sábado, junho 19, 2021

Bolsonaro deverá ser responsabilizado ao fim dos trabalhos da CPI, diz o relator Renan

Publicado em 18 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Renan diz que todos os caminhos levam a Bolsonaro

Paulo Cappelli e Julia Lindner
O Globo

O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), após  anunciar nesta sexta-feira uma lista com 14 nomes de testemunhas que, agora, passam à condição de investigados pela comissão, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro, que não está na lista, poderá ser responsabilizado pela CPI ao final dos trabalhos e que estuda juridicamente como incluí-lo como investigado.

“Essa é uma análise que estamos refletindo, ouvindo as pessoas, conversando com as instituições. Se a CPI puder diretamente investigar o presidente, já que a vedação é (apenas) para o não comparecimento para prestar depoimento, e não óbvia vedação à investigação… Se a competência favorecer a investigação, quero dizer que vamos investigar, sim” – disse o relator.

DEPOR POR ESCRITO – “Se não pudermos trazê-lo para depor, poderemos fazer perguntas por escrito, como em muitas circustâncias compete fazer a presidente da República… Aparecendo fatos óbvios, como tem aparecido, a CPI vai ter que responsabilizar. Diante de provas, não há como não responsabilizar. Seria um não cumprimento do nosso papel” — afirmou Renan.

Nos últimos dias, segundo pessoas próximas, o relator pediu que a equipe técnica do seu gabinete verificasse se Bolsonaro pode, de fato, ser investigado pela CPI. Se isto for possível, ele pretende pedir que o presidente da República preste esclarecimentos por escrito à comissão. A ideia ganhou força após Bolsonaro dizer que a contaminação pelo novo coronavírus é mais eficaz do que a vacina, o que foi visto por integrantes do colegiado como uma nova provocação.

OU NÃO PODEMOS? – “A investigação direta do presidente, não sabemos ainda se podemos fazer ou não. Tem algumas vedações. Não podemos convocá-lo para prestar depoimento, mas podemos investigá-lo diretamente no procedimento do fato determinado? Ou não podemos?” — questionou o relator nesta sexta-feira.

A aliados, Renan relatou diversas vezes que vê na CPI uma forma de tentar impedir Bolsonaro de continuar a propagar notícias falsas sobre a pandemia. Por isso, a possibilidade de incluir o presidente na lista de investigados da comissão também tem objetivo de enviar uma mensagem clara ao presidente.

“Se não pudermos trazê-lo para depor, poderemos fazer perguntas por escrito. Chamar (para depor) não pode, porque tem uma vedação. Mas não tem problema, podemos “ouvi-lo” por escrito” — disse Renan a jornalistas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 O Globo diz ter apurado que o relatório de Renan apontará supostos erros e omissões do presidente no enfrentamento à pandemia. Com isso, há a expectativa de que o presidente possa ser levado a uma corte penal internacional por crime contra a saúde pública, diz o Globo, mas essa possibilidade é remota e longínqua. O que podem acontecer é que, com base no relatório do parecer, a Procuradoria-Geral da República cumprir seu papel de denunciar o presidente. Mas quem é Aras para fazer isso? (C.N.)


Reforçada por novos apoios, a Oposição volta às ruas contra Bolsonaro com atos em 402 cidades

Publicado em 18 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Movimentos de oposição convocam novos atos contra Bolsonaro para o dia 19 |  VEJA

É aguardada mais uma multidão na Avenida Paulista

Joelmir Tavares
Folha

Setores de oposição aA presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltam às ruas neste sábado (19) para uma nova manifestação nacional pelo impeachment, por mais vacinas contra a Covid-19 e por auxílio emergencial, menos de um mês após os atos de 29 de maio, que atraíram milhares de pessoas.

Animados com a participação popular e a repercussão política da rodada anterior, organizadores preveem volume maior de participantes. A quantidade de organizações que endossam a realização dos protestos e o número de cidades com atividades programadas cresceram em relação a maio.

EM 402 CIDADES – Até esta quinta-feira (17), estavam confirmados 409 atos em 402 cidades de todos os estados brasileiros, incluindo as 27 capitais. No exterior, a previsão era a de concentrações em 41 cidades, em países como Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Portugal, Itália, Finlândia e Argentina.

No mês passado, segundo a coordenação, houve no total movimentações em 210 cidades no Brasil —algumas, assim como agora, tiveram mais de uma atividade. No exterior, o número também foi menor: 14 cidades. No total, foram 227 atos.

As manifestações são convocadas e apoiadas por movimentos sociais, partidos políticos, centrais sindicais, entidades estudantis, torcidas organizadas e grupos envolvidos em causas como feminismo e antirracismo. A organização está centralizada no fórum Campanha Nacional Fora, Bolsonaro.

USAR MÁSCARAS – A recomendação é que os manifestantes usem máscara (preferencialmente do tipo PFF2), se possível levem máscaras para doação, carreguem álcool em gel e mantenham o distanciamento social. Nos protestos de maio, as orientações foram seguidas, mas houve registros de aglomerações.

O país passa por um novo avanço de casos e mortes na pandemia. Nesta quinta-feira (17), o Brasil registrou 2.335 mortes por Covid-19 e 74.327 casos da doença. Com isso, o total de mortes no país chegou a 496.172 e o de casos a 17.704.041 desde o início da pandemia.

A média móvel de mortes por dia ficou em 2.005, segundo dia consecutivo com o número acima de 2.000 –já são 147 dias acima de mil mortes diárias.

NA AVENIDA PAULISTA – Em São Paulo, a concentração do protesto será novamente na frente do Masp, na avenida Paulista, a partir das 16h. A maior parte das cidades terá passeatas, mas em algumas haverá carreatas, consideradas menos arriscadas para a disseminação do novo coronavírus.

No sábado passado (12), Bolsonaro participou na capital paulista de um passeio de moto com apoiadores, depois de eventos semelhantes em Brasília e no Rio.

O presidente e auxiliares foram multados pelo governo João Doria (PSDB) por não usarem máscara contra a Covid-19 no evento. Motociclistas simpatizantes do governo também deixaram de usar a proteção facial — item que os protestos da oposição dizem diferenciá-los em relação aos dos bolsonaristas.

Enfim, Brasil imita Israel e inicia as negociações para possibilitar uma candidatura de terceira via


Charge O TEMPO 29-04-2021

Charge do Duke (O Tempo)

Vicente Limongi Netto

Forte coincidência ou boa análise. Fico contente. Sem cabotinismo. São 50 anos de vivência política. O fato é que meu texto na Tribuna da Internet, no dia 15, despertou cabeças pensantes, colunistas, pauteiros, analistas e políticos. O rosário de suites continua. Os arquivos não mentem.

Clamei para que os ventos democráticos de Israel cheguem ao Brasil para enfrentar a forte polarização entre Bolsonaro e Lula. Lembrando que em Israel a coalizão de oito partidos oposicionistas acabou com o que parecia impossível, a era Netanyahu.

FALTA DE GRANDEZA – Nessa linha, ponderei que o tempo passa e caciques de partidos contrários a Lula e Bolsonaro parecem distantes da sabedoria política. Salientei a falta de grandeza e desprendimento para chegar-se a um candidato que sensibilize e atraia o eleitorado na disputa com Lula e Bolsonaro. Hora da onça beber água. Do mato a cobra e mostro o pau: Merval Pereira, O Globo, dia 17:

“Procura-se uma alternativa entre Lula e Bolsonaro”. Também no Globo, dia 18, Bernardo Mello Franco, “A agonia da terceira via, com fuga de candidatos de direita (ou centro) com Luciano Huck”. Alerta do deputado Rodrigo Maia: “Ciro e Dória precisam se acertar”. Luiz Carlos Azedo, Correio de 18/6: “Os partidos que se articulam para ter uma candidatura única – DEM, Podemos, PSDB, PV, Solidariedade, Cidadania e MPB – discutem essa alternativa, mas não descartam a ampliação do grupo, com a incorporação do PSD, do PDT, da Rede e do PSB, se o desejarem”.

PARA DEFENDER A AMAZÔNIA – ‘Sou candidato para defender a Amazônia’, diz Arthur Virgílio Neto sobre as prévias presidenciais no PSDB. “Chego a essa disputa com 32 anos de serviços prestados ao PSDB e com a bandeira da defesa da Amazônia. Já está mais do que na hora do país enxergar a Amazônia da forma que deve ser vista”, afirmou o presidente do diretório regional do PSDB no Amazonas e candidato às prévias presidenciais que serão realizadas em novembro deste ano.

“Eu tenho a honra de ser um dos quatro nomes a disputar essas prévias e todos os candidatos têm bagagem para essa disputa”, continuou. “O PSDB tem quadros, sempre foi um partido de quadros fortes”.

Arthur Virgílio destacou que vem lutando para a realização das prévias desde 2018, porque esse é o caminho para a união do PSDB, partindo da democracia interna para consolidar o Partido da Social Democracia como alternativa real de poder, diante das opções extremas que hoje existem.

UM LUGAR DE HONRA – “O PSDB governou por oito anos e, quando não ganhou as eleições, foi o segundo, sendo escolhido pelo país para ser o fiscal do governo eleito. Muita gente não entende isso, mas é um lugar de honra, de respeito”, afirmou Arthur Virgilio, que está convencido de que o PSDB, independentemente do resultado das prévias, sairá coeso para o pleito de 2022.

“Eu mudaria a política internacional em relação à Amazônia em 180 graus. O Brasil é hoje um país completamente desprestigiado, o que pode se tornar uma ameaça real. Vou apresentar um projeto de governo que vai contemplar bastante essa análise. Temos um ministro do meio ambiente que é o avesso do bom senso, que é o avesso da boa-fé, eu diria que ele é um inimigo da Amazônia, dos índios e do uso sustentável das nossas riquezas”, denunciou o ex-prefeito de Manaus.

TROPA SEM CHOQUE – A destrambelhada, atabalhoada e desesperada tropa sem choque de Bolsonaro, versada em shows apelativos de histeria, falta de educação e subserviência ao governo, deu outro espetáculo deprimente, ridículo e patético, durante o depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel.

O script de papelão do roteiro de destemperos dos serviçais do chefe da nação foi comandado pelo filho 01, do mito de barro, senador Flávio Bolsonaro, rei das rachadinhas. O senador (vá lá, vá lá) carioca, que não é titular nem suplente da comissão, usou as habituais armas de xingamentos e ameaças quando o presidente é acuado com argumentos, verdades e fatos.

O insolente ainda levou deputados serviçais do pai dele. Wilson Witzel não se intimidou com os arreganhos do filho 01 do mito de plástico, chamando-o de “mimado e sem educação”.

CAOS SANITÁRIO – Witzel repudiou o “linchamento moral” ao qual foi submetido e acusou Bolsonaro de ser o “único responsável pelo caos sanitário que abala o país, já perto de 500 mil mortos”.

Afirmou que o “Brasil não tem rumo”, transformado por Bolsonaro numa “república chavista ao contrário”. O depoente manifestou esperanças que será reconduzido pelo STF, ao cargo do qual foi apeado de “forma inaceitável”.


Existe saída para crise através de negociação, mas Bolsonaro prefere “apostar” no conflito

Publicado em 19 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Duke (O Tempo)

William Waack
Estadão

Coube a Jair Bolsonaro o duvidoso mérito de demonstrar que o atual sistema de governo não funciona. O perigo do desenho de um sistema que opõe o vencedor de uma eleição plebiscitária (portanto, uma figura forte) a um Parlamento fracionado e com baixa representatividade (o sistema proporcional de voto brasileiro garante a desproporção) já vinha sendo apontado há anos. Nem era preciso esperar a chegada de uma caricatura de homem de Estado como o atual presidente.

Caricaturas às vezes ilustram um argumento, e a maneira como Bolsonaro, em busca da reeleição, está negociando com uma agremiação política de aluguel (das quais existem dezenas) serviu também para reiterar a falência do sistema de partidos.

CAUSA E CONSEQUÊNCIA – A combinação do mau funcionamento de ambos – sistema de governo e sistema político-partidário – é, ao mesmo tempo, causa e consequência da profunda crise atual.

A amplitude da crise está levando elites pensantes no mundo político, intelectual e empresarial à convicção de que as próximas eleições não trarão uma solução, nem mesmo uma saída provisória – sequer com uma candidatura viável de terceira via.

Esse “não dá mais de jeito nenhum” é o grande cenário de fundo para o que se discute no momento na Câmara em termos de reforma política. Desse cenário surgiu também a proposta do semipresidencialismo.

FRANÇA E PORTUGAL – A proposta vem da intersecção entre o mundo acadêmico do Direito e o da política e envolve também ministros do STF. Na sua essência, significa manter a atual figura do presidente da República como chefe de Estado com a prerrogativa de nomear um primeiro-ministro (que não precisa ser parlamentar nem eleito) que, por sua vez, teria de montar um gabinete de ministros dependendo de maioria no Legislativo.

O modelo é o que já existe na França e em Portugal: sem maioria no Parlamento cai o governo chefiado pelo primeiro-ministro, mas não cai o presidente eleito diretamente.

A ideia do semipresidencialismo agora lançada em debate público embute duas constatações realistas e uma forte dose de esperança. Ela assume, corretamente, que nunca funcionará o atual sistema presidencialista pelo qual o chefe do Executivo começa o governo tendo então de buscar maioria no Legislativo num sistema político-partidário fracionado e pouco representativo. E assume ainda, corretamente, que a “cultura política” brasileira precisa da figura forte do presidente (que continuaria chefe das Forças Armadas e da diplomacia) e não comportaria um parlamentarismo puro.

MENOS PARTIDOS – A esperança é a de que a necessária redução do número de partidos – elemento essencial em qualquer reforma política – se daria na medida em que surgissem dois grandes blocos no Legislativo, o da “situação” e o da “oposição”.

Alteração como a introdução do voto distrital misto ajudaria, mas não seria precondição para o semipresidencialismo. A ideia em debate assume também, realisticamente, que não há perspectiva de ampla reforma política com as atuais forças em jogo no Legislativo.

De qualquer maneira, só valeria a partir de 2026. Mas não seria – e aí há um involuntário componente de ironia política – tão radical diante do que já acontece. De fato, Jair Bolsonaro divide a chefia de governo não com um, mas com dois primeiros-ministros, os presidentes da Câmara e do Senado.

FEDERAÇÃO DE PARTIDOS – Já o Centrão pode ser descrito como uma “federação” de partidos de situação com uma notável diferença em relação à proposta do semipresidencialismo: no sistema de governo atual o presidente é seu refém. Ou seja, no semipresidencialismo Bolsonaro não precisaria ter medo de impeachment.

Não importam os defeitos ou vantagens desse tipo de ideia, o principal mérito político no momento está em forçar um debate para além dos sistemas de governo e político-partidário atuais, dentro dos quais não se vislumbra saída para a crise permanente. Provavelmente a discussão em torno de normas futuras surja para muitos como perda de tempo, utopia acadêmica ou impossibilidade política (ou tudo junto).

Cabe então lembrar que só há duas resoluções de crises como a que o Brasil enfrenta. Existe a saída pela negociação, compromisso e algum tipo de consenso. E a saída pelo conflito. Bolsonaro aposta no conflito.


Distribuir sobras de comida é o mais criativo projeto impossível de Paulo Guedes

Publicado em 19 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Guedes defende utilizar sobras de restaurantes para alimentar pobres

Pedro do Coutto

Ao participar na quinta-feira do Fórum Nacional de Abastecimento, promovido pela Associação Brasileira de Supermercados, o ministro Paulo Guedes apresentou como solução para combater a fome a distribuição de sobras de comida de restaurantes deixadas nos pratos pelos clientes.

Com isso, ele propõe o absurdo de querer apresentar como solução contra a miserabilidade uma nova geografia da fome, título do livro clássico de Josué de Castro, escrito há mais de 70 anos.

ORDEM DO DIA – Josué foi deputado federal e dedicou sua vida a analisar a possibilidade da fome ser combatida no país. O seu projeto não vingou, tanto que a fome agora voltou à ordem do dia como uma das questões prioritárias da população brasileira. Reportagem de Bernardo Caram, Folha de São Paulo de ontem, focaliza o assunto que também é tratado pela repórter Gabriela Caseff, na mesma edição.

O ministro Paulo Guedes considera que a classe média come demais e por isso deixa sempre no prato as sobras de alimentos, e essa solução funcionou na Europa após a Segunda Guerra. “O prato de um [membro de] classe média europeu, que já enfrentou duas guerras mundiais, são pratos relativamente pequenos. E os nossos aqui, nós fazemos almoços onde às vezes há uma sobra enorme. Isso vai até o final, que é a refeição da classe média alta, até lá há excessos”, disse Guedes.

O ministro acrescentou que toda aquela alimentação que não for utilizada em determinado dia no restaurante deve ser dada para alimentar pessoas desamparadas. É muito melhor do que deixar estragar essa comida toda”, afirmou Paulo Guedes.

FLEXIBILIZAÇÃO – Guedes fez uma promessa aos dirigentes de supermercados, e disse que o governo deverá avaliar a flexibilização da regra que trata da validade de alimentos no Brasil. Custa crer que isso seja apresentado como política de governo, já que se o alimento está classificado dentro de um período, como alterá-lo por vontade do governo ou da concordância dos donos de supermercados?

A fome tem que ser combatida com empregos. O problema está no mercado de trabalho. O benefício é válido, mas não é a face essencial do problema que desafia o passar do tempo.

A ministra Tereza Cristina, da Agricultura, participou do evento e propôs criar um grupo para avaliar o tema da prorrogação do prazo de validade. Ela acha que poderia ser feita uma adaptação, sem precarizar, o verbo que ela usou, fatos e obstáculos em relação à validade dos alimentos.

NÃO SABE O QUE É FOME – Para Rodrigo Afonso, diretor-executivo da ONG Ação da Cidadania, organização de combate à fome fundada por Betinho em 1993, a sugestão de Guedes em destinar sobras de alimentos de famílias e restaurantes a pessoas vulneráveis mostra que o ministro “nunca sentou com uma família para saber o que é fome.”

Não há necessidade de sentar à mesa com pessoas com fome para se avaliar esse drama, que é a luta para adquirir alimentos. Isso tem mais a ver, penso eu, com a questão do desemprego do que com a capacidade de se resolver problemas com utopias. No caso da validade dos alimentos, o problema não é só de fome, mas junto com ela uma iniciativa capaz de produzir intoxicações.

O Ministro Paulo Guedes, como sempre, propõe projetos inexequíveis. Funciona no papel e nas telas de computadores, mas não chega ao estômago e à ansiedade das populações carentes que têm na fome o seu flagelo diário. Rodrigo Afonso lembra ainda a frase de Betinho: “quando pessoas passam fome, todos os outros direitos lhes foram negados”. Dar um alimento como uma ração humana é uma humilhação.

ELETROBRAS – Reportagem de Manoel Ventura, O Globo, focaliza a aprovação pelo Senado da Medida Provisória do presidente Bolsonaro que autoriza a privatização da Eletrobras. Vale assinalar que a privatização é um processo complexo, não se trata apenas de colocar ações novas no mercado. É sobretudo uma questão de preço e além deste as consequências prováveis e inevitáveis que revestem a questão.

Mas há um ponto do texto aprovado, que voltará para a Câmara pois recebeu emendas de senadores, que merece uma atenção especial. Um dispositivo incluído dispensa de licença ambiental a instalação de uma linha de transmissão muito extensa no  país.  Mas por que deve ser dispensada a licença ambiental? Ela é exigida para a Eletrobras que é estatal, mas deixaria de ser exigida para uma Eletrobras eventualmente privada? Não é possível. É preciso que a Câmara ao votar a matéria elimine essa dispensa fundamental a qualquer obra pública no país.

O prazo para a Câmara votar termina no dia 22, quando se esgota a validade da MP que está em vigor. Ainda existe tempo para consertar maiores estragos. Mas dificilmente ocorrerá tal desfecho, sobretudo em face dos altos interesses de que a matéria engloba.

Desaparecimento de 1,3 milhão de motocicletas em São Paulo apavora o mundo inteiro

 

Bolsonaro ficou de cabeça quente com o sumiço das motos

Duarte Bertolini

Fiquei impressionado, primeiro com a audácia faraônica dos bolsonaretes, criando uma fake news em nível mundial, envolvendo até mesmo Livro Guinness de Recordes (que fatalmente faria o desmentido), e depois veio o silêncio sepulcral, sem ao menos nenhuma tentativa de justificação, denunciando o complô, agora internacional, contra o suposto mito.

O fato é que o mundo inteiro está assustado com esse evento excepcional, ocorrido no Brasil e provavelmente provocado por extraterrestres.

MOTOS ABDUZIDAS – Fontes da Policia Federal, revelaram que estão buscando auxÍlio de órgãos policiais especiais de todo mundo e inclusive dos satélites e grupos de rastreio de OVNIs, para buscar uma explicação sobre o misteriosíssimo desaparecimento de aproximadamente 1.318.014 motocicletas e seus condutores, que, segundo os organizadores da motociata em apoio ao presidente Bolsonaro, sumiram entre a saída em São Paulo e o posto do pedágio em Campo Lindo.

O número de máquinas e motoqueiros abduzidos foi descoberto a partir dos dados fornecidos pelo apoiadores na saída de São Paulo (1.324.230) e os apurados poucos km depois no pedágio de Campo Lindo (6.216).

Trata-se da mais fantástica ocorrência de desaparecimento coletivo jamais registrada.

ALERTA MUNDIAL – Todos os órgãos de segurança mundiais, incluindo americanos, alemães, britânicos, russos, chineses e até as forças paramilitares miliciais de Rio das Pedras já estão envolvidas nesta busca.

O terror se abate sobre todo o mundo civilizado, pois se os extraterrestres (única explicação viável) são capazes de atos desta magnitude, a terra está em evidente e imenso perigo. E os fabricantes e revendedores de motos estão em pânico, porque as vendas estão despencando, já que ficou ainda mais peigoso conduzir essas máquinas.

Fontes de baixa credibilidade, como a imprensa brasileira e os comunistas ainda vivos no Brasil, sugerem que as motos podem estar guardadas em alguma área do cérebro (sic) dos bolsonaristas, sabidamente vazios e sem substância.  Mas por enquanto são só especulações.

SATÉLITES ESPIÕES – As novas buscas serão feitas por satélites espiões, especialmente em países comunistas como Cuba, Venezuela e Vietnã. Com isso, deixarão de ser monitorados os incidentes de queimadas e desmatamentos da Amazônia, o que será um alívio para o governo brasileiro.

Por fim, já se sabe que eram infundadas as suspeitas que recaíam sobre o governador paulista João Doria, pois de calça apertada é muito difícil andar de moto.

Aguardemos novas notícias a qualquer momento, mas estejam atentos, porque a verdade está lá fora.

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