domingo, abril 18, 2021

Até mesmo as ameaças candentes do presidente Bolsonaro já perderam a credibilidade


Jair Bolsonaro, Edson Leal Pujol

Bolsonaro vai se tornando uma figura cada vez mais caricata

William Waack
Estadão

Por ser o STF uma instância política, preocupada com política, e tomando decisões políticas, não é surpresa que esteja dando aulas de política para Jair Bolsonaro, aquele que assumiu recusando-se a fazer política. O próprio Bolsonaro acha que não, que está fazendo política, atividade que ele confunde com esbravejar declarações desconexas para grupelhos de apoiadores, proferir bobagens em lives e postar falsidades em redes sociais, além de vociferar ao telefone com senadores.

Algumas decisões do STF são para lá de exóticas (para se usar linguagem diplomática) e geram enorme insegurança jurídica, mas o ponto principal é que o conjunto da Suprema Corte tem um entendimento mais apurado do que Bolsonaro do que é o jogo institucional, o papel dos seus atores, seus limites políticos e legais. É esse jogo que o voluntarioso Jair disse que ia liquidar no gogó. Não conseguiu, e está perdendo de lavada do STF, mas não é só isso.

FURA-TET0 – Alguns feitos políticos de Bolsonaro são notáveis – pela ironia dos fatos. Ao seguir adiante com um Orçamento inexequível, mas que negociara com o Congresso, pois precisa gastar para se reeleger, acabou permitindo que os profissionais do Centrão carimbassem na testa do ministro que já foi estrela, Paulo Guedes, a expressão “fura-teto”.

Outra ex-estrela, Sérgio Moro, o paladino da luta anticorrupção, Bolsonaro já tinha sido empurrado para uma espécie de vala comum de malfeitores (sob aplausos de ministros do STF, no único elogio que destinam a Bolsonaro).

Há dúvidas se Bolsonaro se deu conta do “golpe” que o Centrão lhe aplicou na esteira dessa ainda não resolvida confusão do Orçamento.

AULA DE POLÍTICA – O Centrão se recusou a votar uma PEC que, para acomodar interesses, declararia algumas despesas como fora dos limites hoje vigentes. O Centrão alegou que não aprova medidas “fura-teto”. Mas o motivo principal para a recusa é outro, e se constitui em mais uma aula de política: o Centrão não quer abrir mão de suas prerrogativas de determinar alocação de recursos via Orçamento, um clássico instrumento de poder que o presidente cedeu.

A dor de cabeça de uma CPI no Senado é real, porém pequena se comparada à dor de cabeça de uma economia que teima em não deslanchar.

O problema para o governo é que não adianta dizer, como Guedes insiste, que o “Brasil estava decolando” e a economia “se recuperava em V” quando ocorreu uma segunda onda do vírus. Os fatos na cabeça das pessoas são preços em subida, inflação voltando, desemprego persistente, e economia andando devagar.

CURTÍSSIMO PRAZO -Nem todos os acontecimentos da economia são negativos para os planos do governo e o País, conforme atesta o sucesso dos leilões de concessão de portos, ferrovias e aeroportos. Porém, a inequívoca aposta de investidores na obtenção de bons retornos via concessões é coisa de longo prazo, e as questões emergenciais de pandemia e economia são no curtíssimo – as consequências políticas idem.

A confiança de varejo, indústria e setor financeiro está sendo demolida pelo cenário político de instabilidade e imprevisibilidade.

Dedicado dia e noite a acelerar e piorar o que sozinha já seria uma tempestade perfeita, Jair Bolsonaro está perdendo a credibilidade até quando faz ameaças do tipo “aguardo sinal do povo para tomar providências”.

VIVENDO NA BOLHA – O PT foi apeado do poder quando achava que era dono das ruas, mas não era. Vivendo na bolha peculiar de sites, portais e redes sociais amigas, Bolsonaro confunde esse tipo de espuma em meios digitais com “povo”.

A expressão “mentalidade do bunker” se consagrou para descrever o governante que perde a noção da realidade, pois vive distante dela. No caso de Bolsonaro, deveria ser trocada por “mentalidade do cercadinho”. Fica do mesmo jeito em um outro universo, paralelo.

RECOMENDAÇÕES PARA TRANSPARÊNCIA DE CONTRATAÇÕES EMERGENCIAIS EM RESPOSTA À COVID-19

 

Técnicos do TCU apontam omissões de Braga Netto no combate à Covid-19

Publicado em 18 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Documento interno recomenda abertura de processo para apuração

Deu no Correio Braziliense

A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) recomenda aos membros da Corte a abertura de um processo para averiguar a conduta do ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, no combate à Covid-19 no período em que comandou a Casa Civil e coordenou o Comitê de Crise do governo. O documento interno, ao qual o Estadão teve acesso, aponta “graves omissões” do general. Entre elas, “não ter contribuído da forma que seria esperada para a preservação de vidas”.

No TCU, o processo tem a relatoria do ministro Vital do Rêgo. Ele ainda analisa se vai acolher a sugestão e, para isso, tem mantido conversas com os demais integrantes da Corte. A eventual abertura do processo de representação pode ampliar o cerco sobre os erros do governo na gestão da pandemia, que já deverão ser esmiuçados pela CPI da Covid, no Senado, prestes a iniciar os trabalhos.

DESGASTE – Além disso, uma eventual abertura de processo aprofundaria o desgaste do presidente Jair Bolsonaro por investigar a atuação de mais um militar de seu núcleo duro diretamente envolvido no enfrentamento à principal crise do Brasil.

Na Casa Civil, Braga Netto foi designado por Bolsonaro para coordenar o Comitê de Crise da pandemia. Entre as atribuições, estavam articular e monitorar ações governamentais, bem como assessorar o presidente na pandemia. É exatamente no desempenho dessas atribuições que os auditores identificaram falhas.

O TCU também mira outro militar, o atual coordenador do comitê, Heitor Abreu, subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil. Na avaliação dos técnicos, o tenente-coronel também não contribuiu “da forma que seria esperada para a preservação de vidas”.

OMISSÃO – A iniciativa do tribunal é uma consequência de auditorias e recomendações que apontaram a inexistência de diagnósticos e diretrizes para o combate à doença. A área técnica entende que o Comitê de Crise omitiu-se diante de temas cruciais, como no monitoramento do consumo de oxigênio, emissão de diagnóstico sobre a segunda onda de contaminação e em projeções sobre a disponibilidade de leitos para pacientes de covid.

Uma auditoria realizada pela Secretaria-Geral de Controle Externo do TCU, entre 25 de janeiro e 19 de fevereiro, apontou falhas no trabalho do comitê e transferência de responsabilidades ao Ministério da Saúde. “Constatou-se que inexistem diagnósticos elaborados que contenham as informações supracitadas (sobre diagnósticos conjuntos), bem como inexistem novas diretrizes voltadas especificamente para o enfrentamento à segunda onda de covid-19”, diz trecho do documento, de 15 páginas.

MODELO – Aos auditores, o comitê informou que o desenvolvimento de um modelo preditivo sobre o consumo de oxigênio medicinal ainda encontra-se em fase inicial, “havendo necessidade de aperfeiçoamento para que seja mais objetivo e acurado”.

A falta de oxigênio para pacientes com covid instalou um caos Manaus (AM), em janeiro, e levou ao colapso o sistema de saúde da capital amazonense. Pacientes internados por causa do novo coronavírus morreram por falta de ar para respirar.

O comando do comitê também confirmou não possuir diagnósticos elaborados em conjunto com Estados e Distrito Federal para lidar com a “segunda onda” de infecções. Disse apenas que há “monitoramento constante da situação dos Estados e municípios”.

SUBSÍDIO – Os técnicos da secretaria de controle sugerem o encaminhamento das conclusões da auditoria para a Procuradoria-Geral da República e ao Congresso Nacional. Para o âmbito do Legislativo, indicam que o documento pode subsidiar debate de medida legislativa sobre o “planejamento governamental para crises sanitárias de grandes proporções”.

Em resposta ao Estadão, o Ministério da Defesa alegou que não houve omissão do Comitê de Crise. Segundo a pasta, “inúmeras atividades e ações” foram coordenadas pelo comitê, como a abertura de crédito de R$ 20 bilhões para vacinação contra covid e a disponibilização aos Estados de mais de R$ 115 bilhões para ações de saúde pública.

“Todas as ações executadas seguiram a diretriz geral de salvar vidas, preservar empregos e empresas e priorizar aos mais vulneráveis. Nesse sentido, o Brasil é um dos países com o maior número de recuperados, quase 12 milhões de pessoas”, disse a Defesa.


Após discurso anti-vacina, Sikêra Jr. recebe 1ª dose da Coronavac em Manaus


Após discurso anti-vacina, Sikêra Jr. recebe 1ª dose da Coronavac em Manaus
Foto: Reprodução / Instagram

Aos 54 anos e com comorbidades, Sikêra Jr. recebeu a primeira dose da vacina contra a Covid-19, na tarde deste sábado (17), em um drive thru de Manaus (AM). O apresentador do Alerta Nacional, recebeu a Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

 

O momento da aplicação foi registrado em vídeo e publicado por ele em sua conta no Instagram:

 

O irônico é que apesar de ter mudado de opinião recentemente, ele já fez campanha contrária à imunização e teceu duras críticas à “vacina chinesa” em seu programa, no passado.  “Meu corpo, minhas regras. Vocês já devem ter ouvido isso. Porque vão obrigar a gente a tomar vacina, não é? Eu não quero tomar essa vacina. Mas é sério que eu vou ser obrigado? Vou ter que fugir pra um matagal na Amazônia? Pra me esconder? Eu não quero! Eu tenho direito a não querer ser vacinado. É um direito, o corpo não é meu? Eu não quero tomar essa vacina, não sei de onde veio, quem fez? Aliás, a gente sabe de onde veio. Vem da China, todo mundo sabe disso. Quem quiser tomar, pode tomar na jaca, porque eu não vou tomar não”, disse Sikêra Jr., anteriormente. 

Bahia Notícias

Número de casos de Covid se estabiliza no Brasil, mas segue entre maiores do mundo

por Leonardo Diegues, Diana Yukari, Philippe Watanabe e Fábio Takahashi | Folhapress

Número de casos de Covid se estabiliza no Brasil, mas segue entre maiores do mundo
Foto: Yanka Romão / Arte Metrópoles

Ainda que continue num dos patamares mais elevados do mundo, o volume de novos casos e de óbitos por Covid-19 parou de crescer no Brasil nas últimas semanas.

Desde o último dia 7, o país está no estágio estável no Monitor da Aceleração da Covid-19, da Folha de S.Paulo, que considera o volume de contaminações nos últimos 30 dias, com mais peso para o período mais recente.

Esse patamar significa que houve estabilização do crescimento de novos casos, ainda que siga em patamares elevados, de acordo com o modelo desenvolvido por especialistas da USP. Até o início do mês, o Brasil estava no nível acelerado, o que significa aumento rápido de novas contaminações.

O Brasil tem registrado agora 67 mil novos casos por dia, considerando a média móvel de sete dias, volume que se mantém desde meados de março.

Nos meses anteriores, esse número vinha crescendo rapidamente. Em 8 de janeiro, por exemplo, houve acréscimo de 10 mil novos casos apenas nesse dia (considerando a média dos seis dias anteriores).

O país não faz testagem ou sequenciamento genético suficientes para se identificar exatamente a razão da explosão. Epidemiologistas dizem que algumas das causas podem ter sido a diminuição do isolamento social durante as festas de fim de ano e o espalhamento da variante P.1, identificada primeiramente em Manaus.

Entre janeiro e fevereiro, o Brasil ficou como acelerado no monitor da Folha por 24 dias seguidos; chegou a entrar em estável, mas depois voltou a ficar acelerado entre 7 de março e 7 de abril, quando passou a estável.

Oito unidades da Federação saíram de acelerado para estável nas últimas duas semanas (AC, AL, AP, DF, GO, MS, RO, TO). Dois estados, Amazonas e Paraná, estão no patamar desacelerado, com ritmo de novos casos em queda.

Entre as capitais, Belém, Brasília e Goiânia deixaram o estágio acelerado e foram para o estável. São Paulo e Rio, as duas maiores, seguem como acelerado.

Entre os paulistas, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Campinas deixaram o acelerado.

Em relação aos óbitos, houve crescimento forte no país entre 21 de fevereiro e 1º de abril, quando o número de novas mortes diárias subiu de 1.038 para 3.118 (média móvel). Em março, estados e prefeituras aumentaram as medidas de restrição de circulação.

Desde o começo deste mês, o número fica na casa dos 3.000.

Os dados foram contabilizados na sexta (16) -aos fins de semana tende a haver queda artificial no registro de mortes e de casos, devido a esquemas reduzidos de profissionais nas Secretarias de Saúde que coletam as informações.

Pesquisador em saúde pública da Fiocruz e coordenador do InfoGripe, Marcelo Gomes afirma que a situação não pode ser vista como de tranquilidade, dado que o patamar segue alto. Ele também destaca que o sistema hospitalar ainda está sobrecarregado e terá dificuldades de absorver novas subidas (e mal consegue atender a situação atual).

Segundo especialistas, as medidas restritivas que vem sendo aplicadas com diferentes intensidades pelo país são as principais responsáveis pela estabilização dos casos.

Além disso, o avanço da vacinação em idades mais avançadas também pode ter alguma contribuição, afirma Ethel Maciel, epidemiologista e professora na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Os profissionais de saúde foram outro público já amplamente vacinado no país.

UTIs de 17 capitais brasileiras e o Distrito Federal estavam semana passada com mais de 90% da ocupação -no começo do mês eram 21.

A desaceleração atual de infecções e de óbitos não é suficiente para tirar o Brasil da relação de países em que a pandemia está mais grave atualmente.

O Brasil tem o terceiro maior número de novos casos e a maior quantidade de novas mortes entre as 30 nações mais populosas do mundo. A Índia é a que possui hoje o maior número de novos casos, seguida dos Estados Unidos.

Todos os estados do Sudeste brasileiro, região mais populosa do país, estão no estágio acelerado de novos casos. Mesmo assim, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou na sexta (16) distensão nas medidas de isolamento social, liberando a reabertura de parte do comércio e liberação de cultos.

No Rio, o governador, Cláudio Castro (PSC), permitiu desde o início do mês a abertura de shoppings e de restaurantes e bares até as 21h.

Os especialistas ouvidos pela Folha se dizem preocupados com a flexibilização de medidas de restrição de circulação.

O temor é que, com isso, a situação dramática atual continue sem ceder.

Outra possibilidade é que as contaminações voltem a crescer, o que somado a um sistema de saúde já saturado -inclusive com escassez de remédios para intubação- pode tornar o quadro futuro tão ou ainda mais letal que o atual.

"Precisamos fazer alguma coisa para diminuir a transmissão, mas enquanto isso não for suficiente para desafogar o sistema não dá para pensar em diminuir restrição", afirma Gomes, pesquisador da Fiocruz, que classifica como inaceitável o patamar de mortes atual.

Segundo o pesquisador, o momento crítico atual se originou em erros ainda no ano passado, quando a situação não foi controlada. Em um contexto com menos casos ativos, fechamentos de atividades poderiam ser mais curtos e, ao mesmo tempo, mais efetivos. No cenário atual do país, é necessário um período restritivo maior pelo grande quantidade de infecções.

"Nós nos colocamos na situação em que estamos. O remédio sabemos qual é", diz Gomes, defendendo medidas mais duras de restrição. "É amargo, mas não fazer também é."

Uma dificuldade para se adotar essas medidas restritivas é a oposição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), aliado ao desemprego alto e dificuldade financeira dos empresários.

Maciel diz que as medidas de restrição usadas até o momento podem não ter sido suficientes para ter impacto considerável na curva de casos e que a situação se torna ainda mais complexa considerando a variante P.1.

"Se estivéssemos conseguindo vacinar muito rápido, até poderíamos pensar em flexibilização", diz Maciel.

Apesar do elevado número total de doses de vacina contra a Covid aplicadas, o Brasil tem sofrido, como outros países, flutuações importantes no número de imunizantes disponíveis e na velocidade de aplicação, inclusive com paralisações no uso de primeiras doses por falta de vacina.

Rosana Richtmann, médica infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, afirma ser necessária a flexibilização das restrições, mas mantida atenção e cautela.

"Estou comemorando a estabilidade de novos casos, mas tenho medo. Tenho muito receio de como as pessoas vão interpretar isso", afirma a especialista.

Segundo ela, existe o risco da população entender que a situação está sob controle e diminuir ainda mais os cuidados contra a doença.

Por fim, Gomes ainda ressalta outro risco de permanecer nos altíssimos patamares atuais. O descontrole da pandemia, com dezenas de milhares de casos por dia, é um cenário fértil, uma "bomba-relógio", segundo o pesquisador, para o surgimento de novas variantes, com risco inclusive de mutações que levam ao escape vacinal.

Os especialistas alertam que a população deve ter calma e paciência, porque a pandemia ainda está longe de acabar.

COMO FUNCIONA O MONITOR

O monitor da Folha tem como base um modelo estatístico desenvolvido por Renato Vicente, professor do Instituto de Matemática da USP e membro do coletivo Covid Radar, e por Rodrigo Veiga, doutorando em física pela USP.

A situação em cada local avaliado recebe uma classificação. Há cinco possibilidades: inicial, acelerado, estável, desacelerado e reduzido.

A fase inicial é aquela em que surgem os primeiros doentes. O Brasil já não tem nenhuma cidade com mais de 100 mil habitantes nessa situação.

A etapa acelerada é aquela em que há aumento rápido do número de novos casos. Na estável, ainda há número significativo de pessoas sendo infectadas, mas a quantidade de novos casos é constante.

Quando o número de novos casos cai ao longo do tempo de maneira considerável, tem-se a fase de desaceleração. Já na etapa reduzida há poucos casos novos (ou nenhum), levando em consideração o histórico da epidemia naquele lugar.

Bahiai Notícias

Piada do Ano ! Em vídeo, Bolsonaro usa declaração de Roberto Jefferson para dizer que não rouba no governo


Roberto Jefferson foi um dos pivôs do escândalo do Mensalão

Dimitrius Dantas
O Globo

 Em um vídeo compartilhado em suas redes sociais como um alerta de que o “caos bate na porta dos brasileiros”, o presidente Jair Bolsonaro usou uma declaração do ex-deputado federal Roberto Jefferson — um dos pivôs do escândalo do Mensalão, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) — para destacar que seu governo “não rouba e não deixa roubar”.

A abertura do vídeo é o trecho de uma entrevista concedida por Bolsonaro em maio de 1999. Na ocasião, o hoje presidente denuncia a corrupção e afirma que não existe exemplo no Brasil de honestidade. O trecho, porém, foi editado: pouco antes, Bolsonaro critica o então presidente Fernando Henrique Cardoso de querer abafar a CPI dos Bancos. O vídeo foi compartilhado pelo presidente em suas redes sociais na última segunda-feira, em meio a mais uma crise política causada pela determinação de que o Senado instalasse a CPI da Pandemia.

FECHAMENTO DO CONGRESSO – Em outros trechos da entrevista, que também não aparecem no vídeo, o presidente defende o fechamento do Congresso Nacional e a morte de 30 mil pessoas, começando pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. A publicação contém imagens do presidente que vão desde os seus tempos de deputado, em 1999, até discursos de Bolsonaro na presidência.

No início do vídeo, é utilizada parte de uma entrevista concedida por Roberto Jefferson. Atualmente, o ex-deputado federal, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no Mensalão, é um dos aliados do presidente.

“Ele é representante do povo. Ele é o chefe do Estado, ele é o chefe do governo e ele tem honrado o que ele disse na campanha: eu não vou roubar e não vou deixar roubar”,  afirma Jefferson no trecho compartilhado por Bolsonaro.

ATENTADO –  O vídeo ainda mostra as imagens do dia em que o presidente sofreu um atentado em Juiz de Fora, no dia 6 de setembro de 2018, e do dia em que foi eleito para a Presidência. Também foram incluídas imagens com líderes internacionais, como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o atual presidente da Ìndia, Narendra Modi.

Por alguns segundos, também aparece uma imagem do presidente ao lado do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, que deixou o governo acusando Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal.

COMUNISMO – Na descrição da publicação, compartilhada nas redes sociais, Bolsonaro afirmou que, se não tivesse vencido a eleição, a liberdade da população não existiria mais. Por outro lado, afirmou que a população vive hoje uma “amostra do que é o comunismo e quem são os protótipos de ditadores” em referência às medidas de distanciamento social adotadas por governadores e prefeitos para conter a pandemia da Covid-19.

“Cada vez mais a população está ficando sem emprego, renda e meios de sobrevivência… o caos bate na porta dos brasileiros. Pergunte o que cada um de nós poderá fazer pelo Brasil e sua liberdade e… prepare-se”, escreveu Bolsonaro.

Desacertos na vida de Sérgio Moro mostram que a política não é para amadores


A farsa de Moro está nos autos; a alma, no Telegram | Jornal Alto Vale Online

Charge do Nani (nanihumor.com)

Roberto Nascimento

É preciso ficar claro que a decisão do Supremo Tribunal Federal na última quinta-feira, favorável a Lula, não tem repercussão geral e o ex-presidente ainda não foi considerado inocente, apenas está elegível, podendo concorrer às eleições de 2022.

Dizem que o Supremo judicializa a política, que interfere no Executivo e no Legislativo. Balela e mentira. Esses Poderes entram com liminares para que a Corte resolva seus problemas. O campeão de pedidos são os partidos políticos, mas, o Executivo também recorre aos ministros, através da Advocacia-Geral da União.

ATIVISMO JUDICIAL? – Depois reclamam do ativismo judicial, como fizeram recentemente o vice Hamilton Mourão e o presidente Jair Bolsonaro.

Os ministros do STF nada decidem sem que haja provocação da parte. Acho que a omissão seria muito pior, no caso de devolver o pedido sem uma solução. Ao que parece, o presidente Luiz Fux está nessa linha, sem negar in limine qualquer pedido, para evitar o desgaste do Judiciário.

Assim, apesar dos pesares, precisamos confiar nos ministros da Suprema Corte e nas decisões emanadas de fundamentação jurídica, caso contrário tudo estará perdido. São humanos e por isso erram. O remédio está nos recursos.

SUSPEIÇÃO DE MORO – Insta salientar que será julgada na próxima quinta-feira a suspeição do juiz Sérgio Moro, em face dos diálogos interceptados por hackers e divulgados no site The Intercept. Se for declarada a suspeição do juiz Moro, será o fim da Lava Jato. Mas tenho quase certeza de que a tese da não suspeição será acolhida por 6 a 5. Porém, se a decisão for em sentido contrário, todos os julgamentos de Curitiba serão anulados. Será o fim da Lava Jato, algo inaceitável.

Infelizmente, o juiz Moro aceitou o convite de Bolsonaro para o cargo de ministro da Justiça no final de 2018. Resultado: foi humilhado pelo presidente, praticamente defenestrado do cargo, a Lava Jato esvaziada pelo governo e pelo procurador Geral, culminando com o desfecho da anulação do julgamento de Lula sentenciado por Moro no caso do tríplex.

A política não é para amadores. A vida sempre nos reserva muitas surpresas. Vamos aguardar os próximos acontecimentos.

MP encontra transferências milionárias em contas de Ricardo Salles, diz a revista Crusoé

Publicado em 18 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Quebra do sigilo bancário complicou a vida de Ricardo Salles

Deu no Estado de Minas

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, teria movimentado R$ 2,75 milhões em suas bancárias milionárias entre 2014 e 2017. A informação, publicada pela Revista Crusoé na matéria intitulada “O ministro dos milhões” veio à tona depois de Ministério Público de São Paulo ter quebrado o sigilo bancário de Salles.

Segundo a publicação, o MP investiga os crimes de sonegação e lavagem de dinheiro. O valor citado teria sido transferido da conta bancária do escritório de advocacia de Salles para sua conta pessoal em “pequenos” valores, totalizando 54 transferências num período de 3 anos.

GOVERNO ALCKMIN – À época, Ricardo Salles foi secretário do Meio Ambiente de São Paulo e, também, secretário particular do então Geraldo Alckmin (PSDB).

De acordo com a Crusoé, o inquérito foi aberto em agosto de 2019 para investigar suspeitas de enriquecimento ilícito de Ricardo Salles entre 2012 e 2017. O ministro teria enriquecido R$ 7,4 milhões em cinco anos atuando no governo do estado de São Paulo.

Em 2012, quando foi candidato a vereador em São Paulo, Salles declarou ao Tribunal Superior Eleitoral um patrimônio de R$1,4 milhão, referente a aplicações financeiras, propriedade de um automóvel, uma motocicleta e 10% de um imóvel.

ENRIQUECEU NA POLÍTICA – No ano de 2018, ao se candidatar a deputado federal, ele declarou R$ 8,8 milhões de patrimônio – dois apartamentos no valor de R$ 3 milhões cada, um barco

Após a publicação da matéria, o ministro atacou a revista. “Matéria mentirosa. Todos os meus rendimentos ditos ‘repassados’ são honorários declarados e decorrentes da minha atividade privada como advogado”, disse Salles.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Essa notícia é velha e requentada. Já faz tempo que se sabe do enriquecimento ilícito de Ricardo Salles, mas nada acontece, as investigações não avançam. E tudo indica que a família Bolsonaro tem rabo preso com ele, como se dizia antigamente, pois ele é mais imexível do que o sindicalista Antonio Rogério Magri, que foi ministro de Collor. (C.N.)

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