terça-feira, abril 20, 2021

Lewandowski dá 30 dias para Anvisa decidir sobre importação da Sputnik V pelo Ceará

 


Lewandowski dá 30 dias para Anvisa decidir sobre importação da Sputnik V pelo Ceará
Foto: Divulgação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, determinou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decida em até 30 dias sobre o pedido do governo do Ceará para importar a Sputnik V, vacina contra Covid-19.

 

“Para determinar que, no prazo máximo de 30 dias, a contar de 31/3/2021, a Anvisa decida sobre a importação excepcional e temporária da vacina Sputnik V, nos termos do art. 16, § 4º, da Lei 14.124/2021. Ultrapassado o prazo legal, sem a competente manifestação da Anvisa, estará o Estado do Ceará autorizado a importar e a distribuir o referido imunizante à população local, sob sua exclusiva responsabilidade, e desde que observadas as cautelas e recomendações do fabricante e das autoridades médicas. Publique-se”, disse no despacho, segundo a CNN Brasil.

 

O ministro já havia dado decisão semelhante na semana passada, em relação ao pedido feito pelo governo do Maranhão. O prazo para decisão é de 30 dias, contados a partir de 29 de março.

 

Desenvolvida na Rússia, a vacina já foi adquirida pelo governo federal e por diferentes estados brasileiros, como a Bahia, mas aguarda autorização da agência sanitária.

Bahia Notícias

CPI da Covid-19 vai investigar viagem de Eduardo Bolsonaro a Israel


CPI da Covid-19 vai investigar viagem de Eduardo Bolsonaro a Israel
Foto: Reprodução/ Ministério das Relações Exteriores

Um dos tópicos a ser investigados pela CPI da Covid é a viagem de uma comitiva brasileira a Israel, em março deste ano. Um dos integrantes do grupo foi o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

 

Segundo o blog de Octavio Guedes, no G1, no roteiro de investigação definido pelos senadores, o item 14 tem como título "Viagem a Israel para...". Com isso, a CPI vai requerer ao Ministério das Relações Exteriores documentos que expliquem os objetivos e o resultado da viagem, que passou a ser tratada como "Covid Tour". Além disso, os parlamentares querem saber o custo da viagem e as reuniões realizadas.

 

Oficialmente, a motivação para a ida a Israel foi conhecer um spray nasal que estaria sendo desenvolvido no país como substância de combate ao coronavírus. 

 

Além de Eduardo Bolsonaro, outras nove pessoas integraram a comitiva, entre elas o então chanceler Ernesto Araújo. Ele protagonizou o maior momento de destaque na viagem quando foi chamado atenção por não usar máscara (lembre aqui).

Bahia Notícias

Ministério destina R$ 2 milhões da Covid a laboratório sem relação com a doença

por Constanza Rezende | Folhapress

Ministério destina R$ 2 milhões da Covid a laboratório sem relação com a doença
Foto: Divulgação

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação incluiu em seu projeto de gastos das verbas extraordinárias para a Covid-19 a elaboração de um laboratório de biossegurança nível 4 no Brasil, que nada tem a ver com o estudo do coronavírus.

O projeto que dá início ao planejamento da infraestrutura foi orçado em R$ 2 milhões, com previsão de término para dezembro de 2022. O estudo foi incluído no plano de ações da pasta na execução das medidas provisórias que liberaram créditos para medidas de enfrentamento do coronavírus.

A situação foi identificada pelo TCU (Tribunal de Contas da União), no relatório que acompanha o uso das verbas da pasta do ministro, o astronauta Marcos Pontes. O órgão recomendou, no mês passado, que o órgão se abstenha de custear despesas relativas ao projeto do laboratório.

De acordo com o tribunal, o redirecionamento dos recursos oriundos das MP 929 e 962/2020 para custeio de iniciativas não relacionadas ao combate à crise de Covid-19 caracteriza infringência à legislação. A Constituição exige que a abertura do crédito extraordinário seja feita apenas para atender a despesas imprevisíveis e urgentes.

"O projeto conceitual para implantação do laboratório NB4 não cumpre os requisitos para financiamento por meio do crédito extraordinário das MPs 929 e 962/2020, dado que a sua finalidade precípua não é atender a presente emergência decorrente do Coronavírus", afirmou.

Segundo parecer da Secretaria Geral de Controle Externo do tribunal, não há evidências de que se trata de iniciativa de caráter urgente e imprevisível para o uso da verba, conforme determina a legisção. Por isso, pede que a pasta adote medidas pertinentes para sanar a irregularidade, caso já tenha ocorrido.

Os chamados Laboratórios de Nível de Biossegurança 4 (NB4) são indicados para trabalhos que envolvem agentes exóticos e perigosos e que exponham o indivíduo a um alto risco de contaminação de infecções que possam ser fatais.

São estruturas de elevada complexidade destinadas ao armazenamento e à manipulação de organismos de elevado potencial de transmissão, classificados como microrganismos da classe de risco quatro. O coronavírus pertence à família Sars-Cov-2, classificada como de risco três.

O gasto com o laboratório NB4 foi incluído no repasse de R$ 45 milhões do ministério para o Cnpem (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), organização social que tem contrato com o órgão, para iniciativas de combate a viroses emergentes..

Neste valor também estão incluídas a contratação e elaboração de projetos para laboratório nível 3, desta vez compatível à Covid, mas que ficará pronto em dezembro deste ano.

Segundo o TCU, no que tange à área de pesquisa, a noção de urgência prende-se à necessidade de iniciar, com a máxima celeridade possível, as atividades que se mostrem efetivas para o enfrentamento da pandemia e de suas consequências.

Entre as iniciativas sob responsabilidade do MCTI, estão o desenvolvimento de medicamentos e vacinas, e respectivos testes pré-clínicos e clínicos, inovação para produção de ventiladores pulmonares em escala e equipamentos de proteção individual.

Em documentos enviados ao TCU obtidos pela Folha, foi explicado que projetos de laboratórios do tipo exigem uma infraestrutura que atenda requisitos rigorosos e complexos de operação. Além disso, outro afirmou que não há um planejamento do governo a longo prazo para a construção de laboratórios de alta e máxima biossegurança.

Nesse contexto, o TCU concluiu que, se efetuadas de forma descoordenada e fragmentada, os investimentos no laboratório podem resultar na competição por recursos e visibilidade entre órgãos e entidades da administração pública.

"Frise-se, no caso do projeto para adequação de infraestrutura para implantação do laboratório NB3 e do projeto conceitual para implantação do laboratório NB4 do Cnpem, que estes foram propostos somente a partir da situação emergencial observada em 2020, sem, portanto, integrar um plano federal estratégico para implantação de laboratórios desse porte", apontou o tribunal.

O TCU ressaltou que todos os recursos destinados à organização foram empenhados e pagos, mas que não foi possível verificar se já foram efetuados gastos relativos ao projeto do laboratório NB-4, "situação que, se constatada, e tendo em vista tudo que se expôs, deverá ser considerada irregular".

O ministério informou ao tribunal que, após as considerações do TCU, se encontram em tratativas a revisão dos recursos estimados no plano de ação e que uma proposta de adequação foi submetida para análise. Também afirmou que o CNPEM fará o remanejamento de despesas aos estudos do laboratório para outra fonte de recurso. O tribunal respondeu que irá acompanhar a ação.

Em resposta à Folha, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais afirmou que, em alinhamento com o entendimento do TCU, não realizou o dispêndio de R$ 2 milhões destinados do crédito extraordinário das MPs 929 e 962/2020, para o projeto conceitual do NB4, fazendo as adequações necessárias. O Ministério da Ciência não respondeu até a conclusão desta reportagem .

Bahia Notícias

Imerso numa podridão jamais vista, o Brasil é tão forte que ainda há esperanças de salvá-lo


Carlos Newton

Tenho desprezo pelos brasileiros que desenvolvem o que Nelson Rodrigues chamou de “complexo de vira-latas”. Não dão o menor valor ao país, acham que tudo de bom está lá fora, inclusive a felicidade.  Nas últimas décadas, assistimos a várias levas de emigrantes  vira-latas, primeiro para a matriz USA, depois para o Japão, a Europa em geral e, finalmente, para Portugal em particular.

Podem sair à vontade. Como diz o tricampeão Nelson Piquet, que poderia morar em qualquer parte do mundo mas não abandona sua querida Brasilia, “não se preocupem que a gente toma conta do boteco”.

REALISMO BRASILEIRO – Ao contrário do que pode pensar, a visão de Piquet não é romântica, apenas realista. Pessoalmente, cultivo um pensamento semelhante ao dele e entendo que o Brasil é um país muito forte, a ponto de aguentar qualquer tipo de governante.

E adoro a definição de Tom Jobim, que dizia: “Morar no Brasil é uma merda, mas é bom. Morar lá fora é bom, mas é uma merda”.

Apesar de todos os pesares, é preciso entender que o Brasil é o país de maior potencial no mundo. Quinto maior em extensão e sexto em número de habitantes, trata-se de um gigante pela própria natureza.

GIGANTE ADORMECIDO – Tem as maiores extensões de terras agricultáveis, com o maior volume de água doce na superfície e nos aquíferos, além de condições ideais de luminosidade, que se destinam a consolidá-lo como a maior potência agrícola do mundo, como previu há 150 anos o gigantesco pensador Alberto Torres, que foi presidente (governador) do Estado do Rio de Janeiro e ministro do Supremo.

Além disso, possui incomensuráveis reservas de minérios, a maior biodiversidade do planeta e uma indústria multifacetada, que chega a produzir aviões de última geração. Ou seja, está pronto para decolar, só falta encontrar um piloto.

PAÍS GLOBALISTA – Embora nenhum pesquisador chame atenção para esse fato, o Brasil é uma espécie de país-teste da globalização. Entre os 500 maiores grupos empresariais do mundo, pelo menos 400 transnacionais estão instaladas no Brasil.

Essa realidade torna patéticas e ridículas as críticas dos bolsonarianos ao globalismo, pórque isso mostra que não conseguem entender o próprio país.

Hoje, um dos maiores problemas é a desindustrialização, mas é fenômeno passageiro. A longo prazo, o Brasil se destina a ser um dos países mais industrializados do mundo, por motivos inquestionáveis — as matérias-primas estão aqui, há mão-de-obra especializada barata e em abundância, além de um gigantesco mercado consumidor.

OS POLÍTICOS DORMEM… – Ou seja, tudo é questão de tempo. O problema do Brasil são os políticos. Em junho de 2005, quando José Dirceu foi substituído por Dilma Rousseff na Casa Civil, fui apresentado ao ex-ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves, que se mostrou preocupado. Disse-lhe que ficasse tranquilo, porque o Brasil cresce à noite, quando os políticos estão dormindo e não atrapalham.

É uma piada com base na vida real. Realmente, o Brasil cresce muito mais do que se pensa. Aliás, não acreditem muito em estatística, que considerei aqui como “a arte de torturar os números até que confessem o resultado que pretendemos”, uma definição que hoje é repetida sem citação do autor.

Os políticos são de baixíssima categoria, mas não conseguem evitar o crescimento do país, que hoje é governado por um ex-deputado paramilitar que responde a vários inquéritos no Supremo e cujos quatro filhos estão sob investigação da Justiça e da Polícia Federal. Não é preciso dizer mais nada. É um país realmente surreal, mas ninguém conseguirá contê-lo.

###
P.S. – Dedico essa artigo ao empresário catarinense Flávio José Bortolotto, que tinha um conhecimento absurdo de economia e defendia que se prestigiasse o capital nacional, como vinha sendo feito desde Getúlio Vargas, através do BNDES, que praticamente foi desativado por esse ridículo governo bolsonariano, mas logo voltará a funcionar em defesa do interesse nacional. (C.N.)

Vexame anunciado! Bolsonaro assumirá papel de pária diplomático na Cúpula do Clima

Publicado em 20 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Mariano (Charge Online)

Deu em O Globo

Um dos 40 líderes mundiais convidados pelo presidente Joe Biden para a Cúpula sobre o Clima desta semana, o presidente Jair Bolsonaro vê no encontro a oportunidade de facilitar o acesso do país ao financiamento americano de projetos de preservação ambiental. Foi o que pediu em carta a Biden.

Mas não caiu no esquecimento que, no início da gestão bolsonarista, em 2019, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, fez tudo para inviabilizar o Fundo Amazônia, para o qual a Noruega e a Alemanha haviam doado R$ 3,4 bilhões, com a finalidade de apoiar projetos autossustentáveis na região. Optou por “tocar a boiada” do desmonte do sistema de fiscalização e repressão a crimes ambientais do Ibama e do ICMBio.

ZERAR O DESMATAMENTO – Na carta, Bolsonaro assume o compromisso com a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030, o que “exigirá recursos vultosos”. Afirma que, por isso, conta com “todo o apoio possível, tanto da comunidade internacional, quanto de governos, do setor privado, da sociedade civil e de todos que comungam desse nobre objetivo”.

Biden conhece bem o Brasil, tem informações da tragédia ambiental que vem transcorrendo desde que Bolsonaro assumiu.

Na sexta-feira, o czar americano do clima, John Kerry, respondeu à carta pelo Twitter: “Esperamos ações imediatas e engajamento com as populações indígenas e a sociedade civil para que este anúncio possa produzir resultados tangíveis”.

TUDO POR DINHEIRO – Em busca de recursos, Salles tem prometido que, se o Brasil receber de outros países US$ 1 bilhão, o desmatamento na Amazônia seria reduzido entre 30% e 40%. Ninguém acredita. O ministro norueguês do Meio Ambiente, Sveinung Rotevatn, com conhecimento de causa, reiterou que falta ao Brasil “vontade política”.

Bolsonaro participa da reunião como pária diplomático. Estatísticas e imagens de satélite estão aí para demonstrar que seu governo só tem contribuído para ampliar a devastação na Amazônia.

 Se o país não fizer avanços concretos na redução do desmatamento, continuará sem receber apoio financeiro dos Estados Unidos ou de qualquer outro país nessa área. Muito pelo contrário, como já demonstrou o ainda candidato Biden, em debate com o adversário Trump na campanha eleitoral, ao ameaçar o Brasil com sanções pelo descaso ambiental.

PLANO DE MOURÃO – Na quarta-feira, o vice Hamilton Mourão, presidente do Conselho Nacional da Amazônia, divulgou o “Plano Amazônia 2021/2022”, com o obtivo de reduzir o desmatamento até o final do ano que vem para a média da destruição registrada entre 2016 e 2020. Tem todas as características de um plano feito sob encomenda para ajudar na participação de Bolsonaro na Cúpula.

Como a carta enviada a Biden, esse plano pouco ajudará a contornar os fatos. O Observatório do Clima fez as contas e concluiu que a meta “apenas” reduz para 16% a taxa de crescimento da devastação na Amazônia em relação ao período anterior ao governo.

Os dados de março de 2020, comparados ao mesmo mês do ano anterior, mostram que a devastação na região na havia crescido 30%, enquanto, no mês passado, em relação a março de 2020, a destruição da floresta avançou 12,6%, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Kerry tem razão. Só fazer promessa de nada adianta.

CPI vai convocar Mandetta , Pazuello, Paulo Guedes e convidar o general Edson Pujol

Publicado em 20 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Gilmar Fraga (gauchazh.clicrbs.com.br)

Pedro do Coutto

Na excelente reportagem no O Globo desta segunda-feira, Julia Lindner revela o roteiro inicial dos trabalhos da CPI para investigar os erros e as omissões do governo no combate à pandemia, e que deverá começar tomando os depoimentos do ex-ministro Henrique Mandetta, que já assinalou os problemas criados pelo presidente Bolsonaro à sua atuação no Ministério da Saúde, o ex-ministro Eduardo Pazuello, apontado como responsável maior pelo desencadeamento da pandemia, e o ministro Paulo Guedes para fornecer dados concretos sobre a aplicação de verbas nas aquisições de cloroquina e nas despesas do auxílio emergencial, além do general Edson Pujol por suas declarações enfáticas a favor da democracia e da liberdade, e contra qualquer iniciativa que se choque com a Constituição e com as leis dos país.

Há vários outros na lista dos depoimentos. É o caso do ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, Fabio Wajngarten, o almirante Flávio Rocha e o secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal. O presidente da CPI, senador Omar Aziz, confirmou que vai indicar Renan Calheiros para ser relator dos trabalhos e encarregado das conclusões finais. Omar Aziz diz que não aceitará qualquer proposta de acordo com o Planalto no sentido de blindar o Executivo em relação às convocações programadas.

CONFISSÃO – A colocação está correta, pois blindar representa uma confissão por ação tácita, como consagra a ciência do Direito, sobretudo porque aqueles que não têm nada a temer, não vão recorrer à obstrução dos depoimentos, tampouco dos processos e julgamentos. Quem tenta bloquear acusações sobre si, ao invés de respondê-las concretamente, reconhece que não consegue suportar a verdade.

A CPI deve se instalar provavelmente até o fim da semana, embora haja um feriado na quarta-feira. Mas o universo político brasileiro estará ligado na quinta e na sexta-feira com o desenrolar da Conferência do Clima, convocada pelo presidente americano Joe Biden e que representa um ponto bastante sensível relativo ao presidente Jair Bolsonaro e ao seu governo.

O alvo principal da preocupação que está evidente refere-se ao desempenho negativo do ministro Ricardo Salles na defesa do Meio Ambiente e no combate ao desmatamento e às queimadas das florestas brasileiras. Por isso, deputados e senadores devem permanecer em Brasília acompanhando os acontecimentos e os seus reflexos no quadro político brasileiro.

BLINDAGEM – Catarina Rochamonte, em artigo publicado na Folha de São Paulo de ontem, aborda a composição da CPI e acentua que o senador Ciro Nogueira deverá ser encarregado pelo Planalto para blindar o presidente da República e o governo dos episódios que vão se suceder em decorrência dos trabalhos de investigação.

Como disse, blindagem não adianta nada. A CPI terá grande repercussão pública, consequência natural de sua importância, e deve constituir uma oportunidade para o governo de expor o seu posicionamento em relação às questões que serão objeto das colocações e debates.

Com base na minha experiência de mais de 60 anos como jornalista político, posso afirmar que é impossível bloquear os trabalhos de uma CPI. Simplesmente porque os depoimentos e as discussões vão repercutir intensamente nos jornais e emissoras de televisão.

ALTA DO DÓLAR –  Adriana Fernandes, o Estado de São Paulo de ontem, aponta que o governo e as empresas industriais têm se mostrado preocupados com as subidas no dólar em relação ao real. O preço do dólar acima dos R$ 5 causa reflexos na produção industrial.

A respeito do assunto, pessoalmente me surpreendo com a preocupação do governo, sobretudo a do ministro Paulo Guedes e a sua equipe econômica. Técnicos da pasta acham que o câmbio justo deveria estar em R $4,60 por dólar.

Mas a minha surpresa não vem daí. Recuo no tempo e recordo que quando o dólar passou dos R$ 5 , Guedes ironizou o episódio e disse que a tal oscilação não preocupava uma vez que o câmbio é flutuante, num dia R$ 4 e no outro R$ 5. Disse que não era importante, mas agora se vê que a sua declaração foi uma farsa.

EXEMPLOS MÁGICOS – A subida do dólar mesmo flutuando causa efeitos concretos. O titular da Economia mais uma vez assinala as suas posições que visam exemplos mágicos que são os antônimos da lógica.

O ministro Paulo Guedes, pelo que os sintomas indicam, encontra-se com problemas de permanecer ou não no governo. Problema entre ele e a sua equipe, pois o ministro acumula atividades e problemas que aguardam soluções. Aliás, existe um movimento no Centrão no sentido de que Bolsonaro finalmente tome iniciativa de desdobrar a pasta da Economia.

FÓRUM –  Reportagem de Adriana Ferraz e Paula Reverbel, no Estadão, assinala que presidenciáveis como Ciro Gomes, Eduardo Leite, Fernando Haddad, João Doria e Luciano  Huck participaram de um fórum em São Paulo, promovido pela Universidade de Harvard, o MIT e o Estado de São Paulo sobre como os pré-candidatos interpretam a atuação do governo Jair Bolsonaro, objeto inclusive de restrições por parte de todos eles.

O ex-prefeito Fernando Haddad também se juntou aos críticos, mas não assinou o documento final porque achou que diante da candidatura de Lula, não poderia se considerar como um candidato à Presidência. O fórum teve a coordenação da excelente jornalista e comentarista Eliane Cantanhêde, colunista do Estadão, e comentarista da GloboNews.

João Dória já deu sinais que não será candidato pelo PSDB, preferindo à reeleição ao governo de São Paulo, pois considera que, com a presença de Lula no páreo, não sobrará espaço para ele. Esta opinião, entretanto, não coincide com a totalidade dos tucanos, havendo um movimento para substituir João Doria pelo senador Tasso Jereissati.

DEFINIÇÃO – Luciano Huck também se mostrou contrário à atuação de Bolsonaro, no entanto permanece sem partido e sua pré-candidatura, creio, dependerá do quadro que se definirá só no primeiro semestre de 2022. Até lá, ele deve seguir como apresentador da TV Globo nas tardes de sábado.

Huck, quando da sucessão de 2018, foi considerado apto para um voo ao Planalto por ninguém menos que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

CHOQUE ENTRE LULA E BIAL –  Em artigo na Folha de São Paulo publicado na edição de 19 de abril, Bial revelou ter ficado sentido com a atitude do ex-presidente Lula de, ao ser convidado a participar de seu programa na TV Globo, dizer que só aceitaria se fosse ao vivo, demonstrando desconfiar da edição final de sua entrevista. Bial magoou-se. Tem razão. Por que desconfiar da edição? Pedro Bial lembra que em entrevistas anteriores com Lula sempre pautou sua conduta de forma respeitosa em relação às palavras do líder do PT.

Talvez, Lula tenha se lembrado do episódio da sucessão de 1989 quando Alberico Souza Cruz editou o debate  entre ele, Lula, e Collor, unindo os trechos mais infelizes de Lula e os melhores de Collor, deixando em posição incômoda Armando Nogueira, então diretor de jornalismo da Globo.

PROCONSULT – Em matéria de debates, lembro de um outro caso que colocou frente a frente Leonel Brizola e Armando Nogueira. Foi nas eleições de 1982 para o governo do estado do Rio de Janeiro. Naquela eleição, verificou-se o escândalo da Proconsult, uma tentativa de fraude para impossibilitar a vitória de Brizola de modo a favorecer Moreira Franco A fraude consistia em um sistema informatizado de apuração dos votos, feito pela empresa Proconsult, associada a antigos colaboradores do regime militar.

Eu estava trabalhando no Jornal do Brasil e o editor chefe era Paulo Henrique Amorim e o subeditor Ronald de Carvalho. O JB havia montado com a minha participação um esquema de apuração paralela que não priorizava nenhuma área eleitoral. Assim, Brizola vencia disparado nos subúrbios do Rio e na Baixada Fluminense.

DIVERGÊNCIAS – O abismo entre um levantamento e outro transformou-se em um escândalo. Armando Nogueira então convidou Brizola para ser entrevistado por ele à noite pela TV Globo. Temendo uma edição, Brizola condicionou a entrevista para que fosse ao vivo e não editada em capítulos, decorrência natural de publicidades comerciais.

Armando Nogueira aceitou. E na entrevista ficou sem  argumentos, pois Brizola simplesmente indagou porque o jornalismo da emissora baseava as suas informações nas áreas em que predominavam Moreira Franco e colocava em segundo plano os votos das áreas em que Brizola liderava amplamente. Nogueira ficou sem uma resposta plausível. A entrevista ocorreu em uma quinta-feira. A apuração continuava, de acordo com o JB, Brizola na frente, como todos sabem como que acabou acontecendo.

De sábado para a edição de domingo, escrevi uma matéria, manchete principal do Jornal do Brasil, dizendo o seguinte: “Leonel Brizola consolida a vitória: vence por 124 mil votos”. Mas, no caso de Pedro Bial, Lula não tem razão, inclusive porque em primeiro lugar entra na discussão a honestidade absoluta de Pedro Bial e da Globo de hoje. Em segundo lugar, favorito à sucessão de 2022, se houvesse qualquer manobra sobre a edição, o provável candidato do PT encontraria campo ilimitado para reagir a uma atitude que ele temia que ocorresse.

QUEDA DO CONSUMO – Eduardo Affonso em artigo ontem no O Globo, aborda questões relativas ao quadro social do país sustentando com razão consequências dramáticas da carência que envolvem a população brasileira, começando pela fome, percorrendo o desemprego e o congelamento salarial, e terminando na inevitável queda do consumo.

Nessa queda de consumo, encontra-se a alimentação. Eduardo Affonso colocou como título “somos todos assassinos” e diz ter se inspirado em um livro de Sebastião Nunes, que, segundo ele, encontra-se auto exilado em Lisboa. Acrescento um detalhe: não discuto que o título seja de Sebastião Nunes, mas digo que esse é o título literal em francês e português de um filme do diretor André Cayatte no início dos anos 50.

Cayatte combateu frontalmente a pena de morte adotada em vários países do mundo. Portanto fica aí uma informação para o articulista Eduardo Affonso.

Bolsonaristas lançam campanha alegando a suspeição de Renan na relatoria da CPI

Publicado em 20 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Renan era um dos nomes mais temidos pelo Planalto para o posto

Deu no O Globo

O senador Renan Calheiros (MDB) se tornou alvo de bolsonaristas nas redes sociais após ser indicado para ser o relator da CPI da Pandemia. Aliados do presidente, como as deputados Alê Silva (PSL-MG), Carla Zambelli (PSL-SP), Carlos Jordy (PSL-SP) e o ex-ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio iniciaram uma campanha neste domingo para levantar a hashtag #RenanSuspeito.

Eles argumentam que o senador deveria ser considerado suspeito por ser pai do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB). A campanha contra Calheiros está nos trending topics do Twitter desde a manhã de ontem. Nesta segunda-feira, a hashtag chegou ao segundo lugar nos assuntos mais comentados na rede social.

ERROS NA CRISE  – Sobrevivente de diversas investigações ao longo de uma das carreiras mais longevas do Congresso, Renan terá agora a função de apontar os responsáveis pelos erros do governo federal ao longo da crise sanitária. Um acordo da maioria dos membros definiu que o emedebista será o relator, enquanto Omar Aziz (PSD-AM) ficará com a presidência, o que deve ser oficializado na primeira reunião da comissão.

Renan era um dos nomes mais temidos pelo Palácio do Planalto para o posto e, em entrevista ontem ao O Globo, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro “errou” e “se omitiu” no enfrentamento à pandemia, com uma gestão “terrível” no combate à Covid-19.

SUSPEIÇÃO –  Álvaro Antônio escreveu: “o princípio da suspeição do juízo é clara: Renan Calheiros não pode ser relator da CPI da Covid-19”:  “Tendo em vista que é pai de um governador, também, objeto de investigação da CPI”, escreveu.

Carlos Jordy diz que “Renan Calheiros ser escolhido como relator revela a seriedade da CPI da covid”. “Num país sério, um réu em processo no STF, investigado em 20 inquéritos e pai do governador de Alagoas, jamais assumiria a presidência de uma comissão para investigar ilícitos”.


segunda-feira, abril 19, 2021

Rosa Weber dá 10 dias para Bolsonaro explicar ameaças à imprensa


Rosa Weber dá 10 dias para Bolsonaro explicar ameaças à imprensa
Foto: Fellipe Sampaio/STF

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu 10 dias para o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), da explicações sobre a ação movida pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), que contesta o “declínio da liberdade da expressão no Brasil”. A entidade cita ameaças feitas a jornalistas e hostilização de profissionais da área, entre outros itens.

 

“A matéria objeto do presente feito revela-se de extrema delicadeza e relevância singular, nela contemplado, sem dúvida, especial significado para a ordem social e para a proteção de liberdades constitucionais de índole fundamental”, escreveu Rosa Weber.

 

De acordo com o portal Metrópoles, a ministra também pediu informações ao Senado Federal e à Câmara dos Deputados, no mesmo prazo de 10 dias.

 

Na ação, a ABI também cita uma medida cujo objetivo é intimidar profissionais e órgãos de imprensa – o chamado assédio judicial, aplicado de forma abusiva no Brasil, segundo a entidade. Esse termo faz referência às investidas de Bolsonaro para enfrentar publicações feitas sobre ele, classificadas como “crime contra a honra” do presidente.

 

A associação afirma que somente a divulgação dolosa ou negligente de notícias falsas deve legitimar condenações, e não publicações de boa-fé sobre casos de corrupção ou atos de improbidade que ainda não foram comprovados definitivamente.

Bahia Notícias

Em destaque

As duas Masters derrotas do Estado Democrático de Direito

Publicado em 03/05/2026 às 06:07 Alterado em 03/05/2026 às 09:18   E o acordão no Congresso para enterrar a CPI do Master, dará certo? Há qu...

Mais visitadas