sexta-feira, abril 08, 2022

A Rússia será responsabilizada por ataques a hospitais?




Desde que invadiram a Ucrânia, forças russas atacaram quase 100 instalações médicas. Investidas contra infraestrutura de saúde são consideradas crimes de guerra, mas agressores têm historicamente ficado impunes.

Por Lewis Sanders, Esther Felden e Eugen Theise

Onde hoje há uma parede cheia de estilhaços e com um grande buraco, antes funcionava um reconhecido departamento de otorrinolaringologia. Em 27 de fevereiro, apenas três dias após a invasão da Ucrânia pela Rússia, o hospital do distrito central de Volnovakha foi bombardeado pela primeira vez pelas Forças Armadas russas.

O ataque destruiu todo o departamento de otorrinolaringologia, diz o cirurgião Andriy Khadzhynov, de 48 anos. O hospital estava cheio de pessoas, incluindo médicos, pacientes e muitos civis que haviam procurado abrigo no local, conta o médico, tentando conter as emoções após o trauma.

A pequena cidade de Volnovakha, na região de Donetsk, no leste da Ucrânia, tem pouco mais de 20 mil habitantes. O hospital é a única instalação médica de emergência para aproximadamente 100 mil pessoas em um raio de 50 quilômetros.

"O hospital está localizado em uma colina e pode ser visto facilmente de todos os lados", diz Khadzhynov, descrevendo como era o único prédio de três andares na área. Renovações na fachada do hospital feitas há dois anos fizeram com que o prédio se destacasse em relação às fábricas abandonadas no antigo coração industrial que o cercava.

Para o médico, é improvável que o primeiro ataque tenha sido um acidente. Dois dias depois, os bombardeios continuaram. A esposa e a filha de Khadzhynov também buscaram abrigo no local, junto com centenas de outros civis. Os ataques que se seguiram deixaram o hospital em ruínas.

Crimes de guerra

Ataques a instalações médicas há muito tempo são considerados crimes de guerra. O direito humanitário internacional proíbe explicitamente os ataques a hospitais, sejam eles direcionados ou indiscriminados.

Na Ucrânia, tais ataques não só afetaram o atendimento médico de civis, mas também levaram à morte de dezenas de médicos e pacientes, de acordo com dados anônimos publicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A unidade de jornalismo investigativo da DW examinou detalhadamente 21 ataques a instalações médicas durante a guerra na Ucrânia, incluindo o bombardeio ao hospital de Volnovakha nos primeiros dias do conflito.

Esse número é apenas uma fração das 91 agressões à infraestrutura de saúde até agora confirmados pela OMS, o que representa uma média de dois ataques a hospitais, ambulâncias ou depósitos de suprimentos médicos por dia. Ao menos 73 pessoas morreram.

O Centro de Saúde Ucraniano, um think tank independente, forneceu à DW acesso a material confidencial, incluindo um registro de mais de 100 ataques a instalações médicas (no momento da publicação). De acordo com o centro, os números são ligeiramente superiores aos da OMS porque a entidade tem uma rede nacional de fontes locais que podem relatar ataques à medida que eles acontecem.

"Estamos documentando ataques a instalações médicas de acordo com os altos padrões de procedimentos legais nos tribunais internacionais porque queremos que estes ataques sejam julgados e que os responsáveis sejam responsabilizados", diz Pavlo Kovtoniuk, ex-vice-ministro da Saúde e cofundador da organização.

Embora os ataques a instalações médicas sejam proibidos pela Convenção de Genebra, há uma condição sob a qual os hospitais podem perder seu status protegido de objetos civis: se a instalação for utilizada para fins militares.

Em busca de julgamento justo

Mariupol já estava sitiada há quase duas semanas quando aviões de guerra russos bombardearam o hospital infantil e a maternidade da cidade, em 9 de março. O mundo ficou chocado com as imagens de mulheres e crianças sendo resgatadas dos escombros. Algumas delas morreram.

Antes e depois do ataque, porém, autoridades russas haviam afirmado que o hospital era um alvo legítimo, alegando que um batalhão ucraniano estava operando no local.

A DW investigou as alegações analisando vídeos, fotos e imagens de satélite, e não encontrou nenhuma indicação de que houvesse alguma unidade militar dentro do hospital de Mariupol. A DW também falou com testemunhas e analisou material visual em 20 outros ataques a instalações médicas e, novamente, não encontrou nenhuma indicação de que houvesse alvos militares legítimos ou combatentes nas instalações atacadas.

As Forças Armadas russas têm repetidamente afirmado que os hospitais que destruíram na Ucrânia estavam sendo usados para fins militares.

O juiz alemão Wolfgang Schomburg, que tem experiência em tribunais penais internacionais no âmbito de atrocidades cometidas durante a dissolução da Iugoslávia e o genocídio de Ruanda, disse à DW que o julgamento de tais casos é muitas vezes um processo demorado.

Um julgamento justo incluiria o depoimento do acusado e reivindicações que pudessem apoiá-lo, diz Schomburg. "Por exemplo, que o hospital tinha sido esvaziado antes e que a Rússia tentou confirmar que não havia mais ninguém no prédio. Isso exigiria relatos de muitas testemunhas. No final, o tribunal decide sobre os fatos apurados", diz.

Nem um único processo

Em 1993, a ONU criou o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (ICTY) para julgar crimes de guerra ocorridos durante as guerras que resultaram na fragmentação da antiga Iugoslávia. 

Nessas últimas três décadas, milhares de instalações médicas foram atacadas em conflitos − não apenas nas guerras nos Bálcãs nos anos 90, mas também nos conflitos no Afeganistão e na Síria do século 21. Mas a DW não conseguiu encontrar nem uma única tentativa internacional de condenar ataques a hospitais.

Foram apresentadas acusações contra o ex-líder sérvio Slobodan Milosevic relacionadas com o massacre de pacientes e pessoal médico feito refém na cidade croata de Vukovar. Mas, como as vítimas foram executadas fora do local, as acusações específicas não foram por um ataque direto a um hospital − embora as instalações também tenham sido bombardeadas várias vezes ao longo de um ano. Milosevic morreu sob custódia antes da conclusão de seu julgamento.

Especialistas jurídicos concordam esmagadoramente que, apesar do clamor público, os ataques a hospitais raramente são considerados crimes de guerra devido às proteções legais concedidas aos supostos criminosos.

Ainda assim, outros dizem que houve um progresso significativo no direito internacional, e que pode haver fundamentos para a acusação sob outras categorias criminais, tais como crimes contra a humanidade ou crimes de terror.

"O direito internacional tem evoluído nas últimas décadas. Não é mais possível usar indevidamente a incoerência entre leis para combatentes e civis para argumentar que um hospital em funcionamento pode ser um alvo legítimo", diz Mark Somos, estudioso de Direito e professor do Instituto Max Planck de Direito Internacional.

"É categoricamente uma violação do direito internacional, e exige um processo judicial sob os mais rigorosos mecanismos de aplicação da comunidade internacional", afirma.

Argumentos russos

Em um vídeo produzido pela mídia russa e divulgado no YouTube, um repórter com um capacete e um colete à prova de balas com a palavra "Imprensa" fala à câmera sobre o que deixou o hospital de Volnovakha em ruínas.

No relato, a guarda nacional ucraniana é acusada de supostamente ter mantido uma base nas instalações médicas. O repórter russo alega que os médicos foram mantidos reféns no porão e que "soldados ucranianos ingratos" teriam ordenado disparos contra o hospital com um tanque.

Khadzhynov, que viveu a destruição de seu hospital, está a par desse relato forjado. "É tudo besteira", diz.

Não havia pessoas armadas na área do hospital, afirma Khadzhynov. A partir de 1º de março, quando as Forças Armadas russas lançaram uma nova onda de ataques ao hospital, o pessoal médico rejeitou soldados feridos porque a instalação estava muito acima de sua ocupação máxima.

A unidade de jornalismo investigativo da DW solicitou repetidamente uma posição ao Ministério da Defesa russo pelos ataques ao hospital de Volnovakha e a dezenas de outras instalações médicas ucranianas. Os pedidos não foram respondidos até a publicação deste reportagem.

"O mundo precisa entender que as antigas regras de ser neutro, de ser apolítico na esfera humanitária, não são mais relevantes aqui nesta guerra, porque o agressor usa questões humanitárias como parte de sua estratégia de guerra híbrida", diz o ex-vice-ministro da Saúde Pavlo Kovtoniuk.

Deutsche Welle

Guerra na Ucrânia: o que número de militares russos mortos nos diz sobre invasão




Guardas de honra participam de funeral de um soldado do Exército russo

Todos os dias, a Rússia enterra soldados mortos na Ucrânia. A BBC estima que 20% dos mortos contabilizados pelas regiões russas são oficiais. O que os dados dizem sobre o estado do Exército russo lutando na Ucrânia?

A última vez que o Ministério da Defesa russo informou sobre perdas foi em 25 de março - segundo eles, 1.351 militares tinham morrido. Já as Forças Armadas da Ucrânia dão um número muito maior para a estimativa de russos mortos: 18.300 pessoas.

Em 5 de abril, fontes oficiais russas publicaram os nomes de pelo menos 1.083 soldados russos mortos. A maioria dos relatórios sobre as perdas foi publicada pelos chefes das regiões ou distritos.

Alta patente

Dos 1.083 mortos identificados, 217 são oficiais de postos que vão de tenente a general. Eles compõem 20% de todos os militares na lista de mortes confirmadas pelo Exército russo, que a BBC acompanha desde o início da guerra.

Uma proporção semelhante foi observada durante o primeiro relatório do Serviço Russo da BBC sobre as perdas do Exército do país: dos 557 mortos identificados, 109 eram oficiais, ou seja, 19,6%.

Um número tão alto de oficiais nas listas de perdas confirmadas não significa que um em cada cinco russos que morreu no campo de batalha fosse oficial. Tradicionalmente, os corpos de comandantes mortos no Exército russo são enviados para casa como prioridade, e suas mortes são mais propensas a serem anunciadas publicamente, diz Samuel Cranny-Evans, do Royal United Services Institute (RUSI, do Reino Unido.

"Em conflitos passados, os militares russos prestaram mais atenção à evacuação dos corpos de oficiais mortos. E menos atenção foi dada aos oficiais militares de baixa patente após a morte. Mas, ao mesmo tempo, os oficiais realmente constituem a espinha dorsal das Forças Armadas russas", diz o especialista.

Na lista de mortos, a BBC encontrou 10 coronéis (incluindo um capitão do primeiro escalão), 20 tenentes-coronéis, 31 majores e 155 oficiais subalternos (de tenente a capitão).

A Ucrânia afirma que sete generais russos já morreram, mas a Rússia apenas confirmou a morte do major-general Andrei Sukhovetsky.

Nos Exércitos dos países da Otan, sargentos, cabos e outros subalternos são autorizados a executar muitas tarefas no campo de batalha. Já no Exército russo, decisões de nível semelhante só podem ser tomadas por oficiais com a patente de pelo menos tenente.

"Os oficiais russos fornecem liderança tática e treinamento para seus pelotões ou batalhões. Os sargentos do Exército russo, na maioria das vezes, apenas controlam equipamentos ou seguem ordens, ou seja, não lideram ninguém. Isso significa que os oficiais são forçados a assumir mais funções na direção. Portanto, é mais provável que um oficial russo morra em combate do que oficiais de muitos outros exércitos", diz Cranny-Evans.

Paraquedistas sem apoio

Ao analisar a lista de baixas confirmadas na Rússia, outra tendência é perceptível: cerca de 15% de todos os mortos identificados serviam nas Tropas Aerotransportadas.

Especialistas ouvidos pela BBC observam que os paraquedistas russos são amplamente utilizados para resolver tarefas que, em teoria, poderiam ser atribuídas à infantaria convencional. Mas os comandantes militares russos preferem usar as Forças Aerotransportadas, já que essas unidades geralmente estão muito mais bem preparadas, tanto física quanto mentalmente.

A taxa de baixas relativamente alta entre os paraquedistas não é surpreendente, disse Rob Lee, membro sênior do Instituto de Pesquisa de Política Externa dos EUA. "Unidades de Tropas aerotransportadas participaram de operações nos setores mais difíceis da linha frente - em Hostomel, nas batalhas perto de Kiev e em confrontos no sul da Ucrânia", acrescenta.

No primeiro dia da guerra, o Exército russo desembarcou tropas no aeroporto Antonov, na vila de Hostomel - as tropas esperavam que os militares russos, vindos da Bielorrússia, pudessem estabelecer contato com eles e providenciar suprimentos. Isso não foi feito por completo e, em 31 de março, - após um mês de intensos combates - as tropas ucranianas recuperaram o controle do aeroporto.

Cranny-Evans explica que as operações de armas combinadas da Rússia foram relativamente lentas, e as unidades aerotransportadas na linha de frente ficaram sem tropas regulares e apoio aéreo.

Há informações sobre baixas de outras unidades de elite russas. A lista de perdas que pudemos confirmar inclui 15 representantes das forças especiais de inteligência militar controladas pelo GRU, o Departamento Central de Inteligência, (incluindo cinco oficiais) e 10 representantes das forças especiais da Guarda Nacional.

Entre os mortos estão pelo menos três proprietários de "boinas vermelhas" (Ruslan Galyamov e Oleg Kirillov do Tartaristão, e Vyacheslav Aktyashev da região de Perm) - esta é a elite das forças especiais da Rússia. A seleção para o direito de usar boina vermelha é considerada uma das provas militares mais difíceis do mundo.

A lista de vítimas confirmadas por nós também inclui pessoas de profissões inesperadas. Em 28 de março, jornalistas de Bryansk noticiaram a morte de um sargento sênior da banda militar, Alexander Karpeev. Especifica-se que Karpeev tocava trompete. Quais tarefas ele realizou na Ucrânia não são mencionadas nos relatórios.

Longo caminho para casa

Na maioria dos casos conhecidos publicamente, os corpos dos mortos são entregues em casa duas a três semanas após sua morte. Por exemplo, um alferes das forças especiais da Guarda Nacional chamado Ruslan Galyamov, segundo dados publicados, morreu em 11 de março e foi enterrado em 26 de março.

Em alguns casos, o corpo pode levar mais de um mês para ser enviado. Mikhail Bakanov, de 20 anos, segundo dados oficiais, foi morto no segundo dia da guerra - 25 de fevereiro. Eles conseguiram entregar seu corpo em casa apenas no final de março.

Esses prazos de entrega dos corpos dos mortos são geralmente típicos dos grandes conflitos modernos, de acordo com o Instituto Real Britânico de Estudos de Defesa e Segurança.

"Em uma situação como na Ucrânia, os vivos sempre terão precedência sobre os mortos. E os esforços estarão sempre focados em preservar e prover para aqueles que estão vivos. Enviar os corpos daqueles que não podem mais ser ajudados para sua terra natal não é prioridade. A situação é agravada pela linha de frente em constante mudança. Nesta fase do conflito, é difícil para ambos os lados proteger seus flancos das incursões inimigas", observa Cranny-Evans.

Autoridades ucranianas e testemunhas oculares afirmaram repetidamente que, ao recuar, o Exército russo deixa os corpos de soldados mortos para trás. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que Kiev quer transferir os corpos dos mortos para a Rússia, mas a Rússia "a princípio recusou, depois ofereceu algum tipo de bolsa".

Na segunda quinzena de março, o chefe da administração regional de Nikolaev, Vitaly Kim, exortou os moradores locais a relatar a localização de corpos de militares russos nos territórios libertados pela Ucrânia.

"Nem sempre eles levam seus [soldados], e na primavera e no verão será um problema nosso. Por favor, diga-nos onde estão, […] se possível, recolha-os em bolsas. Por isso, temos que recolhê-los e colocá-los em geladeiras, enviá-los de volta para que sejam identificados por DNA, porque esses soldados também têm mães."

Pelo menos três militares russos foram identificados apenas após um exame de DNA. Alexander Vavilin, de 21 anos, da cidade de Nizhny Novgorod, morreu em 27 de fevereiro, mas seus parentes foram informados de sua morte apenas em 1º de abril. Durante todo esse tempo uma investigação estava em andamento e, segundo a mídia local, eles estavam esperando, entre outras coisas, pelos resultados de um teste de DNA.

Alexander Yemtsov, um nativo de Transbaikalia de 27 anos, também foi identificado apenas graças a um exame - Yemtsov morreu em um veículo blindado queimado.

Trabalhos do Exército

A região na Rússia onde a maioria das mortes foi relatada é o Daguestão - 93 soldados foram enterrados lá. As escolas recebem seus nomes e até as ruas são batizadas com seus nomes.

Altos números de mortos também foram relatados na Buriácia (52 pessoas), na região de Volgogrado (48), na região de Orenburg (41) e na Ossétia do Norte (39).

Isso não significa que representantes de determinadas regiões tenham sido especialmente enviados para participar da invasão da Ucrânia, como sugeriram alguns especialistas e jornalistas.

"A parte principal dos soldados contratados no Exército russo são pessoas da periferia, não é o sul, nem o norte do Cáucaso, mas toda a periferia - cidades médias e pequenas, vilas e aldeias", explica a especialista na área de sociologia e desenvolvimento econômico das regiões russas, professora Natalya Zubarevich.

Ela observa que pessoas de regiões mais pobres também costumam se juntar ao Exército. A Buriácia é considerada uma dessas áreas.

Uma das pessoas mortas desta região é Mikhail Garmaev, de Ulan-Ude. Depois de sair da escola, ele entrou no ensino técnico de construção, mas não terminou seus estudos e foi servir no Exército.

Depois de servir, Mikhail voltou para Ulan-Ude e conseguiu um emprego em uma empresa de instalação de alarmes. Mas alguns anos depois, ele voltou ao Exército e assinou um contrato. Em 6 de março, perto de Kiev, Mikhail foi pego em uma emboscada e baleado duas vezes. Em 21 de março, ele foi enterrado em Ulan-Ude.

Cenários semelhantes - de alguém que estudou, serviu, tentou conseguir um emprego civil, mas depois voltou para o Exército - são encontrados nas biografias de muitos outros russos que morreram na guerra na Ucrânia.

"O Exército é um empregador importante em áreas onde é quase impossível ganhar dinheiro. O recrutamento no Exército dá a você um salário estável e segurança", enfatiza Zubarevich.

As regiões da Rússia ainda têm políticas diferentes em relação à publicação de informações sobre os mortos.

Em oito regiões, não houve relatos de mortes de oficiais. Mas em três deles - a região de Tomsk, a República de Adygea e a Chukotka - a BBC conseguiu confirmar relatos sobre funerais de soldados russos que foram mortos na Ucrânia.

'A Rússia perdeu vários militares de alto escalão'

Até o fim de março, as autoridades da região de Kemerovo não tinham relatado oficialmente as mortes na Ucrânia. No curso da primeira investigação sobre perdas nas forças armadas russas, a BBC conseguiu estabelecer os nomes de sete moradores de Kuzbass que morreram nesta guerra. Poucas horas após esta publicação, as autoridades da região de Kemerovo, que anteriormente mantinham silêncio, anunciaram detalhes sobre 13 militares mortos, sem nomeá-los. Desde então, os dados não foram atualizados oficialmente. No momento, a BBC conseguiu identificar pelo menos 18 pessoas da região de Kemerovo que morreram na Ucrânia.

"Na região de Kemerovo, o governador se baseou na retórica vitoriosa de forma mais enfática, com menos atenção ao tema do custo da guerra", observa o cientista político Mikhail Vinogradov.

"Admito que no Daguestão o envolvimento emocional é maior, inclusive para reconhecer o papel das pessoas da república na operação. Isso é feito em parte em uma competição à revelia com pessoas da Chechênia que estão em primeiro plano publicamente. Em outras regiões, os dados podem ser percebidos de forma mais traumática", acrescenta o cientista político.

Vinogradov acredita que Moscou deliberadamente delegou aos chefes de regiões o dever de relatar perdas na guerra, o que na Rússia é chamado de "operação especial".

"Acho que há um desejo de não traumatizar os cidadãos desnecessariamente com os números agregados de perdas - portanto, eles são dados raramente e às vezes vagamente", diz o especialista.

"Por outro lado, o fluxo de perdas é relativamente grande e você não quer escondê-lo completamente. E, por isso, poucas pessoas têm interesse em encontrar números comuns. Talvez os governadores não tivessem um comando claro sobre como cobri-lo, e há relativamente muita autonomia."

Em algumas regiões da Rússia, houve casos em que a mídia noticiou a morte de militares russos, mas depois excluiu o relatório.

"Não é proibido coletar informações sobre os militares mortos, mas, pelo que sei, todos os meios de comunicação da região foram informados de que isso não irá ao ar ou será publicado por enquanto. E eles não dizem quando será possível publicar. Pessoalmente, suponho que nunca", disse um jornalista siberiano à BBC sob condição de anonimato.

Propaganda

Os caixões com soldados russos que morreram na Ucrânia chegam não apenas às regiões da Rússia, mas também aos países da ex-União Soviética.

Em 25 de março, o funeral de Egemberdi Dorboev foi realizado na região de Issyk-Kul, no Quirguistão. O prefeito de Norilsk disse que Dorboev chegou recentemente ao território de Krasnoyarsk e morava lá com sua mãe. O jovem tinha cidadania russa e, no outono de 2021, foi convocado para o Exército. Ele morreu com 19 anos.

Rustam Zarifulin, de 26 anos, que assinou contrato com o Exército russo e morreu na Ucrânia, também foi enterrado no Quirguistão.

Os corpos de dois soldados russos (Saidakbar Saidov e Ramazon Murtazoev), que morreram na Ucrânia, foram enterrados no Tajiquistão. E na capital da Ossétia do Sul, que se separou da Geórgia, o sargento russo Andrei Bakaev, que participou da guerra, foi enterrado.

"Antes, pessoas de alguns países pós-soviéticos aspiravam a ingressar no Exército russo, porque era uma forma de obter a cidadania russa sob um esquema simplificado. Agora não há tais preferências", diz a ativista de direitos humanos Svetlana Gannushkina.

Ela acrescenta que, para alguns migrantes, as Forças Armadas podem continuar sendo um empregador atraente: "Com o Tajiquistão, por exemplo, a Rússia tem um acordo sobre dupla cidadania. E as pessoas que serviram como recrutas no Exército do Tajiquistão também são consideradas oficialmente como tendo servido na Rússia. Isso significa que, se desejarem, podem ir imediatamente ao serviço contratado. Essas pessoas não nos contataram. Mas, pelo que posso imaginar, para aqueles que não tiveram um destino diferente e de alguma forma não conseguiram prosperar, por exemplo, com educação, o serviço militar pode parecer atraente. E há uma propaganda apropriada."

Como as mortes são calculadas?

Todos os dias na Rússia, mais e mais novos nomes de pessoas mortas e fotografias de funerais são publicados. Muitas vezes, os nomes são divulgados pelos chefes das regiões russas ou representantes de administrações distritais, pela mídia local ou por instituições educacionais onde os soldados estudaram anteriormente.

A BBC baseou sua análise apenas em relatórios contendo informações específicas sobre o falecido, incluindo nome completo, classificação e, se possível, o local do enterro.

Reportagens da mídia citando fontes sobre dezenas e às vezes centenas de mortos não foram levadas em consideração se não continham informações específicas sobre nomes e sobrenomes. Também não levamos em consideração relatos de mortes de pessoas que não são militares russos (ou seja, aqueles que servem nas unidades das autoproclamadas República Popular de Luhansk e República Popular de Donetsk, bem como mercenários do chamado Grupo Wagner, uma empresa militar privada com fortes ligações com o governo russo).

BBC Brasil

Haverá punição para militares russos como o carrasco de Bucha? Não.

 



O abençoado monstro de Bucha.

Esta é a realidade dos fatos; ela não elimina a importância de registrar e apurar crimes de guerra na Ucrânia, mas limita o alcance do debate. 

Por Vilma Gryzinski

Antes da mobilização das tropas para a invasão da Ucrânia, o tenente-coronel Azatbek Omurbekov, um russo de ascendência asiática baseado na cidade siberiana de Khabarovsk, falou em tom quase lírico da missão que viria pela frente.

“A história mostra que lutamos a maior parte das nossas batalhas com nossas almas. As armas não são a coisa mais importante”, disse ele depois de uma cerimônia religiosa em Khabarovsk.

Não é preciso ser nenhum Clausewitz para entender a importância do fator moral – ou espiritual, como disse o comandante russo – quando homens vão à guerra.

A suprema ironia é que os comandados por Omurbekov torturaram e mataram civis de mãos amarradas, estupraram, saquearam e até esmagaram com tanques carros – com seus ocupantes dentro – que estavam no seu caminho em Bucha, a cidade desocupada pelos russos que virou sinônimo de abominações espantosas.

O tenente-coronel foi identificado, com nome e endereço, como o comandante da brigada blindada que ocupou Bucha por um grupo de voluntários ucranianos que vasculham fontes públicas na internet. Os detetives virtuais têm um nome curioso, InformNapalm.

Outra informação encontrada na internet, pelo site Meduza, mostra soldados russos na Belarus, país usado como uma das bases da invasão, despachando em pacotes, malas e outras embalagens os produtos eletrônicos saqueados na Ucrânia. Parece um esquema bem profissional.

O vídeo mostra como existem informações preciosas que podem ser garimpadas por gente com muita paciência e muita gana de justiça. O Ministério Público da Ucrânia ainda está investigando os abusos cometidos em Bucha – uma tarefa a mais de uma lista muito longa: já são mais de 14 mil processos abertos por denúncias de crimes de guerra.

O presidente Volodymyr Zelensky pediu na ONU uma espécie de Tribunal de Nuremberg para esses crimes revoltantes.

Pedir o impossível virou a missão dele – zona de exclusão aérea que os Estados Unidos não decretarão, aviões de guerra que não serão liberados, corte imediato das importações europeias de gás e petróleo russos e, agora, justiçamento dos criminosos.

Infelizmente, as chances de julgamentos internacionais são praticamente zero.

Nuremberg só aconteceu porque a Alemanha nazista foi derrotada e as quatro potências vencedoras – Estados Unidos, União Soviética, França e Inglaterra – estavam de acordo em levar ao banco dos réus figurões do nazismo que haviam sobrevivido.

Muitas pessoas também ficam angustiadas com a impunidade e perguntam por que o “mundo”, ou a ONU, não interfere para salvar a Ucrânia.

Acontece que a ONU não é uma República Galática, como em Guerra nas Estrelas. É uma espécie de condomínio em que todos têm direito de voto, mas os donos das coberturas – os membros permanentes do Conselho de Segurança: Estados Unidos, Rússia, China, França e Inglaterra – têm direito de veto.

Qualquer intervenção, como uma força de paz, tem que passar pelo filtro russo.

Na hipótese, também inexistente, de que o Tribunal Internacional de Justiça – que interfere em diferenças entre nações – aprove a iniciativa contra a Rússia apresentada pela Ucrânia, ela teria que ser endossada pelo Conselho de Segurança.

A nível individual, qualquer ação passaria pela Corte Criminal Internacional. Os acusados têm que ser encaminhados pelos respectivos países, o que igualmente elimina qualquer hipótese de punição.

Geralmente, os casos de crimes contra a humanidade (cometidos em tempos de paz) que chegam ao nível internacional são de ditadores africanos derrubados do poder e caídos em desgraça. Vladimir Putin não vai entrar nessa turma tão cedo e mesmo que aparecesse um novo Gorbachev e o regime mudasse, outra hipótese implausível, seria inconcebível uma expatriação.

Para os crimes cometidos na ex-Iugoslávia, com atrocidades cometidas por políticos e militares sérvios -, foi instituído um tribunal específico. Só quando caiu o governo de Slobodan Milosevic é que o ex-presidente foi entregue para julgamento (morreu preso em Haia). Ratko Mladic, o carrasco de Srebenica (mais de oito mil muçulmanos bósnios exterminados) passou seis anos “foragido” na Sérvia até ser preso.

Ações contra indivíduos como o tenente-coronel Omurbekov teriam no máximo o efeito de impedi-lo de viajar a algum país onde um mandato internacional poderia redundar em sua prisão.

Omurbekov, como tantos outros russos, não parece ter planos de viagem tão cedo.

Dá desânimo constatar a garantia de impunidade para crimes tão horríveis – e nojo ver os desmentidos grotescos da Rússia, que atribui as vítimas a uma armação ucraniana.

Tetricamente, a condenação moral – a única possível – parece ter tido alguma consequência. Autoridades municipais de Mariupol, a cidade já quase totalmente dominada no litoral do mar de Azov, disse que militares russos estão usando caminhões-crematórios para sumir com os corpos de vítimas de atrocidades.

Mesmo nos casos de crimes de guerra em que houve ritos jurídicos, os resultados são sempre insatisfatórios. Dos 24 alemães condenados à morte, treze foram executados.

A desproporção com o mal causado é gritante. Por volta de 50 milhões de pessoas morreram na guerra iniciada pela Alemanha nazista – e mais cerca de 20 milhões em consequência de doenças e inanição.

Só mesmo a alma, já que ele acredita nela, do tenente-coronel Azatbek Omurbekov poderá pagar pelo horror de Bucha – e não nessa vida, onde os militares russos são abençoados por padres ortodoxos e doutrinados para acreditar que têm uma missão cristã a cumprir na Ucrânia, uma das mais surreais distorções da era Putin.

Revista Veja

A terceira guerra patriótica de Putin




A ideia da criação de um espaço democrático e de cooperação de Lisboa a Vladivostok foi de Charles d’Gaulle e nada tem a ver com as fantasias pornograficamente expansionistas de Putin e da sua corte. 

Por José Milhazes (foto)

Há muito tempo que ideias ultraconservadoras, ultraortodoxas e ultranacionalistas, com traços muito fortes de nacional-comunismo e de nazismo, pairavam na Rússia, mas muitos no Ocidente não queriam acreditar que elas se transformassem em ideologia oficial do Kremlin no século XXI. Depois da I Guerra Patriótica contra Napoleão (1812-1815) e da II GP contra Hitler (1939-1945), o Kremlin apresenta a invasão da Ucrânia como uma III GP, desta vez contra o “neonazi” Volodimir Zelenski.

Havia sinais directos e indirectos desse processo, mas a famosa “aula de história”, pronunciada por Vladimir Putin na véspera da invasão da Ucrânia, onde ele chama a si a missão de restaurar o Império Russo, negando, por exemplo, o direito da Ucrânia a uma existência independente, trouxe à tona uma série de “pensadores” lambecusistas que se apressaram a justificar os planos expansionistas do suserano.

Timofei Segueitsev, analista político da agência oficial russa RIA, apresenta uma proposta de “solução final” para os destinos dos ucranianos e da Ucrânia caso as tropas russas atinjam os objectivos da “operação especial” desencadeada por Putin. Ele, entre outras receitas, propõe que “os nazis [ucranianos] que pegaram em armas nas mãos deverão ser liquidados ao máximo no campo de combate. Não se deve fazer grande diferença entre militares, batalhões nacionalistas e grupos locais de defesa”.

Derrotado Zelenski, não são só os dirigentes ucranianos irão ficar sujeitos à “limpeza ideológica”.

“Além da cúpula, que deve ser “desnazificada”, [leia-se liquidada], é também culpada parte significativa das massas populares que são nazis passivos, apoiantes dos nazis… Só é possível um castigo justo para essa parte dessa população se ela tiver de supor os fardos inevitáveis da guerra justa contra o sistema nazi”, acrescenta ele.

Será que teses destas não fazem lembrar os tempos tenebrosos das perseguições aos judeus na Alemanha de Hitler.

O que leva a Rússia a combater na Ucrânia?

Outra analista política Victória Nikiforova , da mesma agência oficial russa, seguindo a revisão da História realizada no Kremlin, compara a actual situação com a guerra entre a União Soviética e a Alemanha nazi : “Para russos e ucranianos, tudo está extremamente claro e compreensível. Os russos foram libertar a sua terra dos nazis. Fizemos o mesmo em 1943-1944 no mesmo território. Então, as dimensões do colaboracionismo eram menores… Se for preciso, explico, a Rússia leva para o território da Ucrânia a sua civilização, muito diferente daquela a que os ucranianos se habituaram nos últimos 30 anos”.

O antigo Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, vai ainda mais longe ao afirmar que foi o Exército Vermelho que, sozinho, derrotou as hostes germânicas, limpando assim da História os aliados ocidentais!

Aliás, o actual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, também conhecido pela alcunha de corrupto e mafioso “Dimon”, não quer ficar atrás na inovação histórica. Ele propõe, depois do desaparecimento da Ucrânia, a criação de um “espaço aberto na Eurásia, entre Vladivostoque e Lisboa”!

A julgar pelos rastos e ruínas deixados pelas tropas russas na Ucrânia, pode-se imaginar o que restará dos países europeus depois de mais uma “missão libertadora” dirigida por Moscovo. A ideia da criação de um espaço democrático e de cooperação de Lisboa até Vladivostoque foi avançada, entre outros, por Charles d’Gaulle, antigo Presidente francês, mas nada tem a ver com as fantasias pornograficamente expansionistas de Putin e da sua corte.

Nesta dança macabra não podia faltar Guennadi Ziuganov, dirigente do Partido Comunista da Federação da Rússia. Como um dos principais atiçadores da invasão da Ucrânia pelas hordas russas (recordo que foi ele e o seu partido que propuseram o reconhecimento das repúblicas separatistas pró-russas de Donbass pelo governo de Moscovo), apela a que a guerra seja levada até à vitória final: “A Rússia deve cumprir as tarefas de desmilitarização e desnazificação da Ucrânia. Caso contrário, todos teremos de envergar os capotes militares”.

Estas declarações servem para explicar as posições tomadas pelos comunistas portugueses face à invasão da Ucrânia.

Quanto ao líder nacional-palhaço russo Vladimir Jirinovski, já não terá oportunidade de ver o resultado final de algumas das suas profecias, pois faleceu ontem num hospital de Moscovo.

Por fim, volto a perguntar: afinal qual é o país que é dirigido por neonazis? Um grupo, que espero cada vez menor, e que inclui alguns dos generais e oficiais portugueses na reserva, continuarão a tentar-nos convencer de que se trata da Ucrânia.

Observador (PT)

UE aprova quinto pacote de sanções à Rússia e mira carvão




'Corpos de 26 pessoas foram encontrados em escombros na cidade de Borodianka'

Pela primeira vez, medidas afetam o setor energético, privando os cofres russos de 4 bilhões de euros por ano. Novas resoluções também incluem embargo a armas e veto às exportações de alta tecnologia.

A União Europeia (UE) aprovou nesta quinta-feira (07/04) o quinto pacote de sanções contra a Rússia devido à invasão na Ucrânia. Pela primeira vez, as restrições afetarão o setor energético, com a proibição das importações de carvão russo.

As novas medidas também incluem um embargo de armas, o veto às exportações de alta tecnologia e mais sanções contra "oligarcas, atores de propaganda russa, membros do aparelho de segurança e militar e entidades do setor industrial e tecnológico ligados à agressão russa contra a Ucrânia", informou a presidência francesa do Conselho da UE, no Twitter, destacando que o "pacote tão substancial amplia as sanções contra a Rússia a novos âmbitos".

As medidas foram propostas na quarta-feira pela Comissão Europeia e acordadas pelos embaixadores dos Estados-membros da UE, após dois dias de debates sobre os detalhes. Agora, elas devem ser publicadas no Diário Oficial da UE para que entrem em vigor, o que deve ocorrer nesta sexta-feira.

A quinta rodada de sanções contra a Rússia chega em resposta a imagens recentes de civis executados em Bucha, um município perto de Kiev ocupado durante semanas pelas tropas russas e no qual a UE acredita que foram cometidos crimes de guerra. O Kremlin nega e acusa Kiev de "encenação".

O 43º dia da guerra na Ucrânia também foi marcado pela suspensão da Rússia do Conselho de Direitos Humanos da ONU, por cenas de horror em Borodianka e pela Rússia admitindo perdas significativas de tropas na Ucrânia.

Impacto do embargo ao carvão 

A proibição das importações de carvão privará os cofres da Rússia de 4 bilhões de euros por ano, segundo Bruxelas, que considera estar fazendo progressos na estratégia de reduzir a capacidade do Kremlin de financiar a guerra.

A Rússia é o principal fornecedor de energia da UE, que compra 46,7% do carvão que utiliza, 40% do gás natural e 27% do petróleo.

No entanto, estes dois últimos hidrocarbonetos foram deixados de fora do novo pacote de sanções, apesar de terem um maior impacto econômico: dos 99 bilhões de euros que a UE pagou à Rússia por energia no ano passado, 74 bilhões foram pelo petróleo, 17,3 bilhões pelo gás e apenas 5,4 bilhões pelo carvão.

Por essa razão, a UE não exclui a inclusão de restrições ao gás e ao petróleo, no futuro, caso a Rússia não cesse os ataques. Mas a forte dependência destes combustíveis em alguns países, especialmente no centro e leste do bloco, e o receio de que possa levar a faltas de abastecimento ou a um novo aumento dos preços da eletricidade, travaram a medida no momento.

Proibição de importações e bloqueio a portos

Além do embargo ao carvão, a UE congelará os ativos de vários bancos da Rússia e proibirá as importações de produtos russos no valor de 5,5 bilhões de euros, principalmente matérias-primas e materiais críticos.

Serão igualmente proibidas certas exportações europeias para a Rússia no valor de 10 bilhões de euros, especialmente produtos de alta tecnologia, a fim de minar a base industrial e econômica da Rússia.

A UE também fechará os seus portos para navios de bandeira russa. As exceções serão entregas de produtos agrícolas, ajuda humanitária e energia. Além disso, serão impostas restrições aos transportadores rodoviários russos e belarussos.

Em muitos pontos, a discussão foi dura. A Polônia foi contra o aumento do prazo para encerrar as importações de carvão e países como Grécia e Malta não queriam ser tão rigorosos quanto ao fechamento de portos.

Também estão contempladas sanções individuais contra mais políticos, responsáveis por propaganda e empresários russos, após 200 diplomatas da Rússia terem sido expulsos de países da UE nos últimos dias.

A lista proposta pela Comissão incluía duas filhas de Putin, Ekaterina Tikhonova e Maria Vorontsova, frutos do casamento com a sua primeira esposa, Lyudmila Putina, confirmaram à Agência EFE fontes europeias, mas a lista definitiva dos sancionados só será divulgada na sexta-feira. 

Na quarta-feira,os EUA anunciaram novas sanções contra a Rússia, incluindo, também, as filhas de Putin. 

'Porta-voz do Kremlin admitiu perdas significativas'

Pescov reconhece perdas

Em entrevista ao canal de TV britânico Sky News, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, admitiu que a Rússia sofreu perdas significativas na Ucrânia.

"Temos perdas significativas de tropas e é uma grande tragédia para nós", disse Peskov, sem dar números.

No final de março, a Rússia disse que 1.351 soldados haviam morrido na guerra e outros 3.825 estavam feridos. No entanto, a Otan emitiu estimativas muito mais altas.

O porta-voz do Kremlin também rejeitou as alegações de que a Rússia tenha cometido um massacre na cidade de Bucha e voltou a dizer que se trata de uma "encenação" de Kiev.

Peskov também insistiu que o que ocorre na Ucrânia não é uma “guerra" ou uma "invasão", mas, sim, uma "operação militar especial". No entanto, ele reconheceu que "é uma operação muito séria com consequências bastante pesadas", quando pressionado sobre o assunto.

Blinken diz que há evidências de estupro e tortura

Ao final de uma reunião de ministros das Relações Exteriores da Otan em Bruxelas, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse que há evidências consistentes de "atrocidades" cometidas por soldados russos na Ucrânia, revelando "relatos cada vez mais críveis de estupro, assassinatos e tortura".

Ele acrescentou que Washington está trabalhando para garantir a documentação das evidências "para que as pessoas sejam responsabilizadas por seus crimes".

Corpos encontrados em escombros de edifícios

Equipes de resgate ucranianas encontraram nesta quinta-feira 26 corpos nos escombros de dois edifícios residenciais em Borodianka, a noroeste de Kiev, anunciou a procuradora-geral ucraniana Iryna Venediktova.

"É a cidade mais destruída da região. Só dos escombros de dois prédios de apartamentos bombardeados foram retirados 26 corpos. É difícil prever quantos mortos existirão", escreveu Iryna Venediktova no Facebook.

Segundo a procuradora-geral, o alvo do ataque aos edifícios foi "apenas a população civil", uma vez que "não existe qualquer base militar" naquela localidade recentemente recuperada pelas forças ucranianas, após a retirada das tropas russas da região de Kiev.

Venediktova alegou ainda que os russos usaram bombas de fragmentação e lança foguetes pesados que "provocam morte e destruição".

"Há provas de crimes de guerra cometidos pelas forças russas em cada esquina. O inimigo bombardeou, à traição, durante a noite, quando havia o máximo de pessoas em casa", acusou.

As descobertas macabras de corpos e valas comuns têm-se multiplicado nos últimos dias em várias pequenas cidades da região da capital ucraniana, devastadas pelos combates com as forças invasoras.

Prefeito de Bucha diz que maioria dos mortos tem ferimentos a bala

Em entrevista à DW, o prefeito de Bucha, Anatoly Fedoruk, disse que o número de civis encontrados mortos em sua cidade está crescendo a cada dia. Segundo o prefeito, quase 90% dos mortos têm "feridas de bala, não feridas de estilhaços".

"Bucha tinha 50 mil habitantes. Incluindo os vilarejos vizinhos, havia um total de 67 mil pessoas. Atualmente, há 3,7 mil moradores em Bucha, mas o número está aumentando lentamente, à medida que os trabalhadores dos serviços de emergência atuam para restaurar a infraestrutura. Nos outros vilarejos do município, a população diminuiu 30%", disse ele.

Os assassinatos em Bucha, uma cidade perto de Kiev, provocaram indignação global. Após a retirada das tropas russas, mais de 300 cadáveres foram encontrados nas ruas e casas, bem como em três valas comuns.

Facebook investiga desinformação e fraudes do governo russo

A Meta, empresa proprietária do Facebook e do Instagram, disse que descobriu campanhas de hackers e operações fraudulentas relacionadas à guerra na Ucrânia.

Em um novo relatório, a gigante da mídia social disse que houve um aumento no conteúdo relacionado à invasão da Rússia – com Moscou e seus aliados desempenhando um papel importante na disseminação de desinformação e propaganda.

Em um exemplo descrito no relatório, hackers alinhados com a Rússia invadiram contas de mídia social de vários oficiais militares ucranianos. Eles tentaram enviar vídeos de tropas ucranianas se rendendo quando o plano foi descoberto.

ONU suspende Rússia do Conselho de Direitos Humanos

A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quinta-feira uma resolução que suspende a Rússia do Conselho de Direitos Humanos em resposta às denúncias de atrocidades envolvendo militares russos na Ucrânia.

Entre os 193 Estados-membros, a resolução obteve 93 votos a favor, 24 contra e 58 abstenções.

Entre os países que votaram pela suspensão estão Estados Unidos, Alemanha, França, Japão e Argentina. Entre os que votaram contra estão vários aliados de Moscou, como Irã, Cuba, Belarus, Síria e China.

O Brasil, por sua vez, se absteve da votação. Mesma posição adotada pelo México, Egito, Índia e África do Sul - os dois últimos são ao lado do Brasil membros dos Brics, bloco que reúne também a Rússia, alvo da votação desta quinta-feira.

Eram necessários pelo menos dois terços dos votos para a suspensão de um membro do Conselho. O número foi atingido, embora o texto tenha recebido menos apoio do que as resoluções críticas anteriores a Moscou votadas desde o início da guerra.

Suspensões do conselho são raras. O último e único caso envolveu a Líbia em 2011.

Deutsche Welle

Leitor deste Blog sugere aos vereadores de Jeremoabo como deveriam proceder no caso do desmanche do Parque de Exposição

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"Dedé, gestor não é dono, logo, a demolição por si só já é injustificável, agravando-se com o possível desaparecimento desse material. Acaso tivéssemos uma Câmara de Vereadores que enxergassem além do subsídio mensal, o ministério público já teria sido acionado para que fosse explicada a retirada e local de armazenamento desse material, já que por lei a depredação do patrimônio público é crime."

Nota da redação deste Blog - O  pove de Jeremoabo não é tão bobo com muitos pensam, estão de olho em tudo, muitos não se manifestam mas observam.

"A imprensa livre é um dos requisitos essenciais para a formação e manutenção do Estado Democrático de Direito. Nos países onde a imprensa é amordaçada, não há liberdade, não há democracia.

Cada qual deve responder por erros que praticar, nos limites da ordem legal. O que não é possível, e nem a Constituição permite, é, direta ou indiretamente, coibir, impedir ou atrapalhar o exercício profissional dos jornalistas

O certo é que a imprensa, notadamente pelo jornalismo investigativo, que vai a fundo na busca da origem dos fatos a serem noticiados, tem trazido uma relevante contribuição à sociedade em geral, na medida em que desperta o grau de conscientização do cidadão. Este passa a ter uma posição mais ativa na sociedade graças ao conhecimento do que se passa ao seu redor e no País.

Maior conscientização significa maior participação, maior reivindicação a exigir o atendimento pelo poder público de uma demanda de serviços e obras cada vez maiores, de um lado. De outra banda, a divulgação de atos de improbidade e até mesmo de atos tipificados como crime na legislação penal, passa a incomodar as altas autoridades constituídas dos três Poderes. Daí a tentativa de mordaça da imprensa pelos sucessivos governos." ()  -https://www.blogger.com/blog/post/edit/25162499/7414873358305772277

A imprensa juntamente com o povo está fazendo o seu papel de fiscalizar e denunciar; cabe aos vereadores cumprir com seu papel de fiscalizar e denunciar, para isso foram eleitos e são pagos.

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