Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura
sobre
Reinaldo Azevedo, jornalista, escreve este blog desde
2006. É autor dos livros “Contra o Consenso” (Barracuda), “O País dos
Petralhas I e II”, “Máximas de Um País Mínimo — os três pela Editora
Record — e “Objeções de um Rottweiler Amoroso” (Três Estrelas).
O
pedido de impeachment formulado por Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr foi
entregue em 21 de outubro ao presidente da Câmara, que certamente leu o
documento antes de dormir. Por que demorou tanto para descobrir que os
argumentos arrolados pelos dois juristas tinham solidez suficiente para
justificar a abertura do processo? Por que deixou para fazer neste 2 de
dezembro o que poderia ter feito há 40 dias? Porque o terceiro homem na
linha de sucessão não tem tempo para pensar no país, nos brasileiros ou
em outras irrelevâncias. Eduardo Cunha só pensa em Eduardo Cunha.
O presidente da Câmara dos Deputados foi denunciado por corrupção, em
10 de agosto, pelo procurador-geral Rodrigo Janot. De lá para cá, nem
mesmo em feriados e dias santos deixou de aparecer no noticiário
político-policial. Para livrar-se da enrascada em que se meteu com a
descoberta das contas na Suiça, virou exportador de carne enlatada (para
países africanos), namorou a oposição, flertou com o PT e por pouco não
voltou a amasiar-se com o governo. Por que Dilma demorou 100 dias para
descobrir que Eduardo Cunha faz o que fazem seus bandidos de estimação?
Porque só pensa em manter o emprego.
Nesta quarta-feira, Cunha fez a coisa certa porque deu errado o
acordo que lhe garantiria o apoio do PT no Conselho de Ética. Melhor
assim. Mas o Brasil decente não lhe deve nada. O que está em curso é uma
ofensiva do país que presta contra um fantasma que zanza pelo Planalto.
É um confronto entre a nação com cérebro e uma nulidade desmoralizada
pela corrupção e pela inépcia. Esse embate não pode ser reduzido a um
duelo entre filhote do baixíssimo clero e a mãe do Petrolão. O Brasil
que há de brotar das cinzas do lulopetismo não tem lugar para nenhum dos
dois.
O Congresso faz o que o povo quer, repetia Ibsen Pinheiro, presidente
da Câmara durante o processo de impeachment de Fernando Collor. Também
desta vez assim será. Os cunhas e as dilmas não passam de figurantes.
Acabarão confinados em asteriscos nas páginas escritas por milhões de
indignados. Esses sim são os reais protagonistas da história. E sabem
que o fim da era da canalhice começa pela remoção do poste que Lula
instalou no coração do poder.
VALENTINA DE BOTAS
“Inverno da nossa desesperança”, a expressão de Ricardo III nomeia o
lindo romance de John Steinbeck em que este afirma que a escuridão que
se precipita quando uma luz se apaga é mais densa do que a de antes de
uma luz se acender. Desde quando um texto da internet não convence como
consistente relatório de consultoria? Desde que ele consiste em medida
provisória de 2,4 milhões de reais. » Clique para continuar lendo
Em seis minutos, quando você houver terminado
de ler este texto, 12 brasileiros terão perdido o seu emprego: dois a
cada minuto. Será difícil achar outro. Quem encontrar, dificilmente será
com um salário semelhante. Mas isso não é problema para a sempre
“extremamente preocupada, estarrecida e muito chateada” presidente da
República Dilma Rousseff, que viajou na sexta-feira e está de volta após
ter participado da Cúpula do Clima em Paris, para onde Barack Obama só
foi no domingo.
Lembra o Conselheiro Aires, célebre personagem
de Machado de Assis, que o inesperado tem sempre voto decisivo nos
acontecimentos. O ano parecia caminhar para o encerramento. E em tons
inglórios. O enfrentamento da crise política estava sendo empurrado para
2016. Tudo indicava que o impasse — produto em grande parte da
inoperância das forças políticas de oposição ao projeto criminoso de
poder — iria se prolongar, até porque o calendário político do Congresso
não é o mesmo que vigora para os brasileiros comuns. Na Praça dos Três
Poderes, 2015 termina por volta do dia 11 de dezembro, e o ano vindouro
só começa depois do carnaval — e para alguns somente em março.
Eduardo
Cunha disse a aliados que vai trabalhar para que a comissão especial
que analisará o pedido de impeachment siga trabalhando em janeiro #Época#Expresso
Jorge Bastos Moreno: 'Cunha cometeu o escárnio de afirmar que sua decisão é técnica e não política. Não é uma coisa nem outra. Apenas vingança.' http://glo.bo/1MXVRoz
PT e oposição afiam suas armas para a guerra do impeachment, por Ricardo Noblat
Em um ponto, pelo menos, a oposição ao governo no Congresso e a base de
sustentação do governo ali, concordam sem a menor discrepância: a sorte
do pedido de abertura de impeachment da presidente Dilma Rousseff
acolhido, ontem, por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, será
decidida pela pressão popular. (...)
Leia a íntegra no blog: http://goo.gl/pUOPob ...Ver mais
COBRANDO A FATURA http://bit.ly/1MY5ROt
+ Para conquistar apoio da maioria, Governo distribuiu cargos nos Estados e acaba de liberar R$ 4 bi em emendas.
Chegou a hora de o Governo cobrar a fatura.Com
o acolhimento da denúncia para a abertura do processo de impeachment da
presidente Dilma, os ministros do Palácio, Jaques Wagner (Casa
Civil)...