segunda-feira, julho 21, 2025

Governo brasileiro mudou percepção sobre Trump após americano reagir à fala de Lula na CNN

 Foto: Reprodução/Instagram/Arquivo

Donald Trump21 de julho de 2025 | 06:48

Governo brasileiro mudou percepção sobre Trump após americano reagir à fala de Lula na CNN

brasil

A percepção do governo brasileiro sobre a crise com Donald Trump mudou desde o dia em que a Casa Branca reagiu de forma imediata à entrevista em que Lula disse que o norte-americano não foi eleito para ser “imperador do mundo”.

Em questão de minutos, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que, ao contrário, Trump era o “líder do mundo livre”.

A resposta quase imediata, segundo integrantes do governo, mostrou que o Brasil é hoje prioridade para Trump, e não apenas mais um dos tantos países também ameaçados pelo norte-americano.

De acordo com uma autoridade que tem interlocução direta com o petista, os EUA não têm sido claros no que pretendem, levando à mesa pontos inegociáveis como o fim do inquérito contra Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal).

A investigação sobre práticas comerciais injustas, que poderia trazer maior clareza, deu a impressão contrária, de que Trump foi ‘catando tudo’ para juntar em um pacote incompreensível.

A conclusão, até agora, foi a de que o governo dos EUA não pretende fazer negociação de pontos concretos.

Por essa visão, Trump pretende, na verdade, enfraquecer o governo Lula, que não tem alinhamento automático com ele e busca um multilateralismo que tira o Brasil da esfera de uma incontrastável influência norte-americana.

É uma investida também contra o STF, que recém-enquadrou as big techs norte-americanas em regras legais que elas consideram inaceitáveis.

Mônica Bergamo/FolhapressPolitica Livre

Acusado de discriminação, Brasil é 13º país com mais empresas americanas

 Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo

Acusado de discriminação, Brasil é 13º país com mais empresas americanas21 de julho de 2025 | 08:05

Acusado de discriminação, Brasil é 13º país com mais empresas americanas

economia

O Brasil ocupa o 13º lugar no ranking de países com mais subsidiárias de empresas americanas no mundo, posição que contrasta com o discurso do governo Donald Trump de que há discriminação contra seu país no acesso ao mercado local.

Dificuldade para operar no país é uma das alegações feitas pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) na investigação aberta na esteira do anúncio da aplicação de sobretaxa de 50% sobre importação brasileiras a partir de agosto, anunciado por Trump.

Enquanto o tarifaço foi justificado politicamente, como uma punição pelo que o presidente americano chamou de caça às bruxas ao aliado Jair Bolsonaro (PL), a investigação dentro da chamada seção 301 pode gerar penalidades mais robustas e duradouras.

Isso porque ela já ocorre dentro de um marco legal consagrado, tanto que o Brasil já foi objeto dela no passado, assim como China e União Europeia. A apuração aponta dificuldades não tarifárias, regulatórias, ambientais e até a pirataria vendida na rua 25 de Março, em São Paulo.

Já a guerra tarifária de Trump é uma operação de vaivém declaratório por redes sociais, de efeitos e validade incertos.

O ranking com os cem países com mais empresas dos EUA foi compilado pela consultoria Moody’s Analytics, a pedido da Folha. Ele engloba as 178.681 subsidiárias com 25% ou mais de controle acionário de norte-americanos.

Disparados no topo da lista vêm antigos aliados de Washington: o Reino Unido, com 38,6 mil empresas, e o Canadá, com 22,6 mil. O próximo degrau, na casa das 9.000 firmas, é ocupado por Alemanha e Austrália, enquanto Singapura, Itália, Índia, Holanda e China orbitam o campo das 6.000.

Um pouco abaixo vêm Ilhas Cayman (5.269), França (4.988), Noruega (4.688) e, enfim, o Brasil com 4.686. Um grande parceiro comercial americano, México, vem em 15º com 4.233 subsidiárias dentro desse recorte.

Se isso não significa que é fácil trabalhar no Brasil, como qualquer tentativa de abrir ou fechar uma empresa por um empreendedor nativo mesmo comprova, mostra que tais dificuldades não parecem ter coibido o apetite americano no país.

Ele se mostrou crescente nos últimos anos, aqui usando o recorte de subsidiárias de empresas com faturamento líquido igual ou superior a US$ 25 milhões anuais, feito em um ranking de 2009 a 2022 pelo BEA (Escritório de Análise Econômica, na sigla inglesa), órgão do governo americano.

Enquanto o tarifaço foi justificado politicamente, como uma punição pelo que o presidente americano chamou de caça às bruxas ao aliado Jair Bolsonaro (PL), a investigação dentro da chamada seção 301 pode gerar penalidades mais robustas e duradouras.

Isso porque ela já ocorre dentro de um marco legal consagrado, tanto que o Brasil já foi objeto dela no passado, assim como China e União Europeia. A apuração aponta dificuldades não tarifárias, regulatórias, ambientais e até a pirataria vendida na rua 25 de Março, em São Paulo.

Já a guerra tarifária de Trump é uma operação de vaivém declaratório por redes sociais, de efeitos e validade incertos.

O ranking com os cem países com mais empresas dos EUA foi compilado pela consultoria Moody’s Analytics, a pedido da Folha. Ele engloba as 178.681 subsidiárias com 25% ou mais de controle acionário de norte-americanos.

Disparados no topo da lista vêm antigos aliados de Washington: o Reino Unido, com 38,6 mil empresas, e o Canadá, com 22,6 mil. O próximo degrau, na casa das 9.000 firmas, é ocupado por Alemanha e Austrália, enquanto Singapura, Itália, Índia, Holanda e China orbitam o campo das 6.000.

Um pouco abaixo vêm Ilhas Cayman (5.269), França (4.988), Noruega (4.688) e, enfim, o Brasil com 4.686. Um grande parceiro comercial americano, México, vem em 15º com 4.233 subsidiárias dentro desse recorte.

Se isso não significa que é fácil trabalhar no Brasil, como qualquer tentativa de abrir ou fechar uma empresa por um empreendedor nativo mesmo comprova, mostra que tais dificuldades não parecem ter coibido o apetite americano no país.

Ele se mostrou crescente nos últimos anos, aqui usando o recorte de subsidiárias de empresas com faturamento líquido igual ou superior a US$ 25 milhões anuais, feito em um ranking de 2009 a 2022 pelo BEA (Escritório de Análise Econômica, na sigla inglesa), órgão do governo americano.

Em 2009, havia 638 dessas empresas estabelecidas no Brasil. O número seguiu algo estável até 2014, quando pulou de 703 para 973, um salto de 38,4%. Curiosamente, a presidente na época era a petista ungida por Lula como sua sucessora no pleito de 2010, Dilma Rousseff.

A recessão sob seu governo e a tumultuada gestão de seu Michel Temer (MDB), que a sucedeu após o impeachment de 2016, contiveram a expansão americana: no ano eleitoral de 2018, havia 979 dessas firmas de maior porte no país.

O alinhamento aos EUA promovido pelo governo Bolsonaro, com Trump ocupando seu primeiro mandato como presidente, retomou levemente o crescimento: em 2022, havia 1.044 empresas. O BEA não tem dados posteriores aos daquele ano.

O argumento da dificuldades no Brasil foi usado também pelo encarregado de negócios da embaixada americana, Gabriel Escobar, durante reunião com empresários promovida pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) na terça (15).

Apadrinhado por Bolsonaro, o governador tenta se equilibrar na crise. Primeiro, culpou Lula pelo tarifaço. Tachado de traidor dos interesses nacionais, buscou dissociar o elemento político da crise e se mostrar como um negociador alternativo para ajudar as empresas paulistas —do estado saem 30% das exportações brasileiras aos EUA.

Fazendo isso, atraiu a ira do bolsonarismo, que depois acomodou-se para não exacerbar o racha na direita. Tarcísio é um dos nomes que pode enfrentar Lula na eleição do ano que vem. Por fim, com a imposição de medidas restritivas a Bolsonaro nesta sexta (18), voltou a defender o ex-chefe, mas sem falar em Trump.

Igor Gielow/FolhapressPolitica livre

Com Bolsonaro na tornozeleira, o Centrão terá de rever os planos eleitorais

Publicado em 20 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

A imagem mostra a silhueta de uma pessoa em um ambiente interno, com iluminação baixa. A figura está de perfil, destacando o contorno do rosto e do cabelo. Ao fundo, há uma parede clara e um sinal de direção à esquerda, indicando uma saída. A pessoa está vestindo um casaco escuro.

Bolsonaro agora está em prisão domiciliar preventiva

Dora Kramer
Folha

A truculência custou a reeleição a Jair Bolsonaro (PL) e agora o leva ao caminho do infortúnio pessoal e da inevitável perda de relevância no cenário nacional. A trilha foi aberta pelo filho Eduardo (PL) no afã de posar como fonte de inspiração de Donald Trump na ofensiva por imposição de prejuízos ao Brasil.

Começou exigindo anistia ao pai e acabou colocando nele uma tornozeleira de vigilância cautelar, a fim de que não repita a façanha de Carla Zambelli (PL) que fugiu do país nas barbas da justiça. É o mesmo 03 da bazófia sobre fechar o Supremo Tribunal Federal com “um cabo e um soldado”.

BANANINHA – Faz jus ao apelido dado em 2020 pelo então vice-presidente, Hamilton Mourão, ao sugerir que se trocasse o sobrenome dele de Bolsonaro para Bananinha.

Pois de novo atrapalhou-se ao se colocar como porta-voz de Trump, levando com ele a arrancada do projeto da direita para 2026. Os planos desse campo de ascender ao Palácio do Planalto terão de ser revistos. Ou o centrão dá meia-volta nessa aliança ou se afunda junto.

Flávio Bolsonaro (PL), senador e tido como o moderado da família, aludiu aos ataques atômicos ao Japão na Segunda Guerra para alertar sobre o risco de um confronto com os Estados Unidos. O irmão ecoou o exemplo dizendo, em tom de vanglória, que Trump ainda pode jogar “uma bomba nuclear” no Brasil.

JOGO POLÍTICO – A violência aí se expõe como método na resolução de conflitos. Uma via oposta à da política, arena em que os extremistas não sabem jogar com competência exigida para a obtenção de ganhos a longo prazo.

Conseguiram nos últimos sete anos (nada, em termos históricos) reunir batalhões de adeptos, mas perderam para a institucionalidade as batalhas impulsionadas por um DNA de selvageria incompatível com as ferramentas de urbanidade, astúcia, interpretação correta dos fatos e visão estratégica necessárias à consumação exitosa de projetos de poder.

Ao menos assim é no regime democrático que pretenderam destruir., mas foram impedidos de fazê-lo.

Ex-premier de Israel denuncia limpeza ética que sempre conduz ao genocídio


The two-state solution map that promised to solve Middle East crisis

Olmert exibe o plano de paz incluindo o Estado Palestino

Demétrio Magnoli
Folha

“Lamento, mas é um campo de concentração. Se os palestinos forem deportados para essa nova ‘cidade humanitária’, pode-se dizer que isso é parte de uma limpeza étnica.” A acusação não partiu da Autoridade Palestina, do Irã, de um governo árabe ou de algum ativista universitário nos EUA. São palavras de Ehud Olmert. Não vale descartá-lo como antissemita.

Olmert é um político conservador. Fez carreira no Likud, o partido de Netanyahu, até juntar-se ao então primeiro-ministro Ariel Sharon para fundar o Kadima, de centro-direita. Chefiou o gabinete de Israel entre 2006 e 2009 e, no apagar das luzes de seu governo, ofereceu à Autoridade Palestina o mais generoso plano de paz da história da Terra Santa.

OUTRA REALIDADE – Abbas hesitou e, no fim, recusou sob a alegação de que Olmert logo renunciaria a seu cargo. Foi sucedido por Netanyahu, que fez do Hamas um parceiro tácito na sabotagem permanente das negociações de paz. Os bárbaros atentados do Hamas e a guerra criminosa de Israel contra a população civil de Gaza foram cozidos no fogo desses 15 anos.

O antissemita do passado desenhava judeus com nariz adunco. O antissemita contemporâneo pinta Israel como Estado genocida desde a sua fundação. Escolhendo as palavras certas, com profundo pesar, Olmert acusa o governo de Netanyahu por crimes de guerra e aponta o plano de limpeza étnica, mas ressalva que isso “ainda não aconteceu”.

Ele certamente sabe, como todos os judeus, que limpeza étnica é o detonador clássico dos genocídios.

INIMIGO INTERNO – “Esses caras são o inimigo interno”, explica Olmert, referindo-se aos ministros supremacistas do governo israelense, que pregam a expulsão da população de Gaza e patrocinam a violência de colonos extremistas na Cisjordânia. São, adiciona, uma ameaça maior à segurança de Israel do que qualquer inimigo externo, pois colocam em risco a legitimidade histórica do Estado judeu.

Fazem, em suma, eficientemente, o serviço que o Irã, o Hamas e ativistas antissemitas de direita ou esquerda no Ocidente nunca conseguiram realizar.

A oferta do mapa da paz por Olmert, durante o derradeiro ciclo de negociações, não foi o gesto de um pacifista. Tal como, antes dele, Shimon Peres e Ehud Barak, seu objetivo era proteger os interesses vitais de Israel.

DOIS ESTADOS – Na Conferência de Annapolis (2007), ele iluminou o cenário: “Se chegar o dia no qual a solução de dois Estados entrar em colapso e nós enfrentarmos um conflito no estilo sul-africano pela igualdade de direitos de voto, o Estado de Israel terá chegado ao fim”. Claro: é precisamente um conflito desse tipo a meta dos defensores da solução de um Estado único “do rio até o mar”, que seria, cedo ou tarde, um Estado árabe-muçulmano.

Uma experiência trágica de dois séculos mostrou aos judeus que é mortalmente perigoso ser uma minoria nacional. O Estado judeu surgiu justamente para que os judeus nunca mais sejam uma minoria. Em meados do século 20, cerca de um quinto dos palestinos da Terra Santa eram cristãos; hoje, somam 1%. O destino dos judeus seria o mesmo no tal Estado único “do rio até o mar”.

A longo prazo, os supremacistas de Netanyahu que enterram a solução de dois Estados só podem conseguir a expulsão dos judeus de Israel. Eis o motivo pelo qual a diáspora judaica –nos EUA, na Argentina, no Brasil– precisa erguer sua voz contra a limpeza étnica.

Acossado por Trump, Lula busca repúdio internacional aos ‘extremismos’


Sem citar Trump, Lula diz que Brasil não aceita "interferência" | CNN Brasil

Lula tenta apoio para atacar Trump, mas está difícil

Jamil Chade
do UOL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai usar uma cúpula de líderes no Chile, nesta segunda-feira, para articular uma resposta conjunta de governos democráticos contra os avanços da extrema direita.

A iniciativa não tocará no nome de Donald Trump e foi organizada antes mesmo da ofensiva do americano contra o Brasil. Mas, nos últimos dias, o evento ganhou uma nova dimensão, inclusive diante das investidas contra a Colômbia, as barreiras comerciais contra o cobre do Chile e os ataques ao STF no Brasil.

SEM REPRESENTATIVIDADE – O presidente chileno, Gabriel Boric, será o anfitrião na reunião, que ainda contará com o uruguaio Yamandú Orsi, o colombiano Gustavo Petro e o espanhol Pedro Sánchez, além de Lula.

Dentro do Palácio do Planalto, estima-se que a região esteja “órfã” de um âmbito latino-americano que possa se posicionar contra o avanço da política externa americana.

No Mercosul, a agenda está em parte freada por Argentina e Paraguai, países que se aliaram à Casa Branca. Na OEA, a presença dos EUA impede qualquer debate mais contundente. Mesmo a Celac, esperança do Brasil de uma retomada de arranjo regional, foi minada por aliados de Trump no continente.

SEM CITAR TRUMP – No caso dessa cúpula, uma declaração final está sendo costurada. Mas o UOL apurou que não haverá uma menção explícita ao presidente americano. A consideração dos chilenos é de que, com a eleição se aproximando no país, transformar a cúpula num ato contra Trump pode acabar prejudicando a ala progressista nos cálculos eleitorais. A instabilidade na Colômbia tampouco ajuda.

Lula, porém, usará o palco para fazer um discurso na tarde de segunda-feira. Assessores prepararam uma mensagem “contundente” de defesa da soberania, diante dos ataques contra ministros do STF e tarifas impostas contra o Brasil.

Membros do governo consideram que a disputa está “apenas começando” e que a crise não será resolvida da noite para o dia, ou com uma negociação de abertura de mercados.

FORMA DE CENSURA – Além disso, um dos temas centrais do interesse do governo americano estará no centro das atenções em Santiago: a regulamentação das tecnologias e redes sociais. O governo Trump considera que isso seria uma forma de censura.

O documento deverá pedir um avanço neste sentido. O assunto é considerado central para frear o avanço da desinformação manipulada pela extrema direita.

Em nota, o governo brasileiro indicou que as discussões estarão organizadas em torno de três eixos centrais: defesa da democracia e do multilateralismo; combate às desigualdades; e tecnologias digitais e o enfrentamento à desinformação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Em tradução simultânea, Lula está completamente perdido. Depois de uma semana inteira de euforia, em que usou o nacionalismo brasileiro para ganhar apoio a um governo que inexiste, Lula enfim percebe que caiu numa armadilha. Entre os países da ONU que mantêm relações comerciais com os Estados Unidos e realmente têm alguma importância, apenas o Brasil não conseguiu renegociar as novas tarifas fixadas. (C.N.)

No país da “Matemágica”, PEC dos precatórios abala o frágil ajuste fiscal


Clayton Rebouças | Haddad cita compromisso com ajuste fiscal ao FMI #charge #cartum #cartoon #humor #política #humorpolitico #desenho #art #caricatura... | Instagram

(Charge do Clayton) Haddad como ministro, é uma piada

Alexandre Schwartsman
Estadão

Foi aprovada em dois turnos na Câmara, e devidamente encaminhada ao Senado, nova Proposta de Emenda Constitucional referente ao pagamento de precatórios, inclusive os federais. Até 2026, por decisão do Onipotente Supremo Tribunal Federal (apenas “Supremo” não mais descreve o atual status do Excelso Pretório), cerca de metade destes pagamentos não serão considerados para fins de aferimento da meta fiscal.

De forma mais simples, ao verificar se o resultado do Tesouro Nacional se encontra de acordo com a meta definida, diga-se, pelo próprio governo, é possível excluir tais gastos.

GASTO FANTASMA – Não que tenham deixado de existir: apenas permite-se que o Tesouro se gabe de ter atingido um resultado melhor do que aquele registrado pela fria contabilidade pública, que, aliás, é o que interessa para determinar se a dívida pública aumenta ou diminui.

Já a partir de 2027, graças à PEC, os precatórios de responsabilidade da União ficarão fora do limite de gastos (o avacalhado Novo Arcabouço Fiscal) e apenas parcialmente contabilizados para fins de aferição da meta (10% no primeiro ano, 20% no segundo e assim por diante).

Na prática, portanto, o Tesouro poderá registrar resultados abaixo das metas fiscais.

VEJAM EM 2027 – Por exemplo, em 2027, quando a meta fiscal requer superávit de 0,5% do PIB (cerca de R$ 75 bilhões), será possível abater dela 90% do montante de precatórios a serem pagos.

Segundo as projeções da Lei de Diretrizes Orçamentárias, trata-se de valor na casa de R$ 124 bilhões, ou seja, serão abatidos da meta R$ 111 bilhões. Ou seja, mesmo um déficit de R$ 36 bilhões (75 – 111) poderá ser comemorado como se superávit fosse.

Há certa controvérsia, mas, segundo a opinião de alguns analistas, também a exclusão dos precatórios do limite de despesas permitirá espaço para algum gasto adicional, porque, afinal de contas, que mal faz, né?

ENDIVIDAMENTO – A ginástica contábil, contudo, não muda a trajetória do endividamento público. Com ou sem PEC, NAF, OSTF ou qualquer outra sigla, a dívida seguirá crescendo à frente do PIB e, com ela, também a percepção de risco.

Quando quiserem entender as razões para poupadores só emprestarem ao Tesouro a juros reais superiores a 7% ao ano, não olhem para o Banco Central.

O culpado também mora em Brasília, mas em outro endereço.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Deus meu! A que ponto essa gente chega na manipulação dos recursos públicos. Por muito menos, Dilma Rousseff sofreu impeachment. Os petistas vivem a aplicar esses golpes de maquiagem contábil, e não acontece nada. Ninguém é demitido, cassado ou punido com bloqueio de bens. Por isso, a esculhambação se eterniza. Ainda bem que existem economistas como Alexandre Schwartsman, mas quem se interessa? (C.N.)

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