segunda-feira, abril 19, 2021

Efeito coronavírus: Gestão da pandemia de Covid-19 leva evangélicos a criticarem Bolsonaro

Publicado em 19 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Pastores que votaram em Bolsonaro já falam em terceira via para 2022

Gustavo Schmitt e Sérgio Roxo
O Globo

A gestão da pandemia do novo coronavírus tem provocado fissuras na base formada por líderes religiosos que apoiam o presidente Jair Bolsonaro. Alguns pastores evangélicos que votaram nele há dois anos já falam em terceira via para as eleições de 2022, enquanto outros admitem que o apoio ao presidente persiste apenas para evitar a volta do PT ao poder. Nem o empenho do governo federal para manter templos abertos durante a crise sanitária melhorou o humor de parte de sua base.

A redução do entusiasmo com o mandatário começou a ficar clara em 29 de março, quando Bolsonaro fez uma convocação para um “dia do jejum”. No ano passado, 36 líderes evangélicos gravaram um vídeo em que atendiam “à proclamação santa feita pelo chefe supremo da nação”. Este ano não houve vídeo. A cerimônia, realizada no mesmo dia em que foi anunciada a troca de seis ministros, teve a presença de três lideranças.

RESTRIÇÕES – O pastor Samuel Câmara, da Assembleia de Deus Belém, aparecia no vídeo do ano passado, mas hoje tem restrições ao presidente. “O exercício do poder tende a desgastar, e a pandemia tem participação nisso. Gostaríamos que o presidente fosse mais protagonista. Acho que em alguns momentos ele é extremamente inflexível”, disse.

A Câmara defende o uso de máscara e a vacinação e acredita que essas medidas devem se sobrepor às convicções pessoais de Bolsonaro.”Se houver uma terceira via, creio que o apoio (a Bolsonaro) será menor”, disse.

Líder da Igreja Plenitude do Trono de Deus, emergente entre as neopentecostais, o apóstolo Agenor Duque condenou a troca de André Mendonça por Anderson Torres no Ministério da Justiça e a entrada da deputada Flávia Arruda (PL-DF) na Secretaria de Governo. “O jejum não era para o meu Deus”, escreveu o pastor, que, no ano passado, também aparecia no vídeo pró-Bolsonaro. Procurado, o apóstolo não retornou.

VOLTA DO PT – Líderes evangélicos ainda apoiam Bolsonaro com o objetivo de evitar a volta do PT à Presidência, na opinião do pastor batista Carlito Paes, líder da Igreja da Cidade de São José dos Campos. “Penso ser um erro, porque este ato pode ser lido pelo governo como apoio incondicional e (levar o governo a que) cometa novos erros”, escreveu no Twitter, no começo de março. Apesar da crítica, Paes já rezou com Bolsonaro depois que ele foi eleito presidente e chegou a tentar indicar nomes ao Ministério da Educação.

Desde que assumiu o poder, Bolsonaro sempre obteve seus melhores índices de aprovação entre os evangélicos. Em abril de 2019, pesquisa do Datafolha mostrava que 42% dos eleitores desse grupo consideravam o governo como ótimo ou bom. Em março deste ano, esse número era de 37%. Apesar da redução, os evangélicos ainda avaliam Bolsonaro melhor do que a média da população. Segundo o Datafolha, o percentual geral dos que consideram o governo ótimo ou bom é de 30%.

Entre os católicos, persiste a polarização entre opositores e apoiadores de Bolsonaro. Mesmo no grupo mais alinhado ao presidente, como os integrantes da renovação carismática, há críticas à atuação do governo no combate à pandemia.

GESTÃO DA PANDEMIA – “Compomos a base de apoio ao presidente, mas tem muitos aspectos que nos distanciam, como a gestão da pandemia”, afirma o deputado Francisco Jr. (PSD-GO), presidente da Frente Parlamentar Católica. A CNBB e mais de mil párocos que assinaram o manifesto Padres Anti-fascistas se opõem ao mandatário.

A presença do presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Cláudio Lottenberg, num jantar em apoio a Bolsonaro, no dia 8, causou indignação em parte da comunidade judaica. Ao GLOBO, o rabino da Congregação Israelita Paulista, Michel Schlesinger, mostrou-se contra as medidas sanitárias do governo e a abertura dos templos em meio à pandemia.

Quando Jair Bolsonaro fala em “o povo sinalizar”, você logo entende que é o golpe de Estado

 

Charge do Tacho (Jornal NH)

Carlos Newton

Como dizia o genial Gonzaguinha, não dá mais para segurar. Está mais do que comprovado que o capitão Jair Bolsonaro não tem a menor condição intelectual nem o necessário equilíbrio emocional para continuar presidindo o Brasil. Trata-se de fato concreto, ponto pacífico, realidade factível e incontestável.

Quando o presidente da República anuncia publicamente que “o Brasil está no limite”, acentuando que “o pessoal fala que eu devo tomar providências”, para então ameaçar que “eu estou aguardando o povo dar uma sinalização”, qualquer pessoa entende que se trata de um golpe de Estado, e isso é inadmissível. Em regime de democrático, o presidente da República jamais pode se manifestar nesse sentido. E ainda falou em “providências imediatas”…

NINGUÉM LIGA – A verdade é que o Brasil está se transformando num país surreal. O presidente Bolsonaro faz uma declaração dessa gravidade e a repercussão é mínima. Até mesma as lideranças de oposição se omitem, parecem não levá-lo a sério, ao invés de exigir que ele diga que “pessoal” é esse, que inclusive lhe cobra “providências imediatas”.

Seriam os militares da ativa, indignados pela perda de popularidade de seu comandante-em-chefe? Seriam os oficiais da reserva, sempre inconformados e provocadores? Seriam os militares que infestam o governo e tomaram gosto pelo poder? Ou seria o tal gabinete do ódio, com apoio dos adoradores do guru virginiano Olavo de Carvalho?

Na verdade, ninguém sabe, ninguém viu, mas desta vez a ameaça de Bolsonaro teve endereço certo – o plenário do Supremo Tribunal Federal, do outro lado da Praça dos Três Poderes.

AMEAÇA DIRETA – Em seu delírio persecutório, Bolsonaro foi adiante e revelou seu propósito, ao dizer: “Amigos do Supremo Tribunal Federal, daqui a pouco vamos ter uma crise enorme aqui. Vi que um ministro despachou um processo pra me julgar por genocídio. Olha, quem fechou tudo e está com a política na mão não sou eu. Agora, não quero brigar com ninguém, mas estamos na iminência de ter um problema sério no Brasil”, completou o presidente. Segundo Bolsonaro, ainda “há tempo de mudar, é só parar, usar menos a caneta e mais o coração”.

Caramba! O presidente da República toma uma iniciativa dessa gravidade e nenhum jornal deu a manchete “Bolsonaro ameaça a Supremo”. E o presidente do STF, Luiz Fux, também não se manifestou. Deveria ter simplesmente respondido à altura, marcando logo a data de julgamento do pedido da ministra Cármem Lúcia para abrir o processo contra o presidente da República. Agendar essa importantíssima questão é o mínimo que se espera de Fux, caso não esteja acovardado pelos rugidos de Bolsonaro.

O candidato preferido do Supremo, agora e nas eleições de 2022, é o ex-presidente Lula


Charge do Quinho (Arquivo Google)

J.R.Guzzo
Estadão

O Supremo Tribunal Federal, após anos e anos de trabalho conduzido ora em público, ora em segredo, e sempre em circunstâncias tão obscuras que é melhor nem mexer com essa parte da história, acaba de conseguir o que queria desde que a casa de Lula caiu e ele acabou condenado por corrupção e lavagem de dinheiro: concluiu oficialmente, com todos os seus agravos, embargos e demais papelada, a maior obra da falsificação jamais registrada na história da Justiça brasileira.

Através dessa fraude, executada em câmera lenta e com repetidos acessos de grosseria na malversação da lei, os 11 ministros do STF transformaram em candidato à Presidência da República um réu condenado em terceira e última instância, com provas, testemunhas e confissões voluntárias, por nove juízes diferentes – e há pouco saído de quase 600 dias no xadrez.

SUICÍDIO JURÍIDICO – O STF vive de suicídio em suicídio, tornando incompreensível para o público, a cada sentença, a ideia de que lei e moral devem andar juntas – não há nenhuma surpresa, portanto, em mais esse comportamento aberrante, quando se leva em conta que as suas decisões, cada vez mais, conduzem à negação permanente da justiça neste país.

O que importa, agora, é que o STF ocupa abertamente o governo do Brasil – e está dizendo a todo mundo que tem, sim, um candidato próprio à Presidência da República em outubro de 2022.

Esqueçam o PT, a manada de anões que sobrevivem às custas do fundo partidário, a pasta disforme de governadores e aventureiros que querem, como sempre, montar num cavalo que os carregue para dentro da máquina estatal, sempre tão lucrativa para eles. Esses estão sempre ali, sentados na porta do chefe, na esperança de receberem uma ordem para obedecer.

PREFERIDO DO STF – Lula, agora e em 2022, não é o candidato deles. É o candidato do Supremo. Mas Lula não é bobo, claro – não vai querer que o tratem assim, porque não é diretor da OAB, não é bispo e não é intelectual orgânico que vai em mesa redonda de televisão debater ciência política com comunicadores sociais.

Ele sabe muitíssimo bem o que é o STF, sabe perfeitamente o que povo brasileiro pensa do STF e vai dar graças a Deus se puder ir do começo ao fim da campanha eleitoral inteira sem falar as letras “S”, “T” e “F”.

Lula vai querer o STF – tão elogiado no Brasil civilizado, equilibrado, democrático, de “centro esquerda”, “liberal”, etc. etc. etc. – a 1.000 quilômetros de distância do seu palanque. Aqui não, pelo amor de Deus.

JUNTO COM GILMAR – Já imaginaram se Lula tivesse de atravessar o Viaduto do Chá, de ponta a ponta, com Gilmar Mendes a seu lado, sorrindo para a galera? Se for assim, ele nem sai candidato. Mas isso não vai acontecer, porque não há a menor necessidade que aconteça.

Quem salvou Lula? Foi o STF, sim, mas o ex-presidente não precisa ficar agradecendo o tempo todo e atraindo ódio para cima de si mesmo; ele nunca foi bom, por sinal, no quesito “solidariedade”. Lula e o STF são um amor a ser vivido a distância. Ele pode não querer muito o STF, mas é ele quem o STF quer; vão arranjar rapidinho um esquema mutuamente proveitoso de convívio, e têm tudo para iniciar uma “longa amizade”, como no filme Casablanca.

ESTAVAM NA CHUVA – A má notícia aí é para os outros, que ficaram sonhando pelo pacto STF-Lula, na crença de que isso ia provocar um terremoto no governo, e quando acordaram viram que estavam na chuva – e põe chuva nisso.

A anulação das quatro ações penais contra Lula, desgraçadamente para todos eles, teve também o efeito imediato de anular cada uma das suas candidaturas.

Imaginava-se uma resposta culta, moderna e desinfetada para Jair Bolsonaro: com a decisão do Supremo viraram subitamente um grande zero. É onde estamos.

Tópicos para Merval e Gaspari: STF reabilitou Lula contra Bolsonaro e parcialidade tem que ser caso a caso


Charge do Clayton (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto
 
Nas edições de O Globo e da Folha de São Paulo deste domingo, em sua coluna, Merval Pereira indaga quais razões levaram o Supremo Tribunal Federal a anular as sentenças contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No O Globo e na Folha de São Paulo, Elio Gaspari pede atenção para o precedente que teria sido aberto pelo STF, considerando parcial a sentença de Sergio Moro contra Lula.
 
Faço observações para dois grandes jornalistas que tanto admiro.
Em relação a Merval Pereira, a minha opinião é que a decisão do STF, confirmando a liminar do ministro Edson Fachin, tem como objetivo claro reabilitar o ex-presidente na estrada das urnas que levam a 2022.
 
MANIFESTAÇÕES – O Supremo foi alvo de manifestações públicas na Esplanada dos Ministérios praticadas por bolsonaristas, inclusive com a presença do próprio presidente da República Jair Bolsonaro, pedindo o fechamento do STF e do Congresso Nacional. Tal manifestação foi em frente ao Quartel General do Exército em Brasília, conhecido como Forte Apache.
 
No domingo, dia 11, novamente apoiadores do presidente ergueram faixas pedindo pela ditadura militar com Bolsonaro no poder. O risco estava aí mais do que traçado: uma reeleição de Jair Bolsonaro colocaria em risco a própria democracia e a implantação de um regime ditatorial.
 
Não é segredo para ninguém que se tivesse condições, Bolsonaro teria decretado um novo Ato nº 5. A questão é essa; no panorama nacional não existe nenhum nome capaz, baseado na ótica de hoje, de impedir a reeleição do chefe do Executivo. Somente Lula pode realizar tal desfecho. Importa menos se Ciro Gomes estará a favor ou não do ex-presidente. Parece que é contra. Ciro Gomes não tem o mesmo capital de votos capaz de levá-lo à vitória.
 
PARCIALIDADE – Relativamente a Elio Gaspari, em seu espaço aos domingos no O Globo e na Folha de São Paulo, coloco o seguinte tópico: Gaspari considera difícil que o Supremo possa colocar alguma objeção ao critério que adotou em relação a Lula da Silva. Foi um engano. O tema da parcialidade não é genérico. Ao contrário, é singular. Pois é possível que um juiz tenha sido parcial em uma questão, mas não em todas as outras.
 
Parcialidade é algo caso a caso. Acredito que o temor de Gaspari não se materialize . Existem julgamentos que podem ter efeitos genéricos. É o caso da advogada Adriana Ancelmo, por exemplo. Sua prisão foi transformada em domiciliar porque ela tinha um filho com menos de 12 anos de idade. Aí sim, o genérico deveria ter predominado, o que não aconteceu.
 
O Supremo pode alegar que teria que receber recursos nesse sentido para transformar a prisão. Não sei se recebeu, mas caso sim deveria ter dado curso a eles. A questão da parcialidade é diferente da generalidade.
 
LOCATÁRIOS DA CASA DA HISTÓRIA –  Foi sem dúvida uma bela imagem a que colocou em seu espaço no O Globo Dorrit Harazim deste domingo. Ela disse que no fundo todos nós somos meros locatários da casa da História. Por isso, temos que tentar perceber o presente. Bela frase, como eu disse, de grande força poética. Importante considerar o que ela disse, pois realmente, em nosso caso, jornalistas, devemos ter a percepção de não ver só os fatos, mas também ver nos fatos.
 
O segundo estágio do raciocínio complementa o primeiro porque não existe apenas uma versão para a narrativa das histórias; existem vários. Por isso, as observações sobre textos do passado referentes a desfechos históricos são objetos de revisão. Passado o tempo, chega-se a conclusões diferentes das que foram adotadas no momento dos acontecimentos. Trata-se de uma questão de perspectiva, como definiu Leonardo da Vinci nos cadernos que deixou como se deve ver as pinturas.
 
De perto, de longe, da direita, da esquerda, com mais ou menos luz. Isso porque, na minha opinião, os fatos políticos que se incorporam à memória universal não podem ser vistos apenas nos instantes em que acontecem. Se é verdade que santo de casa não faz milagre, a perspectiva exige uma distância maior entre os ângulos e as sombras das questões. Acredito que a frase da Dorrit Harazim ficará para sempre nos documentos mais lúcidos e mais cristalinos da viagem histórica através do tempo.
 
CPI DA SAÚDE –  A Comissão Parlamentar de Inquérito que investigará os fatos e as omissões do Ministério da Saúde no combate à pandemia deve começar, a meu ver, ouvindo o ex-ministro Henrique Mandetta pelo fato de ter sido ele o primeiro titular da pasta que enfrentava com vigor a pandemia, e a ser demitido por Bolsonaro por estar aparecendo demais nas emissoras e nos jornais.
 
Como Bolsonaro só pensa na reeleição de 2022, ficou claro o horizonte estreito que o Planalto lançava sobre o movimento de prevenção contra a força que o coronavírus demonstrava possuir e que os fatos comprovaram ao longo dos meses.
 
Mandetta narrou em entrevistas que encontrou dificuldades extremas por parte do presidente da República, uma vez que não conseguiu transmitir a ele no plano alto do Planalto as análises mais simples e também mais eficazes que deveriam se transformar em projetos imediatos e aplicados na prática.
 
ESCÂNDALO – A demissão de Mandetta foi um escândalo. Bolsonaro afastou um auxiliar de primeira linha eficiente porque supôs que ele poderia lançar-se como candidato à Presidência da República. Um delírio. O mesmo fenômeno que salientou o tempo de Bolsonaro foi a hipótese de uma candidatura do ex-ministro Sergio Moro. Era extremamente popular, mas o objetivo de Moro não era o Palácio da Alvorada e sim o STF, aspiração legítima a qualquer magistrado que se julgue capaz de exercer a altíssima missão.
 
Senti também na ocasião que Moro havia criado uma dificuldade bastante intensa para a sua permanência no MInistério da Justiça. No início incorporou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras. O Coaf, ponto ignorado pelos cientistas políticos em suas análises, é um ponto de altíssima sensibilidade na administração do país. A questão é simples. O Coaf detém o controle de todas as operações bancárias que se realizam, incluindo depósitos e saques. Como os depósitos e saques acima de R$ 100 têm que ser nominativos, a fiscalização é facílima.
 
Além disso, o Coaf pode ter acesso a contas existentes no exterior em nome de brasileiros ou de empresas que reúnam brasileiros e/ou também estrangeiros que operam no Brasil. O Coaf portanto é um fantasma cuja sombra inibe e coloca de prontidão aqueles que participam de comissões pagas por contratos de obras públicas, de fornecimentos de material e também dos contratos feitos por empresas estatais com agências de publicidade e que estão se instalando nas diretorias de Comunicação de empresas, a exemplo de Furnas, Petrobras, Banco do Brasil, além de outros casos.
 
QUALIFICAÇÃO – O trabalho jornalístico que seria fundamental nessas unidades só pode ser exercido por profissionais da área. Mas não. Presidentes dessas empresas nomeiam pessoas desqualificadas e sem o conhecimento mínimo do que seja o trabalho jornalístico. Dito isso, volto ao tema da CPI.
 
A meu ver, a CPI deve começar convocando Mandetta. Ele tem o que falar, tem entusiasmo para abordar os problemas, tem conhecimento de causa e é testemunha direta da dificuldade que se colocou entre ele e Bolsonaro para o cumprimento do projeto de trabalho que teria evitado milhares de mortes causadas pela Covid-19. Uma parcela grande desse total poderia ter sido evitada. Os médicos têm certeza desse cálculo.
 
A CPI na minha visão vai funcionar até porque não pode deixar de fazê-lo. A pressão dos jornais e das emissoras de televisão relativamente ao que for desenvolvido colocará em pleno relevo, sobretudo a figura do relator. Ele irá se ver no centro palco dos acontecimentos enquanto o presidente da CPI terá que anunciar com o respectivo destaque a lista das pessoas que vão ser gradativamente convocadas a prestar informações e formular conceitos e opiniões.
 
REPERCUSSÃO – Cada convocação será motivo de amplo espaço na imprensa e nas telas, principalmente da TV Globo e da GloboNews, uma vez que outras emissoras, caso da Record e do SBT, não devem se voltar para o assunto de forma tão intensa. Mas ainda resta a CNN que disputa, a meu ver, um público certo com a GloboNews.
 
Dou a minha opinião sobre esse confronto. Os comentaristas da GloboNews são jornalistas de alta categoria e se revelam comprometidos somente com o jornalismo.  Não que a CNN não seja, mas a vantagem de qualidade é da GloboNews. Inclusive, existe um fato importante. A visão dos espectadores sobre as telas de cinemas  e das emissoras de TV é horizontal. A CNN, em um estilo americano, coloca as imagens em três projeções verticais. É um detalhe que diz respeito à força da comunicação pela imagem.
 
CONFERÊNCIA – Esse é o panorama geral da etapa que foi vencida neste domingo e as etapas a seguir, a começar pela Conferência do Meio Ambiente convocada pelo presidente Joe Biden para os dias 22 e 23 deste mês. A convocação, conforme já escrevi, vai fazer com que o presidente Jair Bolsonaro mude a posição que até agora assumiu em relação ao desmatamento e às queimadas que destroem partes importantes das florestas brasileiras.
 
Bolsonaro terá também que assumir os problemas em série gerados por Ricardo Salles. As imagens da devastação estarão presentes  no encontro do Clima. O presidente do Brasil deverá se esforçar para tornar esse cenário ao nível das legítimas exigências tanto brasileiros quanto internacionais.


Enquanto isso em Jeremoabo o prefeito é o primeiro a compartilhar e patrocinar as aglomerações!

 

Paulo Afonso: MP-BA faz recomendações à prefeitura, bancos e outros órgãos para frear Covid-19


Por

REDAÇÃO - PA4.COM.BR


Caixa Econômica Federal de Paulo Afonso: Foto: PA4.COM.BR

As prefeituras de Paulo Afonso, Glória e Santa Brígida e os seus respectivos secretários municipais de Saúde receberam uma recomendação do Ministério Público do Estado (MP-BA) para que as gestões façam cumprir os decretos de restrição em vigor na Bahia, como o toque de recolher das 20h às 5h..

A promotora Daniele Cochrane Santiago Dantas Cordeiro da 3ª Promotoria de Justiça de Paulo Afonso cobrou os gestores estabelecerem uma equipe ou órgão, dentre os já existentes, em regime de plantão, de modo a não interromper os trabalhos para a fiscalização de seu efetivo cumprimento, especialmente, quanto ao toque de recolher e restrições de abertura das atividades não essenciais, adotando, para tanto, eventuais sanções de natureza administrativa que se fizerem necessárias em desfavor daqueles estabelecimentos que deixem de observar o quanto estipulado no referido ato normativo.

 

A Promotoria tomou como base no pedido o coeficiente de incidência na região, que estava maior do que 1 no começo deste mês, “o coeficiente de incidência por 100 mil habitantes maior que 1 significa que a curva de infecção é crescente com aumento absoluto e relativo do número de infectados, o que se traduz na necessidade de medidas urgentes de contenção da infecção comunitária”, diz trecho da solicitação.

 

Também citou o boletim de monitoramento de vagas da CRIL Vale do São Francisco, que executa a regulação no norte da Bahia e oeste de Pernambuco (Rede PEBA), no dia 28/03/2021 informou a ocupação de 95% dos leitos de UTI vinculados à referida rede, que envolve, entre outros, os Municípios de Paulo Afonso, Abaré, Santa Brígida, Glória, Macururé, Rodelas e Chorrochó


O recado também foi endereçado à Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) das cidades, aos gerentes das agências bancárias, às emissoras de rádios da região e aos moradores dos municípios citados. A Promotoria pediu a colaboração de todos. Veja baixo.

 

O  Ministério Público recomendou:

 

AOS GERENTES DAS AGÊNCIAS BANCÁRIAS

 

Que IMEDIATAMENTE, disponibilizem cadeiras, toldos para cobertura e gradis, além de sinalização, conforme estabelecido pelo Município, em suas unidades, bem como adotem providências visando assegurar a observância das medidas sanitárias pertinentes, em especial, aquelas que evitam aglomeração de usuários em suas dependências e nas vias públicas por extensão das filas, sendo obrigatório o monitoramento de controle de fluxo de pessoas, a fim de evitar aglomeração nesses terminais eletrônicos, por funcionários da Agência.”

 

Filas na CEF de Paulo Afonso. Foto: PA4.COM.BR

AOS COORDENADORES(AS) DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA MUNICIPAL

 

Que adotem providências, IMEDIATAMENTE, visando assegurar o cumprimento das restrições impostas pelo Decretos Estaduais citados e nas prorrogações e alterações posteriores, nos exatos termos das atribuições do referido órgão, devendo, em caso de descumprimento das medidas impostas, proceder à lavratura de auto de infração, aplicação de multa, se for o caso, além da interdição do estabelecimento e/ou suspensão do alvará de funcionamento, bem como PROMOVA ampla divulgação dos decretos em vigor, orientando a população a respeito de seus termos, mantendo canal de comunicação aberto para sanar as dúvidas dos munícipes;

AO PRESIDENTE DA CÂMARA DE DIRIGENTES LOJISTAS

 

 

Que divulgue e oriente seus associados sobre a importância de cumprirem as medidas impostas pelo Estado da Bahia e pelos Municípios supra declinados, enquanto perdurarem seus efeitos;

 

À POPULAÇÃO DOS MUNICÍPIOS

 

Que cumpra integralmente as disposições contidas nos Decretos Estaduais, EM ESPECIAL, se abstenham de se locomoverem em vias, equipamentos, locais e praças públicas, durante o transcurso do toque de recolher, e, em caso de dúvidas quanto as suas disposições, busquem o suporte orientativo da Secretaria Municipal de Saúde, bem como dos demais órgãos de fiscalização (PM e Polícia Civil), ficando, desde já cientes de que o descumprimento das normas em referência dará ensejo a aplicação das sanções legais devidas, inclusive com possíveis desdobramentos as criminais e administrativas;

 

ÀS EMPRESAS DE RÁDIO E DIFUSÃO

 

Que PROMOVAM ampla divulgação desta Recomendação Ministerial, visando informar o maior número de pessoas possível, a fim de garantir o direito constitucional à saúde dos munícipes.

Nota da redação deste Blog - Nunca vi uma colônia tão abandonada e entregue as "baratas" igual a Jeremoabo, principalmente por não dispor de recursos médicos para combater o COVID-19.

Os casos de COVID-19 crescendo em Jeremoabo de maneira geométrica, quem tem a infelicidade de ser atingido pelo mesmo, desesperadamente luta para não morrer buscando socorros médicos noutras localidades, no entanto, as aglomerações estão ai escancaradas partindo da gestão municipal, seguindo através de agências bancárias, casas lotéricas, feiras livres etc.

O combate ao COVOD-19 em Jeremoabo é igual a Lei Imaginária.

 Devido a esse e outros fatos concretos, ontem transcrevi no Facebook a frase:   " O triunfo dos demagogos é passageiro, mas suas ruínas são eternas" Charles Péguy





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