sábado, fevereiro 11, 2023

Garimpeiros continuam invasão de terra yanomami e demonstram resistência

***ARQUIVO*** ALTO ALEGRE, RR, 07.02.2023 - Garimpeiros que saíram da Terra Indígena Yanomami caminham carregando seus pertences por estrada que liga o porto do Arame, no rio Uraricoera, à vila Reislândia, no município de Alto Alegre, em Roraima. (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress)
***ARQUIVO*** ALTO ALEGRE, RR, 07.02.2023 - Garimpeiros que saíram da Terra Indígena Yanomami caminham carregando seus pertences por estrada que liga o porto do Arame, no rio Uraricoera, à vila Reislândia, no município de Alto Alegre, em Roraima. (Foto: Lalo de Almeida/Folhapress)




BOA VISTA, RR (FOLHAPRESS) - Equipes do Ibama detectaram um fluxo de embarcações de garimpeiros com combustível e mantimentos entrando na Terra Indígena Yanomami, um indicativo da continuidade da atividade de exploração de ouro e cassiterita apesar das ações para seu desmonte.

Além disso, agentes do órgão ambiental federal constataram a disposição de grupos de invasores armados à resistência e ao enfrentamento a forças policiais que passaram a operar para destruição de aeronaves e maquinários e para a retirada dos garimpeiros.

A continuidade do fluxo de invasores terra indígena adentro e a disposição à violência dão uma dimensão da complexidade e do tamanho do problema da invasão garimpeira na área yanomami, que contou com a conivência e o estímulo do governo Jair Bolsonaro (PL).

"Eu nunca vi uma destruição tão grande e tanta gente envolvida em crime ambiental. Esses 15 mil, 20 mil garimpeiros equivalem à população de uma cidade pequena", disse à reportagem o coordenador das ações de fiscalização do Ibama na terra yanomami, Givanildo dos Santos Lima.

Lima falou com a reportagem no começo da noite desta sexta-feira (10), no pátio da superintendência da Polícia Federal em Boa Vista, onde estão carcaças de aviões e helicópteros do garimpo, apreendidos pela PF.

Um centro de comando e controle foi instalado na sede da superintendência, com o objetivo de planejamento das ações da chamada Operação Libertação. A operação reúne Ibama, PF, Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), Força Nacional de Segurança Pública e Ministério da Defesa.

As primeiras ações na terra yanomami foram executadas por agentes do Ibama, na segunda (6) e na terça (7). Houve destruição de aeronaves e maquinários, além de apreensão de mantimentos transportados por garimpeiros.

Nesta sexta, a PF e as Forças Armadas participaram de mais uma ação no território. A operação contou com helicópteros do tipo Black Hawk, com capacidade para transportar mais de dez policiais cada um. Antes, ao longo dos últimos dois anos do governo Bolsonaro, as Forças Armadas negavam o fornecimento de helicópteros do tipo para operações na terra yanomami.

O governo Lula (PT) declarou estado de emergência em saúde pública no dia 20 de janeiro, em razão da explosão de casos de malária, desnutrição grave e infecções respiratórias –associadas à fome– entre os yanomamis, especialmente nas regiões de Surucucu e Auaris. Nesta semana, teve início a Operação Libertação.

Já há um consenso no centro de comando e controle para permissão de saída de garimpeiros que assim a desejarem, sem prisão.

Uma restrição inicial do espaço aéreo pela FAB (Força Aérea Brasileira), já flexibilizada, e a expectativa de realização de operações na terra indígena levaram a uma fuga de grupos de garimpeiros.

Quem não consegue pagar por voos clandestinos em aviões e helicópteros precisa fazer o caminho de volta pela floresta –são dias de varação pela mata–, em barcos –os percursos duram um ou dois dias– e a pé por estradas vicinais que conectam portinhos a vilas no interior de Roraima.

O coordenador das ações de fiscalização do Ibama disse que mais garimpeiros estão saindo do que entrando, mas que segue o fluxo de invasores para dentro do território.

"Enquanto tem gente saindo, tem gente entrando. As equipes abordaram 20 embarcações de gente entrando pelo rio Uraricoera, com combustível, comida e fogão", afirmou Lima.

O plano traçado é permitir o fluxo de garimpeiros que estejam fazendo o caminho de volta, sem apreender o combustível usado nos barcos.

A orientação de prisão, conforme o coordenador do Ibama, é para garimpeiros que insistem em permanecer no território e que manifestam a intenção de resistência e enfrentamento, como já detectado pelas forças de fiscalização e policiais. Há grupos armados entre os que ameaçam resistência, segundo Lima.

Os garimpeiros estavam acostumados a ações pontuais no governo Bolsonaro, com presença de agentes do Ibama e da PF apenas por alguns dias, o que permitia esconderijos na mata e permanência nas áreas de garimpo, conforme o coordenador.

Agora, o plano é de uma ação contínua, "sem prazo para acabar". "Só termina quando retirar todos os garimpeiros."

Conforme o coordenador, toda a estrutura do Ibama está montada para durar seis meses, com ações ininterruptas de equipes que se revezarão de 20 em 20 dias. Essa permanência poderá ser prorrogada por seis meses. Lima acredita que a retirada definitiva dos garimpeiros pode durar um ano.

"A gente vinha para cá com prazo para terminar [a operação]. Agora, viemos com prazo indeterminado. Montamos uma base operacional de combate ao garimpo", disse o coordenador.

Uma primeira base permanente já foi montada, e há previsão de instalação de novas bases, com presença de agentes do Ibama, PF e Força Nacional de Segurança Pública. A logística cabe ao Exército.

As primeiras incursões mostram uma ampla destruição pelo garimpo. "Há aldeias completamente destruídas, por raio de quilômetros. O garimpo espanta a caça, os indígenas não conseguem mais pescar. Há aldeias sem água potável. Não dá nem para tomar banho [nos rios enlameados pela atividade garimpeira]. Por isso aqueles quadros de desnutrição", afirmou Lima.

Os casos de proximidade entre garimpeiros e indígenas, com cooptação para a exploração de ouro e cassiterita, são pontuais, segundo o coordenador do Ibama. "Os garimpeiros oferecem coisas que esses indígenas não conheciam, como álcool e alguns tipos de alimentos."

No governo Lula, ministros passaram a admitir a dificuldade nas ações de desintrusão da terra yanomami, diante da constatação da realidade.

"Não vamos conseguir resolver isso numa semana. Temos ações e planos a médio prazo, a longo prazo. São ações que vão durar seis meses, um ano", disse na quarta (8) a ministra Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas.

No mesmo dia, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que existe a preocupação de "não prejudicar inocentes", em referência a garimpeiros em fuga da terra yanomami.

"Têm pessoas que trabalham no garimpo para se sustentar. Têm mulheres, têm crianças. Têm alguns que estão trabalhando pelo seu sustento", disse Múcio. 

YAHOO

PSB irá acionar Conselho de Ética por ameaça de Sargento Fahur a Dino: 'Vem buscar minha arma'

 sex., 10 de fevereiro de 2023 às 3:50 PM BRT

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) anunciou que irá acionar o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados por conta de uma fala do deputado Sargento Fahur (PSD-PR), dita durante um evento armamentista na casa legislativa, dirigida ao ministro da Justiça e Segurança Pública Flávio Dino (PSB). Nesta quinta-feira, o PSB publicou uma nota sobre o episódio na qual classifica a fala do deputado como uma ameaça.

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Veja abaixo a fala de Fahur, sargento da PM do Paraná que ganhou projeção nas redes sociais por conta de suas entrevistas a redes locais de televisão comentando operações policiais:

— Falaram nesse governo em tirar o porte de arma inclusive do policial aposentado, da reserva. Em muitos casos, estarão condenando esses policiais a morte — diz o deputado federal paranaense, que está em seu primeiro mandato no cargo — Eu trabalhei 35 anos na Polícia Militar dando coronhada e tiro em cabeça de vagabundo (...) Flávio Dino, vem buscar minha arma aqui, seu merda.

"É inaceitável que, sob a crença de que sairão impunes pelo quesito da imunidade parlamentar, deputados federais sintam-se livres para cometer crimes contra a vida de outras pessoas ou incitar o ódio e saiam impunes", disse o partido por meio da nota.

"Agradeço a solidariedade da bancada e, tenho certeza, de centenas de outros parlamentares, que não querem o Congresso Nacional como palco de deploráveis cenas", publicou o ministro Dino em suas redes sociais, após a publicação da nota do PSB.

Apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Fahur fez a fala na manhã de quinta-feira na Câmara dos Deputados, durante o evento "Encontro com a Indústria de Defesa". Estavam presentes também Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Marcos Pollon (PL-MS), Capitão Alden (PL-BA), Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), Silvia Waiãpi (PL-AP) e outros.

A fala de Fahur faz referência a uma fake news que circula nas redes sociais, na qual se afirma que um decreto do Ministério da Justiça determinou para março o fim do porte de arma para policiais militares inativos. Não há registro de medida do gênero no Diário Oficial da União. No dia 26 de janeiro, o próprio Ministério já havia desmentido a informação:

"O Ministério da Justiça e Segurança Publica (MJSP) esclarece que é falsa a informação que circula nas redes sociais sobre a retirada do porte de armas de policiais militares inativos de todo o Brasil. Não há novo decreto sobre controle de armas. O único foi publicado em 1º de janeiro com as regras divulgadas amplamente e um grupo de trabalho está montado para diálogo sobre o assunto no país", disse o órgão por meio de nota.

YAHOO

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Lula constrói o próprio cercadinho na briga contra o Banco Central e outros “inimigos”


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante a posse do novo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, no Rio

Lula Paz & Amor cedeu lugar à radicalização e ao ódio

Malu Gaspar
O Globo

Lula se bolsonarizou? A insólita pergunta e suas variações vêm sendo ouvidas nos gabinetes do Congresso Nacional e nas salas de reunião da Faria Lima nos últimos dias. Antes que comece a grita da falsa simetria: é claro que não estão falando de golpismo nem de nenhuma aberração antidemocrática.

Bolsonarizar, na linguagem usada por esse pessoal, é uma alusão à estratégia do ex-presidente da República de, não podendo fazer o que quer em razão de alguma barreira institucional, partir para o ataque contra a autoridade que atravessa seu caminho.

PETROBRAS E ANVISA – Foi o que Jair Bolsonaro fez várias vezes, quando atirou contra três presidentes da Petrobras, que não baixavam o preço dos combustíveis como ele queria, ou contra o presidente da Anvisa, que não aprovava o uso da cloroquina para o tratamento da Covid-19.

Nos dois casos, Bolsonaro estava amarrado. Não podia demitir o presidente da Anvisa porque ele tinha mandato e não estava sujeito a suas ordens. Até podia demitir o presidente da petroleira, mas não tinha em princípio nenhuma intenção de fazer isso, porque sabia quanto custaria para o governo e para a própria economia.

Ao final, conseguiu tirar da Petrobras seus desafetos, mas nem por isso pôde mexer na política de preços dos combustíveis.

LULA CONTRA BC – Lula segue o mesmo método ao bater no presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto — “esse cidadão” — por causa dos juros altos, deixando vazar que pode aproveitar alguma brecha na lei para exonerá-lo. Ou ainda ao declarar que a privatização da Eletrobras foi “bandidagem” e afirmar que seu governo tentará revê-la.

O presidente não vai nem exonerar Campos Neto nem reverter a privatização da Eletrobras. E não o fará não só porque enfrentaria uma série de obstáculos legais, mas também porque o custo seria tão alto que arriscaria inviabilizar o próprio governo.

A reação dos atores políticos e econômicos aos tumultos provocados por Lula e Bolsonaro é igualmente parecida: alertam sobre os riscos envolvidos, mas apostam que o presidente da República só quer agitar seus radicais, enquanto elege um culpado por eventuais fracassos.

NINGUÉM ACREDITA – No Congresso, não se encontra nenhum parlamentar sério que realmente acredite que vá adiante qualquer plano de acabar com a autonomia do BC.

Na Faria Lima, segundo um informe recente da XP, uma das maiores do ramo, “o mercado está cada vez mais dissociando o que Lula fala das ações de governo”. Traduzindo: por enquanto, o mercado de que Lula tanto reclama não está dando muita bola para o que ele diz. Mas segue o alerta da XP: se houver algum passo do governo para transformar as falas de Lula em medidas concretas, haverá problemas.

Por isso, nos últimos dias, todo mundo que tinha acesso a Fernando Haddad na Fazenda, a Simone Tebet no Planejamento, a Alexandre Padilha nas Relações Institucionais ou a Geraldo Alckmin na Vice-Presidência foi sondar o que há sob a espuma dos arroubos lulistas. O que ouviram provocou um misto de alívio e preocupação.

QUAL É O OBJETIVO? – Por um lado, os aliados garantem que não há risco de Lula avançar contra a autonomia do Banco Central ou a privatização da Eletrobras. O problema é quando tentam explicar por que Lula, com toda sua experiência, insiste em comprar uma briga com tamanho potencial destrutivo.

Há quem diga que se trata de um movimento calculado para fazer Campos Neto se “tornar mais colaborativo” e que “logo ele vai parar com isso”. Mas há também quem observe que Lula não conta mais com os conselheiros experientes que, em mandatos anteriores, diziam o que ele não queria ouvir.

Aos 77 anos e se sentindo consagrado pela terceira vitória para a Presidência, ele estaria mais free style, com menos filtro e menos paciência de se conter para agradar a quem quer que seja.

LULA VAI INSISTIR – É difícil prever até que ponto a responsabilidade prevalecerá sobre a estridência, mas, a esta altura, já parece claro aos mais enfronhados na lógica de Lula e do PT que o barulho veio para ficar. A inflexão do presidente à esquerda e o clamor contra o mercado, os juros e a responsabilidade fiscal não desaparecerão.

Operadores da política e da economia agora torcem para que se contenham os arroubos de Lula numa espécie de cercadinho retórico, enquanto figuras como Haddad e Arthur Lira “tocam a agenda do país” no ministério e no Congresso.

Se vai funcionar, ainda não se sabe. Afinal, Lula 3 definitivamente não é Bolsonaro. Mas também já não é mais o mesmo Lula que conhecemos no passado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Lula conseguiu mudar, mas para pior. (C.N.)

Petistas usam “argumento bolsonarista” para afastar Campos Neto, diz analista financeiro


Charge do JCaesar

Charge do JCaesar/Veja

Rosana Hessel
Correio Braziliense

Apesar de o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tentar minimizar o tom da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, afirmando considerar que o documento foi “mais amigável” do que o comunicado, analistas do mercado alertam para os riscos desse bombardeio generalizado de críticas, no qual petistas estão usando argumentos de bolsonaristas radicais para afastar o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, cujo mandato termina apenas em 2024.

O fato de Campos Neto não ter votado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está incomodando os petistas mais radicais do governo que partiram para a fritura dele, com efeitos nada positivos no mercado financeiro. 

EXTREMISMO – Para o economista e consultor André Perfeito, ex-economista-chefe da Necton Investimentos, os argumentos utilizados para que Campos Neto deixe o cargo ou seja exonerado são parecidos com o de bolsonaristas extremistas que querem o impeachment dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Há quem queira tirar Campos Neto por não ter cumprido a meta de inflação nos últimos anos e sendo assim foi ineficaz na sua função. Pois bem, gostariam que ele e a diretoria do Banco Central tivessem colocado os juros mais altos? Certamente que não… Outro argumento ainda mais falacioso é aquele que diz que Campos Neto não foi eleito e por isso não teria legitimidade. Ora, não era esse o mesmo argumento odiento que bolsonaristas radicais usavam para atacar os ministros do Supremo?”, destacou André Perfeito, em nota enviada a investidores. à qual o Blog teve acesso.

De acordo com o analista financeiro, ao fritar o Campos Neto até que saia ou peça para sair, o novo governo só vai trazer elevação do custo da dívida.

CRISE DESNECESSÁRIA – “Seja porque ainda não há arcabouço fiscal definido ou porque agora haverá dúvida sobre a condução do sistema de metas de inflação, o custo que se está contratando para um eventual novo presidente do Banco Central ou um novo diretor é muito mais vezes elevado do que seria necessário”, alertou.

A seu ver, essa troca de farpas é mais um jogo de cena, uma vez que o presidente Lula não deve gastar o capital político tentando acabar com a independência do Banco Central, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, não vai deixar os juros no atual patamar até o fim do ano, pois a tendência é de queda nas projeções do mercado, para 12,50% no fim do ano, conforme dados do boletim semanal Focus, do Banco Central.

Na ata do Copom, divulgada nesta terça-feira, o Banco Central usou a palavra risco 20 vezes ao justificar a manutenção da taxa básica da economia (Selic) em 13,75% ao ano, mais do que as 15 vezes da ata da reunião anterior, de dezembro de 2022. O consenso entre analistas do mercado é que será difícil para o BC reduzir os juros enquanto o novo governo não apresentar um plano crível para equilibrar as contas públicas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Como se vê, Lula confundiu a nota do Copom com a ata que o Conselho só divulga duas semanas após a reunião. Ou seja, Lula disse ter lido uma ata que ainda nem existia. É bem o seu estilo, não mudou nada, rigorosamente nada. (C.N.)

Diminuiu a fragmentação, mas o enraizamento social dos partidos continua a ser pífio


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Charge do Jorge Braga (Charge Online)

Marcus André Melo
Folha

No auge de sua fase mais jacobina, o moderado Joaquim Nabuco referiu-se aos partidos políticos como “sociedades cooperativas de colocação ou de seguro contra a miséria” (“O Abolicionismo”, 1883). Os mais pessimistas dirão que pouco ou quase nada mudou; há sim mudanças, mas em outras dimensões. Uma delas acaba de ocorrer: uma reversão da hiperfragmentação que está presente há duas décadas.

Produto da reforma de 2017, ela se manifesta em vários níveis. Em primeiro lugar, na redução no número de partidos representados na Câmara de Deputados. O número efetivo de partidos políticos (métrica que leva em conta a dispersão das cadeiras) caiu 40%, de 16.4 —o escore mais elevado já observado nas democracias— para 9.9.

MENOS PARTIDOS – Queda esperada considerando as novas regras adotadas em 2017 quanto às cláusulas de desempenho. Em 2022, 23 partidos elegeram ao menos um deputado federal, mas só 16 superaram a cláusula; por isso, ocorreram sete fusões ou incorporações partidárias.

Todas as agremiações partidárias no Brasil continuam pequenas ou médias: não há partidos grandes. O PL, o maior partido, detém 19% das cadeiras da Câmara. O segundo maior — o PT — conquistou apenas 10% do Parlamento (a Federação partidária, 13%).

Há dez partidos médios com algo entre 7% a 11% das cadeiras. Mas, de qualquer maneira, o número de partidos — descontadas as federações — caiu de 30 para 19.

BANCADAS DE UM SÓ – O segundo efeito da reforma foi a queda abrupta das bancadas de um só representante. Na Câmara atual todos os atuais deputados de AL, RO, AP, ES, RR, RN e SE provêm de partidos diferentes.

Na bancada eleita o quadro é radicalmente diferente. Em Alagoas, o PP acaba de eleger quatro deputados federais, o MDB dois. Em Rondônia, a União Brasil elegeu a metade da bancada de oito deputados. No Amapá, o PDT e o PL, detêm juntos 75% da bancada estadual. No Espírito Santo, Podemos, PP e PT agora possuem dois deputados cada. Em Roraima, o Republicanos elegeu três deputados, equivalente a quase 40% dos representantes etc.

Nos demais estados, onde a fragmentação não era tão radical, o quadro também mudou. No Piauí, o maior partido da bancada tinha dois representantes; na eleita pulou para quatro.

DINHEIRO DOS FUNDOS – O enxugamento no número de partidos foi acompanhado de um aumento gigantesco no volume de recursos públicos que recebem.

Os incentivos a apoiar quem detém o poder continuam muito fortes, mas não apoiar o governo não significa ficar na rua da amargura.

Nabuco acertou: nunca os partidos estiveram tão longe da miséria! Mas se os partidos e o Legislativo se fortaleceram neste movimento, o enraizamento social dos partidos continua pífio.


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Com volta do recesso, oito bancadas da Câmara ainda não definiram seus líderes

Publicado em 1 de fevereiro de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Lideranças serão definidas no próximo mês Victor...

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