sexta-feira, maio 21, 2021

Após recusa do PRTB, Bolsonaro fala em “namoro” com Progressistas para eleição de2022

Publicado em 20 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Jair Bolsonaro e Ciro Nogueira Foto: Divulgação

No Piauí, um abraço em Ciro Nogueira, do Centrão

José Maria Tomazela
Estadão

Em busca de um partido para disputar a reeleição, o presidente Jair Bolsonaro anunciou, nesta quinta-feira, 20, que está “namorando” com o Progressistas. Durante a inauguração de uma ponte ligando o Piauí ao Maranhão, o presidente disse ter sido convidado pelo presidente da legenda, senador Ciro Nogueira (PI), para se filiar e que não pretende se fazer de “difícil”.

“Fui do PP (sigla pela qual o Progressistas também é chamado) por muito tempo. Ele não está apaixonado por mim, mas está me namorando, quer que eu retorne ao partido Progressistas. Quem sabe, se ele souber conversar, for bom de papo, quem sabe a gente volte. Não estou me fazendo de difícil, é um grande partido.”

DE VOLTA AO LAR? – Bolsonaro já foi filiado ao PP em dois períodos, em 2005 e 2016. Ele deixou a legenda porque não via espaço para concorrer à Presidência. Após ser eleito pelo PSL, ele se desfiliou em 2019 e desde então está sem partido. Em março, Bolsonaro disse que estava de “namoro” com uma sigla que colocaria em suas mãos toda a estrutura partidária, sem revelar a agremiação.

Desde que percebeu as dificuldades para a formação do Aliança para o Brasil, partido em construção por seus aliados e para o qual migraria, o presidente tem conversado com várias siglas em busca de estrutura para concorrer à reeleição em 2022.

Ele já fez negociações com o PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro), com o Democracia Cristã e com o Patriotas. A última movimentação se deu com os herdeiros de Levy Fidelix, ex-presidente do PRTB, mesmo partido do vice-presidente, Hamilton Mourão.

CONTROLE TOTAL – Bolsonaro já manifestou o desejo de ter total controle sobre a estrutura partidária, com influência em todos os Estados, mas familiares de Fidelix, morto recentemente em decorrência de complicações da covid-19, não concordaram com as demandas, o que interrompeu as negociações. Entre os principais “finalistas” dessa corrida para abrigar Bolsonaro, o Progressistas está entre as siglas com maior estrutura partidária.

Nesta quinta-feira, 20, o presidente aproveitou a entrega da ponte sobre o Rio Parnaíba para atacar quem defende o isolamento social contra a pandemia do coronavírus. Segundo ele, os “imbecis engravatados” que mandaram “ficar em casa” destruíram milhões de empregos.

Sem fazer alusão direta à CPI da Covid, que investiga omissões de seu governo na condução da crise sanitária, Bolsonaro disse que manter os empregos é mais importante que medidas preventivas, como higiene e distanciamento social.

SEM MÁSCARA  – Antes e durante o evento, o presidente não usou máscara e causou aglomerações. “Quando apareceu aquele vírus, aqueles imbecis engravatados diziam: ‘vão ficar em casa todo mundo, a economia fica para depois’. Não é assim, grande parte dos brasileiros vive na informalidade, não têm carteira assinada. Foram esquecidos por estes que mandaram fechar o comércio e destruíram milhões de empregos.”

Ele disse que cumpriu sua obrigação de buscar soluções. “Fizemos o possível. De auxílio emergencial, ofertamos a 65 milhões de pessoas, mais do que os oito anos do primeiro governo do PT somado com a meia dúzia daquela senhora”, falou, referindo-se aos governos petistas dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

“Estamos tendo problemas com desemprego, sim, querem botar na minha conta também. A conta é de quem fechou tudo sem qualquer responsabilidade, sem qualquer comprovação científica, apenas para provar que estava preocupado com a vida de vocês. Obviamente nós defendemos as medidas, distanciamento e higiene, mas o emprego é tão ou mais importante.”


Em ‘live’, Jair Bolsonaro enfrenta a CPI da Covid e revela que voltou a tomar cloroquina

Publicado em 20 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Bolsonaro

Bolsonaro faz ‘live’ para falar de novo na cloroquina

Deu no Estadão

O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender nesta quinta-feira, 20, o uso da cloroquina para combater a covid-19, remédio sem eficácia comprovada para o tratamento da doença. Durante sua “live” semanal, em que atacou o relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), e a imprensa brasileira, classificada por ele de “canalha” e “idiota”, Bolsonaro afirmou que tomou o remédio quando teve a doença e também há poucos dias, quando se sentiu mal.

O presidente, que tem 66 anos, já poderia ter se vacinado contra a covid-19 desde o dia 5 do mês passado, mas não o fez.

NADA SOBRE SALLES – Pelo segundo dia seguido, o presidente não disse uma palavra sobre a operação da Polícia Federal, deflagrada na quarta-feira, que investiga suspeita de envolvimento do seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, com um esquema de corrupção na exportação de madeira.

 “Há poucos dias estava me sentindo mal. E antes mesmo de procurar um médico, olha só que exemplo que estou dando, eu tomei depois, aquele remédio. Que estava com sintoma. Tomei, fiz exame, não estava. Mas, por precaução, tomei. Qual o problema? Eu vou esperar sentir falta de ar para ir para o hospital?”, afirmou.

Para não ter o vídeo derrubado pelas redes sociais, Bolsonaro disse que não mencionaria o “nome daquele remédio”. As redes classificam de fake news informações sobre o uso de cloroquina para covid.

BANDEIRA DO GOVERNO – O chamado “tratamento precoce” com a cloroquina é uma das bandeiras do governo federal no combate à pandemia, mesmo sem comprovação científica da eficácia do medicamento contra a doença.

Após analisar centenas de estudos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) concluiu no mês passado que, além de o produto não funcionar no tratamento contra a covid-19, seu uso pode causar efeitos adversos, como arritmia cardíaca.

Na versão do presidente, porém, o medicamento é rejeitado por ser “extremamente barato”, o que “prejudica os grandes negócios da indústria farmacêutica no Brasil e no mundo”.


“Economia vai se recuperar, a questão é quem estará vivo até lá”, diz empresário

Publicado em 21 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

João Carlos Brega explica como as vendas cresceram

Márcia De Chiara
Estadão

A pandemia que colocou boa parte dos brasileiros dentro de casa mudou os hábitos do consumidor, que buscou uma renovação dos eletrodomésticos básicos. A Whirlpool, a maior fabricante de geladeiras, fogões e lavadoras do País, dona das marcas Brastemp e Consul, sentiu o impacto dessa mudança no crescimento das vendas desde o ano passado.

Enfrenta escassez de insumos e inflação de matérias-primas. Os preços de aço, resinas, vidros e chips, usados na fabricação de eletrodomésticos, têm subido na casa de dois dígitos desde o final do ano passado.

Apesar de o mercado continuar com vendas em alta, mesmo com as fortes pressões de custos que estão sendo repassadas parcialmente aos preços dos eletrodomésticos, João Carlos Brega, presidente da Whirlpool na América Latina, diz que o momento não é para ficar feliz com esses resultados, porque há mais de 2 mil pessoas morrendo diariamente no País em razão da pandemia.

Neste momento da pandemia, como está o mercado de eletrodomésticos e a produção de Whirlpool?
Houve mudança nos hábitos do brasileiro por estar mais em casa. O consumidor viu que a geladeira, o fogão e o forno de micro-ondas, por exemplo, eram antigos. Daí, começou a investir nos eletrodomésticos e a demanda cresceu. No terceiro e no quarto trimestres de 2020, o crescimento foi de dois dígitos. Neste ano, o mercado continua crescendo, mas a taxa é de um dígito. No entanto, não é um período para ficarmos felizes, porque há entre 2 mil e 3 mil pessoas morrendo por dia no País. Não dá para ignorar a crise sanitária e precisamos resolvê-la. Enquanto não tivermos superado a pandemia, o que estaremos fazendo é lidar com essa realidade. Tem uma coisa em que o governo se destaca: o coronavoucher (auxílio emergencial) conseguiu mitigar a recessão, porque estamos com um desemprego muito alto. Falo com propriedade, porque tenho o privilégio de ser responsável pela empresa do México à Patagônia (Argentina). Quando se compara o impacto que a crise sanitária provocou no México, Colômbia, Argentina, no Brasil foi menor.

Como está o ritmo de produção nas fábricas da Whirlpool hoje?
Estamos enfrentando dificuldades no abastecimento de matérias-primas, componentes como chips, e inflação em dólar das commodities fora de qualquer parâmetro de normalidade. Acredito que essa alta seja mais oportunista e temporária do que permanente. Mas é a realidade neste momento. Quanto às falhas no ritmo de entregas de matérias-primas e componentes, esperamos que se estabilize no terceiro trimestre deste ano. Não paramos nenhuma das fábricas, que hoje operam com 85% da capacidade. Se falta algum componente, desviamos, vamos para a produção de outro eletrodoméstico e depois voltamos.

Se o fluxo de insumos estivesse normal, daria para produzir mais?
Não sei se daria para produzir mais, mas daria para produzir sem tanto soluço, sem tanta hora extra, o que acaba encarecendo a produção.

Essa pressão de custos está sendo repassada para o preço?
Investimos muito em produtividade, queremos ser competitivos. Mas, com a magnitude da inflação que os fornecedores de matéria-prima estão nos impondo, não há como não ter repasse para os preços. Mas não estamos conseguindo repassar para a ponta no mesmo ritmo em que estamos sofrendo esses aumentos

Qual tem sido esse aumento de preços?
Se pegarmos o período que começou no fim de dezembro, início de janeiro, estamos com dois dígitos de aumento, como no aço, resinas, vidro. Commodities como minério de ferro e cobre subiram muito, além do frete marítimo. O repasse não está sendo integral porque temos ganho de produtividade.

Além de negociar com fornecedores, o que a empresa está fazendo para atenuar a alta de custos?
Procuramos diversificar os fornecedores, incentivar lançamentos de produtos com estrutura de custos e matérias-primas diferentes. Nosso objetivo é sempre investir em inovação para ter uma experiência custo/benefício interessante para o consumidor.

Depois da segunda onda de covid em Manaus (AM), onde a empresa tem fábrica, a situação se regularizou por lá?
Não podemos ter ilusão: precisamos ter o povo vacinado. O cenário é incerto até termos a crise sanitária resolvida. Que a economia vai se recuperar, eu não tenho dúvida. A questão é quando e quem estará vivo até lá. Então, é preciso perguntar o que eu tenho de fazer para encarar a realidade.

O que a empresa tem feito nesse sentido?
A Whirlpool está envolvida para ajudar o governo. Não queremos tomar o lugar dele. Participamos do movimento da sociedade civil Unidos pela Vacina. Doamos recentemente máscaras, EPIs (equipamentos de proteção individual). Junto com algumas empresas americanas, apresentamos uma carta ao embaixador americano no Brasil, pedindo que, quando os Estados Unidos flexibilizarem o estoque adicional de vacinas, que considere o Brasil como um dos destinos para esse excedente de doses.

O que o senhor acha da CPI da Covid?
Se houve roubo e desvio, isso deve ser apurado. Sou sempre pela correção. Mas existem coisas importantes e urgentes. Temos uma crise sanitária com mais de 2 mil mortos por dia. Precisamos ter mecanismos para acelerar esse ritmo de vacinação. Como conceito, a CPI está certa, sou a favor. Agora, do ponto de vista prático, não sei. Como se corrige o problema? Qual é a solução? Há momentos que eu sinto que a gente está mais querendo ver o videoclipe Thriller, do Michael Jackson, com aqueles zumbis andando.

Qual a alternativa?
Fui coordenador de fóruns de competitividade e um desses fóruns era voltado para a renovação política. Acredito muito nessa renovação política, independentemente do pensamento. Tem a deputada federal Tábata Amaral (PDT-SP), o deputado federal Felipe Rigoni (PSB-ES), os governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul. Há tanta coisa legal para trabalhar com esse pessoal novo.

O caminho para sair desse quadro seriam essas novas lideranças políticas?
Não tem herói, super-homem. O caminho é ter uma proposta para saúde, educação, tamanho do Estado, privatizações, reformas. Temos de ter uma proposta. Super-homem a gente já viu que vem a criptonita e mela tudo. O que eu vejo é que há jovens capazes de se articular, de propor e ter conhecimento para ter apoio da sociedade. Tenho acompanhado alguns e acredito nessa nova liderança com proposta. Querem que a gente acredite que há uma polarização política. Não acredito.

O senhor está otimista?
Sempre sou otimista. Confio na nossa capacidade como sociedade de dirigir o destino, por pior que seja a situação. O Brasil vai crescer: ou cresce a taxas medíocres ou cresce o que ele precisa crescer. Temos 14% de taxa de desemprego, precisamos de reformas para lidar com isso. Temos inflação e não adianta ficar com o argumento de ficar fora do teto. Tanto faz estar fora do teto ou dentro do teto: é gasto. Vai pagar como?

Quando acabar a pandemia, o que deve ficar desse período conturbado?
Uma sociedade muito mais consciente da desigualdade social, da importância da saúde, da educação. O legado da pandemia é saber o que é prioridade. O foco é evitar que a gente caia novamente onde a gente estava. É preciso ter um debate mais inteligente das atribuições do Estado e do governo.

No desespero, Bolsonaro e seus generais sonham com um golpe que as Forças Armadas rejeitarão

Publicado em 21 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Ministro está costeando o alambrado, diria Brizola

Carlos Newton

Apesar de imperdoáveis excessos cometidos nos anos de chumbo da revolução de 1964, com torturas e assassinatos de presos políticos, considerados crimes hediondos contra a humanidade e imprescritíveis, o que não ocorreu no Brasil devido à generosidade mútua da Lei da Anistia, as Forças Armadas sempre tiveram uma imagem positiva.

Jamais houve pesquisa indicando deterioração do prestigio militar, mesmo nos anos de chumbo, até porque a imprensa foi mantida sob censura e a grande maioria dos brasileiros desconhecia os crimes do regime, como os bárbaros assassinatos do deputado Rubens Paiva e do estudante Stuart Angel Jones.    

AS COISAS MUDAM – Mas agora essa situação está mudando. Não há censura à imprensa e a internet/celular democratizou as informações de maneira irreversível. Tudo o que se faz de errado vem à tona, não há como conter, especialmente num governo como o do presidente Jair Bolsonaro, que tem verdadeira compulsão por dizer asneiras e realimenta diariamente o noticiário com declarações espontâneas e despropositadas.

E agora, chegando a dois anos e meio de mandato, já se pode concluir que a maior realização de Bolsonaro é estar contribuindo para manchar a boa imagem das Forças Armadas.

É muito triste ver oficiais superiores faltando com a verdade, negando fatos concretos e se comportando como mentirosos contumazes, como está ocorrendo com Eduardo Pazuello, Augusto Heleno e Eduardo Ramos, que se tornaram três decepções nacionais, por agredirem os interesses nacionais em nome de um governo fracassado e em prematuro processo de derretimento.

TRÊS MENTIROSOS – O general intendente Pazuello, respeitado no Exército por suas noções de logística (que agora precisam passar a ser atribuídas a seus subordinados), não tem a menor dignidade militar, submeteu-se aos caprichos de Bolsonaro e agora está até sob suspeita de corrupção.

O ministro Augusto Heleno, outra insucesso. Como aceitar a presença de um general em reunião destinada a interferir na Justiça e evitar processo de um dos filhos do presidente? E suas patéticas declarações? Agora, teve a desfaçatez de afirmar que o Centrão não existe, apenas faz parte do “show político”.  

E general Eduardo Ramos, criador do orçamento secreto, que significa um declarado crime de responsabilidade? Sem o menor pudor, o oficial mente sobre a compra de apoio e ameaça o jornal Estadão.

PEQUENAS EXCEÇÕES – Pazuello, Heleno e Ramos são pequenas exceções e não representam as Forças Armadas. Pelo contrário, representam a si próprios e suas ambições pessoais.

Os verdadeiros militares são diferentes. Trabalhei recentemente, durante dois anos, na histórica sede do comando militar do Leste, onde fiz grandes amigos e posso dizer que os militares não têm nada a ver com figuras menores como Bolsonaro, Pazuello, Heleno e Ramos.

E o novo ministro da Defesa, Braga Netto, também decepciona. Neste domingo,  discursou indevidamente na manifestação  em Brasília, falando em nome das Forças Armadas. Como dizia Brizola, Braga Neto “está costeando o alambrado”. Mas não terá respaldo dos Altos-Comandos para o golpe que está sendo armado.

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P.S. – O governo está derretendo, mas a economia vai bem e bate recordes de arrecadação, porque o Brasil segue em frente, enquanto os políticos se digladiam. E la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.) 

Ciro assume figurino de ‘anti-Lula’ e negocia uma coligação com o DEM de ACM Neto

Publicado em 21 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

Ciro Gomes já se reuniu várias vezes com ACM Neto

Vera Rosa
Estadão

O duelo entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) é o mais novo capítulo da disputa pelo apoio do “centro” nos bastidores da campanha antecipada ao Palácio do Planalto. Convencido de que o presidente Jair Bolsonaro não chegará ao segundo turno da eleição de 2022, Ciro vestiu o figurino de “anti-Lula” e tem sido cortejado pelo presidente do DEM, o ex-prefeito ACM Neto.

Nesse divórcio litigioso, o desafio do pré-candidato do PDT é não destruir pontes com o campo da esquerda, não ceder demais ao outro lado nem parecer artificial ao tentar se equilibrar em um estilo “paz e amor”, moldado pelo marqueteiro João Santana.

CIRO NO ATAQUE – Ex-ministro da Integração Nacional de 2003 a 2006, no primeiro mandato de Lula, Ciro voltou a fustigar o petista nesta quinta-feira, 20, um dia depois de ter trocado farpas com ele nas redes sociais.

“Ele (Lula) é o bonzinho e manda o círculo de bajuladores e o gabinete do ódio, financiado com dinheiro sujo até hoje, insultar, agredir, depreciar os adversários”, disse Ciro, em entrevista à Rádio Charrua, de Uruguaiana (RS).

“Ele (diz) ‘eu gostaria de ser amigo, eu sou o Lulinha paz e amor. Isso tudo, para quem não conhece, vai sendo enganado. Mas eu conheço o Lula há 40 anos (…) Então, tem um certo momento em que há um limite”.

LULA RESPONDE – O novo capítulo da briga ocorreu depois que Ciro chamou Lula de “o maior corruptor da história brasileira”, em entrevista ao jornal Valor Econômico. “Eu adoraria dizer que o Ciro é um amigo. Mas infelizmente ele não quer. Mas eu aprendi uma teoria com a minha mãe Dona Lindu: quando um não quer, dois não brigam. Não farei jogo rasteiro”, escreveu o petista no Twitter, nesta quarta-feira, 19.

A partir daí seguiu-se o embate virtual, foi retomado nesta quinta-feira por Ciro. O pré-candidato do PDT chamou Lula para o duelo, sob o argumento de que é necessário “debater o Brasil”, e não “afetos pessoais”. O ex-presidente permaneceu em silêncio. A ordem da cúpula do PT, por enquanto, é deixar Ciro falando sozinho.

Para o presidente do PDT, Carlos Lupi, a chance de um segundo turno entre Ciro e Lula é grande. “Tem um governo derretendo. Bolsonaro é um boneco de neve, não aguenta sol”, disse ele ao Estadão.

ESTILO PAZ E AMOR – Mas Ciro vai conseguir domar o temperamento explosivo para adotar o estilo paz e amor? “Isso é impossível”, responde Lupi, rindo. “Ele quer amadurecer sua rebeldia juvenil, mas sem perder a indignação”.

Lupi tem esperança em uma aliança com o DEM, embora o partido de ACM Neto esteja dividido – uma ala pende para o bolsonarismo, outra prega a independência na montagem dos palanques estaduais e há quem defenda a reaproximação com o PSDB.

Na atual temporada de separações, ACM Neto também rompeu com o governador de São Paulo, João Doria, que tirou o vice Rodrigo Garcia do DEM para filiá-lo ao PSDB. “Acabou de implodir qualquer chance de ter o DEM com ele”, afirmou o ex-prefeito de Salvador, numa referência à eleição presidencial de 2022.

AMEAÇA DE DEBANDADA – Pior de tudo é a ameaça de debandada após o ruidoso confronto de Neto com o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, que chamou o presidente do DEM de “malandro baiano”. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, anunciou a filiação ao PSD de Gilberto Kassab. O mesmo destino deve ser seguido por Maia, que pediu desligamento do DEM ao Tribunal Superior Eleitoral, alegando justa causa para não perder o mandato, mas pode ser expulso do partido antes disso.

Até agora, as conversas de Ciro com ACM Neto têm sido sobre palanques para 2022, embora uma ala do DEM, principalmente a liderada por evangélicos, não aceite essa união estável de jeito nenhum.

O partido tem o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta como pré-candidato à cadeira de Bolsonaro e há quem queira lançar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

REUNIÃO PRELIMINAR – Em março, Ciro recebeu Lupi e ACM Neto em seu apartamento, em Fortaleza. Na reunião foi discutida a possibilidade de casamento de papel passado, desde que Ciro ofereça um dote mais palatável em seu programa, sem tanta presença do Estado na economia. Mandetta já avisou que pode abrir mão da cabeça de chapa, em nome de um acordo maior, mas esse martelo ainda não foi batido.

O PDT é aliado do DEM em Salvador, vai apoiar a candidatura de Neto ao governo da Bahia, e também está na base de sustentação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM). 

“O aparecimento do profeta da ignorância, ocupando o espaço da direita raivosa, deslocou o DEM mais para o centro”, observou Lupi, numa alusão a Bolsonaro.

DIZ ACM NETO – “Existe uma relação de respeito de lado a lado e eu admiro Ciro. Temos um bom diálogo com o PDT, que não é apenas na Bahia. Em diversos Estados esse diálogo se reproduz”, emendou Neto.

Diante de tantos divórcios, no entanto, o presidente do DEM faz mistério sobre o namoro. “Os caminhos serão construídos no momento certo”, desconversa. Enquanto isso, a CPI da Covid empareda Bolsonaro, e Lula vai “pescando” partidos do Centrão  para sua aliança. Coisas da política.


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