quinta-feira, outubro 01, 2026

Toffoli apoia Mendonça sobre Nossa Senhora, divide o Supremo e irrita ministros


Toffoli foi o magistrado do TSE que mais votou com Mendonça

Bela Megale
O Globo

A sintonia de votos do ministro Dias Toffoli com os do vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Mendonça, no plenário da corte eleitoral tem irritado alguns integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Levantamento ao qual os ministros tiveram acesso mostrou que, no período de fevereiro a agosto de 2026, Dias Toffoli foi o magistrado do TSE que mais votou com Mendonça no plenário da corte. Juntos, ambos foram os magistrados que menos votaram a favor das ações da campanha de Lula.

VOTOS FAVORÁVEIS – Em 21 votações concluídas no plenário do tribunal nesse período, os ministros Mendonça e Toffoli votaram favoravelmente à campanha petista em 12 ocasiões, o que representa cerca de 57% dos casos.

A ala do STF alinhada a Moraes avalia que o envolvimento de Toffoli no caso Master, do qual Mendonça foi relator, teria sido o motivo de aproximação entre ambos. No grupo de Moraes foi levantado o questionamento de que Mendonça não solicitou aprofundamento das investigações sobre Toffoli e Daniel Vorcaro.

Mensagens e documentos da Polícia Federal mostram vínculos que o magistrado teve com o ex-banqueiro, passando por negócios familiares em um resort no Paraná, encontros frequentes e viagens em aeronaves ligadas ao grupo de Vorcaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A bronca toda é porque Toffoli está vulnerável devido ao caso do resort e está evitando votar contra a lei. O ponto alto foi o apoio a Mendonça contra as fake news sobre Nossa Senhora, uma manobra eleitoral verdadeiramente sórdida e nefasta, não há a menor dúvida. Por mais que faça, porém, é claro que Toffoli jamais conseguirá limpar sua barra, como se dizia antigamente. (C.N.)

Brasil ganha nova oportunidade de negociação com Trump sobre tarifaços


Brasil foi alvo de rodadas de tarifaços do governo dos EUA

Filipe Matoso
Rafaela Rosa
G1

Os ministérios das Relações Exteriores (Itamaraty) e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) divulgaram uma nota nesta quarta-feira (30) na qual afirmam que o governo do presidente Donald Trump deve encaminhar “nas próximas semanas” uma nova proposta de negociação acerca do tarifaço contra produtos brasileiros.

A nota foi divulgada após os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (MDIC) terem se reunido em Milwaukee (EUA) com o representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer. Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa estão na cidade para participar da reunião ministerial de comércio do G20, grupo do qual Brasil e Estados Unidos fazem parte.

PROPOSTA – “O governo norte-americano deverá encaminhar, nas próximas semanas, um documento com uma proposta para o escopo dos trabalhos, contemplando questões tarifárias e não tarifárias. Também foi acordada a criação de um Grupo de Trabalho para discutir temas relacionados a um possível acordo”, informou a nota.

Conforme a nota divulgada nesta quarta pelos ministérios, o encontro foi uma continuidade da conversa recente dos presidentes Lula e Trump, na qual os dois concordaram em orientar as respectivas equipes a retomar as negociações em torno do tarifaço. Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás somente da China, e integrantes do governo têm dito que a orientação é negociar para que os dois países cheguem a um consenso sobre o tema.

NEGOCIAÇÃO – “Durante a reunião, os ministros brasileiros reafirmaram a disposição do Brasil de avançar, por meio do diálogo e da negociação, na construção de soluções para os temas que afetam o comércio bilateral, sempre tendo como referência a defesa dos interesses brasileiros e a ampliação das oportunidades para empresas e setores produtivos dos dois países”, informou o governo brasileiro.

O Brasil foi alvo de rodadas de tarifaços anunciadas pelo governo dos EUA: de 25%: em razão do entendimento da Casa Branca de que o Brasil adota práticas desleais na economia em relação a empresários americanos em áreas como PIX, etanol e propriedade intelectual; de 12,5%: diante do entendimento dos EUA de que dezenas de países, incluindo o Brasil, falharam ao coibir a importação de mercadorias de países onde há trabalho forçado.

Nesse contexto, o Brasil abriu um pedido de consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que ao agir dessa maneira os EUA tratam o Brasil de maneira diferente dos demais parceiros comerciais.

SINAL DE REVERSÃO – Em resposta, os Estados Unidos informaram à OMC estarem à disposição do Brasil para discutir o tema, mas ainda não indicaram, segundo diplomatas brasileiros, qualquer sinal de reversão do tarifaço.

Na semana passada, representantes dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se reuniram em Genebra, na sede da OMC, para negociar. Com isso, abriu-se o prazo de 60 dias para que os dois países cheguem a um consenso. Se não houver acordo no prazo, uma das partes pode abrir um painel, ou seja, pedir que o tema vá a julgamento pela OMC. O governo da China pediu formalmente à OMC para participar do processo, mas os EUA se manifestaram contra a abertura de espaço para os chineses.

BOA RELAÇÃO –  Em entrevista recente, Lula disse ter “boa relação” com Trump, a quem trata “com respeito” por ter sido eleito pelo povo norte-americano. “Acho que o Trump é uma pessoa sui generis, porque ele muitas vezes não diz nada com nada, você conversa com ele e parece que não conversou, mas ele tem me tratado com respeito e eu trato ele como presidente, com respeito. Gostando ou não gostando dele, ele foi eleito pelo povo americano. Eu vou ser eleito pelo povo brasileiro”, disse.

“Ele não precisa gostar de mim ou não, só tem que ter relação civilizada, relação respeitando a soberania do Brasil”, completou o petista.


A eleição entra na reta final entre o cálculo político e a disputa pela fé


Gilmar chama Kassio de 'imperador', e ministros veem risco de Dino afastar presidente do TSE de ações

 

Gilmar chama Kassio de 'imperador', e ministros veem risco de Dino afastar presidente do TSE de ações

Por Luísa Martins/Folhapress

01/10/2026 às 07:08

Foto: Rosinei Coutinho/Arquivo/STF

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Gilmar Mendes

Tanto ministros aliados quanto rivais de Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), veem chance de ele determinar o afastamento de Kassio Nunes Marques e André Mendonça da relatoria de ações sobre propaganda no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o que abriria um novo capítulo da divisão interna e da crise entre as cortes.

A medida teria como fundamento um suposto represamento de decisões individuais no TSE que não estariam sendo imediatamente submetidas a referendo em colegiado, além de indícios de concentração de poder excessiva no presidente e no vice-presidente da corte eleitoral.

O ministro Gilmar Mendes chegou a dizer a Kassio que o presidente do TSE estava "se investindo no papel de imperador" ao designar a si próprio e a Mendonça como juízes da propaganda, quando essa costuma ser uma atribuição de ministros substitutos do tribunal eleitoral. A fala foi narrada à Folha por pessoas presentes na sala de lanches do Supremo, onde a abordagem ocorreu há mais de uma semana.

Três ministros do tribunal e um do TSE avaliam que a decisão de Dino poderia ocorrer no âmbito do pedido feito pelo presidente do partido Solidariedade, deputado Paulinho da Força (SP), para que Kassio e Mendonça deixem a função. A solicitação foi feita em meio à guerra de liminares sobre publicações envolvendo Nossa Senhora Aparecida.

O parlamentar afirma que o acúmulo de cargos —gestão administrativa das eleições gerais de 2026, processos ordinários tanto no TSE quanto no Supremo e fiscalização sobre propaganda eleitoral— levou a uma demora na apreciação de casos urgentes, extrapolando prazos e gerando congestionamento.

Procurado pela Folha, o TSE informou que há cem representações aguardando referendo do plenário (34 liberadas por Kassio, 19 por Mendonça e 53 pela ministra Estela Aranha) e que devem ser julgadas até as 23h59 desta sexta-feira (2).

Em nota, o tribunal disse que "não há processos sobre propaganda eleitoral de candidatos à Presidência parados" na corte, e que até o momento o plenário já analisou e referendou aproximadamente 210 representações. Na eleição de 2022, até a data do primeiro turno (2 de outubro), haviam sido julgadas 77.

O TSE também afirmou que, ao longo da semana, Kassio assinou outras 24 decisões sobre propaganda, e que todas "já estão em trâmite interno para serem pautadas" no plenário virtual. A corte nega pendências, e servidores da área técnica atribuem o acúmulo à intensificação da judicialização na reta final da eleição.

No caso da ordem de Mendonça para a remoção de notícias falsas sobre uma suposta intenção de Flávio Bolsonaro (PL) de, se eleito, tirar da santa o título de padroeira, Kassio foi alertado por auxiliares sobre o potencial de o tema escalar para o STF. No entanto, ele ignorou recomendações para pautar o referendo no máximo até segunda-feira (28).

Dino derrubou a decisão de Mendonça no domingo (30), determinando a restauração das postagens sobre a padroeira nas redes sociais. Depois, o ministro Luiz Fux entrou em cena para desautorizar Dino e restabelecer a ordem inicial de Mendonça, ampliando as tensões internas.

Dois magistrados próximos de Dino avaliam que Kassio se aproveitou da decisão do ministro para insuflar no presidente do STF, Edson Fachin, a ideia de que haveria um problema de interferência na corte eleitoral, entregando-lhe até mesmo um ofício cobrando providências.

Um ministro aponta que um voto do próprio Mendonça, no STF, selou no início do ano a derrubada de uma decisão do TSE sobre eleições de Paranhos (MS), assim como o ministro Dias Toffoli anulou um acórdão eleitoral envolvendo a coligação da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra. Kassio, no entanto, só acionou Fachin após a decisão de Dino.

Com o pedido de Paulinho da Força pressionando Kassio e Mendonça, o presidente do TSE decidiu levar o caso Nossa Senhora Aparecida para o plenário virtual da corte eleitoral nesta quarta (30). Aconselhado a baixar a temperatura, Fachin acabou desistindo de pautar o processo no plenário do Supremo, evitando uma nova sessão-bomba.

Um ministro considerado mais moderado em meio ao ambiente de divisão também tem trabalhado para dissuadir Dino de decisões drásticas especialmente ao longo desta semana, que antecede o primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (4).

Interlocutores de Dino dizem que ele ainda está analisando o requerimento do deputado. Uma das possibilidades em aberto é o ministro requisitar ao TSE as informações oficiais sobre o número de decisões monocráticas pendentes de referendo, para cruzá-las com as alegações do parlamentar e ter uma noção geral do quadro antes de decidir.

Kassio nega a pessoas próximas que haja congestionamento ou represamento de decisões individuais no TSE. Ele afirma que esses casos sempre são submetidos ao colegiado, e que tem pautado os referendos tão logo Mendonça e Estela liberam os processos sob suas respectivas relatorias.

O ministro também disse a um integrante da sua equipe que uma eventual decisão determinando seu afastamento e de Mendonça das ações sobre propaganda eleitoral seria uma prova de que Dino é um "agente do caos", e que isso pode intensificar uma mobilização social contra o STF.

Politica Livre

Gilmar cita precatórios e risco de R$ 24 bi ao SUS e cobra STJ e STF sobre ações de hospitais

 

Gilmar cita precatórios e risco de R$ 24 bi ao SUS e cobra STJ e STF sobre ações de hospitais

Por Isadora Albernaz e Mateus Vargas/Folhapress

01/10/2026 às 07:42

Foto: Rosinei Coutinho/Arquivo/STF

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GIlmar Mendes

O ministro Gilmar Mendes fez nesta quarta-feira (30) nova investida sobre ações judiciais envolvendo hospitais e acionou os presidentes do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, e do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Luis Felipe Salomão, para pedir e sugerir encaminhamentos sobre precatórios no setor de saúde.

Segundo o decano do Supremo, os processos que envolvem uma revisão da tabela do SUS (Sistema Único de Saúde) podem gerar um impacto anual de cerca de R$ 24 bilhões ao orçamento do Ministério da Saúde. Gilmar citou preocupações "sobre expedição irregular de precatórios pelo Poder Judiciário" até mesmo antes do trânsito em julgado das ações.

controvérsia gira em torno da revisão dos contratos e convênios firmados por hospitais privados e entidades filantrópicas, como Santas Casas, para prestar serviços complementares ao SUS.

Eles cobram que sejam remunerados por valores da tabela Tunep (Tabela Única Nacional de Equivalência de Procedimentos), usada como referência para a cobrança de planos de saúde, em vez de usar como base a do SUS. Quando essas entidades vão à Justiça e vencem com base nesse entendimento, a União é condenada ao pagamento de dívidas –os chamados precatórios.

Em ofício a Fachin, Gilmar afirmou que pretende analisar o tema no julgamento de um recurso sob sua relatoria que foi apresentado pela Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora para alegar uma defasagem da tabela SUS e cobrar pagamentos retroativos da União.

O ministro afirmou que parcela significativa dos precatórios expedidos em decorrência de ações do tipo já não está mais na titularidade das entidades hospitalares. Sem citar diretamente o Banco Master, de Daniel Vorcaro, o magistrado acrescentou que essas dívidas judiciais são usadas para inflacionar o balanço de instituições.

"A recorrência dessas circunstâncias e a concentração dos créditos em reduzido número de agentes econômicos recomendam especial atenção quanto à regularidade das operações subjacentes, notadamente diante dos expressivos valores envolvidos e dos potenciais reflexos sobre a higidez do sistema de pagamentos judiciais", disse.

Segundo apurou a Folha, a ideia do ministro é levar ao plenário virtual a votação para decidir se o tema tem repercussão geral –ou seja, se a decisão deve ser seguida por todas as instâncias da Justiça.

Em uma decisão de 2022, sob a presidência de Luiz Fux, que hoje ocupa uma ala contrária à de Gilmar na corte, o STF entendeu que não era o caso. No entanto, o decano afirmou que a análise, na época, não teve o mínimo de oito votos necessários para rejeitar a repercussão geral.

"A eventual necessidade de destinar recursos dessa magnitude ao pagamento da obrigação, com efeitos financeiros retroativos, reduzirá a capacidade de investimento da União em políticas públicas de saúde, com consequências diretas para a população brasileira", escreveu Gilmar no documento.

"Entendo que o caso oferece oportunidade adequada para que o Supremo Tribunal Federal volte a examinar a natureza constitucional da matéria e a existência de repercussão geral", completou.

Já no ofício enviado a Salomão, ele defendeu que a corte julgasse o mais rápido possível um processo que também aborda a revisão das tabelas. Na terça (29), o decano já havia pedido ao STJ uma inspeção extraordinária nos tribunais regionais federais para rastrear possíveis irregularidades em precatórios.

Em documento de fevereiro de 2025, consultoria jurídica do Ministério da Saúde afirmou que ações desse tipo vinham se avolumando, com cerca de 1.750 casos apresentados em 2022 e 2023. Ainda disse que a União gastou R$ 111,9 milhões em 2023 com as condenações.

O ministério afirmou que "se cogitarmos a possibilidade real de judicialização por parte de todos os prestadores de serviços do SUS (sejam eles privados ou públicos)", poderia ter de pagar R$ 24,5 bilhões a mais por ano.

O valor foi estimado a partir do ajuste da verba que foi repassada para estados e municípios pagarem por serviços da média e alta complexidade do SUS feitos em 2023.

O ministério também disse que a Tunep serve apenas para calcular o ressarcimento pelos planos e que a União não assina contratos com os hospitais. "Isso porque cabe aos estados e municípios, responsáveis pelos contratos e convênios com as entidades privadas de saúde, avaliar os serviços prestados."

A Saúde afirma, no mesmo documento, que as condenações podem gerar "desassistência em decorrência da ausência de recursos financeiros" para o SUS. "Ademais, não se vislumbra nas sobreditas demandas judiciais a propositura de ampliação de ofertas de serviços de saúde, tampouco melhoria de acesso ao usuário do SUS."

O tema dos precatórios voltou à tona com a revelação de que Gilmar Mendes se reuniu, em abril de 2024, com Vorcaro. O Master mantinha em carteira bilhões em créditos do tipo de usinas do setor sucroalcooleiro. O decano votou contra o entendimento defendido pelo ex-banqueiro.

Como resultado dos últimos ofícios de Gilmar sobre o tema, o presidente do STF também determinou medidas de aperto no controle e na fiscalização da emissão de precatórios que devem ser adotadas por todos os tribunais do país.

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