domingo, agosto 15, 2021

Os diamantes são eternos e, de acordo com acusados pela CPI, o dinheiro pode ser alucinógeno

Publicado em 15 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Zé Dassilva (nsctotal.com.br)

Pedro do Coutto

O escritor Ian Fleming, autor da série 007, que alcançou e ainda alcança sucesso extraordinário, sobretudo nas telas, os diamantes são eternos. Tem razão. A frase sintetiza o meu modo de ver uma característica do comportamento humano em busca não só do sucesso, mas também da riqueza e do luxo.

Mas há caminhos diferentes. Existem as rotas legítimas, as não legítimas e as criminosas, como tem deixado claro os trabalhos da CPI presidida pelo senador Omar Aziz. Junto a isso, uma outra característica mais forte ainda do que o conteúdo que a frase título reflete que é o efeito muitas vezes alucinógeno do dinheiro e das ações não menos alucinadas dos ladrões.

INJUSTIFICÁVEL –  Só a alucinação do dinheiro através da corrupção será capaz de explicar concretamente o que impulsiona o ânimo dos que se apresentaram como intermediários de maciças compras de vacinas, por preços superfaturados, muitos acima dos valores clássicos do mercado de imunizantes. São depoimentos absurdos em que personagens repetem seus discursos numa tentativa vã de justificar o que não tem explicação, pois nunca se viu uma chuva tão intensa de intermediários no caminho de vacinas ligadas à vida humana.

Mas, para os ladrões, a vida humana não representa nada: o que pesa para eles é o lucro ilegítimo à custa do tesouro público, da integralidade e da sobrevivência em meio a uma pandemia que no Brasil já matou 560 mil pessoas.O dinheiro para esse elenco justifica tudo, até mesmo os lances mais rudimentares do pensamento lógico.

No cenário que se descortinou, principalmente na última semana, pessoas que não se conheciam encontram-se em jantares na intenção de acertar negócios imundos. Tais personagens estarão sempre melhor situados no esgoto da percepção humana.Mas o alucinógeno não está apenas no dinheiro aparente.

CONTRA A DEMOCRACIA – O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre Moraes determinou a prisão do ex-deputado Roberto Jefferson por incitamento à violência, ao crime pela ameaça à democracia brasileira. A reportagem de Aguirre Talento e Mariana Muniz, O Globo deste sábado, focaliza nitidamente o conteúdo da decisão e a sua importância constitucional e institucional.

Surpreende, portanto, segundo revelação de Marianna Holanda e Mateus Vargas, Folha de S. Paulo, que Roberto Jefferson tenha sido recebido por Bolsonaro dez dias antes de ser preso. Na foto contida em um dos vídeos que postou nas redes sociais, Jefferson aparece com uma pistola em cada uma das mãos, defendendo um confronto tanto político quanto pessoal. Espanta assim intensamente a iniciativa do presidente Jair Bolsonaro de anunciar recurso ao Senado, amanhã, segunda-feira, contra o comportamento de Alexandre Moraes e a atuação também do ministro Luís Roberto Barroso.

DEFENSOR DE JEFFERSON – Bolsonaro passou a impressão de que resolveu assumir a defesa de Roberto Jefferson no processo que é movido contra ele na Polícia Federal, transformada em prisão preventiva por Moraes. Surpreende também a reação do Procurador-Geral da República, Augusto Aras, que contestou a decisão de Alexandre Moraes, classificando-a como censura prévia. Absurdo. Tanto não houve censura prévia que o presidente do PTB postou os vídeos que desejou nas redes sociais. A consequência da postagem é a melhor prova contra a adoção de censura prévia.

Com seu argumento, Augusto Aras, na prática, rompeu com o Supremo Tribunal Federal ao considerar ilegítima uma decisão da Corte contra a qual não lhe cabe argumentar. Sua função à frente da PGR não pode ser esta. Aras, na minha impressão, corre o risco de ter colocado em foco uma contradição intransponível: nunca se viu um episódio assim envolvendo o Supremo, o acusado, o presidente da República e o chefe da PGR que certamente entrou em choque, novamente, com os procuradores da República.

RESISTÊNCIA – No Congresso há resistência ao projeto do governo que reduz direitos trabalhistas e previdenciários, caminho do qual Paulo Guedes não se afasta. No Estado de S. Paulo, reportagem de Daniel Weterman, aponta  a quebra de direitos trabalhistas constitucionais. Na Folha de S. Paulo, Thiago Resende e Bernardo Caram focalizam os reflexos negativos dos cortes dos direitos em relação ao FGTS e ao INSS.

Um dos absurdos iluminados está na ideia de que para obter a aposentadoria os trabalhadores tenham que substituir os empregadores em suas contribuições sociais. É um retorno a mais de um século da história do Brasil, a partir de 1888.


Entenda caminho do impeachment e por que Lira sequer rejeita os pedidos contra Bolsonaro

 Foto: Gabriela Biló/Arquivo/Estadão

Arthur Lira15 de agosto de 2021 | 07:15

Entenda caminho do impeachment e por que Lira sequer rejeita os pedidos contra Bolsonaro

BRASIL

Aliado de Jair Bolsonaro, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), é a figura a quem cabe fazer uma primeira análise dos pedidos de impeachment contra o presidente da República, podendo aceitar ou rejeitar esses pedidos.

No entanto, a exemplo de Rodrigo Maia (sem partido-RJ), que deixou o posto em janeiro deste ano, Lira não opta por nenhuma das duas opções, mas por uma terceira: os pedidos seguem indefinidamente em análise, ou seja, na gaveta.

Pedidos engavetados servem como poder de barganha. Mas outra questão central por trás dessa inação é que, a partir do momento em que um pedido é rejeitado, o poder deixa de ser exclusivo do presidente da Câmara. No caso de indeferimento, abre-se a possibilidade de recurso ao plenário, que pode derrubar a decisão.

Apesar de não haver um prazo determinado para a análise pelo presidente da Câmara, professores da área do direito e advogados têm defendido que ele não tem o poder de segurar indefinidamente os pedidos. Segundo esta tese, a avaliação é que o STF (Supremo Tribunal Federal) poderia determinar ao presidente da Câmara analisar os pedidos dentro de um prazo razoável.

No entanto, não foi esse o entendimento da ministra do STF Cármen Lúcia ao julgar, em julho deste ano, um pedido do PT para obrigar Lira a examinar um pedido que segue “em análise” na Câmara desde maio de 2020. Na última semana, deputados do PSOL ingressaram com pedido no STF com o mesmo objetivo do PT.

Entenda quais são as regras para abertura do impeachment do presidente da República.

Qual a situação atual? Mais de 130 pedidos de impeachment de Bolsonaro já foram protocolados na Câmara. Das peças que seguem em análise, a mais antiga data de 13 de março de 2019.

Onde estão as regras sobre o impeachment? O rito do impeachment, os requisitos para apresentação de um pedido e a definição dos crimes de responsabilidade dependem de uma leitura conjunta de diferentes itens. A existência em si da possibilidade legal de retirada do presidente da República do cargo, por crime de responsabilidade, está prevista na Constituição.

Já a definição dos crimes, assim como as normas de processo e julgamento, constam em uma lei específica, conhecida como Lei do Impeachment (1.079/1950).

Também importantes são os regimentos da Câmara e do Senado, que trazem outras regras sobre o processo, além de decisões do STF sobre o tema.

Quem pode apresentar pedidos de impeachment e quais os requisitos? A Lei do Impeachment define que qualquer cidadão pode denunciar o presidente da República por crime de responsabilidade perante a Câmara.

A mesma lei também determina uma série de requisitos: a peça deve estar assinada com firma reconhecida; deve ser acompanhada de documentos que comprovem a acusação, ou de declaração de impossibilidade de apresentá-los, com a indicação do local onde possam ser encontrados, além de apresentação de uma lista de testemunhas, nos crimes em que houver prova testemunhal.

Quais são as regras sobre o recebimento dos pedidos de impeachment? A Constituição se reserva a determinar que é competência privativa da Câmara autorizar —por dois terços de seus membros— a instauração de processo contra o presidente.

É na Lei do Impeachment que aparece o recebimento da denúncia, que determina: “Recebida a denúncia, será lida no expediente da sessão seguinte e despachada a uma comissão especial”. Ela não cita, contudo, o presidente da Câmara.

A figura do presidente da Câmara aparece no Regimento da Câmara, que diz: “Recebida a denúncia pelo presidente, verificada a existência dos requisitos de que trata o parágrafo anterior [assinatura com firma reconhecida, apresentação de documentos e rol de testemunhas], será lida no expediente da sessão seguinte e despachada à Comissão Especial eleita”.

Com isso, o regimento criou uma etapa a mais, cabendo ao presidente da Câmara avaliar se os requisitos foram atendidos, para só então o pedido ter seguimento. É nesta fase que os mais de cem pedidos contra Bolsonaro se encontram.

O que acontece se o presidente da Câmara recebe o pedido? A partir do momento em que o pedido é recebido pelo presidente da Câmara, dá-se início ao rito do impeachment com a criação de uma comissão especial, que deve contar com representantes de todos os partidos.

Esse colegiado é responsável por elaborar um parecer, que pode ser favorável ao prosseguimento do processo ou ao arquivamento. Aprovado o parecer, ele é então votado no plenário, sendo preciso o voto de ​​dois terços da Câmara (342 deputados) para que o impeachment seja autorizado.

A instauração e julgamento ocorrem no Senado, onde é preciso o voto de 54 dos 81 senadores para que o presidente perca o mandato. Ou seja, mesmo depois de o presidente da Câmara receber o pedido, em tese o impeachment pode ser barrado tanto pela Câmara quanto pelo Senado.

O que acontece se o presidente da Câmara rejeita o pedido? No caso de o presidente da Câmara decidir pelo indeferimento, o pedido é arquivado. Porém, nesta hipótese, cabe recurso ao plenário, que pode reverter a decisão. Tal norma consta no Regimento da Câmara.

De acordo com o professor de direito da USP Rafael Mafei, a votação ocorreria por maioria simples.

Segundo a jurisprudência do STF, a análise feita pelo presidente da Câmara não se restringe a aspectos formais, podendo ele também rejeitar acusação que considere “patentemente inepta ou despida de justa causa”.

Lira assumiu a presidência da Câmara em fevereiro de 2021 com o apoio do governo Bolsonaro. Desde então, um superpedido foi protocolado unificando mais de 120 peças em uma só.

Entretanto, em diferentes pronunciamentos, Lira indicou que não deve dar seguimento aos pedidos e, apesar de já ter até afirmado que não vê materialidade nas denúncias feitas até então, tampouco as rejeita.

Manifestantes voltam às ruas de São Paulo pedindo o impeachment do presidente Jair Bolsonaro
Manifestantes voltam às ruas de São Paulo pedindo o impeachment do presidente Jair Bolsonaro
O que acontece se o presidente da Câmara não arquiva nem aceita a denúncia? Há prazo para análise? É nesta espécie de limbo que os pedidos de impeachment de Bolsonaro se encontram. Ao criar essa etapa de verificação pelo presidente da Câmara, o regimento não estabeleceu um prazo para que ela ocorresse.

Apesar disso, diferentes especialistas entendem que a inexistência de um prazo determinado tampouco dá a Lira o poder de indefinidamente nada fazer. Neste caso, o caminho seria o STF determinar que Lira analise os pedidos.

​O que o STF decidiu recentemente? A ministra Cármen Lúcia negou pedido do PT solicitando que Lira fosse obrigado a ao menos analisar um pedido de impeachment, protocolado pelo partido em maio de 2020.

Em decisão no dia 21 de julho deste ano, a ministra considerou que conceder o mandado prejudicaria o princípio de separação entre os Poderes e afirmou que não há prazo para análise dos pedidos.

Na última semana, deputados do PSOL ingressaram com pedido no STF com mesmo objetivo.

O que dizem especialistas? O professor de direito constitucional da UFPR (Universidade Federal do Paraná) Miguel Gualano de Godoy avalia que “a falta de estabelecimento de um prazo pelo regimento não significa que ele [presidente da Câmara] pode não decidir”. Neste sentido, ele destaca que a Lei de Impeachment previu prazo para o encaminhamento da denúncia.

A professora de direito constitucional da FGV Eloísa Machado de Almeida concorda que as regras não conferem ao presidente da Câmara o poder de não responder aos pedidos. “Não avaliar por tanto tempo é abusar das competências.”

Questionados se cabe falar em limbo jurídico, ambos sustentam que não.

Nesse sentido, Eloísa aponta que, apesar de não haver um prazo determinado na lei, é comum que o Judiciário complemente o processo a partir da interpretação das regras legais. “Não seria nada novo, muito menos em processo de impeachment, que o Judiciário usasse seu poder de interpretação para, por analogia, determinar qual o prazo mínimo de resposta.”

Para Mafei, ao dizer que não via materialidade no superpedido, Lira fez um juízo liminar, demonstrando que não vê fundamento sobre a denúncia. “Ele só está evitando formalizá-la para evitar o recurso contra a decisão. Esse poder ele não tem, na minha opinião, porque não tem nenhuma norma que confira esse poder a ele.”

Mafei discorda que Lira possa simplesmente ignorar os pedidos por avaliar que não há conjuntura. “Existe um juízo de conveniência. Só que quem exerce esse juízo é o plenário da Câmara.”

Dentre os pedidos contra Bolsonaro, quantos foram arquivados? De acordo com informações da assessoria de imprensa da Câmara, apenas dois foram formalmente arquivados —ambos por Rodrigo Maia— seja por não conterem assinatura ou, nos casos de denúncias enviadas por email, por não conterem certificação digital.

Portanto, nenhum pedido foi rejeitado por ser “despido de justa causa” ou por falta de materialidade.

Além disso, em planilha da Secretaria-Geral da Mesa da Câmara, em que estão elencados todos os pedidos apresentados contra Bolsonaro e sua respectiva situação, há alguns que constam como documento apócrifo (ou seja, sem assinatura ou sem certificação digital) ou então classificado como concluído —mas que não foram formalmente arquivados pelo presidente.

De acordo com a assessoria da Câmara, desde uma padronização instituída em abril de 2020, os pedidos passaram a não ser mais protocolados quando identificados problemas na checagem de assinaturas. Nesses casos, ele não é recebido ou é devolvido ao denunciante, não ocorrendo o arquivamento formal pelo presidente da Câmara.

Renata Galf e Gustavo Queirolo/Folhapresshttps://politicalivre.com.br/

Entenda como funciona o impeachment de ministros do Supremo no Senado

 Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil

Fachada do STF15 de agosto de 2021 | 08:00

Entenda como funciona o impeachment de ministros do Supremo no Senado

BRASIL

O impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) é um processo que pode demorar mais de três meses no Senado. Em tese, o pedido pode ser iniciado a partir da denúncia de qualquer cidadão comum à Mesa Diretora da Casa – inclusive o presidente Jair Bolsonaro, que anunciou ontem, em sua conta no Twitter, que pedirá o afastamento de Alexandre de Moraes e de Luis Roberto Barroso. São três fases diferentes de processamento, mas, para isso, é preciso vencer a primeira e mais importante das etapas, que é a leitura do pedido em plenário pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Há 17 pedidos protocolados na Mesa Diretora e, até o momento, nenhum deles foi lido por Pacheco, e nada indica que será diferente agora.

De acordo com a lei, um ministro do STF pode sofrer um processo de afastamento por cinco tipos diferentes de crimes de responsabilidade. Para isso, porém, é preciso que eles estejam juridicamente bem fundamentados. Caso contrário, o destino deles constuma ser a gaveta, algo semelhante ao que ocorre com os mais de 100 pedidos de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro, que repousam na mesa do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Alexandre de Moraes é principal alvo de pedidos de impeachment contra ministros do STF
Alexandre de Moraes é principal alvo de pedidos de impeachment contra ministros do STF
Um dos crimes de responsabilidade que podem ensejar um impeachment de um ministro do STF ocorre quando ele altera a decisão ou voto já proferido em sessão da corte – exceto se isso ocorrer por meio de recurso. Outra possiblidade é se o ministro participa de um julgamento mesmo que esteja envolvido, de alguma forma, na causa – a chamada suspeição.

O ministro também pode ser afastado se exercer atividade político-partidária, proceder de modo incompatível com a honra dignidade e decoro de suas funções ou ser “patentemente desidioso” no cumprimento dos deveres do cargo – em outras palavras, preguiçoso.

Na improvável hipótese de que Pacheco leia a denuncia, é então criada uma comissão especial, formada por 21 senadores, para avaliar o caso de forma preliminar. Esse colegiado tem dez dias para decidir se o processo deve ou não ir a plenário. Se seguir adiante, o processo de instauração formal é votado em plenário por todos os senadores. É preciso obter maioria simples – ou seja, ao menos, 41 votos favoráveis. Do contrário, o pedido é arquivado.

A próxima fase é a instauração formal do processo pela comissão especial. O ministro acusado é notificado e tem dez dias para responder, enquanto o colegiado tem 15 dias para fazer investigações e deliberações até que haja uma nova votação.

Nesse período, o ministro pode até ficar afastado de suas funções e perder um terço dos vencimentos – em caso de absolvição, os valores retidos são pagos. São no mínimo dez dias para intimações, lista de testemunhas e outros encaminhamentos.

Caso seja aprovado, o processo passa para a fase final de julgamento no plenário do Senado. A exemplo do impeachment de presidentes da República, a sessão ocorre sob comando do presidente do STF, a quem cabe relatar o processo e expor, resumidamente, os fundamentos da acusação e da defesa, assim como as provas.

Nessa fase, o processo de impeachment precisa ser aprovado por maioria qualificada – ou seja, dois terços dos senadores (54 votos). Se for aceito, o ministro é destituído do cargo e fica inabilitado para exercer qualquer função pública por oito anos.

Ao menos seis pedidos de impeachment apresentados contra ministros do Supremo ao Senado neste ano miram o ministro Alexandre de Moraes. Relator de inquéritos como o das fake news e o dos atos antidemocráticos, o magistrado é alvo de uma petição individual oferecida pelo senador Jorge Kajuru (Podemos-GO) e de outra apresentada pelo próprio parlamentar em conjunto com os senadores Eduardo Girão (Podemos-CE), Lasier Martins (Podemos-RS), Styvenson Valentim (Podemos-RN) e Luis Carlos Heinze (Progressistas-RS).

Atualmente, há 17 pedidos de impeachment protocolados contra ministros do Supremo no Senado. Até hoje, o Senado nunca afastou nenhum ministro do STF: todos os pedidos acabaram arquivados pela presidência do Senado.

Na Câmara, bolsonaristas tentaram ampliar o escopo de possibilidades para um magistrado ser afastado do cargo. Por apenas um voto, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara rejeitou, em maio, projeto que incluía, entre os crimes de responsabilidade, a usurpação de competência do Legislativo e do Executivo pelo STF. A relatora era a deputada Chris Tonietto (PSL-RJ), uma aliada do presidente.

Camila Turtelli/Estadão
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Mais uma piada do gestor municipal de Jeremoabo

                                              Propaganda paga  e enganosa

                                                                                     


           FAÇA O QUE TE MANDO, NÃO FAÇA O QUE FAÇO



Cemitério abandonado, mais uma das vergonhas de Jeremoabo

 


Sexta-feira 13, essa é a situação em que se encontra 0 cemitério de Jeremoabo, mais uma vergonha que envergonha o jeremoabense.

Aliás, abandono é a marca registrada desse (des)governo; abandonou as escolas que permanecem dentro de um matagal, abandonou os PSFs sem médico e sem remédio, abandonou o povo da zona rural sem água e sem médico, abandonou a cidade que tornou-se verdadeira cratera devido a buraqueira, e para fechar com chave de ouro abandonou mais uma vez o cemitério onde nem a memória dos mortos o proprio respeita.

Enquanto isso, leva o tempo  se auto  promovendo, desrespeitando as recomendações da OMS e seu próprio decreto, provocando aglomeração, não respeitando o distanciamento, e o pior, com menores sem máscara.

Por onde anda o CONSELHO TUTELAR, que não leva ao conhecimento da Justiça esse ato criminoso do prefeito e seus adeptos ao aglomerarem-se com crianças e adolescentes sem o  uso de máscara, praticando assim um atentado a saúde pública e a vida desses jovens?

O que faria Bolsonaro se alguém dissesse das Forças Armadas o que Jefferson disse?


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Charge do Nani (nanihumor.com)

Lauro Jardim
O Globo

Jair Bolsonaro está irritado com a prisão de Roberto Jefferson — assim como seus filhos, a julgar pelas manifestações de Eduardo e Carlos no Twitter desde ontem. Hoje, o presidente disse que vai pedir ao Senado que abra uma ação contra Alexandre de Moraes (e contra Luís Roberto Barroso). Citou “prisões arbitrárias”, como uma das razões. Beleza.

Seria interessante saber: o que faria Bolsonaro se um presidente de partido dissesse do Alto Comando das Forças Armadas o que Jefferson, presidente do PTB, anda bradando há tempos contra ministros do Supremo?

RABO PRESO E RABO SOLTO – Apenas para relembrar, ontem mesmo Jefferson chamou Moraes de “cachorro do Supremo”, qualificou o STF de “tribunal corrupto” e “organização criminosa” e achou graça em repetir que na Corte há “ministros de rabo preso e ministros de rabo solto”. Meses atrás, disse que “nós temos que entrar lá e colocar para fora na bala, no pescoção, no chute na bunda, aqueles 11 malandros que se fantasiaram de ministros do Supremo”.

Que o leitor transfira um desses adjetivos, boutades e ameaças para o ministro da Defesa ou um comandante militar e tente imaginar a reação de Bolsonaro.

BOLSONARO TEME MORAES – Jair Bolsonaro ataca dia sim dia também Luís Roberto Barroso, mas quem de fato inquieta o presidente é outro ministro do STF. Sim, ele mesmo, Alexandre de Moraes, relator do inquérito das Fake News e que sexta-feira mandou Roberto Jefferson para Bangu 8.

O temor do presidente é um só: que esse rolo todo bata às portas de sua família, mais especificamente dos seus filhos.

Bolsonaro não aceita a derrota e vai insistir em inviabilizar a eleição presidencial

Publicado em 14 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Bosonaro prometeu respeitar a decisão, mas mudou de ideia

Merval Pereira
O Globo

Bolsonaro alegar que venceu a eleição do voto impresso é a mesma coisa de Lula dizer que foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Com os 229 votos a favor, faltaram ao governo 79 para obter o quórum de 308 votos necessário para aprovação de uma emenda constitucional. Dizer que metade da Câmara votou a seu favor é uma falácia, pois, aos 218 votos contrários, devem ser somados os 66 votos de abstenção, que na prática prejudicaram o governo.

Mesmo que a maioria desses deputados que não tiveram coragem de assumir posição na votação em plenário seja a favor do voto impresso, não haveria voto suficiente para aprovar a emenda. Dito isso, é preciso admitir que o resultado foi muito maior para o governo do que se esperava — e não permite que se dê por encerrado esse debate extemporâneo.

BAGUNÇA POLÍTICA – Muitos deputados do PP e do PL, expoentes do Centrão, votaram contra o governo. Mas muitos de PSDB, PSB, Novo, supostamente de oposição, votaram com o governo, o que dá bem a dimensão da bagunça partidária que está instalada na Câmara.

Para aumentar ainda mais a confusão, o presidente da Câmara, Arthur Lira, deu uma mãozinha a Bolsonaro falando, logo depois de terminada a votação, que agora é hora de juntar as lideranças partidárias para conseguir aperfeiçoar a segurança da urna eletrônica, o que, por si só, impede o encerramento da discussão como ele havia anunciado.

Lira anda na corda bamba para tentar manter o apoio de Bolsonaro e se distancia do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, potencial candidato à Presidência da República e, por isso, mais firme na defesa da democracia e do voto eletrônico.

QUESTÃO POLÍTICA – Depois do desfile militar em frente ao Congresso e ao Supremo, a questão do voto eletrônico deixou de ser uma questão técnica para transformar-se em política. Não é razoável, portanto, que deputados “oposicionistas” tenham votado com o governo.

No caso do PSDB, há um adendo importante: a maioria que votou a favor do governo também deu um recado ao governador de São Paulo, João Doria, de quem o deputado Aécio Neves, único tucano que se absteve, é o adversário principal. Também Gilberto Kassab, o presidente do PSD que se tornou opositor ferrenho de Bolsonaro, sofreu uma derrota, pois a maioria de sua bancada votou pelo voto impresso.

A nova tentativa dos bolsonaristas é aumentar o número de urnas eletrônicas auditáveis, o que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já admitiu ser possível.

MAIOR FISCALIZAÇÃO – A sugestão é que firmas de auditoria independentes, como Price ou KPMG, acompanhem a votação. Lembram a vitória de Dilma sobre Aécio em 2014, ganhando com pouco mais de 3% dos votos, como indicação de que tenha havido fraude, embora nunca comprovada.

O ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União, emitiu um parecer ontem atestando a confiabilidade das urnas eletrônicas, auditadas por peritos do TCU. Em seu voto, mandou recados claros:

“Os ataques à democracia podem ser barulhentos. Ao desfilar, podem parecer vistosos, mas não passam de fumaça: pode ser escura e amedrontadora, mas se dissipa na atmosfera cristalina dos ares democráticos. Blindado é o nosso regime de liberdades, blindados são os nossos valores democráticos, blindado é o nosso plexo de garantias fundamentais, blindado deve ser o nosso compromisso irrenunciável com a Constituição que juramos respeitar, cumprir e fazer cumprir”.

LEI DE SEGURANÇA – Outro recado, desta vez do Senado, foi a derrubada da Lei de Segurança Nacional (LSN), coincidentemente no mesmo dia em que houve a “patacoada” no Palácio do Planalto.

A aprovação da nova legislação de defesa do Estado de Direito é simbólica. Basta ver que a LSN dizia o que não podia ser feito, mas todos os pontos proibidos foram expressamente aprovados pela nova legislação, como manifestações de oposição, passeatas, críticas ao governo e imprensa livre.

Agora ela vai à sanção do presidente Bolsonaro, que é até capaz de vetar. Mas, se o fizer, cria um problema sério com o Senado e, assim, vai minando a possibilidade de apoio. Na Câmara, Arthur Lira está sendo colocado em xeque pelo próprio presidente, que não respeita a decisão contra o voto impresso, como prometera, e continua dizendo que a eleição presidencial do ano que vem não será confiável.

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