quarta-feira, agosto 11, 2021

Piada do Ano! Ministério da Saúde põe sob sigilo documentos sobre compra da Covaxin

Publicado em 11 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Imatge

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br0

Do UOL

O Ministério da Saúde colocou sob sigilo documentos que tratam da compra de vacinas da Covaxin. Os documentos teriam sido entregues em julho à CPI da Covid, mas a pasta decidiu restringir o acesso público em resposta a pedidos feitos em junho por meio da Lei de Acesso à Informação.

O valor do negócio para a Covaxin, de R$ 1,6 bilhão, chegou a ser empenhado (reservado para esse fim) pelo governo federal. O acordo, porém, acabou suspenso depois que os irmãos Miranda trouxeram à tona suspeitas de corrupção dentro do ministério e possível pressão interna para que o processo de importação fosse acelerado à revelia de inconsistências contratuais.

ACESSO SUSPENSO – Nos dias 16 de julho e 6 de agosto, o Ministério da Saúde descreveu o acesso aos documentos como “suspenso e restrito no momento” por estarem em fase “preparatória” — quando o processo está tramitando no órgão.

Entretanto, no dia 29 de julho, a pasta já tinha anunciado o cancelamento do contrato da Covaxin com a Precisa Medicamentos, intermediária das negociações para compra do imunizante.

Em justificativa, o Ministério da Saúde respondeu que as informações do documento “constituem fundamento de tomada de decisão, podendo sua divulgação prejudicar o andamento” por ser “preparatório”. O ministério teria ressaltado ainda que a suspensão do acesso “não caracteriza sua conclusão e encerramento”.

INQUÉRITO – Por pressão do STF, a Procuradoria-Geral da República investiga se o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cometeu prevaricação pela forma como tratou a denúncia dos Miranda após supostamente ter sido avisado do caso.

O procurador-geral Augusto Aras se recusou a abrir a investigação, alegando que seria mais proveitoso se esperassem terminar a CPI da Covid. Mas a relatora da questão, Rosa Weber, não aceitou a alegação e mandou a Procuradoria-Geral da República abrir o inquérito.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Só pode ser Piada do Ano. Como colocar em sigilo documentos que já foram entregues à CPI e se tornaram públicos e notórios? A criatividade dessa gente realmente é espetacular(C.N.)

“Querem eleger na fraude”, afirmou Bolsonaro, alegando que deputados “foram chantageados”

Publicado em 11 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Jair Bolsonaro volta a criticar Barroso, presidente do TSE

Ricardo Della Coletta
Folha

Apesar da derrota da proposta do voto impresso na Câmara dos Deputados, o presidente Jair Bolsonaro manteve nesta quarta-feira (11) ataques à Justiça Eleitoral e insinuações sem provas sobre a segurança das eleições brasileiras.

Em conversa com apoiadores horas após a derrota, Bolsonaro disse que deputados que votaram pela PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do voto impresso não confia no trabalho do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e que o resultado das eleições do ano que vem não será confiável.

MAIS CRÍTICAS – “Números redondos: 450 deputados votaram ontem [terça-feira]. Foi dividido, 229 [a favor], 218 [contra], dividido. É sinal que metade não acredita 100% na lisura dos trabalhos do TSE. Não acreditam que o resultado ali no final seja confiável”, disse o presidente.

“Hoje em dia sinalizamos uma eleição… não é que está dividida. Uma eleição onde não vai se confiar no resultado das apurações”, declarou aos seus apoiadores.

No cercadinho, Bolsonaro voltou a alimentar teorias da conspiração sobre a fragilidade dos sistemas internos do TSE e sobre a existência de um suposto plano para eleger o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “na fraude”. As falas do mandatário foram transmitidas por um site bolsonarista.

ELEGER NA FRAUDE – “O que a gente quer —repito aqui— é uma maneira de a gente comprovar que em quem o João ou a Maria votou, o voto foi para aquela pessoa. Não tem explicação o que estão fazendo”, disse, acrescentando:

“Querem na verdade levar, eleger, uma pessoa na fraude. Uma pessoa que há pouco tempo esteve à frente no Executivo e foi uma desgraça o que aconteceu”, disse Bolsonaro.

Em outro trecho, Bolsonaro disse estar “feliz com o Parlamento” após o resultado da votação. Ele também afirmou que alguns deputados que foram contra a PEC o fizeram por terem sido “chantageados”.

“CHANTAGEADA” – “Quero agradecer à metade do Parlamento que votou favorável ao voto impresso. Parte da outra metade, que votou contra, que entendo que votou chantageada. Uma outra parte que se absteve, não são todos, alguns ali que não votaram com medo de retaliação”, disse.

Um dia antes, Bolsonaro acusou o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE e integrante do STF, de “apavorar” parlamentares contra o voto impresso. “O ministro Barroso apavorou alguns parlamentares, e tem parlamentar que deve alguma coisa na Justiça, deve no Supremo. Então o Barroso apavorou.”

Mourão ironiza veículos militares e diz que desfile para intimidar Congresso seria ridículo

Publicado em 11 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Reprodução / Twitter/ General Hamilton Mourão

Mourão não foi convidado e escapou do ridículo

Ricardo Della Coletta

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse não acreditar que o desfile militar da terça-feira (10) tenha sido organizado para intimidar o Congresso. De acordo com o vice, “seria extremamente ridículo” caso a parada militar tivesse sido realizada com esse objetivo.

Ao se referir aos veículos utilizados, ele sugeriu, em tom irônico, que a parada pode ter sido planejada pela Marinha “no intuito de receber maiores recursos para dar uma melhorada” no material.

UMA HOMENAGEM? – “A Marinha quis fazer uma homenagem para o presidente, vejo dessa forma. Acho que estava marcado antes isso aí. Se fosse para ser colocado como uma forma de pressão no Congresso, seria extremamente ridículo. Então não vejo dessa forma”, disse Mourão, general da reserva do Exército.

Questionado sobre as críticas de diversos políticos de que a exibição de blindados teria sido feita para intimidar o Parlamento, que no mesmo dia rejeitou a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do voto impresso, Mourão respondeu com ironia.

“Eu não levo para esse lado não. Acho que a Marinha quis fazer uma homenagem ali ao presidente. Apresentou ali o material que ela tem, talvez até no intuito de receber maiores recursos para dar uma melhorada”, afirmou, referindo-se ao tanque com motor em mau estado.

SÉRIE DE CRÍTICAS – Interpretado como uma tentativa de demonstração de força do presidente no momento em que aparece acuado e em baixa nas pesquisas, o desfile foi alvo de uma série de críticas do meio político, sendo tratado como mais uma tentativa do Planalto de pressionar outros Poderes e de buscar a politização das Forças Armadas.

Mourão também confirmou que não foi convidado para o desfile militar. “O presidente não havia me avisado disso, então segui nas minhas atividades normais de uma terça-feira.”

Presidente ultrapassa os derradeiros limites da democracia e está perdendo cada vez mais apoio

Publicado em 11 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Gilmar Fraga / Agencia RBS

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/ZH)

Merval Pereira
O Globo

A situação do presidente Jair Bolsonaro está chegando ao limite, e foi ele que forçou essa situação. Acredito que não contava com a reação forte do Supremo Tribunal Federal, que até agora estava levando em banho-maria, com conversas, reuniões e notas cuidadosas.

Mas quando o presidente da República anuncia que vai sair da Constituição para combater o STF, ultrapassa os limites da democracia.

PERDENDO APOIOS – Bolsonaro está avançando num terreno que não controla e assim vai perdendo sustentação. O apoio que ele ainda tinha dos empresários já foi embora – isso fica claro com o manifesto e a entrevista do presidente do Banco Credit Suisse, Jose Olympio Pereira, no Globo.

Esse pessoal já está em busca de outra opção. Apoiar Bolsonaro implica uma insegurança jurídica muito grande que afeta a economia. A classe média já o deixou, pela maneira de se comportar, de falar, e da falta completa de postura no cargo.

Tudo isso faz com que ele fique isolado num nicho de militantes radicais e no próprio Exército.

FORÇAS ARMADAS – Imagino que o apoio do ministro da Defesa não seja acompanhado pela maioria de seus comandados, porque é um descalabro o que está acontecendo.

O Congresso já derrotou amplamente o voto impresso, e acho que Bolsonaro não tem muita saída; ou se enquadra, ou não vai durar no governo. Será atingido por medidas previstas na Constituição, das quais o presidente da República não pode se afastar.

A reação de setores da sociedade era o que estava faltando. Junto com decisões do Congresso e do Supremo, Bolsonaro enfim está sendo encurralado.


Não vai ter golpe

 em 11 ago, 2021 4:10

Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça

“O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.


Editorial do Brazil Journal


Pode comprar Brasil. Pode vender dólar, ficar ‘dado’ no juro e comprar a Bolsa.

A democracia brasileira — com todas as suas imperfeições — foi uma construção coletiva que envolveu toda a sociedade: da Igreja aos sindicatos, dos trabalhadores aos empresários, e até os próprios militares, que buscaram uma transição digna depois da fadiga de material causada por 21 anos de Poder usurpado.

Uma nova aventura golpista não interessa às pessoas de responsabilidade no País.

Não interessa aos donos do capital, porque tudo que esse assunto gera é volatilidade e desperdício de tempo, dinheiro e oportunidades.

Não interessa aos políticos porque, em cenários assim, eles acabam ou num porão fedorento ou silenciados e castrados.

Não interessa aos jovens brasileiros, que querem educação de qualidade e emprego — e estão construindo um País mais justo, aberto e humano, infinitamente melhor do que este que nossa geração está deixando.

E certamente não interessa aos militares, que sabem que estariam embarcando num Vietnã particular: herdando um país dramaticamente polarizado, com finanças em frangalhos e desafios que demandam construção coletiva.

Isso sem falar no inevitável isolamento internacional: a Casa Branca atual certamente não apoiaria um golpe de inspiração trumpista. Muito menos a União Europeia e a China, agredidas rotineiramente por Bolsonaro e seu círculo xiita.

A época em que o General Olímpio Mourão mudava o tabuleiro da Política colocando seus tanques na estrada de Juiz de Fora para o Rio é apenas uma referência histórica, um retrato antiquado numa era dominada pela internet e pela informação, em que milhões de pessoas são mobilizáveis em questão de minutos.

Na frase célebre de Marx, a história só se repete como farsa, mas esse teatrinho de agora — esse rato que ruge — sequer é farsa, é mais um meme de Whatsapp.

Bolsonaro criou uma realidade paralela e há muito tempo não governa. Apenas se envolve em paranoias e não-problemas, causando a suspeita generalizada de que seu comportamento transcende o campo da política e invade o da psiquiatria.

Ninguém mais aguenta o nível de atrito que o Presidente gera todos os dias. Para ele, tudo é guerra. Trump também agia assim. Os EUA se cansaram; o Brasil está esgotado.

Agora, esse papo de golpe é um diversionismo deletério que só ajuda a narrativa do próprio Bolsonaro, um homem que jamais deveria ter sido Presidente e agora se desespera diante da derrota iminente.

Esqueça os petistas e a esquerda. Se Bolsonaro soubesse o que o empresariado diz dele privadamente, entenderia que não tem mais o apoio na economia que Paulo Guedes um dia representou.

Aliás, Bolsonaro foi eleito como o anti-Lula. Mas agora, é o próprio 17 que pode trazer o 13 de volta, porque o petista só conseguirá vencer em 2022 contra Bolsonaro. Qualquer outro candidato ganharia fácil no segundo turno.

É importante e saudável que as pessoas se manifestem contra a narrativa golpista, mas não convém atribuir a “um cabo e um soldado” poderes que eles simplesmente não têm.

O Brasil é muito maior, mais complexo e melhor do que o hospício em que se transformou o Planalto.

A sabedoria milenar ensina que cão que ladra não morde, e as sombras na caverna sempre parecem maiores do que realmente são.

É hora do País acender a luz e acordar do pesadelo.

INFONET

O ódio político é uma droga pesada

 



Ninguém hesita em condenar o tráfico de drogas e o fanatismo religioso, mas as mesmas pessoas que condenam traficantes e fanáticos se entregam espontaneamente ao vício do ódio político. 

Por Luciano Trigo (foto)

Embora exista muita gente má no Brasil, resisto a acreditar que é por maldade que tantas pessoas aderem incondicionalmente ao discurso de ódio político que só enxerga no adversário um inimigo a destruir, isto é, que nega o próprio direito de existência a quem pensa (ou vota) de forma diferente. Mesmo quando se trata de um amigo ou parente, o outro perde sua humanidade no momento em que nos contraria, e a partir daí passamos a odiá-lo com todas as nossas forças. Isso não pode ser considerado algo normal.

Pelo andar da carruagem, estamos caminhando para uma campanha eleitoral que será marcada pelo sangue nos olhos e pela faca entre os dentes; para um segundo turno sangrento no qual metade dos eleitores odiará e desprezará a outra metade, sem qualquer possibilidade de convívio, muito menos de diálogo civilizado. Desnecessário dizer, esse ódio que divide e envenena os brasileiros sairá reforçado das eleições, seja qual for o resultado, prorrogando o clima de guerra por mais quatro anos.

E isso na melhor das hipóteses, isto é, estou partindo da premissa de que a corda do sistema democrático resistirá, por mais que seja esticada de todos os lados. Quando a grande mídia e o Poder Judiciário se unem abertamente para desestabilizar e sabotar um governo, e quando este governo ameaça reagir “fora das quatro linhas da Constituição”, cria-se uma preocupante atmosfera de namoro com a ruptura institucional. Nada de bom pode vir daí.

Também estou partindo da premissa de que em 2022 os candidatos serão mesmo Bolsonaro e Lula, o que não é 100% líquido e certo. Muita coisa ainda pode acontecer, para o bem e para o mal. No Brasil até o passado é imprevisível, que dirá o futuro: basta lembrar que, até outro dia, a Lava-Jato era um marco histórico no combate à corrupção e Sérgio Moro era um herói, um motivo de orgulho para os brasileiros – e parece que estão reescrevendo a História, à maneira do exaustivamente citado (mas nem sempre compreendido) romance de George Orwell “1984”.

Como eu dizia, não pode ser por maldade, nem por burrice ou desonestidade, que tanta gente comum compra o discurso do ódio e aceita participar desse roteiro de tragédia anunciada, de um lado ou de outro. Prefiro acreditar que esse fenômeno decorre da pandemia de polarização que tomou conta da sociedade brasileira nas últimas duas décadas. Mas, embora a metáfora da pandemia seja tentadora em tempos de Covid-19, parece mais adequado comparar o ódio político a uma droga que a um vírus. Uma droga pesada.

Ninguém hesita em condenar o tráfico de drogas e o fanatismo religioso, mas as mesmas pessoas que condenam traficantes e fanáticos se entregam espontaneamente ao vício do ódio político

Primeiro, o ódio político dá um sentido para a vida das pessoas. O prazer de apontar o dedo, de ofender, de agredir, de desqualificar, de perseguir, de massacrar e esfolar o outro constitui, frequentemente, uma compensação psicológica altamente viciante para existências banais, sem grande acontecimentos ou emoções. Odiar gera descargas de adrenalina e sensações de prazer com alto poder de criar dependência psíquica.

Segundo, o ódio político dá às pessoas um sentimento de pertencimento e de diluição no grupo, outra característica altamente viciante da droga. Abrir mão da própria identidade e da independência como indivíduo para fazer parte da massa indiferenciada de uma comunidade de ódio é altamente prazeroso, porque liberta as pessoas de sua responsabilidade.

No grupo, ela não é responsável por seus fracassos, ao contrário: o grupo lhe diz tudo que ruim que lhe acontece é culpa do adversário, a quem se tem o dever de odiar. Não convém subestimar a força do ressentimento, e a História demonstra que a tentação de se perder na massa pode ter consequências trágicas - como demonstrou Elias Canetti no ensaio "Massa e poder".

Terceiro, por seu maniqueísmo, o ódio político torna as coisas mais fáceis de entender, sem exigir do indivíduo qualquer reflexão crítica, qualquer ponderação, qualquer conflito interior. A realidade passa a existir em preto e branco: a minha comunidade de ódio é 100% boa, tudo o que o meu candidato faz é bom, e tudo o que o candidato da outra comunidade de ódio faz é perverso e ruim. Basta aderir para receber uma carteirinha de virtuoso e adquirir o direito de praticar o "ódio do bem".

Especialmente para quem não teve acesso a uma educação de qualidade – aí incluídos muitos formadores de opinião, “intelectuais”, professores e muita gente com diploma universitário – entender o mundo dessa maneira dá uma sensação duplamente recompensadora e viciante: eu me sinto muito inteligente (enquanto todos os que estão do outro lado são burros) e, o que e mais importante, eu me sinto moralmente superior a quem ousa discordar da minha visão de mundo. Esse prazer não tem preço.

O ódio político pode ser comparado também ao fanatismo religioso, que leva pessoas de forma geral honestas a idolatrar seu líder e a fechar os olhos para todos os seus erros e imperfeições. Como o ódio político, o fanatismo religioso age de forma similar a uma droga: um e outro aumentam, por vias tortas, a sensação de prazer, satisfação e felicidade, aumentando a produção de serotonina, dopamina e outros neurotransmissores pelo cérebro, gerando dependência e crises de abstinência.

Ninguém hesita em condenar o tráfico de drogas e o fanatismo religioso, mas as mesmas pessoas que condenam traficantes e fanáticos se entregam espontaneamente ao vício do ódio político. Por isso estamos nos tornando, cada vez mais, um país de viciados: o ódio político é uma droga pesada.

Gazeta do Povo (PR)

Alerta dos EUA joga água na fervura no delírio bolsonarista de intervenção militar

 

AUG



Assessor de segurança nacional reiteira preocupação americana com ameaças as eleições

Por Maria Cristina Fernandes 

Na véspera da votação da proposta de emenda constitucional do voto impresso e do desfile de blindados pela Esplanada dos Ministérios, o diretor sênior para o Hemisfério Ocidental do Conselho de Segurança Nacional do governo americano, Juan González, fez questão de expressar sua preocupação com o tema: "Fomos muito diretos em expressar nossa confiança na capacidade de as instituições brasileiras conduzirem uma eleição livre e limpa e enfatizamos a importância de não ser minada a confiança no processo, especialmente uma vez que não há indício de fraude nas eleições passadas".

Ele foi além: "Podemos nos engajar na cooperação para a segurança, na cooperação econômica e ainda assim sermos muito claros em relação ao apoio a que os brasileiros sejam aqueles que determinam o resultado de suas próprias eleições".

González falou durante entrevista, em Washington, sobre a visita feita a América Latina na semana passada pelo Conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, que também teve sua participação. No Brasil, Sullivan encontrou o presidente Jair Bolsonaro. Foi a maior autoridade a visitar o país desde a posse do presidente americano Joe Biden.

A declaração de González tem dois efeitos. O primeiro é o de revelar o tamanho do estrago provocado pelo governo Bolsonaro nas relações internacionais: o país volta a ser tratado como uma república das bananas que precisa ser alertada pela maior democracia do mundo para não sair dos trilhos.

É bem verdade que González reconheceu que o bananal tupiniquim tinha inspiração americana: "Fomos sinceros sobre nossa posição, especialmente em visa dos paralelos em relação a tentativa de invalidar as eleição antes do tempo, algo que, é óbvio, tem um paralelo com o que aconteceu nos Estados Unidos”.

Tal reconhecimento, porém, não o impediu de assumir as gestões contra a Huawei e o apoio a entrada do Brasil na Organização do Tratado do Atlantico Norte (Otan). González, porém, repetiu reiteradas vezes que o governo americano não condiciona uma coisa a outra.

Se a declaração do burocrata americano mostrou o dano provocado por Bolsonaro sobre as relações externas do país, por outro, mostrou, indiretamente, o quão reduzidos são hoje os riscos de uma intervenção das Forças Armadas brasileiras na institucionalidade democrática, temor que ontem invadiu Brasilia com a iminencia do desfile de blindados. Este é o segundo efeito da declaração de Gonzalez, colocar água na fervura das inquietações sobre uma intervenção militar no Brasil.

González não poderia ter sido mais claro em relação a posição a ser tomada pelo governo Biden numa quebra de institucionalidade no Brasil. Daí porque nunca uma eleição nos Estados Unidos importou tanto para os brasileiros. O fato de Bolsonaro ter perdido o apoio do ex-presidente Donald Trump, visitado na tarde de ontem pelo deputado Eduardo Bolsonaro e sua família no escritório do ex-presidente americano em Nova York, foi condição necessária mas não suficiente para garantir a democracia no Brasil. O resto é com as instituições civis brasileiras.

Valor Econômico

Corrupção no desgoverno Bolsonaro vem da ditadura

 



Arena, a serviço dos militares, protagonizou escândalos, sob Maluf virou PP, que, com Janene, tornou furto sistêmico sob PT, e, vulgo Centrão, ocupa Casa Civil na gestão atual

Por José Nêumanne 

Na gestão dita republicana dos negócios pretensamente públicos de Pindorama, prevalece um princípio da química do velho Lavoisier, que pontificava: “na natureza nada se cria e nada se perde, tudo se transforma”. É a conclusão a que chega quem vê a série Nêumanne Entrevista, do Blog do Nêumanne, no portal do Estadão desta semana. Com a autoridade de professor da Escola de Direito do Largo de São Francisco, ex-ministro da Justiça e coautor do processo de impeachment de Dilma Rousseff, o jurista Miguel Reale Júnior chama a atenção para o pedigree de corrupção que orna as cabeças coroadas do poderoso Centrão no desgoverno Bolsonaro.

O terrorista que planejou ataques a bombas em quartéis do Exército e na adutora do Rio Guandu, quando era capitão da Artilharia (“minha modalidade é matar”, disse ele), para reivindicar aumento de soldo, faz-se passar por restaurador da velha ordem dos tempos em que os presidentes saíam dos almanaques da Força. Na verdade, uma leitura mais acurada dos jornais da época dará conta de que já então era golpista e ameaçava o Nova República, na tentativa de evitar a abertura democrática, ainda que lenta e gradual. Não teria idade para ser ajudante de ordens do ministro do Exército, general Sylvio Frota, que comandava os sediciosos, caso de seu atual araponga-em-chefe, Augusto Heleno. Mas sua ação não passou despercebida do penúltimo presidente do ciclo da força, Ernesto Geisel, que, em entrevista publicada em livro a cientistas sociais da Fundação Getúlio Vargas, o chamou de “mau militar”.

Deputado federal por sete (no caso aqui, por mero acaso, a conta do mentiroso) mandatos, tendo sido escolhido em cinco deles pelo sufrágio registrado em urnas eletrônicas, como acaba de lembrar seu cupincha Artur Lira, fez-se passar por apolítico e ardoroso defensor da impressão do voto. Esta, contudo, não foi a única de suas mentiras pregadas numa campanha eleitoral em que prevaleceu a falácia, sua companheira mais fiel ao longo da vida inteira. Talvez não tenha sido a mais desonrada promessa de muitas, caso da que dedicaria o mandato que conquistasse a reforçar o combate à corrupção. Afinal, o pedigree do “cavalão” das Agulhas Negras sempre teve a origem antiga e longeva no furto descarado do erário. A implacável lembrança do professor Reale vem em socorro de historiadores que ainda não tiveram a precisão de apontar para essa origem da chamada mão grande em seu currículo de homem público, de farda ou de terno. Aquilo que os pedantes de plantão chamariam de malversação das verbas arrancadas do sangue, suor e lágrimas dos pagadores de impostos: a origem suja do Centrão, a Arena de Maluf, depois PP de Janene, Nogueira e Lira.

A ditadura militar não inventou a corrupção, é claro. Mas também dela não se isentava. Mas, como nos canteiros de empreiteiras corrupteiras para a construção da Novacap de Juscelino, era dispersa. Falava-se muito de Paulo Maluf, que foi prefeito de São Paulo por escolha dos generais do Alto Comando, mas isso não impediu que ele seguisse carreira de executivo no topo de mandatos públicos municipais e estaduais. E só foi impedido de subir à Presidência da República, na eleição indireta pelo colégio eleitoral, pelas dimensões de sua má fama. Que impediu sua vitória sobre Tancredo Neves, do MDB, mercê de aliança com dissidentes da Arena, reunidos do PFL, que terminaria virando DEM.

Foi então que veio a democracia, foi promulgada a Constituição de 1988 e nos seis mandatos seguintes, de PSDB, PT e MDB, um remanescente da velha Arena, denominada com suprema ironia de “Partido Progressistas” (termo futurista que era usado pelos inimigos da esquerda), manteve o velho timoneiro Maluf no mínimo como ícone. O deputado paranaense José Janene não sobreviveu para usufruir as próprias obras: o que se cognominou “mensalão” e configurou o Centrão. Para derrotar o petista Fernando Haddad, o revoltado pelo baixo soldo apelou para nova política, anticorrupção e combate à esquerda. Mas não foi capaz de apagar as próprias digitais dos tempos em que militou nas hostes malufistas, hoje sob o comando de um ex-adorador de Lula, Ciro Nogueira, um zé-ninguém das sobras de um Centrão que já teve expoentes como Eduardo Cunha, que expulsou Dilma e o PT do poder. E hoje se contenta com uma sombra menor, Arthur Lira, cuja biografia, incluída a penal, dá a ideia da mediocridade de um oficial proibido de chegar a major pelas exigências intelectuais do comandante da Força Armada, à época em que ele seguia os passos de Carlos, o Chacal, e Hugo Chávez, um coronel subcastrista.

O malogrado demolidor de casernas e aqueduto buscou abrigo em trincheiras guardadas por golpistas de escassas ética, cuca e honra, caso do comandante brasileiro que a ONU pediu para retirar do Haiti, Augusto Heleno, do torturador e assassino Brilhante Ustra e do explorador de garimpeiros Sebastião Curió. O chefe de família acusada de extorquir servidores de seus gabinetes na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro agora sobrevive no mais alto cargo de uma República que não se envergonha da mais alta desonra. E com a garantia de que 205 deputados federais, sob a batuta de um subcaranguejo, impedirão que o perca, para evitar que seu aliado, o novo coroné vírus, ultrapasse a cifra do milhão de vítimas da pandemia cruel.

Com o pedigree de Maluf, Janene, Ciro, Lira e, last but never least, Ricardo Barros, Bolsonaro está à altura do cargo que tem mérito para ocupar: o servidor supremo do Centrão do PP, ex-Arena, confessou, num sincericídio que o levará à morte política, ainda que seus sequazes o mantenham na função de desanimador de live geral desta Nação assassinada.

*Jornalista, poeta e escritor

Blog do José Neumanne

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