quinta-feira, abril 07, 2022

Otan: guerra na Ucrânia pode durar meses ou até anos




Afirmação é do secretário-geral da organização

Lisboa - O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse que acredita que a guerra na Ucrânia pode durar muito tempo - meses ou até anos.

Para Jens Stoltenberg, não há sinais de que a Rússia tenha desistido do objetivo de controlar o território ucraniano.

À entrada para a reunião de hoje, em Bruxelas, com os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países aliados, o secretário destacou a necessidade de reforçar o apoio militar à Ucrânia.

Stoltenberg acredita que a retirada das tropas russas de Kiev, a capital ucraniana, serve apenas para que os militares se reagrupem e lancem forte ofensiva na regiões Leste e Sul do país.

RTP - Rádio e Televisão de Portugal

Agência Brasil

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Kremlin: conversações de paz com Ucrânia não avançam com rapidez

Afirmação é do porta-voz Dmitry Peskov

Moscou - O Kremlin disse nesta quarta-feira (6) que as negociações de paz entre Moscou e Kiev não estão progredindo com a velocidade ou a energia que se esperava.

Em teleconferência, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que os trabalhos para estabelecer nova rodada de conversações estão em andamento, mas que ainda há longo caminho a percorrer para alcançar qualquer progresso.

Sergei Lavrov

O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, acusou o Ocidente, nessa terça-feira (5), de tentar atrapalhar as negociações entre Rússia e Ucrânia ao alimentar uma "histeria" sobre supostos crimes de guerra cometidos pelas forças de Moscou.

Kiev e o Ocidente dizem que há evidências - incluindo imagens e depoimentos de testemunhas coletados pela Reuters e por outras organizações de imprensa - de que a Rússia cometeu crimes de guerra na cidade ucraniana de Bucha. Moscou nega a acusação, que chama  de "monstruosamente forjada".

Lavrov afirmou, sem apresentar provas, que Moscou acredita que as acusações foram feitas para arruinar o processo de negociação após o que descreveu como progresso, depois que representantes ucranianos e russos se reuniram na Turquia na semana passada. 

"Estamos inclinados a pensar que a razão é o desejo de encontrar pretexto para que as negociações conduzidas sejam interrompidas", disse Lavrov em vídeo divulgado pelo Ministério de Relações Exteriores da Rússia.

Reuters / Agência Brasil

A Ucrânia quer liberalismo




Existe um nome para algo que nunca se enquadrou no velho espectro esquerda-direita: é liberalismo. 

Por Deirdre McCloskey (foto), economista e professora

O exército de Putin bombardeou o espectro político usual de esquerda e direita até reduzi-lo a escombros.

Normalmente situamos cada política ou pessoa em algum ponto de uma linha horizontal que parte do fascismo de direita, passa por uma posição mediana confortável e chega até o comunismo de esquerda. É agradável contar com um sistema tão simples, que é derivado do posicionamento dos assentos na Assembleia francesa dois séculos atrás. Isso facilita a escolha dos amigos. "Você é conservador. Não podemos namorar."

Mas a guerra de Putin escancarou o problema real. Não se trata de esquerda e direita. Tampouco de queers versus católicos, por mais que algumas pessoas gostem de converter a guerra cultural em um problema enorme. Tampouco é questão de jovens ou velhos. Ou de Nordeste versus Sul.

É questão de liberdade versus tirania.

O que é a liberdade? Coletivamente falando, é não sermos escravos de outro país. Seu país e o meu nunca tiveram grande problema em conservar a liberdade coletiva. Estamos distantes demais e somos grandes demais. Nossos vizinhos México e Paraguai não tiveram a mesma sorte. Os mexicanos costumam dizer "tão distantes de Deus, tão perto dos Estados Unidos da América".

Individualmente falando, ser livre é não ser escravo de outro humano. Brasil e Estados Unidos tiveram de fato um problema sério com isso, para dizer o mínimo, um problema que não terminou em 1888 ou 1865.

Mas experimente ser ucraniano com um vizinho como a Rússia de Putin. Ou experimente ser russo dentro da Rússia de Putin, como os ucranianos decididamente não querem ser. Você seria escravo de um estado cleptocrático, como todos eram sob os czares e os comunistas. O chiste que se contava era: "Sob o capitalismo, o homem explora o homem. Sob o comunismo, é o contrário".

A guerra de Putin deixa claro até mesmo para as pessoas que não querem mais do que levar a vida adiante que o grande problema de nossos tempos não é horizontal, mas vertical. Para cima é a liberdade. Para baixo, a escravidão.

E o xis da questão é o seguinte: todos nós queremos liberdade. Diferentemente de outros espectros, porém, neste espectro o extremo é o melhor. É o melhor para o progresso, com certeza. E a ordem nasce da liberdade, do mesmo modo que a língua portuguesa, a música brasileira ou seu círculo de amigos nascem sem escravização pelo estado.

Existe um nome para isso, algo que nunca se enquadrou no velho espectro esquerda-direita: liberalismo.

Folha de São Paulo

Bolsonaro e a venda da Petrobras




Como não conseguem meter a mão na empresa, centrão e governo falam em privatização

Por Vinicius Torres Freire

A privatização da Petrobras é um debate razoável, um assunto mesmo para quem seja contra a venda do controle estatal da empresa. Quer dizer, é uma discussão em teoria razoável: não é difícil de imaginar a quantidade de mutreta, esperteza ou favor que poderia enlamear ou pelo menos embaralhar o processo.

Vide os jabutis de favores ineficientes que enfiaram na lei de privatização da Eletrobras. Considere-se a privatização das teles (1998). Foi na maior parte um sucesso. Parte foi um rolo de quase um quarto de século, que atravessou governos tucanos e petistas, vide o caso da Oi, aparentemente resolvido, por assim dizer, apenas neste ano.

Seria um exagero dizer que a privatização da Petrobras talvez se tornasse um episódio "oligarquia russa", como foi o desmonte geral do Estado soviético. Seria, né, mas a gente também discute hoje em dia se o Brasil pode se transformar em uma Hungria de Viktor Orbán, o autocrata amigão e inspiração de Bolsonaro. Tudo é possível neste mundo sem Deus. Mas passemos.

Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, falou nesta terça-feira (5) de privatizar a Petrobras. Falou na condição de regente do desgoverno Bolsonaro, todo abespinhado porque micaram as nomeações de Rodolfo Landim e de Adriano Pires para o comando da petroleira.

Fulo, foi confuso na ideia de vingança: sugeriu tanto mexer na lei das estatais como privatizar a Petrobras.

"A gente tem que se debruçar sobre esse assunto [lei das estatais]... A quem serve a Petrobras? Não dá satisfação a ninguém, não produz riqueza, não produz desenvolvimento", disse Lira. Aliás, quem produz "riqueza" e "desenvolvimento"? A Codevasf tratorada, que dá satisfação ao centrão?

Lira disse também: "Se ela não tem nenhum benefício para o Estado, nem para o povo brasileiro, que vive reclamando todo dia dos preços dos combustíveis, que seja privatizada e que a gente trate isso com a seriedade necessária".

Quando tem chiliques com os preços da petroleira, Bolsonaro diz a mesma coisa. "Para mim, é uma empresa que poderia ser privatizada hoje... E a Petrobras se transformou na Petrobras Futebol Clube, onde o clubinho lá de dentro só pensam neles. Jamais pensam no Brasil..." (15 de março de 2022).

"Eu já tenho vontade de privatizar a Petrobras. Vou ver com a equipe econômica o que a gente pode fazer porque, o que acontece? Eu não posso, não é controlar, não posso melhor direcionar o preço do combustível, mas quando aumenta a culpa é minha..." (14 de outubro de 2021).

Até 2020, quando preço não era problema, Bolsonaro não queria saber de vender Petrobras, BB e CEF. Comportava-se como uma mistura estatista de Geisel ainda mais tosco com modos de centrão.

Lira não sabe do que está falando, Bolsonaro menos ainda. A gente já ouviu os dois discutindo política de pesquisa e desenvolvimento da empresa (ou do governo em geral)? Rir, rir, rir. A lei das estatais não impede que se faça "política pública", que as empresas atuem fora de padrões de mercado. Mas tais políticas exigiriam plano, acordo formal, lei, talvez até mudança de estatuto da empresa.

Não pegaria bem com a maioria dos donos do dinheiro, mas poderia ser uma ideia, prevista nas regras. Essa gente, no entanto, é brucutu. Se não entende a máquina e se de lá não saem ovos de ouro, quer matar ou destruir a coisa a paulada.

O centrão saliva diante de estatais. Espuma se a máquina estatal não vira um FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), bezerro de ouro dos pastores amigos de Bolsonaro e de licitações catinguentas, ou uma Codevasf, local de desova de emendas parlamentares. Para que servem então, né?

Folha de São Paulo

As táticas de Putin para impulsionar o rublo




Após sofrer desvalorização recorde, moeda russa volta a patamar anterior ao da invasão da Ucrânia. Para analistas, recuperação artificial não deve se manter no longo prazo.

Por Ashutosh Pandey

Nos dias logo após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro, o rublo enfrentou uma desvalorização recorde. O valor da moeda russa continuou em queda em relação ao dólar à medida que sanções impostas pelos países ocidentais contra Moscou se acumulavam, com grande parte das reservas em moeda estrangeira do banco central russo congeladas, e agências de risco de crédito derrubando o status da Rússia. Até o início de março, o rublo havia se desvalorizado em mais de um terço.

Porém, o rublo se recuperou desde então, e agora vem sendo negociado a valores registrados antes da invasão, num sinal de que os impactos iniciais das sanções – algumas das mais duras da história – podem estar desaparecendo.

Parte dessa recuperação pode ser explicada pela posição financeira mais forte em que a Rússia se encontra devido a um grande aumento das receitas da exportação de petróleo e gás e a uma queda acentuada das importações. Se seus principais clientes, incluindo a União Europeia, continuarem comprando petróleo e gás, a Bloomberg Economics estima que a Rússia fature quase 321 bilhões de dólares com a exportação energética em 2022, o que representaria um aumento de mais de um terço em relação ao ano passado.

Especialistas avaliam ainda que a recuperação do rublo também é resultado da intervenção do banco central russo, que tem aplicado uma política de controle de capital. "Os movimentos da moeda não representam os fundamentos da Rússia. Na maioria das vezes, esses fundamentos refletem na moeda. Mas quando controles de capital são colocados em prática, essa imagem é ofuscada", afirma Craig Erlam, analista de mercado sênior da OANDA.

"Não há como dizer que a economia russa está agora no mesmo patamar que em meados de fevereiro, antes do início da invasão, mesmo com a moeda dando essa impressão", acrescenta.

Em janeiro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) previa que a economia russa deveria crescer 2,8% neste ano. As atuais previsões, porém, indicam uma contração de 10% a 15%.

Impulso artificial

Com a forte queda do rublo provocada pela invasão e consequente sanções, o banco central russo entrou em ação para tentar apagar o incêndio. Entre as medidas adotadas estão o aumento da taxa básica de juros do país para 20%, a restrição do acesso a moedas estrangeiras por empresas locais e limites para saques em moeda estrangeira. Também adotou ações para impedir a fuga de dólares para o exterior, inclusive proibindo investidores estrangeiros de vender ações e títulos russos.

O rublo ganhou ainda outro impulso quando o presidente Vladimir Putin exigiu de países "hostis" o pagamento do gás exportado em moeda russa, e não mais em dólares ou euros. Putin, porém, flexibilizou essa posição e permitiu pagamentos em moeda estrangeira, desde que fossem realizados por meio de contas especiais do banco russo Gazprombank, que converteria esses valores em rublos.

"Isso está efetivamente sustentando o rublo de maneira artificial enquanto aparenta forçar os compradores de países hostis a usar a moeda russa", avalia Erlam. "É como as medidas já impostas ao Gazprombank e outros já em termos de forçá-los a converter 80% de seus pagamentos para rublos. Isso segue apoiando esse tipo de medida desesperada."

Manipulação do rublo

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, afirmou que a aparente valorização do rublo está sendo impulsionada por "uma série de manipulações". "Pessoas estão sendo impedidas de se desfazer de rublos. Isso gera uma valorização artificial. Não é sustentável. Assim, acredito que veremos uma mudança", disse no domingo em entrevista à emissora NBC.

Muitos corretores e especuladores mantém a cautela em relação à moeda russa. Isso significa que o preço de mercado do rublo está sendo determinado por muito menos transações do que o normal.

A longo prazo, as perspectivas para o rublo parecem menos otimistas, apesar da recente recuperação. A moeda russa, que se desvalorizou consideravelmente nas últimas duas décadas em relação ao dólar, deve perder ainda mais valor com o Ocidente buscando alternativas ao gás e petróleo da Rússia, que são a salvação da economia do país.

Deutsche Welle

Novas sanções dos EUA atingem filhas de Putin




Além da família do líder russo, nova rodada de sanções inclui congelamento de ativos de dois bancos do país. Setor de energia, no entanto, segue ainda pouco impactado.

Uma nova rodada de sanções imposta pelos Estados Unidos contra a Rússia nesta quarta-feira (06/04) atinge agora também as filhas do presidente russo, Vladimir Putin, e outros familiares de integrantes do governo de Moscou. O presidente americano, Joe Biden, condenou mais uma vez as ações militares na Ucrânia, que ele classificou de "atrocidades". 

Além de Maria Vorontsova, 36 anos, e Katerina Tikhonova, 35, filhas do presidente da Rússia, as punições financeiras divulgadas pelo governo Biden alcançam também a mulher e a filha do ministro do Exterior do país, Sergei Lavrov, e ox-presidente e primeiro-ministro Dmitry Medvedev. As medidas bloqueiam o acesso ao sistema americano e congelam eventuais ativos que estão no EUA.

Novas sanções também foram direcionadas ao Sberbank, que detém um terço dos ativos bancários totais da Rússia, e ao Alfabank, a quarta maior instituição financeira do país. Com isso, o governo americano irá proibir o trânsito de ativos via sistema financeiro dos EUA, impedindo, assim, que os americanos façam negócios com essas instituições.

"Hoje, junto com nossos aliados e parceiros, estamos anunciando uma nova rodada de sanções devastadoras. Eu deixei claro que a Rússia pagaria um preço severo e imediato por suas atrocidades em Bucha", declarou Biden em uma mensagem no Twitter, referindo-se à cidade retomada pelo exército ucraniano onde centenas de civis foram encontrados mortos.

Os bancos Sberbank e Alfabank disseram que as sanções não teriam um impacto significativo em suas operações.

A Casa Branca também anunciou que Biden estaria assinando uma ordem para proibir "novos investimentos na Rússia por americanos onde quer que esteja localizado, o que isolará ainda mais a Rússia da economia global". Isso incluiria capital de risco e fusões, segundo as autoridades. O Departamento do Tesouro dos EUA estaria preparando mais sanções diretamente contra empresas estatais russas.

Setor de energia ainda pouco impactado

Na carona dos americanos, o Reino Unido também congelou ativos do Sberbank, e informou que deverá banir as importações de carvão russo até o final deste ano, em uma série de sanções coordenadas junto com os Estados Unidos e outros aliados ocidentais para "não alimentar a guerra de Putin".

A Rússia é o principal fornecedor de carvão importado para o Reino Unido, embora a demanda britânica pelo combustível fóssil tenha despencado na última década.

O Reino Unido já havia anunciado um plano de eliminação progressiva do petróleo russo, que responde por 8% do que é fornecido ao país. Até o momento, no entanto, o país não deu fim às importações de gás natural russo, responsável por 4% do fornecimento. Disse apenas que fará isso o mais "breve possível''.

Imagens de civis mortos, valas comuns e outras atrocidades cometidas pelo exército russo na cidade de Bucha, na Ucrânia, chocaram o mundo desde o último final de semana. E acabaram gerando ainda mais pressão, por sanções mais fortes, em países como a Alemanha, extremamente dependente do gás russo, a exemplo do que já fizeram EUA e Lituânia, que decidiram bloquear as exportações de gás natural da Rússia.

Também espera-se que a União Europeia aumente as sanções por meio da proibição de novos investimentos na Rússia e de embargos sobre o carvão.

O chefe das relações exteriores da UE, Josep Borrell, disse que a energia seria chave para a guerra de Putin. Ele também afirmou que, devido à inflação gerada pelo conflito, a Rússia se beneficiou da possibilidade de vender gás natural e petróleo para o resto do mundo.

"Um bilhão de euros é o que pagamos a Putin todos os dias, desde o início da guerra, pela energia que ele nos fornece. Nós lhe repassamos 35 bilhões de euros. Compare isso com o um bilhão que repassamos à Ucrânia em armamentos", declarou Borrell.

Conforme Daniel Fried, ex-coordenador do Departamento de Estado durante o governo de Barack Obama, o mais recente pacote de sanções "basicamente torna o Sberbank intocável". Mas acrescentou: "O que falta é o que vamos fazer com o petróleo e o gás".

O diretor do Conselho Econômico da Casa Branca, Brian Deese, disse que estimativas apontam que a economia russa irá reduzir entre 10% e 15% em 2022, e que a inflação pode chegar a 200%.

Deutsche Welle

EUA e aliados vão proibir novos investimentos na Rússia




Medida é tomada após denúncias de crimes de guerra

Washington - Os Estados Unidos (EUA) e aliados ocidentais vão impor sanções adicionais ao Kremlin, incluindo a proibição de qualquer novo investimento na Rússia, após denúncias de crimes de guerra na Ucrânia, informou a Casa Branca.

Entre as medidas tomadas estão  ampliação de sanções contra instituições financeiras e empresas estatais russas e contra funcionários do governo e familiares, disse a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki.

"A meta é forçá-los a fazer uma escolha. A maior parte do nosso objetivo aqui é esgotar os recursos que [o presidente russo, Vladimir] Putin tem para continuar sua guerra contra a Ucrânia".

As sanções visam a aumentar o "isolamento" econômico, financeiro e tecnológico da Rússia, como forma de penalização pelos ataques a civis na Ucrânia, afirmou Jen Psaki.

Segundo a porta-voz,  as imagens de massacres na cidade de Bucha, nos arredores de Kiev, são apenas "a ponta do iceberg". Para ela, "provavelmente" as forças russas "também cometeram atrocidades" em outras partes da Ucrânia.

Psaki disse ainda que o governo avalia "medidas adicionais", acrescentando que o presidente norte-americano Joe Biden não pensa em nenhuma ação militar na Ucrânia.

Também nessa terça-feira, o Departamento do Tesouro norte-americano decidiu bloquear quaisquer pagamentos da dívida do governo russo com dólares americanos, provenientes de contas em instituições financeiras dos EUA, dificultando o cumprimento das obrigações financeiras por parte da Rússia.

Ajuda militar

Os EUA anunciaram ajuda militar adicional à Ucrânia, no valor de US$ 100 milhões, para combater a invasão russa.

Em comunicado, o porta-voz do Pentágono, John Kirby, disse que a medida é para atender à urgente necessidade que a Ucrânia tem por mais sistemas antitanque Javeli. Esses sistemas já foram fornecidos pelos Estados Unidos à Ucrânia e têm sido usados de forma eficaz para defender o país.

A Rússia lançou, em 24 de fevereiro, ofensiva militar na Ucrânia que matou pelo menos 1.480 civis, incluindo 165 crianças, e feriu 2.195, entre os quais 266 menores, segundo os mais recentes dados da ONU. A organização alerta para a possibilidade de o número real de vítimas civis ser muito maior.

A guerra já causou número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de 11 milhões de pessoas, das quais 4,2 milhões para países vizinhos.

Esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). As Nações Unidas estimam que cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária.

A invasão russa foi condenada pela comunidade internacional, que respondeu com o envio de armas à Ucrânia e o reforço de sanções econômicas e políticas a Moscou.

RTP - Rádio e Televisão de Portugal

Agência Brasil

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Biden nomeia primeira mulher para chefiar braço militar dos EUA

Almirante Linda Fagan vai comandar Guarda Costeira

Por Eric Beech 

Washington - O presidente dos Estados Unidos (EUA), Joe Biden, nomeou a almirante Linda Fagan para comandar a Guarda Costeira norte-americana e se tornar a primeira líder militar feminina de um braço das Forças Armadas norte-americanas.

"Sua liderança e integridade são inigualáveis", disse Biden em um tuíte anunciando a indicação.

Fagan, que atualmente serve como vice-comandante da Guarda Costeira, precisa ser confirmada no cargo pelo Senado. 

Ela substituirá o almirante Karl Schultz, que atua como comandante desde 2018.

Reuters / Agência Brasil

Por que a guerra na Ucrânia pode ser benéfica para o Brasil




Preços das commodities produzidas no Brasil vem aumentando desde o início deste ano

Por Alexander Busch*

País é um dos poucos que se beneficiará com mudanças geopolíticas resultantes da invasão russa. Produtos de exportação e economia fechada são o diferencial brasileiro. Quão bom é isso para a população é outra questão.

Ao observar os desenvolvimentos econômicos após a invasão russa na Ucrânia, surpreendentemente se constata que poucos países se beneficiaram tanto das mudanças ocorridas desde então nos fluxos comerciais quanto o Brasil – e essa tendência deve se manter.

Isso pode ser percebido na valorização surpreendente do real: o dólar caiu 20% em relação à moeda brasileira desde a virada do ano. O real também ganhou paralelamente com o crescente risco de uma guerra na Europa. O mesmo se aplica a Bovespa, cujo índice subiu 17% desde o início de 2022.

Há diversos motivos para esse desenvolvimento inesperado:

A indústria da exportação brasileira se beneficia com o aumento dos preços das matérias-primas e energia: os principais produtos agrícolas brasileiros ou derivados – soja, milho, carne, mas também suco de laranja, por exemplo – , que já estavam num patamar alto, se valorizaram ainda mais desde o início do ano. O mesmo ocorreu com o minério de ferro e quase todos os minérios e metais que o Brasil também exporta. Além disso, o Brasil é em grande parte autarca na sua produção de petróleo.

Embora os preços de energia e alimentos também estejam aumentando no Brasil. Com a falta de fertilizantes no mercado mundial, o nível do preço dos produtos agrícolas aumentará em mundo todo e também no Brasil.

O abastecimento, porém, não está ameaçado, como no caso de uma interrupção no fornecimento de gás russo para a indústria europeia, e principalmente alemã. Também não é esperada uma escassez de alimentos, como possivelmente em breve ocorrerá em países do Oriente Médio que dependem dos grãos importados da Rússia e Ucrânia. Com o aumento da taxa de juros, o Banco Central brasileiro também reagiu mais rápido à pressão inflacionária do Banco Central Europeu ou o Fed, nos Estados Unidos.

O Brasil também se beneficia com administradores de fundos que estão mudando seus investimentos. Eles estão tirando seu capital de empresas, setores e regiões que foram afetadas negativamente pela guerra ou em cumprimento das sanções aplicadas pelo Ocidente contra corporações russas. As entradas de capital no Brasil cresceram em ritmo recorde nos três primeiros meses.

As consequências negativas da guerra serão sentidas em menor grau no Brasil. O Brasil é uma das economias mais fechadas do mundo. O consumo local é decisivo para o crescimento econômico, e não o comércio exterior. Além disso, na última década, o Brasil se desacoplou cada vez mais das cadeias de valor internacionais.

Antes da guerra na Ucrânia, a pandemia já havia fortalecido o isolamento brasileiro na economia mundial. Para o cientista político Oliver Stuenkel, da FGV em São Paulo, isso leva o Brasil a "lidar melhor com o choque de desglobalização atualmente em curso". Ao contrário da Alemanha que, como campeã mundial da exportação, depende extremamente de uma economia global em bom funcionamento.

O peso geopolítico e importância do Brasil em um mundo cada vez mais polarizado pode ainda aumentar: cada uma das potências – Estados Unidos, China, Rússia e União Europeia – vão tentar conquistar o Brasil como parceiro. Na história de sua política externa, o Brasil geralmente foi hábil em utilizar as diferentes ofertas para parceira em seu interesse, sem se vincular muito a uma das potências ou entrar em conflito com alguma delas. O desastre diplomático do governo de Jair Bolsonaro é uma exceção.

A questão é, porém, se esse crescente afastamento do mundo é bom para os brasileiros. Um isolamento – econômico, técnico, científico, assim como cultural e intelectual – deve, na verdade, ser muito mais prejudicial ao Brasil.

*Há mais de 25 anos, o jornalista Alexander Busch é correspondente de América do Sul do grupo editorial Handelsblatt (que publica o semanário Wirtschaftswoche e o diário Handelsblatt) e do jornal Neue Zürcher Zeitung. Nascido em 1963, cresceu na Venezuela e estudou economia e política em Colônia e em Buenos Aires. Busch vive e trabalha em São Paulo e Salvador. É autor de vários livros sobre o Brasil.

Deutsche Welle

"Rússia não pode vencer essa guerra", diz Scholz




Em sessão do Parlamento alemão, chanceler federal fala sobre denúncias de massacres na Ucrânia e afirma que "os perpetradores e os que deram as ordens têm de ser responsabilizados".

O chanceler federal alemão, Olaf Scholz, participou de uma sessão do Bundestag (Parlamento alemão) nesta quarta-feira (06/04) onde respondeu perguntas feitas pelos parlamentares sobre uma variedade de temas, desde a pandemia até questões de política interna. O debate, porém, foi dominado por questões envolvendo a guerra na Ucrânia.

Em seu discurso de abertura, Scholz comentou sobre os crimes de guerra cometidos na Ucrânia e disse que "os perpetradores e os que deram as ordens têm de ser responsabilizados".

O chanceler voltou a pedir ao presidente russo, Vladimir Putin, o fim da guerra. "Remova suas tropas da Ucrânia. Até que isso aconteça, faremos tudo o que pudermos para continuar a apoiar os ucranianos", ressaltou.

"Nosso objetivo é que a Rússia não vença essa guerra", esclareceu. Ele ressaltou que este é, justamente, a principal razão para a imposição de pesadas sanções internacionais contra Moscou, assim como para o envio de armas a Kiev e o acolhimento de refugiados ucranianos.

Ele defendeu a reação de seu governo ao conflito na Ucrânia e rejeitou críticas à atuação do Ministério da Defesa, que vem sendo acusado de demorar a agir.

O líder da União Democrata Cristã (CDU), Friedrich Merz, que faz oposição ao governo, vinha pressionando para que Berlim enviasse armamentos pesados à defesa ucraniana, algo que os parlamentares conservadores reforçaram no debate desta quarta-feira.

Envio de armas à Ucrânia

"Estou seguro que a ministra da Defesa, Christine Lambrecht, faz todo o possível, levando em conta decisões de nossos aliados e as capacidades do Exército alemão", disse Scholz.

O chanceler disse que uma grande quantidade de armas e equipamentos foram enviados à Ucrânia, e que novas entregas ainda vão ocorrer.

"Entregaremos o que pudermos, de acordo com o atual estoque de armas da Bundeswehr (Forças Armadas alemãs); tudo o que possa fazer sentido e causar impacto rápido."

Berlim deve enviar equipamentos do Exército da antiga Alemanha Oriental, assim como antigos tanques de guerra, além de mísseis e outros itens, em um rompimento da política do país de não entregar armamentos a regiões de conflito.

Scholz também comentou as atrocidades cometidas na cidade ucraniana de Bucha. "Soldados russos cometeram um massacre contra civis ucranianos antes de sua retirada", observou. "O assassinato de civis é um crime de guerra."

Segundo o chanceler, Berlim mantem conversas confidenciais com Kiev sobre possíveis garantias de segurança que a Alemanha possa oferecer, após o fim da invasão russa.

O governo ucraniano propôs que, ao invés de o país se tornar membro da Otan, nações como a Alemanha, China, e Turquia possam assumir o papel de garantidoras da segurança da Ucrânia, o que teria efeito semelhante a uma adesão à aliança militar do Atlântico Norte.

"Estamos em conversações com a Ucrânia sobre essas garantias", disse Scholz ao Bundestag. "Essas conversas são confidenciais."

Dependência do gás russo

Scholz também repetiu a intenção de seu governo de reduzir a dependência do pais nos combustíveis fósseis importados da Rússia, e prometeu acelerar o desenvolvimento de terminais para o recebimento de Gás Natural Liquefeito (LNG).

O chanceler defendeu a redução do uso dessas fontes de energia, como um todo. "Agora, mais do que nunca, nos tornaremos independentes dos combustíveis fósseis."

A sessão parlamentar de perguntas ao chanceler foi institucionalizada em 2019, e ocorre, normalmente, três vezes por ano: antes do período natalino, da Páscoa e das férias de verão.

Esta foi a segunda vez em que Scholz tomou parte nos questionamentos desde que assumiu a chefia de governo, em dezembro do ano passado.

As perguntas são abertas a todos os partidos políticos representados no Bundestag, como os que integram a coalizão de governo – o Partido Social-Democrata (SPD) de Scholz, o Partido Verde e o Partido Liberal Democrático (FDP) – e o bloco de centro-direita liderado pela CDU, além da legenda A Esquerda e dos populistas de direita do Alternativa para a Alemanha (AfD).

Deutsche Welle

Os eternos candidatos populistas




O atual embate a que o Brasil assiste lembra os estertores da República Romana, com o sangrento confronto entre Mário e Sila. 

Por Modesto Carvalhosa 

As eleições de outubro deste ano voltam a ter dois candidatos populistas, como ocorreu no segundo turno em 1989, entre Fernando Collor de Mello e Lula. Só que, desta vez, o radicalismo das legiões de fanáticos que seguem os dois notórios postulantes vai levar a campanha a níveis de baixeza nunca dantes experimentados.

Desde 1930, com a queda da Primeira República, houve sempre um líder populista que se apresentou como defensor do povo “contra os seus exploradores”. E estes “condutores do povo” sempre derrotaram os candidatos democráticos, civilizados, representados, primeiramente, pela antiga União Democrática Nacional (UDN), e que formulavam propostas coerentes para as grandes questões nacionais. Quem venceu o primeiro embate eleitoral entre essas duas forças foi o maior e mais longevo líder populista de nossa história, o ex-ditador Getúlio Vargas, à frente dos chamados queremistas; depois, por intermédio do seu preposto Eurico Gaspar Dutra, em 1946; e, novamente, por ele próprio, em 1951. Seguiram-se Juscelino Kubitschek, em 1956; Jânio Quadros, em 1961; Collor, em 1990; Lula, em 2003; sua preposta Dilma Rousseff, em 2011; e Jair Bolsonaro, em 2019.

Todos esses vitoriosos demagogos não têm nenhuma vocação democrática. Sempre estiveram e estão em busca de modelos autoritários na esquerda e na direita: Benito Mussolini, Hugo Chávez, Recep Erdogan, Fidel Castro, Viktor Orbán, Manuel Noriega, Juan Perón, Alberto Fujimori, Donald Trump, Vladimir Putin, etc.

Ocorre que no Brasil real estes ilusionistas do povo sempre se puseram a serviço do nosso secular patrimonialismo e corporativismo extrativista e predatório. A exceção foi Fernando Henrique Cardoso, na esteira do Plano Real. Foi o único presidente eleito com espírito público, que procurou modernizar o Estado, mas acabou entregando o poder, como os seus colegas populistas, ao arcaico e corrupto estamento político liderado pelo famigerado Centrão, coadjuvado por partidos falsamente oposicionistas.

O atual embate direto entre os nossos dois candidatos populistas lembra os estertores da República Romana, que nos anos 80 antes de Cristo experimentou o sangrento confronto eleitoral entre Mário e Sila, dois cônsules demagogos que se digladiaram pelo poder na Urbe. Essa disputa extremamente radicalizada levou à instauração da autocracia imperial, com a supressão da democracia romana, que havia se sustentado por quatro séculos (508 a.C. – 60 a.C.) na base da não reeleição para nenhum cargo (edil, pretor, tribuno, cônsul), do voto direto da cidadania e da supremacia da Assembleia democrática sobre o aristocrático Senado.

Descrevendo esses dois terríveis cônsules, Indro Montanelli (Storia di Roma) nos dá as características do líder populista: “Pessoa que tem o raro talento de conhecer os seres humanos e os meios de explorar, de forma fria e calculista, suas fraquezas e suas preferências”.

É exatamente isso. O político populista não tem nenhum compromisso, a não ser com o exercício do poder pelo poder e pelo doentio culto de sua personalidade. Faltam-lhe, sobretudo, caráter, ética, humanidade, amor ao próximo e preocupação com sua honra pessoal ou com os compromissos que falsamente assume perante o povo. Estes demagogos não têm noção do que sejam políticas públicas, permanentes ou de governo. Ao contrário, procuram, com discursos duais, encantar os eleitores apontando para inimigos imaginários: “nós e eles”, “o perigo comunista”, “a desagregação dos costumes”, etc. Procuram, sobretudo, incutir nos eleitores uma falsa sensação de que o povo partilha do poder, no permanente combate aos fictícios males que fantasiosamente apontam. Com um cínico discurso, praticam o estelionato eleitoral e político, enquanto formam uma legião que os segue, alimentada por símbolos criados ou usurpados, explorando as frustrações, fomentando ódios, sectarismos, fobias, racismos, e negando as conquistas do conhecimento.

Uma vez no gozo do poder, passam a culpar o mundo pelo desastre de sua administração, que sempre leva à degeneração do Estado e à desagregação da sociedade. Esta última acaba se dividindo em duas grandes facções fundadas no ódio, na mentira e na violência, separando famílias, gerações e dissolvendo amizades – desintegrando, enfim, os valores indispensáveis ao convívio social.

Enquanto tivermos o sistema de reeleição para presidente, governadores, senadores, deputados e vereadores; o voto proporcional, ao invés do voto distrital; o monopólio dos partidos impedindo o acesso independente da cidadania à vida pública; e, ainda, enquanto mantivermos o assalto oficial dos recursos públicos que permite o domínio dos políticos profissionais, eternamente reeleitos na base das emendas parlamentares ao Orçamento, do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral, não sairemos desta camisa de força que nos condena a viver sob o jugo de líderes populistas, com seus discursos falsos que nos infelicitam e destroem nosso presente e nosso futuro.

O Estado de São Paulo

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