segunda-feira, abril 13, 2026

Quem é Peter Magyar, provável futuro primeiro-ministro da Hungria, após derrotar Viktor Orbán

 

Quem é Peter Magyar, provável futuro primeiro-ministro da Hungria, após derrotar Viktor Orbán

Seu partido, o Tisza, venceu as eleições deste domingo, 12

Por Estadão

12/04/2026 às 18:00

Atualizado em 12/04/2026 às 18:02

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Péter Magyar pode se tornar o novo primeiro-ministro da Hungria

Péter Magyar aproveitou o momento de insatisfação da população húngara e pode agora se tornar o novo primeiro-ministro do país. A vitória de seu partido nas eleições deste domingo, 12, derrubou o governo de 16 anos de Viktor Orbán. Com 45 anos, Magyar é líder do Tisza, partido de centro-direita fundado por ele após sua saída do Fidesz, em 2024.

“Obrigado, Hungria!”, publicou Magyar no X, enquanto milhares de seus apoiadores lotavam as margens do Danúbio em Budapeste.

Com 66% dos votos apurados, o partido da oposição Tisza caminhava para conquistar 137 cadeiras — mais de dois terços da maioria —, enquanto o partido de Orbán, Fidesz, deveria obter apenas 57. Magyar é um ex-aliado de Orbán, e rompeu com o partido em 2024.

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, reconheceu a derrota neste domingo, 12, após o que chamou de um resultado eleitoral “doloroso”, encerrando 16 anos no poder de uma figura influente do movimento de extrema direita, aliada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente russo, Vladimir Putin.

“Eu parabenizei o partido vencedor”, disse Orbán a apoiadores em Budapeste. “Vamos servir à nação húngara e à nossa pátria também a partir da oposição”.

Sua campanha teve foco no restabelecimento da democracia na Hungria, com a promessa de alavancar a economia e adicionar o país à zona do Euro, além do combate à corrupção governamental. Magyar defende uma alternativa nacionalista, mas menos centralizadora que a da administração atual.

Nascido em 1981, na cidade de Budapeste, Magyar descreveu-se como alguém atraído pela política desde muito jovem. Tendo crescido durante os últimos anos do regime comunista, ele admirava Orbán e seu círculo de jovens democratas liberais que desafiavam o domínio soviético no final da Guerra Fria.

Magyar afirmou que assistia aos debates parlamentares na televisão ainda na escola primária e participava de manifestações políticas com seus pais. Imerso na política conservadora, Magyar filiou-se ao Fidesz em 2002, aos 21 anos, e fez amizade com outras figuras em ascensão no partido, incluindo Gergely Gulyás, que mais tarde se tornaria chefe de gabinete de Orbán.

Ao longo dos anos, o político trabalhou em cargos de bastidores, em empresas estatais e foi diplomata em Bruxelas. Em 2023, o húngaro passou pelo divórcio com a juíza Judit Varga, uma das ministras mais ligadas à Orbán. No ano seguinte, Judit se envolveu em um escândalo que abalou a Hungria quando veio à tona que o presidente Katalin Novák havia concedido um indulto a um cúmplice condenado em um caso de abuso sexual infantil.

A decisão chocou o país e levou à renúncia de Katalin Novák, enquanto Judit, que havia apoiado o indulto, também renunciou. No dia seguinte, Magyar concedeu uma longa entrevista a um popular canal húngaro do YouTube, na qual rompeu publicamente com o Fidesz, acusando o governo de Orbán de corrupção sistêmica e de agir em benefício de um pequeno círculo de elites políticas e econômicas.

Sua consolidação política se deu quando criou o Tisza para rivalizar com o Fidesz. Em junho daquele ano, o Tisza obteve 30% dos votos nas eleições para o Parlamento Europeu, e Magyar assumiu a cadeira de eurodeputado. A ascensão meteórica o colocou em uma posição vantajosa para disputar as eleições deste ano, já que a antiga coligação de oposição de Orbán não conseguiu força suficiente para derrotar o primeiro-ministro em 2022. Desde então, o candidato viajou pela Hungria mais de uma vez para fazer campanha e incluiu roteiros em comunidades húngaras também no exterior.

Agora, Magyar se posiciona como uma alternativa para retomar o contato mais próximo com o grupo e com a sua própria população, depois de anos de isolamento do país na Europa e de deterioração da democracia na Hungria.

Em dezembro de 2022, a UE bloqueou cerca de 22 bilhões de euros destinados à Hungria como parte da política de coesão, que prevê uma ajuda financeira aos países do bloco. O montante deve ser aplicado em estrutura, serviços e desenvolvimento, mas, no caso húngaro, foi congelado após o governo descumprir as condições para o recebimento do valor. A acusação da UE é de falha no Estado de direito, com violações à independência do judiciário, corrupção e restrições à liberdade de imprensa.

Em relação à Ucrânia, Magyar se posicionou contra uma ajuda militar ao território em guerra com a Rússia, mas deve se mostrar mais flexível a medidas financeiras propostas no Parlamento. Em junho de 2024, o candidato afirmou para jornalistas no Parlamento Europeu que concordava com a posição do governo de Orbán de não enviar armas ou tropas para a guerra na Ucrânia, segundo o Politico.

O Tisza, partido de Magyar, aparecia com 50% das intenções de votos segundo um levantamento do Politico. O veículo reúne pesquisas independentes e calcula a porcentagem de cada partido com base nos estudos oficiais disponíveis. O Fidesz, legenda de Orbán, aparece com 39%, enquanto partidos menores, como Mi Hazánk e Demokratikus Koalíció chegam a 5% e 3%.

Os 7,5 milhões de eleitores no país, assim como os mais de 500 mil registrados no exterior, puderam escolher entre cinco partidos, em um sistema eleitoral majoritário misto muito favorável ao partido de Orbán, Fidesz (União Cívica Húngara), há 16 anos no governo.

Orbán tornou-se uma referência da extrema direita internacional, tanto dentro quanto fora da Europa, por suas posições contrárias à imigração e sua oposição aos direitos LGBTQ e sua rejeição ao apoio contínuo dos países ocidentais à Ucrânia em sua guerra contra a Rússia.

Os locais de votação fecharam às 19h00 no horário local (14h00 de Brasília) e, meia hora antes, a participação já era de 77,8%, um nível acima da taxa máxima de 70,5% registrada nas eleições de 2002.

Pesquisas de institutos independentes preveem uma ampla vitória do partido de oposição Tisza, de Magyar, de 45 anos, que em dois anos conseguiu construir um movimento capaz de fazer frente ao primeiro-ministro, cuja popularidade caiu devido à desaceleração da economia.

Leia tambémViktor Orbán reconhece derrota, e Hungria encerra 16 anos com premiê da ultradireita no poder

Caiado deixa cargo em Goiás com ao menos 10 parentes no governo

 

Caiado deixa cargo em Goiás com ao menos 10 parentes no governo

Por Ana Gabriela Oliveira Lima/Folhapress

13/04/2026 às 06:37

Foto: Zeca Ribeiro/Arquivo/Câmara dos Deputados

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Ronaldo Caiado

Nascer Caiado em Goiás é um bom começo. O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) deixou o posto no último dia 31, mas pelo menos 10 parentes seus ficaram em cargos comissionados.

No total, aparecem 50 Caiados na folha de pagamento do estado de março —somando as remunerações, são mais de R$ 650 mil por mês. O grupo inclui servidores reformados, aposentados, pensionistas, efetivos, temporários e comissionados. Se considerarmos familiares com outros sobrenomes, cresce ainda mais.

A reportagem filtrou 10 parentes comissionados, que são funcionários nomeados livremente por uma autoridade para exercer funções de direção, chefia ou assessoramento, sem necessidade de concurso público, além de três familiares alocados em uma entidade que tem parceria com o estado.

Dos 10 nomes identificados pela reportagem, 9 são primos e 1 é marido de prima do ex-governador.

Adriano da Rocha Lima, primo de Caiado, é um deles. Assessor na Secretaria de Relações Institucionais, é cotado para ser vice na chapa do atual governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), que assumiu depois que Caiado lançou sua pré-candidatura à Presidência pelo PSD.

Como outros da lista, Lima argumenta que é um primo distante do presidenciável. "Eu nem sei contar qual é o grau de parentesco", diz. Outro exemplo é a prima Andrea Parrode da Rocha Lima Dantas, chefe de gabinete na Secretaria de Estado de Esporte e Lazer.

Juliana Ramos Caiado, prima do ex-governador, é assessora especial na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social.

Paulo Henrique Caiado Canedo, também primo, é conselheiro do CAT (Conselho Administrativo Tributário), vinculado à Secretaria de Estado da Economia, e assessor na Assembleia Legislativa de Goiás.

Outro primo, Jorge Luiz Ramos Caiado Júnior, é chefe de Gabinete na Secretaria de Estado da Administração.

Ronaldo Caiado afirma que "todas as contratações mencionadas foram previamente analisadas pela Procuradoria-Geral do Estado e estão em total conformidade com a legislação vigente e com a súmula vinculante nº 13, do STF (Supremo Tribunal Federal)".

Para especialistas, os casos apurados entram em brechas na lei que classifica o nepotismo, porque primo é considerado parente de 4º grau, mas é possível questionar o comportamento na Justiça. Para ser considerado nepotismo, a nomeação deve ser de cônjuges, companheiros e parentes de até 3º grau em funções de confiança ou cargos em comissão.

Outra brecha explorada pelo governador foi a nomeação de pessoa ligada à família no chamado cargo político de primeiro escalão, caso dos secretários em governos estaduais. Nesse tipo de cargo, o STF já entendeu poder haver a nomeação de parentes.

No governo de Caiado, Cesar Augusto de Sotkeviciene Moura, casado com uma prima do político, foi colocado à frente da Secretaria de Estado da Retomada. A reportagem tentou falar com Moura, que não respondeu.

Segundo os especialistas em direito administrativo Leandro Mello Frota, membro do IAB (Instituto dos Advogados Brasileiros), e Manoel Peixinho, professor da PUC-Rio, ainda que dentro das exceções previstas em lei, os casos podem gerar ações na Justiça sob o argumento de violação de princípios constitucionais de moralidade, impessoalidade e eficiência.

"Estamos falando de dinheiro público e de funções importantes para a vida da sociedade. É importante olhar as atitudes do governante, que, embora não estejam, em um primeiro momento, praticando nepotismo, podem estar afrontando outros princípios da Constituição", diz Mello Frota.

Entidade com contrato com governo tem mais parentes de Gracinha e Caiado

Na folha de pagamento da OVG (Organização das Voluntárias de Goiás), entidade sem fins lucrativos que tem parceria com o governo de Goiás, está a esposa de um primo de Caiado e dois sobrinhos da ex-primeira-dama Gracinha Caiado.

A entidade recebeu, no último aditivo, 70% a mais de repasse do Estado, se comparado ao ano anterior. Foi um salto de R$ 434 milhões no orçamento referente ao período de julho de 2024 a junho de 2025 para R$ 738 milhões de julho de 2025 a junho de 2026.

A presidência de honra da organização foi, até o último dia 31, de Gracinha, agora pré-candidata ao Senado pelo União Brasil. O cargo é voluntário e sem remuneração.

Uma das sobrinhas de Gracinha, Roberta Wendorf de Carvalho, é diretora na OVG e recebe R$ 28.739,50.

O segundo sobrinho é Décio Agrário Calazans Wendorf de Carvalho, que consta como assessor especial na OVG, com salário de R$ 19.480,67. Ele também é membro do conselho do Departamento Estadual de Trânsito, com remuneração de R$ 4.800.

A diretoria geral da OVG fica por conta de Adryanna Leonor Melo de Oliveira Caiado, com salário de R$ 40,5 mil, que é casada com um primo do ex-governador.

Adryanna também preside o conselho de administração da Companhia de Investimentos e Parcerias do Estado de Goiás, a Goiás Parcerias, que é uma sociedade de economia mista vinculada ao estado, com remuneração de R$ 17,3 mil por mês. Na Saneago, de saneamento, é conselheira administrativa, com vencimentos de R$ 9,8 mil. No total, ela recebe R$ 67,6 mil por mês.

Em nota, a OVG afirma que o nome de Adryanna foi aprovado pelo conselho de administração da organização e que, sob sua gestão, a entidade teve crescimento histórico. A diretora afirma que "tem quase 30 anos de serviço público em Goiás" e que sua formação e experiência "no Estado foram fatores determinantes para a ocupação da diretoria-geral da OVG e dos cargos nos dois conselhos".

Gracinha diz que, no período em que foi presidente de honra da OVG, "liderou o maior programa de superação da pobreza da história de Goiás". A entidade realiza em parceria com o estado programas sociais como distribuição de alimentos e acolhimento a grávidas, crianças e idosos.

Caiado também afirma que "todos os servidores mencionados exercem regularmente suas funções, possuem qualificação técnica compatível com os cargos que ocupam e desempenham suas atribuições sem qualquer irregularidade ou prejuízo à administração pública".

Parentes de Ronaldo Caiado no governo

1- Adriano da Rocha Lima, primo: assessor na Secretaria de Relações Institucionais

2- Andrea Parrode da Rocha Lima Dantas, prima: chefe de gabinete na Secretaria de Estado de Esporte e Lazer

3- Antonio Lopes Xavier Nunes, primo: assessor na Secretaria de Estado de Segurança Pública

4- Cesar Augusto de Sotkeviciene Moura, marido da prima: secretário de Estado na Secretaria de Estado da Retomada

5- Jorge Luiz Ramos Caiado Júnior, primo: chefe de Gabinete na Secretaria de Estado da Administração

6- Juliana Ramos Caiado, prima: assessora especial na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social

7- Leoni di Ramos Caiado Neto, primo: superintendente de Reintegração Social e Cidadania da Polícia Penal

8- Marlon Antonio Santos Ramos Caiado, primo: assessor especial da governadoria

9- Patricia Mundim Caiado, prima: assessora na Secretaria de Estado da Saúde

10- Paulo Henrique Caiado Canedo, primo: conselheiro do CAT (Conselho Administrativo Tributário), vinculado à Secretaria de Estado da Economia, e assessor na Assembleia Legislativa de Goiás

Parentes de Gracinha e Caiado na OVG

1- Adryanna Leonor Melo de Oliveira Caiado, casada com primo de Caiado: diretora geral da OVG, preside o conselho de administração da Goiás Parcerias e é conselheira administrativa na Saneago

2- Roberta Wendorf de Carvalho, sobrinha de Gracinha Caiado: diretora na OVG

3- Décio Agrário Calazans Wendorf de Carvallho, sobrinho de Gracinha Caiado: assessor especial na OGV e membro do conselho do Departamento Estadual de Trânsito

 

Colaboraram Evelyn Aires, Iran Alves, Gabriel Serpa, Guilherme Matos, Malu Araujo, Mariana Grasso e Richard Henrique

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Publicado em 12 de abril de 2026 por Tribuna da Internet

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