sexta-feira, junho 18, 2021

No capitalismo chinês, ser ‘podre de rico’ deixou de ser uma posição social bem vista

Publicado em 17 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Fachada de loja da marca de luxo Louis Vuitton

Fregueses fazem filas para comprar nas lojas de grifes

Waiyee Yip
BBC News Brasil

Quanto é necessário para cobrir as refeições de um dia? 650 yuans (R$ 520) são suficientes? Não de acordo com Su Mang, ex-editora-chefe da revista Harper’s Bazaar China, cujos comentários sobre o assunto durante um reality show enfureceram as redes sociais chinesas.

“Temos que comer melhor, não posso comer com um padrão tão baixo”, acrescentou ela no programa em que 15 celebridades estão morando juntas. Chocados com seus comentários, os usuários apontaram que gastam menos de R$ 24 por dia com suas refeições.

VESTE PRADA… – Embora Su, conhecida como “O Diabo da China Veste Prada”, tenha dito que foi tudo um “mal-entendido” —os 650 yuans foram o valor de seu cachê no programa de que participou— o público não ficou convencido. O caso dela é apenas o mais recente em que o público se revolta com uma personalidade por causa de sua riqueza.

“Ela pode tentar explicar, mas a verdade é que as celebridades são elitistas sem perceber”, escreveu uma pessoa no Weibo, mais famoso serviço de microblogging da China.

No início deste ano, Annabel Yao, a filha mais nova do fundador da gigante de eletrônicos Huawei, Ren Zhengfei, enfureceu a internet quando disse que batalhou para chegar aonde está. “Nunca me tratei como uma chamada ‘princesa’… Acho que sou como a maioria das pessoas da minha idade, tive que trabalhar muito, estudar muito, antes de poder entrar em uma boa escola”, disse em um documentário de 17 minutos anunciando sua carreira como cantora.

PRESENTE DE ANIVERSÁRIO – Compartilhando o filme em sua conta no Weibo, a jovem de 23 anos, cujo pai tem uma fortuna estimada em US$ 1,4 bilhão (R$ 7,2 bilhões), disse que assinar um contrato com uma empresa de entretenimento foi um “presente especial de aniversário” que ela deu a si mesma.

Por anos, os ricos e famosos da China são conhecidos pela ostentação, exibindo seus carros e bolsas de luxo online —muitas vezes para a inveja de seus seguidores. Mas, cada vez mais, qualquer tipo de exibição de riqueza, intencional ou não, está sendo recebida com hostilidade e desdém.

Pessoas como Su e Yao estão sendo criticadas porque muitos acreditam que as celebridades, assim como os chamados fuerdai — os herdeiros dos novos ricos da China — simplesmente não merecem suas rendas altíssimas.

POPULAÇÃO POBRE – “Comparado com as estrelas e seus empregos aparentemente ‘fáceis’, as pessoas veem o quanto trabalham e ganham pouco”, diz Jian Xu, da Universidade Deakin, que pesquisa a cultura da mídia chinesa.

Haiqing Yu, professor de estudos de mídia da Universidade RMIT de Melbourne, na Austrália, acrescenta que “os comentários de Su Mang irritaram as pessoas porque estão revelando algo que a China tenta esconder” —que algumas pessoas têm demais, enquanto outras sobrevivem com muito pouco.

A diferença de riqueza na China é gritante. Embora a renda média anual do país seja de 32.189 yuans (R$ 25,8 mil), ou cerca de 2.682 yuans por mês, de acordo com dados oficiais, Pequim também se tornou o lar de mais bilionários do que qualquer outra cidade do mundo.

RIQUEZA MAL VISTA – O fato de os ricos exibirem abertamente seus bens é, portanto, imediatamente mal visto. Embora isso seja comum para a maioria das nações com um problema de desigualdade de renda, a China está em uma posição ainda mais curiosa, dizem os especialistas.

Às vezes, a raiva é exacerbada por causa daexpectativa de que as celebridades contribuam mais (para a sociedade), visto que são publicamente conhecidas e têm um poder simbólico.

No mês passado, por exemplo, houve indignação quando foi revelado que a atriz Zheng Shuang recebia cerca de 2 milhões de yuans por dia (R$ 1,6 milhão) por um papel na TV, totalizando 160 milhões de yuans (R$ 128 milhões) para todo o projeto.

DESIGUALDADE SOCIAL – “Funcionários comuns que ganham 6 mil yuans (R$ 4,8 mil) por mês precisariam trabalhar continuamente por 2.222 anos, provavelmente desde a dinastia Qin, para ganhar isso”, escreveu uma pessoa no Weibo.

Mas o público ficou ainda mais chateado porque Zheng já estava imersa em polêmica. No início deste ano, ela se envolveu em uma discussão sobre barriga de aluguel — que é ilegal na China— quando ela foi acusada de abandonar dois filhos nascidos de mães de aluguel no exterior.

É, portanto, altamente problemático alguém ganhar tanto dinheiro quando não é considerado um bom exemplo. É também por isso que, em 2018, houve pouca simpatia pela atriz Fan Bingbing quando esta foi mantida em prisão domiciliar por sonegação de impostos, embora fosse uma das estrelas mais populares do país.

OSTENTAÇÃO INDEVIDA – O desprezo pela ostentação também tem um componente cultural, dizem os especialistas. À medida que a classe média da China cresceu, os cidadãos urbanos mais instruídos interpretaram a ostentação de riqueza “como falta de sofisticação ou mesmo como origem na ‘classe baixa'”, diz John Osburg, autor de Anxious Wealth: Money and Morality Entre China’s New Rich (Riqueza ansiosa: dinheiro e moralidade entre os novos ricos da China, em tradução livre).

“É um esforço árduo”, disse ele, acrescentando que fazer isso também é um sinal de “insegurança” quanto à posição social de alguém.

Ainda assim, o apetite do país por luxo não vai desaparecer tão cedo. De acordo com a empresa de pesquisa de mercado Euromonitor International, a China ultrapassou o Japão como o principal mercado de luxo pessoal na Ásia-Pacífico e espera-se que o crescimento das vendas volte aos níveis pré-pandêmicos até o final do ano.  Parece que não há solução fácil para os ricos e famosos da China.

Caminhoneiros ameaçam com nova paralisação e acusam Bolsonaro de tentar manipulá-los

Publicado em 18 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Wallace Landim, Chorão, líder caminhoneiro - Reprodução de vídeo

Wallace Landim, líder caminhoneiro, conduz à paralização

Deu no UOL

O presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), Wallace Landim, conhecido como “Chorão”, reafirmou a possibilidade de paralisação da categoria após promessas não cumpridas pelo governo de Jair Bolsonaro (sem partido), durante entrevista ao UOL News, programa diário transmitido pelo portal UOL, na noite desta quarta-feira (16).

Landim acusou ainda o governo de fazer marketing em cima da categoria. “Possibilidade [de paralisação] há. Estamos no limite, na UTI, estamos tomando esse remédio para salvar a categoria.”

PACOTE ILUSÓRIO – Em janeiro, um grupo de motoristas que fazia uma série de reivindicações tentou mobilizar a categoria para uma paralisação nacional prevista para o dia 1º de fevereiro.

O governo de Bolsonaro correu e anunciou um pacote de medidas para tentar evitar a greve. A principal delas foi a inclusão dos caminhoneiros no grupo de prioridade na vacinação contra a Covid-19, com profissionais de saúde e indígenas, por exemplo.

Cerca de cinco meses depois, a promessa não foi cumprida pelo governo, segundo Landim. “A gente vem participando de muitas reuniões no governo e nada. Nós temos várias situações, uma delas é referente à vacina. A gente está no grupo prioritário desde janeiro, mas até agora a gente não foi imunizado”, afirmou.

LINHA DE CRÉDITO – O grupo também reclama da linha de crédito criada pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico) no valor de R$ 500 milhões para caminhoneiros autônomos manterem seus veículos. Na época, o governo disse que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal ficariam responsáveis, inicialmente, por oferecerem os empréstimos.

“Outra coisa que me deixou muito chateado é aquela [linha de crédito do BNDES] de R$ 500 milhões para manutenção da categoria, que foi proposta para nós. Não conheço nenhum caminhoneiro que pegou [empréstimo]. A vigência terminou agora”, diz o líder, acrescentando:  

“Eu pedi, mandei ofício para Ministério da Economia. E o Ministério da Economia nem sequer me retornou. Conversamos com vários setores financeiros, esse plano nunca existiu. Estão fazendo marketing em cima da categoria”, afirmou.

MAIS UM PACOTE – Diante da nova pressão da categoria, os ministérios da Economia e da Infraestrutura fecharam em maio detalhes de um pacote de benefícios para os caminhoneiros que seriam divulgados por etapas, conforme reportagem da Folha. Além de um voucher para amenizar os efeitos dos reajustes do diesel, o governo estuda linhas de crédito e até um programa de renovação de frota.

Batizado pelos assessores palacianos de “Gigantes do asfalto”, o pacotaço foi um pedido expresso do presidente Jair Bolsonaro que, segundo interlocutores, não quer ficar refém da categoria.

Desde fevereiro, os motoristas sinalizam que os reajustes do diesel afetaram seus ganhos, o que causa temores no governo sobre uma paralisação nos moldes da que ocorreu em 2018. Hoje, 87% do transporte de cargas no país é feito pelas estradas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Num país continental como o Brasil, se há uma categoria profissional capaz de derrubar um presidente (além dos militares, é claro), são os caminhoneiros, esses guerreiros das estradas. Mas o governo, ao invés de prestigiar esses trabalhadores essenciais, prefere favorecer os interessados na privatização da refinarias da Petrobras, sem perceber que o aumento exagerado dos combustíveis é uma política suicida. Que Deus os tenha. (C.N.)


Não há mais governo atuante e a única meta a ser perseguida é a ditadura

Publicado em 18 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Nos atos antidemocráticos, as reivindicações são claras

Rosângela Bittar
Estadão

A ideia emergente de que o Exército se deixou subjugar aos caprichos de Jair Bolsonaro por temor à ascensão de Lula até pode parecer elegante, mas é falsa. O presidente pretende que seja entendida como alta política sua retórica de envelhecidos bichos-papões. Nem sequer adaptou ao século em que vive o repertório com que se elegeu e reelegeu deputado nos últimos 30 anos.

Acena com as ameaças puídas de invasão de comunistas e maconheiros. Até como insultos, há muito superados pela sociedade. Os militares vergaram não por esta, mas por outra razão.

DOMÍNIO PESSOAL – Bolsonaro tirou do seu caminho os líderes que tentavam preservar as Forças Armadas como instituição de Estado e as atraiu para seu domínio pessoal. Abrigo onde já estavam as polícias militares, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária, as milícias, as agências de inteligência, todos os estamentos de vigilância e segurança, os produtores e vendedores de armas e munições.

Uma associação que lidera como poderoso chefão de um sindicato armado, cujo logotipo é a sugestiva mão com os dedos polegar e indicador esticados em ângulo reto e três dedos dobrados.

RUMO À DITADURA – O Exército, que se sobressai entre as Forças, perdeu substância profissional e ideológica. Suas lideranças se enfraqueceram, não mais tiveram o êxito anterior em missões civis de desafiante complexidade. Como se viu na ocupação do Ministério da Saúde, onde produziu um desastre.

O Alto Comando se deixou vulnerável ao assédio histórico de Bolsonaro às patentes subalternas e forças auxiliares. O comando se exerce por meio de instrumentos típicos da mobilização trabalhista: salários, ampliação das prerrogativas, equalização das vantagens, proteção em reformas das carreiras, ampliação dos postos de trabalho.

Não há nada mais no horizonte, menos ainda governo. A meta a alcançar é uma ditadura. Abertamente admitida pelos filhos do presidente. Tal projeto político pessoal e subversivo tem o fim imediato de interromper a alternância de poder caso Bolsonaro perca a disputa de 2022. Já está preparando, em público, a acusação de fraude futura, ao modelo Trump, para anular as eleições.

PLANO B SOCIAL – Ao mesmo tempo que, numa espécie de plano B, turbina o Bolsa Família para reconquistar a popularidade perdida e ter um desempenho que lhe sirva de pretexto.

Na sequência, o roteiro inclui desmoralizar instituições, já tendo obtido a capitulação das que poderiam interromper sua marcha. Bolsonaro reduziu a Câmara dos Deputados a um balcão, onde compra as mudanças de legislação de que precisa para enquadrar a realidade à sua fantasia. Maneja sem esforço a Procuradoria-Geral da República. Fidelizou setores produtivos, como o ruralista. Com método, vai ocupando plenários decisivos. Amarra estatais e bancos públicos. Bolsonaro consome seu mandato em atitude possessiva e onipotente.

Na sequência cadenciada de demolições, ele aumenta agora o cerco ao Supremo Tribunal Federal. Recorre à velha teimosia acusatória: o STF o impede de gerir a pandemia como quer, com seu renitente negacionismo que colocou o Brasil no triste pódio dos campeões de mortes.

RAZÕES INCONFESSÁVEIS – Na verdade, o STF o incomoda por outras razões, não confessadas. Como vetar nomeações impróprias. Ou não se intimidar na instalação de inquéritos para investigar atos golpistas que tornaram investigados seus filhos, auxiliares próximos e deputados do grupo.

Bolsonaro quer arquivar todas as investigações, sem julgamento. A resposta do Supremo Tribunal Federal a este desejo indicará seu grau de resistência.

O presidente insiste, ainda, em tirar dos Estados e municípios a gestão compartilhada da pandemia, para ser ele a única instância de decisões sobre abertura irrestrita do comércio. Alega o artigo 5.º, pelo direito de ir e vir, mas sonega o principal preceito do dispositivo, que o Supremo deverá invocar: o direito à vida.

PT prevê Bolsonaro com rejeição menor até 2022 e disputa muito apertada nas urnas

Publicado em 18 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Dorinho (Arquivo Google)

Thiago Resende e Bruno Boghossian
Folha

Integrantes da cúpula do PT avaliam que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deve reduzir sua rejeição e recuperar parte de sua popularidade até o início do ano eleitoral. Para aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a disputa nas urnas em 2022 deve ser mais acirrada do que mostram as pesquisas eleitorais e os levantamentos internos feitos pelo partido.

Estão no radar dos petistas variações na popularidade de Bolsonaro como consequência de dois indicadores principais: o crescimento da economia após os resultados negativos do ano passado e o aumento esperado da vacinação contra a Covid-19 até o fim deste ano.

VISÃO REALISTA – Em discussões internas com a participação de Lula, os integrantes do partido defendem que a campanha seja encarada de uma “perspectiva realista”, nas palavras de um dirigente da sigla.

Embora admitam que a economia possa dar algum fôlego a Bolsonaro para o ano eleitoral, eles dizem que esses efeitos tendem a ser limitados.

“Bolsonaro não está tão fraco assim. Ele tem uma resiliência na base e ainda pode agregar mais um pouco. Se a economia melhora, a tendência é ele melhorar também. Mas não acho que seja suficiente”, afirma a presidente do PT, Gleisi Hoffmann.

EFEITO DO PIB -O principal argumento da cúpula petista é que os indicadores do PIB (Produto Interno Bruto) mostraram, até agora, uma recuperação que não chegou às camadas mais pobres da população. Um dos principais focos da campanha de Lula será um discurso para se contrapor a Bolsonaro nesse grupo numeroso do eleitorado.

A análise desse cenário político pelos petistas contrasta com o otimismo do partido diante das pesquisas que mostraram vantagem de Lula na corrida de 2022.

Levantamento do Datafolha em maio mostrou o petista com 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 23% de Bolsonaro. No segundo turno, o ex-presidente venceria por 55% a 32%.

TOM MAIS CAUTELOSO – A direção do PT ainda considera Lula favorito, mas tem adotado tom mais cauteloso. Certos de que a rejeição a Bolsonaro poderá ser um fator determinante na campanha, os petistas estudam maneiras de prolongar o ciclo atual de fragilidade do presidente.

Fazem parte dessa estratégia um apoio mais encorpado às manifestações contra o governo e uma campanha continuada de críticas aos erros do combate à pandemia.

“O povo está muito frustrado. O povo está decepcionado. O coronavírus permitiu que a sociedade ficasse um pouco mais dentro de casa, sem se manifestar, com medo. Mas eu acho que nós precisamos ir para a rua e começar a cobrar que esse país seja governado decentemente”, disse Lula em entrevista a uma emissora de TV do Piauí, na quarta-feira (9).

MANIFESTAÇÕES – Segundo aliados do ex-presidente, Lula pretende dar sustentação a novos atos convocados contra o governo, encabeçados por movimentos sociais. Numa mudança de postura, o petista avalia participar das manifestações do próximo sábado (19) ou divulgar um vídeo com uma convocação para o protesto.

Apesar de enxergar possíveis benefícios políticos nesses atos, os aliados de Lula ainda buscam se diferenciar de Bolsonaro. O presidente participou no sábado (12) de um passeio de motocicletas em São Paulo. O ato reuniu 6.661 veículos, segundo o sistema de pedágio local.

A cúpula petista pretende observar o humor das ruas nos próximos meses, com o avanço da vacinação contra a Covid-19 —cuja lentidão é um dos principais pontos de desgaste de Bolsonaro, na visão do partido. Mesmo atrasada, a aplicação de novos lotes de imunizantes pode moderar a rejeição ao governo.

CPI DA COVID – Os petistas contam com os trabalhos da CPI da Covid para expor erros e omissões do governo durante a pandemia. O Senado, no entanto, trabalha para que as investigações sejam encerradas em agosto, o que produz incerteza sobre a duração de seus efeitos até a campanha eleitoral.

Aliados de Lula também incluem nos cálculos eleitorais o uso da máquina pública por Bolsonaro para reduzir sua rejeição. Com a caneta na mão, o presidente espera lançar medidas na área social e acelerar as viagens pelo país em clima de campanha.

O PT aguarda, por exemplo, a reformulação do Bolsa Família prometida por Bolsonaro. Ainda que reconheçam que o presidente pode se beneficiar do programa, os petistas consideram difícil desvincular essa marca de Lula.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Corretíssima a análise do PT. Com o uso da caneta e da máquina, Bolsonaro deve chegar com muita força na campanha eleitoral, mas as chances da terceira via não podem ser descartadas. Será uma eleição muito disputada(C.N.)

Encontro de Lula com bispo da Assembleia de Deus irrita evangélicos e anima petistas

Publicado em 18 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Lula (à direita) posa para foto com o bispo Manoel Ferreira (ao centro), líder da Assembleia de Deus de Madureira, e com André Ceciliano, presidente da Alerj Foto: Reprodução

André Siciliano, Manoel Ferreira e Lula, estão bem na foto

Anna Virginia Balloussier e Catia Seabra
Folha

Uma foto de Manoel Ferreira, bispo primaz de uma das mais poderosas ramificações da Assembleia de Deus, o Ministério Madureira, entre Lula e outro petista agitou os bastidores evangélicos. Seria sinal de uma igreja de peso disposta a fazer as pazes com o ex-presidente da República?

A imagem —com Manoel, Lula e André Ceciliano (PT), presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro— foi compartilhada na quarta (16) por Anthony Garotinho, ex-governador do Rio e primeiro presidenciável evangélico competitivo que o país teve, em 2002. Naquele pleito, quem venceu foi o PT, e com apoio de nomes evangélicos que hoje se dizem alérgicos ao partido, como o pastor Silas Malafaia e o bispo Edir Macedo.

TAMBÉM A BENÉ – A Folha teve acesso a outro retrato: além de Manoel, Lula e Ceciliano, lá estão a deputada Benedita da Silva, única petista da bancada evangélica, e a presidente da legenda, deputada Gleisi Hoffmann. O grupo está sentado em volta de uma mesa, todos de braços dados e erguidos. Só o bispo não usa máscara, medida de proteção na pandemia da Covid-19.

O encontro ocorreu duas semanas atrás, na véspera do feriado de Corpus Christi, no sítio de Ceciliano, em Mendes (RJ). Lula se hospedou ali durante seu tour pelo Rio.

O convite partiu do presidente da Assembleia do Rio, que é padrinho político do vereador Júnior Martins, do PT de Japeri (RJ). Júnior é evangelista e trabalhou por 15 anos com Manoel, tendo sido seu assessor na Câmara dos Deputados. Foi ele quem levou o bispo à mesa. “André é meu padrinho. O bispo é meu paizão”.

VICE EVANGÉLICO – O vereador diz que o ex-presidente manifestou o desejo de ter um vice evangélico na chapa para 2022. Ainda segundo Júnior, o bispo de 89 anos respondeu que estava “em idade avançada” e que essa seria uma missão que caberia ao filho Samuel Ferreira, que o substituiu na dianteira da Assembleia de Deus Madureira.

Acontece que a mesma Madureira sobe, literalmente, na garupa de Jair Bolsonaro. Atual presidente da bancada evangélica, o deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP) foi o passageiro carona do presidente na motociata bolsonarista de sábado (12) em São Paulo, batizada Acelera para Cristo.

A hierarquia do Ministério Madureira é rígida nesse sentido, e Cezinha, que carrega o nome da igreja em sua alcunha política, não dá nenhum passo político sem orientação da cúpula pastoral. Hoje quem comanda de fato este ramo da Assembleia de Deus é o bispo Samuel.

ROMARIA POLÍTICA – Em anos passados, a romaria de políticos até Samuel incluiu João Doria (PSDB-SP), Michel Temer (MDB-SP), Aécio Neves (PSDB-MG) e o antigo aliado Eduardo Cunha (MDB-RJ).

O PT tenta reconstruir pontes com um segmento que lhe tinha simpatia, mas que em 2018 mostrou uma coesão em torno de Bolsonaro que Lula nunca conseguiu.

Estima-se que sete em cada dez eleitores evangélicos tenham votado no atual presidente, patamar que superou a melhor performance do petista neste eleitorado. Em 2006, nas projeções para o segundo turno contra o tucano Geraldo Alckmin, seis em cada dez fiéis apertaram o 13.

CRENTES E BRASILEIROS – Naquela campanha, o candidato à reeleição declarou em evento da igreja de Manoel: “Somos todos crentes e somos todos brasileiros”. O bispo retribuiu dizendo que “o poder deve estar na mão daquele a quem realmente Deus e o povo outorgaram”.

Os pastores das maiores igrejas evangélicas do Brasil mostraram unidade inédita na eleição que consagrou Bolsonaro. O petista jamais teve respaldo de todos, mas com Manoel, que presidiu a bancada evangélica durante o governo lulista, tinha boa relação.

A fotografia de Manoel e Lula ativou o desconfiômetro, entre pares evangélicos, de que a Assembleia de Deus Madureira poderia estar preparando terreno para uma reaproximação com o PT, sobretudo após o favoritismo detectado por pesquisa Datafolha de seu provável candidato à Presidência.

EMPATE RELIGIOSO – Até mesmo com eleitores evangélicos, a princípio mais refratários a ele por conta da ascensão das pautas identitárias, Lula empatou com Bolsonaro nas intenções de voto.

Após Garotinho reproduzir a reunião de Lula e Manoel, o deputado Cezinha telefonou para Wladimir Garotinho (PSD-RJ), prefeito de Campos de Goytacazes, e reclamou do post do pai. Ganhou direito a uma correção.

Cezinha afirmou “que o encontro do bispo com Lula foi uma cortesia”, escreveu o ex-governador. “A igreja Assembleia de Deus de Madureira segue firme com Bolsonaro. Feito o registro.”

ESTAMOS COM BOLSONARO – “Nós, igrejas evangélicas, estamos com Bolsonaro, ponto”, diz Cezinha à Folha o líder do bloco evangélico na Câmara. “Nunca houve na história um presidente da República que acorda falando em Deus, termina falando em Deus, que ora no Palácio, ora nas reuniões ministeriais.”

A posição do Ministério Madureira é encarada com ambiguidade no grupo. Um parlamentar evangélico descreveu-a assim: um pé em cada canoa. Ou seja, seja quem for o vencedor em 2022, Lula ou Bolsonaro, o canal está aberto.

Além de Cezinha na garupa, há várias imagens de Manoel com o presidente. Numa delas, o bispo primaz sorri enquanto Bolsonaro faz um coraçãozinho com a mão, numa visita à igreja. Em outra imagem, já na pandemia, os dois se abraçam, ambos com máscara no queixo.

MALAFAIA PROTESTA – Líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia dá voz à má impressão sobre a foto de Manoel.

“Como é que um líder da envergadura dele, que sabe muito bem que o governo Lula foi o mais corrupto da história política do país… Lamento que um líder ainda vá se encontrar com ele”, diz à reportagem. “Não sei que Bíblia que ele usa, só posso ficar admirado. Mais nada. Aí não adianta mandar nota, dizer que apoia Bolsonaro. É um negócio muito estranho na minha visão. Encontros secretos que ninguém sabe não me cheiram bem.”

Segundo Júnior, o vereador que levou Manoel a Lula, o PT tem buscado outros líderes evangélicos, como o missionário R.R. Soares e o apóstolo Valdemiro Santiago.


PREFEITO SEM NOÇÃO, POVO QUE SE VIRE…

 


Um prefeito que retira  asfalto das ruas e avenidas para colocar cascalho vermelho nada mais se torna anormal, com essa linda estupidez ele já apresentou e sacramentou suas credenciais de incompetência.

Só os fanáticos ainda não entenderam ou enxergaram, mesmo diante do sofrimento do povo, principalmente os mais humildes, onde nos postos de saúde além da falta de médico, ainda falta dipirona, no hospital uma mulher pariu porém faltou álcool para desinfetar o umbigo, além de gases que também falta, denuncia essa efetuada por um vereador da oposição na última sessão.

O povo da zona rural pagando R$ 30.00(trinta)reais por um carro pipa de água porque os poços permanecem quebrados sem funcionar.; as ruas esburacadas causando prejuízo para quem por elas trafega, além, do perigo de acidente para os transeuntes.

Aliás em Jeremoabo falta tudo, menos incompetência; no entanto, o prefeito usa o dinheiro suado do povo para estourar em coisa supérflua  R$ 138.950,00(cento e trinta e oito mil novecentos e cinquenta reais), em ornamentação e paisagismo de canteiros e praças.

O prefeito deveria primeiro tapar os buracos, não deixar faltar medicamentos, pagar o pessoal da linha de frente do COVID-19 que estão com os direitos desrespeitados quanto ao pagamento da insalubridade, os beneficiados com a Lei Aldir Blanc etc.

A única esperança do provo de Jeremoabo é que : "não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe",  a AIJE  - 0600512-30.2020.6.05.0051 -  Abuso - De Poder Econômico, Abuso - De Poder Político/Autoridade, já deu a largada inicial, agora é assistir o desenrolar da continuação do andamento.

  Nunca esqueça que há sempre uma luz no fim do túnel.

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