mensais. Em menos de quatro horas, Viviane Senna arrecadou no evento mais R$ 2,2 milhões, valor levantado no encontro no ano passado.

PMDB convida Chalita para disputar a Prefeitura de SP
Alçado à política paulista pelas mãos do governador Geraldo Alckmin, o deputado federal Gabriel Chalita (PSB-SP) foi convidado pelo vice-presidente da República, Michel Temer, a concorrer à Prefeitura de São Paulo pelo PMDB em 2012. A articulação ampliaria o isolamento do PSDB de Alckmin, já que a expectativa é de que o PMDB e o PT componham uma chapa para disputar as eleições. Alckmin ainda tenta evitar o acordo de Chalita com os peemedebistas. Ciente da vontade do deputado de trocar de partido, o governador o incentiva a migrar para o PTB, comandado em São Paulo por Campos Machado, considerado "alckmista".

Leia: Temer quer Chalita candidato a prefeito pelo PMDB

O convite do PMDB, dirigido por Temer, foi divulgado pelo vice-presidente ontem após evento com empresários em Comandatuba (BA). "O Chalita tem conversado muito conosco. Se vier é um fortíssimo candidato a prefeito", disse Temer. O PMDB corteja Chalita desde o ano passado. Procurado, o deputado não quis dar entrevista.

Governo vê Selic de volta a 10% só em 2013, afirma Temer
O governo avalia que a Selic (taxa básica de juros) só deve voltar ao patamar entre 9,5% e 10% ao ano em 2013, disse ontem o vice-presidente Michel Temer. Na quarta, o BC reduziu o ritmo de alta dos juros, elevando a taxa de 11,75% para 12%. Até então, o BC tinha subido a taxa duas vezes em meio ponto neste ano. No comunicado em que anunciou a decisão, o BC indicou que a taxa continuará subindo para reduzir a inflação até 2012.

A ação mais gradualista de combate à inflação vem sendo criticada por economistas, que veem o risco de a inflação permanecer alta nos próximos anos, o que levaria à continuidade da elevação dos juros. A empresários, Temer disse que o governo prevê crescimento mais moderado por conta do aumento dos juros. Após a expansão de 7,5% em 2010, a economia deve crescer 4,5% em 2011 e 5% em 2012, estima o governo.

Escalada da inflação aumenta o deficit dos Estados e municípios
Embora deva facilitar o cumprimento das metas fiscais definidas pelo governo Dilma Rousseff, a escalada da inflação fez disparar o deficit das contas dos governos estaduais e municipais. Mesmo com crescimento da arrecadação tributária, as despesas administradas por governadores e prefeitos superaram as receitas em R$ 47 bilhões no período de 12 meses encerrado em fevereiro. Um ano antes, esse deficit não chegava a R$ 3 bilhões.

Em consequência, houve piora generalizada no ano passado dos indicadores de endividamento criados pela Lei de Responsabilidade Fiscal, segundo levantamento feito pela Folha. Pela legislação, regulamentada pelo Senado Federal, as dívidas estaduais não podem superar o teto de 200% da receita anual. Para os municípios, o limite é de 120%. Os mais ameaçados pela restrição são os governos mais ricos, que historicamente tiveram maior capacidade de tomar empréstimos.

A última apuração quadrimestral do endividamento mostrou que São Paulo e Rio de Janeiro ultrapassaram 150%, enquanto Minas Gerais, com mais de 180%, se aproximou do teto. O Rio Grande do Sul e a prefeitura paulistana, que já estavam acima do limite, se distanciaram ainda mais.

Pagamento de auxílio-doença cresce 24%
O pagamento de auxílio-doença a beneficiários do INSS cresce fortemente desde novembro, o que pode ter impacto negativo nas contas da Previdência Social caso a tendência seja mantida. Em fevereiro, o número de benefícios de auxílio-doença pagos pelo governo somou 1,4 milhão, o que representa expansão de 24,2% ante o mesmo mês de 2010. Trata-se da taxa mais alta de crescimento desde março de 2005.

Esse aumento recente marca inversão na tendência de queda na concessão do benefício, iniciada em 2006, depois de uma fase de descontrole entre 2001 e 2005. O crescimento constatado nos últimos meses preocupa especialistas, que temem um possível afrouxamento na fiscalização do INSS.

O GLOBO

Só 4,5% da dívida do grupo Luiz Estêvão foram recuperados
A recuperação da quantia milionária desviada na construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, escândalo da década de 1990, está longe de chegar ao fim. Em 2001, o rombo no episódio envolvendo o então senador Luiz Estevão e o juiz Nicolau dos Santos Neto, o Lalau, foi avaliado em R$ 169,5 milhões pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Dez anos depois, chega a R$ 1,1 bilhão, sendo que apenas R$ 50 milhões foram recuperados, cerca de 4,5% do total da dívida.

- Parece pouco, mas o que já conseguimos é mais do que havia sido feito ao longo de anos e anos em casos como esse. Tirar mais de R$ 50 milhões em dinheiro de um grupo que está sendo acusado de corrupção, nunca houve nada nesse sentido - disse André Mendonça, diretor do Departamento de Patrimônio Público e Probidade Administrativa da Advocacia-Geral da União (AGU).

O feito chegou a ser destacado em relatório recente do Departamento de Estado dos Estados Unidos como boa prática no combate à corrupção. No processo principal de execução contra o grupo, foram penhorados 1.255 imóveis. Entretanto, a grande maioria deles não é o alvo de reclamação porque é ocupada, o que dificulta a liberação na Justiça.

Ministérios têm até 70% de cargos comissionados
Mesmo tendo admitido 115 mil servidores públicos por meio de concurso na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo federal ainda trabalha com uma parcela muito elevada de cargos de confiança em alguns ministérios. Levantamento feito com base em informações do Portal da Transparência revela que, em alguns casos, os cargos comissionados correspondem a 70% do quadro de funcionários. Esse é o caso do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), que tem 586 cargos de confiança para um total de 839 funcionários.

Em março, o número de cargos e funções de confiança na administração direta e em autarquias e fundações chegava a 89.550. Pela distribuição atual desses cargos, em seis ministérios e na Presidência da República, o número de comissionados supera 50% do quadro de funcionários. Esse levantamento não considera os terceirizados, que não aparecem em qualquer estatística do governo.

Lula afirma que PMDB será principal aliado do PT nas eleições municipais do ano que vem
Enquanto o vice-presidente Michel Temer (PMDB) anuncia a entrada do deputado Gabriel Chalita (PSB) no partido e lança sua pré-candidatura a prefeito de São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio da Silva afirma que o PMDB será o principal aliado do PT nas eleições municipais do ano que vem. Lula anunciou a "dobrada" nacional com os peemedebistas em entrevista concedida ao jornal ABCD Maior, de São Bernardo do Campo, quando afirmou ainda que não há "como esconder" que a presidente Dilma Rousseff será candidata a reeleição. O ex-presidente disse ainda que o PSDB vive uma "crise de fragilidade ideológica", pois não saberia se é PSDB, PMDB ou DEM.

- Posso garantir, antecipadamente, inclusive sem falar antes com o Michel Temer, que o PMDB desta vez terá o PT como aliado principal em todos os municípios. Conversei com o presidente estadual do PMDB, o deputado Baleia Rossi, que me garantiu que a preferência de aliança é com o PT. Participarei da eleição municipal, mas tenho cerca de 8,5 milhões de quilômetros para percorrer - disse o ex-presidente ao jornal do ABC Paulista, região que ele afirmou dedicar mais empenho para ganhar as eleições em 2012.

Dilma lançará programa para dar ensino técnico a 3,5 milhões de trabalhadores até 2014
Para enfrentar um dos maiores desafios da área educacional no país, a qualificação técnica e profissional, o governo lançará nos próximos dias o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (Pronatec), um plano ambicioso que será executado pelos ministérios da Educação, da Fazenda e do Trabalho. O programa prevê, entre outras medidas, treinamento de alunos do ensino médio, de profissionais reincidentes no uso do seguro-desemprego e de beneficiários do programa Bolsa Família, além de incentivos a empresas privadas para formação de seus quadros. A meta é capacitar 3,5 milhões de trabalhadores até 2014, começando este ano com 500 mil.

A iniciativa será lançada pela presidente Dilma Rousseff, em cerimônia no Palácio do Planalto. É a primeira ação concreta de seu governo para tentar solucionar o problema da falta de mão de obra qualificada no país, agravada com o crescimento da economia e da demanda por obras e serviços.

País vira polo de pesquisa para multinacionais
O ritmo consistente do crescimento da economia brasileira está cada vez mais atraindo empresas estrangeiras, que, de olho na expansão da classe média, têm planos que vão além de novas fábricas: incluem a criação de polos para desenvolver produtos e serviços. A nova estratégia, comemorada por especialistas, envolve segmentos como os de telecomunicações, cosméticos, computadores e petróleo. Segundo dados de empresas e da Secretaria Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), foram destinados para a criação de centros e laboratórios R$ 14 bilhões em 2010, número que deverá subir para R$ 17 bilhões este ano - alta de 21%. Do valor, boa parte é de multinacionais, dizem especialistas.

No radar dos conglomerados internacionais estão, principalmente, São Paulo e Rio de Janeiro. Hoje, dizem analistas, o setor de óleo e gás é o que consome a maior parte dos recursos. Mas o cenário começa a mudar. A francesa L'Oréal, que está dobrando o seu centro de pesquisa, no Rio, pretende ainda criar um novo espaço. Além de IBM, GE, Volvo Aero, Intel, Clariant e Beurau Veritas, a americana Dell pretende acertar até junho a construção de uma unidade de desenvolvimento em São Paulo (SP), que será a primeira da América Latina. A espanhola Telefónica também investe milhões de euros em SP.

Jaques Wagner raspará a barba por R$ 500 mil
O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), anunciou [ontem] que vai raspar a barba em troca de R$ 500 mil a serem doados ao Instituto Ayrton Senna para investir em obras assistenciais. Wagner mantém a barba há 34 anos. O dinheiro será pago pela Procter & Gamble, dona da Gillette, marca do barbeador que será usado pelo governador.

- Vou vender minha barba para a Gillette, mas esse dinheiro tem que ser investido aqui na Bahia - disse Wagner, ao participar da abertura do 10º Fórum Empresarial e do 4º Fórum dos Governadores, promovido pelo Fórum de Líderes Empresariais (Lide), em Comandatuba (BA). A mesma empresa pagou ao cantor Bell Marques, da banda Chiclete com Banana, para raspar a barba, no carnaval. O Instituto Ayrton Senna já obteve R$ 2,2 milhões em doações dos empresários que participam do encontro em Comandatuba.

O ESTADO DE S. PAULO

PSB avisa: vai cobrar mandato de parlamentar na Justiça
O PSB vai lutar para tirar o mandato de deputado federal de Gabriel Chalita se ele for para o PMDB. O presidente do PSB em São Paulo, Márcio França, afirmou que o partido vai interpretar a saída como uma renúncia. Segundo França, que é secretário paulista de Turismo, o PSB tem uma resolução interna sobre o assunto. "Quando houver saída do partido, o partido irá atrás. Se ele fizer isso mesmo, estará abrindo mão do mandato, será como uma renúncia ao cargo de deputado federal", disse.

França atribuiu a provável saída do deputado a sua inexperiência em atividades partidárias e ao fato de seu sucesso como escritor. "As pessoas famosas muitas vezes têm dificuldade com o mundo político", avaliou. Ele destacou que as constantes mudanças de legenda podem atrapalhar Chalita no futuro. A aliados, Chalita disse que pretende se antecipar e apresentar para a Justiça Eleitoral suas razões para sair do PSB. Assim que trocar o partido pelo PMDB, em maio, o parlamentar vai argumentar que não teve espaço dentro da legenda.

Um dos pontos que serão usados como defesa é o fato de o PSB não ter dado tempo de televisão para Chalita nos programas partidários exibidos neste semestre. Também constará da defesa o fato de o PSB não ter cedido participação ao parlamentar na presidência das comissões na Câmara dos Deputados.

Colombo deve deixar o DEM rumo ao PSD
O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, vai deixar o DEM e desembarcar no PSD em um prazo máximo de dez dias. Como ele está negociando a troca de legenda com as bancadas estaduais e já se articulou com prefeitos das principais cidades catarinenses, um de seus interlocutores adianta que o governador promoverá um "arrastão" além
dos limites do DEM.

A previsão é de que a regional catarinense do PSD nascerá maior que o DEM estadual, porque o governador trabalha para agregar à nova sigla quadros de outros partidos, como ocorre em outros Estados. Sua saída é vista por dirigentes do próprio DEM como uma espécie de golpe final que inviabiliza a sobrevivência do partido.

"Só com a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, o partido não resiste", afirma um dirigente nacional da legenda. Nos bastidores, ele admite que até o presidente do partido, senador José Agripino (RN), está "catastrófico" quanto ao futuro.

Ações na Justiça pedem cassação de 11 governadores
Passados menos de quatro meses do início do atual mandato, mais de um terço dos governadores eleitos em outubro já têm os mandatos questionados na Justiça. Levantamento feito nos Tribunais Superior Eleitoral (TSE) e Regionais Eleitorais (TREs) mostra que 11 dos 27 chefes dos Executivos estaduais são acusados de condutas como abuso de poder político e econômico, uso indevido de meios de comunicação e captação ilícita de sufrágio, termo jurídico pelo qual é conhecida a prática de compra de votos.

Se forem considerados culpados pela Justiça Eleitoral, esses governadores terão de deixar os cargos e ainda correm o risco de ficarem inelegíveis, por causa da Lei da Ficha Limpa. Embora o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha decidido que essa norma não poderia barrar nenhuma candidatura na eleição passada, a lei está em vigor e crimes cometidos na campanha de 2010 podem transformar um político em ficha-suja.

Entre os governadores com mandato contestado estão os de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), do Acre, Tião Viana (PT), e do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). O chefe do Executivo de Roraima, José de Anchieta Junior (PSDB), chegou a ter o diploma de governador cassado pelo TRE de seu Estado. Em fevereiro, porém, o tucano conseguiu uma liminar no tribunal superior que garantiu a permanência no governo até o julgamento definitivo do recurso.

Jaques Wagner ‘vende’ barba por R$ 500 mil para empresa
O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), tomou uma decisão importante ontem, durante evento realizado em Comandatuba. Para uma plateia de centenas de empresários, ele anunciou que vendeu por R$ 500 mil sua barba para a Procter & Gamble, que fabrica a Gillette. O dinheiro foi doado ao Instituto Ayrton Senna. O governador vai tirar a barba depois de 34 anos. Ele não disse como vai ser a negociação nem se vai participar de um comercial da empresa.

Energia no País custa o dobro da média mundial
O Brasil tem geração abundante de energia. O problema, na avaliação de Eduardo Spalding, coordenador da Comissão de Energia da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), é a carga tributária do setor, que ultrapassa 50%. Como consequência, o custo da energia no Brasil é o dobro da média mundial: cerca de US$ 60 o megawatt/hora (MWh), contra US$ 30, segundo a Commodities Research Union (CRU), consultoria internacional que acompanha preços de matérias-primas para diversos setores como mineração, siderurgia e energia elétrica. "Isso nos coloca em uma situação insustentável", diz. "O custo da energia, descontada a inflação, dobrou em nove anos no Brasil."

Para a produção de cloro e soda cáustica, a maior pressão vem de produtos dos Estados Unidos. "A tendência é o setor deixar de existir no Brasil", afirma Manoel Carnaúba Cortez, vice-presidente executivo da Braskem. Segundo ele, o País já importa 1 milhão de toneladas de soda cáustica por ano, para um consumo total de 2 milhões de toneladas.

Outro problema, aponta o executivo, é o custo do gás, que corresponde a US$ 4,5 o milhão de BTU (unidade de medida de poder calorífico) nos EUA, enquanto no Brasil já chega a US$ 14. Por essa razão, a companhia está construindo uma fábrica no México e avalia a abertura de novas unidades em outros países que excluem o Brasil. Segundo Cortez, EUA e Peru podem ser locais "atrativos" para a companhia.

Carga tributária reduz crescimento do País
O aumento do volume dos impostos cobrados dos brasileiros funciona como um freio para o crescimento econômico. A conclusão é do economista Adolfo Sachsida, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), responsável por um estudo inédito sobre a relação entre a carga tributária e seus efeitos sobre o Produto Interno Bruto (PIB).

De acordo com o economista, o aumento de 1% da carga de tributos reduz o PIB, no longo prazo, em até 3,8%. O efeito negativo também pode ser sentido no curto prazo. Nesse caso, a mesma elevação do peso dos impostos provoca uma desaceleração de 0,42% na economia. Por se tratar de um estudo econométrico, que mede apenas a relação entre variáveis econômicas, não há uma definição sobre em quantos anos, exatamente, esse efeito é sentido. "Mais importante do que a magnitude da redução do PIB, é o indício de que a carga tributária está se colocando como um obstáculo ao crescimento de longo prazo da economia brasileira", argumenta Sachsida.

Os resultados foram apurados pelo economista ao analisar o comportamento trimestral da carga tributária e do PIB entre 1995 e 2009. Nesse período, o volume dos impostos pagos pelos brasileiros passou do equivalente a 27,4% do PIB para 34,4%. A economia brasileira cresceu, em média, 2,8% ao ano nesse intervalo. Ao cruzar os dados, Sachsida encontrou uma forte correlação negativa entre os dois movimentos, ou seja, os indicadores analisados variaram em direções opostas.
Fonte: Congressoemfoco

Revistas: desempregados e à espera de cargos

ÉPOCA

A vida à espera de uma boquinha
Altemir Gregolin (PT) deixou o cargo de ministro da Pesca e Aquicultura em janeiro. Em vez de voltar a seu Estado, Santa Catarina, perambula por Brasília. Gregolin visita gabinetes e, nas muitas horas vagas, passeia pela cidade. Como Gregolin, Marcos Lima (PMDB-MG) não sai de Brasília. Ele não conseguiu se reeleger deputado federal, mas frequenta o Congresso toda semana, como se nada tivesse mudado. Lima e Gregolin estão, assim, meio à deriva, por causa da dinâmica eleitoral. Eles estão numa fila de desempregados de luxo, formada por políticos que esperam por um cargo no governo federal. Filas assim se formam a cada quatro anos com políticos que perdem eleições, deixam cargos por mudanças de governo ou não encontram padrinhos com força suficiente para encaixá-los em novas funções. Para sair dela, Gregolin já tentou – sem sucesso – sua indicação para quatro postos. Lima está à espera do cobiçado cargo de diretor de Furnas, a estatal do setor elétrico com R$ 1,3 bilhão para investir.

Ao contrário dos desempregados comuns, Lima e Gregolin têm um privilégio. Eles figuram na lista de nomes indicados por PT e PMDB – os dois maiores partidos governistas – para ocupar um emprego público em retribuição ao apoio à eleição da presidente Dilma Rousseff (leia os principais nomes da fila no quadro abaixo). Na semana passada, um almoço do vice-presidente, Michel Temer, com os ministros da Casa Civil, Antonio Palocci, e das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, serviu para mais uma rodada da infindável negociação entre o governo e o PMDB para preencher cargos no segundo escalão. Participaram do almoço o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

Escalado pela presidente Dilma para a função de analisar as indicações, Palocci, desde o início do ano, recebe pedidos de emprego de PT, PMDB e de outros oito partidos da base governista no Congresso. Nas reuniões, Palocci ouve com atenção, infla o visitante com elogios e, no final, adia a decisão. Seus interlocutores rebatem com o método da confusão e da insistência. Em geral, pedem cargos para seus protegidos e depois citam o caso de colegas de partido que estariam insatisfeitos e poderiam criar dificuldades para o governo caso não sejam contemplados. Os políticos fazem pressão porque estão em jogo cerca de 22 mil cargos que a Presidência pode preencher sem concurso. A maioria desses milhares de cargos é de menor expressão. A briga é pelas posições de destaque que proporcionam o que os políticos querem: capacidade de exercer o poder e, principalmente, administrar grandes orçamentos.

Aécio Neves: Barbeiragem política
"Prefiro muito mais que alguém passe o carro para quem não bebeu do que ser multado e perder 7 pontos na carteira”, disse Aécio Neves (PSDB), em julho de 2009, no lançamento de uma campanha de incentivo ao cumprimento da Lei Seca. Na ocasião, Aécio ainda era governador de Minas Gerais. Na mesma entrevista, ele defendeu também o teste do bafômetro como “uma forma de educar com um pouco mais de vigor”. Dois anos atrás, essas citações pouco repercutiram. Eram só algumas colocações previsíveis de um político que divulgava um programa estatal.

Depois da madrugada do último domingo, porém, as frases de Aécio foram relembradas e ganharam nova importância política: o senador, recém-nomeado líder da oposição no Congresso, foi parado numa blitz numa das mais tradicionais esquinas do Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro. Eram 3 horas da manhã – e Aécio estava na companhia de sua namorada, a modelo catarinense Letícia Weber. Como a carteira de habilitação de Aécio estava vencida, o documento foi retido por um dos policiais da operação. Apresentado ao bafômetro, Aécio se negou a fazer o teste, que consiste num sopro voluntário num aparelho portátil. O Land Rover que dirigia, registrada em nome de uma emissora de rádio de Minas Gerais controlada por Andréa Neves, irmã do senador, foi levada embora por um amigo, chamado especialmente para isso. Numa entrevista ao jornal O Globo, Aécio reconheceu que errou ao “não ter checado” o vencimento de sua carteira. Ele disse também que achou “desnecessário” fazer o teste do bafômetro, já que havia conseguido outro motorista para levar seu carro embora.

Por conduzir com a habilitação vencida, considerada infração gravíssima, Aécio foi punido com 7 pontos na carteira e multado em R$ 191,54. A recusa em se submeter ao bafômetro, outra transgressão gravíssima, resultou em mais 7 pontos na carteira e R$ 957 de multa. Os 14 pontos e os R$ 1.200 a menos na conta bancária podem ser o menor dos prejuízos de Aécio com o incidente. Seus aliados políticos sabem que o episódio carrega perdas potenciais bem maiores. Parece evidente que a situação embaraçosa não será facilmente esquecida por eventuais adversários em futuras disputas eleitorais. Uma lástima para quem é lembrado hoje como a principal opção do PSDB à sucessão da presidente Dilma Rousseff em 2014, já que o comportamento de Aécio não parece condizente com a liturgia exigida para a Presidência da República.

Há muito tempo, a badalada vida noturna de Aécio preocupa seus aliados no PSDB e suscita uma interrogação sobre seu futuro político: Aécio terá a disposição de abdicar das baladas em troca do projeto de alcançar o Palácio do Planalto? A perguntas desse tipo, Aécio costuma responder que não tem fixação em chegar à Presidência e que é “um homem do seu tempo”. A resposta é interpretada como um sinal de que Aécio não pretende abrir mão de suas escapadas mundanas, principalmente em seu habitat preferencial, a Zona Sul do Rio de Janeiro, cidade onde ele morou dos 9 aos 22 anos. “Se gostar do Rio for um defeito, em mim ele só fará crescer”, costuma dizer Aécio.

“Minha agenda está é parada”
Atrás do sucesso como ministra da Pesca e da Aquicultura, a ex-deputada, ex-senadora e ex-candidata a governadora de Santa Catarina Ideli Salvatti está, como ela mesma diz, “nadando com todos os braços e jogando a rede para tudo que é lado”. A agenda da ministra, disponível na internet, é a maior prova desse esforço. Para Roma, nem quatro meses de governo passados, já foi duas vezes. Para Cancún, no México, uma. No Brasil, até aqui, 11 dos 27 Estados já mereceram sua visita oficial. Um, Santa Catarina, sua terra natal política, já a teve por três vezes. O Amazonas, duas, assim como o Rio de Janeiro e São Paulo. Os governadores da Bahia, do Rio Grande do Norte, de São Paulo, Rondônia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Espírito Santo também tiveram o prazer. Somadas as internacionais e as domésticas, são 18 viagens. Por 72 dias úteis de trabalho, dá uma a cada quatro dias. É mais que a presidente, que viajou 15 vezes, três para o exterior. Muito mais do que o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, que só viajou uma vez. Fernando Haddad, da Educação, viajou dez vezes. Luiz Sérgio, das Relações Institucionais, oito.

“Estou dando prioridade àquilo que a presidente Dilma me pediu: aumentar a produção e a industrialização do setor pesqueiro”, disse Ideli por telefone na tarde da última terça-feira. “Meu orçamento para este ano é de R$ 214 milhões, quase de aquário. Não é possível cumprir esse desafio atendendo telefone. Tem de ver de perto. Dado o imenso potencial de crescimento do setor, a agenda da ministra está é parada.” Ela anunciou, também, que já tem outra viagem internacional marcada, esta para Moçambique. Todas, disse, estão ligadas aos interesses do ministério – principalmente fazer parcerias onde quer que elas possam ser feitas. Em Cancún, diz ela, reuniu-se a Rede de Aquicultura das Américas. Sua contribuição, praticamente decisiva, foi informar que o Brasil detém a tecnologia do filetamento do cascudo (Hypostomus sp) . Causou alvoroço e gerou parcerias.

Na primeira viagem a Roma, na Itália, a ministra participou da reunião do Comitê de Pesca e Aquicultura da FAO – “onde o Brasil marcou presença”, disse. A segunda, mais afeita a quem acabara de sair de uma campanha política, foi um evento eleitoral. No caso, a apresentação de seis candidatos à direção do órgão, entre ele o brasileiro José Graziano da Silva, que já foi coordenador do programa Fome Zero. “Fui oficialmente acompanhar a candidatura do Graziano, porque o Brasil está na campanha para que ele chegue lá”, afirmou.

O consultor, o motorista e Niger
Duas semanas atrás, ÉPOCA revelou segredos dos e-mails do consultor Roberto Figueiredo do Amaral – o ex-diretor da construtora Andrade Gutierrez que trabalhou, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, para o Opportunity, a marca dos fundos de investimento comandados pelo financista Daniel Dantas. As mensagens de Amaral a que ÉPOCA teve acesso foram enviadas entre 2001 e 2002, período em que ele assessorava Dantas na maior disputa societária da história do capitalismo brasileiro: a briga do Opportunity contra fundos de pensão e sócios estrangeiros pelo controle de empresas de telefonia. Elas revelam detalhes de como Amaral trabalhava e de como ele conduzia a defesa dos interesses de seus clientes. Vários dos e-mails eram endereçados aos ajudantes de ordens do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC negou a ÉPOCA tê-los recebido). Um outro personagem também chamou a atenção dos investigadores da Polícia Federal. Eles suspeitam que alguns e-mails eram dirigidos ao secretário particular de José Serra, então candidato à Presidência da República pelo PSDB.

Os e-mails foram apreendidos na casa de Amaral em dezembro de 2008, no curso da Operação Satiagraha. Desencadeada para investigar acusações de crimes financeiros contra Dantas e o Opportunity, a Satiagraha gerou um sem-número de controvérsias e diversas provas recolhidas na investigação foram questionadas pelos réus. A autenticidade das mensagens de Amaral foi atestada por uma perícia da PF e, desde junho de 2009, elas estão na Procuradoria-Geral da República, para onde foram remetidas pelo Ministério Público Federal em São Paulo, por conter alusões a autoridades com foro no Supremo Tribunal Federal. O procurador-geral Roberto Gurgel deverá decidir se há nelas indícios que justifiquem a instauração de uma nova investigação policial. O advogado de Amaral, José Luiz de Oliveira Lima, afirma que seu cliente não discute o conteúdo dos e-mails, pois eles teriam sido apreendidos de forma ilegal, “desprezando princípios processuais e constitucionais”. No momento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) discute a legalidade das provas obtidas pela PF na Satiagraha.

Ao analisar os e-mails, a PF e o Ministério Público Federal de São Paulo concluíram que Amaral recorria a codinomes e a mensagens cifradas para evitar a identificação de seus interlocutores. Segundo escreveu o procurador da República Rodrigo de Grandis, em denúncia aceita pela Justiça, Dantas era tratado por Amaral como “DD”. (Dantas negou, por meio de sua assessoria, ter sido autor dos e-mails.) Quando escreve a – ou sobre – Andrea Matarazzo, o então embaixador do Brasil na Itália, Amaral sempre se refere a ele como “Conde” (leia as mensagens ao final do texto) . Um outro nome frequente é “Niger”, em geral associado a e-mails enviados ao endereço luizpauloarcanjo@uol.com.br. Trata-se, de acordo com os investigadores da PF, do endereço eletrônico que era usado por Luiz Paulo Alves Arcanjo, secretário particular e motorista de Serra. Nos e-mails remetidos por Amaral a luizpauloarcanjo@uol.com.br, ele escreve como se falasse diretamente com Serra, menciona assuntos de interesse de Dantas e exige providências no âmbito do governo em relação a eles. Serra negou a ÉPOCA, por escrito, ter recebido ou tomado conhecimento desses e-mails. Não há nenhuma prova de que ele tenha intercedido em favor das pretensões de Amaral. Em duas ocasiões, porém, as ações do governo FHC coincidiram com essas pretensões.

José Serra: “Nunca foram recebidos”
ÉPOCA –Os e-mails mostram que Amaral se correspondeu, entre 2001 e 2002, com Luiz Paulo Arcanjo, seu assessor há muitos anos.
José Serra – A pauta é surrealista: uma suposta troca de e-mails que só têm o remetente. As perguntas são maliciosas pela simples enunciação. Passados oito anos de governo do PT, é inexplicável as perguntas referirem-se a 2002 e Fernando Henrique. Se os fatos descritos são do final de 2002, cabe apuração junto ao governo Lula. Eles é que podem esclarecer como os fatos se desenrolaram.

ÉPOCA –Os e-mails enviados por Amaral a Arcanjo eram escritos como se fossem endereçados ao senhor. Arcanjo atuava como seu intermediário nas comunicações com Amaral?
Serra – Numa campanha eleitoral, milhares de e-mails, cartas, bilhetes e faxes são enviados a assessores, assistentes e secretários de candidatos. Receber eventuais mensagens não os torna intermediários de nada.

ÉPOCA –Qual é a relação do senhor com Roberto Amaral?
Serra – Social.

ÉPOCA –Por que Amaral discute nesses e-mails a intervenção na Previ?
Serra – É outra pergunta estapafúrdia. Nunca recebi tais e-mails. Também nunca conversei com ele sobre o assunto, a respeito do qual, aliás, nunca tive conhecimento.

ÉPOCA –Como esses e-mails eram respondidos?
Serra – Não eram respondidos porque nunca foram recebidos.

ÉPOCA –Quais são as funções exercidas por Arcanjo como assessor?
Serra – Arcanjo não tem e nunca teve a função de intermediar e-mails, recados e pleitos de quem quer que seja.

Companheiro de toga
O advogado Antônio Carlos Ferreira formou-se numa faculdade que nem sequer consta da lista das 87 recomendadas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Não fez mestrado. Em 30 anos de carreira, nunca publicou um artigo jurídico. Só teve um grande cliente: a Caixa Econômica Federal, onde entrou há mais de 25 anos. Nas poucas e magras linhas de seu currículo oficial, porém, não há menção ao dado mais relevante de sua trajetória: desde 1989, ele é filiado ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, entidade alinhada com o Partido dos Trabalhadores. Militante informal do partido, Antônio Carlos fez carreira na Caixa com a ajuda dos companheiros. Em 2000, a pedido do atual tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, tornou-se chefe do setor jurídico do banco no Estado de São Paulo. Quando Lula assumiu a Presidência, três anos depois, o PT emplacou Antônio Carlos no comando da Diretoria Jurídica da Caixa – uma posição para lá de poderosa, da qual dependem todos os grandes negócios do banco.

Antônio Carlos, um companheiro discreto e disciplinado, nunca criou problemas para o partido. Deu aval a contratos tidos como ilícitos pelo Ministério Público Federal, como no caso da multinacional de loterias Gtech, e testemunhou silenciosamente ações ilegais, como a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo. No caso da Gtech, acusada pelo MP de pagar propina ao PT para renovar por R$ 650 milhões um contrato com a Caixa, Antônio Carlos e sua equipe mudaram o entendimento jurídico sobre o assunto – o que permitiu a renovação exatamente nos termos pedidos pela multinacional, ainda no começo do governo Lula.
Anos depois, em 2006, ele jantava com o então presidente da Caixa, Jorge Mattoso, quando um assessor do banco entregou a Mattoso um envelope com os extratos bancários do caseiro que denunciara malfeitorias do ministro Antonio Palocci. O misterioso perdão milionário concedido pela Caixa ao grupo Bozano e ao Banco Santander, revelado por ÉPOCA na semana passada, também passou, sem nenhum questionamento, pelo crivo da turma de Antônio Carlos. (Por meio de sua assessoria, ele negou participação nos casos que passaram por sua área e disse não ter visto o conteúdo do envelope com os extratos bancários do caseiro.)

Antônio Carlos permaneceu na diretoria da Caixa até agosto do ano passado. Na última terça-feira, a presidente Dilma Rousseff o nomeou para uma vaga no Superior Tribunal de Justiça, o STJ, a segunda corte mais importante do país. Para ocupar esse cargo, a Constituição exige que o candidato detenha “notório saber jurídico” e “reputação ilibada”. Caberá agora ao Senado sabatiná-lo. A reputação foi colocada em xeque por sua atuação na Caixa. Com relação ao notório saber jurídico, é difícil encontrar lentes para enxergar esse atributo em Antônio Carlos – a não ser lentes vermelhas, partidariamente embaçadas.

ISTOÉ

Ministros na geladeira
Quando um ministro ou um parlamentar reclama por não ter sido recebido ainda pela presidente Dilma Rousseff, os assessores do gabinete presidencial no Palácio do Planalto brincam: “Pegue a senha.” De cara, pelo fato de ser mulher, Dilma acabou com o “grupo da maçaneta”, como ficaram conhecidos os políticos autorizados, no governo anterior, a entrar sem precisar bater à porta. Com isso, a quantidade de pedidos de audiência só aumentou e são poucos os que têm acesso quase diário ao gabinete, como o ministro da Casa Civil, Antônio Palocci. Alguns integrantes do primeiro escalão federal até hoje nem sequer tiveram a oportunidade de conhecer o novo ambiente de trabalho presidencial, alimentando a versão, cada vez mais ressonante no Palácio do Planalto, de que já estariam com os dias de ministro contados. Compõem a equipe dos desprestigiados os ministros Pedro Novais, do Turismo; Moreira Franco, de Assuntos Extraordinários; Mário Negromonte, das Cidades; e Wagner Rossi, da Agricultura. “Eu vou esperar que ela me chame, mas não acho nada de anormal”, minimiza Moreira Franco.

Publicamente, Moreira tenta jogar água na fogueira de intrigas. No entanto, quando assumiu o cargo, chancelado pelo PMDB, o ministro já imaginava as dificuldades em administrar uma pasta inexpressiva e sem orçamento. “Está me dando os parabéns por quê? É alguma brincadeira?”, disse a um interlocutor que o felicitou pela nomeação. Outro ministro da cota do PMDB, Novais alega não ter pedido audiência com a presidente ainda. Mas acendeu a luz vermelha de alerta. Recentemente foi devidamente avisado que está na geladeira de Dilma como consequência ainda do escândalo do uso da verba parlamentar para custear despesas em um motel de São Luís (MA). O ministro das Cidades, Mário Negromonte, bancado pelo PP, também está sem prestígio no Palácio do Planalto. Não bastasse não ter sido recebido ainda por Dilma – apenas a encontrou no avião presidencial durante duas viagens –, Negromonte até agora não conseguiu autorização para nomear dois velhos aliados: o deputado estadual Carlos Batinga (PSC-PB) e o ex-deputado Inaldo Leitão (PP-PB). Rossi, da Agricultura, é o único do grupo dos sem-audiência em condições de dormir tranquilo. Seu padrinho é nada mais nada menos do que o vice-presidente, Michel Temer.

Dilma Rousseff passou a fazer uma triagem sobre as solicitações de audiências a partir da conclusão de que a agenda diária espelha a imagem do governo. Um auxiliar da presidente reconhece ser “natural” que alguns integrantes do Ministério transitem com mais desenvoltura. “É normal que ela tenha mais afinidade com quem escolheu e já trabalhou no governo anterior”, disse. Mas, segundo a mesma fonte, o fato de Dilma preterir um em favor de outro integrante do primeiro escalão não significa desleixo com determinadas áreas. Na primeira reunião ministerial da nova gestão, Dilma reuniu seus 37 auxiliares diretos, dividiu o governo em quatro áreas estratégicas e delegou a quatro ministros a responsabilidade pela coordenação do trabalho de outros colegas. Na visão da presidente, com a formação dos núcleos não há necessidade de receber todos os ministros. É um consolo, mas não aplaca a ansiedade dos deserdados que aguardam, enfim, por uma audiência com a presidente.

O plano antimiséria de Dilma
Nos últimos dias, a presidente Dilma Rousseff colocou integrantes de pelo menos cinco ministérios, incluindo os da área econômica, para trabalhar no programa de Erradicação da Miséria, que deve ser anunciado até a segunda quinzena de maio. As reuniões vêm acontecendo no gabinete da Casa Civil, no quarto andar do Palácio do Planalto, cercadas de sigilo. O plano é uma promessa de campanha que a presidente pretende transformar na marca de seu mandato, o que explica o clima de segredo dos trabalhos de preparação. Mas ISTOÉ obteve informações sobre o caminho que vem sendo escolhido pela equipe de Dilma. A exemplo do programa Bolsa Família, por meio do qual o governo Luiz Inácio Lula da Silva ajudou a promover a ascensão social de 28 milhões de pessoas, o beneficiário do plano antimiséria também ganhará um cartão de acesso. Com isso, se evitarão a concentração e a intermediação política na distribuição dos benefícios – terreno sempre fértil para as práticas populistas e o coronelismo. Desta vez, garante o governo, o assistencialismo é só uma das partes do programa, que prevê a retirada da miséria de até 15 milhões de brasileiros. A partir das necessidades de cada região, a presidente pretende organizar cursos de capacitação para aqueles que vivem em condições de extrema pobreza. O plano antimiséria, neste sentido, é um incentivo ao trabalho. O novo pacote incluirá ainda o programa Água para Todos, que projeta a construção de 800 mil cisternas no País.

O plano de Dilma será dirigido principalmente para um contingente de brasileiros que se concentra na região Norte, no semiárido brasileiro, e na periferia de regiões metropolitanas (leia quadro à pág. 38). Para executá-lo, o governo planeja atuar em todo o território nacional, envolvendo governos estaduais e municipais, com base em três linhas principais. A primeira delas é a ampliação do número de beneficiários do Bolsa Família, que terá um reajuste, ainda em análise, para famílias com mais filhos. A segunta intenção é levar para o mercado de trabalho uma camada da população que hoje se encontra excluída. Por fim, o governo pretende aumentar os serviços de saúde, educação, saneamento básico e habitação nas regiões mais carentes. A ideia é associar a ampliação dos benefícios sociais com o aumento das oportunidades de emprego, tanto no meio rural quanto urbano. “Vamos sobrepor o mapa da pobreza ao mapa das oportunidades”, contou um ministro de Dilma. Um levantamento da Casa Civil já constatou quais são as principais demandas do mercado de trabalho em pelo menos 75 centros urbanos. Por meio do Sistema Nacional de Empregos, o governo quer oferecer nessas regiões cursos profissionalizantes para os inscritos no programa.

O governo tem a pretensão de criar políticas públicas que facilitem a integração desses brasileiros à sociedade, a começar pela obtenção de documentos pessoais. Em relação às mulheres, antes de mais nada será necessário aumentar o número de creches do País, para que elas tenham condição de trabalhar. Para jovens que já recebem benefícios sociais – 70% das pessoas que ganham o Bolsa Família têm até 29 anos – a intenção é criar novas vagas de emprego. O projeto de Dilma estuda também formas de atuar com jovens viciados em drogas, sobretudo o crack, cujas famílias vivem na periferia das cidades. Mas as estratégias a serem usadas não estão definidas. “As drogas não destroem apenas os jovens, mas desestruturam famílias inteiras. O plano não estará completo se não dermos uma atenção para essa questão”, tem repetido Dilma em conversas com auxiliares.

Contra uma nova fraude
Ao tomar conhecimento, através de reportagem publicada por ISTOÉ na última semana, de que imóveis que pertenciam à maior fraudadora da história do INSS no Brasil, Jorgina de Freitas, iriam a leilão por valores bem inferiores aos de mercado, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deputados e senadores se mobilizaram para evitar uma nova fraude contra a Previdência. “Podemos recorrer ao Judiciário com uma ação civil pública para cancelar essas transações e defender um patrimônio da União”, afirmou Leonardo Branco, presidente da Comissão de Direito Previdenciário da OAB do Rio. Ele entende que não se trata de defender os interesses da fraudadora Jorgina, mas da União, uma vez que os imóveis sequestrados já pertencem ao patrimônio público, portanto, leiloá-los por valores abaixo do mercado traria um novo prejuízo aos contribuintes. No Congresso, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR)afirmou que irá pesquisar para saber como essas avaliações foram conduzidas no INSS e assegurou que vai provocar os órgãos de fiscalização do Executivo para uma investigação sobre o caso. “Trata-se de uma denuncia grave que precisa ser apurada em detalhes e para isso vamos recorrer aos órgãos competentes”, disse Dias. Também o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) quer impedir que os 60 imóveis adquiridos com o dinheiro que Jorgina desviou da Previdência sejam negociados por valores inferiores aos de mercado para evitar a nova fraude. “Precisamos rapidamente convocar a fraudadora Jorgina para depor e oficializar suas denúncias e evitar que outros consigam ganhar muito dinheiro por fora”, afirmou Torres.

Na noite da terça-feira 19, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ocupou a tribuna e leu uma nota encaminhada a ele pelo Ministério da Previdência e redigida pela Procuradoria Regional Federal da 2ª Região. Oficialmente, alegam que os valores atribuídos aos imóveis seqüestrados de Jorgina foram estabelecidos por peritos judiciais e sustentam que o fato de não comparecer nenhum interessado na aquisição dos imóveis no leilão, realizado na quarta-feira 13, seria a principal prova de que os valores estão corretos. Os argumentos, no entanto, não convencem e na mesma terça-feira 19, o procurador federal Marcos Couto, afirmou que os imóveis que pertenceram a Jorgina “estão sendo reavaliados”. ISTOÉ consultou diversos profissionais do setor imobiliário, entre eles o perito judicial e engenheiro Alberto Tavares dos Santos. Todos foram unânimes ao constatar o subfaturamento das propriedades.

Apenas em três imóveis, a diferença é gritante. Um casarão localizado em terreno de dez mil metros quadrados, em Petrópolis, está avaliado em R$ 800 mil. Segundo o perito Santos, o preço real do imóvel que pertenceu ao ex-presidente Eurico Gaspar Dutra, gira em torno de R$ 5 milhões. O fato de se tratar de um imóvel tombado pelo patrimônio, segundo o perito, já está considerado na avaliação dos R$ 5 milhões. Outro caso flagrante é o de dois apartamentos localizados na avenida Delfim Moreira, no Leblon, endereço mais caro do País. Cada um deles foi estimado em R$ 1,7 milhão, mas os peritos consultados por ISTOÉ os avaliam entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões. Sobre esses imóveis, a nota da Previdência não faz nenhuma menção. O argumento de que não houve interessados no primeiro leilão também não se sustenta. “É comum a falta de compradores no primeiro leilão”, explica o advogado Marcelo Passos, especialista na área. “Isso ocorre porque no segundo pregão os lances começam com apenas 60% do valor inicial. Assim, a máfia que atua nesse setor acaba ganhando ainda mais”, conclui o especialista. Depois das denúncias, tanto o TCU como a Advocacia Geral da União poderão agir para que os próximos leilões sejam adiados e feitas novas avaliações. “Vamos nos movimentar, pois a reportagem de ISTOÉ impediu um novo crime”, disse o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).

A estatal que ninguém quer
Começo de governo é sempre igual para políticos que se deram mal nas urnas. Quem ficou de fora da primeira fornada de distribuição de cargos passa quase todo o primeiro semestre lutando para ocupar os postos que sobraram nas diretorias de bancos regionais e empresas estatais. Uma das vagas, porém, sofre amarga rejeição. Até agora, a presidência da Embratur foi recusada por ao menos três peemedebistas que não se deram bem nas últimas eleições. A lista começou pelo ex-deputado Rocha Loures Filho, do Paraná. Desempregado depois que saiu de vice na chapa de Osmar Dias para o governo do Paraná, ele preferiu ir trabalhar com o vice-presidente Michel Temer. Em seguida, foi convidado o ex-governador da Paraíba José Maranhão. O calejado político também disse não. Avaliou, segundo amigos, que “a função não estava à sua altura”. Prefere lutar pelo Banco do Nordeste. Por fim, ofereceram a Embratur ao ex-ministro Hélio Costa, derrotado na eleição para o governo de Minas Gerais. “Não tenho o menor interesse na Embratur”, disse Hélio Costa à ISTOÉ.

A empresa, criada em 1966 pelos militares para gerir o turismo, tem orçamento de R$ 180 milhões e escritórios nas principais capitais do mundo. Mas caiu em desgraça no meio político desde 2003, quando perdeu todas as atividades de promoção do turismo interno para o Ministério do Turismo, ficando exclusivamente dedicada a divulgar o Brasil no Exterior. A mesma canetada alterou o significado da sigla Embratur, que, apesar do “E”, deixou de ser empresa e foi rebaixada a mero instituto. Com tantas mudanças, a estatal não é mais atraente para aqueles que sonham voltar a ter sucesso nas urnas.

Em meio a tantas recusas, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), chegou a propor o impensável para um peemedebista de quatro costados: recusar um cargo. “O político atuante não deve ficar viajando para o Exterior a toda hora. Ele tem de trabalhar dentro do País. O Moysés (atual presidente Mário Moysés) está fazendo um trabalho muito bom. Deixa ele por lá”, afirma. Mário Moysés, indicado pelo PT, diz não entender muito bem o desprezo dos peemedebistas, mas garante que, se ninguém quiser o cargo que ocupa, continuará feliz da vida na presidência da Embratur. Ao contrário daqueles que recusaram o posto, Moysés garante que não tem nenhuma ambição política. A ver.

As bruxas de Guaratuba
Ao longo de muito tempo, uma senhora que mora em Curitiba sentia uma torturante angústia nos momentos de lavar o rosto. Não conseguia molhá-lo por inteiro, muito menos enxaguá-lo. Umedecia então sob a torneira a ponta do dedo indicador da mão direita, levava-o à face, ia repetindo esse movimento e molhando a fronte ponto por ponto. Ela se chama Beatriz Abagge, tem 47 anos e é filha de Celina e Aldo Abagge, ex-prefeito da cidade de Guaratuba, no litoral paranaense. Por que Beatriz agia assim? Antes de responder a essa questão, vale registrar outro fato envolvendo ela própria e, agora, também a sua mãe.

As celas da penitenciária feminina de Piraquara , cidade que se localiza no Paraná, têm uma janela basculante à frente da janela principal, que é gradeada. Em todas as celas nas quais Celina e Beatriz ficaram trancafiadas nessa cadeia, entre 1992 e 1995, tal basculante era soldado – ou “chumbado”, como diz a filha –, impedindo-se assim o seu movimento de abrir e fechar. As guardas temiam que as duas mulheres, caso o basculante pudesse ser aberto, se transformassem repentinamente em “uma nuvem quase invisível de fumaça e fugissem através de algum quadrado da grade de ferro deixando para trás um sufocante cheiro de enxofre”. As guardas acreditavam que elas eram “bruxas”, assim como nessa versão se fiava a maioria da população de Guaratuba, de Curitiba, do Paraná e de todo o País. A mídia nacional e boa parte da imprensa internacional se referiam à mãe e à filha como “dotadas de poderes de bruxaria”. Elas passaram a ser “As Bruxas de Guaratuba”.

ISTOÉ esteve com Beatriz e Celina, que se encontram em liberdade, registrou com exclusividade como vivem e resgatou a sua história que já conta 19 anos. É aqui que se vai começar a responder o que levou Beatriz a não conseguir lavar o rosto como todo mundo lava e, também, o que fez com que ela e sua mãe acabassem presas na cadeia com grades protegidas contra fuga de “bruxas”. Esses dois episódios se fundem em um terrificante cenário de rapto e assassinato de criança, suposta magia negra, bárbaras torturas, rivalidade entre policiais e inimizades pessoais e políticas. E muito terror.

Está marcado para a quinta-feira 28, em Curitiba, o segundo júri popular a que Beatriz Abagge será submetida – ela é acusada de, com a cumplicidade de sua mãe, ter assassinado em 1992 o garotinho Evandro Ramos Caetano, de 6 anos, um alegre menino loirinho que era conhecido e amado em toda Guaratuba. Pesa ainda contra Beatriz, segundo o processo, a acusação de o “crime ter sido praticado em um satânico ritual de magia negra”: Evandro teve o peito rasgado, retiraram-lhe o coração e as vísceras, amputaram-lhe mãos e pés, escalpelaram-no e vazaram seus olhos. No primeiro júri do “caso Evandro”, realizado em 1998, mãe e filha sentaram-se no banco dos réus e foram absolvidas – é o júri mais longo da história do Brasil com 34 dias de duração.

CARTACAPITAL

Exclusivo: o diário do Araguaia
Durante 605 dias, o Velho Mário, nome verdadeiro Maurício Grabois, dirigente histórico do PCdoB e líder da Guerrilha do Araguaia, registrou em diário a saga dos 68 combatentes que se isolaram na Amazônia com o propósito de tomar o poder dos militares. Entre registros factuais e impressões pessoais, o comandante escreveu mais de 86 mil palavras até ser executado pelos militares em 25 de dezembro de 1973. O diário foi recolhido pelos seus algozes e, posteriormente, copiado em forma de documento digitado e guardado na grande gaveta de papéis secretos do Exército.

O mistério acabou. CartaCapital obteve uma cópia integral do diário. Trata-se de uma visão particular de Grabois, quase sempre sozinho a anotar os momentos de angústia e tensão na mata. Em entrevista, o jornalista Lucas Figueiredo, autor da reportagem de capa da edição que chega às bancas a partir desta quinta-feira 21, fala sobre o diário.

CartaCapital: O que mais chamou a sua atenção no diário de Grabois?
Lucas Figueiredo: Esse diário é o registro histórico mais aprofundado da Guerrilha do Araguaia. O documento possui mais de 86 mil palavras. Para se ter uma ideia, o texto digitalizado completou 150 páginas de tamanho A4, que cobrem 605 dias de conflito. Além de lançar luzes sobre esse episódio nebuloso da ditadura, o documento é uma peça valiosa por incluir o relato pessoal de Grabois. Toda a sua dor, angústia, solidão, saudades da família estão contempladas no texto, que revela o lado humano do guerrilheiro.

CC: O que esse material acrescenta para a compreensão da guerrilha?
LF: Pela primeira vez temos acesso a um relato mais profundo por parte dos guerrilheiros do período mais sangrento da Guerrilha do Araguaia. Grabois foi executado em 25 de dezembro de 1973. Foi um dos últimos insurgentes a morrer. Na prática, houve três grandes campanhas dos militares contra a guerrilha. Na última, não houve preocupação de efetuar prisões, e sim de eliminar os combatentes. Como o diário vai de abril de 1972 a dezembro de 1973, temos mais informações sobre essa fase final. Os poucos sobreviventes, não mais do que meia dúzia, não deixaram relatos consistentes. Um deles, Ângelo Arroyo, morreria em 1976 na chacina da Lapa, no Rio de Janeiro. Os demais eram desertores, não quiseram falar muito sobre o que aconteceu. Esse diário está nos arquivos sigilosos das Forças Armadas desde então. Só foi revelado agora por CartaCapital.

CC: Como você definiria a liderança exercida por Grabois?
LF: Ele era muito mais rígido com os outros do que com ele mesmo ou com o seu partido, o PCdoB. Grabois tinha sob o seu comando 68 combatentes, em sua maioria jovens na faixa dos 25 anos, estudantes universitários ou profissionais liberais. Gente que nunca pegou em armas antes, que nunca teve treinamento militar. Ele esperava que esses 68 neófitos, como costumava dizer, fossem capazes de enfrentar soldados profissionais das três Forças Armadas, agentes da Polícia Federal e policiais de três estados diferentes. Exigia rigor absoluto, erro zero. Como se esse pequeno grupo pudesse atuar como rambos no Araguaia. Além disso, Grabois teve graves erros de avaliação. Imaginava que, com o tempo, as massas iriam aderir à guerrilha. Mas a população local oferecia apenas apoio pontual, doava comida e oferecia abrigo para os combatentes pernoitarem em algumas ocasiões. Jamais os campesinos se dispuseram a engrossar as fileiras da insurgência. Grabois também costuma ouvir muito a Rádio Tirana, da Albânia, que pregava propaganda comunista e alardeava um grande movimento insurrecional no Araguaia. Ele passou a acreditar no que escutava. A rádio passava propaganda e ele tomava como verdade. Trata-se de um erro de avaliação indesculpável para um líder revolucionário.

Terrorismo, um e dois
Giorgio napolitano, presidente da República italiana, anunciou celebrações do “Dia da Memória das Vítimas do Terrorismo” para 8 de maio no próprio Quirinale, o palácio presidencial. A razão da decisão repentina está na campanha de difamação desfechada pelo premier Silvio Berlusconi contra a magistratura. Último lance, outdoors afixados pelas ruas de Milão, onde Berlusconi está sob processo por corrupção de menor e concussão, em que os juízes são chamados de brigatisti.

As Brigate Rosse foram a maior organização do terror de direita e de esquerda que infelicitou a Península ao longo dos chamados anos de chumbo, mas houve outras, como, por exemplo, o PAC, Proletários Armados pelo Comunismo, na qual militou Cesare Battisti, envolvido em quatro homicídios, em dois deles como autor material. Quanto aos magistrados acusados pelo premier, o próprio não tem a mais pálida dúvida a respeito do gênero de terrorismo que praticam: trata-se de “elementos eversivos de esquerda”. O comunismo, segundo Berlusconi, ainda está vivo na Itália, a agir às claras nos tribunais bem como na escola pública, incumbida de doutrinar os cidadãos de amanhã.

O premier enxerga o país através de lentes vermelhas e alguns dos seus apaniguados se incumbem de espalhar os cartazes ofensivos por Milão às vésperas das eleições administrativas. Mas a agressão transcende os magistrados, atinge um dos poderes democráticos e o Estado de Direito. O prefeito direitista de Milão, Letizia Moratti, cuidou de escalar o bode expiatório, um candidato à vereança que acaba de anunciar a sua renúncia. Nem por isso arrefece a ameaça do choque institucional de consequências imprevisíveis. E Napolitano emite um comunicado duríssimo para afirmar que “nas polêmicas sobre a administração da Justiça está a ser alcançado um limite que, ultrapassado, vai gerar exasperações e degenerações”.

Que democracia racial é essa?
Apesar da redução das disparidades propiciadas por programas de segurança alimentar, como o Bolsa Família, o abismo que separa brancos e negros no Brasil continua gigantesco. Essa é uma das conclusões do 2º Relatório Anual de Desigualdades Raciais, divulgado na terça-feira 19, pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Os indicadores foram compilados a partir de diferentes bases de dados do IBGE, dos ministérios da Saúde e Educação, entre outras instituições públicas. O estudo revela que os afrodescendentes têm menor acesso ao sistema de saúde (uma taxa de não cobertura de 27%, frente aos 14% verificados entre a população branca), a exames ginecológicos preventivos, ao pré-natal e sofrem com uma taxa maior de mortalidade materna.

Por dia, morrem cerca de 2,6 mulheres pretas ou pardas por complicações na gestação, enquanto este mesmo problema acomete 1,5 mulheres brancas. Entre 1986 e 2008, a taxa de fecundidade das afrodescendentes caiu de forma mais acelerada (48,8%) que a das brancas (36,7%). No entanto, as mulheres pretas ou pardas se sujeitam com mais intensidade a procedimentos radicais de contracepção, como as laqueaduras. Quase 30% dessa população em idade fértil estavam esterilizada em 2006, frente a uma taxa de 21,7% das mulheres brancas.

“Ninguém é contra o planejamento familiar. A queda na taxa de natalidade representa uma melhora na qualidade de vida das pessoas. Mas as afrodescendentes poderiam ter acesso a formas menos agressivas de intervenção”, avalia o economista Marcelo Paixão, coordenador do relatório. “A esterilização é uma solução radical demais. É como arrancar um dente para não tratar uma cárie. Por isso, causa preocupação o fato de parte dessa redução da fecundidade estar associada às laqueaduras.”

Dilma entre os mais importantes
A revista americana Time apontou a presidenta Dilma Rousseff como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo no ano. A lista da publicação, que incluiu o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva no último ano, também traz a chanceler alemã Angela Merkel e o casal Barack e Michelle Obama, presidente e primeira-dama dos EUA, respectivamente.

O texto de apresentação de Dilma foi feito pela ex-presidenta do Chile e atual diretora executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet. Na mensagem, ela aponta as dificuldades de ser a primeira mulher a governar o seu país: “além da honra que isso significa, ainda existem preconceitos e estereótipos para enfrentar”. A chilena ainda completa dizendo que comandar um país como o Brasil, com sua extensão e relevância internacional, torna o desafio mais difícil. A lista também inclui o fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, o cantor adolescente Justin Bieber e o ator Colin Firth.

Acorda, Salvador!
Primeira capital brasileira, porta de entrada do Nordeste, aos 462 anos Salvador está ficando para trás. Literalmente. Com um dos prefeitos mais mal avaliados do País, João Henrique Carneiro, do PP, a cidade da Bahia acaba de ser ultrapassada por Fortaleza, no Ceará, que se tornou a mais visitada pelos turistas nacionais. A informação integra uma pesquisa mundial publicada em março pelo site Hoteis.com, a partir do número de reservas em hotéis e pousadas. Ao que tudo indica, as praias e o centro histórico foram trocados não só por outros destinos na região como por localidades mais aprazíveis no interior do próprio estado.

Além da segurança e da limpeza urbana, preocupações constantes em Salvador, três temas fazem os tranquilos baianos esquentarem a cabeça ultimamente: a sujeira e desorganização da orla marítima, o abandono do centro histórico e o trânsito. Como se fosse pouco, o prefeito teve as contas de 2009 rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Município, com quem trava uma disputa judicial. No início do mês, o prefeito conseguiu uma liminar para anular o parecer do TCM, que o acusa de uma série de irregularidades lesivas aos cofres públicos. Se as contas forem mesmo recusadas, ele se tornará inelegível por oito anos.

Não é, porém, o único imbróglio jurídico a envolver João Henrique. Há exatamente um ano, por determinação judicial, todas as barracas de praia da orla de Salvador foram derrubadas e nada foi posto no lugar. O resultado é que os antigos barraqueiros passaram a ocupar a beira-mar com cadeiras e mesas plásticas em frangalhos, que devem ser colocadas e retiradas diariamente, por ordem da prefeitura. Não existem mais duchas e banheiros públicos nas praias. “Virou uma favela”, reconhece o proprietário de uma das mais antigas barracas da orla, na Praia de Piatã, Nadson Araújo. Há 18 anos, Araújo possuía a maior barraca do pedaço, a Malibu, agora reduzida a dois isopores grandes com cerveja, refrigerante e água de coco.

Infelizmente, nenhuma novidade
A decisão do Banco Central (BC) em colocar os juros básicos da economia no patamar de 12% ao ano, foi de tentar contemporizar os diversos agentes econômicos, tanto do chamado lado real da economia, como do mercado financeiro, entretanto, desagradou ambos. A justificativa do BC se mantém; combate à inflação, entretanto, mesmo com aumento do compulsório, aumento da taxa de juros o processo inflacionário que é mínimo, persiste, por uma razão muito simples, este “fenômeno” não é única e exclusivamente nosso, mas global. Portanto, é preciso mais do que prudência ao afirmar que vivemos um surto inflacionário. Não vivemos!

Outro ponto importante a ser destacado é que, a característica da inflação não é de demanda, por dois motivos; os produtos importados estão invadindo o mercado brasileiro e a capacidade produtiva brasileira está em torno de 80%, ou seja, temos capacidade de ofertar mais produtos sem necessariamente realizar novos investimentos e, por sua vez, sem inflação, o que nos mostra que aumentar taxa de juros não resolverá o problema.

Fonte: Congressoemfoco

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