segunda-feira, janeiro 10, 2022

Elizabeth Holmes: a 'cultura de fingimento' que favorece escândalos no Vale do Silício

 




Elizabeth Holmes, que chegou a ser comparada com Steve Jobs e ter sua empresa avaliada em US$ 9 bilhões, foi condenada por fraude

Por James Clayton

Durante anos, Elizabeth Holmes foi a queridinha do Vale do Silício e uma pessoa acima de qualquer suspeita.

A Theranos, start-up fundada por ela, atraiu centenas de milhões de dólares em investimentos.

Só que a empresa se sustentava em uma ciência fantasiosa. A tecnologia produzida pela Theranos - de supostamente testar centenas de doenças a partir de uma gota de sangue - parecia inacreditável. E era.

Milhões de dólares foram desperdiçados no processo, e usuários dos testes de sangue, incluindo um paciente com câncer, disseram ter sido vítimas de diagnósticos equivocados.

Agora, anos após o colapso da Theranos, Holmes foi condenada pela Justiça da Califórnia, por fraude eletrônica e conspiração para fraude.

Olhando de fora para dentro do Vale do Silício, a história de Holmes parece não fazer sentido. Como é possível que tantas pessoas tenham sido iludidas?

No Vale do Silício, muitos creem que a Theranos está longe de ser uma aberração e representar problemas sistêmicos com a cultura de start-ups.

'Fingir até chegar lá'

No Vale do Silício, gerar interesse em torno de seu produto - ou exagerar nas promessas - não é incomum, e Holmes era particularmente boa nisso.

Ex-aluna da Universidade de Stanford (faculdade que não chegou a concluir), ela era articulada, confiante e eficaz em apresentar sua visão - ou missão, como ela chamava - de revolucionar diagnósticos médicos.

Especialistas mais céticos diziam que sua ideia era apenas isso - uma ideia - e não funcionaria.

Mas ela projetava uma confiança inabalável de que sua tecnologia mudaria o mundo.

"É algo inserido na cultura", afirma Margaret O'Mara, autora de The Code: Silicon Valley and the Remaking of America (em tradução livre, "O Código: Vale do Silício e a Reinvenção da América").

"Se você é uma start-up em desenvolvimento - com um produto que ainda mal existe -, uma certa quantidade de molejo e agitação é esperada e encorajada", explica.

Particularmente nos estágios iniciais da start-up, investidores geralmente estão de olho nas pessoas e suas ideias, mais do que na tecnologia em si. A sabedoria convencional reza que a tecnologia eventualmente chegará com o conceito certo - e as pessoas certas.

Holmes era brilhante em vender seu sonho, exercitando uma prática comum no Vale do Silício: "Finja até chegar lá", até alcançar o estágio desejado (em inglês, "fake it until you make it").

O problema é que ela não conseguiu fazer a tecnologia funcionar. Seus advogados argumentam que Holmes era uma mera mulher de negócios que fracassou, mas não uma fraudadora.

Mas, no Vale do Silício, é tênue a linha entre a fraude e a mera cultura de fingimento.

"Theranos foi um sinal de alerta de uma mudança cultural no Vale do Silício, que permitiu que pilantras e promoters prosperassem", afirmou o investidor Roger McNamee, que não investiu na empresa e é um crítico das grandes empresas de tecnologia.

Ele acredita que a cultura de segredos e mentiras no Vale do Silício, a qual permitiu que a Theranos seguisse adiante sem passar por escrutínio, é "totalmente endêmica".

A ambição pode ser positiva: prometer um futuro próspero e tentar concretizar essa visão é o que levou à criação de itens como computadores e smartphones.

Mas, para investidores, tentar distinguir entre charlatões e revolucionários é um desafio constante, que pode significar enriquecimento ou perda de dinheiro.

Em agosto de 2021, Manish Lachwani, presidente e fundador da HeadSpin, start-up de telefonia, foi preso sob acusação de fraudar investidores.

'Vale do Silício tem cultura de inovação com ingredientes potencialmente problemáticos: segredos, acordos de confidencialidade, muito "hype" e pouca transparência'

Segredos

Propriedade intelectual é algo bastante protegido no Vale do Silício. A "receita de sucesso" de uma empresa costuma ser o que lhe dá valor, e empresas jovens de tecnologia são especialmente sensíveis a terem suas ideias roubadas ou copiadas.

O segredo é importante para essas empresas terem sucesso - mas a cultura em torno disso também pode ser usada como cortina de fumaça, particularmente quando empregados e investidores não entendem (ou não tem acesso à) tecnologia envolvida.

Foi o que aconteceu na Theranos. Jornalistas, investidores, políticos ou quem quer que fosse ouviram da empresa que a ciência por trás dos exames médicos existia. No entanto, quando a empresa era questionada a respeito dos meandros de sua tecnologia, dizia que se tratava de um segredo que não poderia ser plenamente explicado, analisado ou testado.

A rede farmacêutica Walgreens, um grande cliente da Theranos, ficou exasperada com a falta de informação dada pela empresa a respeito de como seus exames funcionavam.

Há muitas empresas no Vale do Silício que não explicam com precisão sua tecnologia, alegando que seus sistemas não podem ser revelados ou revisados por cientistas de fora.

O sistema é baseado na confiança, o que cria o ambiente perfeito para escândalos como o da Theranos.

'Táticas da CIA'

Um sistema que põe tanta ênfase no segredo requer advogados, muitos deles. Afinal, as empresas não querem que seus funcionários levem ideias embora. Acordos de sigilo (NDAs, na sigla em inglês) são endêmicos no mundo das start-ups, mesmo nas empresas que não são de tecnologia.

Isso dificulta a ação de eventuais informantes, que possam contar os meandros dos negócios no caso de estes terem irregularidades.

No caso da Theranos, depois que a empresa colapsou, funcionários relataram terem sofrido intensa pressão para recuar de comentários públicos negativos ou para se calar. A empresa contratou advogados agressivos, caros e ativos para proteger sua reputação.

Não é algo incomum no Vale do Silício, afirma Cori Crider, do Foxglove, grupo que ajuda informantes a virem a público.

"Passei mais de uma década trabalhando em segurança nacional (nos EUA), e com frequência vejo esse pessoal do Vale do Silício usar táticas do manual da CIA nessas questões", ela diz.

"Eles amedrontam as pessoas e as fazem pensar que não têm o direito de trazer à tona questões legítimas."

No caso de fundadores ou executivos-chefes estarem sendo desonestos a respeito de seu produto, é preciso que funcionários tenham a possibilidade de soar o alarme. E, muitas vezes, eles não se sentem confortáveis para fazer isso.

'Rupert Murdoch foi um dos investidores da Theranos'

Ingredientes para um escândalo

Parece fácil esquecer que muitos investidores olharam para a Theranos e deixaram de lado a ideia de investir na empresa - em especial, os investidores com conhecimento de cuidados em saúde.

Já entre os investidores mais conhecidos da empresa estão pessoas e grupos de fora dessa área, como o magnata da mídia Rupert Murdoch.

Investidores com capital comumente decidem colocar seu dinheiro partindo da presunção de que os investidores iniciais fizeram a lição de casa ao avaliar a tecnologia da start-up em questão.

"Eles meio que levam em conta a validação desses terceiros", afirma O'Mara.

Mais uma vez, é um sistema baseado na confiança - investidores que entram depois confiam que os investidores iniciais sabiam o que estavam fazendo. O problema é que, com tanto dinheiro circulando, isso não é uma garantia.

No fim das contas, a Theranos foi pega. Em 2015, uma investigação do jornal The Wall Street Journal apontou que a Theranos só usava a tecnologia própria em uma minoria dos exames diagnósticos que realizava - e que a máquina de diagnóstico da empresa apresentava resultados inconsistentes, segundo ex-funcionários.

Na época, a empresa era avaliada em US$ 9 bilhões, prometia testes diagnósticos de 240 tipos - de colesterol a câncer -, e Elizabeth Holmes era comparada ao fundador da Apple Steve Jobs.

Com tantas empresas no Vale do Silício oferecendo ideias supostamente novas e revolucionárias em campos menos regulados que o da saúde, o escrutínio é menor do que no caso da Theranos.

Hoje, a cultura do "finja até chegar lá" permanece viva e vigente - e o mesmo pode ser dito da cultura de segredos e uso agressivo de acordos de confidencialidade para empregados.

É um modelo que tem vantagens, ao ajudar a fomentar empresas extremamente valiosas e inovadoras. Mas que também tem todos os ingredientes para levar a novos escândalos semelhantes ao da Theranos.

BBC Brasil

O marketing é um retrocesso para a espécie e deveria parar de mentir

 




O Homo sapiens sem uma cognição aguçada é como um pássaro com a asa quebrada. 

Por Luiz Felipe Pondé (foto)

Se uma propaganda vende pra você um carro e faz você sentir que, comprando este carro, pode ir a uma cachoeira de difícil acesso —no caso de um carro ter tração nas quatro rodas—, ela não está mentindo. Mas se um comercial de banking diz que se você abrir uma conta no banco X, você será o tipo de jovem que deixará "sua marca no mundo", ele está mentindo.

Qual a diferença entre um comercial e outro? Por que um deles mente e o outro não?

A diferença está no alcance da promessa. Alcançar cachoeiras difíceis é algo de pequeno impacto na percepção que alguém tem de si mesmo, da sua vida, da sua personalidade e das suas expectativas.

Quando dizemos a um jovem que ele, comprando um produto X, deixará uma marca no mundo, estamos mentindo sobre seu futuro: quase zero por cento da humanidade deixa alguma marca no mundo —algumas delas péssimas—, ao passo que embutir essa expectativa como estilo de vida tem um custo altíssimo em termos do cotidiano que alguém vive.

Parte da pré-história e da história da nossa espécie foi gasta num esforço descomunal para fazermos a diferença entre realidade e fantasia, por motivos, principalmente, de sobrevivência. Mas essa questão da sobrevivência nos escapa da consciência hoje.

Por exemplo, nossos ancestrais, idênticos a nós, passaram quase o tempo todo de suas vidas com fome e hoje as maiores frescuras do mundo se relacionam a comida. Só a fartura sustenta a frescura com alimentação.

Quando o mundo faz a guinada que está fazendo, e o marketing assume a liderança das narrativas, assumimos que existem em nós super-heróis, mitos, deuses e deusas, demônios e efeitos sobrenaturais, o que, evidentemente, não existe. Brincamos com danos psicológicos e sociais empacotados ​pra presente. O marketing é um retrocesso cognitivo na evolução da espécie. O Homo sapiens sem uma cognição aguçada é como um pássaro com a asa quebrada.

No momento em que o marketing se fez disciplina existencial, passando a vender estilos de vida, identidades sexuais e outras, valores morais, projetos políticos —aqui a mentira é facilmente detectada para quem tem olhos pra ver— e significados para a vida, ele passou a se constituir numa percepção de realidade de alto risco, estragando a capacidade de fazermos a diferença entre fato e ficção. É como se o mundo fosse um eterno Carnaval em que a Quarta-Feira de Cinzas nunca chega.

O capitalismo avançado apenas quer vender. Tendo saturado as sociedades ricas de produtos materiais, ele passa a vender produtos imateriais, e, com esse passo, ele opera uma ruptura metafísica, digamos, em que optamos por viver num mundo em que nós mesmos somos mera ficção —a melhor ficção possível, claro, mas nem por isso, menos irreal.

Todas as realidades psíquicas passam pelo crivo da fantasia e saem do outro lado como a "melhor versão de mim mesmo". Mentira. Posso me reinventar. Mentira. Deixarei minha marca no mundo. Mentira. A prosperidade é uma questão de assertividade. Mentira: a esmagadora maioria foi, é e continuará sendo pobre.

A maior chance é que você envelhecerá só e que terá tido uma vida absolutamente irrelevante, se a sociologia estiver certa. O arquétipo da mentira aqui é que você seja uma pessoa diferente, especial, única. Mentira. Você é apenas banal. Esse arquétipo tem a parceria dos pais, que são os primeiros a comprar o marketing de "deixar uma marca no mundo".

Muitos profissionais da área não têm a mínima ideia de tudo isso porque a formação é muito fraca. Munidos de teorias psicológicas miseravelmente comportamentais, reforçam apenas os mecanismos fantasiosos na relação com a realidade e com nós mesmos. Com a entrada do digital, o processo eleva sua agressividade mitológica ao nível da vida privada como mercadoria e do sujeito como commodity.

Por outro lado, o marketing poderia ser de fato "disruptivo" e elevar o nível da reflexão, como alguns profissionais têm tentado, e parar de mentir. Muitos adultos estão ávidos por pessoas que mintam menos para eles. Estão cansados de serem tratados como retardados mentais.

Folha de São Paulo

Países destroçados por guerras apostaram na educação




É a "esperança de redenção"

Por Vilma Gryzinski (foto) 

Você está preparado para as platitudes que os candidatos vão falar sobre educação, se se derem ao trabalho, lá pelo fim dos discursos que desafiarão nossas paciências neste ano? Um bom treinamento pré-eleitoral para os brasileiros com senso de honra pode ser colocar como tela de fundo de seus celulares os resultados do PISA, a pesquisa sobre educação feita pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. Em termos educacionais, o 66º lugar do Brasil, num total de 77 países, é o equivalente à “fila dos ossos”, o colar de humanos desvalidos à espera de restos de açougue que aflorou em cidades brasileiras. 

A classificação é de 2018 — o PISA 2021 foi postergado por causa da pandemia. Nos cinco lugares acima do Brasil estão Peru, Bósnia, Azerbaijão, Cazaquistão e Colômbia. Para não nos desesperarmos, e buscarmos lições valiosas, é bom olhar também para vários dos melhores classificados e lembrar que já foram países miseráveis, subdesenvolvidos, destroçados por guerras ou esmagadoramente analfabetos — quando não tudo isso junto.

Singapura, que aparece ora em primeiro, ora em segundo lugar nos indicadores mundiais de educação, era um dos lugares mais atrasados do mundo e, apesar da localização estratégica como porto e entreposto comercial, desmerecido até pelos colonizadores ingleses. Gradualmente povoada por agricultores chineses trazidos para trabalhar no cultivo da pimenta-do-reino, tinha o potencial de conflito com a população original, de etnia malaia, e recursos zero em um território equivalente à metade da cidade de São Paulo. Criou um sistema educacional tão sofisticado, com um currículo voltado para a matemática e a ciência, que professores de ensino médio ganham o equivalente a 90 000 dólares por ano — isso depois de passar por um concurso disputadíssimo, reflexo da valorização reservada aos educadores, típica das sociedades asiáticas influenciadas pelo pensamento confuciano, onde os detentores do saber ocupam o topo da escala social.

A Coreia do Sul é outro país asiático que deu um salto inacreditável, indo da ocupação japonesa e de uma devastadora guerra desfechada pelos comunistas do norte para mais de 70% da população entre 25 e 34 anos com educação superior. Desde 1990, o orçamento para a educação quintuplicou, mas corresponde a apenas 3,4% do PIB — no Brasil, são 6%. O incentivo familiar é tão competitivo que o governo proibiu aulas particulares depois das 10 da noite. Fora da esfera asiática, há fenômenos como a Estônia, um país báltico de 1,3 milhão de habitantes — pouco menos que o número de militares russos, cuja invasão os estonianos passam o tempo todo temendo —, que ficou em quinto lugar no PISA. 

A Polônia, em 11º — uma posição à frente do Reino Unido, o país onde mais de 1,5 milhão de poloneses foram procurar trabalho depois da era soviética. Aos que os menosprezavam como incultos, podem exibir com orgulho o salto educacional que deram. Devido às diferenças históricas e culturais, muitas experiências dos que “viraram” as condições de ensino são intransferíveis, mas isso não elimina a pergunta principal: se países que vieram de condições tão desfavoráveis conseguiram, por que não conseguiremos também? Ou nos resignamos a deixar nossas crianças e nossos jovens eternamente na fila dos ossos?

Revista Veja

Moradores de Tianjin fazem fila para realizar o teste de covid

 




Moradores de Tianjin fazem fila para realizar o teste de covid

A cidade portuária chinesa de Tianjin pretende testar seus 14 milhões de moradores nas próximas 48 horas após a descoberta de um novo foco de Covid.

As pessoas que vivem na cidade foram aconselhadas a ficar em casa até obter o resultado do teste. Elas devem apresentar um laudo negativo para poder acessar alguns serviços, como o transporte público.

Dos 20 casos descobertos, dois são da variante Omicron, altamente transmissível.

A China está buscando uma política de Covid zero, que visa erradicar a doença na comunidade.

Em contraste com outras partes do mundo, que se abriram após as campanhas de vacinação, a China respondeu a um pequeno número de casos locais com testes em massa e bloqueios rígidos.

Essa política sanitária provavelmente ficará sob pressão por conta do Ano Novo Lunar em 1º de fevereiro, quando milhões de pessoas normalmente viajam para visitar amigos e familiares. Além disso, as Olimpíadas de Inverno começam alguns dias depois dessa celebração. A preocupação se dá pelo fato de que o evento esportivo atrairá pessoas do mundo inteiro para o país. A cidade-sede de Pequim fica a apenas 115 km de Tianjin.

Os organizadores das Olimpíadas criaram um "circuito fechado", no qual os participantes dos jogos só podem sair desta área restrita se fizerem quarentena. Os residentes de Pequim foram aconselhados a evitar compartilhar veículos usados para transportar pessoas que estejam indo ou voltando dos jogos, relata a agência de notícias Reuters.

Em Tianjin, há grandes filas de pessoas esperando para fazer o teste de covid.

A resposta fica aquém das medidas mais rígidas vistas nas cidades de Xi'an e Yuzhou, que estão fechadas.

A cidade de Xi'an decretou lockdown desde o final de dezembro de 2021 e os moradores da região foram obrigados a ficar em casa. Eles estão proibidos até mesmo de sair para fazer compras de itens essenciais.

Os moradores locais reclamaram que o abastecimento de alimentos está acabando. Alguns deles estão, inclusive, trocando produtos entre si.

BBC Brasil

O PT não sabe o que é cidadania - Editorial




Sem propor caminhos para o desenvolvimento econômico e social, partido ataca um dos principais avanços obtidos nos últimos anos: a reforma trabalhista aprovada em 2017

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem mostrado que o PT não deseja lidar com seu passado. Não aprendeu com os escândalos de corrupção dos governos petistas – o mensalão e o petrolão seriam mera invenção da oposição –, tampouco com os erros da política econômica lulopetista. Nesse diapasão, a gestão de Dilma Rousseff é ignorada pelo discurso do partido. É como se não tivesse existido, tal como não teriam existido o mensalão e o petrolão. Tudo seria intriga da oposição.

Mas a tática do PT não se resume a tentar esquecer o passado, como se agora as propostas para o futuro fossem diferentes. Lula tem deixado claro que segue com as mesmas ideias equivocadas para o País. Sem nenhum rubor, explicita que parou no tempo, incapaz de reconhecer não apenas os erros lulopetistas, mas a própria realidade. Recentemente, Lula e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, defenderam a revisão da reforma trabalhista aprovada pelo Congresso durante o governo de Michel Temer.

A atitude lulopetista chega a ser perversa com a população. Além de não propor caminhos para o desenvolvimento econômico e social do País, o PT ataca um dos principais avanços obtidos nos últimos anos. Trata-se de explícita defesa do retrocesso.

A reforma trabalhista do governo de Michel Temer é um marco jurídico sofisticado, de raro equilíbrio social e econômico. Regular acertadamente as relações de trabalho é um dos grandes desafios do mundo contemporâneo, tanto pelas inovações tecnológicas que transformam continuamente o mercado de trabalho como pelas mudanças da própria população, com o aumento da expectativa de vida, o novo enquadramento das funções sociais do homem e da mulher na família e no ambiente de trabalho, etc.

Além disso, o tema trabalhista tinha no País contornos especialmente dramáticos, por força de um desequilíbrio interpretativo que se foi instaurando na aplicação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Pois bem, a Lei 13.467/2017 foi capaz de atualizar a legislação trabalhista, desfazendo rigidezes e promovendo novos equilíbrios, sem eliminar direitos dos trabalhadores.

A reforma trabalhista aprovada pelo Congresso em 2017 não guarda nenhuma simetria com as ideias simplistas (e equivocadas) do governo Bolsonaro, que vê nos direitos trabalhistas apenas entraves a serem removidos o mais depressa possível. Capitaneada por Paulo Guedes, a proposta do governo federal revela uma brutalidade darwinista e uma profunda limitação de visão, com um diagnóstico binário sobre as relações de trabalho.

Fruto de longo trabalho de estudo e negociação no Congresso, a Lei 13.467/2017 tem outra sistemática e outra proposta. Sem extinguir direitos, proporcionou mais liberdade e flexibilidade nas relações de trabalho, além de ter removido algumas excrescências do sistema jurídico nacional, como era o caso da contribuição sindical obrigatória. Antes da reforma trabalhista, o trabalhador era obrigado a destinar um porcentual do seu salário aos sindicatos, o que, além de ferir a liberdade de associação prevista na Constituição, distorcia a função de representação que essas entidades devem exercer.

A resistência de Lula à reforma trabalhista de 2017 não é, portanto, um aspecto acidental, uma incompreensão pontual, por assim dizer. Ela expõe, uma vez mais, a grande fissura que sempre existiu entre o discurso do PT em defesa dos direitos dos trabalhadores e a realidade da legenda, que desde suas origens priorizou os interesses dos sindicatos e das lideranças sindicais. Não há como tapar o sol com a peneira. Quem está verdadeiramente do lado dos trabalhadores não pode ser contrário ao fim da obrigatoriedade da contribuição sindical.

Assim como todo o Direito, a legislação trabalhista deve proporcionar, por meio de uma regulação adequada das relações sociais, autonomia e liberdade. Não é barbárie ou anarquia, como também não é cabresto ou sujeição. Essa dimensão de cidadania não faz parte da história do PT e, pelo visto, nem do seu futuro. Lula continua o mesmo de sempre.

O Estado de São Paulo

Mais um ano para Bolsonaro piorar




Ele conseguiu nomear um ministro da Saúde pior que Pazuello, atrasou a vacinação de crianças e poderá superar-se em 2022

Por Rolf Kuntz 

Superação é a marca mais notável do assim chamado governo de Jair Bolsonaro. O médico Marcelo Queiroga é pior que o general Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde. O ministro da Educação, Milton Ribeiro, é tão incompetente quanto seu antecessor, mas avançou um passo, ao proibir a exigência, nas universidades federais, do comprovante de vacina. Teve de recuar, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), mas poderá atacar de novo, a qualquer momento, se for açulado por seu chefe. O próprio Bolsonaro lidera a conquista de novos patamares de irresponsabilidade e barbárie. Em 2020, atrasou e dificultou a vacinação de adultos contra a covid-19, negando proteção a milhares de vidas. Sua nova façanha, mais sinistra, foi retardar a imunização de crianças de 5 a 11 anos – desprezando parecer da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – e, ainda, incitar seus seguidores contra funcionários da agência. Mais lances macabros poderão surgir nos próximos meses, no sombrio cenário econômico e político previsível para um ano de intensa disputa eleitoral.

O alerta mais estridente partiu dele mesmo no início do ano passado. Algo parecido com a invasão do Congresso americano, em 6 de janeiro de 2021, poderia ocorrer no Brasil, em 2022, avisou Bolsonaro. Várias foram as ameaças golpistas insinuadas por ele, em sua campanha contra o voto eletrônico. Palavras ameaçadoras também foram dirigidas ao STF, especialmente aos ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. Depois das manifestações antidemocráticas de 7 de setembro, houve uma declaração de trégua, aconselhada pelo ex-presidente Michel Temer. Mas seria imprudência levar a sério esse aparente recuo. Para isso seria preciso desconsiderar três anos de manifestações autoritárias e personalistas, voltadas principalmente para os interesses individuais e familiares do chefão do Executivo.

Bolsonaro jamais assumiu de fato as funções e responsabilidades presidenciais, mas nunca deixou de proclamar seu poder de mando. Como grande mandachuva, interveio na publicidade do Banco do Brasil, deu palpites nos preços da Petrobras, desarticulou a proteção ambiental, ofendeu parceiros comerciais do País, desprezou o Mercosul e devastou os Ministérios da Educação e da Saúde.

Dificilmente alguém terá esquecido, mas vale a pena lembrar: diante da pandemia, o presidente desprezou a ciência, defendeu o uso de drogas sem eficácia – e até perigosas para alguns pacientes – e conclamou os brasileiros a se expor ao contágio, em busca de uma suposta imunidade de rebanho. Ele desprezou a mortandade, negou ser coveiro e recusou tratar do assunto com a imprensa. Foi fiel a seu currículo, na quinta-feira passada, quando negou saber de mortes de crianças causadas pela pandemia e questionou os interesses de quem defende a vacinação do público infantil.

Segundo dados oficiais, 301 crianças com idades entre 5 e 11 anos morreram de covid-19 até 6 de dezembro. Nenhuma outra doença prevenível por vacina causou tantas mortes nessa faixa de idade, nesse período, de acordo com especialistas. Se Bolsonaro conhecia esses dados, mentiu. Se os desconhecia, foi por negligência, por mau assessoramento ou pelos dois fatores, frequentemente combinados em sua desastrosa carreira presidencial.

Mais uma vez, Bolsonaro aproveitou a divergência para atacar os técnicos da Anvisa, questionando seus propósitos. “Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual o interesse daquelas pessoas taradas por vacina? É pela sua vida? É pela saúde? Se fosse, estariam preocupados com outras doenças no Brasil, e não estão.”

Um discurso como esse justificaria a destituição do síndico de um prédio. Mas é insuficiente, no Brasil de hoje, para derrubar um presidente conhecido por seu desprezo à saúde e à vida, direitos consagrados internacionalmente e reconhecidos na Constituição. Talvez isso mude, nos próximos meses, se ele continuar afundando nas pesquisas, mas qualquer previsão, neste momento, é muito insegura. Basta pensar na presidência da Câmara, nos aliados moralmente próximos de Bolsonaro, no padrão atual da Procuradoria-Geral da República e nas possibilidades de atendimento ao Centrão, faminto devorador de verbas.

Por enquanto, a neutralização de Bolsonaro como desgraça nacional parece depender principalmente dele mesmo. A lista de crimes elaborada pela CPI da Covid e por juristas só produzirá efeitos quando ele se tornar um peso excessivo para seus apoiadores. Devem contribuir para isso a inflação acelerada, o desemprego elevado, o empobrecimento e a estagnação econômica prevista para 2022. Ainda assim, ele poderá resistir até a eleição.

Neste caso, se nenhuma grande estupidez for cometida por outros candidatos, ele talvez caia antes do segundo turno. Mas o País terá de suportar suas barbaridades, incluídas, talvez, novas manobras golpistas, até o fim do ano. Não há como desprezar a capacidade bolsonariana de autossuperação para pior. Todos devem ficar atentos também às crianças de menos de cinco anos.

O Estado de São Paulo

EUA alertam Irã sobre graves consequências caso ataque americanos

 




Americanos foram vítimas de sanções pela morte do general Soleimani

Por Doina Chiacu 

Washington - O Irã enfrentará graves consequências em caso de ataque a americanos, disse a Casa Branca neste domingo (9), incluindo qualquer um dos que sofreram sanções de Teerã pela morte do general Qassem Soleimani em 2020, após ataque de drones.

O conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, disse que as sanções do Irã nesse sábado (8) foram aplicadas ao mesmo tempo em que as milícias de Teerã atacam tropas americanas no Oriente Médio.

"Trabalharemos junto aos nossos aliados e parceiros para deter e responder a qualquer ataque realizado pelo Irã", disse Sullivan em comunicado.

"Se o Irã atacar qualquer um de nossos cidadãos, incluindo qualquer uma das 52 pessoas que sofreram sanções ontem, enfrentará graves consequências."

Ontem, o Irã impôs sanções a dezenas de americanos, muitos deles do Exército dos EUA, pelo assassinato de Soleimani em 2020.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que 51 americanos foram implicados em "terrorismo" e violações dos direitos humanos. A medida permite que as autoridades iranianas apreendam quaisquer ativos que eles tenham no Irã, mas a aparente ausência desses ativos significa que provavelmente a punição foi simbólica.

Não ficou claro por que a declaração de Sullivan se referia a 52 pessoas, enquanto Teerã disse ter aplicado sanções a 51.

Reuters / Agência Brasil

As obstruções não param

 




Desviar resultado da CPI é permitir crimes contra a população

Por Janio de Freitas (foto)

A obstrução mental de Jair Bolsonaro não o impede, como a outra, de expelir suas produções repulsivas. Foi assim que, abalado ainda por uma das obstruções —a que o pôs em pânico e em prantos pelo medo de estar morrendo— retomou as falas incisivas contra a vacinação preventiva da Covid em crianças e suas consequências, já avançada mundo afora. A razão que outra vez liberou sua voracidade homicida só pode estar no apagamento aplicado às conclusões da CPI da Covid.

A proteção assegurada desse modo a Bolsonaro por Augusto Aras, procurador-geral da República, contém, no entanto, duas contradições. Uma, óbvia, está na finalidade de (também) obstrução da Justiça por parte de quem deve combater esse recurso criminoso.

A segunda vem de Bolsonaro contra Bolsonaro: suas falas antivacinação infantil confirmam de viva voz as conclusões sobre sua perversidade intencional, as determinações aos vassalos Pazuello e Queiroga, a indução de tratamento impróprio. E, sinal definitivo logo ao início, a dispensa e depois, como agora, a protelação da compra de vacinas.

Por si só, esse novo capítulo da obra homicida de Bolsonaro seria suficiente para ações no Tribunal Internacional, na Corte de Direitos Humanos da OEA quando Luis Almagro for retirado de lá e na Comissão de Direitos Humanos da ONU. Mesmo que o Judiciário brasileiro venha a deixá-lo em paz com seus atos mortíferos, a cada é dia mais improvável que Bolsonaro e asseclas passem por inocentes, e livres de problemas, no exterior.

Mas tal probabilidade não decorre, como substituta, da atitude de Augusto Aras. Nesta surgiu o ponto de partida da pregação e da inoperância governamental comprometidas na situação de crianças indefesas, dezenas de milhões, ao adoecimento e demais riscos por falta do principal preventivo. Nem as esperáveis represálias internacionais atenuam o dever do Supremo de encarar a conduta de Aras com o rigor requerido pela gravidade.

Para não instaurar de imediato o inquérito subsequente à CPI, Aras pretextou a necessidade de investigações preliminares. Era, porém, o que já estava em suas mãos, nas conclusões da CPI, e aí levadas até muito adiante. O Supremo não endossou o desvio. Nem por isso a tramitação do caso tomou o rumo e o ritmo próprios de qualquer caso. E nesse mais prementes, por se voltar para quase 630 mil mortes, além das incontáveis subnotificações.

Silenciar ou desviar o extraordinário resultado da CPI consiste não só em impunidade, mas também em permissividade para a continuação de crimes contra a população. É o que fazem Bolsonaro, o ex-médico Marcelo Queiroga e o engavetador-mor Augusto Aras, três aventureiros do cinismo e da exploração criminal do Estado e dos poderes de governo.

Os prazos fixados pelo Supremo, para certas medidas de Bolsonaro e do Ministério da Saúde, foram um começo. Não o necessário em respeito às instituições ultrajadas por práticas criminosas, como provado pela CPI. E em igual respeito aos pais e mães, filhos, netos e avós, cientistas, médicos e enfermeiros, escritores e músicos, trabalhadores de todos os trabalhos, atingidos pela mortandade a que foi juntado, sim, um genocídio —ainda não cessado e agora dirigindo-se a crianças.

É puro ouro

O general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional, anulou suas sete autorizações para garimpo de ouro em áreas preservadas do Amazonas e onde vivem dezenas de povos indígenas. Assim justificou o recuo: "Considerando as novas informações técnicas e jurídicas, apresentadas diretamente ao GSI", e segue.

A justificativa é falsa —velha característica das justificativas de Augusto Heleno.

Nada gerou informação nova sobre a área. Ou Augusto Heleno presenteou as concessões apesar do que sabia a respeito da área e dos privilegiados, ou as fez sem saber mais do que os interesses a serem agraciados. Nas duas hipóteses, cometeu prevaricação. Mais uma delinquência.

A anulação se deu, meio às pressas, em vista da decisão de Lucas Furtado, um procurador da República de olhos abertos: investigar no Tribunal de Contas as concessões a grupos já embargados pelo Ibama e a chefes de garimpo ilegal com dragas fluviais.

Investigar o motivo dessas concessões, e de mais 74 feitas antes por Augusto Heleno, aborreceria organizações originárias de São Paulo e Rio, mas seria muito interessante. Na política, na Justiça e na caserna.

Folha de São Paulo

Bolsonaro e suas entranhas políticas

 




Brutalidade, exibição de vergonhas e artes do espectro fascista são projeto eleitoral

Por Vinicius Torres Freire

O espetáculo, a massificação da mentira e a propaganda da morte são atitudes típicas de políticos do espectro fascista. Jair Bolsonaro não é lá diferente. Foi assim a virada de ano da extrema direita brasileirinha, ainda mais repugnante na sua decomposição avançada, mas até por isso mesmo capaz de causar mais pestes.

O país se degrada, mais gente padece de fome, doença ou desgraças como as enchentes da Bahia. A administração pública se desorganiza mais, ora em revolta contra caprichos sectários desse tipo que ocupa a cadeira de presidente, que quer agradar polícias a fim de manter consigo falanges armadas.

Há operações-padrão de auditores da Receita, o que ameaça por exemplo a importação de combustíveis; há ameaça de greve geral de servidores. A produção da indústria encolheu pelo sexto mês seguido, o que não se via desde a recessão de 2015. Azares do tempo podem fazer com que a safra de grãos seja menor que a do ano passado —​se esperava recorde, um anteparo mínimo para a recessão que começa a aparecer no horizonte. Mas não há governo, tentativa de reação ou remédio. Ao contrário.

O capitão da morte vadiava, indiferente a sofrimentos e desordens, rindo com sua catadura selvagem e sua boca espumante. Fazia o show do tiozão grosseiro desfilando com brinquedos caros e barulhentos. Era parte da palhaçada da autenticidade, show que em breve voltaria quase à indecência teratológica dos tempos das cirurgias, durante a internação indigesta do tapado. Uma parte do espetáculo de Bolsonaro é a exposição de suas entranhas morais e quase literalmente físicas: intimidades com a mulher com quem se casou, o corpo nu cheio de tubos, as cicatrizes e, agora, sua indigestão monstruosa.

"Foi domingo. Eu não almoço, eu engulo. Foi uma peixada, tinha uns camarõezinhos também. Eu mastiguei o peixe e engoli o camarão", disse, ao explicar sua mais recente internação.

A indecência, a brutalidade e a feiura são parte da estética política do bolsonarismo. Entender porque o despudor ainda comove suas falanges e um tanto mais do eleitorado é um problema, mas desde a irrupção de Bolsonaro tal exposição faz algum efeito. A exibição do desmazelo pessoal, corporal e social, sua boca-suja, seu linguajar iletrado e cafajeste, o chinelão, o leite condensado com migalhas espalhadas pela mesa, tudo faz parte da fantasmagoria da autenticidade.

O espetáculo vai além, claro. Há motociatas e comícios golpistas, assim como a nomeação de inimigos da pátria, do cardápio tradicional do espectro fascista. Há o heroísmo de fancaria de quem diz lutar contra o "sistema" e a difusão de mentiras conspiratórias que tempera esse brutesco. Há o farisaísmo, as blasfêmias e o uso do nome de Deus em vão, o que espantosamente não abala muita gente religiosa. Há a propaganda da morte, a crítica aos "tarados por vacina" e a indiferença quanto à morte de crianças. Tudo isso é tolerado, como se o salvador da pátria e da família tivesse de vir travestido de anticristão (o que também é o caso de Donald Trump).

E daí? Esse é o monstro que, daqui a outubro, tentará obter votos para a reeleição ou algum modo de sobreviver politicamente ou fora da cadeia. Esses são seus recursos. Bolsonaro não tem nada que qualquer governante no limite do universo da razão e da decência pudesse apresentar como realização. Seus instrumentos são a ameaça de morte, baderna armada, golpe e tirania, o grotesco nauseabundo e a apelação aos sentimentos mais baixos e desumanamente lunáticos _o tipo é indiferente à morte de crianças, ressalte-se.

Foi assim o Ano Novo de Bolsonaro. Por que acreditar que o ano eleitoral será diferente? O que mais lhe resta além da fuga? A desordem imunda.

Folha de São Paulo

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