segunda-feira, janeiro 10, 2022

Taras e tarados

 




O que é mais grave e realmente perigoso: ser tarado por vacina ou tarado contra vacina?

Por Eliane Cantanhêde (foto)

Pense rápido: o que é pior, ser “tarado por vacina” ou tarado contra vacina? O presidente da República, Jair Bolsonaro, tenta insistentemente dividir o País entre os dois grupos, mas não dá certo, porque ele fala, fala, fala contra a imunização de adultos e agora de crianças, mas ninguém lhe dá ouvidos. Os brasileiros sabem que a questão não é ideológica, mas de vida ou morte.

“Ninguém” talvez seja exagero, porque há tarados que dão de ombros para a ciência e seguem tudo o que seu mestre, ou seu mito, mandar. É triste, talvez doentio. Bolsonaro já proibiu a compra da Coronavac, a “vachina do Doria”, e disse que quem se vacina vira jacaré, as duas doses causam aids na Inglaterra e que tão poucas crianças morrem de covid... Pra que vacinar?

Perguntem aos pais, mães, avós, tios, irmãos, primos, amigos e médicos dos 308 mortos pela doença entre 5 e 11 anos e dos 2.500 abaixo dos 19 anos, que teriam sido salvos com vacinas. E dá um arrepio pensar em quantos ainda podem ser contaminados, internados e... até as doses chegarem.

Ao tentar dividir a população entre tarados pró e contra vacina, Bolsonaro também racha seu governo e sua base aliada. Enquanto ele ataca as vacinas, a nova propaganda oficial badala o índice de imunizados no Brasil e o Exército reforça suas diretrizes pró vacina e contra fake news na pandemia. Vale para o comandante em chefe?

Médicos criticam o estúpido negacionismo do presidente e pediram investigação do ministro Marcelo Queiroga no Conselho Federal de Medicina por desvios ético-profissionais, a Sociedade de Imunização também se rebela e a Sociedade de Pediatria diz em nota que desestimular os pais a imunizarem seus filhos é “lamentável e irresponsável e pode custar vidas”.

O que dizer da deputada Bia Kicis, que jogou no WhatsApp e dali para as matilhas bolsonaristas da internet dados pessoais e profissionais de três médicos que defenderam vacinas para crianças na tal audiência pública? Replicou Bolsonaro, que queria a lista dos técnicos da Anvisa que autorizaram a vacinação infantil. Certamente, para “ripar” a reputação deles, já que não pode demiti-los, como no Iphan, Inep, Inmetro, PF...

E é gravíssimo, além de indigno, o presidente acusar a Anvisa de ter “interesses por trás” ao tomar decisões em prol do Brasil, das crianças, das vacinas, do Butantã e da Fiocruz, que produz uma vacina 100% nacional. Ele não entende nada, nem a tara por vacinas que salvam de poliomielite, sarampo, tétano, coqueluche... e covid-19. Parabéns, Fiocruz! Solidariedade, Anvisa e doutores tarados pela vida!

O Estado de São Paulo

É um erro imaginar que Bolsonaro não tenha um Plano B

 




Desacreditar urnas e tumultuar processo eleitoral serão indicadores que o presidente da República não aceitará uma eventual derrota eleitoral, como Donald Trump nos EUA

Por Luiz Carlos Azedo (foto)

Não estou entre os que acreditam que a alternativa golpista, para o presidente Jair Bolsonaro, se esgotou em 7 de setembro do ano passado, quando mobilizou todas as suas forças contra a urna eletrônica e confrontou o Supremo Tribunal Federal (STF), que viria a ser cercado por caminhoneiros. No dia seguinte, com as estradas bloqueadas e os caminhões na Esplanada, o presidente da República deu um cavalo de pau e mandou uma carta ao ministro do STF Alexandre de Moraes com juras à democracia, numa espécie de pedido de desculpas pelos ataques que havia feito ao ministro e outros integrantes da Corte, principalmente durante manifestação de seus partidários na Avenida Paulista, à qual compareceu. Naquela ocasião, a narrativa golpista havia atingido o seu clímax.

Há muitas versões sobre o que aconteceu naqueles dois dias, principalmente sobre as conversas entre Bolsonaro e o ex-presidente Michel Temer, que redigiu a carta, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news, que segura a espada de Dâmocles sobre a cabeça dos bolsonaristas radicais envolvidos em ações contra a Corte.

Uma das versões é a de que o presidente do Supremo, ministro Luiz Fux, havia ameaçado solicitar ao Exército uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em defesa do STF, o que teria consequências posteriores, pois isso, obviamente, caracterizaria ato de sedição liderado pelo próprio presidente Bolsonaro.

Sabemos que o Comando Militar do Planalto estava de prontidão, com oito mil homens mobilizados para intervir, caso fosse preciso. Seu estado-maior monitorava não somente a manifestação, como a própria atuação da Polícia Militar do Distrito Federal, que, no primeiro momento, havia permitido que os manifestantes rompessem a barreira instalada no Eixo Monumental e avançassem pela Esplanada dos Ministérios, em direção à Praça dos Três Poderes.

Por vários meios e interlocutores, na semana anterior, oficiais de alta patente fizeram chegar às redações o recado de que não havia a menor possibilidade de envolvimento das Forças Armadas em qualquer tentativa de golpe de estado. A narrativa era de que os comandantes militares cumpririam com seus deveres constitucionais e que a democracia brasileira tem instituições fortes e consolidadas.

Havia um esforço para desfazer a péssima impressão deixada pelo desfile de carros blindados e anfíbios da Marinha na Esplanada, em 10 de agosto, um espetáculo que revelou o sucateamento dos equipamentos do seu Corpo de Fuzileiros Navais e acabou ridicularizado.

O descolamento das Forças Armadas dos arroubos autoritários de Bolsonaro não deixa de ser alvissareiro, mas ninguém se iluda. O presidente da República já trocou os comandantes das Forças Armadas e pode voltar a fazê-lo, antes das eleições, se estiver disposto a adotar um plano B diante de uma derrota eleitoral inevitável. É flagrante a fricção entre a orientação de Bolsonaro e a do comandante do Exército, general Paulo Sérgio, em relação à obrigatoriedade da vacina e outros protocolos contra a Covid-19, por exemplo.

Plano B

Em artigo recente, na Veja, o jornalista José Casado destacou que o ministro da Defesa, general Braga Neto, principal aliado de Bolsonaro no meio militar, por orientação do Presidente da República, fizera questionamentos formais à segurança das urnas eletrônicas junto ao TSE. Ou seja, a disposição de não aceitar um resultado eleitoral desfavorável continua existindo. Não por acaso, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Barroso, convidou o ex-ministro da Defesa Fernando de Azevedo e Silva para assumir a Secretaria Geral da Justiça Eleitoral e comandar a logística de realização das eleições de outubro próximo.

No 7 de setembro, as manifestações realizadas na Esplanada, em Brasília, e na Avenida Paulista, demonstraram o enorme poder de mobilização de Bolsonaro. Nada impede que isso se repita. Sua capacidade de atuação nas redes sociais para construção de uma narrativa golpista permanece intacta, as fake news nas redes sociais continuam, inclusive com ataques ao Supremo. Mesmo com o governo mal avaliado e alto índice de rejeição nas pesquisas de opinião, Bolsonaro tem uma sua base eleitoral coesa e resiliente, além de militantes armados, dispostos a lutar para mantê-lo no poder, recorrendo à força, se preciso.

É um erro imaginar que Bolsonaro não tenha um Plano B, caso a derrota eleitoral seja inevitável por antecipação. Desacreditar a urna eletrônica e tumultuar o processo eleitoral serão indicadores de que não está disposto a aceitá-la, a exemplo do que fez o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, um ano atrás. Felizmente, os demais candidatos à Presidência não endossam esse questionamento. Todos defendem a urna eletrônica.

Correio Braziliense

Moscou exclui qualquer "concessão" em negociações com Washington

 




Conversações sobre a Ucrânia começam hoje em Genebra

Genebra - A Rússia descartou qualquer "concessão" nas conversações de alto nível com os Estados Unidos (EUA) sobre a Ucrânia e a segurança na Europa, que começam hoje (9) em Genebra. O governo russo disse que está decepcionado com os "sinais" enviados por Washington.

"Não aceitaremos nenhuma concessão. Isso está completamente excluído", disse o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Riabkov, citado por agências de notícias russas.

"Estamos decepcionados com os sinais que vêm de Washington nos últimos dias, mas também de Bruxelas", acrescentou o governante, que deve participar das negociações.

Delegações dos Estados Unidos e da Rússia iniciam em Genebra dois dias de reuniões para debater as questões da Ucrânia e do controle de armamento nuclear.

As negociações bilaterais decorrem no âmbito do diálogo estratégico de segurança lançado pelos presidentes norte-americano, Joe Biden, e russo, Vladimir Putin, na Cúpula de Genebra, em junho.

Embora o diálogo se destine principalmente à renegociação dos tratados de controle de armamento nuclear do pós-Guerra Fria, as conversas também incluem a situação na fronteira russo-ucraniana, onde Moscou diz ter realizado manobras com dezenas de milhares de soldados.

As delegações dos dois países são lideradas, respectivamente, pela secretária de Estado adjunta dos EUA, Wendy Sherman, e pelo homólogo russo, Sergei Riabkov.

A tensão entre a Rússia e a Ucrânia vai continuar a marcar a agenda dos próximos dias: nesta segunda-feira (10), o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, reúne-se com o chefe da diplomacia da Ucrânia, Dmytro Kuleba, antes de um encontro da Comissão Ucrânia-Aliança Atlântica. Para terça-feira (11) está prevista uma reunião Rússia-Otan.

RTP - Rádio e Televisão de Portugal

Agência Brasil

Limbo democrático




Por Dorrit Harazim (foto)

Raras vezes, nos Estados Unidos, a democracia foi tão evocada e invocada como no primeiro aniversário do assalto ao Capitólio — a bicentenária sede do Poder Legislativo em Washington que fora dessacralizada em 6 de janeiro de 2021. A homenagem às vítimas da fúria dos insurretos, que pretendiam reverter pela força a derrota de Donald Trump nas urnas, durou quase o dia todo. Idealizada para servir de ponto de confluência nacional em torno da defesa da democracia, a cerimônia emocionou muitos e consolou outros tantos. Mas o dano histórico continua do mesmo tamanho. A saber, abissal.

Tome-se o discurso do presidente Joe Biden, que, pela primeira vez em sua longeva carreira pública pautada pela moderação, conseguiu se fazer ouvir. Falou duro e claro, em tom de rara visceralidade. Aos 79 anos, o “conciliador em chefe” finalmente pareceu ter acordado para a realidade: a radiação antidemocrática com que Donald Trump continua a contaminar o país e as instituições a partir de sua base em Mar-a-Lago precisa ser enfrentada. “Pela primeira vez em nossa história, um presidente não apenas perdeu uma eleição, mas tentou impedir a transferência pacífica do poder”, discursou Biden. Denunciou “aqueles que invadiram o Capitólio e os que incitaram a invasão”. Prometeu defender a nação “dos que apontam um punhal para a garganta da democracia americana”. De caso pensado, não citou Trump nominalmente, trincando o egocentrismo doentio do antecessor. “Ele não é apenas um ex-presidente. É um ex-presidente derrotado”, disse Biden, com arroubo extra na palavra “derrotado”.

Fossem outros os tempos, essas mesmas palavras soariam como tediosa retórica. Hoje, ano 5 do Trumpocênio, adquirem relevância para quem se inquieta com o perceptível desgaste do viver democrático mundial. A invasão do Capitólio pode não ter conseguido impedir a diplomação de Joseph Biden como 46º presidente dos EUA, mas permitiu a Donald Trump dar uma amostra de sua força sem freios legalistas. Mas convém não atribuir o assalto protofascista do 6 de janeiro apenas a esse vilão consagrado e a seu círculo de gurus trevosos. Muito além da horda que invadiu, atacou, saqueou, matou e defecou no histórico Capitólio, o país tem hoje 57% da população que acredita na ocorrência de novos ataques semelhantes ao de 2021, e apenas 55% aceitam que a vitória eleitoral de Biden é legítima, aponta pesquisa Axios-Momentive realizada há poucos dias.

Tem mais. Quase 100 milhões de adultos do país concordam que “o tradicional modo de vida do americano está desaparecendo tão rápido que podemos ter de usar a força para preservá-lo”. No Partido Republicano, hoje avassalado por Trump, esse segmento representa nada menos que 40% dos filiados, segundo levantamento recente do jornal Washington Post.

Com tal pano de fundo, não espanta que analistas, acadêmicos, jornalistas e curiosos em geral tenham se interessado pelo recém-lançado “How civil wars start” (Como começam as guerras civis, em tradução literal), da cientista política Barbara F. Walter, da Universidade da Califórnia. O título, intencionalmente ou não, parece remeter a outro livro —o sucesso de público e de crítica “Como as democracias morrem”, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt (2018). Mas, enquanto a obra dos dois professores de Harvard analisava a ascensão ao poder de Donald Trump, o livro de Walter, uma ex-analista da CIA, lida com a gênese de guerras civis. No caso dos Estados Unidos, a enraizada crença nacional no excepcionalismo americano impede o país de conceber a possibilidade de um colapso político dentro de suas fronteiras. Segundo uma complexa métrica de 21 pontos, a autora situa os Estados Unidos numa espécie de limbo democrático, com o Partido Republicano se comportando como uma facção predatória das instituições republicanas.

Não resta dúvida de que a insurreição do 6 de janeiro, apesar de fracassada, acabou se tornando um ponto de união entre a direita radical e a liderança do partido que já foi de Abraham Lincoln. Passado um ano, os participantes na invasão são saudados como mártires por muitos integrantes do Grand Old Party (GOP). Aderir à versão de fraude na vitória de Biden tornou-se um teste de lealdade para vereadores, deputados e senadores domesticados por Trump. Lealdade canina, que desafia qualquer racionalidade. E sem freios.

À exceção da deputada Liz Cheney, que participou do evento acompanhada do pai come-abelha Dick Cheney, nem um único senador ou deputado do Partido Republicano compareceu à homenagem às vítimas do 6 de janeiro — 2022 começa mal para a democracia nos Estados Unidos.

O Globo

Mandato único: discussão sobre fim da reeleição é bem aceita por parlamentares




Comum em anos de campanha e promessa eleitoral de Bolsonaro, o debate sobre o mandato único reaparece e une deputados e senadores de diferentes espectros políticos

Em todo ano de eleição, a história se repete: os candidatos a um cargo do Executivo — seja ele prefeito, governador ou presidente da República — prometem que, se eleitos, não irão disputar a reeleição. Há quem vá mais longe e prometa que vai propor o fim da possibilidade de reeleição, como fez o presidente Jair Bolsonaro (PL) quando ainda estava em campanha em 2018. Na época, ele disse que proporia um mandato único, começando pelo seu governo.

A reeleição em cargos do Executivo não existia antes da década de 1990. Esse foi um instituto criado durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), por meio da Emenda Constitucional nº 16, de 1997, que acrescentou ao texto constitucional que “o presidente da República, os governadores de estado e do Distrito Federal, prefeitos e quem os houver sucedido ou substituído no curso dos mandatos poderiam ser reeleitos para um único período subsequente”.

FHC, próximo de terminar seu primeiro mandato, pensava em se reeleger. E havia uma grande pressão política e da sociedade para que isso ocorresse, já que o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, era o principal opositor ao tucano. O receio era de que, se o petista ganhasse as eleições de 1998, o país mergulharia num caos econômico, estragando o sucesso do Plano Real, que foi essencial para conter a hiperinflação.

Na época, quem ocupava a presidência da Câmara era o então deputado Michel Temer, já no antigo PMDB (hoje MDB). Antes da aprovação da emenda, havia denúncias de venda de votos por parte de deputados — algo que cronicamente se repete no parlamento brasileiro, independente da época. Isso resultou na renúncia de parlamentares, e o governo conseguiu evitar uma CPI.

Com a mudança, passou a ser possível, pela primeira vez desde que o Brasil virou República, a reeleição de um ocupante do Poder Executivo, algo que era expressamente proibido por redações anteriores da Constituição. Hoje, no entanto, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, presidente na época, critica a mudança no texto constitucional. Para ele, a instituição da reeleição foi um erro causado pela ingenuidade de imaginar que os presidentes “não farão o impossível para ganhar a reeleição”.

Além de Bolsonaro, outros que ocuparam a presidência desde 1997 falaram contra a reeleição, como foi o caso de Lula, em 2002. Na época, ele defendia que nenhum projeto de sucesso pode ocorrer em quatro anos e, por isso, a solução seria que os sucessores de cargos do Executivo entendessem a necessidade de dar continuidade aos planos de seus antecessores. Quem também falou contra a reeleição, mas não publicamente, foi Dilma Rousseff (PT), que, com apenas sete meses de governo, já dizia a seus aliados e até ao presidente Lula que não pretendia disputar reeleição. Disputou, ganhou e sofreu impeachment.

Desde que o instituto da reeleição foi instaurado, em 1997, o único governo feito sem pensar em reeleição foi o de Michel Temer, que, ao assumir a presidência no lugar de Dilma em 2016, apoiou e realizou reformas impopulares e atuou, segundo analistas, sem pensar exatamente em manter sua popularidade alta. Ele não disputou as eleições em 2018.

Para o cientista político Eduardo Grin, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o tema é complexo, porque envolve a natureza humana. “Quanto mais poder, melhor. Nesse sentido, é pouco razoável a gente imaginar que alguém que esteja no poder não deseje disputar reeleição. O famoso cientista político Anthony Downs [também conhecido por suas contribuições à economia] dizia que a primeira coisa que um eleito faz é pensar em como vai se reeleger”, explica.

“O que temos que considerar primeiro é separar as coisas, cargos executivos e legislativos. Em vários países, a permanência no cargo por mais de um período não é necessariamente danosa, pode ser virtuosa à medida que isso permita resultados mais consistentes ou uma série de medidas que um governo só não conseguiria, acrescenta Grin”.

Para ele, há benefícios no sistema. Um deles é o de permitir que um bom gestor continue no cargo e prossiga com seus programas de governo, se a população estiver satisfeita. Mas o professor acredita que a discussão foi contaminada pelo governo Dilma, que teve dificuldades de se reeleger e, agora, também por Bolsonaro.

“O risco de ter Bolsonaro por mais quatro anos é um desastre. Por isso, é importante separar a regra das pessoas. Parece que aqui no Brasil, dadas as experiências com determinados incumbentes, a gente acaba achando que a solução é impedir a reeleição. Isso pode gerar problemas até piores, com um período maior, porque o gestor pode chutar o balde, como se fosse o último mandato. Se não tem perspectiva de se reeleger, ele pode governar de forma inconsequente”, pontua.

Convergência

A discussão em torno do fim da reeleição em cargos do Executivo une até mesmo parlamentares de espectros políticos opostos. Para parlamentares ouvidos pelo Correio, a discussão é válida, e o modelo ideal é a de um único mandato, que passaria de quatro para cinco anos, sem possibilidade de reeleição. Mas essa discussão teria que ser feita fora de um ano eleitoral, para evitar casuísmo. É o que defende o deputado Filipe Barros (PSL-PR).

“Eu sou favorável ao fim da reeleição. Teríamos, no lugar disso, um mandato de cinco anos. Há uma PEC sobre isso que já foi votada na Câmara na época em que o Eduardo Cunha presidia a Casa, mas ela está parada no Senado. Basta o Senado votar para que seja realidade, mas, para isso, é preciso que haja vontade política por lá”, pontua;

Ele acredita que há um problema crônico hoje no Brasil causado por aqueles que governam pensando em reeleição. “Se nós fossemos constatar a realidade brasileira, na prática o que acontece é isso. Todos os governos, não só federais, mas prefeitos, governadores e o Executivo em geral. Depois que permitiram isso no governo Fernando Henrique Cardoso, o primeiro mandato passou a servir como um palanque, e o que a gente percebe é que eleição acaba sendo algo plebiscitário”, afirma.

O deputado Afonso Florence (PT-BA) também acredita que o modelo de hoje faz com que gestores pensem mais em se manter no cargo a fazer um governo eficiente, mas ele teme que esse debate, feito em período eleitoral, seja fruto de casuísmo.

“Na oportunidade adequada, pode ter mérito. É possível pensarmos em mandatos mais longos sem reeleição. Mas que isso não seja para tentar incidir na vontade popular”, afirma. Florence também defende mudanças nos mandatos de parlamentares. Segundo ele, o PT já discute uma limitação de mandatos seguidos por deputado ou senador. Cada parlamentar, segundo o novo modelo, teria um limite de três mandatos seguidos.

“Eu, por exemplo, estou no terceiro, é possível que eu vá para o quarto, porque nosso mandato é coletivo, tem conselho político, participação de ativistas que atuam na sociedade civil, pessoal da saúde, educação, micro e pequeno empresários. Mas eu teria disponibilidade integral de não ser candidato uma quarta vez. Porque há, no PT, o amadurecimento de que é preciso renovação, não só etária, mas de ideias”, afirma.

Ele acredita, no entanto, que o Congresso não aprovaria um projeto que limitasse os mandatos dos parlamentares, já que esse tema não é de interesse deles. “O ideal seria a sociedade opinar por meio de uma consulta popular”, disse.

Por Israel Medeiros

Correio Braziliense / Daynews

Como a ideologia quer moldar a comunicação




Combater expressões supostamente "racistas, como se faz no Brasil, é de uma ignorância atroz, caracterizando uma verdadeira eugenia verbal.

Por Antônio Risério (foto)

A essa altura do campeonato, com a polícia da língua em ação repressora incansável, já nem faço ideia de como hoje, nas Minas Gerais, as pessoas estão chamando o Aleijadinho, que, por sinal, era um mulato (ou negro?) escravista.

E agora, que decretaram que a expressão latina “doméstica” se refere a escravas negras e, portanto, seria afrontosa, logo teremos campanhas contra as placas racistas de “embarque doméstico” que vemos em nossos aeroportos.

Também não sei como racialistas neonegros reagiriam à informação de que a palavra preto começou a ser acionada, com referência a pessoas de pele escura, no Portugal do século 15. É um conceito linguístico do colonizador. Vamos deixar de usá-lo?

O fato é que o combate a expressões supostamente “racistas”, que ganha corpo por aqui, é de uma ignorância atroz. Ponto de emergência do fascismo legiferante semiletrado que ameaça se impor (graças à ignorância geral sobre a nossa história linguística) – e que também chega a ser racista.

Como no caso do combate à expressão “macumba”. A palavra é de origem banta, nos veio do kikongo e do kimbundo, originalmente “makuba”, com o sentido de “reza” ou “invocação”. É racismo querer banir palavras africanas da língua que falamos diariamente.

Além disso, surgiu a “língua” do x-@-e ou “linguagem inclusiva”, que não inclui ninguém e exclui muitos. Pessoas com dislexia, por exemplo. Pessoas semianalfabetas ou em processo de alfabetização, também.

A “língua” do x-@-e, por sinal, já começa querendo nos obrigar a falar não de língua portuguesa, mas de língux portuguesx ou língue portuguese. No caminho da transformação do português numa pedreira consonantal impronunciável. E haja disparates.

A começar por uma trapalhada elementar: gênero gramatical nunca foi gênero biológico. Basta pensar na dupla “cesto” e “cesta”. Alguém já viu o sexo de um cesto ou de uma cesta? O que uma pobre cesta tem a ver com “identidade de gênero”? Existem cestas “trans”?

É evidente que a diferença entre um barco e uma barca é gramatical, não genital. E a vogal temática, em português, não define gênero. Gênero é definido pelo artigo que acompanha a palavra. Sofá termina em “a” e não é feminino.

Boa parte dos nossos adjetivos pode ser masculina ou feminina, independentemente da letra final. E terminar uma palavra com “e” não faz com que ela seja neutra. A alface que o diga.

A linguista Concepción Company, do Instituto de Investigações Filológicas da Universidade Nacional Autônoma do México, lembra que os que atribuem marcações de gênero à dominação patriarcal branca no Ocidente, deveriam saber que a língua árabe não tem marcador de gênero e, no entanto, o patriarcado muçulmano é um fato.

No Afeganistão, as línguas oficiais, o pastum e o farsi ou persa, não têm distinção morfológica de gênero. Todos são obrigados a dizer “todes”. Há milênios. Deve ser por isso que a igualdade de gênero reina entre os talibãs.

O grave é que, não raro, ao colocar um determinado vocábulo no index inquisitorial, os praticantes do eugenismo verbal podem estar simplesmente apagando ou destruindo a experiência sociocultural que se acumulou ali naquela palavra. O projeto totalitário do identitarismo é amplo e sufocante. Trata-se de colonizar a linguagem e o discurso. Mais um capítulo do imperialismo cultural norte-americano em nossa época. O portinglês, o franglais e o italinglese que o digam.

Os identitários vivem se autoproclamando adversários irredutíveis do imperialismo e do colonialismo, mas alguém acredita? Nada mais mimético do que esses militantes. Eles são totalmente colonizados pelo trio norte-americano esquerda-academia-mídia.

Os Estados Unidos tomaram conta da internet, assentaram os termos da nova doxa planetária e fazem as réplicas locais falar a sua língua, repetir os “ideologemas” que consagrou e fazer o discurso determinado pela matriz. Não faz tempo, encontrei, no jornal El País, um artigo de Antonio Caño, “Un Proyecto Fallido”, onde se lia: “Que resta do projeto com que se iniciou nossa democracia? Apenas nada nos une. Nem sequer nosso idioma, que parecia até há pouco um valor intangível e neutro, está hoje fora do conflito ideológico... Não tardará o dia em que proponham retirar o nome do Instituto Cervantes para buscar uma figura supostamente mais inclusiva, alguém que represente melhor a todos os idiomas da Espanha, que a cada dia são mais”.

O quadro traçado nos faz pensar em nós mesmos. Espanta, aliás, que os movimentos negros não tenham ainda cancelado Machado de Assis, com seu elogio da beleza branca, seu desdém pela “cultura negra” e seus ataques à capoeira.

Mas, enfim, estamos assistindo à emergência da crença numa nova magia nominalista. Ou ingressando no reino da onipotência do palavreado. E o combate à cultura estabelecida invadiu o domínio idiomático.

As pessoas se dispuseram a agir sobre a língua para mudar o mundo – quando, ao contrário, deveriam se dispor a agir sobre o mundo para mudar a língua. Afinal, como sempre digo, as cores existem não porque tenhamos palavras para elas. É o contrário. Existe um léxico das cores porque, graças ao equipamento ótico luxuoso com que fomos premiados, o mundo humano é colorido.

Roland Barthes observou certa vez que os revolucionários de 1789 falaram em desmantelar tudo, menos a língua francesa. Nenhuma comunidade humana existe sem a sua língua. Ela é a mais fundamental de todas as instituições sociais. E línguas são cosmovisões milenares.

A língua possibilita, organiza e estrutura o nosso entendimento do mundo. Ou, por outra, o mundo é visto nos termos de nossas estruturas verbais. Sempre que toco nessas teclas, me repetem o truísmo: tudo muda, as línguas também! Claro que as línguas mudam. Mas uma coisa é a mudança processual ocorrendo, a partir da fala, dentro da lógica da própria língua – a que vai de “vossa mercê” a “você”, por exemplo.

Outra coisa é a tentativa instantânea de imposição ideológica, artificial, “desde fora”, de uma partícula ou micropartícula verbal ou de uma justaposição de partículas – como em “amigxs”.

Coisas que nem sequer nascem na fala, que é a prática da língua, mas na escrita político-acadêmica, brotando de fórmulas discursivas geradas em tubos de ensaio, no laboratório dos novos ideólogos da língua.

Maiakovski escreveu: “o povo, o inventa-línguas” – e não “o ativista, o inventa-línguas”. A diferença está toda aí.

Como bem viu o filósofo Adrien Louis, em artigo recente no Figaro, o que estamos no dever de contestar é a tentativa absurda de querer impor uma determinada instrumentalização ideológica da língua. Esta é a questão central.

O argumento de Adrien se organiza em torno desse problema. Diz ele que se o caráter desgracioso – le caractere disgracieux – da escrita inclusiva é um fato evidente, isto apenas traduz a “ambição original” do projeto.

A disgrâce esthétique “reflete bem fielmente a obsessão moral que aquela escrita quer introduzir em nosso uso da língua e, mais fundamentalmente, em nosso pensamento”.

Ou ainda: a disgrâce esthétique traduz uma “intenção exorbitante”, no sentido mesmo de arbitrariedade que ultrapassa a medida justa das coisas, qual seja a de “colocar deliberadamente a língua a serviço de uma certa moral” – ou de “introduzir a pureza moral na textura mais íntima de nosso pensamento”.

E tal “intenção exorbitante” não é dissimulada. Encontra-se sempre explícita na pregação dos militantes desse projeto de eugenismo verbal. A partir do seguinte raciocínio: o dever primeiro de nossa civilização não é liberar os espíritos, mas simplesmente prendê-los ao porto da “boa ideologia”.

Adrien considera corretamente que a luta contra as discriminações e pela vitória da igualdade é a mais legítima de todas as lutas. Mas, em nome disso, não devemos sacrificar a espécie de liberdade que permite que o pensamento respire e floresça.

Vale dizer – e este é realmente o ponto essencial –, o que os militantes da linguagem ou escrita inclusiva querem é “o sacrifício de uma palavra livre, em proveito de um pensamento constantemente vigiado”.

O Estado de São Paulo

Milhares protestam contra medidas anti-covid na Europa




Enquanto a variante ômicron do coronavírus se alastra pelo continente, grupos manifestam desaprovação às restrições impostas pelos governos. Na Alemanha houve também passeatas contra os antivacinas.

Milhares participaram de protestos na Bélgica e na República Tcheca contra as restrições oficiais para conter a propagação da covid-19, neste domingo (09/01). Na Alemanha e na Áustria, as manifestações se concentraram na véspera.

No momento, diversos governos da União Europeia estão adotando medidas de confinamento rigorosas e novas exigências, a fim de forçar um maior contingente de vacinações e de doses de reforço.

A altamente contagiosa variante ômicron do novo coronavírus está fazendo saltar o número de casos por todo o bloco. Infectologistas e profissionais de medicina alertam que um surto de contágios, sobretudo entre os não vacinados, poderá extrapolar as capacidades hospitalares disponíveis.

A seguir, a DW faz um resumo do que ocorreu durante os protestos deste fim de semana.

Bélgica

Cerca de 5 mil cidadãos compareceram neste domingo a uma passeata na capital belga, Bruxelas. Os participantes carregavam faixas criticando uma suposta "ditadura da vacina" e expressando descontentamento com a exigência de certificado de inoculação ou recuperação para frequentar bares, restaurantes e eventos culturais.

O protesto foi menor e menos violento do que outros ocorridos na cidade. Foram detidos 11 manifestantes por portarem fogos de artifício. Outros 30 foram presos no fim da passeata, depois que um grupo lançou "projéteis" contra a polícia.

Na semana de 30 de dezembro a 5 de janeiro, a Bélgica registrou aumento de 96% dos casos de covid-19, em relação à semana anterior, assim como de 28% dos internamentos.

'Compulsoriedade de vacina anticovid para certos grupos profissionais é pomo da discórdia na República Tcheca'

República Tcheca

Na capital Praga, milhares protestaram no domingo contra a proposta de tornar a vacinação contra o vírus Sars-Cov-19 compulsória para certos grupos etários e profissionais. Muitos na multidão carregavam bandeiras tchecas, alguns entoavam "Liberdade, liberdade!".

O governo tcheco está estudando obrigar a se vacinarem tanto os maiores de 60 anos quanto pessoal médico, estudantes de medicina, policiais e bombeiros. A medida foi decretada no início de dezembro pelo então primeiro-ministro Andrej Babis.

Nesse ínterim, seu governo foi substituído por uma coalizão de cinco partidos, liderada por Petr Fiala. Este considera suspender a compulsoriedade para os sexagenários, mas não descartou mantê-la para certas profissões.

Alemanha

Em diversas cidades alemãs transcorreram no sábado protestos contra as restrições anti-covid, em parte direcionadas à recém-aprovada obrigatoriedade de vacinas para funcionários de hospitais e lares de cuidados especiais.

Grande parte das passeatas foi organizada pelo movimento Querdenken 711 (pensamento lateral). Criado na cidade de Stuttgart, desde o início da pandemia ele se opõe aos confinamentos decretados pelo governo.

No sábado, várias cidades do país também testemunharam contraprotestos. Em Minden, no oeste, cerca de 2.500 cidadãos formaram uma corrente humana em solidariedade a um político local atacado por um grupo de antivacinas.

Em Dresden, no leste da Alemanha, mais de 3.500 fizeram um protesto silencioso contra as manifestações críticas às medidas antipandemia na região, que vêm se tornando cada vez mais radicalizadas e violentas. Foram também acesas velas diante da igreja Frauenkirche, em memória das vítimas da covid-19.

'Antiprotestos também ocorreram na Alemanha, como em Schweinfurt, Baviera'

Áustria

Viena teve mais um fim de semana de protestos de massa contra as restrições antipandemia do governo austríaco. No sábado, cerca de 40 mil expressaram seu desagrado com os planos de um mandato geral para a vacina contra o coronavírus.

O chanceler federal austríaco, Karl Nehammer, que apresentou teste positivo na sexta-feira, afirmou que pretende manter a obrigatoriedade a partir de 1º de fevereiro.

Assim como numerosos outros países europeus, a Áustria está se debatendo com uma onda de casos de covid-19, impulsionada pela variante ômicron. O país conseguiu reduzir recentemente a velocidade dos contágios, através de um confinamento rigoroso, porém os números voltaram a crescer rapidamente, assim que as restrições foram levantadas.

Deutsche Welle

Cazaquistão diz que prendeu quase 6 mil e 164 pessoas foram mortas em onda de protestos

 




Segundo governo, 164 pessoas foram mortas nos violentos distúrbios que há dias abalam a ex-república soviética. Números não podem ser confirmados de forma independente.

O governo do Cazaquistão anunciou neste domingo (09/01) que 164 pessoas foram mortas nos violentos protestos que há dias abala a ex-república soviética

Somente na maior cidade do país, Almaty, 103 pessoas, incluindo duas crianças, perderam a vida durante confrontos entre manifestantes e forças de segurança, de acordo com dados oficiais.

O gabinete do presidente do país anunciou que cerca de 5.800 pessoas foram detidas em conexão com os protestos contra o governo, incluindo "um número significativo de estrangeiros". Não foi divulgado claro quantas delas continuavam presas neste domingo. 

Mais de 2,200 pessoas ficaram feridas. E de acordo com Ministério da Saúde, 719 se encontravam hospitalizadas neste domingo, sendo que 83 delas, em estado crítico.

As informações não podem ser verificadas de forma independente.

O número atualizado de óbitos, representa um aumento significativo em relação ao balanço anterior, que contabilizava 26 óbitos por parte dos manifestantes e 16 entre as forças de segurança.

"Terroristas treinados no exterior"

Na quarta-feira, o presidente Kassym-Shomart Tokayev culpou "terroristas" treinados no exterior pelos distúrbios. "A situação se estabilizou em todas as regiões do país", disse comunicado do escritório do presidente neste domingo, acrescentando, entretanto, que as forças de segurança continuariam suas operações de "limpeza".

Segundo estimativas do Ministério do Interior, mais de 100 lojas e bancos foram saqueados e mais de 400 veículos foram destruídos.

Em Almaty, a situação melhorou um pouco no domingo, e os supermercados reabriram. Nos últimos dias, longas filas se formaram, especialmente em frente aos postos de gasolina do país.

A agitação provocou temores de escassez de suprimentos. O aeroporto de Almaty, que foi brevemente ocupado por manifestantes durante os protestos, permanecerá fechado até nova ordem, segundo as autoridades.

A ex-república soviética foi abalada nos últimos dias por confrontos sem precedentes entre manifestantes e forças de segurança. Os protestos, inicialmente dirigidos contra o aumento dos preços do gás, transformaram-se em manifestações críticas ao governo em todo o país.

O chefe de Estado do país, Kassym-Shomart Tokayev, recebeu apoio de tropas de uma aliança militar liderada pela Rússia e deu às forças de segurança do Cazaquistão ordem para atirar nos manifestantes na sexta-feira.

Preocupaçao no exterior

No decorrer dos protestos, o ex-chefe de governo e ex-chefe do serviço de inteligência doméstico, Karim Massimov, foi preso por suspeita de alta traição. Massimov foi demitido do cargo de chefe do Comitê de Segurança Nacional depois que manifestantes invadiram prédios do governo em Almaty.

O homem de 56 anos é considerado um aliado próximo do ex-presidente autoritário Nursultan Nazarbayev. Grande parte da raiva dos manifestantes se dirige a ele.

Diz-se que Nazarbayev continua a exercer grande influência no país. Ele mesmo havia escolhido seu sucessor, Tokayev, em 2019, mas havia sido substituído por ele há alguns dias na chefia do Conselho de Segurança Nacional. Isso provocou especulações sobre uma luta pelo poder entre os dois homens.

A crise no Cazaquistão está sendo acompanhada com preocupação no exterior. O governo da Alemanha interrompeu no sábado suas exportações de armas para o país devido à violência.

O papa Francisco disse no domingo que soube "com dor" que houve vítimas durante as manifestações no Cazaquistão e pediu a todos os envolvidos que entrem em diálogo.

Deutsche Welle

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