quinta-feira, abril 07, 2022

Desculpas de mau pagador




É errôneo, para não dizer pior, que as democracias liberais – como se houvesse outras – «nunca ganharam nada». Nem sempre terão vencido, mas venceram as duas guerras mundiais.

Por Manuel Villaverde Cabral (foto)

No passado domingo, o «Público» continha dois artigos diametralmente opostos sobre a invasão da Ucrânia e as reacções dos Estados Unidos e das democracias europeias, basicamente a NATO, incluindo a pouco democrática Turquia… Entretanto, esta assumiu nas últimas semanas a organização de um processo de paz que não avançou um milímetro enquanto a Rússia persiste na sistemática destruição de habitações e de edifícios de utilidade social, como hospitais, escolas e museus. Quanto à Ucrânia, não só resiste como procura responder aos ataques do exército russo e começa a descobrir os crimes de guerra deles!

No seu artigo, Teresa de Sousa critica os países da NATO por não defenderem a Ucrânia de modo a que a guerra termine ou, pelo menos, seja imediatamente interrompida a fim de os dois países envolvidos negociarem a paz. Segundo a autora, apenas os Estados Unidos e a Inglaterra mostram empenho em cessar a guerra o mais rapidamente possível e países vizinhos como a Polónia se mobilizam activamente, enquanto a grande maioria dos membros originais da NATO, como a Alemanha (de Portugal não se fala), se limitam a esperar que a Rússia pare de atacar a Ucrânia e a compensar os enormes danos sofridos… sem falar dos territórios de que a Rússia se apoderou recentemente como a Crimeia e o Donbass! Quanto a receber os milhões de fugitivos, sobretudo crianças, mães e idosos sem possibilidade de combater, é o mínimo que podíamos fazer.

O risco da guerra nuclear com que Putin começou por ameaçar o mundo inteiro no momento em que decidiu invadir e arrasar a Ucrânia teve, até agora, o efeito mágico de paralisar os países da NATO, limitando-se os mais ousados destes a fornecer armas para as vítimas da invasão resistirem sozinhas à destruição sistemática do seu país, como tem feito heroicamente a Ucrânia sem outros apoios. Se nada mais for feito pela NATO, o que impedirá a Rússia de atacar depois a Polónia, porventura a Roménia e por aí fora? Como qualquer um, temos medo da sinistra ameaça, mas vamos ceder à chantagem de Putin? Não será que a própria Rússia terá receio de recorrer ao nuclear? O caso do Japão foi único e assim deve continuar, mas não pode ser motivo de paralisia numa situação como a actual.

Não é o que pensa o outro comentador do «Público», J. P. Teixeira Fernandes, o qual apregoa sem hesitação que «sozinhas, as democracias liberais nunca ganharam nada» nas guerras mundiais do século passado e, portanto, também desta vez essas democracias liberais – mas há outras?! – seriam incapazes de enfrentar a ameaça da Rússia e da China! Dir-se-ia que o autor se equivoca deliberadamente. Tanto assim que o historiador Pedro Aires Oliveira já pensava há uma semana que «a Rússia permanece vinculada a uma narrativa de auto-vitimação».

É falso, com efeito, que as duas democracias mais antigas e mais interiorizadas – os Estados Unidos e a Grã-Bretanha – tenham necessitado de mais alguém para ganhar a 1.ª Guerra Mundial, já que mal Lénin tomou o poder em Outubro de 1917, inaugurando o «comunismo» para as próximas décadas, fez a paz com a Alemanha e a Áustria no famoso acordo de Brest-Litovsk a fim de se dedicar à revolução que duraria até finais do séc. XX.

Quanto à 2.ª Guerra Mundial, ganha de novo pelas democracias norte-americana e britânica, estas desprezaram durante anos o pacto feito pela Alemanha nazi e a ditadura stalinista em Agosto de 1939, isto é, antes de a guerra começar até ao dia em que a Alemanha acabou por atacar a Rússia pois a Inglaterra e os Estados Unidos davam-lhe cada vez menos espaço. Entretanto, os Estados Unidos tiveram de lidar com o ataque surpresa do Japão contra Pearl Harbour por essa altura sem que a URSS piasse… Quanto a Stalingrado e Leningrado, a Rússia levou tempo a tomar consciência do ataque alemão e não deixou de beneficiar, indirectamente que fosse, do apoio que as democracias lhe deram.

O desgaste humano e material da 2.ª Guerra Mundial explica em boa parte a forma oportunista como a URSS se apoderou da Europa central e oriental. Quanto à «guerra fria», perdurou até à desintegração do «universo comunista». É este, contudo, a figura da Rússia que perdura na cabeça dos antigos membros da polícia secreta russa de que fizeram parte Putin e a sua «clique» de agentes do KGB, hoje transformados nos actuais «siloviki», bem mais políticos do que os «oligarcas», conforme se podia ler há mais de 10 anos no Journal of Democracy (2009). É pois erróneo, para não dizer pior, que as democracias liberais – como se houvesse outras, aliás! – «nunca ganharam nada». Nem sempre terão vencido mas venceram as duas guerras mundiais e só elas têm capacidade para pôr termo ao fantasma do comunismo.

Observador (PT)

Planalto teria oferecido cargos pela morte de miliciano




Em áudio captado pela polícia e divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo, irmã de Adriano da Nóbrega (esq.) afirma que, em reunião na sede do governo federal, teria sido debatida a necessidade de queima de arquivo.

Uma irmã do ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega disse em uma escuta policial, realizada há dois anos, que o Palácio do Planalto teria oferecido cargos comissionados a quem matasse o ex-capitão, que tinha conexões próximas com o clã Bolsonaro e milícias do Rio de Janeiro.

Os áudios foram captados pela Polícia Civil e revelados nesta quarta-feira (06/04) pelo jornal Folha de S.Paulo.

No áudio gravado dois dias após a morte de Adriano, Daniela Magalhães da Nóbrega diz a uma tia que o ex-policial ficou sabendo de uma reunião na sede do governo federal onde teria sido expressa a vontade de vê-lo morto.

"Ele já sabia da ordem que saiu para que ele fosse um arquivo morto. Ele já era um arquivo morto. Já tinham dado cargos comissionados no Planalto pela vida dele, já. Fizeram uma reunião com o nome do Adriano no Planalto. Ele já sabia disso, já. Foi um complô mesmo", diz trecho do áudio obtido pela Folha.

Os áudios, que integram a Operação Gárgula, foram gravados ao longo de mais de um ano e tinham como alvo familiares e amigos de Adriano para esclarecer as investigações de um suposto esquema de lavagem de dinheiro e a fuga de Adriano para a Bahia.

Na conversa com a tia, Daniela também diz que Adriano havia pensado em se entregar, mas não o fez pois "iam matar ele lá dentro".

Em outra interceptação telefônica revelada pela Folha, outra irmã de Adriano, Tatiana, afirma que o ex-policial não era miliciano, mas bicheiro. Segundo ela, "querem pintar ele com uma pessoa muito ruim para poder ligar ao Bolsonaro", referindo-se ao presidente Jair Bolsonaro. Nas gravações, Tatiana adota um posicionamento diferente da sua irmã, acusando o então governador Wilson Witzel pela morte. "Foi esse safado do Witzel, que disse que se pegasse era para matar. Foi ele."

Procurados pela Folha, nem Daniela nem o Planalto quiseram se pronunciar.

Morte em operação controversa

Adriano Magalhães da Nóbrega foi morto em 9 de fevereiro de 2020, em uma controversa operação policial da qual participaram cerca de 70 agentes. Ele morreu em uma troca de tiros com a polícia na cidade de Esplanada, no interior da Bahia. O ex-capitão teria resistido à tentativa de prisão e efetuado disparos contra policiais.

"Procuramos sempre apoiar as polícias dos outros estados e, desta vez, priorizamos o caso por ser de relevância nacional. Buscamos efetuar a prisão, mas o procurado preferiu reagir atirando", afirmou na época o secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Teles Barbosa, em nota.

Adriano estava foragido há mais de um ano, quando foi emitido um mandado de prisão contra ele no âmbito da Operação Intocáveis. Ele foi acusado de comandar um esquema de agiotagem, grilagem de terras e construções ilegais em Rio das Pedras, no Rio de Janeiro, envolvendo pagamento de propina a agentes públicos.

A família de Adriano contesta a versão oficial da polícia e diz que ele foi executado com intuito de "queima de arquivo". Em entrevista à imprensa brasileira, o advogado do ex-policial, Paulo Emílio Cata Pretta, corroborou essa hipótese, afirmando que Adriano temia se entregar à polícia por acreditar que seria morto, e não preso.

O ex-policial é suspeito de cometer diversos homicídios e de comandar o chamado Escritório do Crime, um grupo de extermínio formado por membros da "banda podre" da polícia que comete assassinatos por encomenda, muitas vezes a mando da milícia.

A polícia também investiga a suspeita de participação desse grupo no assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes em março de 2018, por encomenda da milícia que controla a favela de Rio das Pedras.

Em 2011, Adriano já havia sido preso em uma operação de grande repercussão no Rio por suspeita de atuar como segurança de um bicheiro. Em 2014, foi expulso da Polícia Militar (PM).

Ligação com clã Bolsonaro

O ex-capitão também é citado na investigação que apura um esquema de "rachadinha" (roubo de salários de funcionários) no gabinete do então deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Adriano trabalhou no 18º Batalhão da PM com Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Alerj, que é investigado por lavagem de dinheiro no esquema de "rachadinha". Segundo o Ministério Público, contas bancárias controladas por Adriano foram usadas para abastecer Queiroz.

A mãe e a esposa de Adriano também trabalharam no gabinete de Flávio, supostamente contratadas por Queiroz, que é amigo de décadas de Jair Bolsonaro. Parte do salário das duas ficava com o ex-PM, segundo aponta o Ministério Público.

Os caminhos de Flávio Bolsonaro e do miliciano já se cruzaram de maneira mais pública no passado. Em 2003, quando iniciou seu primeiro mandato na Alerj, Flávio propôs uma homenagem a Adriano da Nóbrega. Na moção de louvor, Flávio disse que "o policial militar desenvolvia sua função com dedicação e brilhantismo, desempenhando com absoluta presteza e excepcional comportamento as suas atividades".

Em 2005, Adriano recebeu a medalha Tiradentes da Alerj a pedido de Flávio. Em abril de 2018, Marielle Franco recebeu postumamente a mesma honraria – e o filho do presidente foi o único deputado da Alerj que votou contra a concessão.

Deutsche Welle

EUA boicotarão reuniões do G20 se Rússia estiver presente




Decisão já foi comunicada à Indonésia, país que preside atualmente o grupo e que convidou os líderes do G20 para um encontro em novembro, em Bali.

Em razão da guerra na Ucrânia, os Estados Unidos pretendem boicotar algumas reuniões do G20, se representantes da Rússia estiverem presentes, informou nesta quarta-feira (06/04) a secretária do Tesouro, Janet Yellen.

"Não participaremos de várias reuniões quando os russos estiverem lá", disse Yellen em uma audiência na Câmara dos Deputados dos EUA.

Segundo ela, a decisão já foi comunicada a seus colegas da Indonésia, país que atualmente preside o grupo dos 20 países industrializados e emergentes mais importantes do mundo. Yellen não especificou de quais reuniões os americanos ficariam de fora.

O presidente dos EUA, Joe Biden, pediu no mês passado que a Rússia fosse excluída do G20, mas a China se manifestou contra.

A presidência indonésia do G20 convidou os líderes do grupo - incluindo Biden e o presidente russo, Vladimir Putin - para um encontro em Bali, nos dias 15 e 16 de novembro.

Novas sanções

A já conturbada relação entre Rússia e Estados Unidos vem se deteriorando cada vez mais desde o começo da invasão russa na Ucrânia. Esta semana, Biden chamou Putin de "criminoso de guerra".

Nesta quarta-feira, os EUA impuseram uma nova rodada de sanções contra Moscou que atinge, também, as filhas do presidente russo, Vladimir Putin, e outros familiares de integrantes do governo.

Além de Maria Vorontsova, 36 anos, e Katerina Tikhonova, 35, filhas do presidente da Rússia, as punições financeiras divulgadas pelo governo Biden alcançam também a mulher e a filha do ministro do Exterior do país, Sergei Lavrov, e membros do Conselho de Segurança, a exemplo do ex-presidente e primeiro-ministro, Dmitry Medvedev. As medidas bloqueiam o acesso ao sistema americano e congelam ativos que estão no país.

As mais recentes sanções foram direcionadas ao Sberbank, que detém um terço dos ativos bancários totais da Rússia, e ao Alfabank, a quarta maior instituição financeira do país. Com isso, o governo americano irá proibir o trânsito de ativos via sistema financeiro dos EUA, impedindo, assim, que os americanos façam negócios com essas instituições.

"Hoje, junto com nossos aliados e parceiros, estamos anunciando uma nova rodada de sanções devastadoras. Eu deixei claro que a Rússia pagaria um preço severo e imediato por suas atrocidades em Bucha", declarou Biden em uma mensagem no Twitter, referindo-se à cidade retomada pelo exército ucraniano onde centenas de civis foram encontrados mortos.

Os bancos Sberbank e Alfabank disseram que as sanções não teriam um impacto significativo em suas operações.

Deutsche Welle

Mariupol relata morte de mais de 5 mil civis




No 42º dia da guerra, prefeito da cidade portuária afirma que tropas russas tentam encobrir seus rastros utilizando crematórios móveis. Defesa britânica diz que situação na cidade se deteriora cada vez mais.

O prefeito de Mariupol, Vadym Boichenko, disse nesta quarta-feira (06/04) que mais de 5 mil civis foram mortos durante o cerco à cidade portuária por tropas russas no mês passado, entre elas 210 crianças.

Boichenko acrescentou que mais de 90% da infraestrutura da cidade foi destruída pelos bombardeios russos e que as forças russas também atacaram hospitais, incluindo um onde 50 pessoas morreram queimadas. As informações não puderam ser checadas de forma independente pela DW.

O 42º dia da guerra na Ucrânia também foi marcado por novas sanções dos EUA à Rússia, incluindo às filhas de Vladimir Putin, pelo discurso do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, ao Parlamento da Irlanda e pela imagem do papa Francisco beijando uma bandeira proveniente de Bucha.

Crematórios móveis 

Boichenko disse que as tropas russas "estão tentando encobrir o seu rasto" de destruição e começaram a utilizar crematórios móveis para fazerem desaparecer os "vestígios dos seus crimes" na cidade.

Numa mensagem publicada no Telegram, Boichenko afirmou que, "após o genocídio generalizado cometido em Bucha, os principais líderes da Rússia ordenaram a destruição de qualquer evidência dos crimes cometidos pelo seu exército em Mariupol". 

"Há uma semana, algumas estimativas cautelosas indicavam 5 mil mortos [em Mariupol]. Mas, dado o tamanho da cidade, a destruição catastrófica, a duração do bloqueio e a resistência feroz, dezenas de milhares de civis de Mariupol podem ter sido vítimas dos ocupantes russos", escreveu.

Também nesta quarta-feira, Zelenski disse que a Rússia está bloqueando o acesso humanitário a Mariupol porque quer esconder evidências de "milhares de pessoas mortas".

"Eles não poderão esconder tudo isso e enterrar todos esses ucranianos que morreram e estão feridos. É um número muito grande, são milhares de pessoas, é impossível esconder", afirmou.

Há semanas, dezenas de milhares de moradores de Mariupol enfrentam falta de água, energia, aquecimento, alimento e medicamentos, além de conviverem com constantes bombardeios e ataques de tropas russas. As cenas de um bombardeio a uma maternidade e de um ataque a um teatro que servia como abrigo chocaram o mundo. 

As autoridades de defesa britânicas disseram nesta quarta-feira que a situação na cidade está se deteriorando cada vez mais e que cerca de 160 mil pessoas permaneceram presas em Mariupol, que tinha 430 mil habitantes antes da guerra.

'Prefeito afirma que 90% da cidade de Mariupol foi destruída'

Ajuda humanitária impedida de chegar

Um comboio de ajuda humanitária acompanhado pela Cruz Vermelha tenta, sem sucesso, entrar em Mariupol desde sexta-feira. Além disso, a França informou nesta quarta-feira que a Rússia está impedindo uma operação internacional de resgate de civis na cidade.

A ideia, proposta pelo presidente francês, Emmanuel Macron, em colaboração com os Executivos da Turquia e da Grécia, teria a participação da Cruz Vermelha Internacional e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

"A operação está pronta e pode ser realizada. Falta que os russos aceitem, mas até agora, recusaram", disse o porta-voz do governo da França, Gabriel Attal.

"Os militares russos impedem que a ajuda humanitária chegue a Mariupol e que os civis que queiram fugir, o façam", afirmou o porta-voz do Palácio do Eliseu.

Fuga para Zaporínjia

Nesta quarta-feira, cerca de 500 civis que saíram de Mariupol pelos seus próprios meios foram acolhidos pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e levadas em segurança a Zaporínjia. O CICV reiterou a sua disponibilidade para colaborar "como intermediário neutro" na retirada dos habitantes de Mariupol.

A organização também pediu para ter acesso aos pormenores sobre as rotas de saída, os horários acordados e o destino final dos civis, após acusações de que milhares de pessoas que saíram de Mariupol foram levadas contra a vontade para território controlado por forças russas ou mesmo para a Rússia.

'Hostomel ficou devastada por mais de um mês de ataques'

400 moradores desaparecidos em Hostomel

O chefe da administração militar ucraniana de Hostomel disse que cerca de 400 moradores estão desaparecidos, após 35 dias de ocupação russa.

Hostomel está localizado a noroeste de Kiev e abriga um aeroporto de mesmo nome que recebe aviões de carga internacionais. A maioria dos 16 mil moradores da cidade fugiu.

Taras Dumenko afirmou que as autoridades vasculham os porões da cidade para encontrar moradores desaparecidos. Segundo ele, vários habitantes de Hostomel foram encontrados na cidade vizinha de Bucha.

Tropas ucranianas retomaram o controle de Hostomel há alguns dias. À medida que as áreas vão sendo recuperadas pela Ucrânia, cresce o temor de que cenas como as do massacre visto em Bucha se repitam em outras cidades.

Autoridades pedem evacuação em massa das províncias do leste

A vice-primeira-ministra da Ucrânia, Iryna Vereshchuk, pediu aos moradores das províncias de Donetsk, Lugansk e Kharkiv que evacuem suas casas imediatamente, já que as forças russas estão se reposicionando para um ataque.

"É necessário fazer isso agora porque mais tarde as pessoas estarão sob fogo e ameaçadas de morte", disse Vereshchuk. "É necessário evacuar enquanto existe essa possibilidade", acrescentou.

Mais cedo, o governador regional da parte de Lugansk ainda controlada pela Ucrânia, Serhiy Haidai, alertou para mais combates na região à medida que as tropas russas se reposicionam. "Acho que em três ou quatro dias eles tentarão lançar uma ofensiva", disse Haidai.

Zelenski discursa ao Parlamento irlandês

Falando ao parlamento irlandês nesta quarta-feira, Zelenski acusou alguns líderes ocidentais de considerarem as perdas financeiras piores do que os crimes de guerra.

"Quando estamos ouvindo uma nova retórica sobre sanções, não posso tolerar nenhuma indecisão depois de tudo o que as tropas russas fizeram", disse ele, referindo-se às atrocidades reveladas recentemente em Bucha.

O presidente ucraniano também pediu à Irlanda que convença seus parceiros da União Europeia a introduzir medidas "mais rígidas" contra a Rússia.

Papa beija bandeira proveniente de Bucha

O papa Francisco criticou nesta quarta-feira a "crueldade cada vez mais horrível" que atinge a Ucrânia e condenou o massacre em Bucha. Ele recebeu um grupo de crianças ucranianas que tiveram que fugir de seu país e beijou e abençoou uma bandeira proveniente de Bucha. 

"As recentes notícias da guerra na Ucrânia atestam novas atrocidades, como o massacre de Bucha, uma crueldade cada vez mais horrível, cometida também contra civis indefesos, mulheres e crianças", disse o Papa em sua audiência semanal, no Vaticano.

"São vítimas cujo sangue inocente clama ao céu e implora: acabemos com esta guerra, silenciemos as armas! Paremos de semear morte e destruição!", acrescentou.

Pouco depois, o pontífice desfraldou uma bandeira vinda da cidade de Bucha diante dos milhares de fiéis reunidos no salão Paulo 6°. "Ontem, direto de Bucha, me trouxeram esta bandeira. Esta bandeira vem da guerra, da cidade martirizada de Bucha", declarou, antes de beijar a bandeira visivelmente enegrecida pelos combates.

Francisco acolheu no altar o grupo de crianças, acompanhado de suas famílias, e entregou a elas alguns ovos de Páscoa.

'Francisco condenou atrocidades cometidas na Ucrânia'

Novas sanções dos EUA

Nesta quarta-feira, os EUA impuseram uma nova rodada de sanções contra Moscou que atinge, também, as filhas do presidente russo, Vladimir Putin, e outros familiares de integrantes do governo.

Além de Maria Vorontsova, 36 anos, e Katerina Tikhonova, 35, filhas do presidente da Rússia, as punições financeiras divulgadas pelo governo Biden alcançam também a mulher e a filha do ministro do Exterior do país, Sergei Lavrov, e membros do Conselho de Segurança, a exemplo do ex-presidente e primeiro-ministro, Dmitry Medvedev. As medidas bloqueiam o acesso ao sistema americano e congelam ativos que estão no país.

As mais recentes sanções foram direcionadas ao Sberbank, que detém um terço dos ativos bancários totais da Rússia, e ao Alfabank, a quarta maior instituição financeira do país. Com isso, o governo americano irá proibir o trânsito de ativos via sistema financeiro dos EUA, impedindo, assim, que os americanos façam negócios com essas instituições.

Os bancos Sberbank e Alfabank disseram que as sanções não teriam um impacto significativo em suas operações.

Em razão da guerra na Ucrânia, os Estados Unidos pretendem boicotar algumas reuniões do G20, se representantes da Rússia estiverem presentes, informou a secretária do Tesouro, Janet Yellen.

Segundo ela, a decisão já foi comunicada a seus colegas da Indonésia, país que atualmente preside o grupo dos 20 países industrializados e emergentes mais importantes do mundo. Yellen não especificou de quais reuniões os americanos ficariam de fora.

A presidência indonésia do G20 convidou os líderes do grupo - incluindo Biden e Putin - para um encontro em Bali, nos dias 15 e 16 de novembro.

Deutsche Welle

Vai para a Eurásia que te pariu, pá!




Dizem que «as sanções não podem ser demasiado pesadas». Não podem? Somos colaboracionistas? Cada cêntimo para a Rússia em troca de petróleo, gás, carvão cheira a medo. Só o cheiro a medo autoriza massacres. 

Por Eugénia de Vasconcellos 

A Rússia de Putin mente. Fá-lo com um objectivo claro, a manutenção e expansão do seu regime autocrático e cleptocrático e fá-lo por uma única razão: porque pode. Nós, sublinho, nós deixamos. E nós somos as democracias ocidentais, os herdeiros daqueles que as implementaram e as defenderam.

Em 2014, a Rússia invadiu a Ucrânia e ocupou a Crimeia. Negou-o. A Rússia, então, afirmou repetidamente que eram grupos rebeldes, separatistas, e não tropas russas. Publicamente, na Rússia, esta astúcia foi celebrada por muitos pois estava ao serviço de um bem maior: a preservação da sagrada nação russa e o mito da sua milenar duração contra tudo e todos. A popularidade de Putin disparou na altura, tal como agora, porque a Rússia de Putin tem um desígnio para preencher o vazio pós queda do muro de Berlim. Os vazios podem ser lugares terríveis quando não nos confrontamos com eles e com os lutos que nos propõem. O vazio da igreja e dinástico foi substituído pelo comunismo, pelo culto dos seus líderes e a construção de um inimigo congregador. 

Posteriormente, quando este regime caiu, nada havia para ocupar o seu lugar. Putin tem, progressivamente, oferecido isso, o que quer que isso seja, à Rússia: restabeleceu a igreja, o culto do líder, o nacionalismo, a missão. E a missão é reintegrar no corpo russo o que dele foi retirado sucessivamente, não interessa se pelos mongóis, se pela Grande Armada de Napoleão, se por Hitler ou pelos Estados Unidos ou pela União Europeia ou a Nato. Pela Tchetchénia ou pela Geórgia. Pelo povo ucraniano. Ainda que para isso seja necessário reescrever a história em ensaios onde os factos são rasurados e em discursos de hora e meia. Depois da reintegração a expansão, como claramente afirmou Medvedev, «construir uma Eurásia de Lisboa a Vladivostok». Se dúvidas houvesse. E claro, esta meta é exequível. A Hungria e a Sérvia demonstraram-no este domingo com as reeleições de Viktor Orban e Aleksandar Vucic, pró-putinistas patrocinados.

A verdade tem de ser repetida pelo menos tantas vezes quanto a mentira porque a luta é desigual: a democracia está em recessão. Mas é a democracia que permite pessoas como Alexandre Guerreiro a disseminar propaganda e desinformação russa em horário nobre, como permite a agenda woke e a extrema esquerda. Mesmo quando esta fragmenta e faz da esquerda, do centro e do centro direita, reféns. A democracia permite a esta extrema esquerda asséptica e maniqueísta apelidar todos quantos não subscrevem os itens agendados de «intolerantes, censores, irrelevantes, banais, fúteis e sem referências éticas». A democracia, pasme-se, permite que se vitimizem, triste figura, ao longo de um manifesto Pela Paz e Contra a Criminalização do Pensamento. Até permite a publicação no Expresso, tal é a criminalização.

A Rússia de Putin mente. E fá-lo com rigor propagandístico norteado pelo sempre actual Goebbels, «uma mentira dita uma vez continua a ser uma mentira, mas uma mentira mil vezes repetida torna-se uma verdade». Lavrov tem sido o discípulo incansável desta fé. A Rússia mente. Nega que invadiu a Ucrânia a 24 de Fevereiro de 2022. Nega ataques a civis. Nega a utilização de crianças como escudo. Nega a violação de mulheres e meninas. Nega as execuções sumárias. Nega os massacres hediondos de Bucha como negou os de Mariupol e Irpin como negará quaisquer outros com a vileza acrescida de culpar os ucranianos por esses crimes quando não lhes atribui encenações. Há cidades à fome e à sede e ao frio. Valas comuns. Cadáveres espalhados pelas ruas. Mutilados. Corpos profanados por minas. E o que se passa nos campos de triagem para onde os ucranianos estão a ser levados aos milhares? Famílias ucranianas resistentes nos territórios ocupados estão a ser separadas, despojadas de documentação, internadas aos milhares em campos de triagem, para serem relocalizadas na Rússia, como se não tivéssemos esse pesadelo acordado ainda com as memórias de 1939-45. As informações são da Cruz Vermelha. 

São relatadas por vítimas e jornalistas, as imagens são confirmadas por satélites. Nada disto é novo. Nada é feito pela primeira vez. A ONU, afirma que investigará para responsabilizar efectivamente os perpetradores. Tem de fazê-lo rigorosamente. O Tribunal Penal Internacional também. Sabemos todos: Putin é um criminoso de guerra. Há anos que o é. Em 1999 já o era. A pretexto do movimento separatista tchetcheno, ordenou uma «operação anti-terrorista» – parece familiar? A operação durou dez anos e foram massacrados milhares de civis, cidades arrasadas, uma carnificina. Ninguém o parou então nem depois na Geórgia onde usou mesma fórmula em 2008. Sanções e um ano depois, amigos como dantes. Síria. Arménia. Cazaquistão.

Nós, para continuarmos a viver em democracia, temos de a defender e isso obriga-nos a tomar uma posição.

O medo é a arma de Putin. É funcional. A economia é o nosso calcanhar de Aquiles. Ambos nos imobilizaram antes, e na situação ucraniana em 2014. Permitiram que fizéssemos de uma questão maior, uma questão regional. Mas esta guerra é nossa. É a nossa forma de vida que está em causa. As nossas liberdades. Dizem «as sanções não podem ser demasiado pesadas». Não podem? Somos colaboracionistas? Cada cêntimo entregue à Rússia em troca de petróleo, gás e carvão, cheira a medo. Só o cheiro a medo autoriza o massacre de civis, sabê-los desamparados e saber que as consequências desse acto são suportáveis e logo passam. A negação da entrada da Ucrânia na NATO cheira a medo. Não armar e equipar adequadamente a Ucrânia cheira a medo. Medinho. Miúfa. E não é o medo que nos vai defender. O medo vai abrir a estrada de Lisboa a Vladivostok.

Observador (PT)

Declínio da Rússia significa ascensão da China, diz especialista que previu invasão da Crimeia

 




Putin e Xi Jinping se reuniram em Pequim semanas antes do início da invasão russa à Ucrânia

A invasão russa à Ucrânia continua avançando diante dos olhos perplexos do mundo. As tropas russas destruíram cidades inteiras, enquanto milhões de pessoas tentam escapar de um país devastado.

O dramático conflito bélico ameaça ser o evento mais transformador e perigoso na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

O que vai decidir esta guerra e como ela pode terminar? A invasão russa era realmente previsível? Putin pode recuar diante das sanções econômicas ocidentais? E quanta esperança devemos depositar nas negociações de paz?

Em entrevista à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, o acadêmico britânico Taras Kuzio, especialista em política, economia e segurança ucraniana, tenta responder a estas e outras perguntas.

Em 2010, Kuzio previu a anexação russa da Crimeia, que ocorreu em 2014 e desencadeou uma das piores crises entre Moscou e o Ocidente desde a Guerra Fria.

E apenas algumas semanas antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, ele publicou um livro chamado Russian Nationalism and the Russian-Ukrainian War ("Nacionalismo russo e a guerra russo-ucraniana", em tradução literal), em que explica em profundidade a crise entre os dois países e discute a suposta obsessão do presidente russo, Vladimir Putin, por Kiev.

BBC News Mundo - Quão surpreendente foi a invasão russa da Ucrânia para você?

Taras Kuzio - Tenho sido muito crítico em relação a acadêmicos ocidentais e especialistas em Rússia porque eles têm minimizado e negado a existência do nacionalismo na Rússia de Putin. E isso não é verdade. Putin tem uma forte obsessão com a Ucrânia desde pelo menos meados dos anos 2000.

Quando se tornou presidente em 2012, o fez acreditando que entraria para a história como o agregador das terras russas, incluindo as da Ucrânia e Belarus. O nacionalismo na Rússia se reflete no nacionalismo czarista pré-soviético, que nega a existência de ucranianos.

Putin há muito tempo argumenta que o sul e o leste da Ucrânia foram erroneamente incluídos por Lênin na Ucrânia soviética, quando fazia parte da URSS. Na verdade, ele é bastante crítico em relação a Lênin por ter feito isso.

BBC News Mundo - Será, então, que este foi o principal motivo que levou Putin a invadir a Ucrânia?

Kuzio - A invasão é produto tanto da evolução de Putin como um nacionalista russo e negacionista dos ucranianos, quanto uma evolução em sua percepção do que está acontecendo na Ucrânia.

Para ele, e para o Kremlin, um nazista hoje é basicamente qualquer ucraniano que apoie uma orientação ocidental. Não é a extrema direita. É qualquer ucraniano.

BBC News Mundo - O que Putin quer dizer quando fala em desnazificar a Ucrânia?

Kuzio - Ele está falando de uma identidade que surgiu na Ucrânia nos últimos 30 anos que é pró-ocidente. E ele quer substituí-la por uma identidade russa liberal, semelhante à de Belarus, um país que é governado por um ditador pró-Rússia, que apoia o mesmo tipo de mito histórico que a Rússia de Putin e também é antiocidente.

Putin pensou que o povo da Ucrânia o acolheria porque, para ele, eles estavam reprimidos por estes nazistas que, por sua vez, são apoiados pelos americanos. Putin achava que chegaria para libertar estes pequenos russos dos colonialistas americanos e dos nazistas. É estranho, mas era isso que ele realmente acreditava.

BBC News Mundo - Isso foi, na sua opinião, um erro de Putin?

Kuzio - É um dos três erros de cálculo que ele cometeu. Acho que outro grande erro foi sobre o Ocidente. Ele acreditava que o Ocidente estava estagnado, que estava dividido. E calculou mal sua resposta. No Kremlin, eles acreditavam que as sanções que seriam impostas contra a Rússia seriam tão fracas quanto as de 2014 (quando anexou a Crimeia).

O terceiro erro de cálculo foi sua percepção equivocada sobre os ucranianos, que realmente não são "russos liberais". São ucranianos.

BBC News Mundo - Você acha que as sanções ocidentais vão levar Putin a retroceder?

Kuzio - Acho que vão ter um efeito tremendo na economia russa. O Kremlin ficou atônito com o amplo acordo de todos os países ocidentais e com a dureza das sanções. Nunca esperaram que a Alemanha, por exemplo, fizesse isso.

A grande sanção que destruiria a economia do governo russo seria a proibição total do petróleo e gás russos, o que países como a Alemanha já disseram que não podem fazer de imediato. Precisam de tempo para encontrar outros fornecedores.

Mas estas sanções não têm um impacto imediato. Demora alguns meses para realmente ver o resultado.

BBC News Mundo - E o que poderia acontecer?

Kuzio - A Rússia foi apartada da globalização. Isso significa que a Rússia, como grande potência, entrará em um declínio mais rápido, e também significará a ascensão da China como a alternativa dominante ao Ocidente.

A imagem internacional da Rússia, que é muito importante, foi seriamente danificada. Ninguém mais quer ter nada a ver com a Rússia. Ninguém quer trabalhar ou negociar com eles, 400 empresas ocidentais deixaram o país.

Isso permitirá que a China se erga como a potência antiocidente alternativa dominante.

BBC News Mundo - Por falar na China, qual é o papel deste país na guerra?

Kuzio - A China está muito feliz. O declínio da Rússia significa sua ascensão. Eles compartilham uma posição contra o Ocidente, mas a diferença entre os dois países é que a China é uma potência em ascensão, e a Rússia é uma potência em declínio. E a diferença também é que a China tem um exército realmente forte. A Rússia não.

Pensava-se que a Rússia era uma grande potência militar. E agora as pessoas estão se perguntando por que não têm sido capazes de derrotar a Ucrânia.

Então, acho que, em última análise, esta guerra definirá a China como a nova potência antiocidente dominante, porque a Rússia terá se mostrado um país em declínio.

BBC News Mundo - Mas por que a China não impôs sanções contra a Rússia?

Kuzio - Não foi só a China. Israel e Turquia também não impuseram sanções. A China continuará a culpar os EUA e a OTAN por isso, porque a China sempre será anti-EUA e anti-OTAN.

Há três anos, era uma aliança conjunta da Rússia e da China contra o Ocidente. Agora, esta guerra confirma que a Rússia é um sócio minoritário da China.

Putin calculou mal tudo a este respeito. Acreditava que a China o ajudaria, e eu não acho que vá.

BBC News Mundo - Você acha que Putin está irritado com o desenrolar dos acontecimentos?

Kuzio - Claro, porque o plano original era que seria muito fácil. Em no máximo 2 dias, eles iriam ocupar a Ucrânia e iriam expulsar estes nazistas e seus patrocinadores americanos.

Putin nunca levou Zelensky a sério porque era comediante. Não era um político de verdade. Pensou que fugiria de Kiev, e poderiam implantar um (Alexander) Lukashenko ucraniano. Este era o plano e fracassou completamente.

BBC News Mundo - Quanta esperança devemos depositar nas negociações de paz?

Kuzio - Devemos ter sempre em mente que há mentirosos em Moscou. Não podemos acreditar em nada do que dizem. Eles têm mentido nos últimos oito anos que não há militares russos na Ucrânia.

Em segundo lugar, o Ocidente só pode concordar em suspender as sanções, se a Ucrânia aceitar um acordo de paz.

E uma das grandes exigências é que a Rússia retire suas tropas para a mesma posição que estavam antes da invasão. E isso, eu acho, vai ser um grande problema para Putin.

Acho que Zelensky vai tentar chegar a algum tipo de acordo de paz porque é melhor do que civis continuarem sendo mortos. Mas acho que ninguém mais é ingênuo em relação à Rússia. E isso é um fator.

BBC News Mundo - O que vai definir esta guerra?

Kuzio - O que definirá esta guerra é um divórcio completo da Rússia e da Ucrânia; 100% da Ucrânia vai odiar a Rússia pelos próximos 20, 30 ou 40 anos. Não haverá nenhum partido pró-Rússia, nenhuma religião pró-Rússia.

E isso também vai gerar desconfiança entre todos os vizinhos em relação à Rússia, porque o que Putin fez foi longe demais: destruir cidades e matar civis, com um quarto da população ucraniana desalojada. Isso deixou soldados e políticos ucranianos extremamente irritados.

É o tipo de divórcio sangrento que não aconteceu em 1991, quando a URSS se desintegrou. De certa forma, isso é o que deveria ter acontecido então.

'Putin nunca levou Zelensky a sério porque era comediante'

BBC News Mundo - Como você acha que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia vai terminar?

Kuzio - Zelensky não é um nacionalista maluco. Ele sempre foi alguém disposto a fazer concessões. Os russos sempre exigiram a rendição da Ucrânia, não um acordo. Mas talvez agora, devido ao estado da guerra, a Rússia esteja mais disposta a deixar de exigir a rendição da Ucrânia para aceitar algum acordo.

Os acordos seriam algo como a neutralidade da Ucrânia ou a retirada da Rússia dos territórios que ocupou durante a invasão.

Mas a Rússia não tem muito tempo. As sanções vão colapsar sua economia cada vez mais com o passar dos meses, e isso mostrará que é um país em declínio.

O impacto da guerra, a destruição do equipamento militar e a morte de soldados também terão um grande impacto.

A posição de Putin fica cada vez menos estável com o passar do tempo. Até a invasão, eu acreditava que Putin seria presidente vitalício. Mas, agora, não acho mais... a posição dele não é tão segura porque há muito descontentamento. Para os nacionalistas, é uma vergonha o que aconteceu com seu exército.

BBC Brasil / DefesaNet

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