sábado, outubro 12, 2024

Cota de gênero é descumprida em 700 municípios nas eleições municipais de 2024

 

Eleições Municipais de 2024
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Um levantamento divulgado pelo Observatório Nacional da Mulher na Política da Câmara dos Deputados mostra que a cota de 30% para candidaturas de mulheres não foi respeitada pelos partidos políticos em 700 dos 5.569 municípios, no primeiro turno das eleições municipais, realizado no dia 6 de outubro.

 

O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (10) e obtido com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A pesquisa mostra que a cota não foi cumprida mais uma vez pelas legendas.

 

Criado em 2009, o sistema de cotas prevê a destinação de 30% das candidaturas dos partidos para mulheres. No entanto, a medida nunca foi cumprida pelos partidos.

 

Além das cotas para disputar o pleito, as candidaturas femininas têm direito a 30% do tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV, além da mesma porcentagem na divisão de recursos no fundo para financiamento de campanhas.

 

Apesar disso, a pesquisa feita pelo observatório mostra que houve diminuição do número de municípios que descumpriram a cota em relação às eleições anteriores. A cota foi desrespeitada pelos partidos em 1.304 municípios nas eleições municipais de 2020.

 

BURLA

 

Em diversas decisões recentes, o TSE cassou políticos eleitos por partidos que não cumpriram a cota de representatividade.

 

A fraude é realizada por meio do registro de candidaturas fictícias, cujas mulheres candidatas obtém nenhum ou poucos votos, nem realizam gastos efetivos. Ao inserir as falsas candidaturas, o partido simula uma situação regular e consegue registrar seus candidatos homens para o concorrerem ao pleito.

 

Em agosto deste ano, os próprios partidos que deveriam cumprir a regra aprovaram no Congresso a chamada PEC da Anistia, proposta de emenda constitucional para anistiar a multa aplicada contra as legendas pelo não cumprimento da cota nas eleições anteriores.

Candidato a vice-prefeito eleito é preso dois dias após a eleição por descumprimento de medida protetiva

 

Candidato a vice-prefeito eleito é preso dois dias após a eleição por descumprir medida protetiva
Foto: Reprodução

O candidato a vice-prefeito eleito no município de Senhora de Oliveira, em Minas Gerais, Nelito Gonçalves Heleno (PL), de 56 anos, foi preso após descumprir uma medida protetiva contra a sua ex-companheira, de 44 anos.

 

Nelito possui, ao menos, três boletins relacionados a violência doméstica, tendo o último deles registrado sido registrado na última terça-feira (8), apenas dois dias após o pleito municipal. Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, o homem foi levado para o presídio de Conselheiro Lafaiete, no interior do estado. 

 

A Polícia Militar afirmou que a corporação foi acionada pela vítima após o suspeito chegar em sua casa, a insultado e jogado cerveja em sua roupa. Quando os agentes chegaram, a mulher lhes apresentou o documento que indicava uma medida protetiva contra ele.

 

Aos militares, Nelito negou a versão, afirmando ter sido convidado pela ex-companheira para tomar uma cerveja, e, enquanto dançavam, teria derramado o líquido, sem querer, na roupa dela. Os dois foram levados à delegacia e o autor recebeu voz de prisão devido ao descumprimento da medida protetiva.

 

A chapa do candidato a vice-prefeito teve 2.541 votos (50,38%) e saiu vitoriosa do pleito municipal. Antes das eleições de 2024, Nelito já havia sido eleito quatro vezes como vereador da cidade mineira.

 

A primeira denúncia de violência doméstica aconteceu em 2017, quando a companheira disse que Nelito a teria atropelado após uma discussão entre os dois. Ela apresentou hematomas e arranhões, sendo encaminhada para uma unidade de saúde.

 

Em janeiro de 2024, a mulher foi outra vez à polícia, alegando estar separada de Nelito, com quem tinha união estável há 9 anos, havia 20 dias, mas que estava sendo ameaçada de morte pelo homem devido à separação.

 

Conforme a mulher, ele teria dito: “se não for minha, não será de mais ninguém”. Além disso, ele a teria perseguido em lugar frequentados por ela e teria lhe enviado mensagens, e-mails e telefonemas com comportamento excessivo de controle.

 

Além da ex-companheira, a outra mulher com que Nelito teve relacionamento registrou um boletim de ocorrência contra ele, por ameaça, em 2016. A vítima, assim como a companheira atual, denunciou o homem por atropelamento. A polícia realizou buscas para encontrá-lo, mas não conseguiu localizá-lo à época.

"Município Seguro": MP-BA intensifica fiscalização para ampliar atuação de municípios na segurança pública

 

"Município Seguro": MP-BA intensifica fiscalização para ampliar atuação de municípios na segurança pública
Foto: Eduarda Pinto / Bahia Notícias

Após despontar como um dos estados mais violentos do país, a solução para a Bahia foi o investimento em um sistema integrado de segurança, envolvendo diversas frentes, indo além dos Três Poderes. Como órgão independente, o Ministério Público (MP) atua de maneira autônoma em todo o país, mas especialmente na Bahia, o MP-BA passou a integrar o programa Bahia Pela Paz, composto por diversos órgãos. Entre as iniciativas nasceu então o Município Seguro, voltado para políticas de segurança pública em todo o estado. 

 

As atribuições de cada ente federativo com relação à segurança pública ainda é um tópico de extenso debate no Brasil. Para o MP, a gestão das políticas de combate a violência vão além do caráter militar e jurídico, devendo ser tratada de maneira mais ampla. O Bahia Notícias entrevistou o procurador-geral de Justiça do Ministério Público da Bahia, Pedro Maia, sobre o tema. 

 

“O ‘Município Seguro’ é um projeto gestado no âmbito do Ministério Público, que começou a ser pensado no final do ano de 2013, e é um projeto estratégico. São pouco mais que 62 projetos e estratégias em áreas diversas onde se busca uma atuação alinhada dos promotores de justiça em todo o estado da Bahia para produzir um resultado social de repercussão e replicação”, relembra o procurador-geral.

 

Apesar de ter sido pensado inicialmente em 2013, o Município Seguro foi lançado apenas 10 anos depois, em novembro de 2023. O programa se baseia na aplicação da lei 13.675/2018, que institui o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e cria a Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS). 

 


Procurador-geral de Justiça do Ministério Público da Bahia, Pedro Maia. Foto: MP-BA / Humberto Filho

 

Maia explica que “[a Lei] reparte competências no trato da Segurança Pública para a União e para os municípios. A Constituição imputa, como responsabilidade do Estado, a segurança pública, mas sabe-se que para um trato completo da matéria precisa de um elemento [coletivo], até porque as questões que envolvem o crime organizado são transnacionais, ainda mais pensando num país com a dimensão Continental”, disse.

 

Neste contexto, o Município Seguro atua no auxílio para a estruturação e implantação de um Conselho Municipal de Segurança Pública nos 417 municípios baianos. “O projeto tem esse objetivo de trazer o município, como o ente federativo mais próximo do cidadão, para que ele trate as questões locais de segurança pública e possa dar essa contribuição para toda a municipalidade”, explica o procurador-geral do MP-BA. 

 

Em termos do funcionamento do projeto, o promotor de Justiça e coordenador do Centro de Apoio Operacional da Segurança Pública e Defesa Social (Ceosp), Hugo Casciano de Sant’Anna, explica que atualmente 125 já aderiram ao projeto. Ao acionar promotores de Justiça que atuam na área de tutela coletiva da Segurança Pública, o Ministério Público instaura os procedimentos administrativos para interlocução com o município e, a partir disso, dar início ao processo de formulação das ações. 

 

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“A ideia é que os prefeitos celebrem Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público e iniciem o trabalho, primeiro de diagnóstico da realidade local de Segurança Pública; a partir desse diagnóstico, a construção da Política Municipal de Segurança Pública e a estruturação é dos órgãos necessários para que essa política Municipal se concretize”, detalha. 

 


Promotor de Justiça e coordenador do Ceosp, Hugo Casciano de Sant’Anna. Foto: MP-BA / Sérgio Figueiredo

 

Sant’Anna explica que as estruturas são o Conselho Municipal de Segurança Pública, que visa a democratização da elaboração de políticas públicas, e a Ouvidoria de Segurança, que pode ou não ser exclusiva para a segurança, mas que possa tratar destes temas.

 

“Acho que é uma pedra de toque do projeto reconhecer o município como um protagonista nesse processo de construção de uma cultura de paz, para que esses ambientes públicos possam ser ocupados pela população de forma pacífica e tranquila”, diz. 

 

O coordenador do Ceosp defende ainda que a violência é um problema multifatorial e deve ser tratado em diversas frentes como direitos humanos e infraestrutura. “A gente reconhece que a segurança pública não é só feita por meio de policiamento ostensivo, mas é também feita através de planejamento urbano, iluminação pública, políticas para populações vulneráveis. Então todas essas questões que tocam a competência do município e que, de alguma maneira, tenham efeito direto ou indireto na redução dos índices de criminalidade são temas que devem estar previstos no Plano Municipal de Segurança Pública”, explica. 

 

Para o procurador-geral da Justiça, Pedro Maia, a violência no Brasil ainda possui mais um fator: a estigmatização. Maia explica que a criação de uma “cultura de paz” não é apenas um termo, mas uma meta para o Estado conseguir estabelecer um padrão cultural de combate a violência.

 

“Quando se fala em municípios violentos, comunidades violentas, é uma rotulação da população e da municipalidade, como se elas fossem violentas. Elas são vitimadas pela violência. Então, o que se quer é interromper esse ciclo de violência, através de construção de uma cultura de paz e não há outra forma mais adequada do que trazer [essa cultura] para aquele ente federativo que está mais próximo da população, que melhor conhece a realidade local”, define. 

 

Entre as cidades que hoje já estão em processo de firmamento de acordo ou estruturação de suas políticas junto ao Município Seguro estão Juazeiro, que deve estar próxima de firmar o pacto com o MP, e Camaçari, em que o plano já está em fase de elaboração. Hugo Sant’Anna cita ainda que Jacobina, Alagoinhas e Serrinha, estão em fase de elaboração e conclusão dos diagnósticos da violência. 

 

Pedro Maia define que a principal meta do programa é que todos os 417 municípios adiram ao programa e estabeleçam suas políticas públicas para a segurança pública. No entanto, o trabalho do MP-BA não para por aí: após a finalização dos projetos e estabelecimento dos Conselhos de Segurança, o MP vai atuar na aplicação das políticas. Sant’Anna detalha que essa é a parte mais difícil do Município Seguro: 

 

“O que vem depois da construção da política é a execução da política, é o fomento de ações e estratégias que possam fazer a diferença na segurança pública do município. O Ministério Público, como fiscal e fomentador dessas políticas, vai estar sempre acompanhando a execução dessas políticas, então o trabalho mais difícil vem depois. A formalização, a produção do documento é fácil, o difícil é você conseguir colocar em prática essas ações e obter os resultados que são esperados”, conta. 

 

Ao falar sobre o Bahia Pela Paz, grupo composto pelas secretarias de estado junto ao Ministério Público, Tribunal de Justiça, Defensoria Pública e sociedade civil, Pedro Maia defende que o modelo de atuação integralizado entre os órgãos já produz resultados. 

 

“Nesse ano de 2024, notadamente a partir do segundo trimestre de 2024, a gente começa um processo de redução dos índices, principalmente de crimes violências letais intencionais, de forma consistente. Em municípios a redução é muito acentuada e a gente acredita que é fruto de um trabalho de articulação entre as instituições para enfrentamento dessa criminalidade. Há muito a percorrer, a nossa situação ainda é ruim, mas eu acredito que as diversas iniciativas vão trazer essa cultura de paz que a população tanto anseia”, aponta o procurador-geral do MP-BA. 

 

COMO ATUA O MINISTÉRIO PÚBLICO
Em termos práticos, o Ministério Público é uma instituição responsável pela defesa de direitos dos cidadãos e dos interesses da sociedade, com ênfase na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.

 

Assim, o Ministério Público atua como fiscalizador das leis e, não estando subordinado a nenhum dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), ele possui autonomia funcional, administrativa e financeira, para garantir o cumprimento da lei. O que o procurador-geral de Justiça reforça é que a atuação dele vai além dos tribunais ou escritórios. 

 

“A população muitas vezes não consegue identificar no Ministério Público uma perspectiva de tutela coletiva. Historicamente, o promotor de Justiça era visto como aquele tutor acusador, julgando e deflagrando ações penais, mas vai muito além. A gente tem, na tutela coletiva da Segurança Pública hoje, um dos maiores desafios que é realmente atuar tentando construir uma cultura de paz e de interrupção do ciclo de violência”, conclui.

Além de Sheila Lemos em Conquista, prefeito eleito de Ruy Barbosa também enfrenta pendência judicial; entenda

 

Além de Sheila Lemos em Conquista, prefeito eleito de Ruy Barbosa também enfrenta pendência judicial; entenda
Foto: Reprodução

Apesar das eleições terem encerrado, a discussão em torno do próximo prefeito do município de Ruy Barbosa ainda segue em discussão. O vencedor do pleito na cidade, o ex-prefeito Bonifácio (MDB), possui pendências junto à Justiça e está com a candidatura sub judice e pode nem chegar a assumir o mandato. Um caso parecido acontece com a reeleição de Sheila Lemos (União), em Vitória da Conquista.

 

A situação de Bonifácio se refere a inelegibilidade por contas negadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) no período em que foi prefeito de Ruy Barbosa, entre 2013 e 2016. A rejeição das contas, inclusive, foi endossada pela Câmara de Vereadores da cidade.

 

Segundo decisão do TCM, Bonifácio teria desviado R$ 1.170.554,35, do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) em 2015. Além disso, o tribunal constatou que o ex-prefeito não investiu o percentual mínimo em educação. 

 

O emedebista também é acusado de superfaturar contratos com a Cooperativa de Trabalho de Profissionais (Cooprofisa) e da empresa DAM Construtora e Incorporadora. Ao todo, tratos entre a prefeitura e as companhias chegam na casa dos R$ 4,4 milhões.

 

O gestor foi multado em R$ 50 mil pelas irregularidades identificadas durante a análise das contas e foi determinado que ele teria que restituir os R$ 4,4 milhões aos cofres da prefeitura, com recursos pessoais.

 

Ao todo, o prefeito tem contas rejeitadas nos anos de 2014, 2015 e 2016.

 

Bonifácio foi eleito com 55,06% dos votos válidos, sendo escolhido por 9.999 eleitores. Em segundo lugar ficou Marivaldo Leite (PSD), chegando a 41,77% com 7.568 votos.

 

CASO SHEILA LEMOS

No caso da prefeita reeleita em Vitória da Conquista, ela tem enfrentando acusações de irregularidades eleitorais relacionadas à continuidade familiar no poder. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) formou maioria para declarar sua inelegibilidade em setembro, alegando que a candidatura representaria um terceiro mandato familiar consecutivo.

 

Sheila Lemos, que assumiu a prefeitura após a morte de Herzem Gusmão, contestou a decisão, argumentando que sempre atuou dentro dos parâmetros legais e que há jurisprudência favorável no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A mesma recorreu à decisão e seguiu no pleito nas eleições com liderança em pesquisa publicada no Bahia Notícias. 

Governo Lula vai ao STF para barrar atuação nacional de bets credenciadas no Rio

 

Governo Lula vai ao STF para barrar atuação nacional de bets credenciadas no Rio

Por Paulo Saldana | Folhapress

Bets
Foto: Agência Brasil

O governo Lula (PT) ingressou nesta sexta-feira (11) com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) para proibir que o estado do Rio de Janeiro credencie casas de apostas esportivas online, as bets, para atuar nacionalmente.
 

"A atuação em âmbito nacional desobedece as regras do Ministério da Fazenda e invade competência da União ao explorar serviço de loterias em todo o território nacional", diz nota da AGU (Advocacia-Geral da União), que assina a ação.
 

Como a Folha revelou em março, o governo Claudio Castro (PL), por meio da Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro), tem credenciado bets que podem receber apostas em todo país, e não só no território do Rio. Isso ocorreu depois de um drible nas regras federais e entendimento judicial, e vinha incomodando o governo federal -que trabalha na regulamentação do setor.
 

Além de pedir a imediata suspensão da atuação nacional das bets credenciadas no Rio, a ação judicial da AGU afirma que a Loterj "possui regras frouxas em relação à prevenção de lavagem de dinheiro e financiamento de ações terroristas".
 

A ida ao STF é a mais forte reação do governo Lula com relação à postura da Loterj. A loteria carioca que vinha intensificando as investidas para ampliar suas atividades, com ações judiciais e pressões a casas de apostas e clubes patrocinados por elas.
 

A Loterj foi procurada mas não respondeu.
 

A oferta de bets é liberada no Brasil desde o fim de 2018, mas desde então segue sem regras e fiscalização. No ano passado, o processo de regulamentação foi iniciado pelo governo Lula.
 

O Rio já havia lançado em abril de 2023 um edital para credenciar as empresas no estado. Mas, um dia depois da edição de uma medida provisória com o pontapé do governo federal para a regulamentação, a Loterj fez uma retificação em seu edital e passou a prever que as bets precisariam só informar que as operações são efetivadas no estado, sem travas de geolocalização --permitindo, assim, apostas de todo o país.
 

A AGU traz na ação informações produzidas pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre riscos dessa atuação. Segundo o Coaf, há um "padrão temerário de funcionamento das bets que se têm mantido credenciadas pela Loterj sob a égide de um 'critério de aferição de territorialidade' baseado na mera declaração e anuência dos apostadores".
 

A ação afirma que manter o critério de aferição da territorialidade da Loterj "causa severo comprometimento para o sistema de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa".
 

Na ação, o governo destaca que a Loterj ainda não editou as normas de prevenção à lavagem e dinheiro, informação que é respaldada, segundo o documento, pelo Coaf.
 

O governo ainda ressalta que tem havido uma "corrida à Loterj" de empresas que não preenchem os requisitos para credenciamento perante o Ministério da Fazenda. "[Isso] demonstra que já estão sendo sentidos os efeitos nocivos do comportamento leniente dos réus em relação às limitações territoriais impostas ao serviço público de loterias".
 

A ação menciona o caso da Esportes da Sorte. Fora da lista divulgada pelo Ministério da Fazenda das empresas de apostas esportivas autorizadas a atuar no Brasil até dezembro, a Esportes da Sorte comprou uma empresa que já tinha liberação da Loterj para poder se manter no mercado.
 

A Esportes da Sorte, patrocinadora do Corinthians, é alvo de investigação da Polícia Civil de Pernambuco que mira uma suposta organização criminosa voltada à prática de jogos ilegais e lavagem de dinheiro. Seu CEO, Darwin Henrique da Silva Filho, chegou a ser preso no mês passado. Ele nega irregularidades.
 

A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, por meio de uma nota técnica enviada à AGU, afirmou que o critério de territorialidade adotado no Estado do Rio "funciona como um incentivo perverso à competição predatória entre os entes federados, análogo a um cenário de 'guerra fiscal'".
 

Para se credenciar no Rio, as empresas pagam uma outorga de R$ 5 milhões, além de percentuais sobre as apostas. No processo federal, esse valor é de R$ 30 milhões.
 

Oito empresas estão credenciadas no Rio, com o cadastro de 13 sites: bestbet.com.br, Lototolegal.com.br, Lototolegal.com, marjosports.com.br, pixbet.compixhora.com, esportesdasorte.com, onabet.com, riojogos.com, caesarsports.com.br, ganhabet.com, betvip.com e vaidebet.com.


Morte de comandante dos “kids pretos” está despertando suspeitas no Exército


Comandante do Exército era especialista no manuseio de paraquedas

Coronel Daniel Moura era especialista em paraquedismo

Paulo Cappelli e Augusto Tenório
Metrópoles

Militares do Exército estão intrigados com as circunstâncias da morte do comandante Daniel Moura, que chefiava o prestigiado Batalhão de Apoio às Operações Especiais, em Goiânia. O coronel de 47 anos estava há 30 nas Forças Armadas e era considerado um especialista no manuseio de paraquedas. Ele morreu na terça-feira (8/10) após um salto enquanto servia.

A suspeita de pessoas próximas a Daniel Moura é que o problema envolvendo tanto o paraquedas principal quanto o reserva tenha sido causado por falha humana. E que o erro não foi do comandante.

“ERRAR NUNCA!” – Esses militares levantam a hipótese de que, no mínimo, teria havido negligência por parte do integrante da equipe que cuida da preparação do material. Esse preparo é feito pelo próprio Exército, que conta com o Pelotão de Dobragem de Paraquedas Especiais, cujo lema é: “Errar nunca!”. Ao todo, o processo de dobragem é feito em seis etapas.

À coluna, o Comando Militar do Planalto (CMP) informou que o modelo do paraquedas usado foi o Legend M. “Este tipo possui o mesmo funcionamento dos demais paraquedas desportivos e táticos”, afirmou o Exército. Segundo o CMP, “as condições meteorológicas eram favoráveis à realização do adestramento” e “nenhum militar, além do coronel Moura, enfrentou problemas

O comandante estava a bordo de uma aeronave modelo C-105 Amazonas, da Força Aérea Brasileira (FAB), quando saltou na região metropolitana de Goiânia. O avião é utilizado para realizar missões de transporte tático e logístico, lançamento de paraquedistas, cargas e evacuação médica.

SOB INVESTIGAÇÃO – O Comando Militar do Planalto não respondeu se houve perícia no local imediatamente após o acidente e qual era o tipo de operação em andamento. “Essas informações estão sob investigação”, pontuou.

Um militar relatou à coluna como teria ocorrido o acidente fatal envolvendo o comandante Daniel Moura: “Deu alguma pane no paraquedas principal. Então, ele acionou o reserva. No entanto, o paraquedas principal, que não estava completamente aberto, não foi ejetado por ele ou devido a uma falha no material. Os dois paraquedas acabaram se enroscando, e o comandante desceu direto, sem sustentação”.

Daniel Moura ingressou nas Forças Armadas em 1995 e recebia um salário de R$ 28 mil mensais. O militar comandava o Batalhão de Apoio às Operações Especiais, em Goiânia, desde dezembro de 2022. A solenidade de posse ocorreu no pátio de formatura do Batalhão, Pátio Thaumaturgo Sotero Vaz.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Importantíssima matéria, enviada por Duarte Bertolini, sempre atento aos acontecimentos. Trata-se de um acidente (ou incidente) inédito. Jamais se viu nada igual. E tudo que diz respeito aos “kid pretos” é envolto em mistério. No caso, só há duas hipóteses: falha humana ou erro proposital, que significaria assassinato. De uma forma ou de outra, será muito difícil provar alguma coisa e chegar ao responsável, a não ser que haja registro de quem dobra cada paraquedas. Vamos aguardar. (C.N.)


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