sexta-feira, abril 16, 2021

Na avaliação de especialistas, Renan, favorito para relatoria da CPI da Covid, seria o pior cenário para Bolsonaro


Governistas articulam para impedir que Renan consiga a função

Israel Medeiros
Correio Braziliense

A CPI da Covid tem um favorito para assumir a relatoria: o senador Renan Calheiros (MDB-AL), que tem perfil independente do governo federal. A eventual escolha dele provoca preocupação no Planalto. Por isso, já existe uma movimentação para que o parlamentar alagoano não consiga a função no colegiado.

A iniciativa tem sido liderada pela ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda (PL-DF) junto ao presidente da Câmara e aliado do presidente Jair Bolsonaro, Arthur Lira (PP-AL), que disputa o protagonismo político no estado nordestino com o colega de Congresso.

PIOR CENÁRIO – Na avaliação de especialistas, Renan Calheiros na relatoria da CPI seria o pior cenário para Bolsonaro. Para Marco Antônio Teixeira, coordenador do curso de Administração Pública da FGV EAESP, está clara a intenção do governo de tentar minimizar os danos, pois o estrago é garantido.

Ele acredita que a investida do Executivo não deve dar frutos, o que seria indicativo de que Bolsonaro está perdendo espaço rapidamente no jogo político. “Talvez, o cargo mais importante seja a relatoria, não a presidência. De certa forma, Renan é um nome hostil ao governo. Ele tem dado declarações contra o governo”, frisou.

David Fleischer, cientista político da Universidade de Brasília (UnB), ressaltou que os esforços do presidente contra a CPI mostram que ele está “preocupadíssimo” com os desdobramentos das investigações. “Se Renan Calheiros for relator, sai de baixo. Mas não se sabe o que esperar. Em 2022, vai ser pesado para Bolsonaro. Os candidatos vão utilizar tudo o que puderem dessa comissão contra ele”, afirmou. (IM)

###
OS INTEGRANTES:

Composição da CPI da Covid-19 no Senado

Titulares
1. Eduardo Braga (MDB-AM) independente
2. Renan Calheiros (MDB-AL) independente
3. Ciro Nogueira (PP-PI)
governista
4. Otto Alencar (PSD-BA)
independente
5. Omar Aziz (PSD-AM)
independente
6. Tasso Jereissati (PSDB-CE) independente
7. Eduardo Girão (Podemos-CE) governista
8. Humberto Costa (PT-PE)
oposição
9. Randolfe Rodrigues (Rede-AP)
oposição
10. Marcos Rogério (DEM-RO)
governista
11. Jorginho Mello (PL-SC)
governista

» Suplentes
1. Jader Barbalho (MDB-PA) independente
2. Angelo Coronel (PSD-BA)
independente
3. Marcos do Val (Pode-ES)
governista
4. Zequinha Marinho (PSC-PA) governista
5. Luiz Carlos Heinze (PP-RS)
governista
6. Rogério Carvalho (PT-SE)
oposição
7. Alessandro Vieira (Cidadania-ES)
oposição

Caso os vereadores não tomem as providências que o caso requer, o prefeito continuará trabalhando para falir o comércio de Jeremoabo

 

.
.


Acordem vereadores, façam alguma coisa em benefício do comércio de Jeremoabo e da geração de empregos.

Na propaganda enganosa  o prefeito usa a imprensa marrom para dizer que está preocupado com os prejuízos que o COVID-19 está causando aos empresários de Jeremoabo, no entanto, a realidade é bem diferente, através de seus atos, o mesmo está doando uma corda para o comércio se enforcar.

Para comprovar o que estou narrando, faço a seguinte pergunta: com a agricultura familiar e normal que existe em Jeremoabo, com vários" supermercados", mercados e até bodegas, será que nenhum desses estabelecimentos tem condições de fornecer  VALOR R$ 54.150,00 (Cinquenta e quatro mil cento e cinquenta reais), aquisição essa feita na cidade de Fátima, ou  R$ 698.406,50 (Seiscentos e noventa e oito mil quatrocentos e seis reais e cinquenta centavos), em Novo Triunfo, para aquisição dos componentes para merenda escolar?

Os senhores vereadores e o povo em geral estão cansados de denunciar a péssima qualidade e quantidade da merenda escolar.

É lamentável que R$ 752.556,50 que poderia ser injetado no comércio de Jeremoabo, tenha sido desviado para duas cidades talvez até com o comércio muito menor do que o de Jurema sem Flor.

No mínimo estamos diante de algo mal-assombrado.




PDT apresenta notícia-crime contra Salles ao STF

 


Se o pedido for aceito, os autos serão remetidos à Procuradoria-Geral da República (PGR) para apuração

PDT apresenta notícia-crime contra Salles ao STF
Notícias ao Minuto Brasil

16/04/21 06:33 ‧ HÁ 3 HORAS POR ESTADAO CONTEUDO


O PDT apresentou notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, para que a corte processe e julgue as infrações penais cometidas pelo ministro, investigado pela Polícia Federal por denúncias de ter favorecido madeireiros ilegais na maior apreensão de madeira nativa do País. Se o pedido for aceito, os autos serão remetidos à Procuradoria-Geral da República (PGR) para apuração.

"Não é fato novo que o senhor ministro do Meio Ambiente privilegia o lucro do setor privado em detrimento do meio ambiente", diz o documento, assinado pelo presidente nacional do partido, Carlos Lupi. Os crimes que Salles teria cometido, segundo a notícia-crime, são os de advocacia administrativa - quando um servidor patrocina interesse privado em detrimento da administração pública. Além disso, o partido considera que ele teria dificultado a fiscalização ambiental e participado de organização criminosa.

"Aponta-se uma permuta de terras do Estado do Pará estaria ocorrendo na floresta, no que o ministro do Meio Ambiente, em vez de apoiar o poder fiscalizatório, aliou-se às organizações criminosas, de modo a dificultar a ação de fiscalização ambiental", diz o documento.

"No caso em apreço, o ministro do Meio Ambiente utiliza-se dos cargos que ocupa para a consecução de interesses privados. A estrutura consubstanciada na mixórdia do interesse privado sobre o público perpassa pelos fatos de empreender esforços na defesa dos investigados no âmbito de operação da Polícia Federal e no expediente de embaraçar os atos investigativos, o que evidencia atuação parcial e tendenciosa na condução da pasta."

Lupi menciona que nesta quarta, 14, o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, foi exonerado do cargo pelo diretor-geral do órgão, Paulo Maiurino, após apresentar ao STF uma outra notícia-crime contra Salles com teor bastante semelhante.

"Nesse passo, denota-se que o Ministério do Meio Ambiente está sendo utilizado pelo para satisfazer os interesses pessoais e empresariais. Para tanto, o senhor Ricardo Salles vale-se do cargo que ocupa para obstaculizar as investigações e proteger o empresariado que angaria lucro com a destruição do meio ambiente", afirmou.

https://www.noticiasaominuto.com.br/

Ricardo Salles e Telmário Mota atuaram para obstruir investigação ambiental, favorecer madeireiros e formaram organização criminosa, aponta PF em notícia-crime ao STF

Blog da Noelia Brito

Posted: 15 Apr 2021 03:00 AM PDT

Foto: Reprodução

ESTADÃO
 
Superintendente da Polícia Federal no Amazonas encaminhou notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal contra o ministro do Meio Ambiente, acusado de agir em favor de investigados investigados na Operação Handroanthus GLO, que mirou extração ilegal de madeira na Amazônia


Paulo Roberto Netto e Fausto Macedo14 de abril de 2021 | 22h48

Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal notícia-crime contra o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles por obstrução de investigação ambiental, advocacia administrativa e organização criminosa. A peça foi redigida pelo superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva, e acusa Salles e o senador Telmário Mota de atuarem em favor de investigados da Operação Handroanthus GLO, que mirou extração ilegal de madeira na Amazônia no final do ano passado.



Segundo Saraiva, além de dificultar a ação de fiscalização ambiental, Salles ‘patrocina diretamente interesses privados (de madeireiros investigados) e ilegítimos no âmbito da Administração Pública’ e integra, ‘na qualidade de braço forte do Estado, organização criminosa orquestrada por madeireiros alvos da Operação Handroanthus com o objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza’.


CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE


O superintendente cita, como exemplo, uma exigência feita por Salles a peritos da PF sobre a documentação das madeiras apreendidas. Desde a deflagração da Handroanthus, o ministro questiona a ilegalidade das toras recolhidas pela PF, afirmando que elas seriam, na verdade, madeira extraída de forma legal.

“Mesmo amparado por farta investigação conduzida pela POLÍCIA FEDERAL – isto é, órgão de segurança pública vocacionada produzir investigações imparciais –, (Ricardo Salles) resolveu adotar posição totalmente oposta, qual seja, de apoiar os alvos, incluindo, dentre eles, pessoa jurídica com 20 (vinte) Autos de Infração Ambiental registrados, cujos valores das multas resultam em aproximadamente R$ 8.372.082,00 (OITO MILHÕES, TREZENTOS E SETENTA E DOIS MIL E OITENTA E DOIS REAIS)”, registrou Saraiva.

Em outro ponto, o superintendente da PF diz que o ministro foi contrário ao posicionamento da corporação de qualificar os alvos da Handroanthus como integrantes de organização criminosa. Para Saraiva, a postura demonstra ‘predileção injustificada a pouco mais de uma dezena de investigados em detrimento da comunidade local, regional, nacional e internacional’.

Saraiva também aponta que na semana passada o presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bom, encaminhou ofício ao diretor-geral da PF requerendo o envio de informações e documentos que embasaram a apreensão das madeiras pela corporação e que o requerimento veio logo após Salles criticar publicar as apreensões de madeira. Para o superintendente, tal pedido seria uma forma de Salles obter acesso à investigação. “O IBAMA, desde o início da operação, manteve-se inerte, desinteressado em exercer seus poderes de polícia ambiental, o que desperta a existência de interesses escusos, provavelmente a mando do Ministro do Meio Ambiente”, registrou.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Foto: Adriano Machado/ ReutersO delegado ainda listou diversas publicações nas redes sociais e entrevistas de Salles a veículos de imprensa em que o ministro adotaria uma em defesa da ‘inocência’ dos investigados, ‘patrocinando de forma escancarada os interesses dos madeireiros’. “Chegou ao ponto de pretender atuar como perito, querendo rastrear a madeira extraída, sem ao menos saber qual o modus operandi da organização criminosa”, acusou Saraiva.

No início do mês, em entrevista ao Estadão, Salles questionou a operação e disse que as áreas investigadas eram legais. “Está se tentando criar em cima desses proprietários uma sensação de insegurança jurídica. Vai quebrar os caras. E essa turma vai para a ilegalidade”, disse. Qual é ilegalidade? Se você me disser que pode ter outra lá no meio, é possível. Rotular tudo aquilo de ilegal, sabe o que vai acontecer? Você quebra essa turma que está lá, aí sim vão para a ilegalidade”.

A reportagem entrou em contato com o Ministério do Meio Ambiente sobre a notícia-crime e aguarda resposta.

Telmário. Em relação a Telmário Mota, Alexandre Saraiva afirma que o parlamentar é um ‘opositor declarado’ das ações da PF contra o desmatamento na Amazônia e expressa em suas redes sociais o ‘intento de interferir em ação fiscalizadora ambiental e de patrocinar interesses privados (de madeireiros) em detrimento da ação legítima da polícia investigativa’.

“As atividades desempenhadas pelo Senador extrapolam, e muito, a imunidade parlamentar por opiniões, palavras e votos, pois buscam desacreditar atividade de polícia investigativa, em prol de interesses obscuros”, afirmou.

Em nota, o senador afirmou que Saraiva ‘mais uma vez busca os holofotes com uma notícia-crime patética, sem fundamento e elaborada apenas para ganhar espaço na mídia e nas redes sociais. “A verdade é que, o delegado é um covarde que pratica autoritarismo e não tem coragem de debater com o Ministério do Meio Ambiente e da Justiça, um protocolo para regulamentar o setor madeireiro”, disse o parlamentar.

COM A PALAVRA, O MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

A reportagem entrou em contato com o Ministério do Meio Ambiente e aguarda resposta. O espaço está aberto a manifestações.

COM A PALAVRA, TELMÁRIO MOTA

O Delegado xiita, Alexandre Saraiva, mais uma vez busca os holofotes com uma notícia-crime patética, sem fundamento e elaborada apenas para ganhar espaço na mídia e nas redes sociais. A verdade é que, o delegado é um covarde que pratica autoritarismo e não tem coragem de debater com o Ministério do Meio Ambiente e da Justiça, um protocolo para regulamentar o setor madeireiro. O delegado cria suas próprias leis criminalizando todo um setor, sem distinção de quem está dentro da legalidade ou não, causando assim, a falência de diversas empresas e deixando mais de 15 mil trabalhadores desempregados, apenas em Roraima, numa época de crise mundial. Ressalto que em momento algum pratiquei as condutas descritas. Como parlamentar, apenas denunciei os procedimentos ilegais cometidos pelo delegado, que sistematicamente utiliza da PF para sua própria promoção pessoal. Estou convicto que a notícia-crime será arquivada de plano pelo MPF. Continuarei lutando contra os abusos de autoridade cometidos pelo Sr. Alexandre Saraiva, como também pelo emprego de todos aqueles que trabalham dentro da legalidade.

Presidente da OAB diz que embora juristas apontem crimes de Bolsonaro, não há clima para impedimento


Santa Cruz diz que não há  ninguém na “rua para pedir impeachment agora”

Pedro Venceslau
Estadão

Após pedir o impeachment dos presidentes Fernando Collor, Dilma Rousseff e Michel Temer, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) deu início a um processo interno para decidir em no máximo 60 dias se vai encampar ou não a bandeira do impedimento de Jair Bolsonaro. O ponto de partida foi o parecer elaborado por uma comissão de juristas e presidida pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto, que concluiu que o presidente da República cometeu crimes de responsabilidade e contra a humanidade.

Apesar da iniciativa, nesta entrevista ao Estadão, o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, se disse cético. “Não tem ninguém na rua para pedir impeachment agora.” Líder estudantil nos anos 1990, quando presidiu o Centro Acadêmico de Direito e o Diretório Central dos Estudantes da PUC-RJ, ele não descartou concorrer ao governo do Rio de Janeiro no ano que vem.

Uma comissão de juristas da OAB concluiu um parecer no qual o presidente Jair Bolsonaro é acusado de ter cometido crime de responsabilidade. A Ordem vai agora pedir também o seu impedimento?
Eu era líder estudantil no impeachment do Collor. As ruas foram tomadas. Houve uma confluência entre vontade popular, crime de responsabilidade e desvios graves. Era uma conjuntura clara de impeachment, com o aspecto jurídico atendido e mobilização popular. O mesmo se deu com a Dilma. Foi mais traumático, porque não houve a mesma unidade (de oposição) do governo Collor, quando todos queriam o impeachment. Mas teve pressão popular e manifestações contra a Dilma. Esse clima força uma percepção do Congresso sobre essa agenda. No caso do Temer, havia insatisfação popular, mas ele tinha uma sólida base parlamentar que não deixou o impeachment prosperar. O governo Jair Bolsonaro vive o seu melhor momento no Congresso Nacional. Na Câmara dos Deputados a oposição não tem 130 votos. A gente não pode dourar a pílula. Esse é um processo político e jurídico. Não tem ninguém na rua, não tem manifestação. A pandemia é o assunto mais grave.

Qual foi o caminho escolhido?
Foi criar uma comissão com grandes juristas acima do bem e do mal, com pessoas de centro, esquerda e direita. O parecer foi entregue ontem (terça-feira, 13) é muito duro. Acusa o presidente homicídio, cita o Código Penal e verifica nos códigos internacionais a presença de crime contra a humanidade. É óbvio que não posso virar as costas a um parecer assinado por essas pessoas. Vou colocar para tramitar internamente na Ordem.

Quanto tempo esse trâmite demora até que a OAB decida se vai ou não pedir o impeachment?
De 30 a 60 dias. São 30 dias para ouvir as seccionais e depois preparar uma sessão do Conselho. O tema é delicado. Precisa ter direito de defesa.

Mas o sr. está cético em relação a essa possibilidade de impeachment?
No quadro político atual sou cético. Precisa de uma mudança na dinâmica da política.

O perfil ideológico da OAB mudou entre os governos Temer e Bolsonaro?
Acredito que não. A democracia está sendo testada de uma forma única na nossa história. Somos radicais democratas. O presidente da República tentou via Medida Provisória pegar os dados telefônicos de 220 milhões de brasileiros. Tem as milícias digitais, ataques à imprensa e ao Supremo. Eu fui duas vezes ao plenário do STF falar em defesa do Judiciário. Não há qualquer comparação com os períodos de Dilma e Temer. Eram duas pessoas que agiam dentro da lógica democrática. O governo atual não age dentro da lógica democrática.

Como avalia a relação entre STF e o governo federal?
O presidente da República vive de tensionar as relações. É parte da dinâmica do Jair Bolsonaro e do seu projeto transmitir para sua base radicalizada que a culpa é sempre de alguém que não deixou ele fazer. É muito fácil buscar culpados.

O STF extrapolou suas prerrogativas ao determinar a abertura de uma CPI no Senado?
Não. Já há jurisprudência nesse sentido. Não há nada de teratológico nessa decisão. Estranho nesse episódio e inaceitável é a reação do presidente, colocando o Judiciário na mesma esfera da política. Foi isso que ele fez naquele telefonema ao Kajuru: ‘Então eu quero o impeachment de dois ministros do Supremo’. Não há fato que justifique pedido de impeachment de ministro do Supremo, a não ser a vontade do presidente de deixar o STF subserviente, assim como são seus assessores mais próximos. Esse ministro da Justiça que virou AGU agora é uma vergonha para a advocacia. O André Mendonça é uma vergonha para a advocacia nacional. Colocou o Ministério da Justiça a serviço dos interesses paroquiais do projeto político do presidente Jair Bolsonaro. Os limites precisam ser definidos pelas instituições. Bolsonaro quer o que a ditadura fez: diluiu o STF, cassou 3 ministros, ampliou o número para ter controle do Judiciário.

Como avalia a atuação do ministro Kassio Nunes Marques?
Como todo advogado, eu concordo e discordo das decisões do ministro Kassio. Ele está em outra esfera. Não é um braço político, mas um ministro do Supremo. Tem 26 anos pela frente para fazermos uma apreciação do legado político dele. O momento de decidir o perfil (do ministro do STF) é na sabatina.

Qual foi o legado da Lava Jato?
Foi um passo importante no combate à impunidade, que foi desviado pelo personalismo desse projeto. Houve um desvio autoritário onde os fins justificavam os meios.

Como o sr. se posiciona nesse debate em torno da Lei de Segurança Nacional?
É uma lei de transição que vem sendo alterada desde a ditadura. Alguns artigos são absolutamente incompatíveis com a democracia, como esse da ofensa ao chefe de poder. Sarney, Collor, FHC, Itamar, Lula, Dilma e Temer. Qual deles foi beneficiado com o silêncio daqueles que criticavam o governo? Nenhum. Se existe algo defendido no Brasil é a liberdade de crítica. A Lei de Segurança estava guardada no armário. Foi um erro. O Supremo já deveria ter afastado pelo menos alguns destes artigos. O ministro da Justiça passou a manejar a Lei de Segurança Nacional. É hoje uma lei de censura. O Congresso é o espaço para solucionar isso. Cabe ao Judiciário afastar alguns artigos teratológicos e incompatíveis com a Constituição de 1988, mas esse modelo de defesa do estado democrático cabe ao Congresso Nacional.

Como está o processo da OAB contra o grupo de advogados conservadores que usou o símbolo da ordem e ameaça processar quem falar mal do presidente?
Há uma ação para tirar do ar que ainda não tem decisão. Abrimos um processo disciplinar por captação indevida de clientela. Esse grupo (Ordem dos Advogados Conservadores do Brasil) é uma fake news. É absolutamente insignificante. Tem 39 advogados, enquanto nós somos 1,3 milhão de advogados. Ele existe no campo do bolsonarismo, que é a rede social. São impulsionados pela milícia digital. Demorei para perceber isso: eles não têm representantes no mundo da política institucional da Ordem. O bolsonarismo odeia os princípios que a advocacia sempre professou, em defesa da democracia. Eu não tinha tomado nenhuma medida, mas eles publicaram um anúncio nas redes sociais dizendo que advogariam de graça contra quem fizesse críticas ao presidente. Usaram uma marca muito semelhante à da OAB, induzindo as pessoas ao erro.

Acredita que o ex-presidente Lula estará elegível em 2022?
Pelo que estou lendo, acredito que terá condições de elegibilidade.

Como avalia essa tentativa de formação de uma frente de centro para a disputa presidencial de 2022?
Não sou político. O que eu gostaria como presidente da Ordem é que esse campo democrático que vai direita à esquerda possa se organizar para fazer que o processo eleitoral de 2022 seja a reafirmação daquilo que construímos desde a redemocratização.

O sr. disse que não é político, mas foi procurado por partidos para se tornar um. Pretende disputar o governo do Rio de Janeiro?
Esse movimento não nasce dos meus olhos verdes, mas da importância que a OAB vem tendo nesse momento da história brasileira. Não sou político. Até o fim do meu mandato da Ordem no dia 31 janeiro de 2022 só trato de OAB. Meu destino pessoal não está resolvido. É uma decisão de vida que estou longe de tomar.

A Ordem tem algum projeto para ampliar o número de mulheres e negros?
Aprovamos hoje um provimento da nossa gestão para termos 30% de minorias raciais na composição das nossas chapas e paridade absoluta: 50% de mulheres, 50% de homens já em novembro. Só tivemos homens como presidentes do Conselho Federal.

A reabilitação de Lula é uma alternativa para derrotar Bolsonaro nas eleições de 2022

Publicado em 16 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Amarildo (agazeta.com.br)

Pedro do Coutto

Analisando-se sob o ângulo político inevitável, as decisões do Supremo Tribunal Federal e a onda da opinião pública revoltada contra Jair Bolsonaro, são os fatores essenciais para que Luiz Inácio Lula da Silva retornasse ao panorama marcante do país hoje e representasse uma forma eficaz de impedir a reeleição do atual presidente da República.

O processo político é dinâmico, ao contrário do que alguns cientistas políticos acreditam ao não levar em conta o caráter mutante de um sistema que abrange tanto a ideia democrática de liberdade, quanto os interesses legítimos tanto das classes produtoras, quanto dos 100 milhões de assalariados que se encontram com os seus vencimentos perdendo para a inflação.

DESASTRE – A ressurreição de Lula significa um posicionamento voltado para impedir a continuidade do desastre que nasceu nas urnas de 2018. Foram episódios que ficarão na história. Desejo que sejam focalizados em toda plenitude pelos historiadores do futuro.

No momento em que Jair Bolsonaro desencadeou precocemente a sua campanha eleitoral, a sociedade brasileira percebeu o risco que o país corria, sobretudo em face da atuação do próprio presidente da República, ameaçando pessoas, ridicularizando a pandemia, promovendo aglomerações, não usando máscara em situações públicas, agredindo pessoas com palavras de baixo calão. Tudo isso criou a necessidade de se ter um candidato capaz de derrotá-lo nas urnas em 2022.

OPONENTE – Percorrendo-se os caminhos políticos, não se encontrou um nome sequer que fosse mais viável eleitoralmente do que Lula da Silva. Na época da comunicação veloz, ficou nítido que o prazo para as eleições seria pouco para uma nova liderança. Apareceu o governador João Doria, mas o seu nome despertou dúvidas quanto às possibilidade de enfrentar o atual chefe do Executivo. Mas Lula tem todas as condições para isso.

Basta ver, conforme já frisei anteriormente, que Lula transferiu a Fernando Haddad, um candidato inexpressivo , 43% dos votos que marcaram o último embate para Presidência da República. Assim, com a decisão do Senado em instaurar a CPI da Saúde e com as decisões da Corte Suprema, as correntes preocupadas com a manutenção da democracia e com a liberdade de expressão, concluíram que o ex-presidente tem condições para evitar a continuidade do desastre que se instalou no Brasil.

COMUNICAÇÃO DO GOVERNO – Reportagens de Jussara Soares e Daniel Gullino, no O Globo, e de Gustavo Uribe, na Folha de São Paulo, nas edições de ontem, destacaram a substituição estabelecida por Bolsonaro na área de Comunicação da Presidência da República.

Bolsonaro afirmou que o país está no limite e aguarda um sinal do povo. Sinal para quê ? Por uma imagem melhor, pode ser. É uma expressão que pode ter sentido duplo, como aquele que marcou a renúncia de Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961. A área de Comunicação é disputada, mas a disputa não recai sobre nenhum jornalista profissional. Tem recaído ao longo dos anos, desde o primeiro governo Dilma Rousseff em técnicos em publicidade. A publicidade comercial nao e compativel com a  divulgação política e administrativa

O jornalismo é um teorema, que tem que ser comprovado na prática. A publicidade é um axioma, figura matemática que dispensa comprovações. As empresas estatais de uns tempos para cá, a exemplo de Furnas, não escalam jornalistas para o setor . Limitam-se a nomear pessoas que nada tem a ver com o jornalismo. Sei que agências de Comunicação e Relações Públicas estão por trás deste fenômeno. Claro, inclusive porque os contratos com empresas desse tipo rendem comissões.

ANÁLISE DOS FATOS –  Em matéria de salário não pode haver comissão. Trabalhei 15 anos em Furnas e posso citar o equívoco. Matéria de Comunicação só é eficiente através do jornalismo. Isso porque o jornalista tem sensibilidade para análise dos fatos que serão notícias e sabem dar o tratamento adequado aos conteúdos enviados aos veículos.

O jornalismo é composto também pela importância dos textos elaborados. No governo Bolsonaro não há texto positivo, pois não se conhece do Planalto um projeto sequer construtivo que se destine aos direitos coletivos da população. Não há obras, não se fala em rodovias, ferrovias. Em termos de petróleo, só se fala em aumentos de preços.

ALUGUÉIS DISPARAM – O Estado de São Paulo de quarta-feira coloca em destaque com bastante propriedade a crise social criada pelo reajuste dos aluguéis com base no IGPM da FGV. A matéria abrange tanto os aluguéis residenciais, quanto comerciais. Com o IGPM torna-se impossível os inquilinos pagarem os aluguéis. O IGPM de janeiro de 2020 a janeiro de 2021 acusa um reajuste de 21% e recai sobre as locações, mas o IPCA do IBGE aponta uma inflação de 5,4% no mesmo período.

Logo, com os salários congelados, os atuais inquilinos não conseguem pagar o aluguel, pois este pesa bastante na despesa da população.  A tese de congelar salários e elevar os preços é própria do ministro Paulo Guedes. Não tem cabimento e se tornou impossível.

CONFERÊNCIA DO CLIMA –  No O Globo de ontem, Renato Grandelle assinala que a reunião do clima convocada por Joe Biden começa no dia 22 de abril, encontro no qual Bolsonaro não deve se esquivar. No atual governo, o desmatamento e as queimadas apresentaram um grau de devastação maior do que aquele que existia antes de Bolsonaro assumir e Ricardo Salles ser nomeado para o Ministério do Meio Ambiente.

Na Folha de quinta-feira, Patrícia Campos Mello focaliza a posição do governo americano em relação ao setor, acentuando que a Cúpula dos Líderes, empenhada em conter o aquecimento global, está aguardando – afirmação da jornalista – seriedade por parte do presidente Bolsonaro e do governo brasileiro sobre a questão que aflige o universo.

Bolsonaro, a meu ver, ingressou em seu período final tendo pela frente uma montanha de gelo que necessita remover para cumprir a missão de governo, a qual não vem dando importância.

Em destaque

As duas Masters derrotas do Estado Democrático de Direito

Publicado em 03/05/2026 às 06:07 Alterado em 03/05/2026 às 09:18   E o acordão no Congresso para enterrar a CPI do Master, dará certo? Há qu...

Mais visitadas