segunda-feira, julho 14, 2025

Eduardo Bolsonaro faz críticas a Tarcísio por negociação com os EUA: ‘É um desrespeito comigo’

 Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados/Arquivo

O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP)14 de julho de 2025 | 14:46

Eduardo Bolsonaro faz críticas a Tarcísio por negociação com os EUA: ‘É um desrespeito comigo’

brasil

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirma que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) errou ao tentar negociar uma saída para as tarifas de 50% com a Embaixada dos Estados Unidos. “É um desrespeito comigo”, disse à Folha de S.Paulo.

“Nós já provamos que somos mais efetivos até do que o próprio Itamaraty. O filho do presidente, exilado nos Estados Unidos. Queria buscar uma alternativa lateral. É um desrespeito comigo. Mas eu não estou buscando convencimento da população, eu estou buscando pressionar o Moraes”.

Eduardo afirma ainda que não se arrepende da pressão que fez por retaliações ao Brasil nos EUA mesmo que isso possa favorecer o presidente Lula (PT). Diz também que só voltará ao Brasil se o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), sofrer sanções do governo dos Estados Unidos.

Cotado como candidato a presidente no ano que vem, Tarcísio buscou remover o desgaste diante da crise do tarifaço anunciado por Donald Trump e, na semana passada, fez uma rodada de conversas que passou por Bolsonaro, por ministros do STF e pelo chefe da embaixada dos Estados Unidos no Brasil.

O governo Lula tem associado as consequências econômicas do tarifaço à oposição, inclusive a Tarcísio, aliado de Bolsonaro.

Na mesma entrevista, Eduardo diz que “provavelmente” vai abrir mão do mandato na Câmara. Ele pediu licença do mandato em março, e o afastamento vence na próxima semana.

Antes de falar à reportagem, ele afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que “por ora” não volta. “A minha data para voltar é quando [o ministro do Supremo Tribunal Federal] Alexandre de Moraes não tiver mais força para me prender”.

Procede sua decisão de abrir mão do mandato?

Olha, eu ainda tenho assessores me dando alguns inputs aqui, mas, se for preciso… Eu não consigo bater o martelo porque, se eu tiver uma alternativa para não perder, eu vou perder. Mas o prazo termina 21 ou 22 de julho, se não me engano, final do mês de julho. Se for necessário, eu não volto não. E não vejo a possibilidade de eu voltar, porque, se eu voltar, eles chamam para me prender. Mas muito provavelmente [vou abrir mão].

Quais são as opções que você tem?

O [deputado] Evair de Melo [PP-ES] fez uma proposta de alteração do regimento, que valeria para casos excepcionalíssimos como o meu, para que eu consiga exercer o mandato mesmo à distância, fazendo votação por telefone e celular. Foi uma inovação trazida durante a pandemia.

Qual é a chance disso dar certo?

Não sei. O nosso pessoal que tá articulando aí dentro da Câmara.

Qual é o seu desejo?

O meu desejo seria de ter um país normal onde o deputado não fosse preso por falar ou por se relacionar com autoridades internacionais. O meu desejo é que um deputado de direita tenha o mesmo direito de um deputado de esquerda. Porque, no passado, [Guilherme] Boulos foi a Portugal, o [Cristiano] Zanin, por exemplo, fez campanha do Lula livre em diversos tribunais internacionais, já fizeram pedido de prisão do Jair Bolsonaro no TPI, e nunca deu em nada. Só que, ao que parece, querem tirar o Bolsonaro da corrida presidencial e a possibilidade de eu sucedê-lo também.

Então, se o Brasil é um país que faz política desse jeito, o Judiciário é que faz política, então significa que não há uma harmonia entre os Poderes e o Brasil não é uma democracia, é uma ditadura. E será dado a ele o tratamento de ditadura. Engana-se quem acha que pode viver numa ditadura e ter os benefícios do mundo livre. E o Trump não usou força total. Ele poderia ter feito muito mais.

Qual é a força total? O que ele pode fazer?

Ele pode chegar ao extremo de fazer igual a Rússia.

Ameaçar com 100% de tarifas?

Ele congelou o acesso da Rússia ao sistema swift inteiro, proibiu empresas americanas de fazerem investimento na Rússia, de receberem investimento russo. Ele congelou bem de um monte de oligarca russo. Na verdade, foi o [Joe] Biden. Mas eu estou querendo dizer o seguinte. O governo americano tem muito mais instrumentos maiores do que (…) mais sensíveis do que tarifa de 50%. Trump já avisou na carta dele. Ele vai adicionar isso ao percentual da ‘tarifa Moraes’ de 50% que totalizaria um total de 100% de tarifa.

Agora seu desejo é permanecer como deputado?

Só para voltar… O Congresso aprovou uma lei inócua. E me causa estranheza gente da direita apoiar o projeto de lei da reciprocidade, porque ainda dá a oportunidade de o Lula dizer que está agindo em nome das instituições brasileiras, do povo brasileiro inteiro, porque foi um projeto aprovado com o apoio de muita gente da direita. Um projeto que teve a iniciativa da senadora Tereza Cristina.

Agora o senhor está sendo muito criticado, inclusive por alguns integrantes da própria direita, que não estão dando suporte a essas tarifas. O próprio Zema, por exemplo, veio a público dizer que as tarifas não são positivas, o Tarcísio…

O Zema e o Tarcísio vieram a falar isso depois de declarações iniciais, muito mais firmes, e vieram a falar isso provavelmente depois de conversas de telefone, né? Não tenho como comprovar, mas eu acho que eles tomaram alguma pressão. Principalmente o Zema. O STF está correndo pelos bastidores para pressionar empresários brasileiros e políticos brasileiros a tentar jogar a culpa disso tudo.

Só que o Trump foi muito claro. Ele tá colocando as tarifas por causa de quê? Regulamentação das big techs. Eles mandaram recado para os americanos de que regulamentar a internet independentemente daquilo que os americanos pudessem fazer em retaliação. Então agora segura a onda.

Então agora é hora de ser homem, assumir a responsabilidade e entender que o que o Trump está pedindo são ações do Judiciário brasileiro, regulamentação da internet, eleições limpas e transparentes e parar com a perseguição a Bolsonaro e seus apoiadores.

É por isso que eu tenho batido na tecla de que não é uma questão do Lula O Lula vai dobrar a aposta, o Lula é irresponsável, o Lula não tem compromisso com o interesse público. Ele vai querer jogar o Brasil no colo da China e da Rússia, ele está achando maravilhoso tudo isso, vendo como uma possibilidade única dele tentar resgatar a popularidade dele. E o que eu tenho falado? Deixa o Lula de lado. Esqueça o Lula. O Lula vai morrer sozinho politicamente. O foco é no Moraes.

De toda forma, com relação ao Zema e o Tarcísio, essa foi a posição final deles. Neste domingo o próprio Jair Bolsonaro admitiu que as tarifas não seriam benéficas para o país, fazendo ali um apelo por recurso. Então existe algum tipo de arrependimento nessa sua atitude?

Nenhum. O que não é benéfico para o país é continuar jogando velhinha na cadeia, é continuar ligando para o presidente do partido quando tem que votar a manutenção de prisões de Daniel Silveira. Para resolver o problema tem que atuar na causa, e a causa é institucional. Ou o Brasil se comporta como uma democracia ou vai ser [tarifa] de 50% a mais.

Embora você diga que não é sobre o governo Lula, o governo está explorando isso amplamente. Tem gente falando de um efeito Mark Carney [primeiro-ministro do Canadá] no Brasil, quer dizer, dizendo que isso poderia favorecer o Lula e ser um tiro no pé para a direita. Como responde a isso, diante do que está acontecendo no Brasil?

São comparações devidas, porque no Brasil a eleição é em 2026. Existe uma situação que é diferente da do Canadá, dessa crise institucional que a gente vive, de perseguição política etc. Agora tudo tem um risco. Se for retirada da equação essa tarifa, o Brasil vai voltar a ter aquele caminho de uma eleição sem a participação da oposição em 2026. Vai ter apenas uma oposição permitida.

Você está se referindo ao Tarcísio?

Estou falando de qualquer um que o sistema deixasse elegível para o ano que vem. Por que eles estão querendo me prender? Por que o Jair Bolsonaro está inelegível.

Governo e Judiciário são firmes em dizer que não haverá recuo.

Então, antes de melhorar vai ter que piorar. Eu nunca vi o Trump voltar atrás. O Trump já teve sucesso nas negociações com o Trudeau no Canadá, com o México, no Irã nem se fala. Então, eu não creio que o Brasil será o primeiro país a ter sucesso contra o Trump.

E que perspectiva de melhora seria essa?

Ele, pelo que eu entendi, vai aplicar em 1º de agosto só as tarifas de 50% e depois ele vai ficar fazendo reanálise.

Mas se até 2026 continuar o mesmo cenário?

Aí é Venezuela. Eu vou começar a receber os brasileiros aqui nos Estados Unidos, ajudar eles com o processo de visto.

Em momento algum, então, o senhor acha que essa foi uma decisão equivocada?

Não acho. Acho que está muito acertado. E, no final, quando a gente sair vitorioso, as pessoas vão se dar conta disso.

Como espera convencer a população se houver aí uma avaliação de que a maior parte está contra as tarifas pelos efeitos que elas podem causar economicamente para o país e no próprio bolso?

Mas eu não estou buscando convencimento da população, eu estou buscando pressionar o Moraes. Se o Moraes entende que vale a pena trancar a velhinha de 70 anos na cadeia, tratando como terrorista, condenados a 14, 15, 16 anos, é o preço que o país vai pagar. Não depende mais de mim. Eu não tenho poder sobre o Trump, acho que nem a esposa dele tem poder sobre ele.

A única saída para o Brasil se livrar dessa tarifa é com o Alexandre de Moraes recuar. Dentre os vários pontos que o Trump botou, a primeira sinalização efetiva de que há uma vontade de sentar para negociar a tarifa com os americanos é aprovar a anistia.

Como se chegou a essa solução por tarifas? Porque até então o senhor falava em sanções específicas?

Foi uma decisão do Trump.

Mas essa foi uma sugestão que vocês deram a ele?

Não, foi uma decisão do Trump. Acho que a maneira que ele achou é a maneira mais efetiva de se fazer pressão.

E as sanções estão sobre a mesa?

Sim, sim. Isso daí continua a correr em paralelo.

E a sua expectativa é que elas saiam?

Sim, eu tenho uma expectativa de que saia sim. Eu acho importante ressaltar o seguinte. Se a lei Magnitsky for aplicada, já existe margem para você aplicar por além do Moraes. Ele pode aplicar para cima da esposa do Moraes, para cima do Fábio Schor [delegado da PF], para cima de outras autoridades brasileiras. Então, se as autoridades brasileiras quiserem se presentar e antever esse caso de caos para elas próprias, individualmente, é providencial que elas leiam a carta do Trump e ajam rápido para desarmar essa bomba.

O julgamento do Marco Civil foi importante para acelerar essa decisão?

Eu acho que foi muito importante.

O senhor conversou com o seu pai sobre esse assunto? Qual é a posição dele?

Não falo por ele. Ele está refém do sistema. É bom falar com ele, porque é muita responsabilidade eu falar em nome dele.

E o senhor conversou com o Tarcísio?

O Tarcísio utilizou os canais errados. O filho do presidente está nos Estados Unidos. O Tarcísio não tem nada que querer costurar por fora uma decisão que provavelmente vai chegar a mais um acordo caracol. O Tarcísio tem que entender que o filho do presidente está nos Estados Unidos e tem acesso à Casa Branca.

Qualquer tentativa de nos dar bypass será brecada e freada. Nós já provamos que somos mais efetivos até do que o próprio Itamaraty. O filho do presidente, exilado nos Estados Unidos. Queria buscar uma alternativa lateral. É um desrespeito comigo.

E sua pretensão de ser candidato a presidente? Só pretensão de ser candidato a presidente? Tem chance ainda?

Só se o Moraes for sancionado. Senão não tem como. Se eu voltar para o Brasil hoje, eu sou preso. Mas eu acho que tem esperança de ele ser sancionado e a gente conseguir ter sucesso.

Se ele for sancionado, qual vai ser o efeito disso?

Ficará enfraquecido.

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Julia Chaib/Folhapress

‘Enquanto eu falo, o senhor fica quieto’, diz Moraes em embate com advogado de Filipe Martins

 Foto: Rosinei Coutinho/STF/Arquivo

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal)14 de julho de 2025 | 17:45

‘Enquanto eu falo, o senhor fica quieto’, diz Moraes em embate com advogado de Filipe Martins

brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes teve uma série de atritos com o advogado de Filipe Martins, Jeffrey Chiquini, durante a audiência com testemunhas de defesa na ação penal da trama golpista nesta segunda-feira, 14.

O magistrado chegou a dizer para Chiquini se calar. “Doutor, enquanto eu falo o senhor fica quieto”, afirmou Moraes.

O advogado apresentou diversas questões de ordem aos procedimentos adotados na tramitação das ações penais, o que foi o primeiro motivo de ruído com o magistrado.

Logo no início, Moraes criticou a abordagem de Chiquini ao questionar o tenente-coronel Mauro Cid. “Há advogado e há as partes. Se o senhor deseja denunciar alguém deveria ter prestado concurso para o Ministério Público”, afirmou Moraes.

O ministro-relator chegou a indeferir uma das perguntas feitas pela defesa de Filipe Martins. O advogado questionou Cid se ele desejava um golpe de Estado em 2022, ao que Moraes interrompeu dizendo que a pergunta era “impertinente”.

Weslley Galzo/EstadãoPolitica Livre

Lula assina decreto que regulamenta Lei de Reciprocidade após sobretaxa de Trump

 Foto: Ricardo Stuckert/PR/Arquivo

O presidente Lula (PT)14 de julho de 2025 | 19:45

Lula assina decreto que regulamenta Lei de Reciprocidade após sobretaxa de Trump

economia

O presidente Lula (PT) assinou nesta segunda-feira (14) o decreto que regulamenta a chamada Lei da Reciprocidade, instrumento que permitirá ao Brasil adotar medidas em resposta à sobretaxa de 50% anunciada pelo governo Donald Trump para produtos brasileiros.

O decreto estabelece os procedimentos que devem ser adotados para a aplicação da lei aprovada pelo Congresso em abril, que impõe a reciprocidade de regras ambientais e comerciais nas relações do Brasil com outros países. A proposta teve tramitação acelerada na Câmara e no Senado, com apoio de ruralistas e governistas.

O conteúdo do decreto deve ser publicado na edição de terça-feira (15) do Diário Oficial da União.

O ministro Rui Costa (Casa Civil) afirmou a jornalistas na tarde desta segunda que o decreto, assim como a norma aprovada pelos parlamentares, autoriza o Executivo a adotar medidas de “proteção do país quando medidas extemporâneas e extraordinárias forem adotadas de forma unilateral por outros países”.

“Por isso a denominação reciprocidade. Para que o Brasil possa responder num formato também rápido se outro país fizer medida semelhante a essa anunciada pelos EUA”, disse o ministro da Casa Civil.

O decreto de Lula deve prever que o parceiro comercial alvo da reciprocidade seja comunicado pelos canais diplomáticos em cada fase do processo, o que garante que a negociação seja mantida constantemente entre os países —e serve até mesmo como uma forma de pressão para evitar qualquer tipo de retaliação.

A Lei da Reciprocidade define como alvo qualquer país ou bloco econômico que decida adotar medidas unilaterais e ações que prejudiquem a competitividade internacional de bens e produtos brasileiros.

O modelo permite ao Brasil adotar contramedidas comerciais e diplomáticas proporcionais quando países ou blocos econômicos impuserem barreiras ambientais injustificadas aos produtos brasileiros. A Camex (Câmara de Comércio Exterior) passa a ter papel central na aplicação de medidas, garantindo uma abordagem mais técnica e menos suscetível a distorções políticas.

Em vez de barreiras automáticas, o texto prevê consultas diplomáticas coordenadas pelo Ministério de Relações Exteriores, possibilitando a resolução de conflitos de forma negociada antes da aplicação de contramedidas. A proposta também permite que o Brasil suspenda concessões comerciais e de investimentos, bem como reavalie obrigações em acordos de propriedade intelectual, garantindo mais flexibilidade na defesa dos interesses nacionais.

O decreto também deve criar oficialmente o comitê interministerial anunciado pelo governo federal para discutir medidas de proteção da economia brasileira. O grupo será presidido pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin, e será formado pelos ministros Rui Costa (Casa Civil), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Fernando Haddad (Fazenda). Outros ministros poderão participar de reuniões temáticas do colegiado.

Trump anunciou a sobretaxa no último dia 9, em publicação numa rede social. Produtos importados pelos EUA do Brasil são sobretaxados atualmente em 10%, tarifa anunciada por Trump em 2 de abril. Ou seja, além das tarifas de importação já cobradas, há uma cobrança adicional de 10%.

Um exemplo é o caso do etanol, de acordo com interlocutores. Os americanos impunham uma tarifa de 2,5% ao produto, elevada a 12,5% após a sobretaxa de 10%. Com o novo anúncio, a porcentagem sobe a 52,5% em agosto.

A sobretaxa não é adicionada a produtos que já sofrem tarifas setoriais, como aço e alumínio, sobre os quais há tarifas de 50%.

Catia Seabra/Victoria Azevedo/FolhapressPolitica Livre

A máxima “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas” agora é brasileira

Publicado em 14 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Charge: 'Me chama de patriota'. Por Duke

Charge do Duke (Dom Total)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Agora somos todos patriotas. A máxima “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas” é algo que nós, brasileiros, deveríamos ter junto ao nosso coração. Em 2022, “patriotas” era um termo que os bolsonaristas usavam para si. “Patriotas” invadiram a Praça dos Três Poderes.

Chegou a hora de a galera do outro lado da babaquice nacional dizer que o Brasil nunca usará uma camisa azul, vermelha e branca? Toda a intelligentsia zoava os patriotas bolsonaristas. Agora vestem a camisa da seleção brasileira com orgulho.

RIDÍCULO HUMILHANTE – O “Lulanistão” deprime. Ser obrigado a conviver com o ridículo do novo patriotismo é humilhante. Quando se pensa que atingimos o fundo do poço, vamos mais fundo.

O crítico literário americano Lionel Trilling (1905-1975) dizia que o historiador romano Tácito (século 1º d.C.) escrevia como um intelectual sem nenhuma esperança para com a Roma dos ditadores. Seria uma obrigação moral dos historiadores brasileiros escrever agora sobre o Brasil sem nenhuma esperança?

“Agora somos todos o STF!” A direita, sempre burra, atirou no próprio pé. Trump deu uma sobrevida a um regime, o lulismo, que respira por aparelhos. A chance de sair do coma foi dada de bandeja pelo Trump.

ACENDER VELAS – Ao contrário de xingarmos o presidente americano —e não me venham com expressões ridículas como “estadunidense”—, a galera do outro lado da babaquice nacional deveria acender velas para ele.

Bandeiras americanas queimadas na Paulista! Oh! Finalmente o Brasil foi lembrado pelos americanos. O vira-lata em nós tem um dia de cachorro de madame. Banho e tosa numa clínica de pets chiques.

Na verdade, o Trump ter lembrado de taxar o Brasil significa que, depois de um longo e tenebroso inverno, os ianques lembraram que nós existimos. Da irrelevância geopolítica absoluta, temos nossos 15 minutos de fama internacional.

NOSSA ESTRATÉGIA – E como conseguimos tal proeza? Lambendo as botas de Putin, indo celebrar o fim da Segunda Guerra Mundial na pátria da grande guerra patriótica —os russos chamam a Segunda Guerra Mundial assim.

Lula, ao lado da fina flor das democracias mundiais, lambendo as botas dos chineses, com a chefe da diplomacia nacional rogando para que eles nos ensinem a defender nossa democracia dos seus inimigos —assim como os chineses defendem a democracia deles, claro.

Lambendo as botas do regime teocrático iraniano, pátria do respeito aos povos, vítima da “agressão americana e sionista”. Gozando com a ideia de criar uma moeda que “desdolarize” a economia global.

EIXO DE RESISTÊNCIA – Enfim, temos a nossa “crise dos mísseis em Cuba”. Lula quer fazer do seu quintal “Lulanistão” a cabeça de ponte dos regimes não democráticos do mundo. Glória nacional, finalmente. Lula quer transformar o Brasil no representante do “eixo da resistência global” contra a ameaça americana à liberdade. Sendo esta, claro, defendida por China, Rússia e Irã.

A liderança brasileira é regredida. Bolsonaro, por sua vez, exige que o Supremo agilize seu processo, contando, claro, com o poder do seu amigo rico, Trump.

 A miséria da política nacional atinge seu clímax. Deveríamos fazer um minuto de silêncio para a vergonha nacional. A incompetência é o combustível do Brasil nos últimos tempos.

É UM CIRCO – É possível que Trump, de fato, esteja preocupado com o Bolsonaro —essa outra face do ridículo nacional? Ainda custo a acreditar, apesar de que o presidente americano reforça bem a suspeita de que o mundo seja mesmo um circo.

Achar que pode se meter num processo jurídico de outro país é coisa de gente de inteligência duvidosa mesmo. Somos sim a república das bananas, mas deixamos claro que as bananas são nossas e não do Trump.

Enquanto os brios da nação verde oliva acordam —para um pesadelo—, o país continua no buraco. O governo federal continua gastando rios de dinheiro para manter o populismo vivo e atuante no “Lulanistão”.

CRIME ORGANIZADO – Patinamos na nossa incompetência. A soberania nacional —essa expressão que no Brasil de hoje tem tanta segurança semântica quanto a palavra “energia espiritual”— está quase perdida para o crime organizado, mas os novos patriotas acham que as big techs é que são a ameaça a essa pretensa soberania.

A ditadura também falava em soberania nacional. As forças armadas também falavam em soberania nacional. Todos ridicularizados. Agora é “cool” falar dela.

Aliás, ela vai bem obrigado na tão cantada em prosa e verso Amazônia, território colonizado em grande parte pelo mesmo crime organizado, esse sócio do mercado, do governo e de todos nós, enquanto nos matam, nos roubam e nos perseguem nas ruas a pauladas. Festa no “Lulanistão”. Cantemos nosso hino.


Empresas de Trump acionam Justiça dos EUA contra nova decisão de Moraes

Publicado em 14 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Trump publica foto alterada em que dá medalha a cachorro ferido em ação  contra terrorista - 30/10/2019 - Mundo - Folha

Trump já soltou a cachorrada para cima de Moraes

Rafaela Gama
O Globo

A rede social Rumble e a empresa Trump Media & Technology Group protocolaram nesta segunda-feira uma nova petição na Justiça americana contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação, à qual O Globo teve acesso, questiona uma ordem encaminhada pelo magistrado para as plataformas na semana passada.

Na última sexta-feira, o magistrado determinou o bloqueio total no Brasil de um perfil do comentarista bolsonarista Rodrigo Constantino, além do compartilhamento de dados do usuário, sob pena do pagamento de multas diárias de RS 100 mil (cerca de US$ 20 mil).

DIZEM AS EMPRESAS – Em resposta protocolada na Justiça da Flórida, as empresas de Trump afirmaram que a decisão de Moraes seria irregular, uma vez que o perfil do blogueiro na plataforma estaria inativo desde 2023 e a plataforma, como um todo, segue proibida no Brasil também por decisão do ministro.

Na petição, ambas também argumentam que Constantino é um “cidadão americano” que “já foi alvo do juiz Moraes por meio de suspensões de suas contas em plataformas de mídia social, processos criminais retaliatórios no Brasil, invalidação de seu passaporte brasileiro e congelamento de bens. A manifestação também questiona o envio da notificação pelo magistrado por e-mail.

A escolha desse canal se contrapõe, segundo representantes da rede social, a uma carta enviada pelo Departamento de Justiça dos EUA ao ministro neste ano, orientando que, para manifestações de outros países serem válidas, as ordens precisam passar por um procedimento diferente do envio por e-mail.

ORDEM ESPÚREA – “A ordem não foi entregue através de qualquer mecanismo legal de tratado e parece ter sido emitida sem notificação ao governo dos EUA”, diz a petição.

“No início desta manhã, o Rumble entrou com uma moção na Justiça Federal expondo uma nova ordem emitida pelo juiz Alexandre de Moraes, ameaçando multas de US$ 20.000 por dia caso não entregássemos dados de usuários dos EUA a ele. A ação ocorreu 48 horas após a carta de Donald Trump. Moraes agora está agindo sozinho?”, escreveu Martin de Luca em uma postagem no X.

No mês passado, ambas as empresas pediram o pagamento de uma indenização por Moraes por prejuízos à reputação, perdas de receita e oportunidades de negócio. O pedido foi protocolado a partir de um adendo na ação judicial contra o magistrado no Tribunal do Distrito Médio da Flórida, nos Estados Unidos.

PRIMEIRA EMENDA – Desde fevereiro, as plataformas acusam o ministro de violar a Primeira Emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de expressão, ao ordenar a remoção de contas de influenciadores brasileiros de direita na Rumble e por outras “tentativas de censura”.

As companhias também solicitam que as ordens emitidas por Moraes sejam declaradas inexequíveis em território norte-americano, por supostamente violarem a Primeira Emenda e leis locais, como a Lei de Decência nas Comunicações. Além disso, Rumble e Trump Media pedem que seja reconhecida a responsabilidade pessoal de Moraes pelas alegadas violações. Diante da repercussão, o governo brasileiro escalou a Advocacia-Geral da União (AGU) para acompanhar o caso e avaliar as acusações feitas contra o ministro do STF.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Esta é a parte mais importante da briga. Ao final, se saberá o que muita gente já sabe: Moraes extrapolou nos julgados, emporcalhou a Primeira Emenda e ainda multou as empresas prejudicadas por ele. O ministro começou toda a encrenca e a bomba vai explodir no colo dele, como se estivesse estacionando no RioCentro. (C.N.)

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