sexta-feira, abril 08, 2022

ONU suspende Rússia do Conselho de Direitos Humanos




Resolução proposta pelos EUA foi aprovada por 93 votos a favor, 24 contra e 58 abstenções, entre elas a do Brasil. Moscou ameaçou retaliar os países que votassem a favor da exclusão.

A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta quinta-feira (07/04) uma resolução que suspende a Rússia do Conselho de Direitos Humanos em resposta às denúncias de atrocidades envolvendo militares russos na Ucrânia.

Entre os 193 Estados-membros, a resolução obteve 93 votos a favor, 24 contra e 58 abstenções.

Entre os países que votaram pela suspensão estão Estados Unidos, Alemanha, França, Japão e Argentina. Entre os que votaram contra estão vários aliados de Moscou, como Irã, Cuba, Belarus, Síria e China.

O Brasil, por sua vez, se absteve da votação. Mesma posição adotada pelo México, Egito, Índia e África do Sul - os dois últimos são ao lado do Brasil membros dos Brics, bloco que reúne também a Rússia, alvo da votação desta quinta-feira.

Eram necessários pelo menos dois terços dos votos para a suspensão de um membro do Conselho. O número foi atingido, embora o texto tenha recebido menos apoio do que as resoluções críticas anteriores a Moscou votadas desde o início da guerra.

Suspensões do conselho são raras. O último e único caso envolveu a Líbia em 2011.

A votação desta quinta-feira ainda tornou a Rússia o primeiro membro permanente do Conselho de Segurança da ONU a ter sua filiação revogada de um colegiado da ONU

Embora a possibilidade de excluir a Rússia do Conselho de Direitos Humanos tenha sido discutida durante semanas, Washington decidiu dar o passo após tomar conhecimento do suposto massacre perpetrado na cidade de Bucha, perto de Kiev, onde as autoridades ucranianas acusam as tropas russas de matar centenas de civis. O Kremlin nega. 

EUA e aliados argumentaram que Moscou não pode continuar a participar do Conselho enquanto "subverte todos os princípios básicos" da ONU com a invasão à Ucrânia e comete supostas atrocidades contra civis.

"A Rússia não está apenas cometendo violações dos direitos humanos, está abalando as fundações da paz e segurança internacionais", disse o embaixador ucraniano na ONU, Sergiy Kyslytsya, antes da votação.

Kyslytsya avisou a todos os membros que votar contra a iniciativa equivaleria a "apertar o gatilho" sobre os civis ucranianos e seria uma demonstração de "indiferença" semelhante à que permitiu que fosse cometido um genocídio em Ruanda, em 1993.

A resolução foi proposta pela embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Linda Thomas-Greenfield. Antes da votação, ela se mostrou confiante na exclusão da Rússia do órgão que supervisiona questões de direitos humanos em todo o mundo. 

"É importante afirmar [à Rússia] que não vamos permitir que continuem a agir com tal impunidade, enquanto fingem respeitar os direitos humanos", afirmou. A Rússia exerce um mandato de três anos no Conselho.

Abstenção brasileira

O Itamaraty, em nota, afirmou que a decisão do Brasil de abster-se na votação foi tomada com o entendimento que a suspensão "implicará polarização e politização das discussões do CDH".

"Poderá, ademais, resultar no desengajamento dos atores relevantes e dificultar o diálogo para a paz. Para que o CDH possa cumprir sua missão de enfrentar violações de direitos humanos em todos os países com a esperada universalidade e imparcialidade, o Brasil considera importante preservar os espaços de diálogo, por meio de respostas que favoreçam o engajamento das partes em defesa da proteção dos direitos humanos e da paz", diz a nota.

Rússia faz ameaças

Após a votação, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia classificou a suspensão como "ilegal e motivada politicamente, com o objetivo de punir de maneira ostensiva um Estado-membro soberano da ONU, que tem uma política doméstica e externa independente".

A Rússia também afirmou que decidiu por uma "rescisão antecipada" do conselho, acrescentou a diplomacia do Kremlin. Na prática, o país decidiu sair antes que a suspensão fosse aplicada.

"Infelizmente, nas condições atuais, o conselho está praticamente monopolizado por um grupo de Estados que o utilizam para seus próprios interesses oportunistas", acrescentou o ministério russo.

Antes da votação, Moscou alertou os países na Assembleia Geral para possíveis consequências caso se alinhassem aos Estados Unidos e seus aliados. 

"Uma posição equidistante na votação (abstenção ou não participação) servirá aos objetivos dos Estados Unidos, e será compreendida como tal pela Federação Russa", afirma uma carta, provavelmente endereçada a diplomatas na ONU, à qual a agência de notícias Reuters teve acesso.

A ameaça russa está associada a votações anteriores de resoluções da ONU contra Moscou, quando a invasão russa foi amplamente condenada pela maioria dos países, entre eles o Brasil. Algumas das nações amigas de Moscou não se mostraram dispostas a apoiar nenhum dos lados no conflito.

As resoluções da ONU não trazem consequências legais, mas possuem grande peso político e podem resultar na ampliação do isolamento da Rússia.

Como foi a votação

Além dos Estados Unidos e da própria Ucrânia, os países da União Europeia, nações latino-americanas como Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Uruguai, e outros Estados como Austrália, Canadá, Turquia e Noruega apoiaram a medida.

Entre os países que votaram contra estão a própria Rússia, China, Cuba, Irã, Nicarágua e Síria. Entretanto, 58 estados decidiram se abster, incluindo Brasil, Egito, El Salvador, Índia, México, Nigéria, Paquistão e Arábia Saudita.

Segundo caso de suspensão da história

Desde a criação do Conselho de Direitos Humanos, com sede em Genebra, há 16 anos, apenas um outro país havia sido suspenso: a Líbia do ditador Muammar Kadafi, em resposta à repressão de protestos em 2011, embora tenha sido readmitida meses depois.

Criado em 2006 para substituir a fracassada Comissão dos Direitos Humanos, o Conselho é o órgão máximo da ONU para os direitos humanos e é composto por 47 países, eleitos para mandatos de três anos.

A sua composição, que é decidida por eleições realizadas anualmente, tem sido regularmente criticada por incluir Estados com registros muito duvidosos em matéria de direitos humanos.

Atualmente fazem parte do Conselho, entre outros, China, Cuba, Estados Unidos, Líbia, Ucrânia e Venezuela. A Rússia tem sido um membro regular e estava agora no segundo ano de um mandato de três.

Deutsche Welle

Indicados do Centrão no MEC compraram carros que custam até 30 vezes seus salários




É neste prédio que se reúne uma das quadrilhas do Centrão

Por André Shalders, Julia Affonso, Breno Pires

Dois diretores do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão envolvido nas denúncias de compra de ônibus a preços inflados e intermediação de verbas por pastores, adquiriram carros de luxo após assumirem os cargos. Mesmo recebendo salários de pouco mais de R$ 10 mil, os diretores Garigham Amarante e Gabriel Vilar compraram veículos utilitários esportivos (SUVs, na sigla em inglês) zero quilômetro avaliados em R$ 330 mil e R$ 250 mil, respectivamente.

Amarante chegou ao cargo por indicação do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O PL é o partido do presidente Jair Bolsonaro. O diretor foi responsável por organizar o pregão eletrônico que tinha indicação de sobrepreço de R$ 700 milhões, como revelou o Estadão. A licitação está embargada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

CARROS DE LUXO – Amarante comprou um SUV Mercedes-Benz GLB 200 Progressive, avaliado em R$ 330 mil. Adquirido por meio de financiamento, o veículo pode ter prestações equivalentes ao salário do diretor no órgão público, de acordo com a estimativa de um simulador online da fabricante.

No último contracheque, disponível no Portal da Transparência, ele recebeu R$ 10.302,16 líquidos. A prestação mensal do veículo, em condições similares às usadas por Amarante, é de R$ 10.299,35. O que significa um comprometimento de 99,97% de sua renda. Além disso, o IPVA tem um custo de R$ 9.748 por ano.
 
Os veículos luxuosos de ambos chamaram a atenção de servidores do FNDE. Os carros foram adquiridos em concessionárias de Brasília pouco depois do primeiro pregão eletrônico de ônibus do FNDE, em meados de 2021.

APADRINHADOS – Garigham Amarante e Gabriel Vilar comandam as diretorias de Ações Educacionais (Dirae) e de Gestão, Articulação e Projetos Educacionais (Digap) do FNDE, respectivamente. Ambos chegaram aos cargos por indicação de partidos do Centrão. Amarante foi chefe de gabinete da Liderança do PL na Câmara. Já Vilar trabalhava no Ministério da Educação, apadrinhado pelo Republicanos.

Os dois adquiriram os veículos em datas próximas. Vilar licenciou um Volkswagen Tiguan Allspace R-Line 2021 de cor branca, avaliado em R$ 250 mil, em 19 de julho de 2021. O IPVA desse carro custa R$ 7.930. Já Amarante emplacou o SUV da Mercedes-Benz em 10 de agosto de 2021.

Além da Mercedes-Benz, Garigham possui outro SUV registrado em seu CPF: um Hyundai Tucson GLS 1.6, ano 2020, avaliado em R$ 150 mil.

OUTROS VEÍCULOS – A reportagem obteve ainda o registro dos veículos autorizados a estacionar na garagem do FNDE, no Setor Bancário Sul. No caso de Amarante, estão autorizados a entrar no local o Hyundai e um segundo SUV, de modelo Honda HR-V, embora este último automóvel não esteja em nome dele.

Procurados, tanto Amarante quanto Vilar disseram que compraram os veículos dando de entrada valores referentes à venda de carros que já possuíam. Eles, no entanto, não quiseram mostrar à reportagem documentos para confirmar as declarações. A reportagem também não encontrou registros de outros veículos anteriores registrados no CPF dos dois.

“Comprei do mesmo jeito que toda a população brasileira compra um bem de alto valor: financiado junto ao banco”, afirmou Amarante. A reportagem também procurou o FNDE para comentários, mas não houve resposta.

SUPERFATURAMENTOS – No último sábado, o Estadão mostrou que Amarante e o presidente do FNDE, Marcelo Ponte, avalizaram o Pregão 2/2022, para a compra de ônibus escolares rurais, com preços inflados. O preço máximo admitido para a compra dos 3.850 ônibus era R$ 732 milhões maior que o estimado pela área técnica do FNDE.

Após a reportagem, o governo recuou e reduziu o limite máximo para R$ 1,5 bilhão. Ao fim do pregão, o valor final oferecido pelos fornecedores ficou dentro deste limite.

Lideranças do Centrão dominam o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O órgão concentra o dinheiro do Ministério da Educação.

TODOS CENTRISTAS – O presidente do maior fundo controlado pelo MEC – com orçamento de R$ 45,6 bilhões em 2022 – é Marcelo Ponte, indicado do ministro da Casa Civil e líder do Progressistas, Ciro Nogueira.

Além do PP, o FNDE tem no seu quadro de dirigentes nomes ligados ao PL. O diretor de Ações Educacionais, Garigham Amarante, é apadrinhado do presidente do partido, Valdemar Costa Neto.

Já a diretoria de Gestão, Articulação e Projetos Educacionais é chefiada por Gabriel Vilar. Ele é sustentado no cargo pelo Republicanos, legenda comandada pelo deputado e pastor Marcos Pereira (SP).

Nota do blog Tribuna da Internet – No MEC, é um escândalo atrás do outro. A imprensa faz seu papel e traz à tona essa imundície político-funcional, mas não adianta nada. O final da história, todos já conhecem. As investigações se eternizam, os processos dormem nas gavetas e os crimes acabam prescrevendo, porque no Brasil o próprio Supremo garante a impunidade dos criminosos do colarinho branco e da cueca imunda. (C.N.)

Estadão / Tribuna da Internet

"Aves de destruição em massa", o novo delírio da velha esquerda.




É isso mesmo que você leu: os Estados Unidos, aka Império do Mal, se associaram à Ucrânia em um projeto secreto de disseminar doenças no planeta usando aves migratórias inoculadas com vírus mortais! São as aves de destruição em massa! E ainda são numeradas! 

Por Luciano Trigo 

Um dos efeitos inesperados da guerra na Ucrânia foi mostrar a diferença radical entre a esquerda tradicional e a nova esquerda – aquela que trocou as bandeiras da luta de classes e da expropriação dos meios de produção pela agenda progressista associada às pautas identitárias e à lacração.

É verdade que uma e outra continuam dividindo a política entre o bem e o mal – com a esquerda, naturalmente, representando o bem e todo o resto da humanidade encarnando o mal. E o mal, é claro, deve ser exterminado sem piedade.

Também é verdade que as duas esquerdas compartilham uma enraizada convicção de superioridade moral, um senso de virtude que lhes dá autoridade e carta branca para censurar, constranger, intimidar, perseguir e esfolar qualquer um que ouse pensar de forma diferente da sua.

E agem sempre em grupo, de forma coletiva, subterrânea, covarde e rasteira, como uma alcateia de hienas esfomeadas, ou um cardume de piranhas sedentas de sangue.

Tudo isso com a consciência limpinha: se o “ódio do bem” se disseminou com tanta força entre nós, é porque ele dá um sentido, uma razão de viver e uma mesquinha sensação de poder para gente medíocre, frustrada e ressentida que não estuda, não trabalha e não produz, e cujo único prazer na vida é apontar o dedo para os outros – basta passear pelo Twitter para constatar que gente assim é que o que não falta, sobretudo na nova geração (fico imaginando o que vai ser desses jovens quando tiverem que começar a pagar boletos...).

Pois bem, as reações dessas duas esquerdas à guerra entre a Rússia e a Ucrânia são radicalmente diferentes. A nova esquerda aderiu à condenação de Putin, não porque ele merece mesmo ser condenado mas porque, para essa esquerda, o que importa é olhar para onde o vento sopra e ficar bem na fita. A guerra só interessa na medida em que pode ser instrumentalizada de maneira se encaixar na sua agenda.

Os progressistas do bem e os virtuosos das redes sociais não estão preocupados em entender as nuances ou as raízes históricas da hostilidade entre os dois países, porque já sabem tudo que interessa: Putin é o vilão malvadão, e Zelensky é o mocinho boa-praça (se disserem para um progressista que Zelensky é de direita e que o seu governo baniu os partidos comunistas e abriga milícias neonazistas, vão entrar em estado de negação.)

Já a reação dos esquerdistas old school é radicalmente diferente: saudosos de Stálin (eles acham que o bigodudo da Geórgia matou foi pouco!) e da falecida União Soviética (“Ah, naquele tempo que era bom!”), eles ainda associam a Rússia ao antigo ideal comunista - e veem Putin como a nova encarnação do grande líder infalível, o macho-alfa treinado pela KGB que lhes inspira sonhos molhados de submissão. Para essa velha esquerda, para defender a Rússia vale qualquer coisa.

Vejam, por exemplo, a narrativa compartilhada nas redes sociais por três dinossauros da antiga esquerda marxista: o teólogo da libertação Leonardo Boff, o ativista argentino Adolfo Perez Esquivel e o jornalista galego Ignacio Ramonet – este autor de uma hagiografia, digo, biografia de mais de 600 páginas de Fidel Castro, que demonstra por A mais B que a ditadura cubana é uma maravilha, o verdadeiro paraíso na Terra:

É isso mesmo que você leu: os Estados Unidos, aka Império do Mal, se associaram à Ucrânia em um projeto secreto de disseminar doenças no planeta usando aves migratórias inoculadas com vírus mortais! São as aves de destruição em massa! E ainda são numeradas!

A expressão “aves de destruição em massa” não é minha: foi usada pelo próprio Adolfo Perez Esquivel, no artigo que Boff usou como fonte. Escreve Esquivel (citando, por sua vez, Ignacio Ramonet):

“Ignacio Ramonet, diretor do ‘Le Monde Diplomatique’ da Espanha, envia uma nota urgente, fazendo referência a uma recente reunião do Conselho de Segurança da ONU, convocado a pedido da Rússia, que denuncia e apresenta documentação dos laboratórios biológicos e químicos encontrados em Kiev, financiados pelo Pentágono e pelo Departamento de Estado dos EUA, sobre o programa de armas biológicas na Ucrânia. ‘As Aves de Destruição em Massa’, documentação que mostra que o mundo está enfrentando mentes sinistras que põem em perigo a humanidade.”

A tal documentação incluiria a comprovação do “financiamento oficial do Pentágono para um ‘aparente’ programa de armas biológicas na Ucrânia”. O plano maligno envolveria não apenas contaminar as pobres das aves com uma pilha de germes letais, mas também introduzir nelas um chip que permitira controlá-las à distância, de forma a desviá-las de sua rota migratória habitual e enviá-las para os países que se pretende atacar. Haja imaginação.

Ramonet, Esquivel e Boff não estão sendo cínicos. Eles realmente acreditam no que estão dizendo e divulgando, porque o mundo em que eles vivem ainda é rondado por um fantasma que assombra os ricos e patrões: o fantasma do comunismo.

Ninguém contou para eles que os ricos e patrões de hoje são os melhores amigos forever da esquerda. O inimigo agora é outro: são aquelas pessoas, de qualquer classe, que valorizam a liberdade, não se curvam à lacração politicamente correta nem defendem a censura do bem.

Gazeta do Povo (PR)

Sanções contra Rússia expõem vida privada de Putin




As sanções das potências ocidentais contra Vladimir Putin e seu entorno trouxeram à tona a vida privada do presidente russo, mantida com discrição até então.

Os Estados Unidos e a União Europeia (UE) anunciaram sanções contra as duas filhas adultas de Putin, frutos de seu primeiro casamento, com Lyudmila Pútina. Mas agora a pressão aumenta sobre a ex-ginasta Alina Kabaeva, que alguns veículos de comunicação e opositores apontam como sendo amante de Putin, o que nunca foi confirmado pelo Kremlin.

Putin é muito discreto sobre sua vida privada. A mídia estatal o mostra com frequência viajando ou trabalhando sozinho, muito ocupado servindo ao país.

O presidente apareceu em público com Liudimila em 2013, numa apresentação de balé em Moscou, ocasião para anunciar uma separação que se consumaria um ano depois.

Segundo a imprensa russa, as duas filhas do casal se chamam Maria Vorontsova e Katerina Tikhonova, mas Putin nunca falou diretamente sobre elas. "Meus filhos estão bem. Estão em Moscou. Em sua vida privada e profissional está tudo bem. Tenho orgulho deles", declarou em 2012, em um dos poucos comentários públicos sobre sua vida pessoal.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, não quis comentar as novas sanções contra Maria e Katerina. Mas as longas ausências públicas de sua mãe, Lyudmila, e seu ar triste em suas aparições, levantaram especulações sobre a vida pessoal do líder do Kremlin.

Em 2008, o tabloide "Moskovsky Korrespondent" afirmou que Putin desejava se casar com Alina Kabaeva. Furioso, o presidente russo teria convidado os jornalistas a manterem sua "curiosidade mórbida" longe de sua vida privada.

De propriedade do empresário Alexander Lebedev (cujo filho, Eugeni, é uma figura da mídia na Grã-Bretanha), o periódico publicou um pedido de desculpas detalhado antes de fechar. Mas o relacionamento entre Putin e Alina permanece na mente dos russos, e o dissidente Alexei Navalny publicou uma investigação sobre ela pouco antes de ser preso, em janeiro de 2021.

Navalny afirmava, então, que Alina gozava de uma rede de propriedades de luxo na Rússia e uma remuneração significativa como funcionária do conselho administrativo do grupo público National Media Group (NMG), onde foi indicada pelo oligarca Yuri Kovalshuk, homem próximo de Putin e também alvo das sanções atuais.

Informações de redes sociais situam Alina na Suíça, onde uma petição com cerca de 75 mil assinaturas exige que se apliquem sanções contra ela. O governo federal suíço, citado pelo canal de TV RTS, informou que investigou o assunto, mas que não encontrou "nenhuma evidência de que essa pessoa esteja na Suíça".

Georgy Alburov, investigador do fundo anticorrupção de Navalny, considera inconcebível que Alina escape das sanções. "Ela faz parte do círculo mais próximo de Putin, é um membro da sua família que se aproveitou dessa situação", e seu papel em um veículo oficial faz dela uma "importante propagandista russa", afirmou.

Opositores russos também afirmam que a relação entre Putin e Alina não é exclusiva. Em novembro de 2020, o veículo investigativo "Proekt" anunciou que uma mulher chamada Svetlana Krivonogikh havia obtido ações do banco Rossia graças a Yuri Kovalshuk.

Em 2003, Svetlana deu à luz uma menina com o patronímico (nome próprio que designa a ascendência paterna na Rússia) Vladimir. O Kremlin declarou que o artigo do Proekt carece de "elementos sérios". 

AFP / Estado de Minas

Situação em Borodianka, perto de Kiev, é 'muito pior' do que em Bucha, diz Zelensky




A situação em Borodianka, uma cidade no noroeste de Kiev evacuada recentemente por tropas russas, é "muito pior" do que em Bucha, onde foram cometidos massacres de civis que causaram comoção mundial, declarou nesta quinta-feira (7) o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky.

Nesta pequena cidade "há mais vítimas" do que em Bucha, afirmou Zelensky em um vídeo, acrescentando que "cada crime será esclarecido e seu carrasco, encontrado".

Pouco antes, a procuradora-geral da Ucrânia, Iryna Venediktova, anunciou no Facebook que socorristas tinham encontrado 26 corpos nos escombros de dois edifícios bombardeados na cidade, que tinha pouco mais de 13.000 habitantes antes da guerra.

Mas "é impossível prever" quantos mortos houve no local, acrescentou Venediktova, para quem a localidade "é a cidade mais destruída da região".

- Mortes, torturas, estupros -

"Só a população civil foi alvo dos ataques: aqui não há nenhuma base militar", escreveu Venediktova no Facebook.

A procuradora declarou que os russos lançaram bombas de fragmentação e lança-foguetes pesados múltiplos, "que trouxeram morte e destruição".

"Há provas de crimes de guerra das forças russas a cada momento", acrescentou.

"O inimigo bombardeou de forma covarde as infraestruturas residenciais à noite, quando mais gente havia", assegurou Venediktova.

Também acusou os soldados russos de se entregar a "assassinatos, torturas e surras" contra os civis, assim como estupros, razão pela qual as forças de ordem estariam coletando provas para os tribunais locais e internacionais.

Estas descobertas macabras se multiplicam há dias nas cidades desta região devastada pelos combates.

Ucrânia e os países ocidentais acusam os militares russos de "crimes de guerra" depois do aparecimento de dezenas de cadáveres, aparentemente civis assassinados com um tiro de arma de fogo, nas ruas de Bucha, a noroeste de Kiev.

O exército russo entrou em Bucha em 27 de fevereiro três dias depois da invasão da Ucrânia e permaneceu na cidade durante um mês.

AFP / Estado de Minas

A conspiração contra a terceira via




Regras do jogo eleitoral, sistema de governo e eleitorado difuso ajudam Lula-Bolsonaro

Por William Waack (foto)

O que conspira contra candidaturas de terceira via é muito mais do que a ausência, até aqui, de nomes fortes entre os candidatos e a hipocrisia/artimanhas de líderes partidários. O que conspira é a combinação das regras da eleição proporcional com o aumento do poder do Legislativo no sistema de governo, e a essencial formação de bancadas nutridas. Situação agravada por um eleitorado que não diferencia “esquerda” ou “direita”.

O voto para deputado federal é “pessoal”, mas vai para a legenda do candidato no imenso distrito (o Estado) no qual disputa a eleição. Os donos do partido precisam de puxadores de voto, pois o que interessa na distribuição das cadeiras é o quociente partidário. “Puxadores” de votos são cada vez mais (sub)celebridades, representantes de corporações (igrejas, por exemplo) e, óbvio, a força do nome de um presidenciável em determinada região. Por isso um mesmo partido se interessa em apoiar Lula numa parte do País e Bolsonaro em outra.

É perfeitamente lógico, portanto, que as grandes agremiações se submetam às questões regionais, pois delas dependem a formação das bancadas e a consequente distribuição das ferramentas de poder num sistema no qual o Executivo se enfraqueceu consideravelmente. Nesse sentido, os nomes de Lula ou Bolsonaro ajudam aqui e atrapalham ali, mas os da terceira via, até aqui, não ajudam em lugar algum a engordar o quociente partidário. 

Para os operadores da política, ser derrotado nas próximas eleições é ficar com poucos deputados – daí também as federações unidas pelo acesso aos fundos Partidário e eleitoral, e nem tanto para ter um candidato à Presidência. O “centrão”, que abrange as siglas “clássicas” dessa parte do espectro, mas também fatias de PSDB, MDB e União Brasil, é o retrato sem retoques do resultado das regras do jogo mais a “evolução” do sistema de governo. E, goste-se ou não, está ali nesse “centro” o espelho da “alma” do eleitor brasileiro.

Cuja demanda majoritária, indicam as pesquisas qualitativas, é “de direita”. Sem que ser “de direita” consiga nas pesquisas ser associado claramente a qualquer definição clássica da ciência política. O “público-alvo” a ser conquistado pela terceira via é uma proporção do eleitorado (uns 30% ou até mais). Mas isso é apenas um número, difuso e disperso, que não está, até aqui, agregado a um nome, a uma legenda e, muito menos, a uma plataforma “política”.

Regras do jogo, partidos fracos (em termos de programas e ideologias), piora do sistema de governo (que já era ruim) fazem da “polarização” entre Lula e Bolsonaro a continuação do que já temos. Que é paralisia e estagnação. 

O Estado de São Paulo

Quantas pessoas realmente morreram de Covid na China? Expondo as mentiras do Partido Comunista




A China está subestimando o número de mortos em 17 mil porcento. Isso significa que o real número de mortos no país de Xi Jinping chega a 1,7 milhão — o dobro do número de americanos mortos na pandemia. 

Por Eli Vieira 

O governo chinês tem usado a pandemia desde o começo para comparar o próprio modelo com as democracias abertas ocidentais, alegando que é mais eficiente e superior. É um dos motivos pelos quais não colabora com investigações da hipótese de que o vírus SARS-CoV-2 poderia ter escapado de um de seus laboratórios na mesma cidade do primeiro surto, Wuhan. Pelo mesmo motivo, o Partido Comunista Chinês esconde informações a respeito do real impacto da Covid-19 em seu território.

Ao menos no mercado financeiro, a maquiagem da “resposta eficaz” do partido comunista à pandemia não tem convencido. Escrevendo em fevereiro para a revista Forbes, o especialista em métodos quantitativos de finanças George Calhoun mostra que enquanto o índice S&P para os Estados Unidos cresceu no segundo semestre de 2021, dois índices chineses em comparação caíram 34% (Hong Kong) e 18% (Xangai). Calhoun crê que isso é um sinal de fracasso da política “Covid zero” em comparação à comparativamente mais aberta abordagem dos EUA.

“Há perguntas a respeito da eficácia do modelo chinês”, diz o autor. “Em particular, perguntas a respeito de se os resultados médicos e em saúde pública — por exemplo, as taxas de infecção e mortalidade — relatados pela China são precisos”. As autoridades chinesas alegam que em toda a pandemia houve apenas 140 mil infectados e 4638 mortos em seu país. A taxa de mortalidade é 1/800 da relatada nos Estados Unidos, um número bastante implausível.

Mortes subestimadas

Em março de 2020, replicando informações do site Caixin, a revista Time noticiou que havia muito mais urnas funerárias sendo entregues aos crematórios de Wuhan do que o número oficial de mortos por Covid na metrópole. Em 2021, no documentário 'In The Same Breath' (“No Mesmo Fôlego”, em tradução livre; HBO Max), a diretora sino-americana Nanfu Wang mostra um relato a respeito de um coveiro que por descuido deixou escapulir que houve um excesso de 20 a 30 mil covas só no cemitério em que ele trabalhava.

Calhoun comenta que grande parte da imprensa ocidental aceitou os números chineses como válidos para fazer comparações, por exemplo para alegar inadequação nas soluções aplicadas nas democracias. Contas de embaixadas chinesas ao redor do mundo aplaudiram os crédulos quanto a seus números e quem repetisse a propaganda da eficiência da ditadura. O próprio New York Times declarou que “O método chines é o único que se mostrou bem-sucedido”.

Novas análises estatísticas lançam mais luz a respeito da grande discrepância entre os números relatados pela China e os reais. Uma técnica é considerar o excesso de mortalidade como um todo antes e durante a pandemia, como fez um novo estudo que concluiu que houve um excesso mundial de quase 20 milhões de mortes na pandemia. Na verdade, duas análises independentes, da revista Lancet e da Economist, convergiram para este número. Outras análises similares estão sendo conduzidas pela Universidade Johns Hopkins nos Estados Unidos, Universidade de Cambridge no Reino Unido, Instituto Max Planck na Alemanha e outras publicações não-acadêmicas além da Economist.

Um consenso que está se formando nas análises de excesso de mortalidade é que o número de mortes por Covid foi subestimada em todo lugar. O tamanho dessa varia de país para país. A Economist pensa que os Estados Unidos subestimam o número de mortos em 7%, por exemplo. Em reanálise, aumentaram a discrepância do número real para o relatado pelo governo americano para 30%. A China é muito pior.

O tamanho da mentira: 17000%

Segundo a análise independente de excesso de mortos chineses na pandemia pela revista britânica, a China está subestimando o número de mortos em 17 mil porcento. Isso significa que o real número de mortos no país de Xi Jinping chega a 1,7 milhão — o dobro do número de americanos mortos na pandemia.

A China também dificulta e atrasa a liberação de dados de mortalidade geral. O governo alega que o vírus ficou em Wuhan, onde inicialmente matou quatro vezes mais que em outros lugares (miragem criada pela supressão do número total de infectados), e de repente parou — ironicamente — no dia 1º de abril de 2020. Essa alegação não é consistente com os padrões de viagem logo antes do lockdown em Wuhan. O banimento das viagens veio só dois dias antes do festival de primavera do ano novo lunar, maior evento do planeta em que passagens são compradas a uma taxa de mil por segundo.

Foi com base nesses fatos e nos dados fornecidos em um artigo de pesquisadores do Centro de Controle e Prevenção de Doenças chinês que a Economist fez escolhas metodológicas para tapar o buraco nos dados e produziu uma estimativa mais realista. Corroborando outras análises, a agência Reuters mostra que a China é completamente atípica nos números da Covid-19 do leste asiático.

O custo das mentiras

A gigantesca discrepância chinesa dificilmente pode se atribuída a meros erros, ineficiências e falta de testes, como provavelmente é o caso no Brasil. Ela se encaixa melhor no padrão geral conhecido de regimes comunistas de supressão proposital da verdade por parte de uma autocracia de partido único que teme que ela possa enfraquecer a legitimidade de seu poder.

Na minissérie Chernobyl (HBO, 2019), o personagem cientista Valery Legasov, interpretado por Jared Harris, diz que “a verdade não se importa com as nossas necessidades ou desejos, não se importa com os nossos governos, nossas ideologias, nossas religiões. Ela se senta e espera para todo o sempre. E este é, no fim, o presente de Chernobyl. Onde eu uma vez temia o custo da verdade, agora só pergunto: qual é o custo das mentiras?”

Neste caso, o custo das mentiras do regime que oprime o próprio povo chinês e as várias etnias tratadas como de segunda classe, e daqueles que com elas colaboram, é representar falsamente a democracia como menos eficiente que a ditadura para lidar com crises.

Gazeta do Povo (PR)

Veja as sanções que a 'amante' de Putin pode sofrer nos próximos dias

 




Apontada como amante do presidente russo, a ex-ginasta Alina Kabaeva pode ser a próxima a sofrer sanções por conta da guerra com a Ucrânia

Opositores russos querem que os Estados Unidos aplique punições à ginasta Alina Kabaeva, de 38 anos

Por Aline Brito

Alina Kabaeva está na mira dos opositores de Vladimir Putin. Apontada como amante do presidente russo, a ex-ginasta pode ser a próxima a sofrer sanções por conta da guerra com a Ucrânia. Isso porque a oposição russa pediu à comunidade internacional que ela seja punida, por ser uma pessoa próxima ao presidente russo.

Os pedidos de sanções contra a suposta amante surgiram depois que os Estados Unidos anunciaram, na última quarta-feira (6/4), mais uma rodada de punições contra pessoas próximas de Putin, como as filhas Maria Putina e Katerina Tikhonovna. Essa é uma forma de retaliação por conta do ataque de civis em Bucha, região de Kiev, na Ucrânia.

As filhas do mandatário da Rússia estão impedidas de operar no sistema financeiro americano. Além disso, segundo informações divulgadas pela Casa Branca, os EUA determinaram o congelamento de qualquer bem que as duas tenham no país norte-americano. A ideia dos opositores de Putin é que Alina seja alvo de medidas semelhantes.

De acordo com os oponentes de Vladimir Putin, Kabaeva mora na Suíça, com o filho, e, por isso, eles pedem que ela seja deportada. De acordo com a agência americana Associated Press, essas sanções contra a suposta amante "ainda são uma opção". Com base em informações de um alto funcionário do governo americano, mais sanções são estudadas contra membros da elite russa, próximos a Putin, e os familiares dele.

Relação a sete chaves, mas nem tanto

O relacionamento entre Vladimir Putin e a ex-ginasta é mantido sob segredo, mas demonstrações de proximidade entre os dois foram percebidas em público. Sorrisos, olhares e conversas amigáveis em eventos de Estado e encontros públicos chegaram a ser registrados.

Putin se divorciou da ex-mulher Ludmila em 2013, após 30 anos de casamento. Anos antes do anúncio da separação, Alina Kabaieva já tinha sido apontada como amante do presidente. Em abril de 2008, um jornal de Moscou chegou a ser fechado por alguns dias após ter mencionado um possível relacionamento entre Putin e a campeã olímpica.

Um ano depois do divórcio, Putin chegou a quebrar o protocolo e revelar que estava apaixonado. Em uma coletiva de imprensa em dezembro de 2014, ele falou que um grande líder europeu perguntou se ele estava apaixonado. "O que você quer dizer?" questionou Putin após a pergunta do amigo. "Você ama alguém?", insistiu o amigo. "Sim", respondeu Putin. O presidente da Rússia ainda contou que esse líder quis saber se o amor era correspondido, e ele afirmou que sim. No entanto, esse tema é tabu para a imprensa russa.

Recentemente, Alina se tornou deputada do Parlamento russo, a Duma. Além disso, também assumiu um alto cargo no conselho de uma estatal de mídia, que apoia a guerra na Ucrânia.

AFP / Correio Braziliense

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