quinta-feira, abril 07, 2022

[PEDIDO DE VISTAS] Desembargador do TRE terá no máximo 20 dias para analisar processo das “laranjas” de Palmeira

 

[PEDIDO DE VISTAS] Desembargador do TRE terá no máximo 20 dias para analisar processo das “laranjas” de Palmeira

Por Redação


Nota da redação deste Blog - Já residi em Palmeira dos ìndios terra de Graciliano Ramos, lá grande parte do povo é politizado, sabe fazer valer os seus direitos, sabe exercer o seu direito de cidadania, diferente de Jeremoabo onde tanto o povo quanto os políticos são omissos.

A imprensa também sabe denunciar e cobrar tanto dos politicos quanto das autoridades.

" Corrupção, baixa ca­­pacidade técnica dos funcionários público e falta de fiscalização da sociedade são os fatores que resultam em pouca efetividade das políticas públicas. Assim pensa o professor Christian Luiz da Silva, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Planejamento e Governança Pública da UTFPR, e organizador da obra Políticas Públicas e Desenvolvimento Local: instrumentos e proposições de análise para o Brasil, lançada na sexta-feira passada, dia 1.º de junho.

Em entrevista à Gazeta do Povo, Silva fala sobre como é possível superar os problemas da administração pública. Segundo o professor, a população tem papel importante, principalmente como fiscalizador das políticas públicas. "Ela tem o poder de mudar por meio do voto, que ainda é a maneira mais demorada. Entretanto, ela pode cobrar por resultados. Para isso, precisa adquirir conhecimento de qual é seu papel e o papel do governo."

: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/sociedade-precisa-cobrar-resultado-de-politicas-publicas-1xmkq5ry1shamcm1fjv9x9gzy/ 


CPI do MEC depende de 2 assinaturas para ser instalada no Senado, segundo Randolfe

por Folhapress

CPI do MEC depende de 2 assinaturas para ser instalada no Senado, segundo Randolfe
Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse nesta quarta-feira (6) que o pedido de instalação de CPI para investigar denúncias de tráfico de influência no MEC (Ministério da Educação) depende só de duas assinaturas para alcançar o mínimo necessário de 27 apoios para ser acatado.
 

"Precisamos só de mais duas assinaturas de senadores para instalar a CPI do MEC! Converse com o senador e com a senadora do seu Estado, peça a participação deles. Vamos passar a limpo os escândalos de corrupção do Bolsolão do MEC", escreveu o congressista em suas redes sociais.
 

A proposta do senador é que os trabalhos demorem até 90 dias. Entre os fatos determinados estão tráfico de influência, emprego irregular de verbas públicas, advocacia administrativa, corrupção ativa e passiva, usurpação de função pública e crimes de responsabilidade.
 

Em audiência pública realizada na Comissão de Educação, três prefeitos confirmaram o suposto esquema envolvendo pastores na pasta sob a gestão do ex-ministro Milton Ribeiro, que, em áudio vazado, indica que eles teriam o aval de Bolsonaro para atuar.
 

Os prefeitos Gilberto Braga (PSDB), de Luís Domingues (MA); José Manoel de Souza (PP), de Boa Esperança do Sul (SP); e Kelton Pinheiro (Cidadania), de Bonfinópolis (GO) relataram que receberam pedidos de propina dos pastores para a liberação de recursos.
 

Braga afirma que chegou a ouvir um pedido de propina em barras de ouro durante almoço com mais de 20 prefeitos num restaurante de Brasília.
 

"O pastor Arilton me disse: 'Você vai me arrumar R$ 15 mil para protocolar suas demandas; depois que o recurso já estiver empenhado, como a sua região é de mineração, vai me trazer um quilo de ouro'. Eu não disse nem que sim nem que não, me afastei da mesa", relatou ao Senado.
 

*
 

QUEM ASSINOU ATÉ AGORA, SEGUNDO RANDOLFE
 


 

Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
 

Paulo Paim (PT-RS)
 

Humberto Costa (PT-PE)
 

Renan Calheiros (MDB-AL)
 

Styvesson Valentim (Podemos-RN)
 

Fabiano Contarato (PT-ES)
 

Jorge Kajuru (Podemos-GO)
 

Zenaide Maia (PROS-RN)
 

Paulo Rocha (PT-PA)
 

Omar Aziz (PSD-AM)
 

Rogério Carvalho (PT-SE)
 

Reguffe (União-DF)
 

Leila do Vôlei (PDT-DF)
 

Jean Paul Prates (PT-RN)
 

Jaques Wagner (PT-BA)
 

Eliziane Gama (Cidadania-MA)
 

Tasso Jereissati (PSDB-CE)
 

Cid Gomes (PDT-CE)
 

Alessandro Vieira (PSDB-SE)
 

Weverton Rocha (PDT-MA)
 

Dario Berger (PSB-SC)
 

Simone Tebet (MDB-MS)
 

Mara Gabrilli (PSDB-SP)
 

Oriovisto Guimarães (Podemos-PR)
 

Jader Barbalho (MDB-PA)

Bahia Notícias

Acajutiba: Sessão para eleger nova presidência da Casa termina em briga entre vereadores

por Francis Juliano

Acajutiba: Sessão para eleger nova presidência da Casa termina em briga entre vereadores
Foto: Reprodução / Facebook da Câmara de Acajutiba

Vereadores da Câmara Municipal de Acajutiba, no Agreste baiano, foram às vias de fato em sessão da noite desta quarta-feira (6). O fato ocorreu quando eles votavam para eleger a próxima legislatura da Casa, no caso, para ao biênio 2023-2024.

 

Até então, só havia uma chapa inscrita, a do atual presidente Reginaldo Neres, o Regis dos Trailer (PP), o que motivou a confusão.  O vereador Silvio dos Santos, o Sílvio do Coco (PP), usava a palavra questionando a legitimidade do processo.

 

O edil reprovava o anúncio da eleição na mesma quarta, sem aviso oficial a cada vereador. O Regis dos Trailer soltou um “não posso fazer nada”, quando outro colega, José Edson dos Santos, o Zé de Dodô (MDB), declarou: “Não vai continuar não. Pode parar... Cadê minha chapa”.

 

A leitura da sessão era lida por uma funcionária que foi surpreendida por Zé de Dodô que apanhou os papéis e logo em seguida rasgou os documentos.

 

Mesmo assim, o presidente deu sequência à eleição e no pedido do terceiro voto, a confusão se instalou, com o presidente da Casa e Zé de Dodô trocando empurrões, ao passo que Silvio do Coco tirou o microfone. A sessão foi interrompida neste momento. 

Bahia Notícias

Bolsonaro quis carregar o FNDE




Jair Bolsonaro tem toda a razão

Por Elio Gaspari (foto)

— Agora estão me acusando de ter armado na Educação compras superfaturadas de ônibus. Porra, nem a licitação foi feita. Quem descobriu fomos nós. Nós temos compliance, temos gente trabalhando em cada ministério com lupa em contratos.

Faltou dizer que, se não fosse o serviço dos repórteres André Shalders, Breno Pires e Julia Affonso, a Viúva poderia acabar comprando por R$ 480 mil ônibus escolares que valem R$ 270 mil. A operação poderia comprar 3.850 ônibus e custar mais de R$ 2 bilhões. Eles mostraram que o jabuti havia sobrevivido às advertências da área técnica do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, o FNDE, e da Controladoria-Geral da União. Ontem, o Tribunal de Contas da União puxou o freio de mão, e a compra foi suspensa.

Bolsonaro orgulhou-se indevidamente quando disse que “quem descobriu fomos nós”. Olhando direito para sua relação com a CGU na gestão do ervanário do FNDE, andou para trás. Em 2019, no seu primeiro ano de governo, o benevolente FNDE soltou um edital de R$ 3 bilhões para a compra de equipamentos eletrônicos para a rede pública de ensino. Uma gracinha. A Viúva mandaria um número de laptops superior ao de alunos para 355 colégios. Os 255 estudantes da escola Laura Queiroz, de Itabirito (MG), receberiam 30 mil laptops. A CGU mostrou o jabuti, a explicação do Fundo foi risível, e a licitação foi suspensa. Posteriormente, foi cancelada. No caso dos ônibus, ela foi em frente.

Infelizmente, o memorável trabalho da CGU em 2019 impediu a mamata, mas nenhum órgão do governo de Bolsonaro identificou os responsáveis pelo maldito edital. A CGU o examinou com lupa, viu discrepâncias e direcionamento, e o governo suspendeu a operação, mas olhou para outros lados.

Passaram quase três anos, e o terceiro ministro da Educação de Bolsonaro caiu por causa de suas ligações perigosas com pastores que corretavam recursos do FNDE. Em troca, armavam eventos para o ministro e publicavam seu retrato em Bíblias. Nesse meio-tempo, o Centrão havia capturado o fundo. Atualmente, ele é presidido pelo ex-chefe de gabinete do senador Ciro Nogueira, atual chefe da Casa Civil da Presidência.

O FNDE tem um orçamento de R$ 55 bilhões e administra programas tão vastos quanto as dificuldades da educação nacional. Pode comprar laptops ou ônibus, construir escolas ou creches. Em 2020, o FNDE licitou a compra de três milhões de kits escolares, e ela foi abatida pelo Tribunal de Contas da União. Estavam de olho na aquisição de lápis, borrachas, cadernos e tesouras. Duas licitações do FNDE, a dos equipamentos eletrônicos e a dos ônibus, aliviariam o cofre da Viúva no equivalente a algo como 15 toneladas de ouro.

Um veterano conhecedor da máquina federal ensina: um bom fundo vale mais que muito ministério e não chama tanta atenção.

O FNDE é uma árvore roída por cupins. Atacam ônibus escolares, lápis, borrachas, reformas de creches e laptops que serviriam para educar a garotada. As canetas dos gestores do FNDE têm mais tinta disponível que as da cúpula do MEC. Em 2019, Bolsonaro teve a oportunidade de levar para o Fundo seu suposto combate à corrupção. Desprezou-a, agravando-a.

O Globo

Moraes atende PF e prorroga duas investigações que atingem Bolsonaro




O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu aos pedidos da Polícia Federal (PF) e prorrogou duas investigações que atingem o presidente Jair Bolsonaro (PL): o inquérito das milícias digitais e o que apura se o chefe do Executivo cometeu crime ao relacionar a vacina contra a covid-19 ao vírus da aids.

Em despachos publicados nesta quarta-feira, 6, o ministro disse que considerou a "necessidade de prosseguimento das investigações" e a "existência de diligências em andamento".

O inquérito das milícias digitais ganhou mais 90 dias e a investigação sobre a declaração falsa do presidente foi estendida por 60 dias.

Inquérito das milícias digitais

Aberta em julho do ano passado, a investigação das milícias digitais nasceu derivada de outra frente de apuração contra aliados e apoiadores bolsonaristas: o inquérito dos atos antidemocráticos. Na ocasião, o caso precisou ser arquivado por determinação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Antes de encerrá-lo, porém, o ministro Alexandre de Moraes, na condição de relator, autorizou o intercâmbio de provas e mandou rastrear o que chamou de "organização criminosa".

O presidente passou a ser formalmente investigado em fevereiro. Até o momento, a PF acusou a "atuação orquestrada" de aliados e apoiadores do governo para promover notícias falsas e ataques contra adversários e instituições, usando para isso até mesmo a estrutura do chamado "gabinete do ódio". Em relação ao presidente, os investigadores apontaram "semelhança no modo de agir" e "aderência ao escopo descrito na hipótese criminal".

Inquérito sobre live

Entre as pendências do inquérito está a obtenção da íntegra da transmissão ao vivo em que o presidente divulgou, em outubro do ano passado, a informação falsa sobre a vacina. As redes sociais removeram o vídeo.

Em sua decisão, Moraes autorizou a PF a notificar a Google Brasil para apresentar, em até dez dias, a cópia integral da live do presidente. plataforma já havia sido procurada, mas ainda não respondeu se a gravação foi conservada em sua base dados.

Na última comunicação ao STF, na semana passada, a delegada federal Lorena Lima Nascimento também informou que aguarda resposta a um pedido de informações direcionado ao Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido. Isso porque, segundo Bolsonaro, pessoas da região estariam "desenvolvendo a síndrome de imunodeficiência adquirida [aids]" após a imunização completa contra o novo coronavírus. A delegada quer saber se a informação foi divulgada em sites oficiais. Cientistas de todo o mundo já desmentiram a afirmação, que foi publicada em um site inglês conhecido por espalhar teorias da conspiração.

Outro ofício foi disparado ao Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), sediado nos Estados Unidos, para saber se a instituição publicou alguma pesquisa com a conclusão de que o uso de máscaras está associado ao desenvolvimento de pneumonia bacteriana secundária. Na mesma live, Bolsonaro afirmou, citando um suposto estudo atribuído a Anthony Fauci, médico imunologista ligado ao NIAID, que "a maioria das vítimas da gripe espanhola não morreu de gripe espanhola, mas de pneumonia bacteriana causada pelo uso de máscara".

O inquérito foi aberto a partir de uma representação do senador Omar Aziz (PSD-AM), que foi presidente da CPI da Covid e atribuiu a Bolsonaro os crimes de delito de epidemia, infração de medida sanitária preventiva e incitação ao crime.

Estadão / Dinheiro Rural

Ministro do STF define prazo de 15 dias para deputado depor à PF




O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes concedeu prazo de 15 dias para a Polícia Federal (PF) tomar o depoimento do deputado federal Daniel Silveira (foto) (União Brasil-RJ). A decisão foi tomada no inquérito aberto para apurar o crime de desobediência de ordem judicial no caso da colocação da tornozeleira eletrônica. 

O ministro também autorizou outras diligências que o delegado responsável pela investigação entender pertinentes. 

Na semana passada, o plenário virtual do Supremo formou maioria de votos para referendar a decisão de Moraes que estabeleceu medidas cautelares contra o deputado pelo descumprimento da decisão que o obrigou a utilizar a tornozeleira eletrônica.

Além de abrir o inquérito, Moraes ministro fixou multa diária de R$ 15 mil pelo descumprimento e mandou bloquear todas as contas bancárias do parlamentar para garantir o pagamento da penalidade. 

No dia 1° de abril, após a decretação das medidas, o deputado compareceu à Polícia Federal em Brasília e fez a instalação do equipamento.

Defesa 

A defesa de Daniel Silveira alega que o parlamentar não pode ser alvo de medidas que possam restringir o mandato, conforme foi decidido pela Corte no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade 5.526, em 2017. 

De acordo com os advogados, nos casos de medidas judiciais que tenham impacto no mandato parlamentar, a decisão precisa ser votada pela Câmara dos Deputados no prazo de 24 horas, como ocorre nos casos de prisão. 

No entanto, Moraes não submeteu sua decisão ao Congresso por entender que o monitoramento eletrônico não interfere no mandato. 

Agência Brasil / Dinheiro Rural

PT entra com ação contra deputado que se armou contra Lula

 




O PT entrou com uma representação no Conselho de Ética da Câmara contra Junio Amaral (PL-MG), após o deputado divulgar vídeo empunhando um arma e dizer que aguardava a "turma" do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegar em sua casa. "Serão muito bem-vindos", afirmou ele, enquanto carregava uma arma de fogo com munição.

O vídeo de Amaral foi em resposta a uma declaração que Lula fez durante evento da Central Única dos Trabalhadores (CUT), na segunda-feira, 4. O petista defendeu que os sindicalistas mapeiem o endereço dos parlamentares e se dirijam a essas residências para "incomodar a tranquilidade" dos políticos, pressionando-os com as demandas sindicais. "Se a gente mapeasse o endereço de cada deputado e fossem 50 pessoas até a casa dele, não é para xingar, mas para conversar com ele, conversar com a mulher dele, com o filho dele, incomodar a tranquilidade dele. Eu acho que surte muito mais efeito", afirmou o petista.

A representação do PT afirma que a reação de Amaral foi "desproporcional, autoritária, odiosa, totalmente incompatível com o que se espera de um deputado federal" e solicita a abertura de processo ético disciplinar no conselho por quebra de decoro parlamentar. "O representado responde à fala do presidente Lula fazendo expressa ameaça, consistente em receber, tanto o presidente, quanto eventuais cidadãos (manifestantes), com uma arma de fogo totalmente carregada, a indicar que poderia matá-los ou lesioná-los, de forma grave", diz.

A representação atribuiu a Amaral três crimes: ameaça, incitação ao crime e apologia de crime ou criminoso. "As ações do representado, além de criminosas, configuram verdadeiras exortações de ódio aos adversários políticos reais e/ou imaginários, o que não pode ser admitido", afirma o texto.

Para o partido, a declaração do petista foi democrática. "Lula apenas reforçou os mecanismos democráticos de que podem dispor os trabalhadores e cidadãos brasileiros, na perspectiva de buscar, junto aos representantes populares - que devem prestar contas de suas ações a seus eleitores - um canal de diálogo mais próximo e que permita, sem intermediários, apresentar as variadas e necessárias demandas trabalhistas, sociais e políticas, muitas vezes deixadas de lado pelo Parlamento."

No Twitter, o deputado Rogério Correia (PT-MG), que assina o documento, publicou que "fascistas não passarão!". Além dele, o nome da presidente do partido, Gleisi Hoffmann, e do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) também constam na representação.

Em nota, o deputado Amaral afirmou que seu vídeo foi uma resposta à ameaça que Lula fez aos deputados. "Apenas avisei que não submeterei a minha família à qualquer risco que algum dos terroristas queiram nos colocar", disse. Para o parlamentar, não há no vídeo "qualquer fato" que caiba inquérito e imputação de algum crime. "O art 24 do Código Penal me garante defesa proporcional à mim e minha família, assim como meu direito de manifestar por isso. A casa é asilo inviolável de qualquer cidadão, conforme a Constituição Federal", disse.

Estadão / Dinheiro Rural

Playground dos Bolsonaros




Jair e Eduardo têm, juntos, mais de dez representações que nunca deram em nada

Por Ranier Bragon (foto)

A oposição anunciou o envio ao Conselho de Ética da Câmara de representações contra mais uma quebra de decoro cometida por um integrante da família Bolsonaro.

Trata-se da publicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ironizando a tortura sofrida pela jornalista Míriam Leitão durante a ditadura militar.

Qual a chance de isso dar em alguma coisa? Não precisa ir até o final do texto. É zero.

Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo são antigos clientes do Conselho de Ética. Juntando as novas representações, são mais de dez, um recorde. Só encontram concorrência, vejam só, no bolsonarista Daniel Silveira (PTB-RJ), com nove.

Os Bolsonaros frequentaram o conselho por considerações sobre estupro mediante merecimento, defesa de torturador, troca de cusparadas, agressões, defesa da volta do AI-5, entre outros casos.

Nunca o órgão aplicou sequer uma advertência verbal. O que ajuda a explicar a ascensão de Bolsonaro, do bolsonarismo e do modo bolsonarista de ser.

O Conselho é dominado pelo centrão de Arthur Lira (PP-AL). Em 2022 não houve uma única representação analisada.

Lira segura em sua gaveta, sem enviar ao órgão, representações contra deputados como Josimar Maranhaozinho (PL-MA), suspeito de desvio de emendas parlamentares, flagrado em vídeo manuseando notas de dinheiro e alvo de três operações da Polícia Federal.

Antes de ir para o Conselho, as representações passam antes pela Mesa da Câmara. Caso as de Eduardo cheguem mesmo algum dia lá, o caso será analisado ainda por um colegiado de largo histórico corporativista, com 21 integrantes, sendo apenas 6 da oposição. A legislatura termina em janeiro.

No mundo ideal, esse texto deveria ser corrigido no fim do ano: diferentemente do escrito na versão original, Eduardo Bolsonaro sofreu punição inédita da Câmara, dessa vez por ter zombado e, por consequência, legitimado tortura praticada pela ditadura militar contra uma mulher grávida.

Folha de São Paulo

Entrevista: Maia diz que desiste de disputar eleição e pede PSDB ‘à direita de Lula’




Por Pedro Venceslau 

Ex-presidente da Câmara, deputado licenciado defende que tucanos se assumam como principal contraponto ao PT e busca experiência fora do Legislativo

Depois de seis mandatos consecutivos no Congresso e de presidir a Câmara duas vezes, o deputado federal licenciado Rodrigo Maia (PSDB), 51, desistiu de concorrer novamente ao Legislativo e abriu caminho para sua irmã gêmea, Daniela Maia (PSDB), que deixou a presidência da RioTur. 

Maia chegou a se licenciar do governo paulista na semana passada para cumprir o prazo a Justiça Eleitoral, mas na segunda feira, 4, reassumiu o cargo de secretário de Projetos e Ações Estratégicas.

Em entrevista ao Estadão no seu gabinete no Palácio dos Bandeirantes, o ex-presidente da Câmara, que vai assumir a presidência da federação formada por PSDB e Cidadania no Rio de Janeiro, contou que segue como coordenador do plano de governo de João Doria e vai se dedicar a política fluminense nos finais de semana.

Após ser apontado como presidenciável no início dos debates sobre a sucessão de 2022 e visto como principal interlocutor entre os poderes nas crises provocadas por Jair Bolsonaro, Rodrigo Maia mergulhou de cabeça no projeto do governador Rodrigo Garcia e decidiu ficar fora das brigas internas de sua nova legenda no plano nacional.

O ex-presidente da Câmara prega que o PSDB se assuma como um partido de centro-direita e rejeita o rótulo de terceira via. “O eleitor de centro pode decidir a eleição, mas não é majoritário. O PSDB é o principal partido de contraponto ao PT, para não usar o termo centro-direita, que alguns tucanos não gostam. Reclamam comigo quando eu uso”, afirmou.

Maia disse, ainda, que se Lula e Bolsonaro forem para o segundo turno, votaria no petista. 

A seguir, leia os principais trechos da entrevista.

Por que o sr. desistiu de tentar o 7° mandato como deputado federal?

Eu fui tudo na Câmara dos Deputados e quero agora uma experiência fora do Legislativo. Tive a experiência com Doria e agora com o Rodrigo (Garcia), que é de fato o meu grande amigo, e vejo a possibilidade de ajudar no governo dele esse ano. E com a provável reeleição nos próximos quatro anos também. Ser deputado a carreira inteira não é ruim, mas quem chegou à presidência da Câmara já ocupou quase todas as posições na Casa. O político tem que estar sempre aprendendo. Talvez esse seja um dos problemas da política brasileira: as pessoas acabam se acomodando no papel de parlamentar. Quero cumprir um ciclo no executivo e me reciclar. Quero aprender mais sobre gestão e orçamento público para que no futuro eu possa ter outros desafios na política ou até no setor privado.

O sr. segue também como coordenador do plano de governo de João Doria. Acredita que vai haver de fato sinergia entre a campanha dele e a do Rodrigo Garcia à reeleição em São Paulo?

Na campanha do João eu coordeno o plano de governo. Quero me restringir a isso. Entrei no PSDB, mas existem muitos conflitos no PSDB dos quais eu não quero participar. O que me dá prazer na política hoje é aprender. Sou cristão novo no PSDB. Já em relação ao Rodrigo Garcia, é uma eleição diferente. Ele é meu amigo. Na eleição nacional vou me ater aos temas técnicos para construir um plano transformador da vida das pessoas.

O sr. vai estar na campanha do Rodrigo também?

Vou ajudar o Rodrigo no que ele precisar.

Como avalia o cenário no PSDB?

Como deputado e um filiado que acabou de entrar no PSDB, acho esse conflito muito estranho, mas não quero participar disso. Esse conflito vem de antes da minha entrada no partido. Teve prévias e foram questionar. Foi uma votação com 44 mil pessoas. Isso deve ser tratado por quem está no partido há mais tempo. Doria se viabilizou como candidato. Desde o governo Fernando Henrique Cardoso, o PSDB tem um problema de aceitar que está à direita do Lula. O PSDB precisa aceitar isso. É assim que a sociedade nos vê. A gente fez pesquisas por muitos anos. Se a sociedade entende que o Lula é esquerda, então o adversário tem que estar no outro polo. Precisamos resgatar o nosso eleitor e mostrar que nesse campo existe um caminho a ser ocupado.

Como o sr. avalia os encontros de tucanos como FHC, Aloysio Nunes e outros com Lula?

Como todos foram para a oposição ao Bolsonaro, que é considerado uma direita não democrática, isso confundiu a cabeça do eleitor. Se você olhar o cruzamento de pesquisas na avaliação positiva do governador João Doria, vai ver que o Lula tem 40% das intenções de voto. No cenário de São Paulo, o candidato hoje que tem os votos com perfil tucano é o Fernando Haddad, e não o Rodrigo Garcia ainda. Naturalmente o Haddad vai para a oposição e nós vamos ocupar aquele espaço da boa avaliação que o governo tem hoje. Nacionalmente, o nosso eleitor tem hoje mais restrição ao Bolsonaro do que vontade de apoiar uma candidatura fora da polarização. Um terço dos votos do Lula está no antibolsonarismo. O Churchill tem uma passagem muito interessante. Um jovem deputado chegou para ele no início da legislatura, olhou para o lado dos opositores e disse: ‘Primeiro-ministro, lá na frente eles serão nossos inimigos’. Churchill respondeu: ‘Não, lá na frente eles serão nossos adversários. Nossos inimigos estão aqui atrás’. É um pouco do que acontece hoje no PSDB e no nosso campo. Se conseguirmos ocupar um espaço, será tirando a vaga do Bolsonaro.

Qual deve ser o discurso para o PSDB entrar nesse jogo?

Não deve ser atacar o presidente Lula. Eu disse isso ao governador João Doria. Temos que dizer aos eleitores que se decepcionaram com Bolsonaro que temos uma alternativa que não seja a volta ao passado e o PT. A esquerda acha que se reduz desigualdade intervindo no Estado. Nós acreditamos que vamos redistribuir renda estimulando o setor privado.

O antipetismo deixou de ser então o grande eleitor que foi em 2018?

O antipetismo é a mola mestra do presidente Bolsonaro, mas ninguém deu uma alternativa que o ocupe o lugar dele na centro-direita democrática. Temos que derrotar o Bolsonaro com uma candidatura que defenda aquilo que motivou o eleitor em 2018: um Estado moderno, eficiente, bom prestador de serviço e que segurança jurídica para o setor privado investir.

Qual a sua leitura sobre esse debate no PSDB sobre uma possível revogação das prévias pela convenção do partido e qual o valor dessa carta que o Bruno Araújo, presidente do partido, escreveu validando o resultado da consulta interna?

O governador Doria venceu um modelo de prévias que em tese era favorável ao governador Eduardo Leite. Ele (Doria) mesmo assim se dispôs s disputar. Não foi um voto para cada eleitor, mas com pesos diferentes para os líderes políticos. O melhor modelo era ser um voto para cada filiado ao PSDB. O processo escolheu de forma democrática o Doria e foi legitimado pelos adversários. Isso certamente tem muito mais valor que uma convenção. Mas não tenho nenhum interesse em participar desse debate, até porque isso pode enfraquecer o partido. O PSDB é o principal partido de contraponto ao PT, para não usar o termo centro direita, que alguns tucanos não gostam. Reclamam comigo quando eu uso. A gente devia ajudar o governador Doria a se viabilizar. Se lá em julho isso não acontecer, ele vai certamente construir uma solução. O nosso campo, que tem uma linha mais pró-mercado, está fora do debate. O debate está sendo feito entre valores conservadores – e muitas vezes reacionários – e por outro lado liberais demais com o PT e seus aliados. 

Por que o sr. não encaminhou o processo de impeachment contra o Bolsonaro quando era presidente da Câmara?

Porque não havia apoio político. Uma vitória de Bolsonaro poderia fortalecer demais o presidente e organizar uma narrativa contra as instituições democráticas.

Avalia que a campanha do Rodrigo em São Paulo deve ser casada com a do Doria para presidente?

O governador Rodrigo precisa primeiro mostrar a sua história e sua experiência com 5 governadores e defender o Governo de São Paulo, que teve grandes acertos. Ele tem que ser o governador do Estado de São Paulo. Não tenho dúvida que ele chega ao 2° com pelos menos 25% dos votos.

Por que João Doria tem uma rejeição incompatível com a aprovação do governo?

Todos os políticos que se colocam no centro terão uma rejeição alta. Se você projetar a rejeição do Eduardo Leite e da Simone Tebet sobre o que eles têm hoje de imagem positiva e negativa, e o alto desconhecimento, eles chegarão a uma rejeição parecida a do governador Doria. Ele fez o enfrentamento a máquina bolsonarista, o que gera uma rejeição grande. Eles operam unidos. Não é à toa que o Tarcísio cresce rapidamente.

O sr não gosta do termo terceira via?

Não tem terceira via. O Tony Blair se dizia terceira via, mas não era. Eram os trabalhistas contra os conservadores. Depois de um ciclo longo com os conservadores no poder o partido trabalhista estava mofado. Tony Blair modernizou o partido e criou o termo terceira via apenas para sair isolamento da esquerda e caminhar para o eleitor de centro, que existe. O eleitor de centro pode decidir a eleição, mas não é majoritário no processo eleitoral em nenhuma democracia do mundo. Se você olhar as eleições no Brasil vai ver que sempre sobram os dois. Em 2002 Roseana (Sarney) foi alternativa e caiu. Depois veio o Lula disputar contra o Serra, que era o candidato do governo. Em 2018 o Bolsonaro ocupou o lugar do PSDB na polarização contra o PT. A polarização comandou o processo político brasileiro desde 1994.

A tendência então é a polarização se repetir esse ano? 

Se nós não entendermos que o nosso campo é à direita do Lula, estaremos fora do segundo turno. Não é fácil ocupar esse espaço porque estamos no campo da direita com o Bolsonaro à nossa direita. Precisamos buscar esse 1/3 do eleitor do presidente Lula que não sairá com ele sendo agredido.

Em São Paulo, vê o Fernando Haddad no 2° turno e o Rodrigo disputando com Tarcísio Freitas?

O Rodrigo Garcia para mim está no 2° turno. Teremos um segundo turno entre PT e PSDB em São Paulo. É praticamente impossível que o governador não esteja no segundo turno.

Como enxergou a mudança de planos do Sergio Moro, que vai disputar algo em São Paulo, e do José Luiz Datena, que foi para um partido aliado do Bolsonaro e saiu da coligação do Rodrigo Garcia?

Moro está fora do processo nacional e vai enfrentar um processo regional, de parlamentar. Vai cuidar da vida dele. Datena é um grande comunicador e tem muita popularidade, mas vai ter muita dificuldade em transferir votos para alguém.

Como está o cenário eleitoral no Rio de Janeiro? O candidato a governador do grupo de vocês será o nome escolhido por Eduardo Paes?

Minha decisão de assumir a presidência da federação no Rio é um alinhamento com o prefeito do Rio. Estaremos juntos com a candidatura que ele apoiar. Tem o Felipe Santa Cruz (ex-presidente da OAB), e o Rodrigo Neves, do PDT, de quem o Eduardo está próximo. Mas podemos colocar aí um terceiro nome: o ex-prefeito César Maia, que aparece com 18% de intenção de votos em todas as pesquisas. Temos três alternativas nesse processo. Acho que o presidente Lula errou. a gente deveria ter tentado construir uma candidatura em torno do presidente da Assembleia, que deixaria o PT e iria para o PSD. Uniríamos todos os campos políticos do Rio para o enfrentamento com o Cláudio Castro e o Bolsonaro. Infelizmente não foi possível.

Como avalia a escolha do Geraldo Alckmin como vice de Lula?

Ele é meu amigo. Sou admirador do governador Geraldo Alckmin. Foi uma grande escolha do presidente Lula. Foi uma decisão acertada. Alckmin sabia que enfrentar uma eleição contra a máquina em São Paulo não seria simples. É importante abrir espaço para outros. Seria o 5° mandato dele. Alckmin avaliou o cenário político atual. Tomou uma decisão pessoal de fazer uma aliança da esquerda a centro direita para colaborar com enfrentamento a esse governo que não é muito democrático. Lula é nosso adversário, mas não é nosso inimigo.

No caso de um 2° turno entre Lula e Bolsonaro, quem o sr. apoiaria?

Não posso falar nem quero falar pelo PSDB. Se o governador João Doria não estiver no 2° turno, e acredito que ele estará, o natural é que eu caminhe para votar no presidente Lula no 2° turno. Mas acredito em um 2° turno Lula x Doria.

O Estado de São Paulo

Uma janela cada vez mais estreita




Por Vera Magalhães (foto)

A janela partidária se fechou e o saldo da movimentação de deputados para lá e para cá foi amplamente favorável aos partidos do Orçamento secreto, e, consequentemente, a Jair Bolsonaro, que patrocina esta que é a principal moeda da eleição de 2022. 

O inchaço do PL mostra que, daqui até outubro, vale a pena estar no mesmo barco que Bolsonaro, a despeito de todas as imposturas do seu governo.

Também não importa tanto se o presidente será ou não reeleito. O objetivo é usar o combustível extra conseguido agora para repetir ou aumentar a bancada de 43 deputados e, assim, o acesso a uma fatia polpuda dos fundos partidário e eleitoral.

Acontece que o presidente se beneficia desse inchaço induzido da sigla que escolheu na undécima hora e quase por exclusão. Esse exército será importante na montagem da máquina de pedir votos Brasil afora.

Portanto, depois que a janela se fechou, ficou de cara mais difícil tirar Bolsonaro do segundo turno. Para isso, aliás, contribui a falta de cara e projeto da pretensa terceira via, tema da minha coluna mais recente.

Lula é alguém que conhece como poucos a engrenagem de uma campanha. Sabe o peso de se disputar no cargo, de programas de transferência de renda como o Auxílio Brasil e o vale-gás e desse trabalho de formiguinha nos palanques regionais. Conclui que a cada dia que passa vai se consolidando, tudo mais constante, a probabilidade de enfrentar Bolsonaro no segundo turno.

É por isso que ele quer apressar a confirmação da chapa com Geraldo Alckmin, de modo a evitar que a insatisfação de uma ala do PT com a chegada do ex-tucano ao barco crie ruído desnecessário num momento em que as pesquisas mostram um estreitamento da sua diferença para o presidente não só na espontânea e no primeiro turno, mas também na “final”.

Lula sabe que Bolsonaro acertou a máquina de buscar voto. Os obstáculos à frente vêm da economia e da capacidade ilimitada do capitão de criar instabilidade institucional.

Essa segunda característica é a razão pela qual o petista passará a bater na tecla de que a disputa de outubro se dará entre o campo que respeita a democracia e aquele que a ameaça.

Vejam que a equação nem leva em conta a possibilidade de uma outra candidatura vicejar. (Aliás, não é papel de Lula contar com algo que os próprios interessados tiveram quatro anos para construir e não conseguem fazer avançar alguns passos sequer.)

Ao estender um tapete para o ex-adversário Alckmin, Lula busca atrair votos entre aqueles que até são antipetistas ou têm severas críticas ao PT, mas reconhecem o risco de ruptura institucional que Bolsonaro representa — que certamente será maior ainda caso ele, tendo feito tudo o que fez no poder, se reeleja.

Não é que Alckmin seja, sozinho, um ímã de votos, como mostra a votação pífia que recebeu na eleição disruptiva de 2018. É a memória de uma alternância de poder entre PT e PSDB, dentro das balizas que regem a convivência republicana, que Lula quer evocar como o caminho para restabelecer a normalidade das relações entre Poderes e entre entes da sociedade civil.

A questão está na dose de triunfalismo e de negação dos problemas dos governos petistas que o ex-presidente e seu partido estão dispostos a adicionar a essa narrativa.

Caso a conclamação do país à superação do bolsonarismo venha em tom racional, comedido e com compromissos claros de pactuação e não-repetição de erros do passado, será mais fácil agregar uma fatia do eleitorado ainda não-convencida.

O salto alto de que a vitória seria consagradora e no primeiro turno já parece devidamente aposentado diante dos dados da real politik que resgataram Bolsonaro da lona. A parte do roteiro a ser apresentado aos que não são do fã-clube "Lula Lá" deve vir logo depois do anúncio oficial da até outro dia improvável dupla Lulalckmin.

O Globo

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