sexta-feira, setembro 10, 2021

Seis momentos-chave do bloqueio de caminhões que ameaça parar o país

 



Bloqueio de caminhoneiros começou em resposta a discursos de Bolsonaro no 7 de setembro - e corre o risco de tomar proporção maior, mesmo contra a vontade do presidente

Passadas as manifestações convocadas pelo presidente Jair Bolsonaro para 7 de setembro, outra série de atos ocupou a agenda política do país: um possível bloqueio nacional de estradas liderado por caminhoneiros que dizem apoiar as pautas defendidas por Bolsonaro.

O bloqueio de caminhoneiros começou em resposta aos discursos de Bolsonaro no 7 de setembro - e correu o risco de tomar proporção maior, mesmo contra a vontade do presidente, que pediu a desmobilização do movimento.

Em menos de 24 horas após os atos, caminhoneiros não ligados a entidades de classe ou a organização de paralisações recentes se mobilizaram para bloquear ou se concentrar em rodovias federais em pelo menos 15 Estados.

Por volta das 15h30 desta quinta-feira, a Polícia Rodoviárias Federal informou que não havia mais bloqueios nas estradas, apenas pontos de concentração de manifestantes.

Em alguns vídeos compartilhados nas redes sociais, eles dizem estar lutando por pautas defendidas por Bolsonaro em seus discursos no 7 de setembro, que incluem ameaças ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à democracia.

Na noite de quarta-feira (09/09), o governo Bolsonaro reagiu aos protestos dos caminhoneiros pedindo que eles se desmobilizassem — já que, segundo o presidente, o bloqueio prejudicaria a economia e o próprio governo.

A fala de Bolsonaro pedindo a desmobilização foi distribuída em áudio por WhatsApp e não foi publicada em nenhum canal do governo ou ligado ao presidente — o que suscitou dúvidas dos caminhoneiros sobre a veracidade da declaração.

O áudio precisou ser confirmado pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, em um vídeo publicado no Twitter.

Uma das vozes mais atuantes foi a do caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, conhecido como Zé Trovão. Gomes é considerado foragido da Justiça, acusado de promover incitação de atos de caráter golpista contra o Congresso e o STF. Ele teria descumprido ordens cautelares do ministro do STF Alexandre de Moraes.

Os vídeos de Zé Trovão — convocando o bloqueio, cobrando um vídeo pessoal de Bolsonaro e pedindo a manutenção das paralisações mesmo após o apelo feito pelo presidente — têm sido os mais compartilhados pelos caminhoneiros.

Confira abaixo cinco momentos-chave da mobilização de caminhoneiros por um bloqueio.

1. Atos de 7 setembro

O Brasil passou os últimos dias acompanhando a escalada de tensões com a convocação de Bolsonaro para protestos no dia 7 de setembro. Os atos aconteceram em diversas cidades do Brasil — com discursos de Bolsonaro para apoiadores em Brasília e São Paulo.

O presidente atacou ministros do STF e o sistema eleitoral brasileiro, dizendo que só sai "preso, morto ou com vitória" de Brasília.

O governo esperava mais de um milhão de manifestantes em Brasília e São Paulo, mas a secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo afirma que o ato na Avenida Paulista, considerado o maior do dia, reuniu 125 mil pessoas.

As manifestações transcorreram pacificamente — com exceção de um incidente no dia anterior, quando manifestantes — muitos deles caminhoneiros — invadiram uma área da Esplanada dos Ministérios próximo ao STF que estava sendo isolada por policiais. Os policiais cederam e liberaram o acesso ao local.

2. Caminhoneiros na Esplanada e bloqueios pelo país

Os protestos e as duras falas de Bolsonaro repercutiram fortemente no dia seguinte — quarta-feira (08/09) — dentro e fora do Brasil. Em Brasília, políticos e autoridades passaram o dia discutindo respostas ao presidente.

O presidente do STF, ministro Luiz Fux, alertou Jair Bolsonaro que sua ameaça de descumprir decisões da mais alta corte do Judiciário configuraria crime de responsabilidade e que poderia levar a um processo de impeachment. O presidente da Câmara, o deputado Arthur Lira (PP-AL), que é aliado do Palácio do Planalto, pediu um fim à escalada de tensão entre os poderes e das bravatas.

Enquanto Brasília vivia um dia cheio de reuniões e declarações, caminhoneiros simpatizantes do presidente em todo o país se mobilizavam por aplicativos de celular.

Os caminhoneiros que haviam invadido a Esplanada dos Ministérios no dia anterior ao ato de 7 de setembro se recusaram a sair do local, bloqueando o acesso aos prédios do Congresso Nacional e do STF.

As principais entidades de caminhoneiros e lideranças de paralisações recente haviam se recusado a participar dos atos de 7 de setembro — mas caminhoneiros simpatizantes de Bolsonaro passaram a se organizar em grupos de WhatsApp e Telegram.

'Caminhoneiros de diversas partes do Brasil, como em Gravataí (RS), fizeram manifestações pró-Bolsonaro'

Alguns desses caminhoneiros começaram a bloquear estradas em 15 Estados brasileiros, segundo a Polícia Federal: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, São Paulo e Tocantins.

Também começou a circular um vídeo do caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, conhecido como Zé Trovão, convocando uma paralisação geral: "Fala povo brasileiro, Zé Trovão por cá. Dia 8 de setembro de 2021, ok? Presta muita atenção: a partir de seis horas da manhã, 9 de setembro de 2021, amanhã, todas as bases brasileiras... fechem tudo, não passa mais nada".

"Somente ambulância, oxigênio e remédio. Acabou. Não passa mais nada. Não passa carro pequeno não passa nada. Estão brincando com a democracia. Estão nos tirando para otário. E ninguém vai passar o resto da vida nas ruas parado não. Nós precisamos resolver o problema do Brasil agora, essa semana. Chegou a hora de mudarmos tudo de uma vez. (...) É pra trancar tudo. (...) Vamos salvar o nosso Brasil."

3. Bolsonaro pede em áudio a desmobilização

À noite, começou a circular um áudio de Bolsonaro pedindo a desmobilização dos caminhoneiros envolvidos em bloqueios.

"Fala para os caminhoneiros aí que são nossos aliados mas esses bloqueios aí atrapalham a nossa economia. Isso provoca desabastecimento, inflação. Prejudica todo mundo e em especial os mais pobres. Então dá um toque nos caras aí se for possível para liberar, para a gente seguir a normalidade", diz Bolsonaro no áudio de WhatsApp, em uma voz baixa com tom aparentemente cansado.

Não está claro para quem Bolsonaro estaria falando no áudio, mas ele parece estar pedindo a alguém que mande seu recado aos caminhoneiros.

"Deixa com a gente em Brasília aqui agora. Não é fácil negociar, conversar por aqui com outras autoridades agora. Não é fácil, mas a gente vai fazer a nossa parte aqui, vamos buscar uma solução para isso, tá okay? E aproveita aí no meu nome e dá um abraço aos caminhoneiros aqui."

Alguns caminhoneiros disseram que não tinham certeza se a voz nos áudios realmente era de Bolsonaro.

Além disso, nenhum vídeo ou áudio foi postado nas redes de Bolsonaro, do governo ou de pessoas ligadas a ele — com a manifestação do presidente se espalhando apenas por WhatsApp.

4. 22h38 de quarta-feira: Tarcísio confirma

Na noite de quarta-feira, começou a circular um vídeo do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, em que ele confirma a autenticidade da fala de Bolsonaro — e diz que o áudio "vazou".

"Olá, 8 de setembro, já passam das dez e trinta e oito da noite, e nos grupos de caminhoneiros muita gente está questionando se um áudio que vazou do presidente da República é real e se esse áudio é atual, é de hoje. Bom, esse áudio é real, é de hoje, e mostra a preocupação do presidente com a paralisação dos caminhoneiros."

'Ministro Tarcísio Freitas gravou vídeo - distribuido somente via WhatsApp - confirmando autenticidade de áudio vazado de Bolsonaro'

Freitas repete o argumento de Bolsonaro de que uma paralisação provocaria inflação, desabastecimento e impactos negativos aos mais pobres.

Assim como o áudio de Bolsonaro, o vídeo de Tarcísio Freitas não foi publicado em canais do ministério.

5. 1h35 da manhã - caminhoneiro ainda questiona

Em seguida outro vídeo de um caminhoneiro conhecido como Zé Trovão — tido como um dos mobilizadores do movimento de bloqueios — também começou a circular.

O vídeo de Zé Trovão parece ter sido gravado depois do vídeo de Tarcísio Freitas confirmando a autenticidade do áudio de Bolsonaro. No entanto, o caminhoneiro não menciona o vídeo de Tarcísio Freitas e ainda questiona a veracidade da gravação de Bolsonaro. Não está claro se Zé Trovão viu o vídeo do ministro ou não.

"Hoje é dia nove de setembro de 2021, são exatamente 1h35 da manhã, tá? Vocês podem ver minha cara de cansado aqui, estamos o dia inteiro lutando", diz Zé Trovão.

"Agora tá rodando nas redes sociais que o presidente da República fez um áudio que vazou pedindo aos caminhoneiros que abrissem, liberassem as pistas e voltassem a trabalhar. Okay. Esse áudio pode ser falso, pode ser verdadeiro, pode ser o que for."

Zé Trovão então se dirige diretamente a Bolsonaro: "Presidente da República, se o senhor realmente quer que nós abrimos (sic) as pistas (...) eu tenho duas coisas para dizer para o senhor. Primeiro, a minha vida hoje está destruída, porque eu estou sendo perseguido politicamente com mandato de prisão (...). Outra coisa: nós queremos que o senhor fale isso para o povo brasileiro. Que faça um vídeo, que fale a data, fale o dia e que o senhor peça a nós caminhoneiros para abrir [as estradas]. Porque aí sim, nós vamos fazer vídeos pedindo para liberar as pistas. Sem isso, presidente, eu não vou fazer."

"Não dá mais para confiar em áudios, em vídeos sem data, sem nada, porque pode ser coisa antiga. O que nós precisamos, é disso."

Ele termina falando para a câmera, mas se dirigindo a Bolsonaro, que está na rua lutando "pelo teu governo, pelo senhor".

6. Manhã de quinta-feira: Zé Trovão fala para 'não afrouxar'

Na quinta-feira, novo vídeo de Zé Trovão voltou a circular. Ele dá "bom dia a todos", constata a data do dia (quinta-feira, dia 9) e fala que a "noite foi longa e cansativa".

Ele pede que os caminhoneiros mantenham o bloqueio das estradas.

"Mas aqui vai ficar o meu recado. Pessoal: não afrouxa não. Segura isso aí. Vamos segurar as pistas. Não é pra afrouxar não. Vamos manter o nosso foco, manter a nossa força. Nós não podemos afrouxar. Se nós afrouxar (sic) agora, nós perdemos o nosso país."

E agora?

No meio da tarde, não havia mais bloqueios nas estradas, apenas pontos de concentração de manifestantes, segundo balanço do Ministério da Infraestrutura e da Polícia Federal Rodoviária.

O ministro Tarcísio Freitas postou em seu Twitter uma sequência de vídeos mostrando estradas que estavam supostamente bloqueadas com tráfego normalizado.

Mas há relatos de que algumas rodovias e a Esplanada dos Ministérios seguem bloqueadas por caminhoneiros.

Na manhã desta quinta-feira, Bolsonaro disse a apoiadores que se aglomeram na frente do Palácio do Alvorada que pretende se reunir com caminhoneiros "hoje para a gente tomar uma decisão".

Mas ele não especificou com quem exatamente pretende conversar, já que as lideranças tradicionais dos caminhoneiros não participaram dos bloqueios — e Zé Trovão está foragido da Justiça.

BBC Brasil

Extrema direita usa caminhoneiros como fantoches', diz grevista de 2018

 





Bloqueio de caminhoneiros começou em resposta a discursos de Bolsonaro no 7 de setembro

Por Felipe Souza , em São Paulo

Filas de caminhões nos acostamentos de rodovias e o medo de um novo desabastecimento em entrepostos e centros de distribuição gerou um corre-corre da população em algumas cidades, principalmente para abastecer o carro em postos de combustíveis.

Para Moisés de Oliveira Costa, de 44 anos, caminhoneiro autônomo e grevista em 2018, os caminhoneiros que se manifestam nesta semana são "usados como fantoches por empresas que defendem apenas seus interesses".

"Esses caminhoneiros estão sendo usados como massa de manobra. O que acontece é que as empresas são a favor do Bolsonaro e estão fazendo uma paralisação pela queda dos ministros do STF. Algo sem lógica nenhuma para os caminhoneiros", afirmou.

Moisés, que trabalha como caminhoneiro desde os 21 anos e ajuda o pai na mesma profissão desde os 11, disse que os únicos autônomos que aderiram à paralisação foram os que não tiveram opção ou não entenderam o motivo do protesto.

"Temos dois cenários. O primeiro é o do cara que aderiu porque está no fim da fila de caminhões parados e não pode passar sob o risco de ter o veículo destruído pelos grevistas. O segundo é aquele que entrou de gaiato na onda dos outros, mas nem sabe o que está acontecendo", afirmou em entrevista à BBC News Brasil.

Ao contrário do que ocorreu em 2018, neste ano os protestos dos caminhoneiros perdeu força e não teve uma adesão em massa da categoria, explica ele. Moisés diz que não há pautas claras em defesa dos caminhoneiros, como redução do valor dos pedágios ou do diesel, e até mesmo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pediu, por meio de um áudio, que a categoria voltasse ao trabalho e liberasse as rodovias.

'Caminhoneiro que participou de atos em 2018 diz que atual greve não tem pautas que favorecem a categoria'

Até o início da tarde desta quinta-feira (9), cinco rodovias permaneciam bloqueadas pelos manifestantes, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal e o Ministério da Infraestrutura. As interdições eram registradas nos Estados da Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina.

À tarde, um grupo de manifestantes, liderado pelo grevista conhecido como Chicão Caminhoneiro, se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro. O porta-voz do grupo disse que a paralisação continua. Ele afirmou à imprensa que os atos vão prosseguir até que eles se encontrem com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Ele não deu detalhes sobre o que seria conversado nesse encontro, mas afirmou que o presidente da República não fez nenhum pedido a eles ou vice-versa e que a pauta "sempre foi STF via Senado".

Moisés disse que essa é uma manifestação sem uma pauta clara a favor dos trabalhadores e da população e que isso pode levar ao descrédito da categoria em protestos futuros.

"Ninguém apresentou nenhuma reivindicação em prol dos caminhoneiros. Quem participa disso pode estar dando um tiro no pé da própria categoria. Eu trabalho para uma empresa em Osasco (Grande São Paulo) e nenhum dos 15 autônomos aqui aderiu. Todo mundo está trabalhando normalmente", afirmou.

Domínio da extrema direita

Moisés disse que a extrema direita se aproveitou de uma falta de representatividade política entre os caminhoneiros em 2018 para apoiá-los e, desde então, "dita as regras na categoria".

"Em 2018, a esquerda deixou a desejar, não se posicionou a nosso favor e a direita tomou conta. Os caminhoneiros autônomos não têm uma liderança fixa, então a extrema direita percebeu essa lacuna e se aproveita dela até hoje", afirmou.

Ele disse à reportagem que o maior exemplo disso é que a única pauta defendida pelos manifestantes neste protesto, segundo ele acompanha em grupos de caminhoneiros, é o fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF). Essa pauta também foi defendida por boa parte dos manifestantes nos protestos a favor do presidente Jair Bolsonaro que ocorreram no dia 7 de Setembro, em diversas cidades do país.

O caminhoneiro Moisés de Oliveira Costa disse ainda que os atuais protestos são bancados por grandes transportadoras e que nenhum profissional está disposto a perder dinheiro se manifestando por direitos que não irão beneficiá-los.

"Em 2018, a esquerda deixou a desejar, não se posicionou a nosso favor e a direita tomou conta", diz caminhoneiro

"Se você prestar atenção, só tem caminhões de empresas lá em Brasília. Todos novos, que custam até R$ 1 milhão. Nenhum caminhoneiro tem dinheiro para comprar um carro desses e nem para ficar lá parado pedindo impeachment de ministro. Colegas disseram em um grupo de WhatsApp que empresas pediram para que eles fossem a Brasília sem carga para ficar lá fazendo protesto", disse à reportagem.

BBC Brasil

Esticando a agonia




O País inteiro é refém de forças políticas que só pensam no custo de oportunidade

Por William Waack (foto)

Jair Bolsonaro conseguiu no 7 de Setembro tirar o último resquício de medo que se pudesse ter dele como personagem político capaz de levar adiante qualquer operação golpista de grande porte. Ele demonstrou não comandar instrumentos de força que, no fim das contas, acabam sendo decisivos em embates nos quais se antecipa possível emprego de violência física.

Chamam a atenção dois aspectos. O primeiro é o fato de que não ocorreu a temida insubordinação das PMS contra os governadores, que Bolsonaro ataca como inimigos. Confirmaram-se as avaliações de serviços de inteligência militares segundo os quais haveria apenas participação pontual de policiais no delírio de rua bolsonarista. Somado à recusa das cadeias de comando das Forças Armadas a embarcar na aventura política, fica evidente que o presidente não manda nas armas.

Talvez o que mais desespere Bolsonaro seja o segundo aspecto associado ao 7 de Setembro: o fato de ele não ter comando também sobre a Polícia Federal. Em qualquer projeto de golpe é essencial algum tipo de ferramenta de intimidação judicial e/ou policial sobre adversários (além da força militar), e o que está acontecendo é exatamente o contrário. A PF, que é uma polícia judicial, obedece meticulosamente ao STF (na cabeça de Bolsonaro leia-se Alexandre de Moraes). E intimidados estão sendo os bolsonaristas.

Vem daí a certa tranquilidade dos ministros do STF em assumir, nas deliberações internas, que a melhor resposta aos desafios de Bolsonaro ainda é “trabalhar dentro do processo”. Preocupado em não criar o fato jurídico contra si mesmo, Bolsonaro está sendo levado a cometer o erro básico de diletantes em golpes, que consiste em proferir ameaças sem a indicação de atos concretos para realizá-las. Sim, o palavrório consegue excitar a imbecilidade dos fanáticos. Mas, ao contrário de muitos juristas, e em parte do próprio STF, no entender da PGR até aqui “ameaça verbal” não é “atentado ao estado de direito” – portanto, denunciar Bolsonaro por crime de responsabilidade cabe à esfera política. Foi o que Aras e Fux fizeram na quarta-feira.

É nesse âmbito que o esbravejador desprovido de qualquer senso de estratégia está criando o “momento” contra si mesmo. Diminuiu o conforto do Centrão em apoiá-lo, embora sejam esses caciques os donos do cofre e da agenda política. Esses agentes políticos não são totalmente imunes à perda de apoio das elites empresariais, que está se alastrando para os segmentos médios da economia. O cálculo político nos setores dirigentes da economia é brutalmente simples: há perspectivas ainda de melhora da situação sob Bolsonaro? O “não” como resposta está crescendo.

Pior ainda para Bolsonaro e para o Centrão: a imprevisibilidade e a turbulência políticas dos últimos meses tiveram impacto na confiança em geral dos agentes econômicos. Desconfiança e incertezas se traduziram em números (como expectativa de inflação, juros e crescimento medíocre do PIB) que, por sua vez, reforçam o desânimo, a apatia e o sentimento generalizado nesses mesmos agentes. Bolsonaro não está atuando para quebrar essa espiral. Ao contrário, o 7 de Setembro acentuou a noção subjetiva de que pela frente só teremos tempos ainda piores do ponto de vista político.

Diante desse cenário, o 7 de Setembro transformou em ator central e decisivo o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira. É ele quem pode apressar o fim da agonia da qual Bolsonaro virou sinônimo. Mas, pela sua biografia e posturas políticas, Lira é a personificação do patrimonialismo, do regionalismo da política, do corporativismo e da incapacidade das elites políticas em particular e das elites dirigentes em geral de estabelecer qualquer coisa parecida com um projeto de nação. Seria ilusório esperar dele um gesto de coragem.

Assim, não só Bolsonaro, mas o Brasil inteiro, tornou-se refém do Centrão – entendido como um conjunto de forças políticas amorfas que cuidam apenas de seus interesses políticos imediatos. Para as quais o único custo que importa é o de oportunidade. Bolsonaro, pelo jeito, ainda vale a pena. Agonia alheia não dói.

O Estado de São Paulo

Matar, morrer ou acomodar




No balé das instituições, quem vai dar o tom é o Brasil real dos saques a supermercados

Por Maria Cristina Fernandes (foto)

O presidente do Supremo Tribunal Federal falou duas vezes que ninguém fecharia a Corte. Deixou a magistratura incomodada com a contenção. Se duplicou a bravata porque há um cabo e um soldado à sua porta há outros usos para a energia despendida. Poderia, por exemplo, oficiar o procurador-geral da República a se manifestar sobre o crime de responsabilidade do não-cumprimento de decisões judiciais. Ou representar ao TSE por propaganda eleitoral antecipada. E ainda cobrar um posicionamento do presidente da Câmara sobre os 126 pedidos de impeachment.

Ante um presidente que bateu de frente, o ministro Luiz Fux optou pela estratégia de comer pelas beiradas. Elogiou as polícias, militar e federal, e as Forças Armadas, como a cativá-las para os embates do golpismo permanente decretado pelo presidente e já evidenciado nos ataques desta quarta ao Ministério da Saúde e na permanência dos caminhões na Esplanada.

A estratégia de Fux ainda passa pelo freio na negociação dos precatórios, a conta que não deixa o Orçamento fechar. Antes da manifestação, STF e TCU buscavam, junto com o Ministério da Economia, uma solução que arriscava até o calote. Agora os dois tribunais voltaram a colaborar, desta vez em busca dos financiadores nacionais - e internacionais - da guerrilha bolsonarista. Se a busca é por símbolos do isolamento, aí está um.

Este foi um dos temas tratados na reunião entre os ministros, na noite do dia 7, quando se combinaram as linhas do discurso do presidente da Corte, Luiz Fux. As evidências de financiamento privado irregular já tinham ficado claras no bloqueio das contas da Aprosoja. Confirmaram-se com o transporte de manifestantes para Brasília e São Paulo, onde uma pesquisa da USP detectou que 27% vinham de fora da Região Metropolitana.

E, finalmente, a presença do ex-assessor do ex-presidente Donald Trump, Jason Miller, em Brasília, levou autoridades americanas a colaborar com a Polícia Federal para mapear a origem do jatinho que o trouxe ao Brasil. Trata-se de uma das cabeças da estratégia de comunicação da extrema-direita mundial, que deu as caras com as placas bilíngues a reproduzir o grito de ordem “a vida pela liberdade” ecoado no discurso presidencial.

É isto que, ao fim e ao cabo, destrói quaisquer perspectivas de acomodação como foi tentado ontem pelo presidente da Câmara, Arthur Lira. Se nunca usufruiu de credibilidade, Lira agora também parece desprovido de um redator de discursos original. Lira achou por bem “enaltecer a todos os brasileiros que foram às ruas de modo pacífico”.

Quem destrói as perspectivas de acomodação é o próprio presidente que, sem força para dar um golpe clássico, investe no golpismo permanente. O tempo de um não converge com o do outro. Lira precisa conter o STF, de um lado, e o presidente, do outro, para aprovar o orçamento com uma equação para as emendas de relator, com as quais não apenas espera garantir seu gado na Câmara como as condições para sua recondução ao cargo em 2023.

Falta ainda a Lira uma estratégia para lidar com a pressão crescente por impeachment. Um fino observador da cena brasiliense comparava ontem a situação que cerca Bolsonaro daquela que emparedou a ex-presidente Dilma Rousseff. Ao contrário dela, o presidente já demonstrou que topa entregar tudo - à Câmara ou ao Senado. No impeachment de Dilma, ao contrário daquele de Fernando Collor de Mello, houve um intervalo de 20 dias entre as decisões das duas Casas.

Se Dilma tivesse enfiado 20 senadores na Esplanada poderia ter liquidado o impeachment, diz. Ela optou pela biografia de torturada. Lira mantém a blindagem do Palácio do Planalto com uma dúvida: e se agora for diferente? Bolsonaro já demonstrou que não mede esforços nem dinheiro do contribuinte para comprar apoio. O presidente do Senado tem dado demonstrações de que não engole esta isca, mas irritou seus pares ontem com a decisão de suspender as sessões do Senado onde eram previstos discursos enfurecidos contra o golpismo presidencial. Na fala, que completou a discurseira do dia, voltou a se apresentar como mediador da crise.

O enredo de Arthur Lira pode cair no vazio se o Supremo, de fato, levar à frente sua disposição de reagir contra a ameaça que a unanimidade dos ministros avalia ser real contra a instituição. Bolsonaro confia no piso da votação do voto impresso, quando perdeu na tese mas obteve 59 votos a mais do que precisa para barrar um processo de impeachment. Se confiar demais, porém, pode perder o pé da capacidade de articulação política de ministros que têm relações estreitas com o MDB, o DEM, o PSDB, o Rede, o PT, o PSB e o próprio PP de Lira.

O presidente da Câmara ainda ganha mais com Bolsonaro fraco do que com um Hamilton Mourão empossado e disposto a mostrar serviço. Mas esta conta pode virar se a blindagem se mostrar desfavorável ao STF. A Corte pode pautar, por exemplo, a ação direta de inconstitucionalidade que questiona as emendas de relator.

O Supremo ainda aposta em alguma margem de manobra com o procurador-geral da República, Augusto Aras. Depois de sua recondução, sucessivos pedidos de prisão de blogueiros e agitadores bolsonaristas começaram a sair da PGR. A isso se some a tese do senador Davi Alcolumbre, de que se Bolsonaro quer fechar o STF não vale a pena confirmar o ministro indicado.

A percepção de que a indicação do ex-AGU, André Mendonça, subiu ao telhado pode despertar em Aras o dom ainda mais refinado da ubiquidade. Calibrará sua atuação pela avaliação sobre o senhor ao qual vale mais a pena servir - se àquele que precisa manter o cargo ou àqueles que preparam o bote. No discurso de ontem não disse que sim, nem que não, muito pelo contrário.

O tom dissonante do balé das instituições pode vir do Brasil real. Acumulam-se indicadores a mostrar a confiança de agentes econômicos em declínio acelerado a se refletir no câmbio, na inflação. Se é o caos dos saques a supermercados e cargas de alimentos que Bolsonaro pretende, o tiro pode sair pela culatra, adverte um ministro do Supremo. A convicção dos parlamentares contrários ao impeachment, diz, tem a dureza de uma pedra de sabão.

Valor Econômico

Escalada de Bolsonaro muda pouco reação das instituições - Editorial

 



STF ganha adesão do Senado contra as investidas antidemocráticas do presidente

As grandes manifestações bolsonaristas no dia 7 de setembro foram o ensaio geral dos planos do presidente Jair Bolsonaro para manter-se no poder, por vias legais ou não. As multidões, convocadas pelo presidente, lhe deram o cenário desejado para que prossiga no ataque às instituições: ações diretas junto ao “povo”, - representado por fanáticos apoiadores - com caráter “plebiscitário”. Para Bolsonaro, basta-lhe um “eu autorizo” da minoria que o segue para avalizar seus propósitos antidemocráticos.

As manifestações do Dia da Independência não foram apenas mais uma delas. Pelas bandeiras e palavras de ordem não houve defesa da democracia, apesar do slogan da “liberdade de expressão”, o que para o presidente da República significa simplesmente fazer o que lhe der na telha, sem restrições legais ou institucionais. Bolsonaro reuniu dezenas de milhares de pessoas para dizer que “canalhas” (do STF) jamais o prenderiam, ameaçar o STF, que deveria conter o ministro Alexandre de Moraes ou “sofrer aquilo que não queremos”. Depois, ao encarar Moraes como indivíduo e não representante da Suprema Corte, disse que “não mais cumprirá” qualquer decisão dele.

Uma coisa é Bolsonaro resmungar em suas lives semanais mambembes contra o Supremo, outra é convocar multidões para riscar do mapa o Judiciário. Houve uma diferença de qualidade no ataque às instituições em relação aos anteriores. Luiz Fux, presidente do STF, mostrou a linha que Bolsonaro cruzou: é crime de responsabilidade descumprir decisões judiciais. A própria incitação e a ofensa a ministro da Corte “são práticas antidemocráticas e ilícitas”, afirmou.

A presença em peso de apoiadores do presidente não foi só um expediente para que um mandatário fraco se sinta fortalecido. A constante agitação civil contra a democracia feita por Bolsonaro, que mais provoca e incita do que governa, é um componente importante, mas não tão vital, da sua tentativa de permanecer no poder. O presidente conta que terá as Forças Armadas ao seu lado, assim como as polícias, de cujas comemorações e formaturas participa com regularidade incomum para um presidente desde que foi eleito. Bolsonaro não é um organizador das massas, sequer tem partido e não vê um como necessário. A força decisiva que busca, ao que parece, não está exatamente, ou apenas, nas ruas.

Após a mudança de grau na escalada de Bolsonaro, a reação das instituições mostrou um quadro de forças que moldarão os embates futuros provocados pelo presidente, que certamente virão. A resistência aos arreganhos autoritários do presidente cresceu, os mercados desabaram no dia seguinte, se disseminou mais a crença de que as reformas estão encerradas, mas o mapa do poder das instituições dispostas a conter Bolsonaro parece ter mudado pouco.

O STF, alvo do ataque mais concentrado do governo até agora, manteve-se firme e disse que a atitude de Bolsonaro pode conduzir a um crime de responsabilidade, logo a um impeachment ou ação penal, a serem analisados pelo Congresso ou pelo Procurador Geral da República. O presidente da República conta, por enquanto, com demasiada confiança, de que nada virá destes dois flancos.

O discurso do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) foi diversionista: todos os Poderes devem respeitar a Constituição - sem nomear que o Executivo não o está -, deve haver harmonia entre eles - quando a cizânia parte de um só - e elogiou os brasileiros que “foram à rua de modo pacífico” - pregar o fechamento do Supremo e intervenção militar. O Centrão, e o PP de Lira, que detém a Casa Civil e o destino de emendas bilionárias no Congresso, deu sinais claros de que não desembarcará do governo já e os pedidos de impeachment de Bolsonaro seguirão na gaveta.

A manifestação do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) foi mais contundente. Determinou, em protesto, que por uma semana todas as reuniões deliberativas e de comissões sejam suspensas. A reforma do IR e outras pautas de interesse do governo estão lá. É no Senado que o apoio ao governo é escasso, ao contrário da Câmara.

Augusto Aras, o procurador geral, disse que discordâncias devem respeitar o “devido processo legal” e elogiou a “festa cívica”. As manifestações foram “expressão de uma sociedade plural e aberta, característica de um regime democrático”. Em suma, nada aconteceu que preocupasse o procurador, que tem entre seus deveres fazer respeitar a Constituição.

Valor Econômico

Opinião: Um sistema que encoraja a covardia


Posted: 09 Sep 2021 08:18 AM PDT

Foto: Arquivo Pessoal

Inquérito contra o delegado Felipe Leal é mais uma intimidação que visa sufocar quaisquer possibilidades de reação à corrupção. O que temos visto ultimamente são juízes, procuradores da República e delegados federais, que cumpriram seus deveres e atuaram como deveriam, isto é, pro societate, sendo vítimas de vendetas do sistema, muitas vezes operadas por seus próprios pares - ou por aqueles que com eles deveriam se entrincheirar. Buscam com isso, de forma inequívoca, encorajar a covardia - e a omissão - da polícia judiciária da União. Os objetivos são claros: manutenção da impunidade de poderosos", afirma o delegado da PF aposentado, Jorge Pontes, em artigo de opinião para a Veja.

Por Jorge Pontes, para a Veja

Centenas de delegados da Polícia Federal estão assinando, nesta quinta-feira, 9 de setembro, uma petição pública de apoio ao delegado Felipe Leal, em razão da manifestação da Procuradoria-Geral da República, que requisitou - à própria Polícia Federal - instauração de um inquérito em seu desfavor.

O delegado Felipe, conhecido por seus pares pela seriedade do seu trabalho, por seu acurado conhecimento jurídico e pelo rigor técnico que invariavelmente dispensa aos inquéritos que preside, será investigado pelo suposto cometimento dos crimes de abuso de autoridade e violação de sigilo funcional.

Bom lembrar que o Dr Felipe conduzia investigações extremamente sensíveis, entre elas um inquérito policial que envolve fatos atribuídos ao presidente Jair Bolsonaro.

Em um país refém da corrupção sistêmica e dominado por plataformas da delinquência institucionalizada, incrustadas nos poderes, que nos amarram ao passado e não nos permitem promover as transformações aspiradas por nossa sociedade, cargas como essa, levadas a cabo contra investigadores como o Dr Felipe Leal, funcionam como uma intimidação que visa sufocar quaisquer possibilidades de reação e superação desse abismo em que nos encontramos.

O que temos visto ultimamente são juízes, procuradores da República e delegados federais, que cumpriram seus deveres e atuaram como deveriam, isto é, pro societate, sendo vítimas de vendetas do sistema, muitas vezes operadas por seus próprios pares - ou por aqueles que com eles deveriam se entrincheirar.

Buscam com isso, de forma inequívoca, encorajar a covardia - e a omissão - da polícia judiciária da União. Os objetivos são claros: manutenção da impunidade de poderosos.

A história recente nos mostra que inquéritos policiais bem conduzidos podem mudar o Brasil.

Que delegadas e delegados da Polícia Federal - investigadores e gestores - superem esse período de dificuldades e resistam na inarredável missão da busca da verdade real, sua mais relevante atribuição constitucional.

*Jorge Pontes foi delegado da Polícia Federal e é formado pela FBI National Academy. Foi membro eleito do Comitê Executivo da Interpol em Lyon, França, e é co-autor do livro Crime.Gov - Quando Corrupção e Governo se Misturam.

Mais de 783 policiais federais assinam nota de apoio ao delegado Felipe Leal, perseguido pela PGR por investigar interferência de Bolsonaro na PF

Blog da Noelia Brito

Posted: 09 Sep 2021 12:31 PM PDT

Delegado da Polícia Federal Felipe Leal (Foto: Reprodução)
 

Policiais federais de todo o Brasil, a maior parte deles delegados, criaram uma petição pública on line em que manifestam apoio ao delegado da PF, Felipe Leal, responsável por investigar as denúncias de interferência do presidente Jair Bolsonaro na instituição, para "blindar" parentes e membros de seu governo. Segundo os federais, a intimidação contra delegado Felipe Leal seria "um movimento no sentido de acanhar os policiais federais responsáveis por investigações de combate à corrupção, em detrimento da atuação em desfavor dessa prática criminosa tão prejudicial à sociedade que, infelizmente, ainda assola a população brasileira." A petição já recebeu mais de 780 assinaturas. O número, porém, deve ultrapassar as mil assinaturas até o final do dia.

Após solicitar informações sobre diversos registros de possíveis interferências presidenciais na substituição dos Superintendentes nos Estados do Rio de Janeiro e de Pernambuco, e sobre a exoneração do Superintendente do Amazonas e não nomeação de Franco Perazzoni como Delegado Regional de Combate ao Crime Organizado, no Distrito Federal, Leal foi afastado da condução do inquérito por Alexandre de Moraes e foi alvo de uma requisição de investigação por parte da Procuradoria Geral da República, fato que para os policiais federais seria "um movimento no sentido de acanhar os policiais federais responsáveis por investigações de combate à corrupção, em detrimento da atuação em desfavor dessa prática criminosa tão prejudicial à sociedade que, infelizmente, ainda assola a população brasileira."

Leiam a nota na íntegra:

Nota de apoio ao Delegado Felipe Leal

Para: Policiais Federais

Os policiais federais subscritores vêm, por meio desta nota, manifestar o seu completo e irrestrito apoio ao delegado FELIPE ALCÂNTARA DE BARROS LEAL diante da manifestação da Procuradoria-Geral da República que requisitou a instauração de inquérito policial em seu desfavor.
Felipe Leal é um policial que se dedica há quase vinte anos à corporação, sendo que somente na última década foi o responsável por presidir e coordenar dezenas de investigações sensíveis e de relevo nos diversos estados da federação onde atuou, sempre enaltecendo o nome da instituição com sua dedicação e zelo.
Aliados à sua expertise policial, evidenciam-se o seu extremo rigor técnico e seu incessante conhecimento jurídico, fatores esses que seguramente motivaram a sua manutenção na condução da investigação que envolve fatos atribuídos ao Sr. Presidente da República, dada a sensibilidade de seu objeto, em continuidade aos trabalhos que já vinham sendo desenvolvidos.
Conhecedores da competência e do profissionalismo que sempre pautaram a atuação do Delegado Felipe Leal - o que não foi diferente no caso do apuratório em evidência - é que os presentes subscritores REPUDIAM a manifestação da Procuradoria-Geral da República que requisitou a instauração de inquérito policial em seu desfavor uma vez que inexistente qualquer justa causa a amparar tal pretensão.
Lamentavelmente, observamos com bastante preocupação um movimento no sentido de acanhar os policiais federais responsáveis por investigações de combate à corrupção, em detrimento da atuação em desfavor dessa prática criminosa tão prejudicial à sociedade que, infelizmente, ainda assola a população brasileira.
Sabedores das inúmeras dificuldades enfrentadas em investigações dessa natureza é que enaltecemos o trabalho do nobre colega e seremos eternamente avessos a qualquer tentativa de sufocar a nossa atuação policial, na certeza de que nossos trabalhos contribuem para o engrandecimento e evolução da sociedade brasileira.

 

Até o momento da publicação desta matéria, 783 policiais federais haviam assinado o manifesto em repúdio às intimidações contra o delegado Felipe Leal:

1 Acen Amaral Vatef 2 Ada Otoni Ferreira Fontanella 3 Adair Gregório 4 ADALTO ISMAEL RODRIGUES MACHADO 5 Adauto Gomes da Silva Junior 6 Adblando Pereira de Souza Júnior 7 Áderson Vieira Leite 8 Adilson Batista Bezerra 9 Adolfo Humberto Alves Barbalho 10 Adriana guimaraes santana 11 Adriane Uhlmann Chollet 12 Adriano Batista Chamme 13 Adriano Dias Teixeira Amorim do valle 14 Adriano Espindula Soares 15 ADRIANO FERREIRA FEITOSA 16 ADRIANO MARES TAROUCO 17 Adriano Silva 18 Adriele Maiorka 19 Alan de Oliveira Lopes 20 Alan gonçalves 21 Alan Robson Alexandrino Ramos 22 Alberto Ferreira Neto 23 Alberto Mendes da Rocha 24 Aldermário Honorato de Souza 25 Aldo Amorim 26 Alecsander Frederich Moreira Ferreira 27 Alessandre Mauro Tomaz 28 ALESSANDRO ELISIARIO BATALHA 29 Alessandro Lopes 30 Alessandro Magalhães de Moraes 31 Alessandro Rodrigues Batista 32 Alessandro Silveira Furtado 33 Alex Cerqueira 34 Alex Sandro Biegas 35 Alex Silva Chagas 36 Alexander Boeing Noronha Dias 37 Alexander Cunha 38 Alexander Taketomi Ferreira 39 Alexandre Caixeta Marangoni 40 Alexandre Caldeira 41 Alexandre Custodio Neto 42 Alexandre de Sousa Alves 43 Alexandre Ferreira Brabo 44 Alexandre Fresneda de Almeida 45 Alexandre Malheiro 46 ALEXANDRE PEREIRA DE MACÊDO UCHÔA 47 Alexandre Poiava Carvalheira 48 Alexandre Quevedo Ribeiro 49 Alexandre Ribeiro 50 Alexandre Rodrigues Batista 51 Alexandre Saraiva 52 Alfonso Rafael Cavalcanti Struck 53 Alfredo Junqueira 54 Alice da Silva Santos 55 Aline Cuzzuol 56 Allan Teixeira Cezar 57 ALUISIO MEDEIROS SILVA JUNIOR 58 Alysson Eloy 59 Alzilaide Gomes 60 Amanda Corrêa 61 Amaury Ribeiro Neto 62 ANA CECILIA LOUREIRO ACCIOLY SILVA 63 Ana Ester Ferreira de lima Oliveira 64 Ana Gabriela Becker Gomes 65 Ana Paula Meirelles de Oliveira 66 Ana Telma Ribeiro Silva 67 Anderson kleber de andrade correia 68 Anderson Rui Fontel de Oliveira 69 Andre Almeida de Azevedo Ribeiro 70 André de Oliveira Gurgel 71 André guedes beltrao 72 ANDRE JOBERTO TORRES JUNIOR 73 ANDRE LANER TOLEDO 74 Andre Luis Acosta dos Santos 75 Andre Luiz Barbieri 76 André Luiz Machado 77 ANDRE LUIZ MATOS DO NASCIMENTO 78 Andre Moreira Branco dos Santos 79 André Santana 80 Andrea Karla Tenório Lima Passos 81 Andrea Pinho Albuquerque da Cunha 82 Andrea Tsuruta 83 Andressa de Jesus Lins 84 Anelise Wollinger Koerich 85 Angela Gonçalves 86 Angela Maria de Barros Menezes Agostinho 87 Angelino Alves de Oliveira 88 Anna Flávia Michelan 89 ANNE ELIZABETH DE CASTRO AQUINO 90 Antar Aires Nasser 91 ANTINIO FLAVIO ROCHA FREIRE 92 ANTONIA LENIRA DE SOUZA GUERRA ALVES 93 Antonio Carlos Moriel Sanchez 94 Antonio Clidemir da Silva Amora 95 Antonio Ferreira de Lima 96 Antônio Glautter de A Morais 97 Antonio José Silva Carvalho 98 Antonio Roberto Cesário de Sá 99 Aparecida Gualberto dos Reis 100 Araquem Alencar Tavares de Lima 101 Arlyson Mark Xavier Epaminondas 102 Arnold Fontes Mascarenhas Neto 103 Arthur Emílio Brígido Machado Alves 104 Arthur Moreira Crispim Melo de Menezes 105 Artur de Brito Lemos 106 Aurélio Julbert de Assis Ruprecht 107 Belmiro Freire de Araujo 108 Bernardo Adame Abrahao 109 Bernardo Gonçalves de Torres 110 Bernardo Guidali Amaral 111 Bradson Camelo 112 brenda_bs14@hotmail.com 113 Breno Azevedo Setuba 114 Bruna Haddad Barros Ribeiro 115 Bruna Rizzato Barbosa 116 Bruno bassani rebelo 117 Bruno Benassuly 118 Bruno Costa de Toledo 119 Bruno Gobbi Coser 120 Bruno Pereira Pinto Gama 121 Bruno Simões 122 Bruno Zampier 123 Caio Bortone Ramos Ribeiro 124 Caio Eduardo Avanço 125 Caio Martins de Lima 126 CAIO SANTOS MELO 127 Camila Michelle 128 Camille Gomes 129 Camilo Gabriel Baggio 130 Carla Amaral Sasson Negreiros 131 Carla Patrícia Cunha 132 Carla Simone Souza Sá Barreto 133 CARLOS ALBERTO FONTANELLA PILATI 134 CARLOS ALBUQUERQUE 135 Carlos Alexandre Guedes Chavão 136 CARLOS ANTONIO DE AZEVEDO MOREIRA 137 Carlos castelo Paes lima Rodrigues 138 Carlos cesar Pereira de melo 139 Carlos Eduardo de Resende Chamberlini 140 Carlos Eduardo Miguel Sobral 141 Carlos Felipe Maciel Costa 142 CARLOS HENRIQUE MACEDO 143 CARLOS HENRIQUE PINHEIRO DE MELO 144 CARLOS JOECIO DUARTE DE HOLANDA 145 Carlos Rocha Sanches 146 CARLOS ROGÉRIO MROGINSKI 147 Cassiana Saad de Carvalho 148 Cássio Albuquerque 149 CELIO JACINTO DOS SANTOS 150 Cesar de Souza Portella 151 César Leandro Hübner 152 Cezar Augusto 153 Charles Gonçalves Lemes 154 Charles Sobreira dos santos 155 Charles Vinicius de Cabral Motta 156 Chris Sel 157 CHRISTIAN GUEDES DA SILVA 158 Christian Luz Barrh 159 Christian Robert Wurster 160 Christiane Corrêa Machado 161 Cibele Rocha Amaro 162 Cícero dos Santos viana Viana 163 CID SABOIA SOARES 164 Cinthia Domingues da Silva 165 Clairton martins Santos junior 166 Clarissa gimeno 167 Claudia Braga 168 Claudia Maria Jota da Silva 169 CLAUDINEI MARCELO SANTIN 170 Claudino Sebaldo Alves de Oliveira 171 Claudio Carvalho da Silva 172 Cláudio Roberto Trapp 173 Clayton José Lima Robert Teixeira Júnior 174 CLAYTON LUCIO SANTOS DE SOUZA 175 Cleber de Oliveira Campos 176 Cleberson alminhana 177 Cléo Matusiak Mazzotti 178 Clésio Leão de Carvalho 179 CLEYBER MALTA LOPES 180 Conrado de Almeida 181 Cris Ladeira 182 Cristiane Albuquerque 183 CRISTIANO DE OLIVEIRA ROCHA 184 Cristiano Dutra Negreiros 185 Cristiano Eloi 186 Cristina Amaral 187 Dagoberto Albernaz Garcia 188 Dalton marinho 189 Daniel Barroso de Carvalho 190 Daniel Britto 191 DANIEL CESAR DO VALE 192 Daniel da Silva Menezes 193 Daniel Fabio Fantini 194 Daniel Franco da Mota 195 Daniel horta alves 196 Daniel Josef Lerner 197 Daniel Mostardeiro Cola 198 Daniel Silvestre de Lima 199 DANIELA BRIDGES SANTOS 200 Daniela Lugli Schineweg 201 Daniela Moraes Weiler Bertoldo 202 Daniele Gossenheimer Rodrigues 203 Darcy Wanderley Guedes 204 DARIO MARCIO SA LEITAO 205 Darlison Santiago da Silva 206 DAVI JACOBS DE SOUZA 207 David Peixoto Ferreira 208 Décio Pereira de Moura 209 Denis Colares de araujo 210 Dennis Do Ó 211 Dhiego Melo Job de Almeida 212 Diego Andrade Suassuna 213 Diego Campos de Almeida 214 Diego Gallo de Souza Gay 215 Diogenes Perez de Souza 216 Diogo Caneda dos Santos 217 Diogo Nogueira Amorim 218 Diogo Pedrosa de Albuquerque 219 Diogo Ribeiro Borges 220 Divino Alves Caetano Neto 221 Dnl Mrtarelli 222 Domingos Ferreira Viana 223 Dominick Miranda 224 Eder Francis oliveira 225 EDER ROSA DE MAGALHAES 226 Eder Spinola Rocha 227 EDERSON AURELIO CAMPESTRINI 228 EDGARD ALMEIDA QUEIROZ PRATA RESENDE 229 Edgard Butze Grüdtner 230 Edivaldo Waldemar Genova 231 Edmar Junior 232 Edson Carlos Ribeiro 233 Edson Patricio do Nascimento 234 Eduardo Alexandre Fontes 235 Eduardo Alves Queiroz 236 EDUARDO ANTONIO BADARO JUNIOR 237 Eduardo BRUN Souza 238 Eduardo Correa de Figueredo 239 Eduardo Gomes 240 EDUARDO HENRIQUE SOUSA PASSOS 241 Eduardo Nobre Bueno Brandao 242 Edval de Oliveira Novaes Junior 243 Edvandir Félix de Paiva 244 Edy Barros 245 ELAINE COUTO VILLELA 246 Elaine Cristina Martins 247 Elias Nascimento Magalhaes 248 ELIZELIA AGRA DA SILVA 249 Eloi Werner 250 ELVIS APARECIDO SECCO 251 EMERSON ANTONIO RODRIGUES 252 Emerson Gonçalves de Aquino 253 EMERSON ROBERTO SOUSA DA SILVA 254 Emmanuel Gaspar 255 ENZO RICARDO LABORDA REBELO 256 Erick Ferreira Blatt 257 Érico Marques de Mello 258 ERIKA ARAÚJO FIGUEIREDO PEDROSA 259 Erika Coppini 260 Erika Mialik Marena 261 Erisvaldo Graca de Sousa 262 Esmeralda O Silva 263 Evandro Lueders Valenca 264 Ezequias Martins da Silva 265 Ezequiel Vinicius Carvalho 266 Fabiana de Araújo Macedo 267 Fabiana Martins Machado 268 Fabiana Melo 269 Fabiana Volpini Castro 270 Fabiano Augusto Signor Fontanella 271 FABIANO Emidio de Lucena Martins 272 Fabio Aires Rodrigues 273 Fabio Carlos Cavarra 274 fábio eduardo lopes monteiro 275 FABIO FAJNGOLD 276 FABIO LUTTI 277 Fabio Maia de Faria 278 Fábio Marcelo Andrade 279 Fabio Mertens 280 Fabrício Alonso Martinez Della Paschoa 281 FABRICIO ARGENTA 282 Fabricio de Azevedo Carvalho 283 Fabrízio Garbi 284 FARNEI FRANCO SIQUEIRA 285 Felipe Morais do Monte 286 Felipe Peres 287 Felipe Soares Cardoso 288 Felipe Tavares Seixas 289 Felipe Vianna de Menezes 290 Fernanda Corrêa de Freitas 291 Fernanda Costa de Oliveira 292 Fernanda de Aguiar Machado 293 Fernanda Novaes Cruz 294 Fernando Amorim 295 Fernando Araújo Campos 296 Fernando Ballalai Berbert de Castro Junior 297 Fernando Barros Martins 298 Fernando Bertuol Dose 299 Fernando Carlos Nascimento de Castro 300 Fernando Castro 301 FERNANDO PERES 302 Fernando Schwengber Casarin 303 Filipe Bezerra 304 Filipe Freire Bezerra 305 Flavia Renata Matos Michel 306 Flavio Alves dos Santos 307 Flávio Augusto de Araujo Pinheiro 308 flavio gladimir leal winkelmann 309 Flávio Henrique Diniz Oliveira 310 Flavio Marcio Albergaria Silva 311 Flávio Setti 312 FLAVIUS LUIS DA SILVA ARAUJO 313 Florisvaldo Emílio das Neves 314 FRANCISCO DE ASSIS DE SOUZA BATISTA 315 Francisco de Carvalho Lapa 316 Francisco Leite Bezerra 317 Francisco Leite Serra azul neto 318 Francisco Lima 319 Francys Mara Silva Pereira 320 Frederico S. G. Ferreira 321 Frederico Soares Cursino de Freitas 322 Gabriel Arnaud Xavier 323 Gabriel David Pinto Fuchs 324 Gabriel Figueiredo Cavalheiro Leite 325 Gabriel Lobo de castro meira 326 Gabriel Rocha Soares 327 Gabriel Toselli Barbosa Tabosa do Egito 328 Gabriela 329 Gecivaldo Vasconcelos Ferreira 330 GEORGE DIDEROT DUARTE de brito 331 George Hamilton Maranhão Alves 332 Georgia de Oliveira Baçvaroff 333 Geraldo Alencar Barreto Neto 334 Geraldo Magela Mendes Menezes Júnior 335 GERALDO SAVIO ACCIOLY PEDROSA 336 Germano Miranda 337 Geysa ferraz de Carvalho fanhani 338 Gina Raquel Nogueira 339 Giordanno Azevedo Costa Martins 340 Gisele Cristina de carvalho 341 GISELLE BORGES LEAL FONSECA 342 Gissele Santiago Pimentel 343 Gizelle Olivo 344 Gladys Miranda 345 Glauber José Farias Diehl 346 Glauco Lopes Pinheiro 347 Glenderson Luidygi bezerra Lopes 348 Graziela silva 349 Graziella Balestra 350 Guilherme Alves de Siqueira 351 Guilherme Carvalho Andrade 352 GUILHERME FIGUEIREDO SILVA 353 Guilherme Guimarães Sant Ana 354 Guilherme Helmer 355 Guilherme Nogueira de Holanda 356 GUILHERME TORRES 357 gustavo alexandre Alencar barros 358 Gustavo de Souza Buquer dos Santos 359 Gustavo Emilio Trevizan Mochi 360 Gustavo Henrique do Rego Monteiro Ferreira 361 Gustavo Henrique Machado de Arruda 362 Gustavo Henrique Pivoto João 363 Gustavo Pinto Vilar 364 GUSTAVO SCHNEIDER 365 Gustavo Vieira de Castro 366 Gustavo Zonato Rodrigues 367 Guta Brito 368 Handerson Afonso Loureiro Zatorre 369 Haroldo Sérgio Lima Ferreira 370 Hayder Martins 371 Helcio William Assenheimer 372 Helena de Rezende 373 Helena Rezende Mazzocco 374 Hellan Wesley Soares 375 Heloisa Albes de Albuquerque 376 Henrique Callou 377 Henrique cesar diogenes 378 Henrique Grão Velloso Damato Oliveira 379 Henrique Oliveira Santos 380 Herbert Oswald Barros Lira 381 Herik da Gama 382 Heriton Siqueiri Fanhani 383 Hilton Ferreira 384 Hugo Leonardo de Oliveira Melo 385 Humberto Ferri 386 Iago Fonseca de Oliveira 387 Igor César Conti de Almeida 388 Igor de Miranda Góes Chagas 389 Igor Irigon Gervini 390 Igor Romario de Paula 391 Ilka Guimarães Santana 392 Íngara Fonseca Mariano 393 Ingrid Fonseca Mariano 394 Isis Guilherme Pereira da Silva 395 Israel Minone Castilho 396 itacira alves cabral 397 Iuri Oliveira 398 Ivan César 399 Ivonete da Luz 400 Jackson Gonçalves 401 Jacob Guilherme da Silveira Farias de Melo 402 Jacsan Vasconcelos Almeida Lima 403 Jaime Candido da Silva Junior 404 Jairo Willamen de Quadros dos Reis 405 james princess oliveira miranda 406 Janaina Pereira Lima Palazzo 407 Jane Aparecida Caetano Medeiros 408 Janine Henrique Bastos 409 jean da silva moura 410 Jean karlo dos santos Lemos 411 Jean Pierre Leite 412 Jessica Bevilaqua Zarattini 413 Jimy Madeiro 414 João Assis M Santos 415 Joao Antonio Ribeiro dos Santos 416 João Claudio Nabas 417 João de Morais Moura 418 Joao Eduardo de Gois Costa 419 João Gustavo de França Scovino 420 João Luiz Córdova Maciel 421 João Luiz Moraes Rosa 422 João Marcelo de Souza Pulsides 423 João Paulo Medeiros Tavares 424 João Vitor Resende 425 Jonathan Klock 426 Jorge Barbosa Pontes 427 Jorge Eduardo Kuraiem 428 Jorge Vinícius Gobira Nunes 429 José Antonio Dornelles de Oliveira 430 José antonio passos lima 431 JOSÉ AUGUSTO DE LIMA NETO 432 Jose de Ribamar Mendes Oliveira 433 José de Ribamar Nunes Junior 434 José Eloisio dos Santos Neto 435 Jose Felix j da Rocha 436 José Fernando Moraes Chuy 437 José Magi Stuqui Jr. 438 José Maria Martins Simão 439 JOSÉ NERY DE ARRUDA JÚNIOR 440 José Ozete 441 José Roberto 442 José Thiago Domingos de Pontes 443 jose vinicius crispim melo de menezes 444 Joycemara Cristina Sales de Freitas 445 Juan Almeida 446 Jubér Vaz dos Santos 447 Judas Thadeu De Vasconcelos 448 Julia Viana de Sousa Pires 449 Júlia Villac Lima Nascimento 450 Juliana Dantas Lima 451 JULIANA FERRAZ BARROS ALVES 452 Juliana Resendw 453 Juliane Otoni dos Reis Ferreira 454 Julio Cesar Baida Filho 455 Julio César ribeiro 456 Júlio Cezar Figueiredo Machado 457 JULIO MITSUO FUJIKI 458 Junio Alberto das Dores 459 Juvercino Guerra Filho 460 Kamila Monteiro Maestri 461 Karen Santos e Silva 462 Karina M Souza 463 Karla Amaral 464 Karla Gomes de Matos Maia 465 Karoline Araújo Diniz 466 Kel Souza 467 Kilma Caminha Veloso Freire 468 Klinger Dias Gonçalves 469 Larissa Brenda da Silva de Miranda 470 Larissa Freitas Carlos perdigao 471 Laura de Castro Mourão 472 Lauren Barga Salatino 473 Leandro Augusto da Fonseca Feitosa 474 LEANDRO RIBEIRO 475 Leila Vidal 476 Leo Garrido de Salles Meira 477 Leon Emerich Lentz Martins 478 Leonardo Araujo de almeida 479 Leonardo de Souza Caetano machado 480 Leonardo Henrique Gomes Rodrigues 481 leonardo melo de araújo mendes 482 Leonardo Nogueira rafaini 483 Leonardo Paiva de Medeiros 484 LEONARDO REIS GUIMARAES 485 Leonardo Santos 486 Leonei Marui Moura de Almeida 487 Letícia de Almeida Barros 488 Letícia Holanda 489 Lilian Francielle Gomes da Silva 490 Lívia Carvalho Araújo da Cunha 491 Lorena Lima Nascimento 492 Lorival Antonio Baggio 493 LUCAS ALLENDE DIAS DO NASCIMENTO 494 Lucas de Werneck Lustosa Carreira 495 Lucas Emanuel Pires Montenegro 496 Lucas Ferreira Dutra 497 Lucas Lessa Melo 498 Lucia Cambraia 499 Luciana Matutino Caires 500 Luciana Paiva Barbosa 501 Luciano Alves Caldas 502 Luciano Eduardo Raizer 503 Lucimar Sobral Neto 504 Lucio Rodrigues 505 LUIS ANDRÉ LIMA ALMEIDA 506 Luís Felipe de Lima Hahn 507 Luís Fernando Ribeiro 508 LUIS HENRIQUE ALVES DA COSTA 509 Luís Renato Ferreira Coelho 510 Luís Vanderlei Pardi 511 Luiz Alberto Gomes filho 512 Luiz Antônio Bastos 513 Luiz Antonio Fassina Milanez 514 Luiz Artur Miranda Moreira 515 Luiz Carlos Charbel Junior 516 luiz carlos da s jr 517 Luiz Carlos da Silva 518 Luiz Cláudio lima melo 519 Luiz Eduardo Pereira 520 Luiz Filippe Simões Mensorio 521 LUIZ ROBERTO PEREIRA DOS SANTOS 522 Luiza Alves Amaral 523 Manoela Cruz Gehlen 524 Marcel ahringsmann de oliveira 525 Marcel Sidcley da Câmara Melo 526 Marcela Costa 527 Marcello Diniz Cordeiro 528 MARCELO CORREIA BOTELHO 529 Marcelo Duval Soares 530 Marcelo Ferrareze 531 Marcelo Henrique de Andrade e Silva 532 Marcelo Maia Nascimento 533 Marcelo pacheco 534 Marcelo Pessoa de Aquino Franca Filho 535 Marcelo Pinto 536 Marcelo Pires de Oliveira 537 Marcelo Silveira Coutinho 538 Marcelo Simoes Pires Picarelli 539 Márcia Paulino Franco Versieux 540 Márcio Adriano Ansemo 541 Márcio Alberto Gomes Silva 542 Márcio Alves Mathias 543 Márcio da Costa Silva 544 Márcio Manoel da CUNHA 545 Marcio Messias Vieira Lima 546 MARCIO PIMENTEL ALMEIDA 547 MARCIO PIRES DE CARVALHO 548 Marco Antônio Casimiro da Silva 549 Marco Aurelio Faveri 550 MARCO AURÉLIO SOUSA BEZERRA 551 Marcos André Araújo Damato 552 Marcos De Aguiar Ribeiro 553 Marcos Patrick Santos Cazelli 554 Marcos Quijano 555 MARCUS HOLANDA BARBOSA PEREIRA 556 Maria Auxiliadoura Freire Bezerra 557 Maria Carolina Pontini Siqueira de Morais 558 Maria Claudia Freire Bezerra 559 Maria do Socorro Santos Nunes Tinoco 560 Mariam Ibrahim 561 Mariana Cavalcanti de Sousa 562 Mariana Izidoro Zanardi do Prado 563 MARIANO AUGUSTO ALONSO DE ALMEIDA MIRANDA 564 Marilia Moreira Marques 565 MARIO ALEXANDRE VELOSO AGUIAR 566 Mário Chagas Nascimento 567 MÁRIO JORGE DE FREITAS 568 Mario Lima 569 Marlon Oliveira Cajado dos Santos 570 Mateus Arcas Lopes dos Santos 571 Mateus Ritter 572 Maurício Cavalli Franco 573 Mauro Fernando Knewitz 574 Mauro Lima Silveira 575 Mauro Magliano 576 Max Eduardo Alves Ribeiro 577 Mayla Akemi kawazoi 578 Melissa Maximino pastor 579 Mercia Fraiha 580 Milton Fornazari Junior 581 Milton Rodrigues Neves 582 Moisés Moricochi Morato 583 Monica Maria Horta Melo 584 MOZART PERSON FUCHS 585 MURILO MATOS MOURA 586 Mylena Lecy 587 Naara França Sousa 588 Naraiana Ribeiro Santos 589 Natália Ourique 590 Natan Viana de Vasconcelos 591 Nathaly Maria Ribeiro Moura de Mendonça 592 Nelbe ferraz de freitas 593 Nelson Edilberto Cerqueira 594 Nelson Estevam de Andrade 595 Nelson Levy Kneip de Freitas Macedo 596 Nilo Brazi Dayoub 597 Noerci da Silva Melo 598 Odon Dantas 599 Ohara Fernandes 600 ORLANDO CAVALCANTI NEVES NETO 601 Osvaldo Escórcio de Meneses Filho 602 Pamela Otoni dos Reis Ferreira 603 pancho rivas franco lima gomes 604 Pânfilo Velasco 605 Paravecini Neiva Soares Viana 606 Patrícia 607 Patrícia Alves de Lima Klarosk 608 Patricia de Carvalho Martins 609 Patrícia Sanches Gandra 610 Patricia Tonelli 611 Paula Ortega Cibulski 612 Paula Santos Fontanelli 613 Paula Verônica Von Czekus 614 Paulo Calegari 615 Paulo de Tarso Cruz Viana Junior 616 Paulo Henrique Ferraz Lima 617 Paulo Marciano Cardoso 618 Pedro Alexandre Ferreira Da Cunba 619 Pedro Alexandre Rodrigues da Silva 620 PEDRO BLOOMFIELD GAMA SILVA 621 Pedro de Sousa Oliveira Júnior 622 Pedro Ivo Mendes Gonzaga Neiva 623 Pedro Magalhães Roncisvalle 624 Pedro Tavares Vale Alencar 625 Peterson Manys 626 PETRONIO FELIPE DINIZ 627 Priscilla Carvalho Pini 628 Rafael Antônio Broietti 629 Rafael da Silva Mendonça 630 Rafael Domingues Mardini 631 RAFAEL FERNANDES GUIMARAES 632 Rafael Guimarães Alves 633 Rafael Marchioro de Lacerda 634 Rafael Ramos e Campos 635 Rafael Rubin Magro 636 RAFAELLA VIEIRA LINS LEITE PARCA 637 Raimundo Alves Vieira de Melo 638 Raimundo Eustáquio Louzada 639 Raimundo N Azevedo Filho 640 Ramon Almeida da Silva 641 Raphael de Mello Batista 642 RAUL ALEXANDRE MARQUES DE SOUZA 643 Rebeca Caldas Lira Salsa 644 Rebecca Diniz Alves Fonseca 645 Rejane Alves da Silva 646 Renatha Andrade Brito 647 Renato Cintra de Barros Pereira 648 Renato de Jesus Alves 649 Renato Halfen da Porciuncula 650 Renato Muniz do Rosario 651 Renato Peixoto 652 Renato Sarquis Soares 653 Renato Sayao Dias 654 Renato Teive 655 Ricardo 656 RICARDO ARANHA TRIGUEIRO 657 Ricardo Guimaraes Botelho 658 Ricardo Hiroshi Ishida 659 Ricardo Martins da Costa 660 RICARDO VIANA DE SOUSA 661 Rita De Cassia Silva 662 Robert Nunes Teixeira 663 Roberto Caso Junior 664 Roberto Feijó Machado 665 Roberto Pinto Schweitzer 666 Roberto Santos Costa 667 Robson Petter 668 RODOLPHO ANDRE PICONE SOARES 669 Rodrigo Bastos de Freitas 670 RODRIGO BORGES CORREIA 671 Rodrigo de Lucca Jardim 672 RODRIGO MALATESTA BARBOSA 673 RODRIGO MORAIS FERNANDES 674 Rodrigo Paschoal 675 Rodrigo Pereira Souza 676 Rodrigo Perin 677 Rodrigo Pinheiro de Sousa 678 Rodrigo Ronei Souza dos Santos 679 Rodrigo Silva Muller 680 Rodrigo Teixeira 681 ROGER LIMA DE MOURA 682 Rogério Andrade 683 RÔMULO RODOVALHO GOMES 684 Ronald da Silva de Miranda 685 Roney Saldanha de Souza Cruz 686 Ronildo Rebelo Lages da Silveira 687 Ronilson dos Santos 688 Rosane Sá Barreto de Lima 689 Rosendo Lucena Alcântara 690 ROSILENE GLEICE DUARTE SANTIAGO 691 Rossana Pimentel 692 Rubens Alexandre de franca 693 Rubia Danyla Gama Pinheiro 694 RUBIA FONTES MECIANO 695 Samuel Andrade 696 Samuel Escobar Massena Fayad 697 Sandra Valéria Knust Lira 698 Sandro Angelo Brito Fonseca 699 Sandro Rogério Jansen Castro 700 Sandro Rogerio Pontes da Silva 701 Santiago Hounie 702 Sara Souza Leite 703 SEBASTIÃO BASQUES DE ALMEIDA 704 Sergio Eduardo Busato 705 Sergio Fernando Velloso Pimenta 706 Sergio Luís Macedo 707 Sergio Murilo de Lima 708 Sérgio Silveira 709 Servilho Silva de Paiva 710 Sheila de Carvalho Martins 711 Sherida Carlos 712 Shirley Caselani sitta 713 Silvia Maria Menezes leite 714 Simone Lima Batista 715 Sinval Júnior Pereira 716 Stefannia Oliveira 717 Stenio Santos Sousa 718 Stephano Carvalho Cabral Tiengo 719 Suzana Maria de Queiroz Bento 720 TALES TEIXEIRA JUNIOR 721 Tamara Meinberg Cunha 722 Tamir da C.Gutiert 723 TARCÍSIO JÚNIOR MOREIRA LIMA 724 Tarcisio Mineiro de Oliveira Júnior 725 Tatiana Alves Torres 726 TATIANA TEIXEIRA GOMES 727 Tatiane Mayumi Imamura 728 Tereza Cristina de Laurentys 729 Thatiana de Araújo Miranda Sanches 730 Thiago Batista da Silva Brum 731 THIAGO DE CARVALHO VERAS DATO PIRES 732 Thiago Delabary 733 Thiago H P Meireles 734 Thiago Leão Bastos 735 Thiago monjardim 736 THIAGO NAZÁRIO 737 Thiago Severo de Rezende 738 Thiago Splettstoser Giavarotti 739 Thyago Gouveia Diniz 740 TIAGO ADAO CAMBRUZZI COUTINHO 741 Tiago de laurentys Santana 742 TIAGO DOS SANTOS SOUZA 743 Tiago Pinheiro de Oliveira Sena 744 Tiago Welfer 745 Ulisses Assis Ultchak Andrade 746 Vagner Oliveira de Paula 747 Valdir Celestino da Costa 748 Valeria Leal Dantas Vasconcelos 749 Vanessa Couto Coelho Bezerra 750 Vania Elizabeth S Abreu 751 Vanilson Alves Souto 752 Vicentina Signor Fontanella 753 Victor Campos 754 Victor dos Santos Baptista 755 Victor Pozzi Zoch 756 Vinícius Araújo Lima 757 Vinicius F. De Freitas 758 Vinicius Feitosa de Freitas 759 VINICIUS OLIVEIRA BINDA 760 Vinícius Oliveira Binda 761 VINICIUS SOUSA ANDRADE 762 VINICIUS VENTURINI 763 Vitor Bueno Cardoso 764 Vitor Vjg Gram 765 Viviane Alves da silva 766 Viviane Silva Becker 767 Vladir Pio 768 Wagner Furtado Menezes 769 WALACE ALIPIO GONCALVES 770 Wanderson Borges da Fonseca 771 Wanderson Viana do Prado 772 Wania Ruthnea Antunes 773 WEDSON CAJE LOPES 774 Wender Augusto Moreira 775 Weskley Rodrigues dos Santos 776 Wilemar Rodrigues Júnior 777 Wilson Fernandes de Souza Filho 778 Wilson Klippel Cicognani Filho 779 Witiley Souza Rocha 780 Xenia Ribeiro Soares 781 Yukio Mano 782 Yuri Ramalho Dantas

Autor da "Cartinha" de desculpas de Bolsonaro, Temer disse ao ainda presidente que ele seria "impitimado" e imediatamente preso

Posted: 09 Sep 2021 01:46 PM PDT

Fotomontagem: Reprodução

 

Segundo Temer, com o STF no pé de Bolsonaro, não levaria sequer horas para um mandado de prisão ser expedido, no caso do impeachment confirmado. Uma pessoa do Planalto, além de confirmar as informações, explicou o motivo da carta. “Ele morre de medo de ser preso”.

Fontes do DCM revelaram que para convencer Bolsonaro a pedir desculpas pelos ataques e ameaças a Alexandre de Moraes e ao STF, o ex-presidente Michel Temer, que atua como uma espécie de conselheiro do atual presidente, teria dito, sem medir palavras que Bolsonaro tem seguido todo o ritual para ser "impitimado" e tão logo fosse afastado seria preso. Presidentes no exercício do mandato não podem ser presos nem em flagrante delito de crime inafiançável e é nisso que Bolsonaro vinha se estribando.

“Você vai cair e vai ser preso”, teria dito Temer a Bolsonaro que, ainda segundo as fontes citadas na reportagem, teria ficado impressionado com as explicações de Temer, um dos articuladores do impeachment de Dilma, que detalhou que o presidente estava cumprindo todo o ritual para sofrer o processo.

Segundo essa mesma fonte, Temer explicou a Bolsonaro que, com a guerra contra o judiciário a situação se complicaria. Ele teria sido bem didático nas justificativas e mostrou que, após o impeachment, o próximo passo seria a prisão.

Na visão de Temer, conforme confirmou um interlocutor não identificado, ao DCM, Bolsonaro teria problemas jurídicos. Com o STF no pé dele, não levaria sequer horas para um mandado de prisão ser expedido, no caso do impeachment confirmado. Uma pessoa do Planalto, além de confirmar as informações, explicou o motivo da carta. “Ele morre de medo de ser preso”.

Leia a íntegra da carta divulgada por Bolsonaro, redigida por Michel Temer, em que o atual presidente pede arrego a Alexandre de Moraes e ao STF:

Declaração à Nação
No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:
1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.
2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.

3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.
4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.
5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.

6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.
7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país.
8. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.

9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.
10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.
DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA
Jair Bolsonaro
Presidente da República federativa do Brasil


Blog da Noelia Brito

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