segunda-feira, novembro 13, 2023

Se Rússia e Israel podem, por que a China não pode?




Joe Biden e Xi Jinping deverão se encontrar na Califórnia, durante a 30ª reunião do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico

Por Luiz Carlos Azedo (foto)

A primeira nação a atacar o povo judeu após o êxodo do Egito foi Amalek, um antigo povo bíblico de Canaan. Há muito essa nação desapareceu, mas continua viva nos corações israelitas, como lembrou Omer Bartov, professor de estudos sobre o genocídio e o Holocausto na Universidade de Brown, em artigo publicado no “The New York Times” e reproduzido no Estadão. “Vocês devem se lembrar do que Amalek fez com vocês”, disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em 28 de outubro, ao anunciar que a retaliação de Israel ao ataque terrorista do Hamas de 7 de outubro seria arrasadora. Mas está sendo muito mais violenta do que se imaginava, inclusive para os Estados Unidos, que apoiam Israel incondicionalmente.

Antes, o ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, dissera:“Nós estamos combatendo animais e estamos agindo como corresponde”. O major-general Ghassan Alian, comandante israelense de atividades governamentais nos territórios, endossou:“Animais tem de ser tratados como tal”; “não haverá eletricidade nem água, haverá apenas destruição. Vocês desejaram o inferno e terão o inferno”. Diante dos assassinatos de crianças, mulheres e idosos pelos terroristas do Hamas em território Israelense, era uma reação previsível.

As comparações bíblicas são claríssimas. Amalek cresceu na família de Esaú e adquiriu o ódio patológico aos judeus. Seus descendentes se tornaram a nação de Amalek, ao sul da Terra de Israel, no Deserto de Negev. Depois da travessia do Mar Vermelho, quando os judeus se recuperavam em Refidim, Amalek lançou um covarde ataque de surpresa sobre eles. Moisés, líder dos judeus, ordenou que seu discípulo Yehoshua, à frente de uma tropa de elite, contra-atacasse e matasse os guerreiros de Amalek, o que foi feito. Moisés prometeu varrer totalmente a lembrança de Amalek da face da terra, numa guerra eterna. Seu nome e trono não estariam completos até que Amalek fosse destruído.

Quarenta anos depois, quando o rei canaanita de Arad lançou um ataque selvagem contra os judeus, os sábios concluíram que Arad e seus soldados eram amalequitas disfarçados. O plano fracassou, os judeus foram vitoriosos e continuaram a entrar na Terra de Israel. Por essa razão, no Shabat anterior à festa de Purim, a ação de Amalek é lembrada na leitura da Torá. Em Purim, os judeus foram salvos do perverso Haman, um descendente do rei amalequita. Comemora-se a destruição de Amalek até hoje nos lares israelitas.

O rabino da Brigada Nahal, capitão Amichai Friedman, antes da entrada em Gaza, exortou seus soldados: “A terra é nossa, toda a terra, incluindo Gaza, incluindo o Líbano”. Na Torá, o livro de Deutoronômio (11:24), citado por Netanyahu, diz: “Todo lugar onde vocês puserem os pés será de vocês. O seu território se estenderá do deserto do Líbano ao do rio Eufrates ao Ocidental”. O ataque terrorista do Hamas legitimou internamente a política de Benjamin Netanyahu para a Cisjordânia, que é ocupada por Israel e está sendo gradativamente colonizada, e o projeto de limpeza étnica da Faixa de Gaza, cujo Norte já se tornou inabitável. O plano de estado-maior do Ministério de Inteligência de Israel já era mover toda a população palestina da Faixa de Gaza para a Península do Sinai, o que só não acontece agora porque o Egito fechou a fronteira e impediu o êxodo dos refugiados.

Donbass, Gaza e Taiwan

Entretanto, a guerra de Gaza tornou-se o epicentro de uma disputa muito maior. Ao contrário do Brasil, na presidência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), a China ainda não convocou nenhuma reunião do órgão. Quem tem pressa agora são os Estados Unidos, para recuperar o controle sobre a crise em Gaza. A Rússia não faz nenhuma questão de aprovar uma resolução, depois do veto americano à proposta de cessar-fogo humanitária brasileira, que foi aprovada por 12 votos a um e duas abstenções. O massacre de civis palestinos em seu território legitima a ocupação da região de Donbass, na Ucrânia, e um novo ataque à Odessa, cujo controle é uma das ambições do presidente russo Vladimir Putin, pode ocorrer a qualquer momento. O Exército russo tem 350 mil homens posicionados na fronteira para uma nova ofensiva.

No próximo dia 15, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o presidente chinês, Xi Jinping, deverão se encontrar na Califórnia, durante a 30ª reunião dos líderes do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC, na sigla em inglês), que ocorrerá de 11 a 17 de novembro, com a participação de 21 países, que representam metade do comércio mundial e 40% dos habitantes da Terra. Os dois países protagonizam uma guerra comercial que está se transformando em nova guerra fria.

A China nunca reconheceu a independência de Taiwan, que está para os Estados Unidos no Mar das China como Israel no Oriente Médio. O apoio incondicional dos Estados Unidos à ocupação da Palestina permitiria à China, moralmente, invadir e exigir a reintegração de Taiwan ao seu território, como aconteceu com as ilhas de Hong Kong (Reino Unido) e Macau (Portugal). Entretanto, o mundo estaria à beira da Terceira Guerra Mundial. Biden e Jinping, porém, juntos, têm condições de promover o cessar-fogo na Ucrânia e/ou em Gaza, se resolverem dar um basta à instabilidade mundial.

Correio Braziliense

A ameaça do extremismo israelense - Editorial




Israel e o mundo precisam derrotar os jihadistas do Hamas se quiserem abrir caminho para a paz. Mas a paz ficará cada vez mais distante se Israel não neutralizar seus próprios radicais

O governo do Hamas em Gaza é incompatível com a paz. Para a milícia jihadista, qualquer solução de compromisso é só um passo atrás para poder dar vários adiante rumo ao seu objetivo: a aniquilação de Israel e a submissão do mundo ao islã. A Israel não resta alternativa senão obliterar a capacidade militar do Hamas e defenestrá-lo do governo. A comunidade internacional precisa pressionar Israel a respeitar as leis da guerra e minimizar danos a civis, mas um cessar-fogo a esta altura só daria ao Hamas a chance de recobrar forças e perseguir suas metas com mais brutalidade.

No entanto, se desbloquearia o caminho para a paz, a destruição do Hamas, sozinha, não é suficiente para pavimentá-lo. Se a ação militar não for complementada por uma estratégia política em relação aos palestinos, esse caminho será inviabilizado por décadas. O Hamas é só a cabeça mais brutal da hidra do radicalismo. Se essa cabeça for cortada sem uma alternativa digna para os palestinos, surgirão outras ainda mais ferozes. Crucial para evitar isso será formar uma coalizão de países árabes avessos ao jihadismo para instaurar um governo civil em Gaza, concomitantemente à normalização das relações entre esses países e Israel. Sobre essas bases, será indispensável retomar o processo para dar à luz um Estado palestino.

O Hamas sempre se opôs à solução dos dois Estados. Mas, mesmo que ele seja destruído, o caminho para a paz seguirá obstruído se Israel não contiver seus próprios extremistas. Há pouco, a imprensa israelense revelou um documento em que um ministro sugere transferir à força os palestinos de Gaza para a península do Sinai, no Egito. Outro ministro sugeriu que lançar uma bomba nuclear em Gaza seria uma “opção”. E o governo continua a tolerar, se não a incentivar, as agressões de colonos israelenses contra palestinos na Cisjordânia.

A colonização é parte da velha estratégia do premiê Benjamin Netanyahu de dividir para conquistar. Ao invés de enfraquecer o Hamas em Gaza e fortalecer seus rivais do Fatah, a facção mais moderada e secular que governa a Cisjordânia, Netanyahu abandonou Gaza à própria sorte, confiando em suas defesas, e acelerou a colonização na Cisjordânia, desmoralizando ainda mais o já decrépito Fatah. O objetivo era inviabilizar a instauração de um Estado palestino. Desde o primeiro governo Netanyahu, nos anos 90, o número de colonos quadruplicou, de 116 mil para mais de 465 mil.

A atual coalizão com partidos ultranacionalistas e extremistas religiosos levou essa política a um novo patamar. A crise expôs a sua falência. Mas, ao invés de revertê-la, o governo a está intensificando.

A mudança da atitude defensiva para a ofensiva em Gaza era inevitável. Mas Israel recusa tratativas para garantir algum alívio humanitário substancial. Para as perspectivas de longo prazo, a situação na Cisjordânia é, em certa medida, até mais preocupante. A Cisjordânia é o que há de mais próximo de um Estado palestino e o Fatah é o que há de mais próximo de um parceiro para um processo de estabilização política. Mas, em 2022, 146 palestinos foram mortos por israelenses na Cisjordânia e em 2023, antes do ataque do Hamas, já tinham sido ao menos 153. Desde então mais de 140 morreram e multidões foram expulsas de suas casas em verdadeiros pogroms.

Netanyahu deveria renunciar. Sendo isso improvável, deveria ao menos ordenar que os fanáticos retrocedam. Os moderados que passaram a compor o governo com a guerra deveriam fazer o que se espera deles: moderar o governo extremista. Mas nada disso está acontecendo, e, sob a cumplicidade dos moderados, os celerados estão aproveitando o foco em Gaza para aterrorizar a Cisjordânia.

O ataque selvagem do Hamas foi calculado para provocar uma retaliação selvagem de Israel e assim radicalizar mais os palestinos e os antissionistas nos países árabes e em todo o mundo. Desgraçadamente, a tática tem sido, em parte, bem-sucedida.

Israel e o mundo precisam obliterar os radicais do Hamas se quiserem abrir o caminho para a paz. Mas, se Israel não neutralizar seus próprios radicais, a paz ficará cada vez mais distante.

O Estado de São Paulo

Instituições funcionam. Mas para quem? - Editorial




O ministro do STF Alexandre de Moraes e seus familiares, que alegam terem sido vítimas de agressão no aeroporto de Roma, foram admitidos como assistentes de acusação na fase de investigação, um exótico privilégio, e foram favorecidos pela imposição do sigilo às filmagens.

A desigualdade social é precedida e perpetuada por uma desigualdade jurídica. Há um Estado efetivo para uma minoria de privilegiados e outro, precário, para uma maioria de marginalizados

Desde a Era Iluminista, os Estados nacionais foram reconfigurados pela sucessiva consolidação de três categorias de direitos: civis (como propriedade ou liberdade de expressão), políticos (de eleger e ser eleito) e sociais (como educação, saúde ou previdência). A Constituição de 88 consagrou essa evolução. Ao constituir a República como um Estado “Democrático de Direito”, ela estabelece que a lei é igual para todos e será definida e implementada pelo povo, por meio de seus representantes eleitos no Legislativo e Executivo, e interpretada pelo Judiciário, cujos representantes máximos nas cortes superiores são selecionados pelos representantes eleitos. Sobre os dois pilares da “democracia liberal”, o constituinte arquitetou o terceiro aspecto do Estado moderno: o “bem-estar social”.

Esse governo “do povo, pelo povo, para o povo, não perecerá na terra”, augurou Abraham Lincoln. Mas na última década ele tem se degradado em todo o mundo. Institutos como o V-Dem, o Economist Intelligence Unit, a Freedom House e o World Justice Project documentam a deterioração das instituições democráticas, das liberdades fundamentais e do Estado de Direito. A erosão das taxas de prosperidade e igualdade vem a reboque.

O Brasil segue esse padrão, com uma agravante. Os direitos civis, políticos e sociais formalizados na Constituição estão se deteriorando antes de terem se consolidado. Incompleta, a cidadania brasileira está se degradando. O Estado é cindido em dois: um para uma minoria de privilegiados, outro para uma maioria de marginalizados. As elites do poder público e iniciativa privada gozam de todas as garantias, liberdades e benesses que o dinheiro pode comprar e o poder pode conferir. No outro extremo, há uma massa de degredados para os quais a Constituição é letra morta.

Esse “estado de coisas inconstitucional” é particularmente evidente na Justiça, em especial na Justiça penal. No ranking do Rule of Law Index do World Justice Project, que mede a percepção do Estado de Direito junto a acadêmicos, operadores do direito e lideranças civis, o Brasil ocupa a 81.ª posição entre 140 países. Na Justiça penal, está na 112.ª posição, com péssimas avaliações na investigação criminal (107.ª), sistema correcional (130.ª) e tempestividade e eficácia dos julgamentos (132.ª). O índice classifica nosso sistema prisional como o segundo menos imparcial do mundo, só à frente da Venezuela.

Judiciário e Ministério Público, a elite do serviço público, extraem do Estado todos os privilégios possíveis e imagináveis. No extremo oposto, o sistema prisional, uma terra arrasada de direitos, exprime a falência do Estado. Em tese, esse sistema deveria atender a três fins: proteção da sociedade, dissuasão dos aspirantes ao crime e ressocialização dos condenados. Na prática, ele subverte esses fins, transformando-se numa usina do crime.

A desigualdade social é precedida e perpetuada pela desigualdade jurídica. Compare-se, por exemplo, a experiência de dois cidadãos supostamente iguais perante a lei. O ministro da Suprema Corte Alexandre de Moraes e seus familiares, que alegam terem sido vítimas de agressão no aeroporto de Roma, foram admitidos como assistentes de acusação na fase de investigação, um exótico privilégio, e foram favorecidos pela imposição do sigilo às filmagens que comprovariam o delito. Diverso foi o caso, recentemente abordado no podcast Rádio Novelo Apresenta, do jovem ativista Pedro Henrique Santos Cruz, de Tucano, na Bahia. Frustrado após suas denúncias de abusos por policiais terem sido ignoradas pela Justiça, Pedro organizou uma série de protestos. Por anos foi hostilizado por policiais. Em 2018, três homens encapuzados invadiram sua casa e o executaram a tiros. Testemunhas acusam policiais. Apesar das mobilizações da família, o caso nunca foi devidamente investigado.

As instituições estão funcionando? Depende. A resposta em Tucano será uma; em Brasília, outra. A do cidadão Alexandre de Moraes será uma, a do cidadão Pedro Henrique não será dada, porque ele foi morto sob a negligência do Estado, se não por agentes do próprio Estado. Mas a resposta de sua família e de uma legião de jovens da periferia como ele será inequívoca: um categórico “não”.

O Estado de São Paulo

Quando sai o resultado do Enem 2023? E como calcular a nota?

Domingo, 12/11/2023 - 20h40

Por Claudinei Queiroz | Folhapress

Quando sai o resultado do Enem 2023? E como calcular a nota?
Foto: Reprodução / Redes Sociais

Após o segundo dia de provas do Enem 2023, neste domingo (12), os estudantes começam a viver a expectativa pelo resultado, que mostrará se eles terão condições de conseguir uma vaga em instituição de ensino superior pública ou privada.
 

Isso será possível por meio da plataforma Sisu (Sistema de Seleção Unificada), mas o participante também pode pleitear um financiamento estudantil junto ao Fies ou ao Prouni (Programa Universidade para Todos).
 

De acordo com o edital publicado pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), o gabarito oficial do Enem será divulgado no dia 24 de novembro na seção Provas e Gabaritos do portal. Já o resultado final, com a pontuação, será conhecido apenas no dia 16 de janeiro de 2024, na página do participante.
 

Apesar de o gabarito sair antes da nota final, não é possível deduzir qual nota o estudante vai tirar apenas contando os erros e os acertos. Isso ocorre por causa do sistema adotado pelo Enem para dar as notas.
 

Desde 2009 a nota do exame passou a ser calculada pelo modelo matemático chamado TRI (Teoria de Resposta ao Item), para, segundo o Inep, "garantir comparabilidade de notas entre provas de diferentes aplicações. Há uma lógica de tentar premiar com melhores notas estudantes que demonstrem maior coerência na aferição de suas habilidades na prova".
 

"A TRI é um conjunto de modelos matemáticos que busca representar a relação entre a probabilidade de o participante responder corretamente a uma questão, seu conhecimento na área em que está sendo avaliado e as características dos itens", destaca o Inep.
 

Assim, basicamente, a nota será calculada levando-se em conta não apenas o número de acertos, mas também o cálculo de quais perguntas foram respondidas corretamente.
 

Em 2021, a Folha publicou uma análise estatística explicando a TRI e demonstrando que estudantes que acertarem só questões fáceis podem tirar notas superiores aos que acertarem apenas as difíceis. Isso ocorre porque acertar questões difíceis e errar fáceis é entendido pelo modelo como um possível chute, e há reflexo na nota final.
 

A TRI considera a particularidade de cada item. Nesse sentido, as notas não dependem da quantidade de itens da prova, mas de cada item que a compõe. Sendo assim, duas pessoas com a mesma quantidade de acertos na prova são avaliadas de formas distintas, a depender de quais itens estão certos e errados e podem, assim, ter notas diferentes.
 

Todos esses critérios foram determinados pelo Inep ao avaliar os parâmetros de milhares de questões que compõem o banco de itens para cada uma das quatro áreas. "Com base nessas informações, as questões são posicionadas em uma espécie de régua com interpretação pedagógica", destaca o instituto.
 

Esses critérios, no entanto, são guardados a sete chaves pelo Inep e não são divulgados. Desta forma, não adianta os estudantes quebrarem a cabeça para tentar descobrir sua nota. O melhor é esperar mesmo o dia 16 de janeiro do próximo ano para ver quanto tirou no exame e ir atrás do sonho universitário.
 

COMO A REDAÇÃO É CORRIGIDA?
 

A avaliação é feita por, pelo menos, dois professores graduados em letras ou linguística. Um não sabe a nota que o outro deu.
 

Cinco competências são avaliadas, a cada uma sendo atribuída nota de 0 a 200. A nota do estudante será a média aritmética dos valores dados pelos dois professores.
 

As cinco competências:
 

Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa;
 

Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa;
 

Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista;
 

Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação;
 

Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
 

QUANDO SAIRÁ E ONDE VER O GABARITO?
 

O gabarito oficial das provas será divulgado no dia 24 de novembro na seção Provas e Gabaritos do portal do Inep. A Folha, em parceria com o Objetivo, também publicará um gabarito extraoficial (veja aqui) quando a prova acabar.
 

QUANDO SAI O RESULTADO?
 

O resultado do Enem será divulgado no dia 16 de janeiro de 2024, na página do participante.
 

O estudante também poderá ter acesso à vista de sua prova de redação exclusivamente para fins pedagógicos 60 dias após a divulgação dos resultados.
 

E os treineiros, os estudantes segundo-anistas que fazem o Enem como treinamento para o ano seguinte, terão suas notas divulgadas 60 dias após a divulgação dos resultados do exame.

PT aproveita efeito Lula, cresce para 2024 e filia prefeitos até do PL


Por João Pedro Pitombo | Folhapress

Estrelas do PT
Foto: Divulgação / PT

De olho nas eleições municipais do próximo ano, o PT abriu as portas para novos filiados, cresceu em número de prefeituras e atraiu para os seus quadros até mesmo prefeitos do PL, legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro.
 

Embalado pela vitória de Lula para a Presidência no ano passado, o partido ganhou 51 novos prefeitos por meio de migração partidária, segundo dados dos 26 diretórios estaduais. A legenda saiu de um total de 183 eleitos em 2020 para atuais 234 gestores municipais.
 

Com o vento a favor, o partido começa a deixar para trás o cenário adverso de 2020, quando saiu das urnas com 183 prefeitos, pior desempenho desde 1996. O auge do partido em uma eleição municipal foi em 2012, sob presidência de Dilma Rousseff, quando conquistou 644 prefeituras.
 

O avanço do PT foi puxado pelos estados do Piauí, Ceará e Bahia, todos comandados por governadores petistas. Mas também houve novas filiações pontuais no Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Maranhão e Mato Grosso do Sul.
 

A tendência é que o número de prefeitos petistas cresça até abril de 2024, prazo máximo para novas filiações dos políticos que vão disputar as eleições.
 

"Ao contrário do que acontece nos cargos proporcionais, os prefeitos são donos do próprio mandato, logo podem migrar a qualquer tempo, sem punições. Os custos para migração são baixos", avalia o cientista político Vitor Sandes, professor da Universidade Federal do Piauí.
 

Ele destaca que existe uma espécie de movimento pendular em direção às siglas aliadas ao presidente, cujo poder de atração é maior nos municípios mais dependentes de recursos federais.
 

Não por acaso, o maior salto em número de prefeituras aconteceu no Piauí, estado governado pelo PT pela quinta vez, mas que estava na oposição ao governo Jair Bolsonaro.
 

Em 2020, a força de Ciro Nogueira junto ao governo ajudou a catapultar o desempenho do PP, que chegou a 83 prefeitos no estado. Agora, após a vitória de Lula, é o PT que começa a crescer: o partido saiu de 22 prefeitos eleitos para os atuais 49 e ainda avalia novos pedidos de filiação.
 

"Há uma disputa pela marca do PT, que é muito forte no nosso estado. Temos municípios em que dois grupos antagônicos pediram filiação ao partido. Chegamos a rejeitar alguns pedidos", afirma João de Deus Sousa, presidente estadual da legenda.
 

O partido adotou como critério a filiação apenas de prefeitos que apoiaram Lula e o governador Rafael Fonteles em 2022. Prefeitos que apoiaram a oposição têm migrado para outros partidos aliados do PT no estado, sobretudo o PSD e o MDB.
 

Na Bahia, maior estado comandado pelo PT, o partido filiou dez novos prefeitos desde a vitória do governador Jerônimo Rodrigues no ano passado, saltando de 32 para 42 gestores municipais.
 

"A procura aumentou após as vitórias de Jerônimo e Lula. Voltou a estar na moda ser PT, por assim dizer. Mas estamos tratando essa questão com tranquilidade e maturidade. A porta não está fechada, nem tampouco escancarada", afirma o presidente estadual do PT, Éden Valadares.
 

Ele diz que o partido foi procurado por cerca de 50 prefeitos com mandato nos últimos meses. Mas a maioria esbarrou no conjunto de critérios definidos pelo partido para avaliar os pedidos de filiação.
 

Os critérios incluem o aval dos diretórios municipais e compromisso de apoiar candidatos a deputado do PT em 2026. Também foram vetados nomes que apoiaram Bolsonaro ou ACM Neto (União Brasil), candidato derrotado ao governo, nas eleições do ano passado.
 

Ainda assim, as novas filiações não ficaram imunes a atritos com aliados. Na cidade de Esplanada, o partido filiou o prefeito Nandinho da Serraria, eleito pelo PSDB, sob fortes críticas do grupo liderado por Alex Lima (PSB), ex-deputado estadual e assessor do governador.
 

"Os que irão amanhã vestir o manto vermelho são aqueles mesmos que pediram a queda da Dilma, a prisão do Lula, a chegada do Bolsonaro ao poder e flertavam com a ditadura. Não tem camisa bonita que embeleze uma alma podre. Nesse caso, no máximo, a camisa apodrece", disparou Lima.
 

O comando do PT minimiza as críticas e alega que é comum que disputas locais ocorram entre partidos da base: "Aí é ter responsabilidade e maturidade de deixar que a disputa local não contagie a aliança estadual", diz Valadares.
 

Dois dos novos prefeitos que se filiaram ao PT na Bahia vieram do PL, partido de Bolsonaro –são eles Romi, da cidade de Planaltino, e Marcelo Emerenciano, de Cocos. Mas ambos não haviam seguido o próprio partido em 2022 e apoiaram Lula nas eleições presidenciais.
 

Marcelo Emerenciano, que é médico e governa um dos polos do agronegócio na Bahia, diz que a mudança do PL para o PT se deu de forma natural.
 

"Nunca escondi que sou simpatizante e votava com o PT. Não tenho alinhamento ideológico com o bolsonarismo. Sou de esquerda", diz o prefeito, que foi um dos articuladores da ida do presidente Lula, em junho, à feira agropecuária Bahia Farm Show.
 

Ele afirma que está confortável no partido e diz não temer a aversão de parcela do agronegócio com os governos petistas. "Quero quebrar preconceitos e ser uma ponte do setor com o partido", diz.
 

No Ceará, o PT cresceu de 18 para 32 prefeitos após a eleição do governador Elmano de Freitas, deve chegar a até 40 até as eleições e tem como meta sair das urnas em 2024 com cerca de 50 prefeitos.
 

Ao menos quatro dos novos prefeitos petistas vieram do PDT, partido que vive uma crise interna que opôs os irmãos Cid e Ciro Gomes e que se divide entre aliados e adversários do governador.
 

Outros três prefeitos vieram do PL: Wilamar Palácio, de Cariús, Marcondes Jucá, de Choró, e Francisco Mendes, conhecido popularmente como Meu Deus, de Santana do Acaraú. Mas o partido também atraiu gestores de siglas aliadas, caso de PSB, MDB e até do PSOL.
 

Também houve avanços pontuais do partido fora do Nordeste. Em Mato Grosso do Sul, o partido voltou a ter um prefeito após sete anos: João Alfredo Danieze, da cidade de Ribas do Rio Pardo, trocou o PSOL pelo PT em busca de um partido mais robusto para tentar a reeleição.
 

No Rio de Janeiro, o partido filiou a prefeita de Japeri, Fernanda Ontiveros, que era do PDT e agora tem duas prefeituras no estado. A meta para 2024 é eleger ao menos dez prefeitos.
 

Mesmo em redutos bolsonaristas, o clima é de otimismo. É o caso de Santa Catarina, onde o partido conseguiu manter os 12 prefeitos, ampliou o número de diretórios e deve multiplicar as candidaturas no próximo ano.
 

"Não somos mais vistos como um partido que está apenas marcando posição, nos tornamos uma alternativa de poder", afirma Décio Lima, presidente estadual do PT e candidato a governador derrotado no segundo turno em 2022.


Desembargadora Nágilo Brito desiste de disputar a presidência do TJ-BA e está de olho em outro cargo

 

Por Camila São José

Desembargadora Nágilo Brito desiste de disputar a presidência do TJ-BA e está de olho em outro cargo
Foto: Márcia Guimarães / Ampeb

A desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Nágila Brito, desistiu de concorrer ao cargo de presidente da Corte e ao posto de 1ª vice-presidente. No entanto, a magistrada vai seguir na corrida pela Corregedoria das Comarcas do Interior (CCI). 

 

eleição da nova mesa diretora do TJ-BA acontecerá nesta terça-feira (14), às 8h30, em sessão do Pleno na sede do tribunal, em Salvador (leia mais). 

 

Nágila Brito também havia se candidatado para  a 2ª vice-presidência e Corregedoria-Geral de Justiça (CGJ). Atualmente, ela é presidente da Coordenadoria da Mulher do TJ-BA. A desembargadora se tornou membro da Corte em dezembro de 2010, por meio do quinto constitucional em vaga destinada ao Ministério Público (saiba mais).

Em Sergipe tem petistas demais para boquinhas de menos

 em 13 nov, 2023 8:20

Passados mais de 10 meses da posse do presidente Lula da Silva (PT) ainda tem muita gente em Sergipe sonhando com uma boquinha no governo federal. Os mais agoniados por uma sinecura que pague bem e exija pouco são os petistas, principalmente aqueles que foram defenestrados do poder quando o PT rompeu, em 2020, com o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT), e em 2022, com o governo de Sergipe. A esperança da rapaziada era retornar aos milhares de cargos em comissão do Estado caso o senador Rogério Carvalho (PT) tivesse sido eleito governador no pleito passado, porém o sonho virou pesadelo com a inesperada vitória de Fábio Mitidieri (PSD). Restaram os “empregos” federais, só que eles são de menos para lulistas demais. Alguns já sem esperança em conseguir uma teta para mamar choramingam pelos cantos, enquanto outros prometem dar o troco nos aliados nas eleições de 2024, quando o PT tentará novamente conquistar a Prefeitura de Aracaju para aboletar a galera vermelha nas mamatas custeadas pelos contribuintes. Marminino!

Ficou de fora

Nenhuma das nove empreendedoras sergipanas selecionadas na etapa estadual conseguiu chegar à fase final do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios (PSMN) 2023, que elegeu 15 experiências em todo o país. Mais de quatro mil mulheres se inscreveram – 37% a mais do que no ano anterior. As escolhidas já passaram pela fase estadual, em agosto, e pela regional, em outubro. A cerimônia de entrega da premiação nacional está marcada para 5 de dezembro. Na etapa sergipana, Tatiane Santos Costa ficou em 1º lugar na categoria Microempreendedora Individual, mas não obteve êxito na disputa para a final do certame. Ah, bom!

Defesa da Deso

Os trabalhadores da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) farão uma manifestação pública contra a privatização da estatal. Será amanhã, em frente à Câmara Municipal de Aracaju. O ato ocorrerá no momento em que o presidente do sindicato da categoria, Silvio Sá, estiver expondo aos vereadores os prejuízos causados aos sergipanos com a venda de parte da Deso. De acordo com o Sindisan, o próprio governador Fábio Mitidieri (PSD) já confirmou que será preciso promover demissões na estatal visando enxugá-la antes de entregá-la de mão beijada à iniciativa privada. Crendeuspai!

País machista

Mais da metade (53%) das brasileiras com idade entre 14 e 21 anos convivem com o medo de ser assediadas. Segundo estudo da organização internacional de combate à pobreza ActionAid, o medo diário do assédio afeta 41% das adolescentes entre 14 e 16 anos. O percentual sobe para 56% na faixa que vai dos 17 aos 19 anos e alcança 61% entre 20 e 21 anos. Desconjuro!

Malas prontas

E as línguas ferinas andam espalhando pelas esquinas de Sergipe que o presidente do Banese, Marco Queiroz, deve retornar em breve ao comando da Secretaria Estadual da Fazenda, onde esteve no governo passado. É que, segundo ainda as fofoqueiras de plantão, a titular da Sefaz, Sarah Tarsila Andreozzi, já está de malas prontas para retornar à Brasília, de onde veio atendendo convite do governador Fábio Mitidieri (PSD). Com a saída da fidalga, que não se ambientou aqui na terrinha, Marco Queiroz será escalado para substituí-la na tarefa de cuidar das finanças estaduais. Aguardemos, portanto!

Noventa de volta

O ex-deputado federal Valdevan Noventa (PP) reassumiu a presidência do poderoso Sindimotoristas de São Paulo. Ele havia sido afastado do cargo em agosto do ano passado, após uma série de denúncias. Noventa tem pela frente a coordenação das eleições para a nova diretoria, marcadas para os dias 21 e 22 de dezembro próximo. Encabeçando a chapa Resistência e Ação, Valdevan vai tentar a reeleição contra três outros candidatos. Ao reassumir o posto, Noventa disse que se considera um predestinado, um homem em que a palavra medo não consta do seu dicionário. Aff Maria!

Embora tenha direito a uma tecla na urna eletrônica, o voto branco tem tanta serventia quanto olho mágico em porta de vidro. Considerado válido até a Constituição de 1988, era tido como um sufrágio de conformismo, pelo qual o eleitor se mostrava satisfeito com quem vencesse as eleições. Portanto, o hoje desnecessário voto branco deveria ser extinto simplesmente, cedendo seu lugar na urna eletrônica ao voto nulo, numa tecla preta. Este sim, uma importante ferramenta de protesto da sociedade, pois indica o percentual de insatisfação dos eleitores com os candidatos. Cruzes!

Torrando dinheiro

Vejam o que publicou o jornalista Guilherme Amado no site de notícias Metrópoles: “O deputado bolsonarista Rodrigo Valadares (União) gastou R$ 4,5 mil de dinheiro público para ficar hospedado em um hotel da rede Hilton em Puerto Madero, bairro nobre de Buenos Aires, durante sua participação na campanha do ultraliberal Javier Milei!”. Guilherme Amado ressalta que a missão oficial de Valadares foi autorizada pela Câmara dos Deputados, sob a justificativa de que o bolsonarista foi para Buenos Aires acompanhar o respeito às garantias democráticas e ao direito de escolha da população local. Misericórdia!

CPI na Barra

A Câmara de Vereadores da Barra dos Coqueiros vai instalar esta semana uma CPI para apurar denúncias contra a Prefeitura. De acordo com os vereadores que aprovaram a Comissão Parlamentar de Inquérito, serão investigadas supostas irregularidades na concessão de licenças e alvarás emitidos pela Secretaria Municipal de Obras Públicas. Segundo o prefeito Alberto Macedo (MDB), se houver culpados, que sejam penalizados. “A CPI é uma questão mais política, porém de um todo não é negativa. Uma coisa é certa, o prefeito não tem envolvimento. Eu ando de cabeça erguida.”, discursou o emedebista, Então, tá!

Caso pra estudo

Para a maioria dos eleitores é difícil entender o que leva uma pessoa a gastar muito dinheiro e até arranjar inimizades para se eleger prefeito e assumir o comando de uma administração quase falida, como é o caso de várias prefeituras do interior. Quanto à disputa pelo comando de Aracaju, talvez um estudo mostre que parte dos pré-candidatos à cadeira ocupada hoje pelo prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) quer mesmo é usar a prefeitura como degrau para um salto mais alto. A ideia é transformar o eleitor em moeda de troca para as “negociações” políticas a serem feitas quando 2026 chegar. Home vôte!

Vida desgraçada

“A fome faz o homem procurar caminhos nunca andados. O que importa! Ele vai por aí! Todos os caminhos o levam para lugar nenhum. Ele sabe que é macho. Cabra da peste e que vive no agreste, mas é um nordestino sem destino. Seu destino é enfrentar a seca terrível do sertão. Vida de graça. Vida sem graça, Vida desgraçada. Vida desigual”. Como é atual este trecho do romance Vidas Secas, escrito pelo alagoano Graciliano Ramos. Só Jesus na causa!

INFONET

Em destaque

Futuro 444, Angelo Coronel disfarça sobre novo partido

  Futuro 444, Angelo Coronel disfarça sobre novo partido Por  Política Livre 01/02/2026 às 15:03 Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado O se...

Mais visitadas