terça-feira, julho 22, 2025

Cemitério São João Batista Precisa de Atenção Urgente


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https://blogportaljv.blogspot.com/2025/07/cemiterio-sao-joao-batista-precisa-de.html?m=1



Nota da redaçao deste BlogLixo nas Ruas de Jeremoabo: Um Sinal de Atraso e a Urgência da Conscientização

Quem percorre as ruas e bairros de Jeremoabo se depara com uma cena desoladora: lixo espalhado por todos os lados, desde embalagens e restos de alimentos até objetos volumosos como sofás. O problema se agrava em pontos críticos, como ao lado do cemitério, onde a falta de princípios parece ter encontrado um novo local para o descarte irresponsável. Essa prática disseminada de descarte inadequado de lixo e entulhos, mesmo com a existência de um serviço de coleta que cobre toda a cidade, bairros e até povoados da zona rural, é um reflexo preocupante de falta de cultura, educação e um claro sinal de atraso.

Não é difícil observar todo tipo de material despejado irregularmente, desde pequenos itens como papel de bala e bitucas de cigarro até sofás descartados em valões, transformando-os em verdadeiros depósitos de lixo. Essa atitude não apenas deixa a cidade "muito feia", como também gera graves problemas ambientais e de saúde pública. É crucial lembrar que o descarte inadequado de lixo em vias públicas é considerado crime ambiental.

A Conscientização que Começa em Casa

Apesar da triste realidade imposta por muitos, há quem siga na contramão, realizando o descarte correto do lixo e mostrando que a mudança é possível. A conscientização, de fato, começa em casa.

O descarte correto do lixo tem um papel fundamental na construção de uma sociedade sustentável e na modelagem de cidades inteligentes. Separar e descartar corretamente nossos resíduos é essencial, pois isso reduz a demanda por novos recursos naturais – diminuindo a extração do meio ambiente – e reduz a poluição, uma vez que os resíduos serão alocados corretamente para reciclagem ou descarte final.

A coleta seletiva, por exemplo, exige um engajamento ativo da população, que inclui a higienização dos resíduos. Não basta separar; é preciso lavar e secar o lixo reciclável antes do descarte. Resíduos sujos com restos de alimentos contaminam os demais materiais, inviabilizando a reciclagem. É preciso um trabalho conjunto para reduzir o impacto da geração de milhões de toneladas de resíduos que, em vez de se tornarem matéria-prima, acabam em aterros sanitários.

Nesse cenário, além da responsabilidade individual na separação do lixo, o trabalho incansável dos catadores de lixo é uma contribuição imensa para a sociedade, pois eles são peças-chave no processo de reciclagem, transformando o que seria lixo em matéria-prima valiosa.

A Prefeitura de Jeremoabo afirma que reforçará as campanhas educativas, uma medida necessária, mas que precisa ser contínua e eficaz. A sustentabilidade só se alcança com educação e com a colaboração de todos. Jeremoabo precisa abraçar essa causa para garantir um futuro mais limpo, saudável e digno para seus moradores.

"O prefeito administra, porém não faz milagres" é, portanto, um lembrete de que a gestão municipal é um trabalho árduo e que exige paciência e colaboração de todos.


segunda-feira, julho 21, 2025

Candidaturas Fictícias em Jeremoabo: Julgamento no TRE-BA É Adiado Pela Segunda Vez

 


Candidaturas Fictícias em Jeremoabo: Julgamento no TRE-BA É Adiado Pela Segunda Vez

A expectativa em torno do julgamento dos recursos eleitorais que apuram supostas candidaturas fictícias nas eleições de 2024 em Jeremoabo ganha contornos de incerteza. Pela segunda vez, o processo que tramita no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) teve seu julgamento adiado a pedido do relator.

A situação tem gerado apreensão e grande interesse na política local, especialmente com o histórico recente de cassações por fraudes similares em outros municípios baianos. O primeiro adiamento já havia deixado a comunidade em compasso de espera, e esta nova postergação intensifica as dúvidas sobre quando, de fato, uma decisão será proferida.

A continuidade dos adiamentos ressalta a complexidade do caso e a necessidade de uma análise aprofundada por parte da Justiça Eleitoral. Enquanto isso, os partidos e vereadores envolvidos permanecem em um limbo jurídico, com o futuro de seus mandatos e a validade do pleito sob escrutínio.

A população de Jeremoabo aguarda com ansiedade uma resolução que traga clareza e reforce a lisura do processo democrático no município.


Será que o próximo pedido de pauta trará, finalmente, uma conclusão para esse caso?

TRE-BA - Sessão Plenária Virtual

PF considera irrelevante conteúdo de pen drive encontrado no banheiro de Bolsonaro

 Foto: Reprodução/Instagram/Arquivo

O ex-presidente Jair Bolsonaro21 de julho de 2025 | 11:42

PF considera irrelevante conteúdo de pen drive encontrado no banheiro de Bolsonaro

brasil

A Polícia Federal realizou uma análise preliminar no pen drive encontrado no banheiro da residência do ex-presidente Jair Bolsonaro durante busca e apreensão na última sexta-feira (18) e considerou seu conteúdo irrelevante para as investigações.

Ainda não foi produzido um relatório apresentando os detalhes do conteúdo do aparelho, mas essa análise inicial feita pelos investigadores descartou a importância do item para a investigação.

Bolsonaro havia dito, em entrevista após a ação da PF, desconhecer o pen drive e chegou a insinuar que o item poderia ter sido plantado pelos agentes da Polícia Federal. O cumprimento das buscas, entretanto, foi filmado por câmeras corporais dos agentes.

Agora a PF deve analisar com mais profundidade o conteúdo do aparelho celular do ex-presidente, que também foi apreendido na ação.

Um dos focos vai ser analisar os diálogos dele com seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para verificar se houve alguma orientação do ex-presidente em relação às ações nos Estados Unidos para pressionar o governo de Donald Trump a impor sanções ao Brasil por causa do julgamento da ação da tentativa de golpe.

Não há prazo, porém, para que essa análise seja concluída.

Aguirre Talento/Estadão ConteúdoPolitica Livre

Entenda em 4 pontos os crimes citados no inquérito contra Eduardo Bolsonaro

 Foto: Zeca Ribeiro/Arquivo/Agência Câmara

Eduardo Bolsonaro21 de julho de 2025 | 08:59

Entenda em 4 pontos os crimes citados no inquérito contra Eduardo Bolsonaro

brasil

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é investigado na Justiça em razão de sua atuação nos Estados Unidos, onde anunciou ficar desde março pedindo sanções contra autoridades brasileiras. Ele atrela o comportamento à pressão por uma anistia aos envolvidos nos ataques golpistas julgados no STF (Supremo Tribunal Federal).

Um dos beneficiados com a medida seria seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que é réu em uma ação penal sobre a trama golpista de 2022 para impedir a posse do presidente Lula (PT).

A atuação do parlamentar motivou a abertura em maio de um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República). A instituição alega que o comportamento do político no exterior deve ser investigado pelos crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa e abolição violenta do Estado democrático de Direito.

A representação ressalta que a “tentativa de submeter o funcionamento do Supremo Tribunal Federal ao crivo de outro Estado caracteriza atentado à soberania nacional”, crime previsto no Código Penal. O inquérito está em andamento.

O ministro Alexandre de Moraes, que é relator do processo, afirmou em despacho neste sábado (19) que Eduardo “intensificou as condutas ilícitas” objeto da investigação, depois que Jair Bolsonaro foi alvo na sexta-feira (18) de medidas cautelares.

A atuação de Eduardo é relacionada por ele próprio à divulgação pelo governo dos Estados Unidos de sanções contra Moraes e colegas da corte, ademais de tarifaço imposto pelo país a produtos brasileiros.

Além de possíveis sanções na Justiça, o comportamento do parlamentar é passível de gerar cassação, segundo especialistas ouvidos pela Folha. Isso porque vai na contramão do dever de um deputado federal, previsto no regimento interno da Câmara, de promover o interesse público e a soberania nacional.

Entenda em 4 pontos os crimes citados no inquérito contra Eduardo Bolsonaro por sua atuação no exterior.

1 – Coação no curso do processo
Um dos crimes citados na representação é o de coação no curso do processo, previsto no artigo 344 do Código Penal. O crime trata do uso de violência ou grave ameaça contra autoridade ou envolvidos no processo judicial, policial ou administrativo a fim de favorecer interesse próprio ou alheio.

Esse seria o caso de Eduardo, que abertamente promove sanções contra autoridades ligadas à ação penal no STF que julga Jair Bolsonaro. A especificidade do caso, entretanto, pode dificultar o enquadramento, na opinião de alguns especialistas.

Isso porque o crime de coação foi pensado para atuações mais tradicionais, como ameaçar fisicamente o juiz envolvido no caso, explica Thiago Bottino, professor da FGV Direito Rio.

A pena prevista é de multa e reclusão de 1 a 4 anos, além de pena correspondente à violência.

2 – Obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa
O crime está previsto no segundo artigo da lei 12.850, de 2013. O texto fala sobre promover, constituir, financiar ou integrar organização criminosa e cita penas para quem impede ou embarace a investigação.

A pena prevista é de multa e reclusão de 3 a 8 anos, sem prejuízo de outras penas correspondentes.

A tentativa de obstrução se aplicaria ao caso, na interpretação da PGR, porque Eduardo Bolsonaro estaria atuando no exterior para pressionar as autoridades a interromper a ação penal contra seu pai, condicionando abertamente a interrupção de sanções a uma anistia aos ataques golpistas.

3 – Abolição violenta do Estado democrático de Direito
Previsto no artigo 359-L do Código Penal, esse crime tipifica o ato de tentar, com emprego de violência ou grave ameaça, abolir o Estado democrático de Direito, de maneira a impedir ou restringir o exercício dos poderes constitucionais.

A pena é de reclusão de 4 a 8 anos, além da pena correspondente à violência.

Para parte dos especialistas ouvidos pela Folha, a atuação de Eduardo não se esquadria nesse crime, em razão de haver necessidade de violência ou grave ameaça.

Há aqueles, entretanto, que afirmam haver possibilidade de enquadramento, como Marcelo Crespo, professor e coordenador do curso de direito da ESPM, e Davi Tangerino, advogado criminalista e professor da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

Segundo Tangerino, seria possível considerar haver uma “invasão do Estado democrático” quando Eduardo atua por sanções que só parariam caso o presidente Lula interferisse no Legislativo e no Judiciário a favor de um perdão aos golpistas.

4 – Atentado à soberania
Previsto no artigo 359-I do Código Penal, o artigo tipifica como crime o ato de negociar com governo, grupo ou agentes estrangeiros com o objetivo de provocar atos típicos de guerra contra o país ou invadi-lo. A pena é de reclusão de 3 a 8 anos.

Para especialistas, esse é o crime mais complicado de enquadrar no caso de Eduardo Bolsonaro, segundo a letra da lei, porque o artigo é bem específico ao falar em “atos típicos de guerra”.

Marcelo Crespo, da ESPM, ressalta que atentado à soberania e abolição violenta do Estado democrático de Direito são crimes novos na legislação, o que aumenta o desafio da Justiça ao analisar os fatos.

Ana Gabriela Oliveira Lima/FolhapressPolitica Livre

Com safra recorde, soja e biodiesel podem representar 6,4% do PIB nacional

 Foto: Eduardo Magalhães/Arquivo/Divulgação

Com safra recorde, soja e biodiesel podem representar 6,4% do PIB nacional21 de julho de 2025 | 12:00

Com safra recorde, soja e biodiesel podem representar 6,4% do PIB nacional

economia

A safra recorde de soja deste ano deverá elevar o PIB (Produto Interno Bruto) da cadeia da soja e do biodiesel para R$ 821 bilhões, um crescimento de 10,9% em relação a 2024. A projeção, feita com base nos dados disponíveis até o final do primeiro trimestre, é do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) e da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

Se for confirmada a estimativa, o PIB da cadeia da soja e do biodiesel deverá representar 21,7% do PIB do agronegócio e 6,4% do indicador nacional.

Essa evolução do setor se deve à safra recorde de 169,7 milhões de toneladas, conforme dados estimados pela Abiove, e pelo aumento de processamento interno da oleaginosa. Com uma safra tão grande, o PIB de dentro da porteira deverá registrar crescimento de 24,1% neste ano. O maior movimento e a exigência de mais serviços em diversas áreas, como transporte, financeira, agroindústria e escritórios, vai provocar um aumento de 8,2% no setor de agrosserviços, segundo os analistas das duas entidades. A agroindústria e a cadeia de insumos devem crescer 3%.

Com um desempenho tão acelerado, a renda da commodity volta a crescer neste ano, após retrações de 2022 a 2024. A evolução, conforme os dados já disponíveis, deverá ser de 18,2% no ano, provocada não só pela safra recorde de soja e pelo aumento de processamento, mas também pela elevação dos preços no primeiro trimestre, em relação aos patamares de igual período de 2024.

Segundo o Cepea, a renda do setor ao longo do ano vai depender dos preços e do volume de processamento nos próximos meses. O segundo trimestre já indicou um comportamento menos favorável do que no primeiro.

Processar internamente a soja produzida é um bom negócio. Segundo dados do estudo do Cepea e da Abiove, o processamento interno gera 4,3 vezes mais empregos do que a exportação. Na agricultura, para cada mil toneladas produzidas, são gerados 6,4 empregos direta ou indiretamente. Já na agroindústria, para cada mil toneladas de soja processadas, foram gerados 21 empregos.

Mauro Zafalon/FolhapressPolitica Livre

Governo vai ‘taxar’ emenda Pix e cobrar pedágio de 1% para liberar recurso indicado por parlamentar

 Foto: Jefferson Rudy/Arquivo/Agência Senado

Congresso Nacional21 de julho de 2025 | 08:36

Governo vai ‘taxar’ emenda Pix e cobrar pedágio de 1% para liberar recurso indicado por parlamentar

brasil

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu “taxar” a emenda Pix e cobrar uma espécie de pedágio de 1% para liberar cada recurso indicado por deputados e senadores nessa modalidade. O Executivo federal prepara uma portaria criando a cobrança. Vai funcionar assim: o parlamentar indica o recurso a um município e o governo vai reter 1% do valor na hora de liberar o dinheiro.

O Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos disse ao Estadão que a cobrança foi autorizada pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano e que o recurso será usado para melhorar o Transferegov.br, plataforma criada para centralizar e dar transparência aos repasses federais.

A emenda Pix, revelada pelo Estadão, é um dinheiro do Orçamento da União indicado por congressistas e repassado diretamente a prefeituras e governos estaduais, com mais rapidez e menos exigências que os recursos tradicionais. Falta transparência sobre o que é feito com o repasse na ponta. A emenda vai somar R$ 7,3 bilhões em 2025, o que deve render R$ 73 milhões em taxas para o governo neste ano.

Emenda Pix ainda tem falta de transparência após decisões do STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que a emenda seja rastreável, obrigando os municípios a falarem como o recurso será usado e apresentarem prestação de contas sobre o que fizeram com o dinheiro. Os parlamentares deverão indicar para qual projeto ou obra o recurso está sendo enviado, o que antes não era feito. Ainda assim, a verba será paga antes da entrega de qualquer obra ou serviço público.

As determinações do STF não foram plenamente cumpridas. Em 2024, de seis em cada dez documentos apresentados pelos municípios, as informações apresentadas não deram conta de informar o básico: no que o dinheiro foi ou será gasto, segundo relatório do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos enviado ao STF.

Um Estado, o Pará, e 860 prefeituras não apresentaram planos de trabalho — falando o que fariam com o dinheiro — de emendas recebidas entre 2020 e 2024, conforme levantamento do Estadão. Por decisão do STF e portaria do governo, esses governos locais não poderão receber mais repasses neste ano, a não ser que regularizem sua situação e apresentem os documentos. O Estado do Espírito Santo teve o plano reprovado e também ficou impedido.

As mudanças exigidas pelo STF diminuíram a adesão da emenda especial entre os parlamentares, conforme o Estadão mostrou, mas a modalidade ainda é a mais usada pelo Legislativo.

Em 2019, quando o Congresso criou a emenda Pix, um dos argumentos dos deputados e senadores era escapar das taxas de administração cobradas pela Caixa para fiscalizar as emendas parlamentares. O novo tipo de repasse, porém, criou um tipo de emenda sem transparência e sem planejamento.

Como o Estadão revelou, o dinheiro já foi usado para bancar shows em cidades sob calamidade, obras mais caras do que o preço normal e salários de funcionários, o que é proibido. A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou repasse de recursos para ONGs que não tinham capacidade para realizar os projetos contratados.

Governo diz que taxa será usada para aumentar transparência da emenda Pix

Ministérios do governo também passaram a cobrar taxas de administração para liberar as emendas indicadas para ações de cada pasta. No caso da emenda Pix, é diferente, porque o recurso não é vinculado a nenhum ministério, mas se comporta como uma espécie de “doação” da União para Estados e municípios e não possui nenhuma finalidade definida, conforme está escrito na Constituição que os parlamentares alteraram para criar a modalidade.

“Essa retenção, nos moldes do artigo da LDO, pode ser utilizada com a cobertura dos custos operacionais, a manutenção e o desenvolvimento de sistemas estruturantes vinculados às transferências”, disse o Ministério da Gestão. “Trata-se de previsão que visa garantir sustentabilidade às soluções tecnológicas que viabilizam a transparência, o controle ou com demandas que possam melhorar o processo de execução dessas emendas.”

A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2025 autoriza o desconto de uma taxa de até 4,5% para emendas Pix, mas estabelece que a cobrança é opcional, e não obrigatória. “Nos modos previstos na LDO, a tarifa só pode ser gasta com melhoria do processo, o que inclui desenvolvimento e aprimoramento de sistemas, aplicativos, painéis e demais ferramentas que proporcionem melhoria do processo e, principalmente, a transparência dos dados”, afirmou a pasta.

A plataforma Transferegov.br serve para a União informar o município do dinheiro a ser transferido, para a prefeitura colocar o plano de trabalho falando onde vai aplicar o dinheiro e para apresentar as prestações de contas. O governo promete usar o dinheiro para aumentar a transparência das emendas, como determinou o STF. “Essa melhoria do processo beneficia também o cidadão, que poderá exercer o controle social de tudo que é operacionalizado dentro da plataforma Transferegov.br.”

Daniel Weterman/Estadão ConteúdoPolitica Livre

PIX, Brics e o neomercantilismo de Trump

 

PIX, Brics e o neomercantilismo de Trump
 


Roberta Muramatsu, professora de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM)


A notícia recente sobre a investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) acerca das práticas comerciais que o país considera desleais em relação ao Brasil, incluindo o Pix, joga luz à racionalidade econômica do neomercantilismo de Trump.
 

Essa perspectiva se ancora na visão, bastante discutível, de que impor tarifas é a melhor forma de gerar prosperidade econômica. No entanto, sabemos que a verdadeira riqueza de uma nação se constrói sobre uma base institucional que promova liberdade econômica e política, com garantias de direitos de propriedade sob o Estado de Direito. Só assim consumidores, poupadores, investidores e empreendedores poderão descobrir oportunidades e fazer trocas mutuamente benéficas em um ambiente marcado por previsibilidade e confiança.
 

Trump, ao que tudo indica, faz uso do que os economistas que estudam a Teoria da Escolha Pública (a abordagem econômica da política sem romance) chamam de ignorância racional dos eleitores, que, na verdade, é a dificuldade do cidadão comum em se informar sobre políticas. Com isso, o presidente sustenta sua ameaça de tarifas como mecanismo para pressionar nações a atenderem suas exigências. Ele acredita que o comércio com o Brasil tem prejudicado os EUA, ignorando ou omitindo evidências empíricas de que os Estados Unidos têm, na verdade, uma posição superavitária junto ao Brasil.
 

A visão parece apoiar-se na ideia de que no comércio internacional há sempre um perdedor e um ganhador, sendo, portanto, defensáveis e desejáveis as medidas para proteger seu país de parceiros que poderiam "ameaçar" seu protagonismo na ordem mundial.
 

Em outras palavras, Trump subestima ou ignora as consequências perversas do protecionismo e do nacionalismo para a alocação eficiente dos recursos e a geração de riqueza em seu próprio país. O perigo é que suas investidas populistas podem abrir espaço para a perda de confiança nas instituições norte-americanas, com efeitos nada desprezíveis para o aumento dos riscos de empobrecimento de seu país.
 

A ameaça de um tarifaço de 50% a partir de agosto, baseada em uma suposta empatia e simpatia à família Bolsonaro, não vai “colar nos corações e mentes” de trabalhadores, inovadores e empresas estadunidenses. Muitos deles serão diretamente prejudicados pelos preços mais caros de bens como café, carnes e aço.
 

Talvez, a investigação do USTR sobre as práticas comerciais desleais do Brasil seja uma resposta que tenha mais apelo entre a população, especialmente entre seus apoiadores e as Big Techs. Essas empresas concordam com o uso de ameaças tarifárias como mecanismos de pressão para que nações promovam mudanças institucionais ou estratégias de política interna e/ou externa para satisfazer seus interesses econômicos.
 

Em outubro de 2024, a Associação da Indústria de Computadores e Comunicações (CCIA) entregou um relatório para o Departamento de Estado com reclamações sobre países (Brasil, inclusive) que estariam promovendo barreiras para as empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Após o anúncio da investigação sobre as pretensas práticas desleais que incluem o PIX, o CEO da CCIA, Mathew Schruers, afirmou que a iniciativa da administração Trump de investigar as barreiras que o Brasil tem colocado às exportações da indústria digital norte-americana e seu tratamento discriminatório tem gerado prejuízos ao setor e impede um comércio justo e aberto entre as duas nações.
 

A inclusão do Pix pode ser mais um caso de cortina de fumaça para sensibilizar a opinião pública e extrair informações sobre as reações dos atores dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Lançado em novembro de 2020, o sistema de pagamentos, operado pelo Banco Central do Brasil (BC), teve adesão rápida e tem reduzido os custos de transação. Entretanto, o sistema de pagamentos e transferência de valores FED Now, criado pela autoridade monetária dos Estados Unidos, não teve grande adesão.
 

De acordo com o BC, o crescimento dos valores transferidos via Pix foi da ordem de 54,6% no ano de 2024. Atualmente, há mais de 175 milhões de usuários do sistema brasileiro, e isso tem despertado a curiosidade de vários países.
 

Como toda inovação institucional que promove mais competição no mercado de pagamentos, o PIX pode, por um lado, ter reduzido de alguma maneira a competitividade de administradoras de cartão de crédito. Por outro, porém, incentiva essas empresas a inovarem seus modelos de negócio. Nesse sentido, o Pix não parece ser uma ameaça.
 

Houve um ponto de tensão entre os interesses norte-americanos no mercado de pagamento instantâneo e o governo brasileiro, quando, em julho de 2020, o BC e o CADE suspenderam a função de pagamentos via WhatsApp, que exigia que usuários fizessem cadastro com cartões das bandeiras Mastercard e Visa.
 

As autoridades brasileiras alegaram que precisavam avaliar se existiam riscos de ameaça à concorrência e de problemas para o bom funcionamento do sistema de pagamentos no Brasil. Porém, o uso do WhatsApp para pagamentos foi liberado, mas isso ocorreu depois do lançamento do PIX. Isso pode inspirar a alegação de que o Brasil criou barreira para favorecer o sistema de pagamentos que o setor público lançou no fim do mesmo ano.
 

O Brasil não proibiu a operação de empresas norte-americanas no mercado de pagamentos, mas estabeleceu condições para que as empresas pudessem operar no país, o que se justifica dada a liberdade de cada nação em estabelecer seus próprios arranjos institucionais.
 

Ainda assim, o discurso populista de Trump pode sugerir que o entrave para o avanço do comércio digital no segmento de pagamentos instantâneos e transferência de recursos é inquestionável, já que o Banco Central do Brasil exerce tanto a função de regulador do mercado de pagamentos quanto a de operador do PIX. Porém, não há qualquer ameaça para o mecanismo de pagamento brasileiro.
 

Talvez, o que realmente importa para Trump sejam propostas de Pix internacional, que prometem ganhar mais adeptos dentro e fora do Brasil, especialmente quando percebemos as movimentações dos BRICS, cada vez mais alinhadas aos interesses da China.
 

Como sabemos, os interesses de política externa dos Estados Unidos não convergem com tais investidas. Isso explica em parte as trocas de provocações entre os presidentes dos Estados Unidos e Brasil após Trump declarar que ia aumentar tarifas de países que se alinhassem às “políticas anti-americanas” dos BRICS.
 

O fato, até o momento, é que a ameaça tarifária, aparentemente, ajudou a melhorar a popularidade de Lula. Agora, só podemos torcer para que a marcha da insensatez de lideranças populistas possa ser neutralizada por negociações baseadas nos princípios de pragmatismo e racionalidade.
 

*O conteúdo dos artigos assinados não representa necessariamente a opinião do Mackenzie.

 

Sobre a Universidade Presbiteriana Mackenzie  

A Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) foi eleita como a melhor instituição de educação privada do Estado de São Paulo em 2023, de acordo com o Ranking Universitário Folha 2023 (RUF). Segundo o ranking QS Latin America & The Caribbean Ranking, o Guia da Faculdade Quero Educação e Estadão, é também reconhecida entre as melhores instituições de ensino da América do Sul. Com mais de 70 anos, a UPM possui três campi no estado de São Paulo, em Higienópolis, Alphaville e Campinas. Os cursos oferecidos pela UPM contemplam Graduação, Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado, Extensão, EaD, Cursos In Company e Centro de Línguas Estrangeiras.
 

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