terça-feira, julho 15, 2025

Hugo Motta emprega em gabinete da Câmara três funcionárias fantasmas

 Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/Arquivo

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB)15 de julho de 2025 | 14:45

Hugo Motta emprega em gabinete da Câmara três funcionárias fantasmas

brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), empregou em seu gabinete três funcionárias com rotinas incompatíveis com as funções que deveriam exercer no Legislativo: uma fisioterapeuta, uma estudante de medicina e a assistente social de uma prefeitura na Paraíba.

Todas são contratadas no cargo de secretário parlamentar, com jornada de 40 horas semanais, proibição de exercer outra função pública e sem necessidade de bater o ponto com biometria na Câmara. Uma mora em Brasília e outras duas em João Pessoa, capital da Paraíba.

Motta mandou demitir 2 das 3 servidoras após ser procurado pela reportagem para explicar o caso. A assessoria do deputado só confirmou a ordem na tarde desta terça-feira (15). As demissões ainda não foram publicadas no boletim da Câmara.

Apenas neste ano elas tiveram vencimentos somados de R$ 112 mil, incluindo salários, auxílios e gratificações. Procuradas, elas se recusaram a dar informações detalhadas sobre os serviços prestados ao gabinete do deputado.

Para revelar a existência dos três casos, o jornal Folha de S.Paulo comparou informações de bancos de dados oficiais, de processos judiciais e de redes sociais, procurou órgãos públicos e teve acesso a documentos dos contratos, além de acompanhar a rotina das funcionárias.

Gabriela Pagidis é fisioterapeuta. Ela atende em uma clínica de Brasília às segundas e quartas-feiras, durante todo o dia. Às terças e quintas à tarde, ela dá expediente em outra clínica no Núcleo Bandeirante, região administrativa do Distrito Federal que fica a 18 km da Câmara.

A informação sobre os horários de trabalho foi confirmada pelos dois estabelecimentos. A jornada de segunda-feira e quarta-feira consta também em sistema do Ministério da Saúde.

Torcedora do Fluminense, ela publicou uma foto em suas redes sociais no dia 1º de julho dentro da clínica, ao lado de uma maca e de aparelhos de fisioterapia, com uma camiseta do time do coração. “Ai como se veste bem para trabalhar…”, escreveu, em alusão à vitória do clube no dia anterior.

A reportagem acompanhou sua rotina e verificou que nas terças e quintas de manhã, turno no qual não trabalha como fisioterapeuta, ela vai a uma academia ao lado de casa.

O segundo caso é o de Louise Lacerda, filha do ex-vereador Marcílio Lacerda (Republicanos-PB), do município de Conceição (PB). Ela estuda medicina na Faculdade Nova Esperança, em João Pessoa. De acordo com a instituição, o curso é em período integral e diurno.

Na capital paraibana também está Monique Magno, que, além de ter um cargo no gabinete de Motta, é assistente social na prefeitura de João Pessoa (PB) há quatro anos.

A prefeitura enviou à reportagem a folha de ponto de Monique, com carga horária de 30 horas semanais. Mesmo que o acúmulo de funções não fosse proibido pela Câmara, ela teria que trabalhar 14 horas por dia, sem almoço, para cumprir as duas jornadas de trabalho.

Motta fala em cumprimento rigoroso das obrigações

Motta afirmou por meio de sua assessoria que “preza pelo cumprimento rigoroso das obrigações dos funcionários de seu gabinete, incluindo os que atuam de forma remota e são dispensados do ponto dentro das regras estabelecidas pela Câmara”.

A reportagem pediu acesso ao registro de ponto dos funcionários, mas o gabinete de Motta se recusou a fornecer a documentação. O parlamentar também não informou qual a função das funcionárias citadas e qual seu horário de trabalho.

O presidente da Câmara está na Casa desde 2011 e mantém essas funcionárias, com funções incompatíveis com as atividades do gabinete, desde 2017.

Filha da então chefe de gabinete de Motta, Pagidis foi contratada em 1º de junho de 2017 com um salário bruto de R$ 4,4 mil. Hoje, ela recebe R$ 11,5 mil brutos mais R$ 1,8 mil em auxílio.

Na época, ela estudava fisioterapia na UnB (Universidade de Brasília). O curso é diurno e oferecido no campus de Ceilândia, a 30 km da Câmara. Ela concluiu a faculdade no segundo semestre de 2019.

Questionada sobre o que faz no gabinete, ela disse que “geralmente cuida da agenda, mais voltado para a organização”. “Agora está mais na mão da presidência [da Câmara], mas eu trabalho com isso. Agenda, eventos”, acrescentou.

Sobre o seu trabalho de fisioterapia, ela disse que era esporádico. Ao ser questionada sobre como conciliava as funções, encerrou a ligação. Depois, fechou sua página nas redes sociais.

No dia seguinte, ela voltou a publicar uma foto ao deixar a academia —a 18 km da Câmara— às 11h11. “Para não perder o costume…”, escreveu na legenda. Na sexta-feira (11), postou fotos em um passeio no zoológico de Brasília ao longo do dia.

A estudante Louise Lacerda entrou no gabinete de Motta em agosto de 2018 com um salário de R$ 2.800, o mesmo de hoje, mais R$ 1.800 mil em auxílio. Na época, cursava faculdade de farmácia.

No ano seguinte, foi aprovada em uma faculdade de medicina e passou seis meses em Mossoró (RN).

No começo de 2020, conseguiu a transferência para uma instituição em João Pessoa, na qual se formou no início deste mês. No período, ela ainda foi aprovada para ingressar num curso de extensão em outra faculdade de João Pessoa.

Seu pai, Marcílio Lacerda, foi vereador por três mandatos em Conceição (PB). Em 2024, ele se candidatou pelo Republicanos para a prefeitura da cidade. O tio, Nilson de Lacerda, foi prefeito de Conceição e é suplente de deputado estadual, também pelo Republicanos. O presidente da sigla no estado é Motta.

Louise desligou o telefone ao ser informada sobre o assunto, não respondeu aos questionamentos e bloqueou a reportagem no WhatsApp.

O terceiro caso é o de Monique Magno, filha de uma advogada da Paraíba que também foi funcionária de Motta. Monique entrou no gabinete em junho de 2019 com salário de R$ 1.200. Hoje, recebe R$ 1.800 bruto, que se soma a outros R$ 1.800 em auxílio.

Essa não é a única renda de Magno. Ela também é assistente social na prefeitura de João Pessoa desde abril de 2021, onde ganha R$ 2.000 brutos. Seu horário na prefeitura é de 8h às 14h, de acordo com sua folha de ponto. A Câmara proíbe o acúmulo do cargo com outras funções públicas.

Pelo menos durante um período em 2021, no entanto, o horário dela na prefeitura era das 10h às 17h. Ao assinar o contrato, de acordo com documento a que a reportagem teve acesso, ela ainda informou não prestar serviço para outro órgão público.

Ao ser questionada pela reportagem, desligou a ligação. Dias depois, respondeu uma mensagem dizendo trabalhar nos dois empregos, “cumprir os horários certinho e ainda acumular” os cuidados de uma criança, “sendo mãe solo”.

A Prefeitura de João Pessoa afirmou que “desde o ingresso da servidora, no ano de 2021, não foi informada de qualquer outro vínculo existente”. “Toda a documentação exigida no ato de contratação foi apresentada, incluindo declaração de não haver vinculação a outra instituição pública”, acrescentou.

Em processo judicial a que respondeu, Monique apresentou os extratos bancários do salário da prefeitura para solicitar justiça gratuita. Em nenhum momento, ela se identificou como funcionária da Câmara dos Deputados.

Além dos três casos, Motta também emprega em seu gabinete a ex-sogra do seu pai, Maria do Carmo Brito. Ela é a mãe de Milena Brito, que foi casada com Nabor Wanderley, pai de Hugo Motta e prefeito de Patos (PB), com quem teve duas filhas.

Maria do Carmo recebe R$ 2.900 brutos mais R$ 1.800 em auxílios desde julho de 2020. A esse valor ela soma uma aposentadoria como auxiliar de enfermagem para o governo estadual de R$ 3.000 brutos.

Em um processo por usucapião de 2021, quando já estava no gabinete, alegou não ter emprego e ser só aposentada. Além disso, políticos da cidade natal de Motta ouvidos pela reportagem se espantaram ao saber que ela tinha um cargo no gabinete. Ela foi procurada, mas desligou a ligação quando a reportagem se identificou.

Lucas Marchesini/Raphael Di Cunto/FolhapressPolitica Livre

Denúncias da Procuradoria contra golpistas são vergonhosas e exageradas demais

 

Denúncias da Procuradoria contra golpistas são vergonhosas e exageradas demais

Gonet conclui parecer e deve pedir condenação de BolsonaroAna Pompeu e José Marques
Folha

Em cima da hora, momentos antes do fim do prazo, que era às 23h59, a PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu na noite desta segunda-feira (14) a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e dos outros sete réus do núcleo central da trama golpista.

O posicionamento está nas alegações finais da acusação no processo, entregue por Paulo Gonet ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). A expectativa no Supremo é que o processo sobre a tentativa de golpe de Estado esteja pronto para ir a julgamento no início de setembro.

INELEGÍVEL – O ex-presidente já foi condenado pelo TSE por ataques e mentiras sobre o sistema eleitoral e é réu no STF sob a acusação de ter liderado a trama golpista de 2022. Hoje está inelegível ao menos até 2030.

Caso seja condenado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado, a pena pode passar de 40 anos de prisão.

O procurador-geral ressalta ainda que, pelo exposto, “todos os personagens do processo em que a tentativa do golpe se desdobrou são responsáveis pelos eventos que se concatenam entre si”.

TODOS SÃO CULPADOS – “Ainda que nem todos tenham atuado ativamente em todos os acontecimentos relevantes na sequência de quadros em que se desdobraram as ações contra as instituições democráticas, todos os denunciados colaboraram, na parte em que lhes coube em cada etapa do processo de golpe, para que o conjunto de acontecimentos que compõem os crimes denunciados ganhasse realidade, entrosando-se numa concordância de sentido e finalidade”, diz a PGR no documento.

Na Presidência, Bolsonaro acumulou uma série de declarações golpistas às claras, provocou crises entre os Poderes, colocou em xeque a realização das eleições de 2022, ameaçou não cumprir decisões do STF e estimulou com mentiras e ilações uma campanha para desacreditar o sistema eleitoral do país.

Após a derrota para Lula, incentivou a criação e a manutenção dos acampamentos golpistas que se alastraram pelo país e deram origem aos ataques do 8 de Janeiro.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É uma peça que exibe às escâncaras a incompetência da Justiça brasileira, e tende a ser aprovada com louvor, nesse tempo de falsos juristas. Não há provas de tentativa de golpe, apenas de planejamento, que não é crime. Além disso, para aumentar as apenas, o ministro Moraes incluiu dois crimes excludentes entre si – tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito e golpe de Estado.  Seria um ou o outro. Da mesma forma, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado significam a mesma coisa, é a chamada justiça em dobro. (C.N.)


Fraude Eleitoral: Maragogipe e o Alerta para Jeremoabo

 

Fraude Eleitoral: Maragogipe e o Alerta para Jeremoabo

A Justiça Eleitoral da Bahia reafirmou seu compromisso com a lisura do processo democrático ao determinar a cassação dos mandatos de cinco vereadores da cidade de Maragogipe, no Recôncavo baiano. A decisão, confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) nesta segunda-feira (14) e proferida na última quinta-feira (10), decorre de fraudes nas cotas de gênero. Além da cassação dos eleitos em 2024, duas candidatas que não obtiveram vitória nas urnas foram punidas com a inelegibilidade por oito anos, um sinal claro da gravidade das infrações.

O caso de Maragogipe ecoa como um forte alerta para outros municípios, especialmente Jeremoabo. A pergunta que não cala, diante do julgamento que se aproxima amanhã no TRE-BA, é: será que a suposta "maldição dos capuchinhos" fará com que Jeremoabo seja uma exceção, e permaneça na contramão da história, permitindo que práticas eleitorais questionáveis sigam impunes?

A denúncia de supostas candidaturas fictícias para a Câmara de Vereadores de Jeremoabo em 2024 coloca o município sob o escrutínio da Justiça Eleitoral. A sociedade espera que o mesmo rigor aplicado em Maragogipe seja replicado, garantindo que a vontade popular e a integridade do sistema eleitoral sejam plenamente respeitadas. A hora é de transparência e de reafirmação dos princípios democráticos.

Eduardo Bolsonaro volta a atacar Tarcísio e fala em ‘subserviência servil às elites’

 Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados/Arquivo

Eduardo Bolsonaro15 de julho de 2025 | 11:21

Eduardo Bolsonaro volta a atacar Tarcísio e fala em ‘subserviência servil às elites’

brasil

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a atacar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“Se você estivesse olhando para qualquer parte da nossa indústria ou comércio, estaria defendendo o fim do regime de exceção que irá destruir a economia brasileira e nossas liberdades. Mas como, para você, a subserviência servil as elites é sinônimo de defender os interesses nacionais, não espero que entenda.”

Um dia antes, em entrevista à Folha, Eduardo disse que Tarcísio errou ao tentar negociar uma saída para as tarifas de 50% com a Embaixada dos Estados Unidos. “É um desrespeito comigo”, disse.

“Nós já provamos que somos mais efetivos até do que o próprio Itamaraty. O filho do presidente, exilado nos Estados Unidos. Queria buscar uma alternativa lateral. É um desrespeito comigo. Mas eu não estou buscando convencimento da população, eu estou buscando pressionar o Moraes.”

A nova reação de Eduardo ocorre em cima de uma resposta de Tarcísio à CNN Brasil. “Sem problema [crítica de Eduardo]”, afirmou o governador à emissora. “Neste momento, estou olhando para São Paulo, para o seu setor industrial, para sua indústria aeronáutica, de máquinas e equipamentos, para o nosso agronegócio, para nossos empreendedores e trabalhadores”.

Cotado como candidato a presidente no ano que vem, Tarcísio buscou minimizar o desgaste diante da crise do tarifaço anunciado por Donald Trump e, na semana passada, fez uma rodada de conversas que passou por Bolsonaro, por ministros do STF e pelo chefe da embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

O governo Lula tem associado as consequências econômicas do tarifaço à oposição, inclusive a Tarcísio, aliado de Bolsonaro.

FolhapressPolitica livre

O desafio brasileiro diante do tarifaço de Trump

Publicado em 15 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Charge do J.Bosco (oliberal.com)

Pedro do Coutto

O anúncio recente do presidente Donald Trump de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros — como aço, café, carne e alumínio — não apenas criou uma crise diplomática com o Brasil, como também desencadeou reações imediatas do governo Lula. Nesta terça-feira, o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, anunciará que o governo editará um decreto para regulamentar a resposta brasileira ao impacto dessas tarifas.

Como se esperava, a reação interna foi de coesão: Lula contou com apoio expressivo da indústria nacional e de diferentes setores políticos. O sentimento geral é de que o Brasil precisa, com urgência, formular uma estratégia clara e assertiva para proteger suas exportações e sua base produtiva. A preocupação da indústria é palpável — afinal, os Estados Unidos seguem sendo um dos maiores parceiros comerciais do Brasil, sobretudo em segmentos industriais de alto valor agregado.

RETALIAÇÃO – O situação escancarou o desconforto diplomático e também expôs uma verdade incômoda: o tarifaço de Trump ameaça diretamente o desempenho da balança comercial brasileira e a confiança nos acordos multilaterais. Lula, porém, evita o caminho da retaliação desordenada. Segundo fontes da Câmara Americana de Comércio, a expectativa é de que a medida brasileira siga princípios legais, possivelmente apoiada pela recém-regulamentada lei de reciprocidade.

Essa resposta, que deve vir na forma de um decreto ainda hoje, pode representar um ponto de inflexão na relação comercial Brasil-EUA. A equipe econômica trabalha sob forte pressão para encontrar uma saída que preserve os interesses brasileiros sem incendiar de vez a relação bilateral.

CAUTELA – Especialistas como Monica de Bolle (Peterson Institute for International Economics) e Cláudio Frischtak (Inter.B Consultoria) apontam que a medida de Trump pode estar mais vinculada ao cenário interno americano — uma tentativa de galvanizar apoio de setores industriais em estados-chave para sua reeleição — do que a qualquer justificativa econômica sólida. O próprio mercado financeiro americano reagiu com cautela, indicando que o aumento de tarifas poderá afetar também a cadeia produtiva dos Estados Unidos, especialmente em setores que dependem de insumos brasileiros.

A partir de 1º de agosto, o Brasil pretende aplicar sua nova estratégia comercial, que está sendo construída com base em dados técnicos, diálogo com o setor produtivo e forte articulação diplomática. O objetivo é duplo: mitigar os danos imediatos e evitar que o episódio crie jurisprudência para novos ataques protecionistas no futuro.

A crise, por mais grave que pareça, também traz uma oportunidade: revisar e fortalecer a política industrial brasileira, apostar em acordos comerciais mais diversificados e diminuir a dependência de mercados voláteis. Em tempos de nacionalismos exacerbados, manter a sobriedade e a legalidade como guia pode ser a chave para preservar a soberania sem perder o bom senso.

Trama golpista: a pergunta que deixou indignada a defesa de Mauro Cid

Publicado em 15 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

O tenente-coronel Mauro Cid no STF, antes de interrogatório

Advogado acusa Mauro Cid de também apoiar o golpe

Rafael Moraes Moura
O Globo

A defesa do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, ficou indignada com uma das perguntas formuladas nesta segunda-feira (14) pelo advogado Jeffrey Chiquini, responsável pela defesa do ex-assessor especial de assuntos internacionais Filipe Martins.

Martins é um dos réus que respondem à denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por envolvimento numa trama golpista para impedir a posse de Lula e manter Bolsonaro no poder.

CID GOLPISTA – Incisivo, Chiquini bombardeou Cid com uma série de questões sobre o teor de reuniões reservadas durante o governo Bolsonaro que ele relatou, o confrontou com documentos que constam nos autos – e insistiu se o tenente-coronel queria o golpe.

O questionamento sobre a opinião pessoal do delator sobre a trama golpista contrariou a defesa do militar, que fechou um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal e depõe  na condição de informante.

A pergunta foi considerada “impertinente” pelo relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, que a indeferiu – e desobrigou Cid de ter que respondê-la.

MORAES INDEFERIU – “O advogado fez várias perguntas impertinentes, que não tinham relação com a causa em discussão. Uma delas foi no sentido de que ‘se o governador Tarcísio teria entrado no Alvorada na mesma data em que o Filipe Martins e se teria ido para tratar também sobre golpe de Estado”. Eu intervim e o ministro indeferiu, como o fez com outras tantas perguntas. No final, o ministro Alexandre o mandou ‘dar show em outro lugar, no X ou no YouTube'”, disse ao blog a advogada Vânia Bitencourt.

Ao longo do depoimento, Cid afirmou que Martins foi o responsável por apresentar a Bolsonaro a minuta de um documento que previa uma série de medidas para derrubar o resultado das eleições presidenciais, vencidas por Lula em 2022.

AJUSTES NO TEXTO – Segundo Cid, o documento previa a prisão de ministros do STF e do então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), mas Bolsonaro teria solicitado ajustes no texto para manter a medida apenas contra Moraes.

O STF iniciou nesta segunda-feira (14) uma série de depoimentos de testemunhas de defesa e acusação de outros três núcleos da trama golpista – o de gerenciamento de ações, de ações coercitivas e de operações estratégicas de desinformação.

As audiências vão ocorrer até o dia 23, em pleno mês de recesso no tribunal.

Tarifaço de Trump foi um tiro no pé. Pena de Bolsonaro poderá chegar a 43 anos de prisão; leia a íntegra das alegações finais

 A Procuradoria-Geral da República pediu ao STF a condenação do ex-presidente e de mais sete réus

Por JORNAL DO BRASIL
redacao@jb.com.br

Publicado em 15/07/2025 às 06:30

Alterado em 15/07/2025 às 08:43


              Quem sabe Bolsonaro não tenta pedir um tarifaço ao papa Leão? Foto: Ansa


A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta segunda-feira (14) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete réus do núcleo 1 da trama golpista.

A manifestação foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes, por volta das 23h45, e faz parte das alegações finais, a última fase antes do julgamento dos acusados, que deve ocorrer em setembro deste ano.

No documento, que tem 517 páginas, o procurador-geral, Paulo Gonet, defende que Bolsonaro e os demais réus sejam condenados pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

As penas máximas para os crimes podem chegar a 43 anos de prisão.

Além de Bolsonaro, a PGR pediu a condenação dos seguintes réus:

Walter Braga Netto, general de Exército, ex-ministro e vice de Bolsonaro na chapa das eleições de 2022;
General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência - Abin;
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
Paulo Sérgio Nogueira, general do Exército e ex-ministro da Defesa;
Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Em caso de condenação, Cid deverá ter a pena suspensa devido ao acordo de delação premiada assinado com a Policia Federal (PF) durante as investigações.

Bolsonaro
Na manifestação, o procurador-geral descreveu o papel do ex-presidente Jair Bolsonaro na trama golpista.

Segundo ele, Bolsonaro figura como líder da organização criminosa e foi o “principal articulador e maior beneficiário” das ações para tentar implantar um golpe de Estado no país em 2022.

Nas palavras de Gonet, o ex-presidente instrumentalizou o aparato estatal e operou em “esquema persistente” de ataque às instituições públicas e ao processo sucessório após o resultado das eleições presidenciais.

“Com o apoio de membros do alto escalão do governo e de setores estratégicos das Forças Armadas, mobilizou sistematicamente agentes, recursos e competências estatais, à revelia do interesse público, para propagar narrativas inverídicas, provocar a instabilidade social e defender medidas autoritárias”, disse o procurador.

Próximos passos
Com a apresentação da manifestação da PGR, começa a contar o prazo de 15 dias para que a defesa de Mauro Cid, delator na investigação, apresente suas alegações finais ao STF.

Em seguida, será a vez das defesas dos réus apresentarem suas alegações no mesmo prazo.

Após receber todas as manifestações, a data do julgamento será marcada pela Primeira Turma da Corte.

Nos bastidores do STF, a expectativa é de que o julgamento seja realizado em setembro deste ano. (com Agência Brasil)

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Governo americano volta a mencionar Bolsonaro para atacar Lula e Moraes

Publicado em 15 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

: There are ominous similarities between ‘color revolution’  tactics, efforts to oust Trump

Darren Beattie fez postagem em rede social sobre o Brasil

Deu em O Globo

O governo americano voltou a fazer ameaças ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por meio das redes sociais nesta segunda-feira.

Em um comunicado publicado em uma conta governamental da rede social X, o subsecretário Darren Beattie disse que o presidente dos EUA “impôs consequências há muito esperadas contra o Supremo Tribunal de (Alexandre de) Moraes e ao governo Lula por seus ataques a Jair Bolsonaro, à liberdade de expressão e ao comércio com os EUA”. O texto diz ainda que os EUA estão acompanhando de perto os desdobramentos no país.

RECIPROCIDADE – O comunicado foi divulgado no mesmo dia que o governo brasileiro assinou o decreto da Lei da Reciprocidade, uma alternativa ao tarifaço de 50% sobre os produtos importados do Brasil.

Beattie é subsecretário para Diplomacia Pública da Secretaria de Estado dos EUA, órgão que equivale ao Ministério das Relações Exteriores e é responsável pelas relações diplomáticas e pela facilitação de negócios com outros países, incluindo o Brasil.

No último dia 9, Trump enviou uma carta pelas redes sociais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, informando que iria taxar em 50% os produtos brasileiros importados pelos EUA em retaliação ao que chamou de “ataques insidiosos do Brasil contra as eleições livres e os direitos fundamentais de liberdade de expressão dos americanos”.

INVESTIGAÇÃO – Na carta, Trump diz ainda que determinou a abertura de uma investigação sobre supostas restrições à atividade de empresas de tecnologia americanas no Brasil e outras práticas comerciais desleais ou injustas, invocando a Seção 301 da Lei de Comércio americana.

A Seção 301 é um dispositivo da Lei de Comércio de 1974 dos Estados Unidos. A norma prevê a apuração de práticas estrangeiras desleais que afetam o comércio americano. Na prática, a medida funciona como um mecanismo de pressão internacional para defender os interesses dos EUA.

Outro patamar: EUA terão a maior tarifa média desde 1910 se Trump cumprir ameaças

LULA REAGE – Em resposta, o presidente Lula reforçou que medidas de retaliação já estão em estudo, sendo a principal delas a Lei da Reciprocidade, que permite ao país adotar sanções equivalentes às impostas por outros países.

Lula afirmou ainda que, além de desrespeitosa, a medida revela desconhecimento sobre a relação histórica entre os dois países e será respondida com firmeza pelo Brasil.

O petista disse que não é aceitável a diplomacia ser substituída por vídeos em redes sociais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Comprem pipocas, porque também serão sobretaxadas. (C.N.)

 

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