terça-feira, agosto 17, 2021

Além de filha, sobrinhos de Pazuello receberam auxílio emergencial

 

Além de filha, sobrinhos de Pazuello receberam auxílio emergencial
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Além da filha, pelo menos outros dois parentes do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, atual secretário especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, receberam o auxílio emergencial.

 

O recurso é liberado pelo governo federal para atender famílias vulneráveis durante a pandemia do coronavírus. A informação foi divulgada pelo Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias, com dados obtidos no Portal da Transparência.

 

Stephanie dos Santos Pazuello é filha legítima do general e atualmente ocupa um cargo por indicação desde janeiro deste ano, na Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. De acordo com a publicação, ela foi nomeada para exercer o cargo de assistente da secretaria, com salário inicial de R$ 1.884,00.

 

No ano passado, quando Pazuello já ocupava o ministério, a servidora comissionada recebeu R$ 2,4 mil dos cofres públicos no total, em duas parcelas: abril e julho.

 

Ainda de acordo com a publicação, naquele mesmo mês, ela ganhou um cargo anterior ao atual, na Rio Saúde, empresa pública da Prefeitura. O salário era de R$ 7.171,00. O pagamento do benefício federal foi referente ao mês de maio, portanto, antes de Stephanie tomar posse na instituição.

 

Dois sobrinhos de Pazuello também aparecem na lista de beneficiados. São os filhos de Cynthia Pazuello, irmã mais velha e administradora das empresas da família do ex-ministro.

 

Para a Receita Federal, ela declara capital social do conglomerado de R$ 1,2 milhão.

Bahia Notícias

Aras evita defender urna eletrônica no STF e diz que abriu apuração sobre ataques de Bolsonaro

por Matheus Teixeira | Folhapress

Aras evita defender urna eletrônica no STF e diz que abriu apuração sobre ataques de Bolsonaro
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmou ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta segunda-feira (16) que abriu uma investigação preliminar para apurar se o presidente Jair Bolsonaro cometeu crime por ter usado uma TV pública para transmitir a live em que fez seu maior ataque ao sistema eletrônico de votação.
 

A manifestação é uma resposta à ministra Cármen Lúcia, que cobrou por duas vezes uma posição de Aras sobre o tema.
 

O chefe da PGR (Procuradoria-Geral da República) disse que instaurou uma notícia de fato sobre o caso no último dia 12 e afirmou que esse tipo de apuração preliminar é aberta quando existe "lastro probatório mínimo em torno da prática" de crime.
 

Agora, Aras afirmou que a Procuradoria irá avaliar se é necessário adotar diligências investigativas, como a oitiva de testemunhas e requisição de documentos.
 

"A depender da robustez dos elementos obtidos por meio dessas diligências, cabe ao órgão ministerial, então, discernir em torno de oferecimento de denúncia, de dedução de pedido de instauração de inquérito ou ainda de arquivamento", afirmou.
 

Como mostrou a Folha de S. Paulo em abril, Aras tem recorrido com frequência ao instrumento da apuração preliminar para investigar os principais nomes ligados a Bolsonaro. Na maioria dos casos, porém, as investigações patinaram e não foram para frente.
 

Agora, ao recorrer a essa solução, o procurador-geral escapa de fazer juízo de valor sobre as acusações sem provas que Bolsonaro tem feito às urnas eletrônicas. Ele tem sido pressionado a se manifestar sobre o caso.
 

A manifestação de Aras ocorre em uma notícia-crime em que parlamentares do PT pedem para o presidente ser investigado por ter usado a TV pública do governo para fazer ataques a ministros do Supremo e às urnas eletrônicas.
 

Os deputados dizem que as declarações do chefe do Executivo ocorreram "em evidente e escandaloso abuso do poder econômico e político e claro objetivo de promoção pessoal e eleitoral".
 

Ao pedir manifestação de Aras sobre o tema, Cármen Lúcia disse que as condutas descritas na petição podem configurar crime eleitoral.
 

Após a PGR ficar 13 dias sem responder ao pedido da ministra, nesta segunda-feira (16) ela cobrou novamente uma resposta.
 

"Em 3.8.2021, determinei vista à Procuradoria-Geral da República e, até a presente data, não houve manifestação", disse.
 

Na primeira decisão sobre o caso, no início do mês, a magistrada disse que, apesar de a jurisprudência apontar que o STF não é o foro competente para analisar ações de improbidade administrativa, é preciso levar em consideração que o "grave relato apresentado pelos autores da petição conjuga atos daquela natureza com outros que podem, em tese, configurar crime".
 

"Servir-se de coisa do público para interesse particular ou de grupo não é uso, senão abuso, por isso mesmo punível --se comprovado-- nos termos constitucional e legalmente definidos", diz.
 

Cármen afirmou que não é permitido "utilização do patrimônio público em benefício de grupo e em detrimento da nação brasileira".
 

"A República impõe decência, integridade e compostura nos atos e comportamentos dos agentes públicos. E, no Brasil, assim é porque a Constituição assim exige", conclui.
 

Entre os delitos, ela também menciona a utilização ilegal de bens públicos e atentados contra a independência de Poderes da República.
 

No pedido apresentado ao Supremo, os deputados dizem que Bolsonaro também pode ter cometido o crime de propaganda eleitoral antecipada.
 

Os autores da petição ainda citam a incitação a comportamentos dos cidadãos com base em dados mentirosos, o estímulo a comportamentos contra as instituições do país e o discurso de violência.

Bahia Notícias

Santo Amaro: MPF abre inquérito para investigar prestação de contas de ex-prefeito

por Cláudia Cardozo / Francis Juliano

Santo Amaro: MPF abre inquérito para investigar prestação de contas de ex-prefeito
Foto: Mateus Pereira / Secom

O ex-prefeito de Santo Amaro, no Recôncavo, Ricardo Machado, se tornou alvo de um inquérito do Ministério Público Federal (MPF) na Bahia. Em portaria desta segunda-feira (16), a procuradora da República Ana Paula Carneiro Silva informou sobre a abertura do inquérito.

 

O procedimento vai investigar uma suposta omissão de Machado em prestar contas de verbas enviadas à prefeitura de Santo Amaro via Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

 

Os recursos eram do Programa Apoio às Creches – Brasil Carinhoso, e foram repassados durante a gestão de Ricardo Machado, em 2014. 

Bahia Notícias

Zizinho com o seu futebol arte e o cinema como única e eterna testemunha


Zizinho completaria cem anos no próximo mês de setembro

Pedro do Coutto

Foi um belo artigo de Ruy Castro ontem, segunda-feira, na Folha de S. Paulo, relembrando o futebol arte de Zizinho, tricampeão pelo Flamengo em 1942,1943 e 1944 e, sem dúvida alguma, um dos maiores craques, tanto do futebol brasileiro, do qual era titular absoluto, quanto do futebol mundial de todos os tempos.

No Flamengo do técnico Flávio Costa, foi meia-direita, posição inclusive que não existe mais. Esteve na Copa de 1950 e com razão lamentou junto com Ademir Menezes o fato de ambos não terem sido campeões do mundo pela altíssima qualidade do futebol que apresentaram e viveram, levando multidões ao delírio.

DOCUMENTÁRIOS – Citei o cinema porque já comentei em várias ocasiões, inclusive com o meu amigo Ruy Castro, a importância de se realizarem documentários focalizando a maneira de jogar do passado e o modo de atuar do presente. Houve um tempo em que se pensava que um jogo se vencia apenas do meio para frente, mas Zezé Moreira, no Botafogo de 1948, e no Pan-Americano de 1952, mostrou o caráter absolutamente estratégico do sistema defensivo que, a meu ver, fica na história como reformador e criador de uma nova era das histórias de bola no Brasil.

Zezé Moreira foi técnico do Botafogo em 1948, do Fluminense em 1951, da Seleção Brasileira no Pan-Americano do Chile em 1952 e da Copa de 1954 na Suíça. Somente nesta última sentiu o amargor da derrota. Fomos desclassificados pela famosa equipe da Hungria por 4 x 2. Mas a Hungria terminaria não sendo campeã, embora fosse uma equipe que se tornou legendária. Na final contra a Alemanha, saiu na frente com 2 x 0, mas perdeu pelo placar de 3×2.

A história do futebol, as comparações técnicas e táticas e os desempenhos individuais estão eternizados no que sobrou dos filmes produzidos. Os jogos importantes eram filmados, primeiro com o “Esporte na tela” por Milton Rodrigues, irmão de Nelson Rodrigues, e depois com o “Canal 100”, de Carlinhos Niemeyer.

BRASIL X URUGUAI – Mas há de ter pelo mundo cópias de partidas que o tempo tornou históricas. Uma delas, a de Brasil e Uruguai de 1950, quando Obdulio Varela comandou a seleção campeã no dramático 2 x 1 contra nós no Maracanã, Estádio Mário Filho, outro irmão de Nelson Rodrigues.

Obdulio, quando a defesa uruguaia tomava a bola no seu campo defensivo, vale lembrar que o time atuou recuado, dobrava a camisa com a ponta dos dedos e agitava a celeste pedindo aos companheiros amor à seleção e ao Uruguai. Foi sem dúvida o herói da partida, sobretudo porque quando fizemos o primeiro gol com Friaça, ele determinou à equipe que continuasse jogando fechada porque num jogo aberto contra o Brasil, o Uruguai não teria chance.

BARBOSA NÃO FALHOU – Assim foi feito. A tática uruguaia deu certo e Ghiggia percorreu a estrada da vitória pela ponta direita, ultrapassando o lateral Bigode de passagem como dizia o locutor e ator Teófilo de Vasconcelos. O zagueiro central Juvenal não caiu para a esquerda para cobrir Bigode. O técnico Flávio Costa não mandou o meio-campo com Danilo e Jair se deslocar para o setor defensivo vulnerável. Barbosa, eu e Ruy Castro concordamos, não falhou em lance algum. Surpreendentemente assumiu uma culpa que não teve.

Comecei a escrever sobre Zizinho. Em 1949, o Flamengo vendeu o seu passe ao Bangu de Guilherme da Silveira Filho. Zezé Moreira não sintonizava bem com Zizinho. Não o convocou para o Pan-Americano de 1952, em Santiago do Chile. Entrou Didi então no Fluminense em seu lugar.

Um sistema defensivo começava a funcionar de forma tão eficiente quanto ofensivamente e o resultado foi a vitória quando derrotamos o mesmo Uruguai por 4 x 2  e na final o próprio Chile por 3 x 0.  A vitória sobre o Uruguai lavou a alma da torcida brasileira e do próprio país. Mas o sistema de Zezé Moreira não funcionaria em 1954. Coisas do futebol. Um processo ininterrupto de vitórias e de derrotas.

ESCALAÇÃO –  Em 1952, o nosso time era formado por Castilho, Djalma Santos, Pinheiro, Brandãozinho e Newton Santos. O meio-campo, Eli do Amparo, Didi e Pinga. Na frente, Julinho Botelho, Baltazar e Rodrigues Tatú. Recordo que fiquei emocionado. Fui ao aeroporto, inclusive, receber o time. Nele estavam vários amigos.

Didi foi um jogador também extraordinário. Aproximava-se no campo da arte de Zizinho e tinha um impulso defensivo que não era a principal característica do grande jogador, ídolo de Pelé. Zizinho, sem dúvida, foi um dos grandes artistas do futebol mundial. Inesquecível para quem o viu jogar e eterno para aqueles que puderem assisti-lo pelos filmes e tapes existentes que na realidade são as grandes testemunhas das gerações de ontem, de hoje e de amanhã.

Um belo artigo de Ruy Castro, no momento em que Zizinho completaria cem anos. Ele morreu, e infelizmente não foi muito lembrado, em 2002. Zizinho, Nilton Santos, Ademir Menezes, Pelé, Garrincha, Jairzinho, Gérson, Zagallo, Rivelino e Tostão, por si, já justificam um documentário de rara beleza na arte eterna do movimento da imagem e dos lances de bola.

Combinação urna /fraude continuará a ser um tema explosivo na disputa eleitoral

Publicado em 17 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

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Charge do Jindelt (Arquivo Google)

Janio de Freitas
Folha

O funcionamento, afinal, de parte das instituições em defesa da Constituição e do regime vigente exige atenção para os seus efeitos. São contrapostos. E não há clareza alguma sobre o que daí resultará. Longe de ser “questão encerrada”, a combinação urna eletrônica/fraude está encaminhada para ser um dos temas mais explosivos na disputa eleitoral.

Para dizer tudo, na conturbação que Bolsonaro estará apto a promover, para arruinar a eleição ou, diz a gíria, para tentar vencer na marra.

MUITO PERIGOSA – Essa probabilidade dramática só decairá, pode-se presumir, caso não emerjam desfechos fortes para fatos já em andamento ou erupção nova, com capacidade de esvaziar o bolsonarismo.

Mas, tudo sugere, a eleição presidencial de 2022 encaminha-se para ser muito perigosa. Em numerosos sentidos, inclusive para a população.

As decisões judiciais que Bolsonaro personifica nos ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes são o desassombro esperado da Justiça contra o ataque do golpismo, da mão armada, da morte perversa, da mentira e da corrupção. Apesar disso, aumentam os riscos de mais e maior criminalidade, em aposta redobrada.

MEDO RAIVOSO – A prisão do marginal Roberto Jefferson logo provocou o medo raivoso, que apela às boçalidades. Convém realçar, neste sentido, a ida de Eduardo Bolsonaro aos Estados Unidos, não para visitar o ídolo Trump, como noticiado. Por certo, para contatos orientadores e busca de apoio no que há de pior entre os trumpistas.

Estamos em uma inversão na dependência do regime democrático: das instituições para os cidadãos, como indivíduos e por suas organizações.

O futuro do atual regime passa a depender do apoio efetivo, e talvez urgente, às ações reativas que interrompem, em parte, o ciclo das omissões. O lado da legalidade recebeu das instituições a iniciativa que lhes era cobrada. A retribuição — decisiva — está em suas mãos.

MDB só decidirá se lança Simone Tebet ao Planalto após o fim da CPI da Covid

Publicado em 17 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

A senadora Simone Tebet (MDB-MS)

Simone Tebet tornou-se a grande estrela da CPI da Covid

Edoardo Ghirotto
Metrópoles

A direção nacional do MDB aguarda o encerramento dos trabalhos na CPI da Covid-19 para bater o martelo sobre a pré-candidatura de Simone Tebet à Presidência da República. A senadora do Mato Grosso do Sul já foi informada sobre os planos do presidente do partido, deputado Baleia Rossi, e deverá ter uma reunião específica sobre o tema em breve.

A articulação de Baleia tem como objetivo marcar uma posição da direção nacional frente às divisões internas do MDB. Os diretórios ao sul do país tem mais afinidade com a candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição, enquanto Lula avança sobre as lideranças emedebistas no Nordeste.

LIDERANÇA FEMININA – Além de ter obtido maior exposição midiática com a CPI, Simone poderia se transformar numa liderança feminina de projeção nacional para o MDB, algo que inexiste hoje.

Uma pré-candidatura à Presidência não implicaria numa participação efetiva no pleito, mas ampliaria a participação da senadora no debate político. Uma projeção maior poderia ajudá-la a disputar o governo do Mato Grosso do Sul, por exemplo.

Quando é questionada sobre o assunto, Simone afirma que se empenhará na construção de uma terceira via em 2022 e que, se for preciso, abdicará da disputa de cargos eletivos no próximo pleito.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– O MDB, que já foi autêntico, está desperdiçando sua melhor personagem política, que é a senadora Simone Tebet. Ao contrário de Dilma Rousseff, um poste eleito por Lula, e de Roseana Sarney, que chegou a despontar mas foi abatida pela fotografia de uma mala de dinheiro, a senadora Simone Tebet tem currículo e vida própria, como professora da Direito Constitucional, ex-deputada estadual, ex-prefeita e ex-vice-governadora. No Senado, presidiu exemplarmente a Comissão de Justiça e tornou-se não somente a líder feminina na CPI, mas também um dos maiores destaques. Seu mandato de senadora termina agora e ela tem três opções – a Presidência, o governo do Mato Grosso do Sul e a reeleição ao Senado. Se tivesse juízo, a cúpula do MDB já estaria abanando a candidatura dela, ao invés de boicotar a grande ideia do presidente do partido, Baleia Rossi, que na hora certa lançou Simone Tebet à sucessão, mas está encontrando resistências. (C.N.).

Ministros do STF evitam bater boca com Bolsonaro sobre pedidos de impeachment


Copa no Var

Charge do Miguel Paiva (Arquivo Google)

Valdo Cruz
G1 Política

A ordem dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) é não bater boca com o presidente Jair Bolsonaro sobre os pedidos de impeachment que ele prometeu apresentar nesta semana ao Senado Federal contra os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes.

A orientação é continuar respondendo por meio dos processos legais e confiar que os senadores não irão acatar um pedido de Bolsonaro contra Moraes e Barroso.

SEM CHANCES – Dentro do STF, por sinal, a avaliação é que até juridicamente não há nenhuma possibilidade de que o pedido, se for apresentado, prospere.

Isso porque, no caso de Moraes, ele seria avaliado por decisões judiciais, casos em que não há crime de responsabilidade. No caso de Barroso, Bolsonaro reclama de conversas do ministro com parlamentares.

Mas Barroso foi convidado pelos parlamentares, inclusive bolsonaristas, para participar de evento no Congresso, não tendo feito nenhuma atuação político-partidária, como acusa o presidente da República.

ALIVIAR A TENSÃO – Aliados de Bolsonaro tentam demovê-lo de sua ideia, para não criar um clima de tensão entre poderes que envolva inclusive o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Afinal, o senador não teria como não receber esse tipo de pedido, caso o próprio Bolsonaro decida levá-lo ao Senado, como chegou a sugerir a aliados. Mas Pacheco já deixou claro a interlocutores que não dará tramitação para a solicitação presidencial.

Pacheco, segundo aliados, não enxerga embasamento jurídico para o pedido prometido pelo presidente.

GUERRA POLÍTICA – Segundo os interlocutores do presidente do Senado, o anúncio de Bolsonaro faz mais parte da guerra política dele com o Judiciário, e Pacheco não tem interesse em colocar mais lenha nessa fogueira.

Além disso, senadores lembram que Bolsonaro estaria fazendo o mesmo que critica no caso de pedidos de impeachment contra ele que foram impetrados na Câmara.

Segundo esses parlamentares, o presidente não pode criticar seus adversários e fazer o mesmo contra ministros do STF que ele classifica de inimigos.

Humilhados pelos talibãs, americanos tiveram de fazer acordo para abandonar o Afeganistão


Membros da Unida Vermelha, uma força de elite do Talibã, no distrito de Alingar

Quase 50 anos depois, Afeganistão é um novo Vietnã

Guga Chacra
O Globo

O Talibã ganhou a Guerra do Afeganistão após 20 anos de presença militar dos EUA. Tanto o governo republicano do então presidente Donald Trump como o democrata do atual presidente Joe Biden tiveram de se curvar. Os avanços do grupo nas últimas semanas, conquistando capitais provinciais e com o controle da maior parte do país, já ocupando a capital Cabul, provam que ambos estavam corretos sobre os rumos da guerra.

Derrubar o Talibã do poder não foi difícil em 2001. Aliás, não é complicado para as Forças Armadas dos EUA removerem muitos dos regimes espalhados pelo mundo. Apenas neste século, levaram adiante “mudança de regime” em Iraque, Líbia e no próprio Afeganistão.

SEM ALTERNATIVA – Talibã avançaria mesmo se EUA ficassem no Afeganistão. O problema americano é o que fazer depois de tirar um regime como o do Talibã. Não dá para transformar o Afeganistão em uma democracia como a norueguesa. Todas as instituições precisam ser construídas do zero.

Até houve avanços. Eleições foram realizadas, apesar das enormes dificuldades. A opressão às mulheres existente nos tempos do Talibã diminuiu de forma acentuada. Ao mesmo tempo, o Afeganistão atingiu altos índices de corrupção, e suas Forças Armadas, apesar de 20 anos de treinamento americano, nunca conseguiram se fortalecer o suficiente para enfrentar seus adversários no país sem a ajuda dos EUA.

Há anos, o Talibã vem impondo derrotas às forças do governo. Para complicar, o Estado Islâmico também estabeleceu bases no Afeganistão e tem realizado uma série de ataques terroristas contra minorias xiitas, como os hazaras. O grupo só não ganhou mais espaço porque foi contido pelo Talibã — as duas organizações são inimigas, apesar de serem jihadistas e seguirem uma vertente ultrarradical do Islã sunita.

TIPO VIETCONG – Quando assumiu o poder, Barack Obama herdou a guerra de George W. Bush. Na visão dele, esse conflito, e não o do Iraque, deveria ser priorizado. Enviou dezenas de milhares de militares americanos para conter o Talibã. Conseguiu. Mas assim que as tropas começaram a se retirar, o grupo voltou a crescer.

Trump adotou uma posição mais pragmática. Mais avesso a aventuras militares do que Bush e Obama, o republicano passou a mediar negociações entre o governo afegão e o Talibã. As conversas não avançaram.

Ao mesmo tempo, porém, Trump fez um acordo com o Talibã sem levar em consideração o governo afegão. Segundo o acerto, os EUA se retirariam do Afeganistão, e o grupo se comprometeria a não permitir a presença no país de organizações terroristas como a al-Qaeda.

TALIBÃ DE VOLTA – Esse acordo de Trump foi mantido por Biden e significou na prática que o Talibã estava livre para tentar retomar o poder. A conclusão dos dois presidentes e de seus governos é de que não há solução para o Afeganistão. Há aliados dos americanos, como o da Arábia Saudita. regimes radicais pelo mundo, sendo alguns deles inclusive .

O jeito será lidar com o Talibã, como a própria China vem lidando — o chancele1r chinês se reuniu com o representante de política externa do grupo. A alternativa seria manter indefinidamente a presença militar americana, que não conta com apoio nos EUA. Ao contrário, pesquisa do The Hill indica que 73% dos americanos apoiam a retirada.

O Talibã é uma organização ultraextremista e medieval, assim como o Estado Islâmico. Certamente, o grupo afegão irá oprimir as mulheres e perseguir minorias. A diferença está no fato de o Talibã não realizar ataques terroristas ao redor do mundo. Para os EUA, em meio à fadiga de tantas guerras, isso basta.


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