quarta-feira, julho 16, 2025

Roberto Marinho nunca foi jornalista, mas sabia vender o jornal ao governo


Companhia das Letras tentou barrar biografia de Roberto Marinho escrita por  jornalista | Jornalistas de Minas

Na mesa de Marinho não havia máquina de escrever

Carlos Newton

Exaltado nos 100 anos de O Globo, Roberto Marinho teria sido repórter e secretário de seu pai, Irineu Marinho, conforme consta no trabalho de seus supostos biógrafos, que transformaram a imagem dele num Frankenstein de múltiplos talentos ignorados. Ora, todos sabiam que ele não escrevia nada. Quando assinava algum texto, tinha sido preparado pelo editorialista, único funcionário do jornal que tinha saleta no gabinete dele.

Quando o pai Irineu Marinho morreu subitamente, um mês e três dias depois de lançar O Globo, Roberto tinha 26 anos e teve de assumir a administração do jornal, cuja redação era dirigida por Eurycles de Mattos, um grande jornalista baiano.

VENDER O JORNAL – Foi quando despontou a principal qualidade de Roberto Marinho, que garantiu a sobrevivência de O Globo. Ele sabia, como ninguém, vender o jornal… para quem estivesse no governo.

No decorrer da vida, Marinho foi desenvolvendo esse poder de adaptação à política, pagou todas as dívidas deixadas pelo pai e tornou-se cada vez mais importante, devido à qualidade do jornal, que sempre teve excelentes editores.

Em dezembro de 1944, Marinho deu um passo gigantesco e lançou a Rádio Globo para fortalecer seu apoio ao presidente Vargas e depois a Eurico Dutra, Arthur Bernardes, Washington Luís e novamente Vargas. Apoiou a todos.

LIGOU-SE A LACERDA – Em 1952, já era um homem muito rico e inaugurou a sensacional sede nova do jornal e da rádio, no Centro da Cidade, perto da Praça XI.

Dois anos depois, quando Vargas estava balançando, Marinho estrategicamente abriu os microfones da Rádio Globo para o deputado udenista Carlos Lacerda, que passou a demolir o presidente.

Foi a única vez que se viu O Globo na oposição, quando Vargas já não existia. E o jornal só voltaria a ser oposição recentemente, em 2019, quando Bolsonaro reduziu as verbas monstruosas da Organização

NOVA REALIDADE – Vida que segue, diria João Saldanha. Juscelino Kubitschek se elegeu em 1955 e Roberto Marinho soube conviver com a nova realidade. Imediatamente convidou Antônio Vianna de Lima, um dos maiores jornalistas mineiros, para ser editor de Política de O Globo.

Conforme contei aqui, Vianna era lendário por sua coragem. Em 1968, na véspera do AI-5, Marinho quis fazer uma cena na redação, mas Vianna o enfrentou, fazendo com que recuasse.

No entanto, o maior ato de coragem do jornalista ocorrera anos atrás, quando Juscelino sofria ataques incessantes e despropositados de Carlos Lacerda.

ATENTADO A LACERDA – No elevador da Câmara, que funcionava ainda no Rio de Janeiro, Vianna ouvira um deputado dizer que estava armado e iria atirar em Lacerda, caso ele continuasse a ofender JK. E não deu outra.

Lacerda assumiu a tribuna e o deputado, que era militar (capitão ou major, não lembro) posicionou-se diante do orador. Preocupado, Vianna chegou perto e ficou acompanhando a cena. Quando o parlamentar meteu a mão no paletó para apanhar a arma, o jornalista deu-lhe um soco e se atracou com ele. Imaginem confusão que deu. Toda a imprensa cobriu o assunto, mas a melhor reportagem foi de Murilo Mello Filho na “Manchete”, que está disponível na web.

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P.S.
 – O que mais me impressionou, na comemoração dos 100 anos de O Globo foram os relatos dos supostos biógrafos de Roberto Marinho, sobre a censura imposta à redação em 1968. Dei belas gargalhadas. Censura em O Globo? Há-há-há! (C.N.)

Pena prevista para Bolsonaro pode fazê-lo ficar preso até morrer


Jair Bolsonaro é réu no STF -- Metrópoles

Acusações exageradas causarão penas implacáveis

Mario Sabino
Metrópoles

Como tem 70 anos, mesmo com todas as reduções de pena, Bolsonaro pode morrer preso — ou no xadrez ou em prisão domiciliar. A cana para Jair Bolsonaro pode chegar, então, a 43 anos, se ele for condenado às penas máximas previstas para os crimes denunciados pela PGR.

Como tem 70 anos, mesmo com todas as reduções de pena que venha a ter direito, Jair Bolsonaro pode morrer preso — ou no xadrez ou em prisão domiciliar.

SEM SAÚDE – É duvidoso que ele tenha saúde para permanecer por muito tempo em uma cela de qualquer tipo. A pena imposta pela facada ao seu sistema digestivo está se mostrando implacável.

Ainda que venha a cumprir pena em prisão domiciliar, para além do padecimento pelas sequelas da facada, a sua personalidade não parece adaptável a privações de liberdade de qualquer tipo, ao contrário do que demonstrou Lula na sua passagem pelo xilindró.

Imagine-se Jair Bolsonaro impedido de enviar uma mensagem de WhatsApp ou de fazer uma postagem em rede social. Vai enlouquecer e enlouquecer quem está ao seu lado. Aliás, imagino que pipocarão denúncias sobre o ex-presidente ter desrespeitado as condições que lhe foram impostas pela prisão domiciliar. Será o novo passatempo da imprensa.

SEM PIEDADE -Nada do que escrevi implica ter piedade de Jair Bolsonaro, embora ache que ele será preso pelo que não fez. Também não tive pena de Lula, embora houvesse motivo concreto para a sua condenação.

Meu sentimento de justiça, no entanto, nunca se confundiu com satisfação pela desgraça alheia, e sempre fingi mal quando pretendi parecer o oposto.

Não que haja alguma elevação nisso. Talvez haja até um defeito moral em me colocar sempre na pele do outro, mesmo que ele me seja inimigo, ainda que ele seja o pior dos criminos

ANATOLE FRANCE – Em pesquisas literárias recentes, eu me deparei com um trecho de um escritor francês que atravessou aquela dobra de tempo que relega quase tudo ao esquecimento. O nome dele também recende a naftalina: Anatole France.

O trecho é sobre a invenção da prisão solitária: “Existe uma ferocidade peculiar aos povos civilizados, que ultrapassa em crueldade a imaginação dos bárbaros. Um criminalista é bem mais malvado do que um selvagem. Um filantropo inventou suplícios desconhecidos à Pérsia e à China. O carnífice persa faz os prisioneiros morrer de fome. Era preciso um filantropo para fazê-los morrer de solidão. É nisso exatamente que consiste o suplício da solitária.”

No seu magnífico Memórias do Cárcere, Graciliano Ramos, sempre lapidar, foi sucinto ao explicar o que sentia em relação ao horizonte que se estreita em uma prisão: “Comovo-me, em excesso, por natureza e por ofício, acho medonho alguém viver sem paixões”. É por aí.


Entre a retaliação e a estratégia: A resposta do Brasil ao tarifaço de Trump

Publicado em 16 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Charge do Jôantas(politicadinamica.com)

Pedro do Coutto

Em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos, o presidente Lula da Silva decidiu regulamentar a chamada lei da reciprocidade, um instrumento que pode permitir ao Brasil aplicar medidas semelhantes contra produtos norte-americanos. A iniciativa surge após o presidente Donald Trump, em seu segundo mandato, anunciar sobretaxas de até 50% sobre produtos brasileiros como aço, carne e derivados agrícolas, a partir de 1º de agosto.

A decisão americana é justificada como um movimento protecionista, voltado a reequilibrar a balança comercial, mas é vista no Brasil como uma ação agressiva, com fortes impactos sobre as exportações nacionais. Diante disso, o governo brasileiro tenta reagir com firmeza, mas enfrenta um dilema delicado: as transações comerciais não ocorrem entre governos, mas sim entre empresas privadas.

EFEITOS REAIS – Portanto, a aplicação de tarifas em resposta precisa considerar os efeitos reais sobre a cadeia produtiva brasileira. Taxar produtos americanos de forma genérica, sem uma análise criteriosa, pode acabar punindo distribuidores nacionais ou mesmo consumidores brasileiros que dependem desses bens importados. É por isso que o governo incluiu empresários e especialistas do setor para mapear os impactos do tarifaço americano e propor caminhos que equilibrem soberania com bom senso.

Ainda assim, a reação brasileira tem méritos. Ao anunciar a regulamentação da lei de reciprocidade, Lula sinaliza que o país não aceitará passivamente imposições unilaterais, como tantas vezes ocorreu no passado. Há, portanto, um gesto de autonomia importante.

Mas ele precisa ser sustentado por inteligência estratégica. O mercado internacional é complexo e multifacetado, e as retaliações comerciais podem ter efeitos colaterais amplos, atingindo justamente as empresas que o governo pretende proteger. Um erro comum — e perigoso — é confundir as esferas pública e privada, como se todo comércio exterior fosse exclusivamente estatal.

CAUTELA – O Brasil, portanto, precisa agir com cautela. A reciprocidade não pode ser cega. Ainda que seja legítimo revidar, é essencial compreender a estrutura das transações comerciais e evitar que a resposta se transforme em armadilha. A taxação de produtos americanos, se mal calibrada, pode provocar prejuízos internos maiores do que os ganhos simbólicos da retaliação.

Por isso, o texto final da regulamentação será decisivo. Só com ele em mãos será possível avaliar se a reação está à altura do desafio ou se se trata apenas de uma resposta impulsiva. De toda forma, o gesto inicial foi positivo. Mostra que o Brasil está disposto a se posicionar no cenário internacional com altivez e firmeza.

Mas firmeza, no campo da diplomacia comercial, não é sinônimo de bravata — é, sobretudo, sinônimo de estratégia. O país precisa proteger seus interesses, mas também preservar sua integração com os fluxos globais de produção e consumo. O equilíbrio entre reação e racionalidade será a chave para que o governo Lula transforme uma provocação externa em uma oportunidade de fortalecimento da posição brasileira no comércio mundial.


‘Porque posso’, responde Trump sobre aplicar tarifas de 50% ao Brasil

Foto: Reprodução/Instagram
O presidente dos EUA, Donald Trump15 de julho de 2025 | 20:25

‘Porque posso’, responde Trump sobre aplicar tarifas de 50% ao Brasil

economia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi questionado nesta terça-feira (15) sobre a razão de ter aplicado sobretaxa de 50% aos produtos importados do Brasil, mesmo com superávit em relação ao país, e respondeu: “porque posso”.

“Eu estou fazendo porque posso fazer, ninguém mais conseguiria fazer. Temos tarifas em vigor porque queremos tarifas e queremos o dinheiro (das taxas) vindo para os EUA”, disse o republicano.

“Mas há dois aspectos sobre tarifas: o dinheiro que entra e, o outro aspecto, em vez de pagar tarifas, o país ou a empresa vão produzir nos EUA e isso cria empregos”, afirmou.

Na carta endereçada ao presidente Lula (PT), Trump afirma erroneamente que os EUA têm déficit com o Brasil. O país americano, na verdade, registra superávit comercial com o Brasil há 17 anos.

A motivação econômica é citada ao final da carta, em trecho semelhante ao que ele tem enviado a outros países. No início do documento, Trump afirma haver uma caça às bruxas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e cita “centenas de ordens secretas” que censurariam a liberdade de expressão dos americanos como justificativa para as tarifas.

Ainda nesta terça, em outro momento da mesma entrevista que deu a jornalistas enquanto deixava a Casa Branca, Trump falou sobre Bolsonaro, ao ser questionado sobre a denúncia feita pela PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o ex-presidente.

Trump perguntou se Bolsonaro iria a julgamento agora e quando começaria, adicionando o comentário: “ele ainda não foi condenado, certo?”.

Em seguida, o presidente afirmou que não é amigo de Bolsonaro, mas acredita que ele é um “bom homem” e que não é desonesto.

“Olha, ele não é como um amigo meu. Ele é alguém que eu conheço, e eu o conheço como um representante de milhões de pessoas, brasileiros. Eles são ótimas pessoas, e ele ama o país, e ele lutou muito por essas pessoas, e eles querem colocá-lo na prisão”, disse.

“Eu acho que isso é uma caça às bruxas, e acho que é muito lamentável, e ninguém está feliz com o que o Brasil está fazendo, porque Bolsonaro foi um presidente respeitado”, repetiu o presidente americano.

Julia Chaib/Folhapress

Politica Livre 

‘Vou fazer 120 deputados e 20 senadores’, diz Bolsonaro sobre eleições de 2026

 Foto: Pedro França/Agência Senado/Arquivo

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)15 de julho de 2025 | 21:16

‘Vou fazer 120 deputados e 20 senadores’, diz Bolsonaro sobre eleições de 2026

brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira, 15, que deve eleger até 120 deputados federais alinhados com a direita em 2026. A declaração foi dada em entrevista concedida ao jornal Poder360.

“Eu tenho certeza, vou fazer uns 120 deputados federais na próxima (eleição). O PL faz pelo menos 20 senadores pelo Brasil”, aposta o político.

O ex-presidente explica a influência que pode exercer por meio de parlamentares de direita. “Com metade do Senado, vou mandar mais que o presidente da República. Não adiante ele (o presidente) indicar o João (nome fictício) para o Supremo, que eu falo para o pessoal ‘aprova ou não aprova’”.

A declaração do ex-presidente na entrevista ocorreu após ser perguntado se ele busca um indulto contra possível condenação na trama golpista, uma vez que o hipotético perdão viria do Parlamento. Ele negou e respondeu “quero um Senado forte para equilibrar os Poderes”.

Questionado se o objetivo então seria conseguir o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro disse “não queremos perseguir ninguém”. O motivo, segundo ele, para focar na eleição de senadores e deputados, seria se proteger. “Se você me vê forte, você não me provoca”.

A tentativa de ampliar a influência no Congresso reflete o desejo de Bolsonaro de continuar exercendo influência política, mesmo estando inelegível até 2030. Em ato realizado na Avenida Paulista em junho, Bolsonaro já tinha pedido: “se vocês me derem, por ocasião das eleições do ano que vem, 50% da Câmara e 50% do Senado eu mudo o destino do Brasil”.

Bolsonaro ainda ressalta que os senadores não precisam, necessariamente, integrar o PL, seu partido, para lhe apoiar. “Tem Estado que não vamos ter candidatos, mas sentamos com outros partidos que terão mais chance e estamos juntos. […] Acreditamos que dos 54 (mandatos) em jogo (no Senado), 44 estarão alinhados com a direita”. Bolsonaro afirma que, ao todo, deve ter 60 senadores que o seguirão.

Fellipe Gualberto/EstadãoPolitica Livre

Governo dos EUA abre investigação comercial contra o Brasil

Foto: Daniel Torok/Divulgação Casa Branca
O presidente dos EUA, Donald Trump15 de julho de 2025 | 21:45

Governo dos EUA abre investigação comercial contra o Brasil

economia

O governo dos Estados Unidos abriu uma investigação comercial contra o Brasil. A apuração, a cargo do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), vai avaliar práticas do país em áreas como comércio eletrônico e tecnologia, taxas de importação e desmatamento, segundo comunicado divulgado nesta terça-feira (15).

“Sob o comando do presidente Donald Trump, eu abri a investigação sobre os ataques do Brasil às empresas de rede social americanas e outras práticas comerciais injustas”, disse, em nota, Jamieson Greer, o representante dos EUA para o comércio.

O documento que detalha a investigação diz que o Brasil pode estar prejudicando a competitividade de empresas americanas ao retaliar redes sociais por elas não censurarem conteúdo político e restringir a capacidade das empresas de oferecer serviços.

O texto não cita diretamente as decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) para remoção de conteúdo golpista, mas o ponto foi levantado por Trump quando anunciou a sobretaxa de 50% às exportações do Brasil para os EUA. No ano passado, o X (antigo Twitter) foi derrubado no país por determinação da corte.

A decisão cita também “tarifas preferenciais e injustas”, falta de práticas anticorrupção, problemas de propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, desmatamento ilegal e discriminação aos americanos no comércio.

Sobre as tarifas praticadas pelo Brasil, a investigação vai se debruçar sobre taxas supostamente menores cobradas pelo Brasil de países que competem com os EUA, segundo o documento.

A decisão leva em conta também “a falha do Brasil em aplicar medidas anticorrupção e de transparência”. Não há detalhamento de como isso teria acontecido.

Em relação à propriedade intelectual, o documento diz que o Brasil “aparentemente nega proteção efetiva e adequada”, o que prejudicaria trabalhadores americanos que trabalham em setores criativos e de inovação.

No etanol, a acusação é a de que o Brasil deixou de demonstrar disposição em providenciar um tratamento sem taxas para o combustível americanos. “Ao contrário, agora aplica uma tarifa substancialmente maior às exportações americanas”, afirma.

Além disso, o governo americano disse que o Brasil estaria falhando em aplicar efetivamente leis e regulações destinadas a parar com o desmatamento ilegal.

A investigação comercial que Donald Trump determinou contra o Brasil tem potencial de gerar danos adicionais à economia brasileira. A iniciativa traz riscos de novas sanções, consideradas de difícil reversão.

Na mesma carta em que anunciou um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros e se queixou de perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Trump instruiu o USTR a abrir um procedimento contra o Brasil com base na chamada seção 301.

Vinculado a uma legislação americana de 1974, o regulamento autoriza o governo dos EUA a retaliar, com medidas tarifárias e não tarifárias, qualquer nação estrangeira que tome práticas vistas como injustificadas e que penalizam o comércio americano.

As normas dos EUA exigem que o país alvo da investigação seja ouvido e apresente argumentos. O processo costuma durar 12 meses a partir do início da apuração.

Atualmente, o principal alvo dessa retaliação é a China. Em 2018, ainda em seu primeiro mandato, Trump aplicou tarifas punitivas contra o país asiático por ações consideradas desleais nas áreas de transferência de tecnologia, propriedade intelectual e inovação.

As tarifas atingiram um total de US$ 370 bilhões em produtos chineses. Sete anos depois, continuam em vigor e foram ampliadas para o setor naval.

Barbara Medrado, advogada de direito do comércio internacional na King & Spalding, disse à reportagem na semana passada que os riscos de uma investigação com base na seção 301 são tão grandes ou até piores do que o anúncio das tarifas de 50%.

Na opinião da especialista, enquanto a sobretaxa tem maior margem para ser questionada na Justiça americana, uma vez que Trump não escondeu a motivação política por trás dela, eventuais punições com base na seção 301 são mais complexas e de difícil reversão.

“Tarifas com base na 301 já foram contestadas na Justiça dos EUA. A legalidade dessas medidas foi confirmada e as tarifas continuam em vigor por anos”, diz.

Barbara levanta ainda outro ponto: há anos o Brasil é incluído em relatório do USTR que analisa práticas de parceiros comerciais dos americanos, e sempre há queixas sobre temas como propriedade intelectual e falsificação de produtos.

Dessa forma, já há reclamações na administração americana para fundamentar a investigação.

Leia abaixo os itens que o USTR afirma que irá investigar, com os elementos apontados pelo governo americano.

  • Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico: “O Brasil pode prejudicar a competitividade das empresas americanas desses setores, por exemplo, retaliando contra elas por não censurarem discursos políticos ou restringindo sua capacidade de prestar serviços no país”.
  • Tarifas preferenciais injustas: “O Brasil concede tarifas mais baixas e preferenciais às exportações de determinados parceiros comerciais globalmente competitivos, em detrimento das exportações dos EUA”.
  • Aplicação de medidas anticorrupção: “A falta de aplicação, por parte do Brasil, de medidas anticorrupção e de transparência levanta preocupações em relação às normas para combate ao suborno e à corrupção”.
  • Proteção à propriedade intelectual: “O Brasil aparentemente nega proteção e aplicação adequadas e eficazes dos direitos de propriedade intelectual, prejudicando trabalhadores americanos cujos meios de subsistência dependem dos setores impulsionados pela inovação e criatividade dos EUA”.
  • Etanol: “O Brasil deixou de lado sua disposição de conceder tratamento praticamente livre de tarifas ao etanol americano e, em vez disso, passou a aplicar uma tarifa substancialmente mais alta às exportações americanas de etanol”.
  • Desmatamento ilegal: “O Brasil parece não aplicar de forma eficaz as leis e regulamentações destinadas a impedir o desmatamento ilegal, prejudicando a competitividade dos produtores americanos de madeira e produtos agrícolas”.

Lucas Marchesini/Folhapress

Politica Livre 

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