sábado, fevereiro 11, 2023

O dilema de Jair Bolsonaro




Na Flórida desde que praticamente fugiu do país, o ex-presidente se vê diante de um impasse: voltar a Brasília e provavelmente ser preso ou permanecer nos Estados Unidos e correr o risco de cair no anonimato. 

Por Gabriel de Arruda Castro 

O condomínio Seven Bridges, em Boca Raton, na Flórida, tem muitas virtudes. A conveniência para os pedestres não é uma delas. Em um site de anúncio de imóveis que descreve as características da região, o condomínio recebeu nota 0 (de 0 a 100) nessa categoria.

A reportagem de Oeste esteve lá.

Num raio de 20 minutos de caminhada, o máximo que o morador do Seven Bridges vai encontrar, se tiver sorte, é um food truck de comida mexicana (legítima), frequentado por trabalhadores braçais que cuidam dos muitos jardins da região.

Não que os moradores do Seven Bridges pareçam se importar. A maioria deles busca justamente o isolamento.

Encravada em uma região onde os condomínios parecem competir pelo troféu de portaria mais luxuosa (quanto maior a fonte de água ou chafariz, mais sofisticado o empreendimento), o Seven Bridges parece ter sido feito sob medida para quem procura uma vida tranquila — a apenas 25 minutos da praia.

Há alguns dias, um corretor de imóveis visitou uma casa do condomínio acompanhado por emissários de Jair Bolsonaro. Eles buscavam um imóvel para o ex-presidente, que em breve deixaria a casa do lutador de MMA José Aldo, em outro condomínio, 300 quilômetros ao norte, em Orlando. Acabaram não fechando negócio.

Mas Bolsonaro parece disposto a se instalar na região de Boca Raton — por um período que pode durar semanas, meses ou anos.

Entrada do Condomínio Seven Bridges 

Aglomeração em Orlando

Em 30 de dezembro, às vésperas do fim do seu mandato, Bolsonaro embarcou para a Flórida. Foi direto para a casa de José Aldo, onde morou durante um mês.

À reportagem de Oeste, um dos seguranças do condomínio disse ter ficado aliviado com a saída de Bolsonaro, na virada de janeiro para fevereiro. Não que o ex-presidente tenha causado problemas: os funcionários dizem que ele parecia ser um sujeito simpático. Mas a romaria constante de apoiadores e jornalistas acabou tirando a paz dos vizinhos mais próximos e criando um problema para a administração do local. Os seguranças do condomínio dizem que a presença de Bolsonaro estava causando aglomerações excessivas e que os brasileiros que iam até lá em busca de uma foto com o presidente nem sempre cumpriam as regras — como parar o carro no lugar certo e não bloquear a rua. Apesar de ser rodeado por muros, o condomínio Encore Resort (que oficialmente fica na cidade de Reunion, a 20 minutos da Disney World) permite o acesso de pessoas de fora de forma relativamente fácil.

Nesse condomínio, o perfil demográfico é diferente do restante da região, onde o espanhol é quase tão falado quanto o inglês. No Encore Resort, existe, sim, quem se encaixe no estereótipo da Flórida. Também há os turistas, que alugam casas por temporada para desfrutar do parque aquático do local. Mas também existem dezenas de famílias de judeus ortodoxos.

No dia em que a reportagem de Oeste visitou o local, muitos deles confraternizavam sobre a calçada. No sábado, os judeus ortodoxos não fazem nenhum tipo de trabalho, e o veto inclui dirigir carros. Como não há para onde ir a pé (assim como no condomínio de Boca Raton), a programação se resume a passeios pelo condomínio e visitas a amigos que moram na vizinhança.

No mesmo sábado, o vizinho ao lado da casa onde Bolsonaro morou fazia uma festa e aproveitava o clima ensolarado com a família à beira da piscina. Apesar de oficialmente ser inverno no Hemisfério Norte, o clima da Flórida permanece agradável. O imóvel que fora ocupado pelo ex-presidente estava completamente fechado. É uma casa de dois andares confortável, mas incomparavelmente mais simples do que o espaçoso Palácio da Alvorada. Como resquício da passagem de Bolsonaro por ali, restaram apenas um alambrado e uma espécie de tela verde que dá privacidade a quem ocupa o quintal da casa. Ambos foram instalados depois da chegada do ex-presidente.

Condomínio Encore Resort, na cidade de Reunion, Flórida 

Enquanto esteve hospedado, Bolsonaro saiu poucas vezes: encontrou brasileiros num evento em Orlando, foi visto fazendo compras num mercado e comeu um sanduíche de frango na rede de fast-food KFC.

Tranquilidade em Boca Raton

Cerca de 130 mil brasileiros moram na Flórida, segundo os dados do Censo norte-americano. O número real provavelmente é bem maior. Atraídos pelo clima agradável e pela similaridade cultural (o Estado é o mais latino-americano dos EUA), cada vez mais brasileiros têm optado por se mudar para lá.

Corretora de imóveis na região há nove anos, a brasileira Gabriela Melo tem visto a demanda aumentar. “A procura de brasileiros por imóveis na Flórida sempre foi muito alta, mas tenho percebido um aumento nos últimos tempos. Muitas pessoas buscando diversificar os investimentos, e principalmente dolarizar parte do patrimônio, investindo numa moeda forte. A questão da qualidade de vida e a da segurança também são fatores fundamentais”, explica.

Gabriela diz que Boca Raton tem um perfil diferente do de Orlando e Miami. “Em Boca Raton, temos uma procura maior por famílias. Por ser uma região com excelentes escolas públicas, uma diversidade enorme de parques ao ar livre, lindas praias e ser um local mais tranquilo, geralmente são famílias com filhos ainda na escola que buscam essa região”, ela explica.

Em condomínios como o Seven Bridges, ao contrário do que acontecia em Orlando, os apoiadores de Bolsonaro não poderiam aglomerar-se na porta do presidente. Apenas pessoas previamente autorizadas podem entrar no condomínio.

Palestra na cidade

Outro sinal de que Bolsonaro pode fincar raízes em Boca Raton é a participação dele em evento marcado para este sábado (11) na cidade. O presidente vai se encontrar com brasileiros numa igreja (a Church of All Nations). A congregação é liderada por norte-americanos, mas também oferece atividades em português. Os ingressos custam US$ 10. Cerca de 600 foram colocados à venda. A maioria havia sido vendida até a quarta-feira 8.

Bolsonaro já havia participado de um evento parecido em Miami. Tanto um quanto outro foram promovidos por uma organização chamada Yes Brazil USA, criada em 2018, em apoio à candidatura dele. Bolsonaro é popular entre os brasileiros da Flórida. Em ambas as eleições presidenciais que disputou, ele teve cerca de 80% dos votos no Estado.

Com suas duas aposentadorias (a da Câmara dos Deputados e a do Exército), o ex-presidente passou a receber, brutos, cerca de R$ 42 mil. É muito dinheiro no Brasil, mas insuficiente para manter uma vida confortável na rica Boca Raton. O dinheiro mal banca o aluguel de uma casa em Seven Bridges. Os recursos obtidos com palestras poderiam ajudar Bolsonaro a se manter nos Estados Unidos. Mas, sem visto de trabalho, ele não pode exercer nenhuma atividade remunerada nos Estados Unidos. Nos últimos dias, ele deu entrada no pedido de um visto B1, que permitiria a sua permanência no país por mais seis meses (ainda assim, sem poder trabalhar).

O advogado de imigração Felipe Alexandre, que está cuidando do caso de Bolsonaro, estima que o procedimento leve de dois a quatro meses. Ele explicou a Oeste que, por ser ex-chefe de Estado, seu cliente também precisa fazer um procedimento adicional. “O trâmite é especial, porque, do pedido ao USCIS (entidade que cuida da imigração), o processo do ex-presidente precisa também de ser enviado ao Departamento de Estado, o que não acontece com portadores de outros vistos”, afirma.

Alexandre diz não poder revelar o paradeiro exato de Bolsonaro, e afirma que não há obrigatoriedade de endereço fixo durante o processo de solicitação do visto. “Um endereço fixo ajuda para receber documentos”, diz. “Não é necessário, mas a Imigração pede que seja notificada sempre que a pessoa muda de endereço.”

Casa onde Bolsonaro estava hospedado, na cidade de Reunion 

O então presidente entrou no território norte-americano ainda na condição de mandatário brasileiro e pode permanecer legalmente no país de forma provisória enquanto aguarda o deferimento do novo visto. Mas, enquanto espera a documentação, ele não pode deixar os Estados Unidos. Caso isso ocorra, o processo é cancelado.

Em entrevista ao ativista norte-americano Charlie Kirk, na semana passada, o ex-presidente disse que vai voltar ao Brasil em “algumas semanas”. Mas a verdade é que a data de retorno ao Brasil está indefinida. O senador Flávio Bolsonaro resumiu a situação: “Pode ser amanhã, pode ser daqui uns seis meses, pode não voltar nunca”, disse.

Dilema à frente

O dilema entre um condomínio super-restrito (e isolado) e o contato com o eleitorado brasileiro não é o único diante de Bolsonaro. Na verdade, ele tem um impasse mais importante para resolver.

Se voltar para o Brasil e se tornar uma espécie de presidente de honra do seu partido, o PL, Bolsonaro pode enfrentar medidas judiciais pelas mãos do imprevisível Alexandre de Moraes, que já prendeu um deputado e removeu um governador do cargo.

Atualmente, Bolsonaro é investigado por sua possível incitação à invasão dos prédios públicos em Brasília, no dia 8 de janeiro. O mesmo inquérito já levou à prisão dezenas de manifestantes e até mesmo o então comandante da Polícia Militar do Distrito Federal e o então secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, acusados de omissão.

A volta ao Brasil traria riscos evidentes ao ex-presidente. Ao mesmo tempo, se ficar nos EUA, ele terá dificuldades em se manter influente na política partidária — tarefa que exige presença em reuniões, jantares, cerimônias e conversas ao pé do ouvido em Brasília.

Tudo isso somado ao isolamento num país cuja língua ele não fala fluentemente. Entre o conforto da Flórida e os holofotes de Brasília, Bolsonaro tem diante de si a primeira decisão de peso a ser tomada depois de ter deixado a Presidência.

Revista Oeste

A Lei Petista




Por Wilson Lima e Rodrigo Oliveira 

Ataques coordenados e virulentos ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, trouxeram à tona uma conhecida tática petista, a de fritar publicamente os seus desafetos até inviabilizá-los politicamente. A senha para a ação foi dada por Lula, no dia 18 de janeiro, quando o presidente criticou a taxa de juros, que segundo ele estaria muito alta, sem justificativa para tanto. Desde então, membros do PT, de partidos secundários e de milícias digitais passaram a questionar não apenas a integridade de Roberto Campos Neto, como também a autonomia do Banco Central. Outros disparos foram realizados contra a privatização da Eletrobras, a reforma trabalhista e até o aplicativo Uber, numa demonstração de que o novo governo petista está disposto a retroceder na economia em diversas áreas, abalando algumas de suas instituições que lhe garantem a estabilidade.

A intenção dos petistas foi questionada por economistas, pela imprensa e por ex-integrantes de governos petistas, incluindo o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Mas a barreira definitiva que deverá proteger a economia está sendo erguida pelo Congresso. Ao longo desta semana, líderes da Câmara e do Senado deram diversos recados ao PT, ratificando que conquistas do passado serão mantidas, como a reforma trabalhista, a autonomia do Banco Central ou o processo de privatização de algumas estatais.

Sobre a independência do BC, Lula foi enquadrado por seus principais aliados no Congresso. Na noite de segunda (6), o presidente da República foi alertado por Renan Calheiros (MDB-AL) de que as falas mirando Roberto Campos Neto não seriam bem-vistas no Congresso Nacional. Na terça-feira, Lula resolveu dobrar a aposta e intensificou as críticas, alicerçado por Gleisi Hoffmann, presidente do PT, e Guilherme Boulos, líder do PSOL. Gleisi insinuou que o BC persegue Lula: “A nota divulgada pelo Bacen está muito mais crítica ao governo do que acontecia no passado, quando o Banco Central não deu um pio sobre as façanhas orçamentárias de Bolsonaro para se reeleger”, disse a líder partidária. (Vale lembrar que, nessas “façanhas”, o então presidente Jair Bolsonaro contou com o apoio do PT para aumentar os gastos). Boulos foi mais direto nos golpes: “O Campos Neto é um infiltrado no governo Lula, um infiltrado do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, um infiltrado do Bolsonaro. É um cara que não deixa a taxa de juros baixar. Tem um interesse, na minha opinião, de boicote à economia, à geração de empregos, à retomada do crescimento econômico”.

Do outro lado, Roberto Campos Neto produziu uma ata do Copom (Comitê de Política Monetária) com menções ao esforço do governo para equilibrar as contas públicas, atendendo a uma das cobranças do Planalto. O texto mais “amigável” foi visto como uma tentativa de suavizar as investidas e acabou sendo celebrado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Ainda na terça-feira, Lula foi aconselhado novamente, agora pelo vice Geraldo Alckmin (PSB), ministro do Desenvolvimento, que as críticas dificilmente surtiriam efeito e que a solução seria, no médio prazo, intensificar as tratativas para uma ampla reforma tributária. O raciocínio é que, com o governo mostrando ânimo em equilibrar as contas, o mercado ficaria mais confiante em sua capacidade de honrar as dívidas, o que inevitavelmente reduziria os juros.

Durante a reunião do Conselho Político de quarta (8), Lula foi pela terceira vez alertado por aliados: não se mexe com o que já foi feito, independentemente do governo. No PT, prevalece um sentimento coletivo de que os juros estão altos e que Campos Neto deve ser enquadrado. Mas esse trabalho deve ser terceirizado aos pelos partidos alinhados ao Planalto, que se prestam a executar as ordens petistas, como PCdoB, Solidariedade, PDT, PSB e Rede.

Todos esses partidos de esquerda, contudo, não têm quórum suficiente para aprovar um projeto de lei ou uma emenda à Constituição na Câmara dos Deputados. Os demais, como PP, PL, União Brasil e até PSD, não apoiam a investida capitaneada por Lula. “Até o presente momento, não acredito [em mudanças]”, disse a Crusoé o líder do PP na Câmara, André Fufuca (MA).

Não há clima para qualquer alteração nesse sentido. Ou, pelo menos, que não demande um intenso desgaste com o Congresso Nacional. Em Brasília, a conta é absolutamente simples: quanto maior a demanda do Planalto, maior a fatura a ser paga. E, hoje, o governo federal não tem crédito — na forma de distribuição de emendas e cargos — para arcar com um capricho do presidente da República. Coincidência ou não, após a reunião do Conselhão na quarta-feira, o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), botou panos quentes na crise.

“Não existe nenhuma iniciativa do governo sobre mudança da lei da autonomia do Banco Central e nenhuma pressão sobre mandato de qualquer diretor. A lei estabelece claramente que têm mandatos e que serão cumpridos“, declarou Padilha a jornalistas.

Nem mesmo o modelo de reforma tributária a ser aprovado por Câmara e Senado será 100% aquilo que Lula pretende emplacar. Temas como taxação de grandes fortunas ou de lucros e dividendos tendem a ser rejeitados pelo Congresso. Do outro lado, também há resistências a se estabelecer um Imposto de Valor Agregado ou imposto único, sem antes criar fontes de receita para estados e municípios.

Por esse tipo de gargalo, a tendência é que o texto dessa reforma tributária seja menos revolucionário e tenha um caráter mais acessório.

Na Câmara e no Senado, estão em discussão algumas propostas de emenda à Constituição (PECs) que têm o propósito de modificar os impostos. A tendência é que o texto-base dessa reforma seja a PEC 45/19, que foi baseada em estudos realizados pelo novo secretário especial da Reforma Tributária, Bernard Appy. A proposta será alvo de um grupo de trabalho coordenado pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).

Mas isso não significa que outras propostas estejam descartadas. Muito pelo contrário. A expectativa é que no Congresso ocorra a aglutinação de propostas como a PEC 07, que pretende cobrar o imposto sobre o consumo apenas na venda final ao consumidor, permite aos estados a adoção de alíquotas complementares de Imposto de Renda e busca retirar encargos da folha de salários. Esse texto já passou em comissão especial e, em tese, estaria pronto para ser votado em plenário.

“A reforma tributária é a mãe de todas as reformas. Nosso grande desafio será colaborar para o avanço dessa proposição”, disse o primeiro vice-presidente da Câmara, deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP).

Outra pedra no sapato para o futuro governo será a tentativa de reverter o voto de qualidade no Carf. A medida foi instituída por medida provisória, sob a justificativa de que a alteração instituída pelo governo Jair Bolsonaro beneficiou um número limitado de empresas, com uma renúncia fiscal de aproximadamente R$ 1 trilhão.

Nas primeiras conversas com o Congresso, integrantes do governo Lula foram avisados que haverá resistências em reverter as mudanças no Carf, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A justificativa aqui é simples: essa é uma pauta cara à bancada ruralista, que hoje tem aproximadamente 160 congressistas. Seus representantes não querem que as regras sejam alteradas para beneficiar a Receita Federal nos julgamentos sobre dívidas. Mexer com a “bancada do boi” seria pedir para ter problemas de governabilidade em breve.

Por esse motivo, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), já sinalizou que esse assunto precisará passar por um amplo debate junto aos parlamentares. “Vamos conscientizá-los de que esse é um assunto importante”, declarou a jornalistas na quarta-feira, 8.

Pelo visto, por mais que o governo do PT queira dar um cavalo de pau na economia, qualquer medida mais drástica dificilmente será aprovada por esse Parlamento. A não ser que o PT pague por isso. E aí, a conta pode ficar muito alta. Impagável até.

Revista Crusoé

Governo nega informações sobre esquema de segurança no Planalto no dia 8 de janeiro

 Alice Cravo

O governo federal negou acesso a uma série de informações envolvendo os procedimentos de segurança adotados no Palácio do Planalto sobre o dia 8 de janeiro, quando bolsonaristas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes. Pelo menos seis pedidos feitos via Lei de Acesso à Informação foram negados sob argumento de sigilo ou de não ser "razoável" a divulgação da informação. Também houve transferência de responsabilidades para justificar o veto à publicidade.




Malu Gaspar: As frentes de investigação que mais preocupam aliados de Bolsonaro

STF: Gilmar afirma que Zambelli só não foi presa por sacar arma porque tem foro privilegiado

No primeiro deles, O GLOBO solicitou ao Exército informações sobre o efetivo e o deslocamento do reforço do Batalhão da Guarda Presidencial empregado no Palácio do Planalto no dia dos ataques. O contingente não foi suficiente para conter os golpistas.

A solicitação foi repassada ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que negou o pedido sob o argumento de que não é "razoável a divulgação de informações que exponham métodos, equipamentos, procedimentos operacionais e recursos humanos da segurança presidencial".

"O presente recurso não pode ser atendido, haja vista que os planos para a segurança do Palácio do Planalto são de acesso restrito, considerando que sua divulgação indiscriminada traz prejuízos e vulnerabilidades para a atividade de segurança das instalações", diz o órgão vinculado à Presidência.

O GSI também sustentou que não caberia ao GSI responder os questionamentos que "tratam de unidades militares do Exército Brasileiro" — militares fazem parte do efetivo de proteção ao Planalto. O Exército, por sua vez, entende que a responsabilidade da segurança do Planalto é do GSI.

Em outro pedido, o GSI negou informações sobre armamentos utilizados e o horário do reforço empregado para a tropa de defesa. A justificativa para o sigilo também foi dada levando em consideração à "Segurança Presidencial".

Imagens sob sigilo

O GSI também impôs sigilo sob as informações acerca das câmeras de segurança instaladas no prédio no dia da invasão e as imagens captadas por elas. O GLOBO solicitou via Lei de Acesso à Informação acesso a todas as imagens captadas pelas câmeras de segurança do Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro. Parte dessas gravações já foram divulgadas, como a que mostra o vândalo que destruiu o relógio de Dom João VI durante a invasão.

Em um outro pedido, O GLOBO solicitou informações sobre a instalação de câmeras de segurança no Palácio do Planalto e questionou quantas câmeras estão instaladas no prédio e se todas estavam funcionando no dia 8.

Para os dois pedidos, o Gabinete de Segurança Institucional argumentou sigilo e acesso restrito para negar o acesso ao material.

Defesa não tem comunicações

O GLOBO também solicitou acesso a todo e qualquer relatório produzido ou em posse do Ministério da Defesa acerca das invasões e do acampamento bolsonarista montado em frente ao QG do Exército, em Brasília, bem como as comunicações da pasta com demais órgãos sobre os temas.

O Ministério da Defesa afirma que, "após consulta ao órgão competente da administração central" da pasta, "não foram identificados documentos relacionados aos atos do dia 8 de janeiro, tampouco referentes ao acampamento montado em frente à sede do Quartel General do Exército, em Brasília-DF".

A Polícia Federal, o GSI e a Abin negaram ao GLOBO acesso às mesmas informações, alegando sigilo dos documentos.

Efetivos do Planalto

Para proteger o Planalto, a participação dos efetivos do Batalhão de Polícia do Exército (BPEB), do Batalhão da Guarda Presidencial (BGP) e do 1º Regimento de Cavalarias de Guardas ocorre conforme planejamento e requisições do GSI.

No dia 8 de janeiro, o serviço estava a cargo do 1º Regimento de Cavalaria de Guardas e contava originalmente com 32 militares pertencentes ao Batalhão da Guarda Presidencial.

Documento obtido pelo GLOBO mostra que o general Gustavo Henrique Dutra Menezes, chefe do Comando Militar do Planalto, diz ter enviado por conta própria, em função dos bolsonaristas que chegavam em Brasília, 130 militares para permanecer de prontidão no Palácio do Planalto. Ele alega, porém, que só foi pedido reforço maior após os golpistas demonstrarem "hostilidade" na Esplanada.

YAHOO

Juro extorsivo do BC é guerra híbrida - Americanas: “fraude monstruosa” - Campanhas de combate a fake news e muito mais....

 

Juro extorsivo do BC é guerra híbrida colorida imperialista contra social-democracia lulista

“A conspiração contra Lula induz seus adversários à organização de guerra híbrida colorida na tentativa de inviabilizá-lo”, avalia César Fonseca. O jogo é político, não é técnico; Lula foi eleito para promover distribuição de renda, ampliar políticas sociais, fomentar mercado interno, fortalecer o consumo, para salvar a economia da crônica insuficiência de demanda, que inviabiliza … Ler maisJuro extorsivo do BC é guerra híbrida colorida imperialista contra social-democracia lulista

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Dilma deve integrar comitiva de Lula à China como presidente do Banco do Brics

Substituição de economista Marcos Troyjo pela ex-presidente pode ser efetivada até o final de fevereiro. O presidente Lula pretende que a substituição do economista Marco Troyjo no Banco do Brics seja resolvida já nas próximas semanas, antes da viagem que ele fará à China, prevista para março. A candidata do presidente para o cargo é … Ler maisDilma deve integrar comitiva de Lula à China como presidente do Banco do Brics

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Americanas: “fraude monstruosa”, diz presidente de associação de investidores

Aurélio Valporto, da Abradin, diz que homens mais ricos do Brasil devem ser investigados por crise na gigante do varejo. A gigante do varejo Americanas entrou em recuperação judicial depois de detectar uma falha de R$ 20 bilhões em sua contabilidade. Para o presidente da Associação Brasileira dos Investidores (Abradin), o economista Aurélio Valporto, o erro, na verdade, … Ler maisAmericanas: “fraude monstruosa”, diz presidente de associação de investidores

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Governo Federal prepara campanhas de combate a fake news e defesa da Democracia

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Famílias de baixa e de alta renda entram mais endividadas em 2023, mostra CNC

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Lula encontrará Biden, Bernie Sanders e sindicalistas nos EUA

O objetivo das reuniões é discutir pautas econômicas, ambientais, direitos dos trabalhadores e principalmente melhorar a relação entre os dois países, afetada por Jair Bolsonaro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca nesta quinta-feira (9) de manhã para Washington, capital dos Estados Unidos, onde se encontrará com lideranças como o presidente norte-americano, Joe … Ler maisLula encontrará Biden, Bernie Sanders e sindicalistas nos EUA

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Lula trava quarto turno da eleição contra o bolsonarista Roberto Campos Neto

Para Mario Vitor Santos, Lula considera os juros abusivos “um ataque a seu governo” por parte da diretoria do Banco Central, nomeada por Bolsonaro. Não há na ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central, no  comunicado ou em declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, nada que dê conta de responder … Ler maisLula trava quarto turno da eleição contra o bolsonarista Roberto Campos Neto

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Lula vai a Washington com o objetivo de reatar laços com a Casa Branca

Democracia, meio ambiente, comércio, imigração e direitos humanos estão entre os pontos centrais do encontro. O presidente Lula (PT) desembarca nesta quinta-feira (9) em Washington, nos Estados Unidos, com o objetivo de tirar a relação diplomática entre os dois países do banho maria. Mais que uma reunião com o foco em assinar acordos e fazer … Ler maisLula vai a Washington com o objetivo de reatar laços com a Casa Branca

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Lula se encontra com Biden na Casa Branca e o agradece pela defesa da democracia


Por Redação

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Foto: Reprodução/Tv Brasil

O presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, na tarde desta sexta-feira (10), na Casa Branca, residência oficial do governo. No encontro, o petista agradeceu Biden pela defesa da democracia.

 

"Três coisas para lhe dizer. Primeiro, agradecer o reconhecimento da minha posse. Segundo, o reconhecimento da sua defesa pela democracia. Terceiro, parabenizar pelo seu discurso. Cairia muito bem no Brasil", disse Lula.

 

Lula chegou acompanhado pela primeira-dama do Brasil, Janja da Silva, e foi logo recebido pelo presidente dos EUA. O encontro também marca uma reaproximação entre os dois países, já que o presidente anterior, Jair Bolsonaro (PL), não tinha diálogo com Biden.

Bahia Notícias

Nos EUA, Lula diz que não pedirá a extradição de Bolsonaro

Sexta-Feira, 10/02/2023 - 19h20

Por Folhapress

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Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que não irá falar com o homólogo americano, Joe Biden, sobre a extradição de Jair Bolsonaro (PL), que está nos Estado Unidos, e que essa decisão depende da Justiça brasileira. A afirmação foi feita em entrevista à CNN Internacional em Washington, nesta sexta (10), onde Lula se encontra com Biden.
 

"Um dia ele vai ter que voltar ao Brasil e enfrentar os processos que ele responde. Eu não vou falar com Biden sobre a extradição do Bolsonaro, isso vai depender dos tribunais, e eu quero que ele seja considerado inocente até que seja provado o contrário, o que não aconteceu comigo", afirmou Lula. "Só falo com Biden sobre o assunto se ele falar disso."
 

O ex-presidente está no estado da Flórida, para onde foi antes da cerimônia de posse de Lula. No último dia 30, Bolsonaro pediu visto de turista para permanecer mais tempo nos Estados Unidos, já que seu visto diplomático iria expirar.
 

Em Washington, Lula deve apresentar a Biden a ideia do "clube da paz", grupo de países que, na visão do Planalto, não estão envolvidos diretamente no conflito e, portanto, poderiam negociar a paz entre Rússia e Ucrânia. Ele voltou a defender o plano durante a entrevista, quando perguntado se estava comprometido com a democracia fora do país como se diz com relação ao sistema democrático brasileiro.
 

"Estou comprometido com a democracia. No caso da Ucrânia e da Rússia, é preciso que alguém esteja falando sobre paz. Precisamos falar com o presidente Putin sobre o erro que foi a invasão [do território ucraniano], e devemos falar para a Ucrânia conversar mais. O que quero dizer a Biden é que é necessário um grupo de países pela paz", afirmou.
 

Um alto funcionário do governo americano indicou, no entanto, que os Estados Unidos têm muitas ressalvas à ideia. Segundo ele, os esforços pela paz devem reconhecer que há violação da integridade territorial e da soberania ucranianas pela Rússia, seguindo os critérios da Carta da ONU.
 

Lula defende que um dos países que poderia participar dos diálogos pelo fim do conflito é a China, aliada do presidente russo Vladimir Putin, com quem disse ter "amizade sem limites" poucas semanas antes do início da guerra. Pequim, no entanto, evita participar diretamente da disputa.
 

Como adiantou a Folha de S.Paulo no último dia 27, o presidente Lula negou o pedido da Alemanha e vetou o envio de munições de tanques Leopard-1, operados pelo Brasil, à Ucrânia, sob o argumento de que, se as enviasse, estaria se envolvendo diretamente com o conflito.
 

"Eu não quis mandar [munição], porque se eu mandar, eu entrei na guerra. E eu não quero entrar na guerra, eu quero acabar com a guerra", disse Lula, repetindo a segunda frase em seguida. "Esse é meu dilema e o meu compromisso."
 

O movimento vem na contramão da intensificação do envio de armas à Ucrânia que tem sido feita pelos aliados ocidentais de Kiev. Recentemente, americanos e europeus enviaram tanques Leopard-2 e Leopard-1, no caso dos alemães, e M1 Abrams, no caso de Washington.
 

Lula tem viagem confirmada para a China em março, onde deve se encontrar o líder chinês Xi Jinping, em meio a tensões entre Washington e Pequim relativas ao conflito europeu, aos incidentes dos balões chineses considerados espiões pelos americanos e à expansão da presença militar dos Estados Unidos no Indo-Pacífico.
 

Durante a entrevista, o presidente brasileiro também falou sobre os compromissos do Brasil com a redução do desmatamento e dos planos de integrar as ações relativas ao clima e ao meio ambiente do governo federal com estados e municípios.
 

Após o encontro na Casa Branca, os Estados Unidos devem anunciar a intenção de injetar recursos no Fundo Amazônia, principal iniciativa de arrecadação de verba para conservação da floresta e combate ao desmatamento. Atualmente, é gerido pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) e bancado pela Noruega e pela Alemanha, além de, em menor parte, pela Petrobras.

Bahia Notícias

Ministro Gilmar Mendes diz que Carla Zambelli só não foi presa por sacar arma porque tem foro privilegiado

Sexta-Feira, 10/02/2023 - 19h40

Por Redação

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Foto: Reprodução

Em seu voto no julgamento de um recurso apresentado pela defesa da deputada federal Carla Zambelli, na manhã desta sexta-feira (10), o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que a parlamentar só não foi presa em flagrante quando apontou a arma para um homem durante uma discussão em uma rua de São Paulo, porque tem foro privilegiado. O julgamento, que é realizado no plenário virtual, começou nesta sexta-feira e vai até dia 17.

 

Na véspera do segundo turno das eleições gerais de 2022, em outubro do ano passado, a deputada federal discutiu com um apoiador do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma rua de um bairro nobre de São Paulo, e perseguiu o homem com arma em punho. Após o episódio, em janeiro, o ministro Gilmar Mendes autorizou busca e apreensão nos endereços de Zambelli e agentes apreenderam as armas.

 

Os advogados do caso, na defesa, argumentaram que não era de responsabilidade da Corte analisar o caso, porque o tribunal deveria analisar episódios relacionados ao mandato parlamentar. Porém, Mendes ponderou que "a causa do evento vincula-se diretamente à condição de deputada federal", e afirmou que foi isso que impediu a prisão.

 

"Aliás, a ausência de prisão em flagrante da deputada federal Carla Zambelli Salgado de Oliveira decorreu justamente da incidência do foro por prerrogativa de função que, contraditoriamente, pretende ver afastada no momento. Por essas razões, reafirmo a competência do Supremo Tribunal Federal", escreveu o ministro.

Bahia Notícias

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