quarta-feira, abril 06, 2022

Sem a terceira via, o Brasil terá encontro marcado com um fracasso ainda maior

Publicado em 6 de abril de 2022 por Tribuna da Internet

Terceira via para 2022

Charge do Duke (domtotal.com)

Deu no Estadão

O futuro é extremamente desafiador para o Brasil, e a escolha do próximo presidente da República definirá quão prolongados serão os efeitos perniciosos de uma crise política, econômica, social e moral que há mais de três anos tem sido pintada com cores vivíssimas, diante dos olhos de todos.

Das duas, uma: ou as forças genuinamente democráticas da sociedade superam veleidades e constroem uma alternativa responsável às forças do atraso que ora parecem triunfar, ou o País tem um encontro marcado com um desastre ainda maior do que o atual a partir de 2023.

Grande magnitude – Nenhuma eleição pode ser considerada mais importante do que outra, pois todas são cruciais ao tempo de sua realização. Mas é possível afirmar que os riscos envolvidos na escolha dos eleitores em 2022 são de magnitude poucas vezes vista na história recente do País.

Há sérios obstáculos políticos e econômicos a serem superados, como já estiveram em jogo em tantos outros pleitos. Mas, a julgar pelo que propõem os dois pré-candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto no momento, o ex-presidente Lula da Silva e o presidente Jair Bolsonaro, nada indica que caminhos serão abertos para que o Brasil saia desse lamaçal caso um dos dois seja o vencedor do pleito em outubro.

Tanto pior porque Lula e Bolsonaro são hábeis em açular seus apoiadores mais radicais e poluir o debate público com mentiras e distorções da realidade.

SEM COESÃO SOCIAL – Ao fazerem do ódio e da dissimulação instrumentos de ação política, tanto Lula como Bolsonaro impedem a coesão social mínima em torno de um diálogo honesto e propositivo com vistas à reversão de nossas mazelas.

Cerca de 50 milhões de brasileiros convivem com a insegurança alimentar, ou seja, não têm renda suficiente para garantir comida no prato todos os dias. O número de desempregados – embora tenha recuado de 14,6% para 11,2% no trimestre encerrado em fevereiro, em comparação com o mesmo período no ano passado – ainda é assustador: são 12 milhões de cidadãos em idade economicamente ativa sem trabalho no País, de acordo com o IBGE.

Economistas preveem que o porcentual de desocupação permanecerá no patamar de dois dígitos, no mínimo, até 2024. A inflação renitente corrói a renda dos que têm um emprego. Juros em ascensão freiam a capacidade de expansão da atividade econômica.

TERRA ARRASADA – Na educação, o cenário é de terra arrasada. A cultura e a política externa foram transformadas pelo bolsonarismo em flancos de uma “guerra cultural” que seria apenas caricatura da estupidez de uns tresloucados caso não impingisse tantos danos ao País. Na seara ambiental, o Brasil foi da condição de interlocutor indispensável a pária internacional.

Diante desse quadro trevoso, é desalentador constatar que tudo o que Lula e Bolsonaro propõem só tende a agravar os problemas do País. É o exato oposto do que se espera de candidatos à Presidência da República.

O pouco que se conhece do programa econômico de Lula para um eventual terceiro mandato não apenas não resolve os problemas atuais, como os aprofunda. O papel aceita quase tudo. Lula pode escrever à vontade que “os melhores momentos do Brasil foram nos governos do PT”, mas não pode reescrever a História.

SEM PROJETOS – Bolsonaro pode dizer para seus apoiadores que o País “tem tudo” para crescer e se desenvolver, e que ele ainda não conseguiu fazer do Brasil a “pátria grande” porque “alguns poucos atrapalham” e deveriam “calar a boca” e deixá-lo trabalhar.

O fato é que nem Lula nem Bolsonaro têm projetos certos para atacar os problemas do País. Não propõem nada além de suas supostas virtudes pessoais em relação ao oponente. À frente da disputa pela Presidência, ao menos por ora, estão dois mitômanos que talvez só acreditem nas próprias patranhas pela força da repetição.

O País precisa de um líder moderno, atinado com a agenda política, social, econômica e ambiental do século 21. Um conciliador. Alguém que pense o futuro com responsabilidade, empatia e espírito público. Ou seja, alguém que ainda está por se fazer conhecido e, sobretudo, despertar a esperança dos brasileiros em um futuro melhor.

Lula perde a noção e manda a militância assediar até as famílias dos parlamentares

Publicado em 6 de abril de 2022 por Tribuna da Internet

Lula se muda para São Paulo por motivo de segurança

“É melhor incomodar a tranquilidade deles”, disse Lula na CUT

Cristina Camargo
Folha

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu em evento da CUT (Central Única dos Trabalhadores) na última segunda-feira (4) que a militância sindical procure deputados e seus familiares na casa deles para pressionar a favor de propostas que interessam ao setor em um eventual governo petista, a partir de 2023.

“Se a gente mapeasse o endereço de cada deputado e fossem 50 pessoas na casa, não é para xingar não, é para conversar com ele, com a mulher dele, com o filho dele, incomodar a tranquilidade dele, surte muito mais efeito do que fazer a manifestação em Brasília”, disse.

REAÇÃO ARMADA – Parlamentares bolsonaristas reagiram ao discurso de Lula. Dois deles ameaçaram usar armas caso suas famílias sejam abordadas por militantes petistas.

Em vídeo, o deputado federal Junio Amaral (PL-MG) aparece carregando uma pistola enquanto explica onde fica sua casa, em Contagem (MG). “Vou esperar vocês lá. Tanto sua turma, como você. Vai lá conversar com a minha esposa, com a minha filha. Vocês serão muito bem-vindos”, ameaçou, com a arma na mão.

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) também prometeu “pregar bala” em militantes que “mexerem” com o filho e avisou, também em vídeo, que na casa dela vigora a legítima defesa.

AÇÃO JUDICIAL – Outro bolsonarista, o deputado Daniel Freitas (PL-AC), prometeu uma ação judicial contra o ex-presidente e disse que Lula quer ‘tocar o exército vermelho para cima das nossas famílias”.

“É irresponsável e criminosa a incitação de Lula”, disse outro apoiador do presidente, o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS). “Questiono se nesse caso o ministro Alexandre de Moraes (do Supremo Tribunal Federal) pedirá a prisão do ex-presidiário Lula por essa ameaça ao Parlamento.”

O deputado Luiz Lima (PL-RJ) comparou o petista a Evo Morales, ex-presidente da Bolívia. “Se o Bolsonaro falasse o que o Lula falou, seria massacrado”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Ou Lula enlouqueceu ou estava de porre, como de hábito. Como perguntava Noel Rosa, “quem é você, que não sabe o que diz? Meu Deus do céu, que palpite infeliz…”(C.N.)

Guerra na Ucrânia mostra a inutilidade e a ilegalidade do Conselho de Segurança da ONU

Publicado em 6 de abril de 2022 por Tribuna da Internet

Rússia adia votação no Conselho de Segurança por falta de apoio

Embaixador russo veta resolução da ONU contra seu país

Jorge Béja

A Organização das Nações Unidas (ONU), e seu ilegalíssimo, prepotente e imbecil Conselho de Segurança, envergonham o mundo. Não se vai aqui contar a história da ONU. A abordagem é sobre fatos, passados, presentes e atualíssimos. Faltam à instituição internacional e seu Conselho de Segurança, moralidade, poder e autoridade. Até hoje, passados mais de 70 anos, a Resolução do Conselho de Segurança que ordenou que a China desocupasse o Tibet não foi cumprida. E a ocupação permanece.

E o Dalai Lama Tenzyn Guiatzu, que tive a honra de defendê-lo na Justiça brasileira por ocasião da Eco-92, continua refugiado na India, onde chegou a pé, atravessando as montanhas geladas do Tibet, na década de 50, junto com um pequeno grupo  de seu povo. E a ONU, covarde, cruza os braços. Até hoje nada fez. E nunca fará.

 

ONU PROCESSADA – Na condição de advogado de Gilda Vieira de Mello, abri processo na Justiça brasileira contra a ONU. A certidão de óbito de seu filho, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, foi expedida com dois graves erros. Um, apontava Sérgio com “cidadão iraquiano”. Outro, a médica norte-americana Elizabeth House apontou como “explosão” a causa da morte de Sérgio, em Bagdá, para onde a ONU o enviou por ordem do então presidente George W. Bush e da secretária Condolessa Rice.

O saudoso médico Ednei José Dutra de Freitas, que foi comentarista e articulista da Tribuna da Internet e também amigo de Dona Gilda, contestou a causa da morte. “Explosão foi o fato, mas para a medicina é preciso, através da autópsia, indicar qual o órgão ou quais os órgãos do corpo que foram atingidos e que deu ou deram motivo à morte“, escreveu o Dr. Ednei no seu Parecer entregue à Justiça.

E Dona Gilda venceu a causa. A ONU perdeu. E a ONU teve que expedir outra certidão de óbito.

CONSELHO INÚTIL – No tocante ao Conselho de Segurança da ONU, pode-se afirmar que tal Conselho viola todos os princípios primários da Ciência do Direito, da Razão e do Bom Senso. É vergonhoso que um de seus cinco membros, quando julgado e a ele imposta sanção, esta seja vetada pelo próprio membro que a sofreu e a decisão torna-se inócua e cai por terra.

O fato é recente e atual. Punida pelo Conselho, a própria Rússia –  que não poderia votar, mas votou – vetou a punição contra si própria. É nada mais, nada menos, que dar ao acusado o direito de decidir sobre o crime que cometeu e, quando condenado, tem ele o poder de descumprir, desatender, vetar, anular e retirar do mundo jurídico-político, a sanção que o próprio acusado sofreu.

É vergonhoso e insensato. Que tribunal? Que corte de justiça? Que instituição é essa que permite que um de seus juízes vote, vete e descumpra a sanção que o colegiado lhe impôs?

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DECÁLOGO DA PILANTRAGEM DA ONU

Aqui na TI não há espaço para dissertar sobre o tema ONU. Mas para se ter uma ideia do ambiente que reina naquele prédio de vidro em Nova Iorque, vamos ao “Decálogo de Um Funcionário da ONU”, que o brasileiros Hernane Tavares de Sá, que foi Segundo-Secretário de Informação Pública da ONU, de 1960 a 1965, nos deixou publicado e que está esgotado. Em síntese diz o “Decálogo”:

1) Nunca expresse sua opinião por escrito sobre coisa alguma.

2) Passe sempre para o papel tudo aquilo que não for de importância, mas redija de maneira que seus colegas pensem duas vezes antes de atribuir-se a autoria.

3) No trato diário e no diálogo, inclusive em conversas informais nos corredores, procure apurar o dom de fazer que o banal se torne prenhe de possibilidades misteriosas, e que o irrelevante pareça profundo.

4) Telegrafe com maior frequência possível, e que cada telegrama seja marcado “confidencial distribuição vedada”, visto que isto lhe dará prestígio.

5) Em reuniões, use da palavra bem ao começo ou então quando a sessão já vai chegando ao fim, mas nunca deixe de se fazer ouvido.

6) Quer em sessões formais ou em pequenas reuniões, quando lhe fizerem uma pergunta responda sempre com outra pergunta, pois isto desconsertará seu interlocutor.

7) Nunca se prontifique a dar uma informação. Não se esqueça que qualquer informação é um artigo de valor, que não deve ser esbanjado.

8) Se você foi promovido a um posto já em nível onde são tomadas decisões, nunca as tome. Sempre que chamado a decidir diga que vai refletir antes.

9) O cordial aperto de mão e o sorriso constante são instrumentos básicos para o seu trabalho e nunca você deve cansar-se deles. Sorria para a sua imagem no espelho ao barbear-se pela manhã e sorria diante do espelho durante o dia, na ONU, toda vez que for ao toalete dos homens.

10) Preocupe-se e siga preocupando-se. Se não o fizer, não terá uma carreira bem sucedida ou promoções rápidas, ainda que seja hábil na lisonja, nas manobras ou nos planos”.

Taí um “Decálogo da Pilantragem”. Nada é sincero. Tudo é postiço. Tudo é falso. Nada é autêntico nem verdadeiro. E é nesta Organização que o destino da Ucrânia e dos ucranianos está sendo decidida. Coitados. A depender da ONU e do seu Conselho de (In)Segurança, a Ucrânia corre o risco de desaparecer junto com o povo ucraniano. E o presidente Zelenski ter um trágico fim de vida.

Na maior rapidez, nova pesquisa Ipespe (sem patrocinador?) já excluiu Moro desta sucessão

Publicado em 6 de abril de 2022 por Tribuna da Internet

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge do dia: De olho  nas pesquisas

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Estêvão Bertoni
Da CNN

Pesquisa Ipespe divulgada nesta quarta-feira (6) mostra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 44% das intenções de voto na corrida pelo Palácio do Planalto. O presidente Jair Bolsonaro (PL) tem 30%. As eleições estão marcadas para 2 de outubro.

Lula manteve a mesma intenção de votos da pesquisa anterior do Ipespe, divulgada em 25 de março. Já Bolsonaro subiu quatro pontos percentuais ― ele tinha 26% no último levantamento. A variação ficou acima da margem de erro, de 3,2 pontos percentuais.

SEM MORO – A pesquisa divulgada nesta quarta foi a primeira do instituto após o ex-juiz Sergio Moro anunciar a desistência, neste momento, de sua pré-candidatura à Presidência. Ele deixou o Podemos e se filiou ao União Brasil, onde enfrenta resistências.

A seguir aparecem o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 9%, e o ex-governador de São Paulo, João Doria (PSDB), com 3%. A senadora Simone Tebet (MDB) tem 2%. O deputado federal André Janones (Avante) registrou 1%. Eymael (DC), Felipe d’Avila (Novo) e Vera Lúcia (PSTU) não pontuaram. Brancos, nulos ou que não votariam em nenhum dos candidatos somam 9%. Indecisos representam 3% dos entrevistados. Foram ouvidas 1.000 pessoas por telefone entre 2 e 5 de abril.

A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral com o número BR-03874/2022. A margem de erro máximo estimada é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um intervalo de confiança de 95,5%. Os percentuais que não totalizam 100% são decorrentes de arredondamento ou de múltiplas alternativas de resposta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Como se vê, a conspiração contra a terceira via anda de vento em popa. O instituto Ipespe, que é formado por ex-funcionários do falecido Ibope, correu na frente e já tomou a iniciativa de excluir Sérgio Moro da sucessão presidencial, para garantir a polarização que vem sustentando essas pesquisas. Detalhe, o Ipespe não anuncia seu patrocinador. Será que bancou a pesquisa com seus próprios recursos, para agradar aos dois candidatos polarizados? Vejam a que ponto chega a desfaçatez na imunda política brasileira.

Pesquisaram possíveis votos até dos falsos presidenciáveis Emayel e Vera Lúcia, mas esqueceram de saber quem ainda pretende votar naquele que aparecia como terceiro colocado nas pesquisas. Sinceramente, é muito descaramento. (C.N.)


O Cafezinho

 


Lei do silêncio - cabe ao município e a polícia fiscalizar e fazer valer a lei.

 A lei do silêncio e a civilidade

Umberto Luiz Borges D'Urso

Antes de tudo, respeitar o próximo é um dos pilares da cidadania. Quem respeita o vizinho também será respeitado. Lembremo-nos sempre da velha máxima: seu direito acaba no exato ponto em que o do outro se inicia.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

                                             (Imagem: Arte Migalhas)

                                                       

A definição de som, nos dicionários, vai desde ruídos, vibração, o que soa aos ouvidos, até tudo que é captado pelo sentido da audição, mesmo aquilo a que chamamos comumente de "barulho". Barulho, por sua vez, é algo definido como som estrepitoso, rumor, estrondo, agitação barulhenta, algazarra, alvoroço, som muito forte, intenso, estrondo, ausência de ordem, muita confusão, agitação, escarcéu, falta de silêncio, qualquer rumor, ruído, falta de organização, de arrumação, de ordem e presença de bagunça.

Tantas definições, porém, apenas trazem algum significado, mas nunca um alívio, a quem sofre com o barulho dos vizinhos. Em casas que guardam alguma distância entre si, o que se vê cada vez menos em grandes cidades, como São Paulo, o barulho já é suficientemente incômodo; tal sensação se multiplica, exponencialmente, nos grandes prédios de apartamentos ou em condomínios com casas próximas umas das outras. Se alguém inicia uma algazarra, todos, mesmo que não queiram, tornam-se ouvintes e a maioria, claro, sente-se perturbada com isso.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o barulho excessivo pode causar danos à saúde e afetar a qualidade de vida de milhões de pessoas e traz consequências, como dores de cabeça, problemas auditivos, surdez, distúrbio do sono e/ou síndromes metabólicas que, por sua vez, podem levar à obesidade, bem como ao estresse, alterações cardiológicas e déficit cognitivo em crianças.

Ainda segundo a OMS, é importante dividir os níveis de ruído e suas respectivas consequências: até 20 decibéis, temos um índice de barulho imperceptível para a maioria das pessoas; até 50 decibéis, um nível saudável de ruído. De 55 até 65 decibéis, já se diminui o poder de concentração e prejudica-se a produtividade. De 65 a 70 decibéis, é possível provocar alterações significativas no organismo, se em contato com o barulho por médio a longo período. Acima de 70 decibéis, com exposições contínuas, o organismo fica sujeito a estresse degenerativo, além de sofrer possíveis danos à saúde mental.

Pensemos na seguinte situação: a vizinha de cima usa salto dentro de casa ou o morador ao lado tem um cachorro que late o dia inteiro. Do outro lado, o vizinho gosta de ouvir música alta ou toca bateria e o da frente é festeiro. Obviamente, seria muita falta de sorte um morador ter tantos vizinhos desrespeitosos, mas basta apenas um destes para incomodar e acabar com o sossego de muitos. Portanto, viver em condomínios exige mais respeito, sensibilidade e bom senso dos moradores para não entrar em conflito com os vizinhos. Para isso, existem a lei do silêncio e as regras do condomínio, mas nem sempre ambas as normas são suficientes para inibir as desavenças e os desrespeitos.

A lei do silêncio envolve as leis federais, estaduais e municipais, com variações possíveis nos dois últimos âmbitos, estabelecendo limites para a geração de barulhos, estes que podem ser prejudiciais à saúde. Entre os barulhos considerados perturbadores do sossego alheio, estão brigas, gritaria, obras, instrumentos musicais e móveis sendo arrastados.

Na lei federal 10406/02, o inciso IV do artigo 1.336, que trata dos deveres do condômino, afirma que este não pode utilizar o imóvel "de maneira prejudicial ao sossego, salubridade e segurança dos possuidores ou dos bons costumes". O condômino tem direito de usufruir do seu imóvel, mas não significa que pode fazer o que quiser, sem se preocupar com os demais moradores, roubando-lhes o sossego ou até mesmo a segurança, seja física ou emocional. No artigo 1.277, o Código Civil assegura que todo proprietário deve respeitar o direito de sossego e a saúde da vizinhança para a boa convivência. 

A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) estabelece, em sua norma 1051/2019, que "os ruídos em zonas residenciais não devem ultrapassar 55 decibéis no período diurno, entre 7 da manhã e 8 da noite; e 50 decibéis no período noturno, das 20h às 7h". Na lei das contravenções Penais (3.688/41), o artigo 42 prevê multa ou prisão de 15 dias a 3 meses a quem perturbar o sossego ou o trabalho alheio com "gritaria, algazarra, profissão ruidosa ou incômoda em desacordo com o previsto na legislação, abuso de instrumentos sonoros, provocação ou não impedimento de barulho produzido por animal de quem tem a guarda".

Vale comentar que o artigo 54 da lei de Crimes Ambientais é mais severo, ao estabelecer que o agente causador de poluição de qualquer natureza, que provoque danos à saúde humana, estará sujeito à pena poderá de reclusão ou detenção de até cinco anos, além de multa. 

A lei de Zoneamento da cidade de São Paulo estabelece limites de ruídos. Nas zonas residenciais, o nível aceito é de 50 decibéis, entre 7h e 22h; e de 40 decibéis, entre 22h e 7h. Em zonas mistas, moradias e poucas atividades comerciais, é permitido entre 55 e 65 decibéis ente 7h e 22h, e entre 45 e 55 decibéis entre 22h e 7h. Nas zonas industriais, é permitido ruídos entre 55 e 65 decibéis entre 7h e 22h, e entre 55 e 60, das 22h às 7h.

Entendamos o que é decibel. Trata-se da medida usada para medir a intensidade da energia ou onda sonora propagada pelo ar. Como exemplo, temos uma conversa em tom baixo, que gera em torno de 30 decibéis. Em uma biblioteca, é provável encontrar os mesmos 30 decibéis. Já o choro de uma criança pode chegar a 50 decibéis, uma máquina de lavar roupa, a 60; um aspirador de pó, entre 70 e 80 decibéis. Sabemos que a lei do silêncio varia de cidade para cidade, ou de estado para estado, porém, pelo acima detalhado existe um consenso quanto ao barulho médio permitido, que seria de 70 decibéis durante o dia e de 50, à noite.

O regimento interno de um condomínio deve estabelecer limites de ruídos dentro dos apartamentos e nas áreas comuns, mesmo nos horários em que uma maior emissão sonora é permitida. Deve fazer constar, ainda, de modo explícito, as punições para quem ultrapassar os limites, como advertências e multas. O histórico do condômino deve ser levado em conta quando for decidida a punição. É certo que apenas um deslize não deve ser punido com rigor, mas se o morador é frequentemente denunciado por barulho excessivo, é preciso reação mais enérgica.

Para evitar problemas no seu condomínio, recomendamos as seguintes precauções:  em caso de reformas, comunique antecipadamente o seu vizinho e sempre respeite os dias e horários permitidos. Se precisar mudar os móveis de lugar, evite arrastar. Se o móvel for pesado demais para carregar, coloque um pano de chão sob os pés, antes de arrastá-lo. Troque os sapatos de salto pelo chinelo ao entrar no apartamento. Ao ouvir música ou assistir à TV, deixe os equipamentos em um volume razoável. Se for à noite, diminua o volume um pouco mais e, se for possível, use fones de ouvido nos momentos de maior silêncio geral. 

Alguns passos importantes merecem atenção, quanto a atitudes necessárias contra um morador barulhento. Em muitos casos, uma conversa pode resolver. Caso o barulho persista, o síndico deve ser informado e a ocorrência anotada no livro de reclamações do condomínio. Depois disso, se o problema não for resolvido, a administradora condominial deve ser notificada e entrará em cena, com as providências regimentais previstas. Somente após todas essas tentativas, o caso deverá chegar à justiça, pois haverá argumentos e provas suficientes para o sucesso da demanda.

Antes de tudo, respeitar o próximo é um dos pilares da cidadania. Quem respeita o vizinho também será respeitado. Lembremo-nos sempre da velha máxima: seu direito acaba no exato ponto em que o do outro se inicia.

Umberto Luiz Borges D'Urso

Advogado Criminal, mestre em Direito Político e Econômico. Pós-graduado "Lato Sensu" em Direito Penal, em Processo Penal e em Direito. Presidente do Conselho Penitenciário do Estado de São Paulo por quatro gestões. Advogado do escritório D'Urso e Borges Advogados Associados.

: https://www.migalhas.com.br/depeso/358976/a-lei-do-silencio-e-a-civilidade

Nota da redação deste Blog - Na sessão de onter o vereador Sidney sugeriu a elaboraçãode uma " Lei do Silêncio" para quando vaeiculos de som trafegasse em frente as Igrejos em horal de culto desligar o som; acho uma discriminação, (aliás as Igrejas também devem respeitar a Lei do Silêncio) isso porque  tais VEÌCULOS ULTRAPASSANDO os DECIBÉIS PERMITIDOS POR LEI, perturba o silêncio de todos, principalmenet crianças, idosos e doentes.

A chamada popularmente Lei do Silêncio é exercida e legislada pelos órgãos municipais, sendo encontradas nas leis orgânicas municipais e nos códigos de conduta de cada município.

 Conforme o disposto no artigo 229 do Código de Trânsito Brasileiro, como também deverá ser lavrada o BO sobre a perturbação, procedendo-se da mesma forma descrita acima e a condução do infrator agora pelo crime de desobediência, Art. 330 do Código Penal, já que a ordem do servidor foi legal.”

Cabe ao municipío e a Polícia fazer valer a lei.

Petrobras está acéfala e à deriva




Por Míriam Leitão (foto)

A Petrobras ontem era uma empresa à deriva, como resultado de intervenções do presidente da República e das articulações do centrão para dominar o comando da petrolífera. Depois de duas demissões atabalhoadas, o terceiro presidente indicado desistiu, por conflito de interesses. Tudo o que tem acontecido é um caso claro de abuso do poder do representante do acionista majoritário. Bolsonaro triturou todo o sistema de governança da companhia construído lentamente nos últimos anos. Também deve ir para algum livro de recordes o fato de a empresa ser punida, com as demissões dos gestores, mesmo apresentando lucros. Em três anos foram R$ 153,83 bilhões. Só no ano passado foram R$ 106,6 bilhões.

Os minoritários da Petrobras têm uma parcela grande da empresa. Mais precisamente 63,25% do capital total e 49,5% do capital votante. A petrolífera é lucrativa, pagadora de impostos e só no ano passado mandou para o setor público R$ 230 bilhões em dividendos para a União e em impostos pagos ao governo federal, aos estados e municípios. Essa é a única forma pela qual a Petrobras pode fazer política pública, sendo rentável. Assim, a receita que envia aos governos pode financiar os programas sociais. Deixá-la ser capturada por lobbies estranhos à boa gestão e às normas de governança e compliance é a forma de saquear a companhia e contratar o desastre.

No setor de óleo e gás, a indicação de Adriano Pires foi vista como fruto das articulações entre o presidente da Câmara, Arthur Lira, e do ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira. Durante a tramitação da MP que permitiu a privatização da Eletrobras, os três — Lira, Nogueira e Pires — atuaram fortemente em favor da aprovação dos jabutis que encareceram o projeto. Esses itens totalmente estranhos à proposta de privatizar a Eletrobras acabaram aprovados. Eles obrigam a contratação de termelétricas a gás em estados do Norte e Nordeste que estão longe dos centros de produção e consumo. Por trás da manobra, estão os interesses do empresário Carlos Suarez, dono de distribuidoras a gás nesses estados que serão beneficiadas pelo projeto. Suarez é cliente de Adriano Pires na sua consultoria CBIE.

— A meu ver, Lira e Nogueira viram uma oportunidade para controlar a Petrobras, diante da insatisfação de Bolsonaro com Silva e Luna. Mas o lobby ficou tão escancarado que agora eles estão tendo que recuar — disse uma fonte da indústria.

A informação que circula no setor de óleo e gás é que seria difícil a Adriano Pires tanto fechar a sua consultoria, que havia sido assumida pelo filho, quanto fazer a lista dos clientes. Só da Abegas ele receberia, segundo essas fontes, mais do que o salário de presidente da Petrobras. A lista dos clientes e os valores mostram um conflito de interesses tão claro que chegou a surpreender quem acompanha o caso de perto.

Muito pior é o caso do presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, que tem relações de sociedade com o empresário Carlos Suarez. A Petrobras seria administrada por lobistas e por um sócio de uma empresa que depende da Petrobras para alavancar seus lucros e com interesses conflitantes com os da maior estatal do país. Mesmo assim, ontem o presidente Bolsonaro passou parte do dia aboletado na estatal, tentando reverter a desistência de Adriano Pires, que acabou formalizada, como antecipou a colunista Malu Gaspar, do GLOBO.

A Petrobras deve se tornar em breve a quarta ou a quinta maior exportadora de petróleo do mundo. Isso se não for tragada pelos lobbies ou pela má gestão. O que a gestão deveria estar pensando agora é como deve fazer sua transição energética. Ela está muito atrasada nesse ponto, sua produção se concentra em óleo e gás, quando outras petrolíferas já se transformaram em empresas de energia, exatamente porque a tendência é caminhar para o crescimento de energia não fóssil.

Em vez de pensar nesse futuro, a Petrobras viu o presidente Roberto Castello Branco ser fritado, exposto e demitido por Bolsonaro. E um tempo depois viu o mesmo enredo repetido com o general Joaquim Silva e Luna. O militar saiu deixando clara a sua insatisfação em entrevistas a diversos órgãos de imprensa. Como tenho dito aqui, tudo o que aconteceu na Petrobras no governo Bolsonaro fere a Lei das Estatais, a Lei das S/A, o estatuto da empresa e todas as normas de governança.

O Globo

Marcos Montes: mineração em terras indígenas é estratégica para fertilizantes

 




O ministro da Agricultura, Marcos Montes, disse nesta terça-feira, 5, à bancada ruralista que a exploração mineral de terras indígenas para fertilizantes é estratégica. "Eu disse aos parlamentares que precisamos tratar exploração mineral em terras indígenas com foco estratégico e fertilizante é mineral estratégico", afirmou Montes à imprensa após a sua primeira participação na reunião-almoço semanal da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Montes disse que "fica feliz" com o possível avanço do projeto de lei 191/2020 na Câmara dos deputados, que trata da mineração em terras indígenas. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), indicou recentemente que pode colocar o projeto em votação na próxima semana. "Fico feliz com a posição do presidente. Se votar semana que vem, será uma matéria muito importante a ser analisada. Temos que ter cuidado em analisar essa matéria. É delicada", observou.

Segundo ele, falta esclarecer à comunidade indígena sobre a forma dessa exploração e rentabilidade pois, na sua avaliação, os grupos indígenas ainda não entenderam o projeto. "Acho que o que a frente tem feito é montar estratégia que possa defender a comunidade indígena que não seja usada de forma ideológica nefasta", afirmou.

Montes classificou a exploração de minerais para fertilizantes como "interessante". Segundo ele, a atividade devolverá "dignidade, receita e renda de forma gradativa à comunidade indígena". O ministro citou, como exemplo, o funcionamento de exploração de minerais em terras indígenas no Canadá e a rentabilidade que as tribos daquele país recebem deste trabalho. "Fertilizante é mineral estratégico e sabemos da necessidade para alimentar o mundo. É questão de segurança alimentar", defendeu o ministro, destacando que o Plano Nacional de Fertilizantes mostra que a região da Amazônia tem "potencial enorme" de exploração de minerais.

Também presente na coletiva de imprensa, o presidente da FPA, deputado federal Sérgio Souza (MDB-PR), afirmou que a frente chamou o serviço geológico do país para ter embasamento técnico de dados sobre a viabilidade e abrangência de exploração mineral em terras indígenas para produção de fertilizantes. "Pensamos em forma de redução do custo de produção e otimização desse país. Até ontem explorar potássio aqui não era viável. Agora (com aumento do preço do adubo) se tornou viável, mas temos alguns entraves como licenciamento ambiental, cabotagem", pontuou.

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Montes também comentou sobre a finalização do Plano Safra 2021/22, que encerra no fim de junho, e a elaboração do Plano Safra 2022/23, com vigência a partir de 1º de julho. Ele destacou que a prioridade da pasta no momento é destravar mais de R$ 800 milhões em recursos para o plano safra atual. "Estamos terminando de trabalhar para o encerrar o plano safra 2021/22 junto com o Ministério da Economia. Houve defasagem em virtude da alta dos juros. É praticamente certo que o PLN 1/22 deve ser votado nos próximos dias", destacou, citando o Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN) 1/2022 que prevê suplementação de R$ 868,5 milhões para equalização de taxas do Plano Safra atual. "Depois pensaremos no plano safra 2022/23. Acredito que em mais 30 a 40 dias devemos avançar bastante. Ele terá de ser robusto, porque o momento é difícil", observou.

Souza também declarou o "apoio incondicional" da bancada ao novo ministro. "Reafirmamos o compromisso de dar estrutura técnica, política e apoio incondicional que Marcos Montes precisará à frente do ministério da Agricultura. Não temos nenhuma dúvida que o ministro Marcos Montes tem as mesmas ideias e objetivos que nós temos aqui na FPA", observou. Conforme ele, os parlamentares e o novo titular da pasta debateram temas como segurança alimentar, plano safra atual e próximo, combustíveis e mineração.

Estadão / Dinheiro Rural

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