domingo, abril 10, 2022

Scholz e Johnson prometem mais armamentos para Ucrânia




Chanceler federal alemão Olaf Scholz esperou quatro meses até sua primeira visita a Londres. Guerra de agressão da Rússia dominou pauta de encontro com homólogo britânico, à frente do processo pós-Brexit.

Os chefes de governo alemão, Olaf Scholz, e britânico, Boris Johnson, manifestaram unidade demonstrativa ao prometer novas entregas de armas para a Ucrânia sob ataque militar russo. Em coletiva de imprensa em Londres, nesta sexta-feira (08/04), os líderes das duas nações da Otan frisaram que não pretendem se transformar em partidos de guerra, mas querem ajudar o país invadido a se defender.

Segundo o primeiro-ministro Johnson, o Reino Unido se dispõe a fornecer "tudo o que tenha caráter defensivo", citando mísseis antiaéreos Starstreak, 800 mísseis antitanques e munição de precisão capaz de permanecer no ar até ser direcionada contra seu alvo.

Scholz prometeu o fornecimento "continuado" de armas com o fim de reforçar a luta de defesa contra a invasão russa. Por outro lado, reagiu com reticência ao pedido de Kiev por tanques blindados Marder dos arsenais alemães.

"Nós nos esforçamos para fornecer armamentos que sejam úteis e possam ser bem empregados. E os êxitos alcançados pelo exército ucraniano mostram que as armas fornecidas são especialmente eficazes", observou. Assim como Johnson, porém, ele parte do princípio que "só com base em grande expertise" se pode determinar que equipamento seja mais adequado.

Sanções "altamente eficazes"

Referindo-se ao recente ataque com mísseis à estação ferroviária de Kramatorsk, no leste da Ucrânia, o chanceler federal alemão disse que a matança de civis é um crime de guerra, cuja "responsabilidade cabe ao presidente russo".

Ele renovou o apelo à Rússia por corredores humanitários para evacuação das zonas de conflito no país sob invasão, e instou Vladimir Putin a decretar um cessar-fogo: "A guerra tem que parar, e já."

Scholz disse considerar "altamente eficazes" as sanções ocidentais contra a Rússia, em reação a sua guerra ofensiva contra a Ucrânia: com o congelamento de bens e capital, atinge-se também a "panela do poder" em Moscou, assegurou.

O chefe de governo comentou que, com a ofensiva militar contra a Ucrânia, Putin teria feito um péssimo cálculo, e o acusou de colocar em jogo o futuro da Rússia, para quem as sanções ocidentais terão "custos dramáticos". Ainda em 2022 a Alemanha substituirá as importações de petróleo russo, reforçou.

Em relação às controversas importações de gás da Rússia, Scholz defendeu a posição alemã de não suspender imediatamente o abastecimento. Trata-se de uma dependência que se está trabalhando duro para cortar. Mesmo após um fim da guerra, a Alemanha pretende se libertar das importações russas, complementou o político social-democrata.

Trata-se de sua primeira passagem pelo Reino Unido, quatro meses após ter assumido a chefia de governo alemã. Em face à guerra iniciada por Moscou em 24 de fevereiro, temas como o processo pós-Brexit e o protocolo da Irlanda do Norte ficaram relegados a segundo plano no encontro com Johnson. Esta foi a sexta visita oficial de Olaf Scholz a um país fora da União Europeia: antes, ele esteve nos Estados Unidos, Ucrânia, Rússia, Israel e Turquia.

Deutsche Welle

"Entendedor de Putin" ganha mundo




O termo alemão "Putinversteher" designa quem, desde a anexação da Crimeia, faz de tudo para justificar os atos do chefe do Kremlin. Com a revelação dos crimes de guerra na Ucrânia, seu trabalho está bem mais difícil.

Por Sarah Hucal e Augusto Valente

Se um verbete da Wikipédia pode ser considerado indicador de reconhecimento no mundo atual, então é inevitável registrar a nova entrada em idioma inglês da enciclopédia online, dedicada ao termo alemão "Putinversteher". Traduzido literalmente como "aquela/e que entende Putin", o neologismo combina o nome do presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o substantivo alemão Versteher, "entendedor".

Não é primeira vez que uma criação vocabular alemã de cunho político ganha mundo. Um exemplo é Lügenpresse: traduzível como "imprensa da mentira", é uma invectiva popular na época nazista, usada para desacreditar relatos que não se alinhem com determinada ideologia. Ela retornou em anos recentes com o partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) e com os apoiadores do presidente Donald Trump nos Estados Unidos.

Quando Versteher é combinado com outro termo, em geral é para denotar uma mistura de ironia e lisonja. Por exemplo: Frauenversteher ("entendedor de mulheres") se refere a um homem que se gaba de sua profunda compreensão da psique feminina.

Da mesma forma, um Putinversteher é alguém que não esconde sua empatia com as motivações do chefe do Kremlin. O termo passou a circular em seguida à anexação da península ucraniana da Crimeia. Se a conotação já era negativa, ela se agravou seriamente desde o início da invasão russa do país vizinho, em 24 de fevereiro de 2022.

"Imprensa da mentira" é um insulto da época nazista que voltou à voga com o recrudescimento da ultradireita na Alemanha'

"Whataboutism" e alhos com bugalhos

Em seguida ao lançamento da "operação militar especial" russa na Ucrânia, diversos Putinversteher – entre os quais destacados políticos e especialistas alemães – ressalvavam, por exemplo, que a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) podia ser percebida pela Rússia como uma ameaça real. Ou comparavam a invasão da Ucrânia a outras "guerras ilegais", como a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em 2003, ou demais abusos cometidos pelo Ocidente.

Isso não significa que os "entendedores de Putin" sejam a favor da atual violência: como explica o verbete da Wikipédia, trata-se de uma atitude quanto ao presidente russo e o modo como ele governa a Rússia que tende a resultar em: "Sim, mas é preciso entender a posição de Putin."

De um modo geral, é muito disseminada entre o grupo em questão a estratégia conhecida como "whataboutism": derivada da expressão "What about...?" ("Mas e...?"), esta consiste em desviar uma determinada crítica citando casos supostamente análogos.

Por exemplo: desconversar de uma acusação de corrupção pelo atual governo brasileiro com: "Tá, mas e o Lula? E o PT?" Aliás, também é comum o praticante do "whataboutism" recorrer a falsas equivalências, intencionalmente confundindo alhos com bugalhos.

Putinversteher para todos os gostos

Encontram-se Putinversteher ao longo de todo o espectro político da Alemanha, porém especialmente entre os partidos populistas. Porém alguns apoiadores declarados recuaram desde a guerra de agressão na Ucrânia, abstendo-se de expressar publicamente seu respaldo.

Diversas legendas de ultradireita da Europa têm mantido laços estreitos com a Rússia, nos últimos anos, do Reagrupamento Nacional de Marine Le Pen ao Fidesz de Viktor Orbán. O mesmo se aplica à AfD, contudo após a invasão da Ucrânia seus membros têm encontrado dificuldade de defender um posicionamento unificado.

A ex-copresidente do partido alemão A Esquerda Sahra Wagenknecht era também notória por sua disposição de justificar as ações do autocrata no Kremlin: "Talvez devamos levar a Rússia a sério e respeitar que ela tem interesses de segurança", comentou, por exemplo, num programa de televisão dias antes da invasão da Ucrânia.

'Populista de direita francesa Marine Le Pen, é "entendedora de Putin" o seu ídolo' 

"Entendedores" perdem credibilidade

Antes de merecer seu próprio verbete na Wikipédia, e mesmo da campanha militar russa contra o país vizinho, o termo já fora empregado em diversos artigos jornalísticos em língua inglesa.

Em janeiro de 2021, escrevendo para o website de análise política Riddle, especializado na Rússia, o politólogo e historiador Dmitiri Stratievski analisava Armin Laschet, então líder da União Democrata Cristã (CDU) de Angela Merkel, perguntando-se se ele devia ser considerado um "Putinversteher merkeliano", por seu apoio à dependência alemã do gás natural russo.

E já em abril de 2014, o professor de Economia Paul Gregory, da Universidade de Houston, intitulava um artigo em seu blog no site da revista Forbes "Empatia com o Diabo: como os Putinversteher da Alemanha protegem a Rússia". Seu foco era como alguns políticos de alto escalão haviam se colocado do lado do Kremlin, apesar de um mau histórico de direitos humanos e da anexação da Crimeia.

Entre essas personalidades, Gregory cita Gerhard Schröder, chanceler federal de 1998 a 2005, como "um dos Putinversteher mais descarados". Tendo sido, juntamente com Putin, o mentor do projeto do gasoduto Nord Stream durante seu mandato, ele mais tarde se tornou diretor do conselho de supervisão da estatal russa de energia Rosneft.

Considerado amigo pessoal do chefe do Kremlin, mesmo depois de este ordenar a invasão da Ucrânia, Schröder seguiu evitando qualquer comentário público que incriminasse o regime russo, ao ponto de todos os funcionários de seu escritório se demitirem.

Em meados de março, o ex-chanceler federal chegou a voar para Moscou, onde conversou pessoalmente com Putin. Contudo, à medida que atrocidades da guerra na Ucrânia vêm diariamente a público – como as notícias de execuções a sangue-frio, bombardeios a hospitais e escolas e centenas de civis em valas comuns – crescem na Alemanha os clamores para que o próprio Schröder seja alvo de sanções.

E a cada mentira, manipulação propagandística, excesso autocrático, violação dos direitos humanos e ato de violência injustifícável da personagem inspiradora do termo, os argumentos dos "entendedores de Vladimir Putin" perdem definitivamente qualquer sombra de credibilidade.

Deutsche Welle

Em Kiev, Boris Johnson reafirma "apoio inabalável" à Ucrânia




Primeiro-ministro britânico reuniu-se com o presidente Volodimir Zelenski e anunciou envio de equipamentos militares no valor de 100 milhões de libras. Na sexta, presidente da Comissão Europeia também foi à cidade.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, foi a Kiev neste sábado (09/04) para se reunir com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, e demonstrar apoio à Ucrânia contra o que ele chamou de "campanha bárbara da Rússia".

Johnson é o mais recente líder europeu a visitar Kiev neste fim de semana, após a descoberta, há uma semana, de corpos de civis assassinados em cidades das quais os militares russos tinham acabado de se retirar.

Na sexta-feira, estiveram na capital ucraniana a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell. Na manhã de sábado, o chanceler federal da Áustria, Karl Nehammer, também se reuniu com Zelenski.

"Hoje, encontrei meu amigo presidente Zelenski em Kiev como demonstração de nosso apoio inabalável ao povo da Ucrânia", escreveu Johnson no Twitter.

"Estamos apresentando um novo pacote de ajuda financeira [e] militar que é uma prova de nosso compromisso com a luta de seu país contra a campanha bárbara da Rússia."

Boris também afirmou que o Reino Unido e outras nações aliadas seguiriam intensificando, a cada semana, a pressão econômica sobre a Rússia por meio de sanções e da redução de importação de energia russa.

Zelenski divulgou fotografias dele dando as boas-vindas ao líder britânico em Kiev, que até recentemente estava sob ataque das forças russas. "Bem-vindo a Kiev, meu amigo", disse Zelenski em uma mensagem no Telegram.

Johnson usava um terno escuro, enquanto Zelenski vestia uma blusa caqui, sua roupa tradicional para aparições públicas desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, no final de fevereiro.

O líder ucraniano tem mantido um relacionamento caloroso com Johnson, a quem se refere com admiração. "Boris Johnson é um dos opositores mais probos da invasão russa, um líder em termos de pressão por meio de sanções contra a Rússia e de apoio em defesa para a Ucrânia", disse Zelenski. 

Seu chefe de gabinete, Andriy Yermak, afirmou que Johnson era um dos "verdadeiros amigos" da Ucrânia. "Desde o início da agressão russa, Zelenski tem estado em contato com ele", escreveu Yermak no Twitter. "Obrigado Boris Johnson pela postura decisiva e por ajudar a Ucrânia no momento de maior necessidade. Obrigado por todo o apoio e armas que o Reino Unido está nos fornecendo."

Equipamentos militares

Londres não anunciou a visita de Johnson à Ucrânia com antecedência, e o próprio primeiro-ministro rebateu perguntas sobre uma possível visita em uma entrevista coletiva na sexta-feira.

No mesmo evento, Johnson anunciou que o Reino Unido enviaria "equipamento militar de alta qualidade" no valor de 100 milhões de libras (R$ 611 milhões) para as forças armadas da Ucrânia.

O pacote inclui 120 veículos blindados, mísseis antiaéreos Starstreak, 800 mísseis anti-tanque e munições de precisão.

Deutsche Welle

Erros do governo Merkel alimentaram a guerra na Ucrânia?




Críticos veem na invasão uma prova do fracasso da política alemã de apaziguamento e dependência em relação à Rússia. Reprimendas são especialmente dirigidas a Merkel, mas também a outras personagens políticas.

Por Christoph Hasselbach

Ao comentar o massacre de civis em Bucha, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, culpou as tropas russas, mas também fez sérias acusações à  ex-chanceler federal alemã Angela Merkel. Ele a convidou para visitar Bucha e ver "a que conduziu a política de concessões à Rússia em 14 anos", disse Zelenski.

Há 14 anos, em uma cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Bucareste, Merkel e o então presidente francês Nicolas Sarkozy, em particular, agiram para que a Ucrânia não recebesse um convite para ingressar na aliança militar ocidental. Eles tentavam evitar provocar a Rússia. Hoje, Zelenski chama isso de "erro de cálculo", que, segundo ele, fez com que a Ucrânia esteja passando agora "pela pior conflito da Europa desde a Segunda Guerra Mundial".

Nord Stream 2 aprovado após anexação da Crimeia

O governo Merkel também se recusou a entregar armas à Ucrânia após a anexação russa da Crimeia em 2014. E ainda aprovou o gasoduto Nord Stream 2 pouco tempo depois, contornando a Ucrânia como país de trânsito de gás. "De que outra forma Moscou deveria entender isso, a não ser como uma aceitação tácita de uma mudança violenta de fronteiras?" questiona Henning Hoff, do Conselho Alemão de Relações Exteriores.

O primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, também se dirigiu diretamente a Merkel: "Senhora chanceler, você tem estado em silêncio desde o início da guerra. No entanto, é precisamente a política da Alemanha nos últimos 10, 15 anos, que levou à força da Rússia hoje, com base no monopólio da venda de matérias-primas". E, sob o chanceler federal Olaf Scholz, a Alemanha está bloqueando sanções mais decisivas da UE, acusou Morawiecki.

Merkel e Scholz não são os únicos que estão sob fogo no momento. Andrij Melnyk, embaixador da Ucrânia em Berlim, acusou o presidente alemão e ex-ministro do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, no jornal Tagesspiegel de ainda encarar cegamente a relação com a Rússia como "algo fundamental, mesmo sagrado, não importa o que aconteça, nem mesmo a guerra de agressão desempenha um papel importante". Provavelmente nunca antes na história da República Federal da Alemanha um embaixador estrangeiro foi tão duro com um chefe de Estado alemão.

Política externa de Berlim foi "grande autoengano"

As críticas não atingem apenas os indivíduos, mas toda a política externa, de segurança e comercial alemã dos últimos 30 anos. "Houve demasiado diálogo e muito pouca dureza em relação ao Kremlin", afirmou o embaixador Melnyk.

O cientista político Stephan Bierling, da Universidade de Regensburg, confirmou esta avaliação à DW: "Todos os governos alemães desde que Putin assumiu o poder têm sinalizado que relações descomplicadas com Moscou são mais importantes do que o destino da Ucrânia. Isto encorajou o Kremlin a lançar seu ataque".

Bierling já havia classificado a política externa alemã dos últimos anos como um "grande autoengano" na revista política Cicero em 24 de março. Sob a constante proteção militar dos EUA, a Alemanha teria "cedido às ilusões pacifistas" e se concentrado apenas em seus próprios negócios.

Ingenuidade em relação a Pequim

Bierling também vê este padrão na política da China: "Agradar para receber vantagens econômicas, aplicar ideias ingênuas de influência liberalizante de um império a partir do exterior, sacrificar ideais democráticos como os direitos humanos e a liberdade de expressão para não irritar os que estão no poder".

É verdade que vários governos europeus, assim como Washington, criticaram durante anos a política da Alemanha em relação à Rússia −  e também à China. Mas isso não foi ouvido em Berlim − até que o exército russo invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro.

Steinmeier admite erros

Quando a guerra começou, o chanceler federal Olaf Scholz falou de um "ponto de virada". Será que ele também quis dizer "mudança fundamental na política externa alemã?"

'Steinmeier admitiu erros na política com a Rússia'

Na última terça-feira, o presidente Steinmeier reconheceu publicamente que errou em relação à Rússia, especialmente sobre a questão do Nord Stream 2, que custou muita credibilidade à Alemanha.

"Nós falhamos em construir uma casa europeia comum", disse Steinmeier. "Eu não acreditava que Vladimir Putin abraçaria a completa ruína econômica, política e moral de seu país por causa de sua loucura imperial", acrescentou. "Nisto, eu, como outros, estava enganado."

Entretanto, quando Putin tomou posse, não havia como saber como ele se comportaria com o tempo, completou Steinmeier.

Henning Hoff discorda: Desde a segunda guerra da Tchechênia, iniciada em 1999, quando Putin era ainda primeiro-ministro, já era possível reconhecer o caráter "criminoso, hipernacionalista" do líder russo, argumenta.

Alexander Dobrindt, chefe do grupo parlamentar do partido conservador CSU, na oposição ao governo Scholz atualmente, é um dos poucos políticos alemães que ainda defende a política tradicional de incentivar mudanças através do comércio. Ele afirma que o objetivo dela era garantir a paz e criar prosperidade comum. No entanto, Putin destruiu isso. "Mas, na época, essas decisões não estavam fundamentalmente erradas", disse Dobrindt.

Merkel: Ucrânia não deve entrar na Otan

Com exceção de uma declaração divulgada imediatamente após a invasão russa na Ucrânia, Angela Merkel tem evitado se manifestar. O que se sabe é que ela não lamenta sua decisão, em 2008, de bloquear a adesão da Ucrânia à Otan.  Ela "mantém suas decisões em relação à cúpula de Bucareste em 2008", anunciou uma porta-voz da Merkel.

E esta posição ainda é o consenso dentro da própria Otan: a maioria dos membros da aliança militar está feliz por não ser obrigada a prestar assistência militar à Ucrânia porque não quer ser arrastada para uma guerra direta com a Rússia.

'Scholz é acusado de bloquear maior rigor contra Rússia'

O sucessor de Merkel, Olaf Scholz, também vê as coisas dessa maneira. Entretanto, ele tem incentivado mudanças na área de defesa. Hoje, o governo alemão, chefiado por um social-democrata  e um vice-chanceler federal verde, anunciou que querrearmar maciçamente a Bundeswehr (as Forças Armadas da Alemanha) e também está fornecendo armas para a Ucrânia, "numa ruptura com longas tradições", como definiu Scholz na quarta-feira.

Bundeswehr é "motivo de piada"

O que os dois especialistas em política externa aconselham ao governo alemão? Sanear a Bundeswehr, que é "percebida como motivo de piada" tanto por nações aliadas quanto inimigas, aconselha Bierling. O governo alemão deve desenvolver primeiro uma estratégia de segurança europeia e depois uma estratégia de segurança global. E ele sente falta de "políticos na Alemanha especializados em questões de segurança. Com poucas exceções, nenhum dos partidos têm muito a oferecer".

De acordo com Hoff, o objetivo deve ser: o abandono ainda mais rápido do uso de combustíveis fósseis; no aspecto militar, a Alemanha deve "tornar-se um player capaz de desempenhar um papel na Otan e na UE de forma proporcional ao seu peso econômico"; e ainda incentivar uma "política de europeização da Rússia e da China".

Mediação alemã ainda é necessária

Isso no entanto não significa que a diplomacia e a mediação alemãs não sejam mais necessárias.  O embaixador da Ucrânia pede armas alemãs, mas também apelou aScholz para ser mais ativo na mediação do conflito Rússia-Ucrânia.

"Precisamos da liderança pessoal do chanceler federal Olaf Scholz hoje em particular" para negociações com Putin, disse Melnyk em uma entrevista. "Isso seria um teste decisivo para a nova política externa alemã".

Neste contexto, Melnyk também defende o chamado "Formato Normandia", ou seja, reuniões regulares entre França, Alemanha, Rússia e Ucrânia, que se originaram em grande parte no governo Merkel. "Pedimos ao chanceler federal Scholz que convoque a Cúpula do Formato Normandia o mais rápido possível".

Entretanto, a composição atual não é suficiente para Melnyk, e isto pode refletir uma certa desconfiança em relação a Berlim: "Também está claro que precisamos dos americanos a bordo para negociar com Putin com uma só voz e a partir de uma posição de força."

Deutsche Welle

Putin está exportando uma guerra para a América do Sul?




A estatal russa de propaganda Sputnik Brasil postou recentemente um texto dizendo que a Colômbia é uma espécie de Ucrânia da América Latina. 

Por Leonardo Coutinho (foto) 

O governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) assinaram em 2016 um acordo de paz que, na teoria, levou ao fim da guerrilha no ano seguinte. Cerca de 7 mil narcoguerrilheiros entregaram as armas e os envolvidos receberam um Prêmio Nobel pela paz obtida depois de mais de meio século de guerrilha e terrorismo que provocaram mais de 260 mil mortes.

Na semana passada, esta coluna tratou de um dos efeitos duradouros da guerra, que são as minas terrestres. Ainda existem milhares delas enterradas na Colômbia, matando ou mutilando, em uma taxa de mais de uma pessoa por dia. Ainda que as autoridades locais trabalhem para desenterrar as armadilhas, novas minas não param de surgir e são instaladas pelo interior do país. São instaladas por traficantes para proteger seus cultivos de coca e pela guerrilha armada, que nunca deixou de existir.

Os colombianos assinaram um acordo de paz, mas a paz nunca chegou.

As Farc nunca deixaram de existir. Logo que entregaram as armas e saíram da ilegalidade, viraram partido político. Abandonaram o nome Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia para assumir a identidade de Força Alternativa Revolucionária do Comum. Como se pode observar, o acrônimo Farc ficou intacto. Mas a desfaçatez não foi tolerada por muito tempo e em 2021, eles resolveram se rebatizar como Comunes.

A justificativa de seus dirigentes era muito simples. Eles não se negavam como sendo Farc, tampouco estão dispostos a renegar o seu DNA de violência, extorsão, tráfico de drogas e terrorismo. Segundo eles, a legenda sofre com o estigma que setores reacionários impõem a ela. Portanto, Comunes foi o nome fofo escolhido para tentar limpar o passado criminoso da organização.

Além do partido com nome fantasia, as Farc seguiram sendo as Farc, mas como supostas dissidências. A guerrilha se manteve de forma compacta, pois já não têm o mesmo nível de resistência do Estado, e assumiu de vez as atividades cocaleiras e de lavagem de ativos.

Esta coluna foi escrita de Bogotá. É angustiante ver pelas ruas da capital colombiana ônibus, que servem ao sistema de transporte público, exibindo em seus letreiros luminosos os dizeres “Não ao terrorismo”. Mais angustiante ainda é parar o seu carro na fila de entrada de um dos shoppings centers da cidade e ter que esperar a revista minuciosa de cada um dos carros à sua frente. Revisão de porta-malas e cães farejadores treinados para achar explosivos. O ritual é repetido em alguns hotéis e edifícios. Sempre há o risco de um carro-bomba.

A Colômbia ainda não sabe o que é paz. Ou pelo menos há seis décadas não vive em paz.

Além das Farc, há o Exército de Libertação Nacional (ELN), que tem sido dos mais ativos nos últimos tempos, e as gangues de traficantes. Carros-bomba não são uma realidade distante. Por isso, tanto medo nas ruas.

Mas a Colômbia anda aquecida por outro tema. As autoridades locais prenderam cidadãos russos que ingressaram ilegalmente mais de US$ 145 milhões no país. Os procuradores investigam o caso como lavagem de dinheiro clássica, mas os indícios apontam para uma operação de financiamento em escala estatal de agitadores e movimentos relacionados com protestos de rua e com a ação no campo cibernético.

Parte dos recursos era depositada em cartões de débito pré-pagos, comprados em qualquer supermercado ou farmácia, que eram distribuídos para os líderes dos protestos organizarem as mobilizações. O grosso dos recursos, segundo as primeiras evidências já em investigação pelos procuradores, sugerem que os fundos estão sendo empregados para campanhas massivas de desinformação.

A Colômbia escolherá seu novo presidente no final de maio. A descoberta das operações financeiras clandestinas russas em consórcio com agitadores locais (sejam eles offline ou online) é um alerta sobre os esforços de Vladimir Putin em desacreditar a democracia.

Como se não bastasse a já manjada mania de interferir em eleições para gerar desconfiança, os russos estão trabalhando para escalar a crise e possivelmente provocar um conflito na região. Exagero? Talvez não.

A estatal russa de propaganda Sputnik Brasil postou recentemente um texto dizendo que a Colômbia é uma espécie de Ucrânia da América Latina. Para isso, eles usaram o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, para dizer que a Colômbia é um “fantoche da OTAN e dos Estados Unidos” na região. Segundo Padrino e os russos, a aliança militar e os americanos usam a Colômbia como plataforma para possivelmente atacar a Venezuela.

A história parece familiar?

A OTAN e os Estados Unidos usam a Colômbia para ameaçar a segurança e a soberania da Venezuela. Troque Colômbia por Ucrânia e Venezuela por Rússia.

As semelhanças não param por aqui. Os venezuelanos não se vendem como as vítimas locais da OTAN. Há tempos eles têm causado instabilidade na fronteira. Em 2019, Nicolás Maduro instalou sistemas antiaéreos na fronteira e enviou lançadores de foguetes que ficaram apontados para a Colômbia.

Chefe de um regime movido pela economia do ilícito e que tem as suas forças armadas ativamente engajadas em atividades de narcotráfico, Maduro se diz vítima do “narcoestado” colombiano. E seus porta-vozes falam em “descocainizar” a Colômbia. Como não dava para copiar a lorota da desnazificação de Putin, os chavistas inventaram uma referência ao narcotráfico – algo com potencial de conquistar a simpatia dentro e fora do seu regime narcoestatal.

As condições para uma ucranização da Colômbia não são bem claras, tampouco completas. Mas Putin e Maduro estão trabalhando duro para desestabilizar a região. E os impactos não se restringem apenas à Colômbia. O Brasil inevitavelmente se veria afetado. Na melhor das hipóteses, com uma nova crise de refugiados. Mas como o amor é cego, o governo brasileiro e principalmente o Itamaraty possivelmente não estão vendo nada. E se estão, talvez pensem que as estripulias russas na região são para salvar o Ocidente.

Gazeta do Povo (PR)

STF: blindagem à vista para a “pauta verde”?


STF

Por Geraldo Luís Lino 

O aparato ambientalista-indigenista internacional está salivando com o julgamento da “pauta verde” pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como está sendo chamado o conjunto de sete processos impetrados por partidos de esquerda (Rede, PV, PSB e outros) contra o governo federal, por alegada negligência na proteção do bioma Amazônia e descaso com os seus supostos impactos no clima global. O julgamento da pauta teve início na quarta-feira 31 de março, com a leitura do voto da ministra Cármen Lúcia sobre duas das ações, interrompida pela extensão do texto, prosseguindo em 6 de abril. A ministra é relatora de seis das sete ações, cabendo a restante à ministra Rosa Weber.

A expectativa da militância “verde-indígena” pode ser avaliada por uma nota da ONG Climainfo (31/03/2022), a qual ressalta que o julgamento “pode representar uma nova fase para a chamada litigância climática – ou seja, o uso do Judiciário pelos cidadãos para cobrar mais ação contra a mudança do clima por seus governos”, movimento que tem ganhado força em países como a Alemanha, Holanda Reino Unido e Austrália.

A nota cita o consultor jurídico do Instituto Socioambiental (ISA), Maurício Guetta: “No Brasil, é a primeira vez que o Supremo se debruçará em uma matéria de tanta relevância. E neste caso, por envolver a Amazônia, são ações que dizem respeito ao futuro da humanidade e dizem respeito a políticas públicas já existentes no nosso país. Em outros países, as políticas públicas tiveram de ser criadas a partir dessas decisões.”

Para o WWF-Brasil (30/03/2022): “A pauta é vista como uma sinalização de que ministros do STF estão dispostos a cobrar da Presidência da República medidas que deem uma resposta adequada aos graves problemas ambientais enfrentados pelo país – e que têm sido negligenciados pela atual gestão.”

Um artigo publicado no Valor Econômico de 30 de março (“O Supremo e a proteção climática e da Amazônia”) reforça a expectativa: “Nesse sentido, o conjunto de ações que o STF irá julgar pode representar uma resposta aos retrocessos em massa promovidos pelo Executivo neste último período, contribuindo para um processo de retomada do funcionamento regular dos órgãos de fiscalização, etapa importante para reverter a escalada no desmatamento no país.” Os quatro autores representam uma amostra representativa da crescente financeirização da agenda ambiental/climática: Ana Toni, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade; Marcello Brito, empresário do agronegócio, ex-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG); Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima; e José Pugas, sócio e head de ESG e Agronegócio da JGP Crédito.

E os anseios dos ambientalistas parecem confirmar-se. Apesar de Cármen Lúcia ter interrompido a leitura do seu voto, ela sinalizou uma apreciação favorável às demandas dos proponentes das ações, ao afirmar que admite a existência de um “estado de coisas inconstitucional em matéria ambiental no Brasil (Valor Econômico, 31/03/2022)”.

Na apresentação do relatório, na sessão da véspera, Cármen Lúcia já havia deixado clara a sua avaliação com termos fortes, ao afirmar:

    Procede-se a uma destruição institucional pela cupinização silenciosa e invisível a olhos desatentos, quanto à dinâmica necessária de atuação democrática… Com relação ao meio ambiente, especificamente, as instituições são destruídas por dentro, como cupim, sem que se mostre exatamente o que se passa. Promovem-se políticas públicas ineficientes, ineficazes.

Na leitura do voto, ela reforçou:

    Não é incomum, em matéria ambiental, que o Estado faça de conta que tem um aparato burocrático-administrativo e este fazer de conta é quase um teatro ambiental administrativo. Mantém-se uma estrutura que não funciona, ou seja, descumpre-se o dever constitucional do agir eficiente, que é obrigação estatal… A inércia, a atuação insuficiente, ou contrária aos deveres, macula de inconstitucionalidade a atuação do Estado, impondo-se a intervenção judicial para restabelecer a eficácia dos direitos à dignidade ambiental, aos direitos fundamentais dos indivíduos da presente e das futuras gerações.

Para a ministra,o governo federal promoveu uma redução da fiscalização, o abandono do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal, ausência da execução do orçamento destinado à área e enfraquecimento do quadro normativo.

Recorde-se que Cármen Lúcia e Rosa Weber estiveram na reunião fechada com o grupo de artistas que esteve em Brasília em 9 de março, para o “Ato da Terra”, manifestação contra o conjunto de projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional, visando à flexibilização da draconiana legislação ambiental e indígena brasileira (Alerta Científico e Ambiental, 10/03/2022).

A julgar pelas aparências, o aparato ambientalista-indigenista pode começar a celebrar.

P.S.: O julgamento da pauta foi adiado pelo pedido de vista do ministro André Mendonça, em 6 de abril, não havendo ainda uma data determinada para o reinício.

MSIa

Populistas de direita estão prosperando




Ao contrário do que especialistas previram, radicais como Orbán ganharam apoio

Por Fareed Zakaria* (foto)

Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, inúmeros comentaristas acreditaram que ao menos uma coisa boa decorreria dessa nuvem de catástrofe. O ataque de Vladimir Putin contra a ordem liberal, esperavam eles, exporia e deslegitimaria forças iliberais populistas que têm surgido há anos.

Um deles especulou que a guerra na Ucrânia poria fim à era do populismo. Outro, o acadêmico Francis Fukuyama, considerou o episódio uma oportunidade para as pessoas finalmente rejeitarem o nacionalismo de direita. Contudo, passadas seis semanas do início deste conflito, tais noções parecem ilusões otimistas.

ELEIÇÕES. Na Europa, duas eleições cruciais – na Hungria e na França – revelam a verdade. Até poucos dias atrás, era possível sugerir, como o fez um artigo da Atlantic, que a guerra na Ucrânia estava “agitando a política europeia” ao expor registros iliberais e próPutin da líder francesa de extrema direita Marine Le Pen e do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán.

Esses especialistas foram citados afirmando que Orbán “estava tentando desesperadamente reformular os acontecimentos da guerra” e prevendo que os franceses veriam o presidente, Emmanuel Macron, neste momento, “provavelmente como a única pessoa capaz de liderá-los através desta crise”.

Na realidade, Orbán acaba de ser reeleito – e para o quarto mandato consecutivo – por uma margem conveniente, com sua coalizão obtendo cerca de 53% dos votos e os opositores, aproximadamente 34%. No mesmo dia, eleitores da Sérvia reelegeram um presidente populista, convictamente próPutin, que venceu de lavada.

LE PEN. Na França, onde o primeiro turno da eleição presidencial ocorre amanhã, pesquisas sugerem que a liderança de Macron tem evaporado e Le Pen cresceu significativamente. Conforme afirmou a manchete do New York Times: “Mesmo antes de a França votar, a direita francesa é a grande vencedora”. Na Europa, pelo menos, o populismo de direita continua a prosperar.

Isso não significa que as ações da Rússia na Ucrânia sejam populares, mas elas não dominam a visão de mundo das pessoas. As reputações de políticos pró-putin não sofreram com a guerra da maneira que muitos esperavam.

Frustrado com o líder húngaro se aconchegando com Putin, Volodmir Zelenski apostou num ataque direto a Orbán, afirmando que ele é “virtualmente o único na Europa a apoiar Putin abertamente”. Isso não funcionou.

Nos EUA, é possível observar forças similares em ação, apesar de não serem tão fortes. Nas primeiras semanas da guerra, o Partido Republicano parecia ter revertido sua histórica belicosidade em política externa. Muitos republicanos da velha-guarda são veementemente anti-putin e próUcrânia.

Mas essa posição não descreve as opiniões do homem que continua sendo o líder mais popular do partido: Donald Trump, que tem elogiado Putin desde o início da invasão. O âncora mais graduado da Fox News, Tucker Carlson, que mais de dois anos atrás declarou que estava do lado da Rússia em sua batalha contra a Ucrânia, passou recentemente a repetir propaganda russa a respeito da existência de supostos laboratórios de armas biológicas na Ucrânia.

VANTAGENS. Vale notar alguns matizes. Orbán manipulou a democracia da Hungria de maneiras que lhe proveram vantagens estruturais. Em 2010, ele se movimentou para conceder cidadania a 2,4 milhões de húngaros étnicos que viviam no exterior e se retratou como o único defensor de seus direitos, o que lhe garantiu amplo apoio desses novos eleitores. Ele esmagou quase todos os meios de comunicação independentes.

O governo húngaro promove a imagem de Orbán, distribuindo pôsteres financiados com dinheiro público. Esse tipo de prática levou a Freedom House a classificar a Hungria como o único país da Europa que é “parcialmente livre”.

POPULISMO. Mesmo assim, o populismo de direita é genuinamente popular na Hungria e em outros países. Ainda que Le Pen tenha tirado vantagem da inflação em alta, culpando o governo de Macron por todo e qualquer aumento de preços, o magnetismo fundamental dela emana de seu estridente nacionalismo cultural. Orbán, Le Pen e outras personalidades da direita vociferam constantemente contra imigrantes, multiculturalismo e “lacração”, a nova palavra que aflora na França.

Ao mesmo tempo, esses líderes deixam de lado a economia de livre mercado da velha direita. Le Pen criticou muitas das reformas neoliberais de Macron e abraçou antigas políticas estatizantes da esquerda, como jornada de trabalho de 35 horas e aposentadoria antecipada. Ela especulou publicamente que poderia trazer membros da esquerda que concordem com suas ideias a respeito de protecionismo e política industrial. Orbán tem praticado há muito tempo um tipo de populismo estatizante que distribui generosos subsídios estatais para grupos que seu partido favorece.

Na França, Marine Le Pen, de extrema direita, subiu nas pesquisas às vésperas das eleições

ULTRAJES. Nos EUA, Carlson gasta pouco tempo com a guerra na Ucrânia, preferindo em vez disso colocar o foco de seu programa num cardápio diário de ultrajes contra políticas lacradoras e a cultura do cancelamento. Republicanos proeminentes, como o governador da Flórida, Ron Desantis, fazem o mesmo. Se você ouvisse a direita americana, você acreditaria que os temas mais prementes do mundo atual são diretorias de escolas que doutrinam crianças com ideias de fluidez de gênero.

É verdade que essas ideias atraem apenas parte do eleitorado – especialmente os eleitores mais velhos, mais rurais e menos educados. Mas já deveria estar claro que esses eleitores são numerosos o suficiente e apaixonados o suficiente para vencer eleições – nos dois lados do Atlântico.(Tradução de Guilherme Russo)

*Colunista do ‘Washington Post’

O Estado de São Paulo

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